A ORAÇÃO QUE CRISTO CONDENA
A Bíblia mostra
que Jesus Cristo orava constantemente. Várias são as passagens que afirmam que
“ele se retirou para orar”. Contudo não temos muitos registros de suas orações.
Os registros que temos são de duas orações já no final de seu ministério
terreno, quando Jesus já via a cruz muito próxima. Uma dessas orações é
conhecida pelo nome “Oração Intercessória de Jesus” e a outra “Oração do
Getsêmani”.
Na “Oração
Intercessória de Jesus”, ele ora por ele mesmo, embora Jesus peça por ele a
centralidade de suas palavras, de seu pedido, estão no Pai. Seu pedido é que o
Pai o glorificasse com a glória que ele tinha antes de existir o mundo. O que
Jesus deseja é voltar a viver a união plena que Ele tinha com o Pai antes de se
tornar homem. Depois Jesus ora por seus discípulos e pela igreja; onde ele
concentra maior parte de sua oração.
Na “Oração do
Getsêmani”, Jesus vive uma agonia profunda e clama ao Pai que se possível
afastasse dele o cálice do sofrimento que estaria por vir, entretanto Jesus
diante a dor e a vontade do Pai, prefere que a vontade do Pai se cumprisse.
Embora não
tenhamos muitos registros das diversas orações que Jesus fez, temos na Bíblia
ensinamentos de Jesus de como deveríamos orar e também de como não deveríamos
orar. Hoje veremos a oração que Cristo condena.
5 "E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas.
Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem
vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.
6 Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore
a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o
recompensará.
7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa,
como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.
8 Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês
precisam, antes mesmo de o pedirem. (Mateus 6.5-8)
O texto que
lemos se encontra dentro do chamado Sermão do Monte. Jesus orienta seus
discípulos a não praticarem “as obras de justiça” com o fim de serem vistos
pelos homens.
Eram chamadas
“obras de justiça” a prática de dar esmolas, jejuar e orar, e, é dentro deste
contexto que Jesus fala da oração condenável por Deus. A oração que Cristo
condena é a oração feita pelos hipócritas.
5 E quando vocês orarem, não sejam como os
hipócritas. (Mateus 6.5a)
A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes,
ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não as possui. O hipócrita é
aquela pessoa que finge ser o que não é.
Há três razões pelas quais a oração do hipócrita é condenada
por Cristo. A primeira razão é que:
1 – ELA NÃO
É AUTENTICADA PELA VERDADE
A oração feita pelo hipócrita não tem valor diante de Deus
porque ela é uma mentira – não é autenticada pela verdade – seus atos externos
não correspondem com suas intenções internas.
Precisamos compreender que a oração que Deus ouve segundo
Jesus é a oração verdadeira, sincera, isto significa, que a oração não começa
no ato de nossa fala com Deus, mas no que vivemos antes de nos colocarmos em
oração.
Nossos atos e intenções precedem a oração, assim como
precedem a adoração. Quando entramos na presença de Deus para falarmos com Ele,
são nossos atos anteriores e intenções que autenticarão nossa oração.
9 Se alguém se recusa a ouvir a lei, até suas orações serão
detestáveis. (Provérbios 28.9)
8 O Senhor detesta o sacrifício (adoração) dos ímpios, mas a
oração do justo o agrada. (Provérbios 15.8)
31 Sabemos que Deus não ouve a pecadores, mas ouve ao homem que
o teme e pratica a sua vontade. (João 9.31)
Na prática isto significa que Deus ouve a oração do homem que
trata bem sua esposa, da esposa que é submissa a seu marido, do filho que honra
seu pai e sua mãe, do empregado que trabalha com excelência, do patrão que paga
com justiça seu funcionário, do amigo que não é amigo da onça, do policial que
não abusa de sua autoridade, do cidadão que respeita as leis vigentes, do irmão
que supre no possível a necessidade do outro, do irmão que faz o possível para
não ser pesado ao outro.
Deus ouve aquele que pratica a justiça, que se apresenta
diante Dele com o coração sincero no serviço ao próximo. Deus ouve e se alegra naquele
que faz “obras de justiça”, não para serem vistas por homens, mas para
satisfazer unicamente ao coração do Pai.
Isto significa dizer que Deus não ouvirá nossas orações e nem
nossos louvores se não vivermos as “obras de justiça” de segunda a sábado – se
não servirmos e amarmos o nosso próximo durante a semana. Não adianta chegarmos
aqui no domingo, com belas roupas e prestarmos culto a Deus, se não vivermos o
amor de Cristo nos demais dias da semana. Nosso culto a Deus é prestado e
autenticado pelo que vivemos durante nossa semana, caso contrário somos
hipócritas. Adoramos um Deus de amor, que sacrificou seu próprio Filho por amor
a nós, mas vivemos egoisticamente, centrados em nós apenas, sem disposição de
sacrificarmos a nós mesmos pelo bem maior de todos.
A segunda razão pela qual a oração do
hipócrita é condenada por Cristo:
2 – ELA É PRODUZIDA PELA VAIDADE
5 Eles (os hipócritas) gostam de ficar orando em pé nas
sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. (Mateus 6.5)
Vaidosa é a
pessoa que deseja ter reconhecidos seus próprios
dotes e méritos, sejam físicos ou intelectuais. O vaidoso sente ou demonstra
orgulho pelo sucesso obtido por ele mesmo.
Eles
oravam em pé nas sinagogas e nas esquinas com o fim de serem vistos pelos
outros. Tudo que desejavam era o reconhecimento das demais pessoas, e neste
caso, o reconhecimento de que eram homens espirituais.
1 Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’
diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão
nenhuma recompensa do Pai celestial. (Mateus 6.1)
Jesus
afirma o valor positivo que há na prática das “obras de justiça”. Ele não está
condenando a prática destas obras. Ele não está dizendo para eles não a
praticarem. Entretanto ele condena a pratica quando a intenção daqueles que a
praticam é de serem vistos pelos homens. Neste caso suas “obras de justiça” não
serão recompensadas pelo Pai celestial, pois são frutos de vaidade.
16 Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam
as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5.16)
Os discípulos de
Jesus devem ser vistos praticando boas obras, contudo eles não devem fazer boas
obras com o objetivo de serem vistos. Portanto o que diferencia se sua “obra de
justiça” é aceitável por Cristo e pelo Pai é a intenção por trás dela. Se sua
intenção é ser visto por homens – ela é condenável por Deus – é obra de
vaidade. Se sua intenção é glorificar a Deus somente – Ela é aceitável por Deus
– é realizada no secreto, isto é, para apenas um expectador, Deus; ainda que realizada
diante muitos homens e mulheres.
A terceira razão pela qual a oração do hipócrita
é condenada por Cristo:
3 – É VAZIA
DE INTIMIDADE
7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa,
como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8 Não sejam iguais a eles, (Mateus 6.7,8a)
Também era
costume dos hipócritas, não apenas escolher lugares mais públicos para orar,
mas também estender suas devoções, repetindo as mesmas palavras a Deus, não
autenticadas pela verdade, produzidas pela vaidade e vazias de intimidade com
Deus.
Como poderiam
ter intimidade com Deus, se viviam na mentira, fingindo ser o que não eram e
buscando o reconhecimento de homens?
A ausência de
intimidade com Deus fazia com que suas orações fossem semelhantes a de um pagão
dirigindo-se a seu deus que, para conceder favores a seus devotos levava em
conta o número de orações e práticas religiosas.
A falta de
intimidade com Deus levou estes homens religiosos a acreditarem que o Deus de
Israel se agradava de sacrifícios, como os deuses pagãos – e por isso eles
queriam mostrar a todos suas “obras de justiça” – por isso desejavam tornar
notório a todos seus sacrifícios, através das esmolas, dos jejuns e da oração.
Essa era a forma deles dizerem: “Vejam como sou agradável a Deus” ou “Vejam
como sou espiritual”. Em outras palavras estes homens oravam e faziam boas
obras confiando de que estas os tornavam justos aos olhos de Deus e
principalmente aos olhos dos homens.
Entretanto Deus
prefere a obediência produzida por um coração quebrantado, isto é, por um
coração que não está apoiado em seus méritos, do que sacrifícios de pessoas que
se apoiam em seus próprios méritos. Me arrisco a dizer que Deus prefere a
desobediência daquele que se compreende pecador e injusto – pois este está mais
perto do arrependimento – do que a obediência daquele que confia em sua própria
justiça e que deposita sua fé em suas próprias obras.
Muitas vezes
agimos como os pagãos, oramos repetidamente, participamos de correntes de
orações, jejuamos, mas não oramos com o coração, estas palavras se tornam sem
sentidos, vazias de intimidade. Fazemos isso acreditando que de tanto
insistirmos Deus irá se compadecer de nós e nos dar o que pedimos.
A oração que
move o coração de Deus é a oração sincera e verdadeira. Deus nos chama a Sua
intimidade. Ele deseja ouvir nossas histórias, ter um tempo conosco e falar de
seus planos para nós. Deus deseja construir uma intimidade conosco.
Em vez de
repetir palavras e frases que soam “espirituais” na esperança de ganhar a
atenção de Deus, faça orações sinceras, honestas, que saem do coração.
REFLEXÃO
FINAL:
Cristo condena a
oração do hipócrita. Precisamos nos avaliar com muita sinceridade se não nos
tornamos hipócritas ao longo de nossa jornada espiritual. Para isto precisamos
responder as seguintes perguntas:
1. A minha vida é um culto a Deus, uma expressão de
Deus ao próximo, ou só cultuo a Deus em momentos específicos de adoração?
2. As boas obras que faço são com a intenção de serem
vistas pelos homens ou serem vistas pelo único expectador, o Deus de Israel?
3. Minhas orações são frutos de um coração derramado
diante de Deus ou expressões vazias de intimidade?
Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
31/03/2019
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