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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

SERMÕES 52 - IGREJA MISSIONAL


IGREJA MISSIONAL

Objetivo: Apresentar o que pretendemos ser e o que já estamos fazendo como igreja.

Michael W. Goheen é uma das principais vozes sobre igreja missional atualmente. Ele é o autor do livro “A Igreja Missional na Bíblia” (Editora Vida Nova).
Timóteo Carriker está no Brasil desde 1977 e naturalizado brasileiro em 2002, o missiólogo norte-americano é professor em diversas escolas de teologia e missões e editor da Bíblia Missionária de Estudo da Sociedade Bíblica do Brasil.
Alguns anos atrás era muito comum ouvir nas igrejas a expressão “igreja missionária”. Muitas igrejas se definiam como “igrejas missionárias”, entretanto atualmente as igrejas se definem cada vez mais como “igrejas missionais”. Mas, o que é uma “igreja missional”? Em quais aspectos ela é diferente de uma “igreja missionária”?
Vamos começar respondendo a pergunta o que é uma igreja missionária?


1 – O QUE É UMA IGREJA MISSIONÁRIA?
8 Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra". (Atos 1.8 - NVI)
A interpretação deste texto, juntamente com a forma de compreensão da expansão da igreja após a reforma protestante produziu uma igreja com a mentalidade missionária e não missional.
A igreja sempre leu este texto com a perspectiva de que a evangelização do mundo se faz em estágios, de forma progressiva e ordenada, num movimento crescente que se inicia em Jerusalém, desta se estende para Judéia, depois de Judéia a Samaria e somente depois de Samaria as demais regiões da terra a partir de um movimento mais institucional do que pessoal. Essa leitura era feita de duas formas:
1.      Jerusalém é o centro que envia os missionários e detém o poder – um poder centralizado (muitas igrejas ainda são governadas desta forma e evangelizam desta forma).
2.      Cada nova igreja é convocada a enviar novos missionários a outras regiões (poder menos centralizado e igrejas mais independentes para evangelizar).
Entretanto ambos os movimentos compreendem que missões se faz enviando pessoas para outras regiões – a igreja institucional envia. Se eu pretendo alcançar um povo, eu envio um missionário para este lugar e o mantenho lá com o fim de que ele evangelize aquele povo.
1 Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. 2 Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: "Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado". 3 Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram. (Atos 13.1-3)
Por muito tempo o texto que lemos serviu para apoiar este movimento. Este pensamento fez com que muitas instituições e movimentos paraeclesiásticos viessem a existir com o fim de cumprir a ordem de Jesus “ide e pregai o evangelho a toda criatura”.
Os movimentos paraeclesiásticos vieram a existir para ocupar o vácuo deixado pelas igrejas. Uma vez que as igrejas não estavam cumprindo seu chamado integral, estes movimentos vieram para ajudar as igrejas a cumprirem seu papel. As igrejas passaram a transferir o papel da evangelização a uma pessoa – o missionário ou a missionária. Assim também ela fez com os atos pastorais, transferiu o pastoreio a pessoa do pastor.
Assim uma igreja missionária é aquela que envia missionários para outro país ou regiões onde o evangelho não chegou.

2 – O QUE É UMA IGREJA MISSIONAL?
8 Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em (ἔν τε) Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra". (Atos 1.8 - NVI)
ἔν τε é uma preposição que significa “em ambos” ou “tanto”. A ordem de Jesus é que a mensagem seja pregada, mas mais do que ser pregada, a ordem é que vivamos a fé em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra. Ser testemunha é viver em ações e palavras o Evangelho de Cristo onde estivermos; não é uma questão de viver aqui primeiro para depois vivermos lá. Não é uma questão progressiva, mas de ser onde estiver, tanto aqui como lá.
A diferença da igreja missional, é que ela se compreende como um corpo onde todos vivem a missão da igreja. A missão não é depositada sobre uma pessoa, mas sobre todo o corpo de Cristo. Todos são missionários, todos pastoreiam, todos oram pela igreja e conversão de pessoas, todos estão envolvidos no movimento do Espírito Santo para fazer com que a mensagem de Cristo seja conhecida. Todos servem a partir de seus dons e todos testemunham a partir de seu conhecimento e experiência com Cristo Jesus.
36 Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, que em grego é Dorcas, que se dedicava a praticar boas obras e dar esmolas.  37 Naqueles dias ela ficou doente e morreu, e seu corpo foi lavado e colocado num quarto do andar superior. 38 Lida ficava perto de Jope, e quando os discípulos ouviram falar que Pedro estava em Lida, mandaram-lhe dois homens dizer-lhe: "Não se demore em vir até nós". 39 Pedro foi com eles e, quando chegou, foi levado para o quarto do andar superior. Todas as viúvas o rodearam, chorando e mostrando-lhe os vestidos e outras roupas que Dorcas tinha feito quando ainda estava com elas. (Atos 9.36-39)
Dorcas serviu através da assistência social e dessa forma ela pregava a respeito de Jesus Cristo e fazia novos discípulos. Não encontramos na Bíblia nenhum texto dizendo que ela havia recebido uma autorização especial dos apóstolos para isso. Ela se compreendia como parte do Corpo de Cristo e que onde estivesse trabalharia para que Cristo fosse conhecido a partir de seu dom.
1 Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos (Atos 19.1)
O texto parece insinuar que estes discípulos haviam sido evangelizados por Apolo, conforme podemos ler em Atos 18.24-25.
24 Enquanto isso, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, chegou a Éfeso. Ele era homem culto e tinha grande conhecimento das Escrituras.
25 Fora instruído no caminho do Senhor e com grande fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse apenas o batismo de João. (Atos 18.24, 25)
Apolo era um discípulo fazendo novos discípulos. Apolo ensinava o que tinha aprendido e ensinava seus discípulos a fazerem novos discípulos. Por isso Paulo ao chegar em Éfeso encontrou lá alguns discípulos de Jesus.
Uma igreja missional é caracterizada por se compreender como uma igreja em missão e não que faz missões, isto é, cada membro se vê como um discípulo de Jesus Cristo, e compreende que como discípulo deve fazer novos discípulos onde estiver. Ele não precisa de um chamado especial para fazer discípulo, ele faz por entender que Jesus já lhe ordenou a fazer a partir de seu dom.
Uma igreja missional compreende ser uma testemunha de Cristo em vida, obras e palavras. Compreende que seu testemunho é em sua vizinhança local, mas entende também que sua missão é até os confins da terra. Portanto, participará no estabelecimento de um testemunho em lugares onde não há ninguém com o objetivo de estabelecer uma igreja com esse propósito, assim como testemunhará quando estiver de férias passeando na casa de parentes ou amigos.
Uma igreja só é missional quando sua identidade missionária começa a transformar todas as áreas de sua vida interna: louvor, comunhão, liderança, estruturas etc. Ela vive para ser missional. Ela é missional quando está profundamente envolvida com sua vizinhança e com o mundo, buscando justiça e praticando a misericórdia. Uma igreja que fala no nome de Cristo e convida outros em comunhão com ele e com seu povo. Uma igreja que treina todos os seus membros para praticar o evangelho em suas diversas vocações no mundo.
Não é uma igreja que envia uma pessoa para ser missionária, mas que é missionária em todo tempo. Uma igreja missional também envia missionários e ajuda em seu sustento. Se fossemos representar a igreja missional em um gráfico, acho que seria algo próximo de pessoas ligadas a outras, que estão ligadas a outras, e assim por diante. Discípulos que fazem discípulos a partir de seus relacionamentos.

3 – AS IMPLICAÇÕES DE SERMOS UMA IGREJA MISSIONAL
3.1 – Nossa Visão
Ser uma comunidade em que cada membro seja uma expressão do amor de Deus onde estiver”.
Para sermos uma igreja missional precisamos nos ver como comunidade, onde cada um de nós é responsável pelo outro, onde cada um de nós serve ao outro com seu dom, onde cada um de nós compartilha do seu pão com o outro e dessa forma a expressão do amor de Deus se torna conhecida através de nós a todos que olharem para nós.
A religiosidade pode ser vivida na individualidade; a espiritualidade cristã somente na vida em comunidade. A espiritualidade cristã é vivida nos relacionamento e não nos rituais.
Precisamos também ser uma expressão do amor de Deus onde estivermos, pois não vivemos dentro da igreja. Vivemos mais fora da igreja do que nela. Precisamos ser uma expressão do amor de Deus para nossos vizinhos, colegas de trabalho ou da escola, até mesmo para aqueles que não nos conhecem.

3.2 – Nossa Missão
Conectar as pessoas a Deus.
Para sermos uma igreja missional precisamos ser intencionais na evangelização daqueles que fazem parte de nossa rede de relacionamentos. Precisamos conectar as pessoas a Deus. Eu e você somos chamados para fazer discípulos para Cristo. Ser discípulo de Cristo é obedecer a tudo quanto Ele nos ordenou. Essa não é uma tarefa que você pode terceirizar a uma pessoa; é sua responsabilidade.
Como igreja, como uma comunidade, desejamos trabalhar juntos também na tarefa de conectar pessoas a Deus. Fazemos isso individualmente, mas também como Corpo de Cristo. Para realizarmos esta tarefa iremos trabalhar a partir do “servir”.

  
S
ocialização
- capacitar pessoas a se tornarem cidadãs.
(Escola Batista, MAS, MDM)
E
nsino
- levar pessoas a se tornarem como Cristo.
(GP, EBD, Cultos, etc)
R
econciliação
- conduzir pessoas a Cristo.
(Cultos, MDM, GP,  Visitação, etc.)
V
alores
- integrar os valores e princípios do Reino de Deus as nossas vidas.
(Cultos, EBD, GP, MM, MDM, MAS, Visitação, etc.)
I
ntegração
- levar as pessoas ao batismo e membresia.
(M. de Integração, GP, Cultos, etc)
R
elacionamentos
- ajudar as pessoas a construírem relacionamentos saudáveis.
(Oficina de Famílias, GP, MM, etc.)


Reflexão Final:
1.      Como discípulo de Jesus tenho obedecido a sua ordem e trabalhado intencionalmente para fazer novos discípulos?
2.      Como membro dessa comunidade tenho me esforçado para ser uma expressão do amor de Deus, conforme nossa visão, nessa igreja e também fora dela?

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
18/11/2018


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