IGREJA MISSIONAL
Objetivo:
Apresentar
o que pretendemos ser e o que já estamos fazendo como igreja.
Michael W. Goheen é uma das principais vozes sobre igreja
missional atualmente. Ele é o autor do livro “A Igreja Missional na Bíblia”
(Editora Vida Nova).
Timóteo Carriker está no Brasil desde 1977 e naturalizado
brasileiro em 2002, o missiólogo norte-americano é professor em diversas
escolas de teologia e missões e editor da Bíblia Missionária de Estudo da
Sociedade Bíblica do Brasil.
Alguns anos atrás era muito comum ouvir nas igrejas a
expressão “igreja missionária”. Muitas igrejas se definiam como “igrejas
missionárias”, entretanto atualmente as igrejas se definem cada vez mais como
“igrejas missionais”. Mas, o que é uma “igreja missional”? Em quais aspectos ela é diferente de uma
“igreja missionária”?
Vamos começar respondendo a pergunta o que é uma
igreja missionária?
1 – O QUE É
UMA IGREJA MISSIONÁRIA?
8 Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre
vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e
até os confins da terra". (Atos 1.8 -
NVI)
A interpretação deste texto, juntamente
com a forma de compreensão da expansão da igreja após a reforma protestante produziu
uma igreja com a mentalidade missionária e não missional.
A igreja sempre leu este texto com a perspectiva de que a evangelização
do mundo se faz em estágios, de forma progressiva e ordenada, num movimento
crescente que se inicia em Jerusalém, desta se estende para Judéia, depois de
Judéia a Samaria e somente depois de Samaria as demais regiões da terra a
partir de um movimento mais institucional do que pessoal. Essa leitura era feita de duas
formas:
1.
Jerusalém é o centro que envia os missionários e detém o
poder – um poder centralizado (muitas igrejas ainda são governadas desta forma
e evangelizam desta forma).
2.
Cada nova igreja é convocada a enviar novos missionários a
outras regiões (poder menos centralizado e igrejas mais independentes para
evangelizar).
Entretanto ambos os movimentos
compreendem que missões se faz enviando pessoas para outras regiões – a igreja
institucional envia. Se eu pretendo alcançar um povo, eu envio um missionário
para este lugar e o mantenho lá com o fim de que ele evangelize aquele povo.
1 Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé,
Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o
tetrarca, e Saulo. 2 Enquanto adoravam ao
Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: "Separem-me Barnabé e Saulo
para a obra a que os tenho chamado". 3 Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os
enviaram. (Atos 13.1-3)
Por muito tempo o texto que lemos
serviu para apoiar este movimento. Este pensamento fez com que muitas instituições
e movimentos paraeclesiásticos viessem a existir com o fim de cumprir a ordem
de Jesus “ide e pregai o evangelho a toda criatura”.
Os movimentos paraeclesiásticos
vieram a existir para ocupar o vácuo deixado pelas igrejas. Uma vez que as
igrejas não estavam cumprindo seu chamado integral, estes movimentos vieram
para ajudar as igrejas a cumprirem seu papel. As igrejas passaram a transferir o
papel da evangelização a uma pessoa – o missionário ou a missionária. Assim
também ela fez com os atos pastorais, transferiu o pastoreio a pessoa do pastor.
Assim uma igreja missionária é
aquela que envia missionários para outro país ou regiões onde o evangelho não
chegou.
2 – O QUE É
UMA IGREJA MISSIONAL?
8 Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre
vocês, e serão minhas testemunhas em (ἔν τε) Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os
confins da terra". (Atos 1.8 - NVI)
ἔν τε é uma preposição que significa “em
ambos” ou “tanto”. A ordem de Jesus é que a mensagem seja pregada, mas
mais do que ser pregada, a ordem é que vivamos a fé em Jerusalém, Judéia,
Samaria e até os confins da terra. Ser testemunha é viver em ações e palavras o
Evangelho de Cristo onde estivermos; não é uma questão de viver aqui primeiro
para depois vivermos lá. Não é uma questão progressiva, mas de ser onde
estiver, tanto aqui como lá.
A diferença da igreja missional, é que ela se compreende como
um corpo onde todos vivem a missão da igreja. A missão não é depositada sobre
uma pessoa, mas sobre todo o corpo de Cristo. Todos são missionários, todos
pastoreiam, todos oram pela igreja e conversão de pessoas, todos estão
envolvidos no movimento do Espírito Santo para fazer com que a mensagem de
Cristo seja conhecida. Todos servem a partir de seus dons e todos testemunham a
partir de seu conhecimento e experiência com Cristo Jesus.
36 Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, que em grego é
Dorcas, que se dedicava a praticar boas obras e dar esmolas. 37 Naqueles dias ela ficou doente e morreu, e seu corpo foi
lavado e colocado num quarto do andar superior. 38 Lida ficava perto de
Jope, e quando os discípulos ouviram falar que Pedro estava em Lida, mandaram-lhe dois homens dizer-lhe:
"Não se demore em vir até nós". 39 Pedro foi com eles e, quando chegou, foi levado para o quarto
do andar superior. Todas as viúvas o rodearam, chorando e mostrando-lhe os
vestidos e outras roupas que Dorcas tinha feito quando ainda estava com elas. (Atos 9.36-39)
Dorcas serviu através da
assistência social e dessa forma ela pregava a respeito de Jesus Cristo e fazia
novos discípulos. Não encontramos na Bíblia nenhum texto dizendo que ela havia
recebido uma autorização especial dos apóstolos para isso. Ela se compreendia
como parte do Corpo de Cristo e que onde estivesse trabalharia para que Cristo
fosse conhecido a partir de seu dom.
1 Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, atravessando as
regiões altas, chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos (Atos 19.1)
O texto parece insinuar que estes
discípulos haviam sido evangelizados por Apolo, conforme podemos ler em Atos
18.24-25.
24 Enquanto isso, um judeu chamado Apolo, natural de
Alexandria, chegou a Éfeso. Ele era homem culto e tinha grande conhecimento das
Escrituras.
25 Fora instruído no caminho do Senhor e com grande fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse apenas o batismo de João. (Atos 18.24, 25)
25 Fora instruído no caminho do Senhor e com grande fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse apenas o batismo de João. (Atos 18.24, 25)
Apolo era um discípulo fazendo
novos discípulos. Apolo ensinava o que tinha aprendido e ensinava seus
discípulos a fazerem novos discípulos. Por isso Paulo ao chegar em Éfeso
encontrou lá alguns discípulos de Jesus.
Uma igreja missional é
caracterizada por se compreender como uma igreja em missão e não que faz
missões, isto é, cada membro se vê como um discípulo de Jesus Cristo, e
compreende que como discípulo deve fazer novos discípulos onde estiver. Ele não
precisa de um chamado especial para fazer discípulo, ele faz por entender que
Jesus já lhe ordenou a fazer a partir de seu dom.
Uma igreja
missional compreende ser uma testemunha de Cristo em vida, obras e palavras. Compreende
que seu testemunho é em sua vizinhança local, mas entende também que sua missão
é até os confins da terra. Portanto, participará no estabelecimento de um
testemunho em lugares onde não há ninguém com o objetivo de estabelecer uma
igreja com esse propósito, assim como testemunhará quando estiver de férias
passeando na casa de parentes ou amigos.
Uma igreja só é
missional quando sua identidade missionária começa a transformar todas as áreas
de sua vida interna: louvor, comunhão, liderança, estruturas etc. Ela vive para
ser missional. Ela é missional quando está profundamente envolvida com sua
vizinhança e com o mundo, buscando justiça e praticando a misericórdia. Uma
igreja que fala no nome de Cristo e convida outros em comunhão com ele e com
seu povo. Uma igreja que treina todos os seus membros para praticar o evangelho
em suas diversas vocações no mundo.
Não é uma igreja
que envia uma pessoa para ser missionária, mas que é missionária em todo tempo.
Uma igreja missional também envia missionários e ajuda em seu sustento. Se
fossemos representar a igreja missional em um gráfico, acho que seria algo
próximo de pessoas ligadas a outras, que estão ligadas a outras, e assim por
diante. Discípulos que fazem discípulos a partir de seus relacionamentos.
3 – AS IMPLICAÇÕES DE SERMOS UMA IGREJA
MISSIONAL
3.1 – Nossa Visão
“Ser uma comunidade em que cada membro seja uma expressão do amor de Deus
onde estiver”.
Para sermos uma
igreja missional precisamos nos ver como comunidade, onde cada um de nós é responsável
pelo outro, onde cada um de nós serve ao outro com seu dom, onde cada um de nós
compartilha do seu pão com o outro e dessa forma a expressão do amor de Deus se
torna conhecida através de nós a todos que olharem para nós.
A religiosidade
pode ser vivida na individualidade; a espiritualidade cristã somente na vida em
comunidade. A espiritualidade cristã é vivida nos relacionamento e não nos
rituais.
Precisamos
também ser uma expressão do amor de Deus onde estivermos, pois não vivemos
dentro da igreja. Vivemos mais fora da igreja do que nela. Precisamos ser uma
expressão do amor de Deus para nossos vizinhos, colegas de trabalho ou da
escola, até mesmo para aqueles que não nos conhecem.
3.2 – Nossa Missão
Conectar as
pessoas a Deus.
Para sermos uma
igreja missional precisamos ser intencionais na evangelização daqueles que
fazem parte de nossa rede de relacionamentos. Precisamos conectar as pessoas a
Deus. Eu e você somos chamados para fazer discípulos para Cristo. Ser discípulo
de Cristo é obedecer a tudo quanto Ele nos ordenou. Essa não é uma tarefa que
você pode terceirizar a uma pessoa; é sua responsabilidade.
Como igreja,
como uma comunidade, desejamos trabalhar juntos também na tarefa de conectar
pessoas a Deus. Fazemos isso individualmente, mas também como Corpo de Cristo.
Para realizarmos esta tarefa iremos trabalhar a partir do “servir”.
|
S
|
ocialização
|
- capacitar pessoas a se
tornarem cidadãs.
(Escola Batista, MAS, MDM)
|
|
E
|
nsino
|
- levar pessoas a se tornarem
como Cristo.
(GP,
EBD, Cultos, etc)
|
|
R
|
econciliação
|
- conduzir pessoas a Cristo.
(Cultos,
MDM, GP, Visitação, etc.)
|
|
V
|
alores
|
- integrar os valores e
princípios do Reino de Deus as nossas vidas.
(Cultos,
EBD, GP, MM, MDM, MAS, Visitação, etc.)
|
|
I
|
ntegração
|
- levar as pessoas ao batismo
e membresia.
(M.
de Integração, GP, Cultos, etc)
|
|
R
|
elacionamentos
|
- ajudar as pessoas a
construírem relacionamentos saudáveis.
(Oficina
de Famílias, GP, MM, etc.)
|
Reflexão Final:
1.
Como
discípulo de Jesus tenho obedecido a sua ordem e trabalhado intencionalmente
para fazer novos discípulos?
2.
Como
membro dessa comunidade tenho me esforçado para ser uma expressão do amor de
Deus, conforme nossa visão, nessa igreja e também fora dela?
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
18/11/2018
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