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By Ferramentas Blog

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

MENSAGEM 7 - ALÉM DE MIM MESMO: A ORAÇÃO DO DISCÍPULO 6ª Parte: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje

ALÉM DE MIM MESMO: A ORAÇÃO DO DISCÍPULO (Mt 6.9-13)
6ª Parte: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje - MT 6.11

Introdução: Temos estudado, em nossos encontros, a oração do discípulo. Hoje, em nosso sexto encontro, iremos refletir sobre uma parte desta oração que está diretamente ligada aos nossos desejos – o pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
Creio que esta parte da oração tem sido muito mal compreendida devido ao fato de vivermos em uma sociedade onde a fé cristã tem sido transformada, por algumas supostas igrejas, em mais uma mercadoria de consumo. Essas “supostas” igrejas oferecem os mais variados produtos de consumo, prometendo para aqueles que adquirirem tais produtos um mundo melhor. Diante uma sociedade utilitarista e consumista como a nossa, estas “supostas” igrejas tem encontrado, do outro lado, consumidores desejando comprar o favor de Deus para alcançarem a vida que eles julgam serem a melhor para si mesmos, e por isso essa teologia da prosperidade, onde Deus é visto como um ser poderoso e servo das nossas vontades tem se proliferado.
Vejamos o que Jesus nos ensina através desta petição: o pão nosso de cada dia dá-nos hoje.

1º Lição: Podemos pedir, mas não o que quisermos...
Jesus está nos ensinando a pedirmos “o pão nosso de cada dia”. Jesus não está nos estimulando a pedir tudo o que quisermos. Não podemos pedir “o pão nosso de cada dia” desmembrado do restante da oração.
            Para que eu chegue nesta parte da oração é preciso primeiro passar pelo:

1.       Pai Nosso – É um chamado a me relacionar com Deus em uma relação profunda ao ponto de invocá-lo como Pai.
2.       Está no céu - reconhecer que Ele está no céu significa que Ele tem o poder sobre tudo e que está acima de mim.
3.       Santificado seja Teu nome – Viver de forma que tudo que eu busco, faço e desejo tem o fim único de santificar o nome do Pai celestial e não o meu nome.
4.       Venha o Teu Reino – É a manifestação de um coração disposto a servir ao Rei. É a declaração do súdito que está disposto a dar a vida por seu rei.
5.      Seja feita a tua vontade – Palavras que só podem ser ditas por aqueles que se rendem inteiramente a Deus e que desejam viver o sonho de uma comunhão plena com o Pai.


O ensino de Jesus por meio dessa oração serve para todas as demais passagens a respeito de oração. Jesus nunca intencionou que entrássemos na presença do Pai para pedirmos o que viesse em nosso coração, pois Ele sempre soube que do coração do homem procedem os maus desígnios (Mt 15.19).
Jesus não está nos ensinando a pedir o carro que desejamos, a casa de praia que sonhamos, a viagem para a Europa que tanto ambicionamos,... Não! Jesus está nos ensinando a pedir o que precisamos para vivermos como discípulos, pessoas que seguem os seus passos, que optaram em fazer da vontade do Pai a missão de suas vidas, assim como Ele o fez. A vontade do Pai deve ser o pão que nos alimenta e que nos faz continuar lutando por um mundo melhor.
Entretanto existe um espaço em nossa relação com Deus para pedirmos o que quisermos, para apresentarmos a Deus os desejos de nosso coração ainda que seja a casa de praia, a viagem para a Europa ou um carro. Deus se interessa por aquilo que está em nosso coraçãoAgrada-te do Senhor, e Ele satisfará aos desejos do teu coração (Sl 37.4) – contudo não são essas coisas que Jesus nos ensina a pedir.
Quando um discípulo pede “o pão nosso de cada dia”, Jesus, espera que ele já tenha entendido que sua vida é para o Pai, que sua existência só tem sentido quando o nome do Pai é santificado, e que ele deve viver para construção do Reino do Pai, portanto o pão que ele precisa a cada dia é aquilo que precisa para realizar a vontade do Pai a cada dia.
O que Jesus espera de um discípulo é que ele priorize a busca pelo Reino de Deus e a Sua justiça, e todas as demais coisas Deus acrescentará em sua vida (Mt 6.33).

2º Lição: somos chamados a nos relacionarmos cotidianamente com Deus.
Somos tendenciosos a nos lembrarmos de Deus somente quando vivemos grandes crises ou experimentamos grandes vitórias as quais temos a certeza de que não conseguiríamos alcança-las a não ser por uma intervenção sobrenatural, então nos lembramos de Deus. Deus somente é percebido por nós nas fronteiras limitadoras de nossas vidas.
A palavra “pão” (Grego - Arton) neste texto significa todo o alimento necessário, mas muitos teólogos dizem que também pode significar tudo aquilo que necessitamos para sobreviver, não somente o alimento, mas também a vestimenta, a saúde, a habitação, etc.
Jesus ao nos ensinar a suplicar “o pão nosso de cada dia” nos faz colocar Deus no centro de nossas necessidades cotidianas, e dessa forma nos levar a nos relacionar com Deus todos os dias. A súplica pelo “pão de cada dia” revela a presença de Deus no que há de mais simples e comum no nosso dia-a-dia.
Nossas necessidades profissionais, afetivas, físicas, emocionais, tudo importa a Deus. Ele é o Deus do cotidiano, das pequenas coisas, do pão sobre a mesa e do sol que se põe ao entardecer. Deus se interessa pelo fio de cabelo que cai e pela mão que o toca no meio de uma multidão. Deus se interessa por você. Deus trabalha por você enquanto você vive a correria promovida por este sistema maligno que domina nosso mundo. Deus se preocupa com as coisas que parecem mais banais dentro de nossas vontades, se a prioridade do nosso coração é o Seu Reino. Ex.: Certa vez decidi tirar um dia de jejum, e fui para um lugar deserto, onde eu sabia que ninguém me encontraria, com o fim de passar um tempo especial com Deus. Quando resolvi entregar o jejum, falei com Deus que gostaria muito de encerrar aquele período de jejum tomando um gostoso sorvete de napolitano. Tomei meu carro e retornei para casa. Qual não foi a minha surpresa quando meu irmão (Rogério) abriu a porta e logo foi me dizendo que tinha comprado um sorvete de napolitano, que seu eu quisesse estava na geladeira. Oh Glória! Deus é maravilhoso. Vocês não conhecem meu irmão... ele é uma pessoa boa de coração, mas é igual ao tio Patinhas. Só Deus mesmo para fazer ele comprar um pote de sorvete.

3º Lição: Devemos orar pelo “pão nosso” e não “pelo meu pão”.
É uma oração que precisa ser feita com os olhos bem atentos ao nosso próximo, porque ao fazê-la, nos tornamos mordomos responsáveis dos bens de Deus. Ela coloca em choque o básico, o “pão de cada dia”, em meio a tantas “necessidades” criadas pelo espírito consumista. Ela pede por justiça, que é fruto da conversão do “meu” para o “nosso”, e rompe com o egoísmo, nos transformando em seres solidários.
Com ela aprendemos a valorizar o essencial (oramos pelo pão, não pelo caviar), porque a vida está na relação comunitária, na fidelidade e responsabilidade para com Deus, dono da prata e do ouro, da comida e da bebida, que nos confiou os seus bens para cuidar dos seus filhos. É a fé tomando forma nas situações mais reais da vida. 
Precisamos ser sinceros a maioria de nós não sabe o que é viver na necessidade. A maioria de nós não sabe nada de pobreza. Nunca duvidamos do aparecimento de nossa próxima refeição, nem tememos o frio por causa de nossas roupas esfarrapadas. A ideia de “pão de cada dia” fornecido “neste dia” é estranha a nós.
Nossa abundância de boas coisas nos faz deixar de apreciar o cuidado diário de Deus. Tornamo-nos cristãos mimados. Somos iguais à criança que se queixa por não ter um X-box (vídeo game) e diz para seu pai: “Todos os meus amigos os têm em seus quartos”, ela reclama. Mas não percebe que ela tem todas as outras coisas que lhe são importantes, tem o amor de seus pais, tem roupas, tem alimento, tem saúde, etc...
Nossa abundância, somada ao consumismo necessário de nossa sociedade, promovido por uma forte mídia, nos levaram a uma troca de valores – não sabemos mais definir o que é necessário e o que é supérfluo – pensamos que viver com luxo é uma necessidade. Quando sentimos desejo de comermos algo, não aceitamos qualquer coisa, precisamos ir no Outback.
O triste é que quando nos deparamos com a necessidade de alguém não temos recurso para ajudar, pois usamos tudo para nosso próprio sustento e prazer, nos esquecemos que oramos pelo PÃO NOSSO, e que essa oração me torna responsável pelo pão daqueles que me cercam. Por meio dessa oração percebo que sou parte do corpo e não vivo só, que sou juntamente com todo corpo de Cristo responsável em santificar o nome de Deus, demonstrando o amor de Deus e Sua vontade para com todos. Sou chamado para dividir o pão com meus semelhantes.

Conclusão: Eu gostaria de concluir levantando algumas perguntas para você refletir.
·         Os pedidos que você tem feito a Deus dizem respeito ao Reino Dele ou ao seu próprio reino? Suas orações são feitas a partir do coração de Deus ou do seu coração?
·         Suas orações apresentam você como discípulo ou como “senhor” diante de Deus? Quando você ora você busca Deus para servi-lo ou o busca para que Ele faça suas vontades?
·         Você reconhece que Deus tem suprido suas necessidades cotidianas? Você consegue ver Deus cuidando de você no dia a dia?
·         Você tem dividido o “pão nosso” com seus semelhantes? Muitas pessoas ganham bem, mas não compreendem que Deus as abençoa para que elas possam dividir com os necessitados. Deus se faz amor através de sua doação.
·         Ore para que Deus te de um coração igual ao Dele

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

20/08/2014

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