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By Ferramentas Blog

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

REFLEXÃO 178 - A ESCADA DA TRIBULAÇÃO

A Escada da Tribulação

Introdução

A questão das tribulações na vida do cristão não é bem compreendida em nossos dias.
Temos uma forte influência do pensamento sociológico desenvolvido nos EUA. O norte americano vive numa sociedade que procura oferecer o bem estar a seus cidadãos e minorar ao máximo o sofrimento.
Exs.:
Ar condicionado para diminuir o mal estar das temperaturas extremas.
Remédios para aliviar todo o tipo de dor.
Quase um carro por habitante para vencer as distâncias.
Carros automáticos para diminuir o estresse no trânsito.
A teologia segue esta mesma tendência, prometendo anular as dores e os sofrimentos por meio da fé em Cristo.
No Brasil não temos exatamente as mesmas condições sociais, mas tentamos copiar as soluções por eles encontradas.
Além disso, o povo sofrido do Brasil vê no exemplo do país vizinho um ideal a ser alcançado.
Este contexto social tem sido um filtro para a compreensão da Bíblia.
Nossas pressuposições podem nos levar a entender essa questão do sofrimento de várias maneiras, nem sempre totalmente verdadeiras.
Contudo o apóstolo Paulo nos leva a uma posição mais equilibrada quando diz: “Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória” (Rm 8.17).
Podemos destacar cinco abordagens diferentes para o sofrimento. Nenhuma delas deve ser vista isoladamente, sob o risco de não entendermos o papel dos sofrimentos em nossas vidas.
Poderíamos descrevê-las como se fossem degraus de uma escada, em que um degrau amplia a visão oferecida pelo degrau anterior.


1º Degrau: O justo não sofre
Este é um dos principais postulados da “Teologia da Prosperidade”.
O raciocínio aqui é: O justo é aquele que foi liberto de toda a maldição. Ele é “filho do Rei”. Portanto, nada mais pode afetá-lo ou abatê-lo. Ele é uma pessoa abençoada e bem sucedida em tudo o que faz. Os eventuais sofrimentos são explicados pela infidelidade desta pessoa a Deus.
Se ele é um atleta cristão e não marca gols e seu time cai para a segunda divisão, a explicação seria: “este atleta está em pecado, ou o Espírito Santo não está no controle de sua vida”.
Se um jovem líder cristão é acometido de câncer e morre, quem tem esta ótica da vida cristã, tende a pensar que ele estava se desviando dos caminhos do Senhor.
Esta porém é uma forma simplista de encarar a vida. As respostas não são tão simples assim.
Esta maneira de ver a vida cristã é baseada em afirmações extraídas da Bíblia, como: “O justo é salvo das tribulações, e estas são transferidas para os ímpios” 
(Pv 11.8). “Como é feliz aquele... [cuja] satisfação está na lei do Senhor e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” (Sl 1.1,3).
Para entendermos estas afirmações é preciso voltar um pouco no tempo, quando Deus fez uma aliança com os israelitas. Ele prometeu prosperidade para o seu povo, se o seguisse fielmente: “Sigam fielmente os termos desta aliança, para que vocês prosperem em tudo o que fizerem” (Dt 29.9). Mas eles não cumpriram os termos da aliança.
Desta maneira Deus invalidou a aliança. Depois disso, então, vemos os livros da Bíblia, especialmente os Profetas e os Salmos, registrando a angústia dos judeus enquanto se ajustavam à nova realidade. Por exemplo: quase um terço dos Salmos apresenta um autor “justo” lutando contra o fracasso da teologia da prosperidade. Parecia, simplesmente, que ela deixara de funcionar.
“Assim são os ímpios; sempre despreocupados, aumentam suas riquezas. Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência, pois o dia inteiro sou afligido, e todas as manhãs sou castigado” (Sl 73.12-14).
Sendo assim, esta visão da vida cristã, apresenta uma verdade parcial. Não é totalmente correto dizer que estarei livre de problemas se fizer tudo certo. Isto nos leva ao segundo degrau. 

2º Degrau: O justo sofre, mas é liberto
Muitos dos “Salmos de tribulação” carregam em si um tom enfático de autodefesa. Parece que o autor pensa: “- Se eu conseguir convencer Deus de minha justiça, então Ele certamente vai me livrar. Deve haver algum engano nessa situação!”.
Por exemplo:

“Volta-te para mim e tem misericórdia de mim, pois estou só e aflito. As angústias do meu coração se multiplicaram; liberta-me da minha aflição. Olha para a minha tribulação e o meu sofrimento, e perdoa todos os meus pecados. Vê como aumentaram os meus inimigos e com que fúria me odeiam! Guarda a minha vida e livra-me! Não me deixes decepcionado, pois eu me refugio em ti” (Sl 25.16-20).
“Faze-me justiça, Senhor, pois tenho vivido com integridade. Tenho confiado no Senhor, sem vacilar” (Sl 26.1).
Estas expressões de perplexidade podem ser vistas como palavras de preparação, porque ajudam toda a nação a entender que algumas vezes as pessoas justas realmente sofrem, e nem sempre são livradas.
Alguns destes Salmos apontam para Jesus, mostrando como ele também haveria de sofrer, como descrito em Hebreus 5.7: “Durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão. Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu”.
Ele foi ouvido por Deus, mas não exatamente atendido: Jesus não escapou da morte!
Hebreus 11 apresenta uma lista de pessoas fiéis que viveram em épocas variadas, cobrindo vários séculos. Algumas receberam livramento miraculoso: Isaque, José, Moisés, Raabe, Gideão, Davi. Mas outros foram torturados, presos em correntes, apedrejados, serrados ao meio. O capítulo apresenta detalhes vivos sobre o último grupo: andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, foram desamparados, vagaram por desertos e montanhas e habitaram em cavernas. O autor conclui com um comentário enfático: “Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido” (Hb 11.39).
Sendo assim, afirmar que o justo pode sofrer, mas sempre será liberto, também não é toda a verdade. Isso nos leva ao terceiro degrau:
3º Degrau: O justo sofre, mas o propósito é bom
A palavra de Deus ensina que “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Algumas pessoas pensam que ela significa que só coisas boas acontecerão para os que amam a Deus. Contudo, o que ela está dizendo aqui é exatamente o contrário. No restante do capítulo ele define de que tipo de “coisas” está falando: lutas, dificuldades, perseguições, fome, nudez, perigo e espada. Paulo enfrentou tudo isso e, por fim, sucumbiu. Não foi “livrado”. Mesmo assim ele insiste: “Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores” (Rm 8.37). Não há dificuldade que possa separar-nos do amor de Deus.
Paulo encontrou soluções engenhosas para as dificuldades levantadas pelos dois primeiros degraus da tribulação. A primeira solução diz respeito à perspectiva de um propósito por meio daquela tribulação. Um objetivo maior e compensador será alcançado por meio do meu sofrimento, mesmo que eu não o veja no momento. A segunda solução diz respeito ao tempo de duração das tribulações. Nenhum sofrimento é permanente para o cristão. Há a certeza de que cedo ou tarde ficaremos livres das tribulações da vida. Ele afirma que um dia toda a Criação, e de uma maneira específica os que pertencem a Deus, será redimida da escravidão das dores e dos sofrimentos (Rm 8.18-23). É uma questão de tempo! É só esperar! Assim como Deus transformou a Sexta-feira da paixão no Domingo da ressurreição, assim ele o fará conosco e com todo o Universo que ele criou.

4º Degrau: O justo necessariamente sofre
Este degrau não só admite o sofrimento na vida do justo, como afirma que o justo necessariamente experimentará algum tipo de sofrimento.
Um dos principais escritores a expor esta perspectiva é Pedro. Em nenhum momento ele considera que o justo esteja imune ao sofrimento. Pelo contrário, Pedro expõe uma teologia que assume o sofrimento como parte da vida:
“Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo” (1 Pe 4.12,13).
Paulo junta-se a Pedro quando diz: “De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.2).
O que eles estão querendo dizer é que aqueles que seguirem as pegadas de Cristo sofrerão injustamente, assim como ele sofreu. E a história confirmou as palavras de ambos. Tanto um como outro, passaram por tribulações, privações, perseguições e até tortura e morte violenta (bem como os demais apóstolos e tantos outros cristãos ao longo dos séculos).
Ambos esperavam por isso. Sobre Pedro, Jesus previu: “Digo-lhe a verdade: Quando você era mais jovem, vestia-se e ia para onde queria; mas quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde você não deseja ir. Jesus disse isso para indicar o tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus” (Jo 21.18,19).
Paulo também não se iludia a esse respeito e compartilha com seus irmãos da igreja de Éfeso:
“Só sei que, em todas as cidades, o Espírito Santo me avisa que prisões e sofrimentos me esperam” (At 20.23). O princípio aqui é que o justo vive uma contracultura em relação ao mundo. Os valores do cristão estão em oposição aos valores do mundo. Isto gera antipatias e atritos. O grau de oposição pode variar desde a exclusão social velada (ex.: no Brasil, isolamento dos vizinhos, ou no ambiente da escola ou do trabalho) como a agressão física (ex.: Miguel).
Além do sofrimento provocado pela reação aos valores de vida, o justo deve esperar passar por sofrimentos circunstanciais, que também podem variar de grau ou intensidade, cujos propósitos nem sempre são claros ou evidentes. Ex.: Família do Rio Grande do Sul que sofreu assalto, resultando em incapacidade física da esposa.
O consolo aqui e no próximo degrau é saber que experimentaremos o amor de Deus de uma forma impossível numa situação de normalidade e que sairemos mais aperfeiçoados e maduros, conhecendo melhor a Deus.
“Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (Rm 5.3-5).
O último degrau é um estágio superior pois implica em se ter conseguido um nível de dependência de Deus que leva o justo a não só esperar pelo sofrimento, mas a enfrentá-lo com serenidade. 

5º Degrau: O justo sofre, mas não se aflige
Quem experimentou este nível de compreensão do sofrimento foi o apóstolo Paulo. Ele fala sobre isso no capítulo 1 da carta aos Filipenses. Para ele a morte já não lhe causava terror. Na verdade, ele revela dificuldade em decidir se era melhor morrer e estar com Cristo ou viver mais um pouco e continuar seu ministério (Fp 1.22,23). Sua escala de valores parece estar de pernas para o ar.
Ele encara sua limitação na prisão como algo agradável, porque esta tribulação está trazendo bons resultados para o Reino.
Riqueza ou pobreza, aceitação ou rejeição, alívio ou dor, e até mesmo vida ou morte já não abalam mais seu ânimo. Só uma coisa lhe importa: exaltar Cristo por meio de sua vida, sob quaisquer circunstâncias.

“Com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida, quer pela morte” (Fp 1.20).
Vivendo assim ele tenta conscientizar seus irmãos: “pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (1.29).

Conclusão
Esta não é uma maneira muito agradável de ver a vida. Lutamos para evitar qualquer coisa que nos traga dor ou sofrimento.
O que eu posso dizer a você é que esta não é uma forma realista de viver. Contudo, mesmo no sofrimento, vale à pena continuar confiando em Deus, não só pela promessa futura de redenção do sofrimento, mas porque ele já passou por tudo o que nós possamos passar e promete nos socorrer quando estivermos sendo provados: “Porque, tendo em vista o que ele mesmo sofreu quando tentado, ele é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados” (Hb 2.18).



AUTOR DESCONHECIDO

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