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By Ferramentas Blog

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

REFLEXÃO 254 - A IGREJA DO FUTURO

A IGREJA DO FUTURO

Introdução
Estamos vivendo sem sombras de dúvidas a época da igreja. Nunca se falou tanto sobre ela como nos dias atuais. A igreja tem sido objeto das mais profundas reflexões e dele se exige uma autencidade sobre a sua verdadeira missão no mundo. A presente reflexão tem por propósito pensar na igreja do futuro, e quando fazemos isto, corremos o risco de sermos totalmente equivocados, pois não possuímos uma bola de cristal que nos indique com clareza todos os aspectos da vida da igreja. Todavia, cremos ser de grande valor o pensar sobre as características desta igreja no próximo milênio. As reflexão a seguir não é exaustiva, mas é dada como ponto de partida para amplos debates nas comunidades, respeitando-se o contexto em que cada um delas está inserida.


I. CARACTERÍSTICAS DA IGREJA DO FUTURO
1. Compromisso com o Reino de Deus
Está será a principal marca de uma igreja verdadeiramente cristã. Ela deve subscrever total e fielmente os valores e as éticas do reino de Deus. A liderança das igrejas devem perder o medo e a timidez e de uma vez para sempre assumir que a igreja é sinal do reino na terra. Que através da igreja Deus quer manifestar e visibilizar o futuro. Não será mais possível e tolerável que os cristãos continuem a ignorar as características do reino, dividindo a vida em duas áreas completamente distintas: o secular e o sagrado.
Nós temos orientações seguras e precisas nas Escrituras de que Deus não nos olha em dois momentos, ou seja, quando estamos atarefados com alguma atividade espiritual e quando estamos ocupados com algo que não é espiritual. Se tomarmos, por exemplo, a vida profissional do cristão, nós encontramos a seguinte orientação: "Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens" (Cl. 3:23). Entendemos aqui, que Deus sacraliza todas as profissões. Que a sua presença no nosso ambiente de trabalho é a maior força motivadora para evidenciarmos os valores do reino. Tendo esta consciência, será mais difícil para o cristão sonegar os impostos, burlar a vigilância do patrão, roubar, matar o tempo ou mentir.
Eu creio que tem chegado o momento em que os próprios cristãos já estão cansados de viverem vidas desgastadas. A eles foram prometidas vidas abundantes, plenas do Espírito, conforto espiritual. Todavia, o que vemos são cristãos totalmente desistimulados, enfrentando o dia a dia com muito pesar e desgosto. Suas vidas são, muitas vezes, testemunhos claros de que alguma coisa está errado, mas eles não sabem como solucionar estas questões. Os próprios líderes das igreja somente apresentam respostas formais e profissionais, porque na maioria das vezes, eles mesmos estão vivendo frustrações interiores.
A igreja do futuro terá que assumir com muita coragem e ousadia que ela é o sinal do reino na terra. A ela não cabe outra alternativa. Quando isto começar a acontecer, então os cristãos experimentarão as alegrias da nova vida.

2. Compromisso com a Sociedade
Nós temos visto nos últimos dias uma incontida alegria causada pelo crescimento da igreja no Brasil. Chegamos ao ponto de não sabermos exatamente o quanto somos no Brasil. Alguns afirmam que já somos 20% da população. Se isto é verdade, louvado seja Deus.
O crescimento da igreja, não importando aqui o percentual exato, tem que ser visto também de uma outra dimensão: quanto mais a igreja cresce mais a sociedade espera dela. Estou querendo dizer que enquanto a igreja tem um número reduzido de membros em relação à população, esta população não sabe o que pensa e prega esta igreja, todavia, a partir do momento em que a igreja cresce, a sociedade começa a descobrir qual é o propósito e mensagem da igreja.
A sociedade vai descobrir que a igreja não foi chamada para ter somente atividades limitadas ao templo ou a vida dos seus membros, ou que a igreja não foi chamada somente para levar almas para o céu. A sociedade perceberá que à igreja cabe também o papel de transformadora do mundo e seus valores, cabe o papel de auxiliar nos problemas sociais, políticos e econômicos que afligem o nosso povo. Está chegando portanto o momento em que a própria sociedade já sabe qual é a missão da igreja. E em sabendo, ela começa a questionar quando é que a igreja vai colocar em prática os ensinos de Jesus.
A igreja do futuro tem que ser necessariamente a igreja participativa nas soluções e problemas da nossa sociedade. Ela não pode mais continuar enterrando a cabeça na areia alheia a tudo que se passa ao seu redor.

3. Pluralidade de Ministérios
A Reforma Cristã bem que tentou e só conseguiu em parte fazer com que todos os cristãos fossem vistos como sacerdotes de Deus. A realidade hoje, e para tristeza nossa, é que a igreja continua sendo um reduto dos pastores e alguns líderes. Graças a Deus que entre estes, muitos exercem uma liderança sadia e honesta, mas de uma maneira geral, o que vemos ainda em nossas igrejas é um cerceamento quanto ao exercício dos dons e ministérios do povo de Deus.
Existe um temor por parte da liderança de "soltar as rédeas" e permitir que cada cristãos seja feliz realizando algo para o reino de Deus. Estudar sobre os dons espirituais quase que não motiva mais os cristãos, porque eles sabem que quase na irá mudar na vida de suas igrejas, que no fim do estudo eles continuarão a fazer exatamente o fazem agora, ou seja: nada. Que apresentarão soluções e idéias aos pastores e elas não serão apreciadas.
Não será mais possível que esta nova igreja que está surgindo continue a evidenciar tal quadro. O povo quer agora participar da vida da igreja. Ele quer um culto alegre e dinâmico, onde ele não é passivo, mas ativo no expressar a sua gratidão a Deus. Os jovens estão cansados de serem tratados como crianças imaturas que não sabem fazer nada ou cumprir com as suas responsabilidades. Tendo oportunidades, eles provarão o quanto podem fazer de bom e útil para Deus.
A iniquidade que se comete contra a mulheres terá que chegar ao fim. A igreja tem que se arrepender do seu passado de dominação e opressão cometidas contra as mulheres. Elas não podem, nesta nova igreja, continuar debaixo de uma regime machista e ignorante. Ignorante porque não sabe que Deus não faz acepção de pessoas, que em Cristo não há homem ou mulher, que somos todos novas criaturas do Senhor. Nenhuma igreja consegue existir sem o trabalho das mulheres em suas comunidades, mas a hipocrisia dos seus líderes é tão grande que eles não admitem este fato.
A igreja do futuro é a igreja do povo de Deus. A igreja onde a pluralidade de dons e ministérios será enfatizada, encorajada e principalmente apreciada, pois o crente não terá mais que lutar para encontrar espaço onde possa realizar a sua missão.

4. Transparência
A igreja tem sido governada por poucos e muitas vezes estes poucos governam a igreja com tanto poder e mão de ferro que chegam a assumir o papel do Espírito Santo na condução da igreja. Decisões são tomadas e na maioria das vezes não se busca com orações e jejuns qual é a vontade de Deus para aquela situação. As orações neste sentido são formais e para cumprir algum regulamento da igreja.
Nós temos percebido que este estado de coisas não permanecerá por muito tempo, porque o povo já começando a se cansar de ser tratado infantilmente. Ainda que ele hoje não questione abertamente as decisões da liderança, as pessoas conversam entre si e mostram seus desagravos quanto a esta atitude totalitária dos líderes. Neste sentido, a ignorância dos líderes cristãos chega a ser assustadora. Eles não tem consciência de que na verdade não possuem nenhum controle sobre o povo. A igreja não possui nenhum mecanismo para segurar o crente em seu meio. A pessoa não pode ser forçada a ficar em um comunidade onde ela não é respeitada. Os líderes devem ter sempre em mente existe hoje uma quantidade sem fim de igrejas evangélicas, e o que é que impede o crente de sair de uma comunidade e freqüentar outra? Absolutamente nada, e não há nada que se possa fazer quando isto acontece, a não ser lamentar e lançar algum tipo de desabono para o crente de transferiu de igreja.
A igreja do futuro deve estar aberta a ouvir os seus membros sem medo ou receios. Quanto mais o povo participar, mais aquela comunidade será amada e apreciada. Os líderes não devem ter medo de reavaliar as suas decisões. Devem ter em mente que eles são ainda pecadores e que portanto estão sujeitos ao erro. A igreja não terá problemas em aceitar isto, mas antes ficará contente em saber que os seus líderes são pessoas abertas ao mover do Espírito Santo.

5. Relativa e Absoluta
No decorrer dos anos a igreja sempre tem procurado por mecanismos de controle sobre o seu povo. Desenvolve-se uma quantidade sem fim de regras de conduta ou de doutrinas, que na verdade não são doutrinas mas preceitos humanos, para carimbar ou identificar os crentes. Nas igrejas do Brasil o fator de união das mesmas são as regras ou as formas. Em uma determinada denominação todos falam em línguas e que não fala não pertence; em uma outra não se permite bater palmas; noutra todos são batizados por imersão e assim as igrejas vão procurando guardar os seus rebanhos. Os pastores são neuróticos e vivem para implantar estas leis e regulamentos, vigiando para que nenhuma das suas ovelhas venham a se desviar.
Falta para todos nós, de uma maneira geral, uma consciência clara do que é relativo e do que é absoluto na vida cristã. Nós confundimos os adornos da vida cristão com a essência da vida cristã. O que é essencial e absoluto em cada cristão é a centralidade de Cristo, "porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude" (Cl. 1:19). Cristo é quem une os cristãos das várias igrejas. Cristo é o elo de ligação. Cristo é a razão da nossa filiação na família de Deus.
Tendo isto como certeza, não deveria importar para nós se um fala em línguas e o outro não, se um levanta as mãos no louvor e outro não, se um canta hinos e o outro canta canções contemporâneas. Infelizmente, o que tem sido mais importante e ponto de discórdia nas igrejas e nas comunidades locais são os adornos cristãos que nós queremos impor para os outros. Nós julgamos os cristãos por estes adornos e nos esquecemos totalmente da essência e do absoluto que é a centralidade de Cristo. Muitas comunidades estão sendo divididas por causa desta intolerância cristã. A igreja do futuro e a igreja da qual os cristãos querem participar, enfatizará Cristo e será aberta quanto aos adornos da fé cristã. Será uma comunidade de respeito entre os seus membros porque todos estarão com os seus olhos fitos em Cristo e não nos crentes para vigiá-los com o propósito de perturbarem as suas vidas.
Em fazendo assim, creio que a igreja experimentará um novo viver nos seguintes aspectos:
Unicidade - a igreja será distinta de todas as outras organizações da sociedade. Ela própria é uma organização, mas é acima de tudo é uma instituição divina, estabelecida e fundamentada na pessoa de Cristo. A igreja é una, santa, católica (universal) e apostólica.
Maturidade - a igreja precisa desenvolver em todas as áreas para adquirir a maturidade que Cristo planeja para ela. Uma igreja que desvaloriza um membro em detrimento do outro corre o risco de crescer desordenadamente.
Integralidade - a igreja se torna íntegra quando todos os seus membros estão bem ajustados e crescem na edificação deste templo do Senhor. Mostra que no corpo de Cristo não existe acepção de pessoas e que todos tem igual valor no Reino de Deus.
Credibilidade - a igreja deve demonstrar ao mundo que ela não se preocupa tão somente com os aspectos celestiais da religião, mas que ela vê o mundo como a arena onde os sinais do reino devem ser implantados. A igreja deve ter credibilidade pelo que ela é e faz.



II. MARCAS DA IGREJA FUTURO
          A seguir gostaria de sugerir que houvesse mais dialogo e aprofundamento no entendimento daquilo que creio ser as marcas de uma verdadeira igreja cristã. Aquilo que a distingue das demais organizações da sociedade e aquilo que a sustenta na sua peregrinação em direção a consumação dos séculos.
1. Comunhão (koinonia)
          A conotação fundamental da raiz koin - é a de partilhar de alguma coisa com alguém. Não significa tão somente a partilha de bens materiais
       Participação em algo comum: perseguição, Hb. 10.33; Ap. 1.9; sofrimento, 2 Cor. 1.7; Adoração, 1 Cor. 10.18; nas realidades espirituais, Fil. 1.7; 1 Ped. 5.1; 2 Ped. 1.4.
Dar algo em partilha (generosidade): 2 Cor. 9.13; Atos 2.42; Rm. 15.26
2. Proclamação (kerigma)
· "A proclamação pública do cristianismo ao mundo não-cristão" (C.H. Dodd).
· "A proclamação aberta e pública da atividade redentora de Deus, em e através de Cristo" NDB Vol. III, pg. 1312
· Uma compulsão divina: Cristo, Mc. 1.38; Pedro e João, Atos 4.20; Paulo, 1 Cor. 9.26. Depara com oposições, 2 Cor. 11.23-28.
· Cristo é o conteúdo da mensagem pregada: 1 Cor. 1.23; 15.12; 2 Cor. 1.19; 4.5.
3. Louvor
· É uma característica do povo de Deus, 1 Ped. 2.9; Ef. 1.3-14; Fil. 1.11. Implica na mais íntima comunhão com Aquele que está sendo louvado. É agradecer a Deus por todas as bênçãos recebidas, é ter corações agradecidos.
· Podem ser momentos expontâneos: Lc. 18.43; Mc. 2.12; Atos 2.46; 3.8; 11.18; 16.25.
· A vida deve ser auto-oferta de gratidão, Rm. 12.1-2.
· A ação de graças santifica não apenas o sofrimento mas também todos os aspectos da vida do crente, 1 Tm. 4.4-5; 1 Cor. 10.30-31; 1 Tes. 5.15-18.
4. Diaconia
· Este ministério está fundamentado na obra de Jesus Cristo (Mc. 10.45; Lc. 22.26ss). "O Senhor é, portanto, o Diácono por excelência, aquele que serve a mesa ao seu povo. E, conforme essas passagens ensinam, o 'diaconato', nesse sentido, é uma característica de Sua igreja inteira" NDB Vol. I, pg. 418.
· É também um dom especial concedido a certos membros do corpo de Cristo, Rm. 12.17; 16.1; 1 Ped. 4.11
· Deve ser visto como um ministério muito mais amplo do que tão somente a ajuda a uns poucos necessitados dentro da igreja. É a participação da igreja na solução dos problemas sociais que afligem a humanidade. Ela deve fazer isto com o propósito de mostrar ao mundo os sinais do Reino de Deus.

 Antonio Carlos Barro, Ph.D


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