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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ESTUDO TEOLÓGICO 2 - A CRISTOLOGIA SEGUNDO OSCAR CULLMAN

A CRISTOLOGIA SEGUNDO OSCAR CULLMAN

INTRODUÇÃO

O estudo da cristologia há muito se acha dividido entre duas correntes principais, no que diz respeito aos pressupostos da pesquisa e à metodologia aplicada. A dogmática, a partir da exegese escriturística, estrutura os dados relativos à pessoa e à obra do Cristo sobre um alicerce bíblico-filosófico, ao moldar os dados da revelação com determinadas estruturas de pensamento e de rigor lógico. O historicismo crítico, por sua vez, parte da suficiência da pesquisa histórica no conhecimento de Jesus Cristo para reconstruir suas características pessoais, seus condicionamentos sócio-religiosos e as nuances da piedade judaico-cristã primitiva, delimitando o perfil do Jesus histórico. A proposta de Oscar Cullman para a investigação cristológica, no entanto, constitui-se uma abordagem diferente, denominada por ele de método histórico-filológico, talvez uma síntese entre dogmática e crítica histórica. Sua análise filológica examina o texto, interpreta-o e utiliza-o como fundamento da compreensão do Cristo, considerando sua pessoa e obra como aspectos indissociáveis - faces interdependentes de um mesmo objeto de estudo -, sem necessidade de "enquadramento" em esquemas filosófico-teológicos. A contribuição das disciplinas históricas é utilizada como ferramenta exegética, dialeticamente confrontado com o texto bíblico, única perspectiva possível, para Cullman, de fundamentação histórica da vida do galileu chamado Jesus de Nazaré.

Tendo como texto base a obra de Cullman Cristologia do Novo Testamento, este trabalho visa ressaltar pontos importantes do pensamento deste teólogo alsaciano, através do confronto com a dogmática clássica em seus matizes atuais e com algumas conclusões do historicismo obtidas nas últimas décadas do século vinte, presentes na obra de Geza Vermes.