A
CRISTOLOGIA SEGUNDO OSCAR CULLMAN
INTRODUÇÃO
O estudo da
cristologia há muito se acha dividido entre duas correntes principais, no que
diz respeito aos pressupostos da pesquisa e à metodologia aplicada. A
dogmática, a partir da exegese escriturística, estrutura os dados relativos à
pessoa e à obra do Cristo sobre um alicerce bíblico-filosófico, ao moldar os
dados da revelação com determinadas estruturas de pensamento e de rigor lógico.
O historicismo crítico, por sua vez, parte da suficiência da pesquisa histórica
no conhecimento de Jesus Cristo para reconstruir suas características pessoais,
seus condicionamentos sócio-religiosos e as nuances da piedade judaico-cristã
primitiva, delimitando o perfil do Jesus histórico. A proposta de Oscar Cullman
para a investigação cristológica, no entanto, constitui-se uma abordagem
diferente, denominada por ele de método histórico-filológico, talvez uma
síntese entre dogmática e crítica histórica. Sua análise filológica examina o
texto, interpreta-o e utiliza-o como fundamento da compreensão do Cristo,
considerando sua pessoa e obra como aspectos indissociáveis - faces
interdependentes de um mesmo objeto de estudo -, sem necessidade de
"enquadramento" em esquemas filosófico-teológicos. A contribuição das
disciplinas históricas é utilizada como ferramenta exegética, dialeticamente
confrontado com o texto bíblico, única perspectiva possível, para Cullman, de
fundamentação histórica da vida do galileu chamado Jesus de Nazaré.
Tendo como
texto base a obra de Cullman Cristologia do Novo Testamento, este trabalho visa
ressaltar pontos importantes do pensamento deste teólogo alsaciano, através do
confronto com a dogmática clássica em seus matizes atuais e com algumas
conclusões do historicismo obtidas nas últimas décadas do século vinte,
presentes na obra de Geza Vermes.