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By Ferramentas Blog

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

TEOLOGIA REFORMADA 3 - A DOUTRINA DA ELEIÇÃO (PREDESTINAÇÃO) - 2


A Doutrina da Eleição (Predestinação)


I - INTRODUÇÃO


A doutrina da predestinação tem um aspecto amplo e um mais estreito. Na sua referência mais ampla refere-se ao fato de que o Deus Trino e uno preordena tudo quanto vem a acontecer. Desde toda a eternidade, Deus tem preordenado de modo soberano tudo quanto virá a acontecer na história. O que se mal interpretado pode desvirtuar o verdadeiro sentido da soberania divina. No seu aspecto mais estreito predestinação é o ato em que Deus, desde toda a eternidade escolheu um grupo de pessoas para Ele mesmo, a fim de que elas fossem trazidas para a comunhão eterna com Ele, enquanto que ao mesmo tempo, ele ordenou que o restante da humanidade seja deixado para seguir o seu próprio caminho, que é o caminho do pecado, para o castigo eterno final. Inicialmente mostraremos o desenvolvimento histórico da doutrina. Em seguida serão apresentadas as posições de Lutero e Calvino acerca da doutrina, por serem estes os dois maiores expoentes da Reforma Protestante. Também serão apresentados os princípios bíblicos da doutrina segundo Louis Berkhof e finalmente, apresentaremos algumas objeções à doutrina e a nossa conclusão.


II - DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DOUTRINA



Os termos usados pelos pais da igreja ao aludirem a esta doutrina nos fazem pensar que os mesmo não tinha uma clara concepção do assunto. Agostinho, Bispo de Hipona, foi o primeiro a desenvolver uma doutrina madura da predestinação, em sua luta clássica contra Pelágio. Este acreditava estar baseada a predestinação na presciência divina, conseqüentemente, ele não admitia uma "predestinação absoluta", mas em todos os aspectos uma "predestinação condicional". Inicialmente Agostinho estava inclinado a esta maneira de encarar a predestinação, mas uma profunda reflexão sobre o caráter soberano do beneplácito de Deus levou-o a ver que a predestinação não dependia de modo algum da presciência divina das ações humanas, antes, era a base da presciência de Deus. Agostinho ensinava a dupla predestinação. A dos eleitos e a dos réprobos. Entretanto, ele conhecia a diferença que existia entre ambas, diferença que consiste em que Deus não predestinou uns para a condenação e os meios para esta do mesmo modo que predestinou outros para a salvação, e, em que a predestinação para a vida é um ato puramente soberano, ao passo que a predestinação para a morte eterna é também judicial e leva em conta o pecado do homem. Durante os mil anos que transcorreram entre Agostinho e Lutero, a principal corrente da Teologia Medieval dedicou-se a dissolver o severo predestinacionismo de Agostinho. Pelágio foi condenado no Concílio de Éfeso(431) e o semi-pelagianismo, a saber, a visão de que ao menos o início da fé, o primeiro voltar-se para Deus era resultado de livre-arbítrio, foi rejeitado no II Concílio de Orange(529). Contudo, a maioria dos teólogos tentou modificar a doutrina, enfraquecendo a base da predestinação. Todos os reformadores do Sec. XVI defenderam a mais estria doutrina da predestinação. Entretanto, no desenvolvimento da teologia luterana, ela foi desaparecendo gradativamente, que agora a considera, total ou parcialmente(reprovação) como condicional. Calvino sustentou firmemente a doutrina agostiniana da predestinação dupla e absoluta. As confissões reformas (calvinistas) são coesas na incorporação desta doutrina. Devido a investida arminiana contra a doutrina, os Cânones de Dort contém uma minuciosa exposição dela. Nas igrejas de tipo arminiano, a doutrina da predestinação foi suplantada pela doutrina da predestinação condicional.


III - LUTERO E A PREDESTINAÇÃO

Para Lutero depois da queda o homem perdeu o seu livre arbítrio, no tocante à salvação, tornou-se totalmente corrompido pelo pecado e cativo de satanás. Embora nosso destino eterno, em certo sentido seja determinado por Deus, não como compelidos a pecar. Pecamos espontânea e voluntariamente. Continuamos querendo e desejando fazer o mal, a despeito do fato de que em nossas próprias forças não podemos fazer nada para alterar essa condição. Eis a tragédia da existência humana sem a graça: estamos tão curvados sobre nós mesmos, que, pensando estar livres, entregamo-nos exatamente àquelas coisas que apenas aumentam a nossa escravidão. O propósito da graça é libertar-nos da ilusão da liberdade, que é na verdade escravidão, e guiar-nos para a "gloriosa liberdade dos filhos de Deus", somente quando a vontade recebeu a graça é que o poder de decisão se torna verdadeiramente livre em todos os aspectos concernentes à salvação. O eco de resposta à escravidão da vontade é a liberdade do cristão. Visto que fora da graça, o homem não possui nem uma razão sã, nem uma vontade boa, somente a eleição eterna e a predestinação podem preparar o homem para a graça. Lutero não se esquivou de uma predestinação absoluta e dupla. Ele até restringiu o alcance da expiação de Cristo aos eleitos. Embora Lutero nunca tenha suavizado a sua doutrina da predestinação(como o fizeram posteriormente os luteranos), ele tentou estabelecer o mistério no contexto da eternidade. Há, segundo Lutero, três luzes, a luz da natureza, a luz da graça e a luz da glória. Pela luz da graça, tornamo-nos capazes de compreender muitos problemas que pareciam insolúveis pela luz da natureza. Mas a luz da graça é incapaz de nos fazer compreender os retos julgamentos de Deus, os quais só compreenderemos à luz da glória. A resposta ao enigma da predestinação encontra-se no caráter oculto de Deus. No final, quando tivermos prosseguido através das "luzes" o "Deus Escondido" se mostrará uma só com o Deus que está revelado em Jesus Cristo e proclamado no Evangelho. Enquanto isso não ocorrer, segundo Lutero, podemos apenas acreditar nisso. A predestinação assim como a justificação é também Sola Fide.



IV - CALVINO E A PREDESTINAÇÃO


A palavra predestinação, em sua forma nominal, foi usada pela primeira vez por Calvino somente nas Institutas de 1539. Calvino não decidiu organizar seu programa teológico inteiro em torno desta idéia. Calvino assemelha seu ensino acerca da predestinação basicamente ao de Lutero e Zwinglio. Assim como os reformadores, Calvino também recorreu a Agostinho. Calvino fez um movimento realmente original em seu estabelecimento da doutrina dentro de seu esquema teológico. Usualmente a predestinação é tratada no contexto da doutrina de Deus como uma aplicação especial da doutrina da providência. Entretanto Calvino em sua edição definitiva das Institutas separou as duas, mantendo a providência sob a doutrina de Deus Pai no primeiro volume e colocando a predestinação sob o título geral da obra do Espírito Santo quase no final do terceiro. Assim como a providência, em certo sentido, completa a doutrina do Deus Criador, da mesma forma, a predestinação é o clímax do Deus Redentor. Podemos resumir a doutrina da predestinação exposta por Calvino em três palavras: absoluta, particular e dupla. A predestinação é absoluta, no sentido de que não está condicionada a nenhuma contingência finita, mas baseia-se somente na vontade imutável de Deus. Em segundo lugar a doutrina da predestinação é particular no sentido de que pertence a indivíduos e não a grupo de pessoas. A aliança da graça aplica-se a cada pessoa individualmente. Com respeito à expiação, isso significa que Cristo não morreu por todos indiscriminadamente, mas apenas para os eleitos. E em terceiro lugar a predestinação é dupla, isto é, Deus, para o louvor da sua misericórdia ordenou alguns indivíduos para a vida eterna, e para o louvor da sua justiça enviou outros para a condenação eterna. E, neste caso, os réprobos que foram escolhidos para condenação eterna pelo decreto de Deus trazem sobre si mesmo a justa destruição a que estão destinados. Se perguntado sobre a razão pela qual Deus escolheu este ou rejeitou aquele Calvino replicava que quem indagou estava procurando algo maior e mais elevado do que a vontade de Deus, e que não poderia ser encontrado.



V - BASE BÍBLICA DA PREDESTINAÇÃO




1. ELEIÇÃO - Deus elegeu indivíduos para serem seus filho e herdeiros da glória eterna, Mt 22:14, Rm 11:5, I Co 1:27-28, Ef 1:4, I Ts 1:4, I Pe 1:2, 2 Pe 1:10. A eleição é o ato eterno de Deus pelo qual Ele, em seu soberano beneplácito e sem levar em contra nenhum mérito humano previsto nos homens, escolhe um certo número de pessoas para receberem a graça especial e a salvação eterna, pode-se dizer que a eleição é o propósito de Deus de salvar certos membros da raça humana em Jesus Cristo e por meio dele.
2. CARACTERÍSTICAS DA ELEIÇÃO - a) Uma expressão da vontade soberana de Deus, do beneplácito divino. O amor eletivo de Deus precede ao envio de seu filho. Jo 3:16, Rm 5:8, II Tm 1:9, I Jo 4:9. Ao dizer que o decreto da eleição divina se origina no beneplácito divino, exclui-se também a idéia de que ela é determinada por alguma coisa existente no homem, como a fé ou as boas obras previstas, Rm 9:11, II Tm 1:9.
b) É imutável, e portanto torna segura e certa a salvação dos eleitos. Deus executa o decreto da eleição com a sua própria eficiência, pela obra salvadora que realiza em Jesus Cristo. Rm 8:29-30; 11:29, II Tm 2:19. c) É eterna, isto é, é desde a eternidade. Esta eleição divina jamais deve ser identificada com alguma seleção temporal, seja para o gozo da graça especial nesta vida, seja para privilégios e serviços de responsabilidade, seja para herança da glória pro vir, mas, antes, deve ser considerada eterna. Rm 8:29-30, Ef 1:4-5.
d) É incondicional. A eleição não depende de modo algum da fé ou boas obras previstas, mas exclusivamente do soberano beneplácito de Deus, que é também originador da fé e das boas obras. Rm 9:11, At 13:48, II Tm 1:9, I Pe 1:2.
e) É irresistível - Não significa que o homem não possa se opor à sua execução até certo ponto, mas significa sim, que a sua oposição não prevalecerá. Tampouco significa que Deus na execução do seu projeto subjuga de tal modo a vontade humana que seja incoerente com a liberdade da ação humana. Significa porém, que Deus pode exercer tal influência sobre o espírito humano que o leva a querer o que Deus quer. Sl 110:3, Fp 2:13.


3 - O PROPÓSITO DA ELEIÇÃO


O propósito da eleição é duplo: a) o propósito próximo é a salvação dos eleitos. A Palavra de Deus ensina claramente que o homem é escolhido ou eleito para a salvação. Rm 11:7-11, II Ts 2:13.
b) O objetivo final é a glória de Deus. Mesmo a salvação dos homens está subordina a esta finalidade. Em Ef 1:6,12,14 dá-se muita ênfase no fato de a glória de Deus ser o supremo propósito da eleição.



VI - OBJEÇÕES À DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO


Relacionamos abaixo as seguintes objeções à doutrina da predestinação:


a) torna Deus Parcial(quando este elegendo a uns e a outros não, estaria fazendo acepção de pessoas).
b) É injustiça para com os não eleitos.
c) Fere o livre-arbítrio humano.
d) Torna os homens meros robôs.

Para entendermos a doutrina da predestinação é preciso primeiro entendermos que após o pecado de Adão o homem perdeu o seu livre-arbítrio, tornando-se um escravo do pecado e conseqüentemente toda a geração posterior estava condenada e moralmente incapaz de se voltar para Deus. Quando Deus predestinou alguns homens para a salvação não foi injusto, antes, pelo contrário, manifestou sua imensa graça para com aqueles a quem elegeu. Enquanto que aqueles que não foram eleitos permanecem em sua condição de pecado, moralmente rebeldes contra Deus e por isso justamente condenados. Deus não torna os eleitos meros robôs, porque Ele não coage, não obriga ninguém a aceitá-lo, entretanto, pelo seu Espírito, ele influência a vontade humana a tal ponto que ela livremente vem a querer aquilo que Deus quer, escolhendo-O finalmente. Existem muitos outros argumentos contrário à doutrina da predestinação como foi exposta acima, entretanto acreditamos que os citados seriam um apanhado dos principais.



VII - CONCLUSÃO


Embora toda a argumentação acerca da doutrina da predestinação tenha uma ampla base bíblica ela não é uma doutrina amplamente difundida. Na maioria das vezes tem sido aceita a doutrina da predestinação condicional, ou seja, aquela que condiciona a predestinação divina à sua presciência, isto é, ao seu conhecimento anterior de mérito humano na sua própria salvação. Muitos rejeitam esta doutrina por causa das verdades que ela nos faz descobrir. Como por exemplo descobrir que não tivemos mérito algum em nossa própria salvação, é um golpe muito duro contra o ego humano. Outros a rejeitam por não terem ainda alcançado á "luz da graça", como citada por Lutero, a devida compreensão da mesma. Creio em uma predestinação divina absoluta e incondicional, onde Deus, pela sua eterna graça elegeu aqueles que Ele tomaria por povo de sua exclusiva propriedade. Enquanto que aos restantes Ele apenas os deixou prosseguir em seu próprio caminho de morte. Assim como Lutero, creio que a predestinação assim como a justificação é Sola Fide. E que se procurarmos algum outro motivo para a predestinação que senão o beneplácito de sua vontade, como disse Calvino, estaremos procurando algo maior do que a própria vontade de Deus, o que não pode ser encontrado.




BIBLIOGRAFIA: BERKHOF, Louia - TEOLOGIA SISTEMÁTICA - Trad. por Odayr Olivetti - Campinas, SP: Luz para o Caminho Publicações, 1990.
CONNER, Walter T. - O EVANGELHO DA REDENÇÃO - Trad. por Davi Gomes e Jabes Torres - 2ª edição - Rio de Janeiro, RJ: Junta de Educação Religiosa, 1981.
GEORGE, Thimotht - TEOLOGIA DOS REFORMADORES - Trad. por Gérson Dudus e Valéria Fontana - São Paulo, SP: Vida Nova, 1993.
KLOOSTER, Fred. H. - A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO EM CALVINO - São Paulo, SP: Vida Nova, 1993.
SELPH, Robert B. - OS BATISTAS E A DOUTRINA DA ELEIÇÃO - São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 1995.


Autor Desconhecido

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