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terça-feira, 21 de maio de 2019

SERMÕES 84 - PROJETO FAMÍLIA (primeira parte)


PROJETO FAMÍLIA
(primeira parte)

Na Trindade a família encontra sua referência originária, seu arquétipo, sua fonte, sua causa e seu modelo. A família é uma representação da Trindade. Da relação existente em cada pessoa da Santíssima Trindade emana a fonte da relação intrafamiliar.
A Trindade é modelo e referência para toda família que é chamada a ser uma comunidade de vida e amor, onde deve existir uma relação especial de unidade e fidelidade, segurança e respeito.
A família foi assim projetada por Deus com o propósito de servir ao Reino de Deus. Ela não só esboça a imagem da Trindade, como por meio dela cada membro é preparado para viver em conexão eterna com a Trindade e com o próximo por meio de Jesus Cristo.
Para entendermos melhor o projeto família e seu propósito iremos olhar novamente para a Trindade Santíssima, uma vez, que ela é o modelo originário da família. Começamos pela...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

SERMÕES 59 - SANTIDADE: DEUS É SANTO


SANTIDADE: DEUS É SANTO

1 Disse ainda o Senhor a Moisés: 2 "Diga o seguinte a toda comunidade de Israel: Sejam santos porque eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo. (Levítico 19.1,2)
Hoje eu quero falar com vocês sobre santidade e duas verdades ficam evidentes no verso dois. A primeira verdade: Deus é santo. A segunda verdade: a vontade de Deus é que sejamos santos também. Essas mesmas verdades são reafirmadas no Novo Testamento.
15 Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, 16 pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo". (1 Pedro 1.15,16)
Diante dessas duas verdades precisamos responder duas perguntas: O que significa dizer que Deus é santo? O que Deus espera de nós ao nos chamar a santidade?
Hoje iremos nos deter apenas na primeira pergunta.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

MISSÕES 27 - A RELEVÂNCIA DA MISSIOLOGIA PARA A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA

A RELEVÂNCIA DA MISSIOLOGIA PARA A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA

Ao olharmos para a Igreja Evangélica Brasileira e o movimento missionário atual, percebemos como ao longo dos anos teologia e missão tem andado por caminhos diferentes, completamente divorciados, assim proponho que em primeiro lugar pensemos sobre a relação existente entre a Missiologia e a Teologia.
Orlando Costas em seu ensaio sobre “Educação Teológica e Missão”1 parte do principio de que a Missão é a mãe da Teologia, dizendo que isto pode ser afirmado pelo fato de que a “teologia nasce do movimento da Palavra do Deus vivente ao cruzar as múltiplas fronteiras da história para criar uma nova humanidade.” A missão é o meio pelo qual Deus faz nascer a Igreja, ela é resultado do esforço missionário não somente de Deus ao enviar seu filho ao mundo como também do esforço de irmãos de outros continentes que plantaram aqui a igreja.
A teologia nasce da necessidade desta igreja plantada, sob o poder do Espírito Santo, de ensinar os rudimentos da fé, refletir critica e sistematicamente sobre si mesma e equipar os seus líderes para a obra do ministério.
Em segundo lugar devemos pensar sobre a prática ministerial que resulta de uma educação teológica divorciada da missiologia.
Em seu ensaio “Missiologia e Educação Teológica”2 Carlos Del Pino conclui dizendo que, “em termos gerais, a nossa educação teológica não tem se preocupado com o aspecto missiológico e missionário na formação dos nossos alunos”, reforçando nossos temores de que o divorcio existente entre Teologia e Missiologia tem causado problemas para que a Igreja ganhe uma visão correta do ministério integral saudável.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

TEOLOGIA 20 - A NECESSIDADE DE UMA REVELAÇÃO DIVINA

A Necessidade de uma Revelação Divina

 1.1 - Introdução - O amor de Deus jamais poderia se contentar em apenas criar a raça humana e deixá-la em total ignorância a respeito de sua origem, seu uso e seu destino, além de sua própria relação com o Criador. Para que os homens pudessem ser responsáveis diante de Deus, e a vontade d'Ele lhes fosse manifesta, o próprio Deus dispôs a cada um dos homens os meios de conhecimento de Seus propósitos e de conjunção com Ele.
1.2 - Os meios de se conhecer o Criador - A natureza é uma revelação do Criador. O primeiro modo pelo qual Deus revelou a Sua Vontade e Sabedoria foi através da obra da criação, isto é, por meio da própria natureza, como diz o Salmo 19 (vers.1): "Os céus manifestam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos".
1.3 - O universo é uma imagem do Criador - Como não poderia deixar de ser, o caráter Divino do Criador foi impresso em todas as coisas criadas do universo. Por isso, as obras criadas são como um espelho em que se pode contemplar a Ordem original da criação, o caráter e a vontade Divinos. Como disse o apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos (1:20): "Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu poder como a Sua Divindade, se estendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas". Isto também era conhecido pelos sábios da antigüidade, como vemos por várias afirmações de filósofos, tais como: "A natureza é um livro escrito em ambos os lados, de dentro e de fora, em que o dedo de Deus se acha distintamente visível" - Schelegel. "Todas as coisas na natureza são esboços proféticos de operações Divinas: Deus não somente falando as parábolas, mas fazendo-as" - Tertuliano

quinta-feira, 20 de abril de 2017

TEOLOGIA 19 - A NATUREZA DA TEOLOGIA

A Natureza da Teologia

Ricardo Bellei


1. Definição e objeto da Teologia

O termo Teologia é de origem grega, e etimologicamente significa: tratado, ciência de Deus. O termo começou a ser utilizado pelos cristãos a partir de Euzébio de Cesarea. A partir de então será entendido como a exposição metódica e estruturada da Revelação aceita pela Fé.

Seria compreender e penetrar nas verdades reveladas à luz da razão iluminada pela fé.

Ou melhor, poderíamos defini-la como: a ciência na qual a razão do crente, guiada pela fé teologal, se esforça em compreender melhor os mistérios revelados em si mesmos e em suas conseqüências.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

TEOLOGIA 18 - A MODERNIDADE E A TEOLOGIA: QUESTÕES ACERCA DA REVELAÇÃO E DA RAZÃO

A Modernidade e a Teologia: Questões Acerca da Revelação e da Razão

Não refuto os ideais, apenas calço luvas diante deles... Nitimur in vetitum: neste signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora o que se proibiu sempre, por princípio, foi somente a verdade.
(F.W. Nietzsche (2000b: Prólogo, §3)


 Considerações Preliminares

A modernidade, segundo afirma alguns teóricos, data da chegada do europeu na América. Isso se formos olhar do ponto de vista histórico, ao passo que para alguns teóricos será inaugurada, dentro das ciências naturais, por Galileu e sua teoria heliocêntrica, onde a Terra giraria em torno do sol. Em contrapartida, do ponto de vista filosófico, ela é inaugurada pelo racionalismo cartesiano. Como se percebe são vários marcos, antes mesmo de começar este texto gostaria de me limitar ao ponto de vista filosófico.
Segundo Vergote (2002), a palavra será utilizada, em um primeiro momento, já no século XII, com o significado de recente (do latim modernus), ou seja, ela exprimiria algo que chegaria como uma descoberta. Logo em seguida, já no século XVI, será introduzida na língua francesa com uma utilização diferenciada, pero no mucho; neste momento ela passa a significar “progresso do saber”, além de uma ruptura com a tradição, no entanto, exprimindo um progressismo otimista.
Dentro das ciências naturais a palavra “moderno” surgirá com os experimentos de Francis Bacon, século XVI (contemporâneo de Galileu Galilei), onde:
(...) concebe uma nova filosofia do saber: a que deve substituir a lógica aristotélica pelo método de indução sistemática; ele propõe assim as bases lógicas da ciência experimental. (VERGOTE, 2002: p.40)
Como se percebe, a noção de modernidade trará incutida em seu gérmen uma crítica à Grécia Clássica, e aos preceitos fundadores dos valores ocidentais. Do ponto de vista teológico, é neste momento que começa-se a questionar uma ética que tinha sido utilizada pelos teóricos do cristianismo já em sua fundação (seria a metafísica aristotélica). Os teóricos saem do campo da lógica aristotélica para inaugurar uma filosofia experimental, onde o homem e não o divino ditariam as regras e regeriam os valores.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

TEOLOGIA 17 - A MISSÃO DA MULHER NO CONTEXTO SOCIAL DA IGREJA NA SOCIEDADE PÓS-MODERNA

A missão da mulher no contexto social da igreja na sociedade pós-moderna
Alexandre carneiro

A missão da mulher, não no ponto de vista ontológico, mas no ponto de vista social, historicamente foi determinada pela ideologia da supremacia masculina.
Em diferentes fases do pensamento humano, essa afirmação pode ser comprovada, tanto no contexto do pensamento secular quanto no contexto do pensamento religioso.
Para Aristóteles, o último grande filósofo grego, a mulher era uma espécie de “homem incompleto”. Para este filósofo, na reprodução o homem entrava com a forma e a mulher com a massa. A despeito de ser a Grécia o berço da filosofia clássica, onde foram formulados os primeiros ensaios sobre democracia, igualdade e liberdade, e a despeito dessa visão não ser a única da época, predominou tanto na idade antiga como na idade média. A verdade é que quanto mais nos distanciamos da idade moderna tanto mais constataremos a depreciação do papel da mulher.
Com a instauração da era moderna, o homem substituiu Deus no centro do universo. No entanto o novo enfoque humanista não alterou a condição feminina num mundo em que os homens determinavam as regras. Após a revolução industrial, com a nova configuração econômica da sociedade mediante o produto manufaturado e a emergência do fenômeno do inchamento urbano, a mulher assumiu um novo papel neste contexto urbano, e durante cerca de 150 anos foi convencida pelo slogan de que ela era a rainha do lar.
Evidentemente que as mulheres não passaram por todas essas etapas históricas sem uma reação, mas diga-se de passagem que tais reações nada mais foram do que atos isolados desprovidos de uma atitude coletiva de ampla repercussão e conquistas. A psicóloga Regina Navaro cita dois movimentos femininos em busca da emancipação da mulher: um na França do século XVII conhecido como o movimento das preciosas francesas; outro, nos Estados Unidos na virada do século XIX para o XX com a conquista feminina do direito de entrar na universidade.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

TEOLOGIA 16 - A MISSÃO DA IGREJA

A Missão da Igreja

Mt. 28:19,20; Mc 16:15,16; Jo 15:16; At. 1:8

Por que e para que existem igrejas de Cristo sobre a face da terra? Quais seriam seus objetivos e suas funções? São questões, a respeito da igreja, que qualquer crente em Cristo, bem intencionado e desejoso de viver uma vida cristã autêntica e eficiente, deveria procurar conhecer. Este conhecimento, porém, não pode ser à luz de idéias humanas (por mais bem intencionadas que sejam), que distorcem a causa da existência e, principalmente, a missão da igreja e que permeiam intensamente a nossa denominação. Cada vez vemos mais igrejas se perdendo em seus objetivos, deixando de cumprir sua missão, exatamente porque têm dado muito valor aos pensamentos humanos que diferem de indivíduo para indivíduo, de nação para nação, de grupos étnicos para grupos étnicos, de sociedades para sociedades. O resultado dessa tendência de as igrejas se pautarem pelos pensa-mentos humanos, é o fato de estarem cada vez se distanciando mais da sua própria razão de ser e, podemos dizer até mesmo de suas características originais de corpo de Cristo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

TEOLOGIA 15 - A MISSÃO DA IGREJA: UMA PERSPECTIVA LATINO-AMERICANA

A Missão da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana

Uma das questões mais cruciais da missiologia é a definição do próprio conceito de missão. O que se deve entender por missões cristãs? Quais são a natureza e os objetivos da missão da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teológicos. Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelização e “civilização.”1 Hoje é mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. Diferentes autores do século XX têm procurado expressar a missão da igreja em termos de desenvolvimento, presença cristã, diálogo inter-religioso, justiça e paz, diaconia e outros conceitos.
Certamente este é um assunto controvertido, mas também sumamente importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

TEOLOGIA REFORMADA 5 - A HERMENÊUTICA DE WESTMINSTER

A Hermenêutica de Westminster:
O que a Confissão de Fé de Westminster diz sobre a interpretação das Escrituras

O neoliberalismo
Muitos estudiosos e teólogos modernos concordam que o antigo liberalismo, como movimento histórico do século passado, está agonizando. Entretanto, muitos dos pressupostos do antigo liberalismo quanto à interpretação das Escrituras têm sobrevivido e encontrado expressão em várias correntes teológicas e hermenêuticas que historicamente pertencem ao período pós-moderno.
O rótulo "neoliberalismo" tem sido aplicado a esse movimento teológico-hermenêutico que preserva alguns dos pressupostos racionalistas do antigo liberalismo e que se utiliza de conceitos da filosofia, hermenêutica, linguística e teologia pós-modernas. É particularmente o sistema de interpretação das Escrituras do neoliberalismo que se constitui um desafio urgente à doutrina reformada.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

REFLEXÃO 193 - A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA?


A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA?

João Alves dos Santos 

Introdução e Conceitos
É comum ouvirmos que “a teologia mata a religião” ou que “a Igreja não precisa de teologia e, sim, de vida”. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de “teologia” que não passa de especulação humana, por não se basear em pressupostos de  uma hermenêutica bíblica. E até a “boa teologia”, quando se torna um fim em si mesma, pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. Não é disto que falamos aqui. Perguntamos se a verdadeira Teologia  é necessária à Igreja.
E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica, Teologia é o estudo de Deus, ou, definindo mais formalmente, “é a ciência que trata  de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra” (B.B. Warfield).  Perguntamos, por conseguinte, se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam, conscientemente, que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus.  O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

ESTUDOS 31 - A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA E SEUS PROBLEMAS

A Educação Teológica e Seus Problemas
Embora tenhamos comemorado os 140 anos da chegada de Kalley ao Brasil em agosto passado, ainda vai demorar para comemorarmos os 100 anos da Educação Teológica Congregacional.

1. OS PRIMÓRDIOS
A história revela que sempre houve e há um certo desinteresse pela educação teológica confessional. Provavelmente, uma das razões é que não nascemos uma denominação. Mesmo quando ela surgiu, em 1913, veio com um nome estranho: "União das Egrejas Evangélicas Indenominacionais do Brasil e Portugal". O que as unia era, simplesmente, os Vinte e Oito Artigos da Breve Exposição das Doutrinais Fundamentais do Cristianismo, os artigos de fé assinados por Kalley e os oficiais da Igreja Evangélica Fluminense, em julho de 1876. Era o início de uma denominação com um nome que era um contra-senso. Imagine alguém perguntando: "você é de que denominação?" E a resposta: "Somos da denominação Indenominacional." Alguém afirma que as coisas tomaram esse rumo por conta do medo da identificação com os congregacionalistas americanos, que eram liberais. Àquela altura, na Segunda década do século XX, o Evangelho Social de Walter Rauschenbush já dominava o cenário teológico norte-americano e os fundamentalistas já haviam lançado seus manifestos intitulados "The Fundamentals", desde 1907.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

TEOLOGIA REFORMADA 1 - A DOUTRINA REFORMADA DA AUTORIDADE SUPREMA DAS ESCRITURAS

A Doutrina Reformada da Autoridade
Suprema das Escrituras


A doutrina que me proponho a considerar neste artigo foi de fundamental importância na Reforma Protestante do Século XVI. Em contraposição, por um lado, à doutrina católica romana de uma tradição oral apostólica e, por outro lado, ao misticismo dos assim chamados entusiastas ou reformadores radicais, os Reformadores defenderam a doutrina da autoridade suprema das Escrituras. Essa foi, portanto, a sua resposta à autoridade da tradição eclesiástica e do misticismo pessoal.
A autoridade suprema das Escrituras também é uma doutrina puritano-presbiteriana. A ela os puritanos tiveram que apelar freqüentemente na luta que foram obrigados a travar contra as imposições litúrgicas da Igreja Anglicana.1  A Confissão de Fé de Westminster professa a referida doutrina em três parágrafos do seu primeiro capítulo. No quarto parágrafo, ela trata da origem ou fundamento da autoridade das Escrituras:

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

ESTUDOS 27 - A DOUTRINA DE DEUS

A DOUTRINA DE DEUS.

SOBRE A EXISTENCIA DE DEUS.

1 – PROVAS BÍBLICAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS.

Para nós a existência de Deus, é a grande pressuposição da teologia. Não há sentido falar do conhecimento de Deus, a menos que admitamos que Ele existe.
A pressuposição cristã não é que há simplesmente um força ou um poder que caracteriza Deus, mas a existência de um SER PESSOAL, através de quem se originam todas as coisas, que transcendo toda a criação, ainda que seja imanente em cada parte dela.
A Escritura, que é a revelação divina, parte do pressuposto que Deus existe ( Gn. 1.1). A base da informação de que Deus existe está na revelação geral e especial. Nós cremos que Deus existe, mas a nossa fé descansa em informação fidedigna.
A Escritura fala muito em Deus, mas em nenhum lugar ela tenta provar a existência dEle, (Hb. 11:6; Jo .7:17; Os. 6:2; 1 Cor. 1:20-21). Ela simplesmente expõe quem Deus é.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

ESTUDO TEOLÓGICO 3 - A DIVINA TRÍADE: IRINEU DE LIÃO E A DOUTRINA DE DEUS

A Divina Tríade:  Irineu de Lião e a Doutrina de Deus

Irineu, o bispo de Lião (140-200 AD, aproximadamente), ocupa um lugar de destaque tanto na história da igreja em geral quanto na história do pensamento cristão em particular. A sua vida e obra são especialmente significativas porque ele viveu em um período importante da igreja primitiva, sobre o qual temos relativamente poucas informações. O segundo século foi uma época em que os apóstolos, os sucessores imediatos de Jesus, já não viviam, e a igreja cristã ainda não havia alcançado a força e estabilidade que iria obter nos séculos seguintes. Foi uma época de incertezas para o movimento cristão ainda recente, constantemente ameaçado por perseguições e heresias; uma época em que a igreja, pressionada pelos desafios lançados tanto por seus críticos pagãos como por seus dissidentes cristãos e pseudo-cristãos, sentiu-se mais e mais compelida a explicitar a sua fé em termos claros e convincentes.1 
Irineu de Lião tem sido chamado merecidamente "o pai da ortodoxia cristã", "o pai da dogmática católica" e "o primeiro grande teólogo sistemático da igreja."2  Ele também foi caracterizado como o mais importante teólogo do segundo século, o teólogo que sintetizou o pensamento daquele século e dominou a ortodoxia cristã antes de Orígenes.3  Curiosamente, Irineu não foi primariamente um teólogo no modelo escolástico, mas um pastor e mestre da igreja, um homem preocupado com a integridade da mensagem cristã e com a unidade, paz e prosperidade do corpo de Cristo. Os seus escritos são uma resposta direta, motivada por considerações pastorais e práticas, ao sério desafio e ameaça representados pelo gnosticismo. Portanto, ele se dirige a outros líderes cristãos para ajudá-los a protegerem os seus rebanhos de ensinamentos que pervertiam seriamente o evangelho.
A sua luta decisiva e eficaz contra o gnosticismo coloca Irineu entre os chamados Pais Anti-Gnósticos. Como tal, Irineu se insere numa longa tradição de defesa corajosa da fé cristã contra as heresias que foi iniciada pelos autores do Novo Testamento e teve prosseguimento com os Pais Apostólicos e os Apologistas.4  Nos seus esforços intelectuais ele foi imediatamente seguido pelos grandes pensadores do terceiro século, mui especialmente Tertuliano (c.155-222) e Orígenes (c.185-254).
Ainda que não tenha sido fundamentalmente um teólogo, muito menos um teólogo sistemático, Irineu certamente produziu uma teologia profunda, sólida e influente. No entanto, ao contrário dos Apologistas, particularmente Justino Mártir (c.100-165), ele nutria grandes suspeitas em relação às especulações filosóficas, e isto por duas razões—elas não levavam a conclusões certas e confiáveis e eram, a seu ver, uma das fontes do gnosticismo.5  O traço peculiar dos escritos de Irineu é a sua natureza explicitamente bíblica. Ele é acima de tudo um teólogo bíblico, no sentido de que para ele a tradição bíblica era a única fonte da fé e o verdadeiro fundamento da teologia. Tendo rejeitado a noção de que o conteúdo da revelação era simplesmente uma nova e melhor filosofia, Irineu, mais do que qualquer dos seus predecessores, esforçou-se para fornecer uma síntese de toda a Escritura, cobrindo todas as principais áreas da teologia cristã.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ESTUDO TEOLÓGICO 2 - A CRISTOLOGIA SEGUNDO OSCAR CULLMAN

A CRISTOLOGIA SEGUNDO OSCAR CULLMAN

INTRODUÇÃO

O estudo da cristologia há muito se acha dividido entre duas correntes principais, no que diz respeito aos pressupostos da pesquisa e à metodologia aplicada. A dogmática, a partir da exegese escriturística, estrutura os dados relativos à pessoa e à obra do Cristo sobre um alicerce bíblico-filosófico, ao moldar os dados da revelação com determinadas estruturas de pensamento e de rigor lógico. O historicismo crítico, por sua vez, parte da suficiência da pesquisa histórica no conhecimento de Jesus Cristo para reconstruir suas características pessoais, seus condicionamentos sócio-religiosos e as nuances da piedade judaico-cristã primitiva, delimitando o perfil do Jesus histórico. A proposta de Oscar Cullman para a investigação cristológica, no entanto, constitui-se uma abordagem diferente, denominada por ele de método histórico-filológico, talvez uma síntese entre dogmática e crítica histórica. Sua análise filológica examina o texto, interpreta-o e utiliza-o como fundamento da compreensão do Cristo, considerando sua pessoa e obra como aspectos indissociáveis - faces interdependentes de um mesmo objeto de estudo -, sem necessidade de "enquadramento" em esquemas filosófico-teológicos. A contribuição das disciplinas históricas é utilizada como ferramenta exegética, dialeticamente confrontado com o texto bíblico, única perspectiva possível, para Cullman, de fundamentação histórica da vida do galileu chamado Jesus de Nazaré.

Tendo como texto base a obra de Cullman Cristologia do Novo Testamento, este trabalho visa ressaltar pontos importantes do pensamento deste teólogo alsaciano, através do confronto com a dogmática clássica em seus matizes atuais e com algumas conclusões do historicismo obtidas nas últimas décadas do século vinte, presentes na obra de Geza Vermes.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

CRIAÇÃO 4 - A CRIAÇÃO DE DEUS

A Criação de Deus

Deus é o artista máximo. Deus olhou para a Sua criação enquanto se desenvolvia, e viu que era boa; quando Ele a terminou, viu que era "muito boa." O Grande Artista estava evidentemente satisfeitíssimo com o Seu mundo. Era um mundo cheio de objetos, formas e movimentos maravilhosos, um mundo com abundância de cores vivas e lindas como as do arco-íris e da rosa, texturas magníficas como o pelo do castor e as folhas da magnólia, odores muito agradáveis como o do marmelo e da madressilva, sons cheios como o do trovão e dos riachos a correr, e sabores deliciosos como os da melancia e do chocolate. Clyde S. Kilby
*
Deus, na Sua criatividade, não Se limitou a fazer o mínimo necessário para terminar o trabalho, Ele foi muito além. As borboletas nas florestas tropicais, raramente vistas pelos olhos humanos, são criaturas de uma beleza extasiante. A transparência delicada da medusa, e as asas do beija-flor são inigualáveis. 

Le Roy Koopman

CRIAÇÃO 3 - O DEUS DA CRIAÇÃO

 O DEUS DA CRIAÇÃO. 

Gn 1.1 “No princípio, criou Deus os céus e a terra.

(1) Deus se revela na Bíblia como um ser infinito, eterno, auto-existente e como a Causa Primária  de tudo o que existe. Nunca houve um momento em que Deus não existisse. Conforme afirma Moisés: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Noutras
palavras, Deus existiu eterna e infinitamente antes de criar o universo finito. Ele é anterior a toda criação, no céu e na terra, está acima e independe dela (ver 1Tm 6.16 nota; Cl 1.16). (2) Deus se revela como um ser pessoal que criou Adão e Eva “à sua imagem” (1.27; ver 1.26 nota). Porque Adão e Eva foram criados à imagem de Deus, podiam comunicar-se com Ele, e também com Ele ter comunhão de modo amoroso e pessoal. (3) Deus também se revela como um ser moral que criou tudo bom e, portanto, sem pecado. Ao terminar Deus a obra da criação, contemplou tudo o que fizera e observou que era “muito bom” (1.31). Posto que Adão e Eva foram criados à imagem e semelhança de Deus, eles também não tinham pecado (ver 1.26 nota). O pecado entrou na existência humana quando Eva foi tentada pela serpente, ou Satanás (Gn 3; Rm 5.12; Ap 12.9).
 A ATIVIDADE DA CRIAÇÃO. (1) Deus criou todas as coisas em “os céus e a terra” (1.1; Is 40.28; 42.5; 45.18; Mc 13.19; Ef 3.9; Cl 1.16; Hb 1.2; Ap 10.6). O verbo “criar” (hb.“bara”) é usado exclusivamente em referência a uma atividade que somente Deus pode realizar. Significa que, num momento específico, Deus criou a matéria e a substância, que antes nunca existiram (ver 1.3 nota). (2) A Bíblia diz que no princípio da criação a terra estava informe, vazia e coberta de trevas (1.2). Naquele tempo o universo não tinha a forma ordenada que tem agora. O mundo estava vazio, sem nenhum ser vivente e destituído do mínimo vestígio de luz. Passada essa etapa inicial, Deus criou a luz para dissipar as trevas (1.3-5), deu forma ao universo (1.6-13) e encheu a terra de seres viventes (1.20-28). (3) O método que Deus usou na criação foi o poder da sua palavra. Repetidas vezes está declarado: “E disse Deus...” (1.3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26). Noutras palavras, Deus falou e os céus e a terra passaram a existir. Antes da palavra criadora de Deus, eles não existiam (Sl 33.6,9; 148.5; Is 48.13; Rm 4.17; Hb 11.3). (4) Toda a Trindade, e não apenas o Pai, desempenhou sua parte na criação. (a) O próprio Filho é a Palavra (“Verbo”) poderosa, através de quem Deus criou todas as coisas. No prólogo do Evangelho segundo João, Cristo é revelado como a eterna Palavra de Deus (Jo 1.1). “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Semelhantemente, o apóstolo Paulo afirma que por Cristo “foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis... tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1.16). Finalmente, o autor do Livro de Hebreus afirma enfaticamente que Deus fez o universo por meio do seu Filho (Hb 1.2). (b) Semelhantemente, o Espírito Santo desempenhou um papel ativo na obra da criação. Ele é descrito como “pairando” (“se movia”) sobre a criação, preservando-a e preparando-a para as atividades criadoras adicionais de Deus. A palavra hebraica traduzida por “Espírito” (ruah) também pode ser traduzida por “vento” e “fôlego”. Por isso, o salmista testifica do papel do Espírito, ao declarar: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito (ruah) da sua boca” (Sl 33.6). Além disso, o Espírito Santo continua a manter e sustentar a criação (Jó 33.4; Sl 104.30).

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

CALVINO 4 - A CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA DE JOÃO CALVINO

A Consciência Missionária de João Calvino

Introdução
João Calvino, o reformador do século XVI, freqüentemente tem sido acusado por muitos historiadores de ter sido totalmente inoperante quanto ao mandato missionário dado à igreja de fazer discípulos de todas as nações. O propósito deste trabalho é oferecer uma reflexão com o fim de demonstrar que esta não é a verdade acerca do reformador. Podemos encontrar em Calvino elementos missiológicos reveladores de que ele possuía consciência de que o evangelho deveria ser anunciado em outros lugares e para outros povos.

I. Calvino é acusado de não possuir uma mente missionária
"Que Calvino e os seus seguidores de Genebra no século XVI não possuíam nenhum interesse em missões é freqüentemente tomado como axiomático, porque eles não enviaram imediatamente missionários para a Índia, África ou China quando introduziram a Reforma em Genebra."(1) Será que essa afirmação é verdadeira em tudo o que representa? Podemos aceitar a idéia de que João Calvino foi um completo fracasso em missões e que nada fez para contribuir para o avanço do evangelho no mundo?
Durante os dias da Contra-Reforma, o cardeal Roberto Bellarmine incluiu entre as dezoito marcas da verdadeira igreja a sua atividade missionária. Ele disse: "Os heréticos nunca converteram pagãos ou judeus à fé, mas apenas perverteram cristãos. Neste mesmo século os católicos converteram muitos milhares de pagãos do novo mundo."(2)  Essas palavras foram ditas com o fim de demostrar que os reformadores eram hereges. Colocar a atividade missionária como marca da igreja verdadeira foi apenas um subterfúgio para afirmar isso. Foi também o historiador católico e professor de missões Joseph Schmidlin, de Münster, que afirmou que os reformadores não estavam conscientes da idéia de fazer missões e assim não mostraram nenhuma atividade missionária.(3) Como nós podemos ver, o pensamento de que Calvino e os outros reformadores não possuíam nenhuma consciência missionária teve início entre os católicos romanos, com o propósito de enfraquecer o movimento reformado ante a opinião pública da época.
Tempos depois, a mesma idéia foi esposada pelo protestante Gustav Warneck, quando afirmou:

Nos reformadores não encontramos nenhuma ação missionária, bem como a idéia de missões, no sentido em que entendemos missões hoje. O novo mundo de pagãos, que foi descoberto além mares, estava fora do alcance dos reformadores. Ainda que isto tenha algum peso, a razão fundamental que os bloqueou era mais teológica do que qualquer outra coisa. Essa razão teológica impediu que os mesmos tivessem uma atividade missionária e também uma direção missionária.(4)