TRADUTOR

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
By Ferramentas Blog

quinta-feira, 24 de maio de 2012

REFLEXÃO 56 - DIAS DE AVIVAMENTO E DIAS DE SOFRIMENTO - 1



DIAS DE AVIVAMENTO E DIAS DE SOFIMENTO - 1

Recentemente estava relendo um livro[1], do Pr. Caio Fábio Jr., o qual me chamou a atenção pelo fato de que embora já tenha se passado 17 anos, viramos o século, mas muito do conteúdo do livro me pareceu atual, isto é, estamos perpetuando o mesmo ciclo desde então.

Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos (At 2.17).

Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis (2 Tm 3.1).

Estamos diante dois textos que fazem referência aos últimos dias. Entretanto estes dois textos apresentam dois pontos de vista, bem diferentes, a respeito dos últimos dias.

O primeiro texto é uma citação do apóstolo Pedro, da profecia de Joel (Jl 2.28a). Pedro cita a profecia de Joel como cumprida nos seus dias. Pedro compreende que os últimos dias começaram com o Pentecostes. Este texto é desejável por toda igreja. Muitos oram pelo derramar do Espírito sobre toda carne, pelo cumprimento das palavras seguintes deste texto que diz: os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até sobre os servos e servas derramarei do meu Espírito naqueles dias (Joel 2.28b-29)
É maravilhoso pensarmos nos últimos dias como um dia de grande avivamento, onde todos os povos terão a oportunidade de experimentarem do Espírito de Deus. O tempo, chamado de “Os últimos dias” ficou marcado com o derramar do Espírito de Deus e continua sendo marcado por esse derramar.
O derramar do Espírito de Deus significa que toda carne, todo homem e mulher podem agora vivenciar uma comunhão viva e intensa com Deus, por meio de Jesus Cristo. Este é o tempo marcado pelos sonhos de um mundo melhor, por jovens que visionam uma sociedade justa e por empregados e empregadas que falam em nome de Deus.
O segundo texto, foi escrito por Paulo, possui uma perspectiva não muito desejável dos últimos dias. Paulo, o apóstolo, afirma que serão tempos em que homens e mulheres sofrerão, por causa do aumento da maldade do ser humano em geral.
Paulo trata os “últimos dias” como algo que estava próximo de acontecer, mas que ainda não tinha acontecido. Devemos considerar que Paulo está dizendo para a Igreja que serão tempos difíceis. Paulo fala de um futuro próximo.
O que pretendo aqui chamar a atenção é que ambas as visões ou interpretações dos últimos dias são verdadeiras. Ambas são palavras dignas de atenção de nossa parte, pois estão mostrando duas realidades que serão experimentadas pela Igreja e consequentemente pelo mundo nos últimos dias.
Portanto amados, os últimos dias significa tempo de avivamento! Dias de grande derramar do Espírito de Deus, de um grande número de pessoas sendo alcançadas pela graça de Deus, de crescimento das igrejas, dias de milagres; mas também dias de dor, sofrimento, perseguição, de enganos e de crescimento dos falsos mestres.
Pedro ao afirmar que o tempo dos “últimos dias” iniciará no Pentecostes bíblico, estava também dizendo que as demais profecias contidas nas palavras de Joel, também se cumpriram naquele tempo. Portanto é interessante ler a continuidade desta profecia, pois ela descreve grandes catástrofes naturais. Pedro, portanto, entendia que estas catástrofes já estavam acontecendo em seu tempo.
Entretanto nós que ainda vivemos nos “últimos tempos” nos esquecemos de que avivamento e sofrimento caminham lado a lado na história. 
Não existe avivamento sem perseguição, sem derramar de sangue, sem calunias; assim como não existe sofrimento sem que Deus esteja derramando do Seu Espírito em algum lugar deste mundo. Deus não permitirá que Sua Igreja seja vencida pelo exército inimigo. Sempre haverá uma voz anunciado a mensagem do Evangelho.
Diante desta visão gostaria de destacar alguns fatos:

1 – Todos os grandes avivamentos pós-pentecostes possuíam a marca da perseguição
Gostaria de reafirmar que estamos vivendo o período chamado na Bíblia dos “últimos dias”. Este período se iniciou com a ressurreição de Jesus Cristo e foi confirmado com o derramar do Espírito Santo sobre toda carne.
Neste período estamos vivendo um constante movimento de avivamento. Durante todos estes anos, cada vez que uma vida se rendeu a Jesus Cristo como Seu único Senhor e Salvador, a manifestação do avivamento se fez presente.
Ainda hoje, quando alguém compreende que não pode pagar o preço de seus pecados, mas que só lhe resta entregar sua vida a Jesus para que seja aceito por Deus; a vida venceu a morte, o avivamento aconteceu!
Mas durante este período, desde pentecostes, tivemos na história da igreja momentos em que estes avivamentos aconteceram de maneira extraordinária, onde milhares de pessoas se converteram num mesmo período; e quando isto aconteceu a Igreja de Jesus Cristo sofreu grandes perseguições.
Atos (8.1) descreve a grande perseguição contra a igreja em Jerusalém.
A história da Reforma também foi um momento de grande avivamento, onde a fé foi redescoberta, muitas pessoas começaram a se converter ao Evangelho de Jesus Cristo, e novamente se irrompeu uma grande perseguição aos cristãos agora chamados protestantes.
Hoje, estamos vivendo um período na história da Igreja Brasileira de um grande número de pessoas se convertendo ao Evangelho. Na década de 90 houve um grande “boom” das igrejas brasileiras. Muitos movimentos como Comunidades surgiram neste período trazendo uma reestruturação na vida da igreja. Ainda hoje colhemos frutos deste grande “boom”.
Mas não me recordo de uma perseguição na igreja brasileira. Na verdade não tivemos e não estamos tendo uma perseguição até o momento. Em parte devido a nossa cultura cristã e do outro lado devido ao silencio de nossas igrejas.
Como tem se posicionado a Igreja Brasileira Histórica e Protestante, a Pentecostal e a Néo-pentecostal diante uma sociedade que se corrompe a cada dia mais?
Alguma destas igrejas tem sido perseguida? Não!
Quando ouvimos algo sobre perseguição está baseado no que tem sido feito de errado e não no que defendemos dos valores do Reino de Deus.

Reflexão: Baseando-nos nas experiências dos grandes avivamentos podemos e devemos nos perguntar: Estamos vivendo um avivamento genuíno? Pode o mundo ao nosso redor piorar e a igreja não ser notada pelo mundo? Pode a luz não incomodar a escuridão? Qual evangelho temos pregado que não impacta o mundo?
Você tem sido perseguido por causa de sua fé? Já experimentou a zombaria dos amigos? Já foi excluído de alguma festa porque é cristão?


2 - Todos os grandes avivamentos pós-pentecostes possuíam a marca da valorização da Palavra de Deus acima de tudo
Quando lemos as histórias dos grandes avivamentos notamos uma grande preocupação por parte da igreja e de sua liderança com a Palavra de Deus.
Na Igreja Primitiva essa preocupação é evidente na própria preocupação dos apóstolos em nomear diáconos para igreja, conforme podemos ler em Atos (6.1-4).
A Igreja estava num processo de grande avivamento e este avivamento trouxe para a Igreja um grande número de pessoas convertidas ao Evangelho. O crescimento da Igreja gerou um problema que só pode ser corrigido com uma reforma organizacional da igreja. Esta reforma se fez necessária porque os discípulos de Jesus entenderam que era necessário que eles se dedicassem à oração e ao ministério da Palavra.
Atender as pessoas era importante, socorrer as viúvas em suas necessidades era importante, mas nada poderia ser colocado acima da pregação da Palavra de Deus, pois as demais coisas no ministério dependiam do resultado desta pregação, as almas dependiam para salvação da pregação do Evangelho.
Somente a mensagem do Evangelho poderia salvar o pobre pecador.
Até mesmo o poder, que muitos buscam hoje para curar os enfermos, expelir os demônios, eram colocados abaixo da pregação do Evangelho. Em Atos (4.30-31) os discípulos de Jesus oraram para que Deus os capacitasse com coragem para pregar o Evangelho e que operasse milagres em nome de Jesus. Contudo a ênfase do texto está no capacitar para pregar, por isso o verso 31 diz que “anunciavam o evangelho corajosamente”.
A pregação da mensagem criava oportunidade para que a fé fosse estimulada e os milagres acontecessem. A pregação precede os sinais.
Durante a Reforma um dos pilares deste movimento era à volta a Palavra de Deus como única regra de fé e prática. A este movimento chamou-se Solas Escrituras.
A ênfase nas Escrituras proporcionou a salvação de milhares de pessoas que estavam reféns das tradições criadas por homens gananciosos pelo poder e pelas riquezas.
A igreja estava mergulhada em uma espiritualidade rasa e mística ao mesmo tempo. Acreditavam que poderiam comprar a salvação com moedas. Os cristãos sofriam com medo da perdição, pois a igreja não lhes apresentava o evangelho da graça, mas das indulgências.
Em todos estes grandes avivamentos a Palavra de Deus conduziu vidas a transformações radicais de caráter, de valores, do “ser”. Mais do que apenas informar ela formou vidas, a partir do novo nascimento.
Somente Cristo pode transformar homens e mulheres em novas criaturas. Somente Jesus pode dar a humanidade um novo coração e transformar o ser humano na sua essência. Essa transformação é causada pela Palavra de Deus. O Espírito Santo usa a Palavra para nos “transformar pela renovação da nossa mente”.
Entretanto hoje se busca mais poder de Deus do que conhecimento de Deus por meio da Palavra. O poder pode curar o exterior, mas não transforma o interior. O poder pode te levar a conquistar o mundo usando-o de maneira errada, mas não pode te introduzir no Reino dos Céus. Basta nos lembrarmos das palavras de Jesus:

Nem todo aquele que me diz: “Senhor, Senhor” entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: “Senhor, Senhor não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal” (Mt 7.21-23).

Aparentemente estes homens praticavam coisas boas, desejáveis por todos, entretanto suas intenções não correspondiam com a verdade de Deus. Buscaram poder e riquezas e usaram o nome de Deus para alcançarem seus intentos.
Reflexão: O que estamos valorizando mais hoje em nossas igrejas? Poder ou a Palavra de Deus? Tradição ou a Palavra de Deus? Homens ou a Palavra de Deus? Desejamos realmente conhecer a Deus ou desejamos saciar nossos desejos em Deus?


Conclusão: Termino esta reflexão afirmando que não temos hoje perseguição contra a Igreja Brasileira, nem temos por parte da Igreja Brasileira uma valorização da Palavra de Deus. Tal conclusão me faz afirmar que não temos um grande avivamento genuíno; mas pela graça de Deus nos encontramos nos “últimos dias” tempo este onde o avivamento se faz presente todos os dias, assim como as catástrofes e as maldades dos homens.
A proliferação de muitas igrejas, baseados na figura de líderes carismáticos, sem conhecimento da Palavra de Deus, tem feito proliferar muitas bobagens no meio eclesiástico.
Somente um retorno a Palavra de Deus poderá levar a Igreja Brasileira a um estilo de vida comprometido com a verdade, justiça e desapegado dos valores do mundo, levando-a influenciar a sociedade contemporânea e por sua vez a ser hostilizada por aqueles que não temem a Deus.

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
22/05/2012



[1] Igreja Crescimento Integral – Caio Fábio – Vinde, 1995.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Translate

NOTÍCIAS