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By Ferramentas Blog

sexta-feira, 29 de maio de 2015

MENSAGEM 18 - APRENDENDO A ORAR (4): A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA DE DANIEL

APRENDENDO A ORAR (4): A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA DE DANIEL
Dn 9.1-19

Introdução: Nós estamos em nossa série “Aprendendo a Orar”. Em nossa primeira reflexão aprendemos sobre a oração do quarto e vimos a importância de nos apresentarmos a Deus sem máscaras e o conforto de sabermos que Ele sabe o que necessitamos. Em nossa segunda reflexão aprendemos que todos os serviços ministrados a Cristo, são importantes, mas todos precisam estar sustentados pela escolha da “boa parte”, que nada mais é que uma vida de oração, onde nos colocamos aos pés de Jesus para ouvi-lo.
Hoje iremos aprender um pouco sobre a oração intercessória.
Contudo gostaria primeiramente de dizer que há uma ideia falsa no cristianismo contemporâneo de que aqueles que oferecem oração intercessória por outras pessoas são uma classe especial de super-cristãos, chamados por Deus para o ministério da intercessão. Nada poderia ser mais falso. A Bíblia deixa bem claro que todos os Cristãos são chamados para serem intercessores.
No capítulo nove do livro de Daniel lemos a oração intercessória que ele fez por Israel, e aprendemos que:


1 – Precisamos alinhar nossas orações com o “momento” de Deus na história (vs. 1-2)
No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos...” (v. 1).
A informação “no primeiro ano de Dario” é importante neste texto, pois indica o “quando” que a intercessão de Daniel aconteceu, no ano 529 A.C..
A primeira deportação para o cativeiro babilônico teve início em 598 A.C.. Jerusalém é sitiada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilónia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 a.C. e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo.
Se tirarmos 598 A.C. – 529 A.C. = 69 anos.
Creio que esta informação é interessante, pois antes de apresentar a oração de Daniel o escritor se preocupa em mostrar o momento histórico em que Daniel se encontrava. Os setenta anos estavam para se completar.
“No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros,...” (v. 2) Daniel entendeu através da leitura do livro de Jeremias (Jr 25.11-12) que o tempo de cativeiro estava terminando, pois Deus havia dito ao profeta que o cativeiro duraria setenta anos.
Veja as palavras de Daniel no verso 19 – Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome.
Quando Daniel ora, ele não pede para que Deus adiantasse o fim do cativeiro, para que Deus reduzisse o sofrimento do povo. Daniel simplesmente pede para que Deus não demorasse nenhum momento mais do que Ele tinha planejado, que nenhum um dia a mais fosse acrescentado de sofrimento a Israel, além do que Ele já tinha estabelecido. Daniel não está tentando mudar o plano de Deus, mas clamando por misericórdia caso fossem eles ainda merecedores de maior punição.
Muitas de nossas orações são feitas em desalinhamentos com a vontade de Deus, com o momento de Deus em nossas histórias ou na história daqueles a quem oramos.
A intercessão eficaz leva em consideração o momento histórico em que se vive e o momento de Deus, o kairós de Deus. Quando nossa oração está alinhada com a vontade de Deus e com o momento de Deus ela será respondida imediatamente.
Por diversas vezes ouvi testemunhos de pessoas que contaram que oraram 29 anos, 17 anos ou 9 anos pela conversão de um de seus familiares. Por que oraram por tanto tempo? Será que Deus não desejava a conversão deles? Será que era preciso primeiro convencer Deus? Não! Acredito que era porque eles não estavam alinhados com o “momento” histórico de Deus naquelas vidas.

2 – Precisamos sair da passividade e orarmos com fervor (v. 3)
“Voltei o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza” (v. 3)
Neste verso temos dois ensinamentos que gostaria de destacar.
Primeiro “Voltei... para o buscar...”. Estas palavras mostram que Daniel ao tomar conhecimento da realidade de Israel e dos planos de Deus para Israel, ele toma à atitude de buscar a Deus em favor de Israel. Ele escolhe a oração.
Hoje a grande maioria das pessoas possui conhecimento da realidade política e social em que estamos inseridos. Vivemos em mundo onde as noticias chegam rapidamente através da internet. Somos informados pelas redes sociais dos acontecimentos pelo mundo quase instantaneamente, mas a grande maioria dos cristãos, não tomam a iniciativa de buscar a Deus em oração, mesmo tendo conhecimento de que a vontade de Deus é que todos os homens cheguem ao pleno conhecimento de Deus,  mesmo sabendo que Deus deseja o bem de todos.
Somos na grande maioria acomodados, talvez porque nos acostumamos com a injustiça e com o mal ao nosso redor, que não nos sentimos sensibilizados a orar, ou porque não acreditamos mais no poder da oração. O mal que nos cerca nos levou a uma espiritualidade passiva, quase morta.
Você já ouviu falar em fumantes passivos, pessoas que fumam sem fumar. Nós cristãos nos acostumamos com a fumaça dos maus, isto é, de uma espiritualidade idólatra, morta e vazia; e não percebemos o quanto ela tem destruído nossas vidas. Assim como os fumantes passivos, nós inspiramos a incredulidade exalada pela sociedade que nos cerca e corremos o risco de nos tornamos homens e mulheres “espiritualmente” passivos.
Segundo – com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza”. A intercessão ela deve ser feita com fervor, com um zelo ardente. Creio que se o texto dissesse somente que Daniel buscou a Deus em oração, seria suficiente para sabermos que ele tinha orado por Israel, entretanto o autor faz questão de mostrar o quanto ele buscou a Deus.
O que Daniel está dizendo para nós é que seu coração estava nesta oração, que ele tinha empatia com a dor de Israel e que não descansaria enquanto não tivesse a resposta do Senhor.
Quando assumimos nos colocar na brecha por alguém ou por uma nação, precisamos levar isso a sério, precisamos colocar nosso coração e toda nossa força nesta oração. Precisamos sentir empatia pela causa que estamos orando. A empatia é a capacidade de compreender o sentimento de outra pessoa imaginando-se na mesma situação.
Não oramos com fervor a fim de mudarmos Deus, mas movidos pelo amor somos levados a orar com fervor. Deus iria libertar Israel mesmo se Daniel não orasse.  Deus já tinha dito pelo profeta Jeremias, que ao completar os setenta anos traria Israel de volta a sua terra, e Deus zela em cumprir sua Palavra. Contudo Deus misteriosamente chama homens, como nós, como Daniel, para participar do Seu agir na história da humanidade.

3 – Precisamos nos identificar com o povo de nossa intercessão (vs.4-6)
“4Orei ao Senhor meu Deus, confessei, e disse: Ah! Senhor... 5temos pecado e cometido iniquidades, procedemos perversamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos; 6e não demos ouvidos aos teus servos, os profetas,...”.
Se vocês conhecem a história de Daniel sabem que ele era um homem temente a Deus, que guardava seus mandamentos e por isso era amado pelo Senhor nosso Deus. Entretanto percebemos que Daniel se inclui no pecado do povo ao orar a Deus. Ele se inclui, não porque ele cometera os pecados mencionados no texto, mas porque ele se identificava com o povo. Daniel não se via separado do povo, por causa de sua santidade.
Penso que muitas de nossas orações são carregadas de preconceitos, de um sentimento de superioridade. Muitos de nós nos consideramos santos e olhamos para a sociedade e para as pessoas como se elas fossem sujas, imundas e indignas do amor de Deus.  Ao entrarmos na presença de Deus com este sentimento nossas orações se tornam inaudíveis porque não há amor verdadeiro nelas.
Ao orarmos por um pecador, lágrimas deveriam escorrer de nossos olhos, de nossos corações, porque foi por estas pessoas que Jesus morreu na cruz; foi por elas que ele gritou “Pai está consumado”; foi por elas que suportou a dor dos pregos; pela prostituta do seu bairro, pelo drogado que está a espreita de uma esquina para te roubar, pelo pai-de-santo ou mãe-de-santo que invoca a demônios pensando falar com espírito desencarnados, pelo seu chefe incrédulo, pelo seu vizinho insuportável,... lágrimas deveriam escorrer porque um dia eu e você também éramos sujos, imundos! Entretanto alguém orou por nós, alguém falou do amor de Deus por nós, alguém nos amou com o amor de Cristo.
Nos identificamos com o outro na intercessão quando assumimos o lugar do outro e desejamos aquilo que gostaríamos que acontecesse conosco caso estivéssemos no lugar do outro. Nossa nova posição em Cristo nos permite olhar para o outro e ver com clareza aquilo que ele necessita, ainda que ele não saiba.  Daniel olha para o povo e percebe que havia necessidade de confissão, de reconhecimento diante de Deus de seus pecados, por isso ele passa a confessar humildemente.

4 – Precisamos confiar no caráter de Deus (vs. 4,7,9)
“4Orei ao Senhor meu Deus, confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos... 5A ti, ó Senhor, pertence a justiça... 6Ao Senhor, nosso Deus, pertence a misericórdia, e o perdão;...”.
Ao orarmos precisamos confiar no caráter de Deus. As palavras de Daniel referente à pessoa de Deus não são expressões de alguém que está tentando manipular Deus, mas de alguém que conhece Deus e que confia em seu caráter.
Muitas orações por aí, são verdadeiras expressões de pessoas que desejam manipular Deus, usam a Palavra de Deus com a intenção de aprisionar Deus com suas próprias palavras. Expressões como “está escrito” vem amarrada a um versículo bíblico com o fim de pressionar Deus. Por exemplo: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Fp 4.19). O individuo comprou um bem muito caro, fora das condições que seu salário pode suprir, e aí, usa estas palavras para obrigar Deus a mandar dinheiro para sua conta. Esses e muitos outros versos da bíblia são usados sem levar em consideração o contexto em que foram escritos e sem considerar o que verdadeiramente eles dizem.
Quando intercedemos não temos que pressionar Deus, mas confiarmos no caráter de Deus, confiarmos em Sua bondade, misericórdia e fidelidade.
Confiança é um sentimento que está sustentando na fé e que se desenvolve na intimidade. Precisamos ter fé porque sem fé é impossível agradar a Deus. É preciso crer na existência de Deus e confiar Nele plenamente – esse é o campo da fé. Contudo, na medida, que O conhecemos mais, nossa confiança cresce a cada experiência vivida com Deus – isso é experimentado na intimidade.

Conclusão: Ao intercedermos devemos buscar alinhar nossas orações com o “momento” de Deus na história – precisamos estar atentos ao mover de Deus na história –, sair da passividade – precisamos deixar o comodismo e buscarmos Deus a favor dos homens –, a orarmos com fervor – precisamos sentir empatia por aqueles por quem oramos –, nos identificando com o povo de nossa intercessão – mais do que empatia precisamos nos incluir como parte da dor daqueles por quem oramos – e permanecermos confiantes no caráter de Deus – não oramos com o fim de manipularmos Deus, mas de nos tornarmos participantes de seu agir na história de alguém ou de uma nação.

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

07/05/2015

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