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By Ferramentas Blog

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ECLESIOLOGIA 16 - A IGREJA NAS CASAS REVOLUÇÃO OU REFORMA?

A IGREJA NAS CASAS
REVOLUÇÃO OU REFORMA?

(Jamê Nobre)

As revoluções têm como característica mudar algumas partes do todo, mas no geral tende-se a mudar a forma sem alterar, no entanto, o conteúdo. A reforma trabalha na essência, mudando o conteúdo.
Por exemplo, Lutero apresentou suas teses e dentre elas, falou do sacerdócio universal dos santos e da salvação pela fé. Isso tocou nas bases do catolicismo. Por isso, foi uma reforma (resistida, aliás, pela Igreja Católica, daí a contra-reforma).
A ida da igreja para as casas não é uma revolução, pois não trata de uma mera mudança na maneira ou no local de reunião. Esse mover de Deus trata de uma reforma profunda na visão, na prática e na experiência do povo de Deus.
Daquilo que temos ouvido posso abstrair o seguinte pensamento: para que a igreja se estabeleça nas casas temos que trabalhar em cima de princípios, que são os fundamentos, antes de operar mudanças externas.
Essa mudança de visão, trata de uma visão da pessoa de Jesus, numa profunda revelação de sua pessoa, de forma que isso produza transformação no indivíduo. A conseqüência disso é uma mudança no entendimento do que é a igreja de Jesus. Se formos para as casas sem uma visão correta da igreja, cada casa será uma pequena denominaçãozinha, independente e autônoma. E aí ela se torna na melhor e mais bíblica motivação para as divisões.
Cada um de nós pode ir para sua casa e ali formar seu grupo à sua imagem e semelhança. Vamos ter uma base bíblica para realizar os sonhos da carne de divisão e independência.
O que a igreja na casa não é:
- Não é uma troca do lugar de reunião.
- Não é uma reunião.
- Não é uma simples melhora na estrutura.
- Não é uma mudança de formas.
- Não é o simples comer junto, pois o reino de Deus não é comida ou bebida.

O que é a igreja na casa:
- É uma mudança na raiz da Igreja.
- É uma mudança de mentalidade de seus membros.
- É uma restauração da vida de Jesus na família.
- É acender uma candeia na casa com o fim de atrair os vizinhos.

O Espírito de Deus tem nos levado a uma compreensão de que tudo o que ocorre em uma família produz reflexos na igreja. Se a igreja tem estado fraca é por que as famílias têm se tornado fracas. Uma outra coisa é que sempre pensamos e afirmamos que o novo testamento não fornece um modelo de estrutura para a igreja. Sempre pensamos que não há esse modelo nos evangelhos nem nas cartas. Penso que até agora temos procurado no lugar errado. Deus sempre trabalhou para a família e ao redor da família. O seu projeto foi de abençoar as famílias da terra. O seu desejo é ter uma família de muitos filhos semelhantes a Ele. Ele é Pai.
Diante disso, a única estrutura que cabe nos projetos da igreja é a estrutura de uma família, e isso está mais do que claro na Palavra.
O modelo está aí bem claro diante de nós.
A Igreja deve viver como família, com pais, irmãos e filhos e a única forma de alcançarmos isso é tornando as nossas casas em igrejas não com formas de reunião, mas em forma de manifestação do Espírito Santo na relação entre seus integrantes.
Para que a casa seja uma igreja, os seus participantes precisam viver como igreja: os pais precisam pastorear seu pequeno rebanho, a esposa e os filhos. Daí ele terá condições para cuidar de mais gente que o Senhor vai acrescentar. Por causa disso, precisamos trabalhar no ensino sobre as funções dos participantes de uma família e esse ensino passa por manifestar uma vida de exemplo.
Há uma parábola que expressa com a grande sabedoria de Jesus, o que ocorreu com a Igreja. Refiro-me à parábola da dracma perdida. Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. (Lucas 15:8,9). A dracma é uma moeda de valor bem baixo. O que fez com que aquela mulher acendesse uma candeia (gastando combustível), varresse sua casa buscando com diligência e faz uma festa convocando as amigas e vizinhas. Na sua convocação ela não diz que achou uma dracma que se havia perdido, mas ela diz, achei a dracma perdida. Isso demonstra que as vizinhas e amigas já sabiam da perda e que a dracma era especial. Especial por quê?
Uma interpretação é que era uma mulher pobre, demonstrado pelo fato de ter que acender uma candeia, o que representa uma casa sem janelas, escura, típico das casas pobres. Outra coisa é que ela mesma busca a dracma e não os empregados. E, por ser pobre, ela precisava muito dessa dracma.
A outra interpretação é que essa dracma fazia parte de um conjunto de moedas ligadas entre si, como um colar ou um diadema, que era usado por mulheres casadas (comprometidas) e se fosse perdida uma das dracmas ela não poderia usar o símbolo de seu compromisso. Penso que essa interpretação é mais coerente com as outras parábolas: uma ovelha no conjunto do rebanho, o filho e seu irmão no conjunto da família. O rebanho, colar e a família não seriam completos.
O colar, ou diadema, representa o compromisso que a igreja tem com o noivo. As dracmas representam os dons recebidos do Senhor, as nossas atitudes e frutos provenientes da nossa conversão e da operação do Espírito Santo, os ministérios, enfim as pequenas ou grandes coisas que revelam uma vida comprometida com o Senhor.
Algumas dessas coisas: dignidade, respeito, pureza, domínio próprio, humildade, disposição para servir, sobriedade, disciplina, submissão, coragem, integridade, fé, gentileza, dedicação, sobriedade, consagração, piedade, disposição ao trabalho, diligência, honestidade, delicadeza. Essas coisas se perdem ou são recebidas no relacionamento com Deus e com as pessoas.
Dentro de casa perdemos a maior parte da nossa vida espiritual. É no convívio com os de nossa casa que se manifesta realmente o que somos. Ouso dizer que o chamado "confins da terra" é aquele lugar mais difícil de ser alcançado e isso é o ambiente da nossa casa, pois ali a nossa autoridade é questionada e a nossa santidade é posta à prova.



O Senhor nos fala de coisas que as igrejas da Ásia perderam:
Éfeso - primeiro amor (Ap. 2:4) - Isso fala da forma como nos comportávamos, quando nos encontramos com o Senhor Jesus, a intensidade, o zelo, e também fala do lugar que Jesus ocupa em nossa vida - não há nada que amamos acima dele. Ele é o nosso primeiro amor.
Pérgamo - pureza doutrinária (Ap. 2:14) - A igreja deixou entrar em seus ensinamentos muita coisa que nem Jesus, nem os apóstolos ensinaram.
Hoje as pregações apontam para a felicidade humana como a grande conquista. O bem estar, como a grande meta. O hedonismo motiva muitos púlpitos. O imediatismo e o sucesso humanos passaram a ser a tônica dos sermões. Temos perdido o sentido de pureza na linguagem e na palavra. Afirmamos coisas que o Senhor não afirma e não afirmamos aquilo que Ele afirma. Damos ênfase ao que o Senhor não enfatiza e enfatizamos aquilo que ele não enfatiza. Achamos, portanto, lugar para divisões e contendas porque não pregamos a sã doutrina (Tt. 2).
Tiatira - padrão de santidade (Ap. 2:20) - A Igreja está vivendo uma crise que eu chamo de fronteira seca - são aquelas divisas internacionais que não têm um marco visível que determina onde começa ou termina um país - como Brasil e Bolívia em Corumbá, como Brasil e Uruguai e outros. Hoje está difícil saber onde termina a igreja e começa o mundo. A fronteira tem sido apagada, tem perdido sua função de separar uma nação da outra.
Sardes - a vida (Ap. 3:1) - A vida da Igreja é o Espírito Santo. As pessoas da Igreja no geral têm perdido a direção, o mover do Espírito Santo em sua vida privada. Espera-se o mover de Deus nos cultos, mas não se busca um mover de Deus no dia-a-dia, nas pequenas decisões - daí que muitos têm o nome de vivos mas estão mortos.
Laodicéia - o calor e as vestes (Ap. 3:16) - o afeto, a paixão por Jesus tem sido trocados por outras paixões. Temos nos tornados céticos e frios no nosso relacionamento com o Senhor. As orações perderam a intensidade e o compromisso. Somos mais razão e menos coração no nosso contato com o Senhor. As vestes representam a nossa cobertura - a vida de Deus sobre nós quando andamos em submissão. Se somos sujeitos a Ele, vamos resistir ao diabo e esse vai fugir de nós. O Senhor nos cobrirá. As vestes também apontam para aquilo que as pessoas vêem em nós. Isso fala do nosso testemunho. Não é tanto o que tentamos mostrar, mas é aquilo que somos no dia-a-dia, dentro de nossa casa. Os nossos pais, esposa ou filhos devem olhar para nós e ver a santidade, a pureza, a vida de Jesus - a nossa veste de linho fino, as nossas obras de Justiça.
Hoje a igreja é o reflexo daquilo que são as famílias. Uma viagem de carro de casa para o local de reunião não tem o poder de transformação como pode parecer, pois somos uma coisa em casa e outra diferente no ambiente de culto. Como numa esquizofrenia diabólica vivemos duplas personalidades. E isso veio porque conseguimos dividir o indivisível. Separamos a vida da família da vida da igreja. Passamos a adotar prática de vida diferenciada. Quando estamos no ambiente da família não temos a mesma atitude que quando estamos com os irmãos. Esquecemos que quando houver dois ou três reunidos no nome do Senhor, ali ele estará. Esquecemos que antes de sermos marido e mulher, pais e filhos, irmãos e irmãs, somos filhos de Deus e devemos viver como tal, para que as nossas orações não sejam interrompidas. Muita oração é interrompida por causa da duplicidade de vida.
Igreja na casa é a consciência de que somos pessoas espirituais e se antes nos conhecíamos segundo a carne agora nós nos vemos segundo Deus.
Igreja na casa é a transformação da vida de família em um ambiente de manifestação da vida de Deus e a conseqüente atração que a vida de Cristo opera naqueles que o encontram.
Por último e como paradigma indispensável, temos que obedecer à última ordem de Jesus, que foi o fazer discípulo. Uma igreja não pode subsistir como igreja sem cumprir esse mandamento do Senhor. Não podemos pensar no fazer discípulos como se fosse ministério de alguns, ou aceitar a esterilidade como algo normal. É mandamento do Senhor que cada filho dele faça discípulos. Isso implica na prática do discipulado pelos pais da igreja na casa e sobre eles. Cada chefe de família deve estar em íntima unidade com quem cuida de sua vida, sendo discípulo, para que possa fazer discípulos dentro de casa. Não se pode cobrar algo de outros quando não se pratica aquilo que exigimos.
Não defendo uma estrutura hierárquica, mas defendo a paternidade que deve ser reconhecida na Igreja. Cada um de nós foi gerado por alguém ou foi adotado por alguém que reconhecemos como pai. O discipulado é a adoção de pessoas como filhos e não é algo onde o discípulo é servo do discipulador, assim como a igreja não é serva de seus presbíteros. Ao contrário, aquele que cuida é servo do que é cuidado.
Que o Senhor nos abençoe e nos faça avançar no Seu querer

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