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By Ferramentas Blog

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ECLESIOLOGIA 18 - CRESCIMENTO DA IGREJA

CRESCIMENTO DA IGREJA

Introdução

Meu objetivo neste trabalho não é citar meios ou dar formulas para o crescimento da igreja. Além de que hoje temos vários livros escritos a respeito deste assunto.
Procuro neste trabalho seguir o método de nossas aulas, onde o objetivo é levantar os problemas encontrados hoje na igreja.
Neste trabalho tento levantar os problemas que temos encontrado em nossas igrejas diante o crescimento acelerado que vem ocorrendo nestes últimos dias. Também não tenho o objetivo e nem a pretensão de solucionar estes problemas.

Fatores que contribuem para o crescimento da igreja

            É visível em nosso país o crescimento das igrejas sejam evangélicas, católicas, protestante, etc. As igrejas têm crescido tanto em números de membros como em números de templos e muitas novas denominações tem surgido.
            Não posso deixar de mencionar que as igrejas pentecostais e néo-pentecostais são as igrejas que mais tem se destacado neste crescimento.
            Qual a causa do crescimento das igrejas?
            Não sei responder a esta pergunta com exatidão, mas acredito que algumas coisas têm contribuído para este crescimento. As igrejas estão funcionando como um lugar de desabafo, lugar de refugio, lugar de esperança e também tem desempenhado seu papel de proclamadora.
            A igreja se tornou um lugar de desabafo, porque na igreja as pessoas têm soltado o seu grito de angustia, de raiva, o choro de tristeza das injustiças sofridas no seu dia a dia.
Nosso povo tem sido há muito tempo lesado pelos órgãos do governo. Nosso povo tem sido roubado em seus direitos como cidadãos desta nação.
Em nosso país os homens e mulheres de classe média baixa estão se tornando cada vez mais pobres com algumas poucas exceções, enquanto os de classe alta se tornam cada vez mais ricos.
O número de desemprego tem aumentado. Homens e mulheres que dependem do INSS morrem por falta de assistência médica. Crianças deixam de estudar para trabalhar colhendo café, cortando cana, etc., ou pedindo esmolas para sobreviverem.
Nas escolas estaduais alunos têm sido mortos, espancados e professores são constantemente ameaçados de morte. Temos vivido numa miséria econômica, moral, educacional e em todas as áreas.
Diante esta miséria o povo tem corrido para as igrejas na esperança de encontrarem ajuda de Deus e de sua igreja.
As igrejas se tornam o lugar de desabafo onde o indivíduo pode liberar a dor causada pela fome, pela miséria, onde ele pode expressar os sentimentos que estão reprimidos. Neste sentido acredito que as igrejas pentecostais e néo-pentecostais tem se tornado o melhor local para se desabafarem e por isso tem crescido de modo extraordinário. As igrejas jogam a culpa de todo sofrimento, de toda dor, de toda miséria vivida ao diabo e as pessoas extravasam toda a sua ira no diabo. Elas gritam para ele (o diabo), cantam musicas como “eu era prego e agora sou marreta e amasso a cabeça do diabo” e desta forma vão esvaziando sua raiva no diabo.
Igreja um lugar de refugio onde as pessoas procuram abrigo e ajuda.
Como já mencionamos acima a miséria tem tomado conta de nosso país. A renda per capita esta muito mal distribuída. Ultimamente temos ouvido através dos noticiários vários casos de arrombamentos de supermercados. Estes arrombamentos têm ocorrido como sinal da situação caótica em que muitos brasileiros tem se encontrado. Estes arrombamentos denunciam a falha do governo em não providenciar alimento para o povo, emprego para que possam se sustentarem. Contudo também demonstra a falta de educação do povo que se deixaram ser conduzidos a estes arrombamentos, por organizações políticas que têm outros interesses com esta história. Não quero me deter nas causas políticas que estão por trás destes saques aos supermercados.
As igrejas se tornaram refugio para estas pessoas famintas, desabrigadas, que buscam na igreja proteção e alimento.
Igreja um lugar de esperança. Desde seu inicio a igreja traz uma pregação de esperança, onde aqueles que crêem no Filho de Deus terão a vida eterna e habitarão no paraíso.
Que esperança há para este povo faminto, injustiçado, oprimido pelos poderosos? O povo já não tem muita esperança de receber do governo alguma ajuda. Não conseguem mais enxergar sinais de mudança tão próxima. O governo esta desacreditado, o sistema que governa nosso país esta desacreditado.
Estamos próximos as eleições para escolhermos nosso novo presidente. Quem tem reais condições de assumir este cargo? Que esperança temos então?
A igreja traz em seu discurso uma pregação “contracultura” estabelecida, contra o sistema que governa o nosso mundo. A igreja prega um novo Reino, uma nova terra, um novo céu, que se contrapõe com o mundo em que vivemos. Este novo mundo será governado com justiça, lá não haverá fome, dor, choro.
A igreja não é só vista como um lugar de esperança por causa de sua pregação escatológica, mas também por que se espera encontrar nela a manifestação presente desta pregação escatológica, isto é, as pessoas vem para a igreja esperando ser bem recebidas pelo povo de Deus, com a expectativa de serem amadas e tratadas como seres humanos que elas são.
A igreja tem sido proclamadora. Nestes últimos dias a igreja tem conseguido através da mídia bons resultados em termos de crescimento de igreja. O evangelho tem alcançado muitos lares por meio do radio, da televisão, internet, etc.
Hoje é muito comum encontrarmos pessoas usando camisetas com frases bíblicas, com o nome de Jesus ou que expressam a fé em Jesus. Da mesma forma encontramos versículos bíblicos espalhados pelos outdoors da cidade, ou pelos vidros dos carros.
O evangelho não tem só alcançados as pessoas de classe mais baixa, hoje temos pessoas de nome confessando sua fé em Jesus Cristo. Não quero me deter agora nos problemas que tem sido causado pelo anuncio de um evangelho barato, onde muitas vezes tem sido pregado de forma superficial ou como diz certo amigo um “evangelho light”, sem compromisso, sem profundidade, sem substância, um evangelho onde Jesus é tratado como o garçom que traz as bênçãos desejadas e não como o Senhor da igreja.
Contudo o evangelho tem sido anunciado às igrejas estão crescendo, novas denominações surgem dia a após dia.

Problemas que tem surgido em meio a este crescimento

            Considerando que o povo procura a igreja como um lugar de desabafo, de refugio e de esperança; devemos entender que eles tem razão em fazer isso, pois essa é a idéia que se tem de igreja. As pessoas olham para a igreja e vêem nela um lugar para se refugiarem do mal que domina o mundo, um lugar de paz, um lugar que esta sempre pronto para acolherem os necessitados. Embora nem sempre a igreja faça esse papel. Se a igreja ainda existe é para proclamar o evangelho. Esta proclamação deve ser feita não só pela pregação, mas também pelo serviço. Em outras palavras a igreja também existe para servir ao próximo.
            A igreja não deve estar alheia a sociedade em que faz parte, e, sim ajudar a sociedade a se tornar mais semelhante a imagem do seu criador.
            O maior problema não está na motivação que leva as pessoas as igrejas, mas se encontra dentro da própria igreja. O indivíduo chega na igreja com o desejo de desabafar, de soltar a raiva que esta reprimida, de colocar os sentimentos para fora, de poder receber um abraço, uma palavra de incentivo, de esperança e o próprio Senhor Jesus disse “vinde a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei”.
            A falha da igreja não se encontra tanto por não dar ao indivíduo aquilo que ele esta procurando de imediato, mas é de não levar o indivíduo a uma intimidade maior com Deus e de não prepara-lo para poder vencer as dificuldades encontradas no mundo lá fora.
A igreja leva o indivíduo a culpar o diabo por tudo que lhe acontece de mal. Se o indivíduo não consegue trabalho, se briga com a esposa, com os filhos, se é mandado embora do trabalho, seja qual for o problema o diabo é culpado. Chega no Domingo ele pula, grita, bate os pés como se estivesse pulando, gritando e pisando sobre o próprio diabo. Fazendo isto o indivíduo libera sua raiva, extravasa seus sentimentos e pode sair dali pronto para mais uma semana.
Muitas igrejas tem crescido desta forma onde se espiritualiza tudo e não se coloca os pés nos chão, as pessoas não são capazes de reconhecerem que podem ter perdido o emprego por falhas próprias, que brigou com a esposa por orgulho de sua própria parte ou egoísmo, em fim que nem tudo de mal que nos acontece é culpa do diabo. Não quero dizer com isto que o diabo não exista ou que ele não tem culpa dos males que nos acontecem.
Mas diante o crescimento que a espiritualização traz as igrejas os lideres preferem continuar calados e deixar o povo andar como cegos. Muitos lideres aprenderam em suas igrejas de forma errada, não estudaram a Bíblia com profundidade e pregam os mesmo erros que aprenderam e mais culpados ainda são aqueles lideres que aprenderam a verdade, mas se deixam levar pelo engano. Pois sabem que estas coisas atraem o povo.
O centro das pregações tem sido o homem e as suas necessidades. Deus se tornou o dono das bênçãos e Jesus o servidor, isto é, aquele que traz a benção. Jesus tem feito o papel de garçom que anota o pedido leva para Deus e traz a benção quentinha sobre a mesa daquele que fez o pedido.
É verdade que Deus quer nos abençoar, mas Deus quer muito mais do que isso. Por isso afirmo novamente o maior problema não esta na motivação com que as pessoas chegam a igreja, pois estas são um caminho, um meio para que elas cheguem a Deus. O maior problema se encontra nas igrejas que só procuram dar algo imediato e não levam as pessoas a conhecerem à Deus com profundidade.
Falta nas igrejas discipulados, ensinos profundos da verdade cristã até mesmo entre as lideranças.
A evangelização através da mídia tem conseguido penetrar em locais de difícil acesso para a igreja. Hoje temos vários canais de televisões e também varias estações de radio transmitindo 24hs de musicas, pregações, testemunhos, etc., levando o evangelho por todo país. A mídia tem conseguido levar o evangelho ao conhecimento das pessoas, contudo tem trazido sérios problemas a igreja.
O trabalho com a mídia tem levado as igrejas a se tornarem mais empresarial. O marketing exige uma organização, e leva a pessoa a pensar em resultados imediatos.
Com a mídia surge os mega-star dos púlpitos, homens que começam a ser idolatrados como atores de televisão.
Para conseguir prender as pessoas na tela da televisão os pregadores transformaram os cultos em verdadeiros entretenimentos. Muitas das pessoas que vão hoje aos cultos querem assistir estes entretenimentos, querem ver os mega-star dando seus shows na frente da igreja e não estão se importando com a palavra pregada.
As conseqüências de tudo isso já se começa a manifestar em nosso meio. Os membros de nossa igreja hoje não sabem explicar o que é nascer de novo, o que é justificação, não conhecem a história de sua igreja. Muitas igrejas tem surgido do nada com dogmas sem fundamento bíblico algum. Distorções da palavra tem ocorrido em nosso meio como novas revelações da Palavra de Deus. As igrejas tem sido transformadas em empresas e como empresas tem seus fins lucrativos. O nome de Jesus se tornou barato, e tem sido usado de forma vã.
Que fim terá a igreja através desse tipo de crescimento?

Conclusão

            As igrejas tem crescido em nossos dias e muitos tem visto este crescimento como um avivamento. Seria este crescimento um sinal de avivamento?
            Como dizer que este surto é um avivamento se a palavra de Deus tem sido deixada de lado. Os sentimentos, as emoções tem sido o referencial para muitas igrejas e doutrinas são formadas por visões ou experiências.
            Que avivamento e este que não traz santidade a igreja e que não tem promovido um compromisso maior com a pessoa de Jesus Cristo?
            Que avivamento que em vez de unir as igrejas tem levado elas a brigarem cada vez mais umas com as outras?
            Precisamos de um avivamento que nos leve de volta para a Palavra de Deus. Que reaviva o amor, a santidade na igreja. Devemos crescer, mas ter como alvo o crescimento individual de cada pessoa, levar cada membro da igreja a um conhecimento maior de Deus.    

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
Ano: 1999 

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