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terça-feira, 2 de abril de 2019

SERMÕES 74 - A ORAÇÃO QUE CRISTO CONDENA


A ORAÇÃO QUE CRISTO CONDENA

A Bíblia mostra que Jesus Cristo orava constantemente. Várias são as passagens que afirmam que “ele se retirou para orar”. Contudo não temos muitos registros de suas orações. Os registros que temos são de duas orações já no final de seu ministério terreno, quando Jesus já via a cruz muito próxima. Uma dessas orações é conhecida pelo nome “Oração Intercessória de Jesus” e a outra “Oração do Getsêmani”. 
Na “Oração Intercessória de Jesus”, ele ora por ele mesmo, embora Jesus peça por ele a centralidade de suas palavras, de seu pedido, estão no Pai. Seu pedido é que o Pai o glorificasse com a glória que ele tinha antes de existir o mundo. O que Jesus deseja é voltar a viver a união plena que Ele tinha com o Pai antes de se tornar homem. Depois Jesus ora por seus discípulos e pela igreja; onde ele concentra maior parte de sua oração.
Na “Oração do Getsêmani”, Jesus vive uma agonia profunda e clama ao Pai que se possível afastasse dele o cálice do sofrimento que estaria por vir, entretanto Jesus diante a dor e a vontade do Pai, prefere que a vontade do Pai se cumprisse.
Embora não tenhamos muitos registros das diversas orações que Jesus fez, temos na Bíblia ensinamentos de Jesus de como deveríamos orar e também de como não deveríamos orar. Hoje veremos a oração que Cristo condena.

5 "E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.
6 Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.
7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.
8 Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.  (Mateus 6.5-8)
O texto que lemos se encontra dentro do chamado Sermão do Monte. Jesus orienta seus discípulos a não praticarem “as obras de justiça” com o fim de serem vistos pelos homens.
Eram chamadas “obras de justiça” a prática de dar esmolas, jejuar e orar, e, é dentro deste contexto que Jesus fala da oração condenável por Deus. A oração que Cristo condena é a oração feita pelos hipócritas.
5 E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. (Mateus 6.5a)
A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não as possui. O hipócrita é aquela pessoa que finge ser o que não é.
Há três razões pelas quais a oração do hipócrita é condenada por Cristo. A primeira razão é que:

1 – ELA NÃO É AUTENTICADA PELA VERDADE
A oração feita pelo hipócrita não tem valor diante de Deus porque ela é uma mentira – não é autenticada pela verdade – seus atos externos não correspondem com suas intenções internas.
Precisamos compreender que a oração que Deus ouve segundo Jesus é a oração verdadeira, sincera, isto significa, que a oração não começa no ato de nossa fala com Deus, mas no que vivemos antes de nos colocarmos em oração.
Nossos atos e intenções precedem a oração, assim como precedem a adoração. Quando entramos na presença de Deus para falarmos com Ele, são nossos atos anteriores e intenções que autenticarão nossa oração.
9 Se alguém se recusa a ouvir a lei, até suas orações serão detestáveis. (Provérbios 28.9)
8 O Senhor detesta o sacrifício (adoração) dos ímpios, mas a oração do justo o agrada. (Provérbios 15.8)
31 Sabemos que Deus não ouve a pecadores, mas ouve ao homem que o teme e pratica a sua vontade. (João 9.31)
Na prática isto significa que Deus ouve a oração do homem que trata bem sua esposa, da esposa que é submissa a seu marido, do filho que honra seu pai e sua mãe, do empregado que trabalha com excelência, do patrão que paga com justiça seu funcionário, do amigo que não é amigo da onça, do policial que não abusa de sua autoridade, do cidadão que respeita as leis vigentes, do irmão que supre no possível a necessidade do outro, do irmão que faz o possível para não ser pesado ao outro.
Deus ouve aquele que pratica a justiça, que se apresenta diante Dele com o coração sincero no serviço ao próximo. Deus ouve e se alegra naquele que faz “obras de justiça”, não para serem vistas por homens, mas para satisfazer unicamente ao coração do Pai.
Isto significa dizer que Deus não ouvirá nossas orações e nem nossos louvores se não vivermos as “obras de justiça” de segunda a sábado – se não servirmos e amarmos o nosso próximo durante a semana. Não adianta chegarmos aqui no domingo, com belas roupas e prestarmos culto a Deus, se não vivermos o amor de Cristo nos demais dias da semana. Nosso culto a Deus é prestado e autenticado pelo que vivemos durante nossa semana, caso contrário somos hipócritas. Adoramos um Deus de amor, que sacrificou seu próprio Filho por amor a nós, mas vivemos egoisticamente, centrados em nós apenas, sem disposição de sacrificarmos a nós mesmos pelo bem maior de todos.
A segunda razão pela qual a oração do hipócrita é condenada por Cristo:

2 – ELA É PRODUZIDA PELA VAIDADE
5 Eles (os hipócritas) gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. (Mateus 6.5)
Vaidosa é a pessoa que deseja ter reconhecidos seus próprios dotes e méritos, sejam físicos ou intelectuais. O vaidoso sente ou demonstra orgulho pelo sucesso obtido por ele mesmo.
Eles oravam em pé nas sinagogas e nas esquinas com o fim de serem vistos pelos outros. Tudo que desejavam era o reconhecimento das demais pessoas, e neste caso, o reconhecimento de que eram homens espirituais.
1 Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial. (Mateus 6.1)
Jesus afirma o valor positivo que há na prática das “obras de justiça”. Ele não está condenando a prática destas obras. Ele não está dizendo para eles não a praticarem. Entretanto ele condena a pratica quando a intenção daqueles que a praticam é de serem vistos pelos homens. Neste caso suas “obras de justiça” não serão recompensadas pelo Pai celestial, pois são frutos de vaidade.
16 Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5.16)
Os discípulos de Jesus devem ser vistos praticando boas obras, contudo eles não devem fazer boas obras com o objetivo de serem vistos. Portanto o que diferencia se sua “obra de justiça” é aceitável por Cristo e pelo Pai é a intenção por trás dela. Se sua intenção é ser visto por homens – ela é condenável por Deus – é obra de vaidade. Se sua intenção é glorificar a Deus somente – Ela é aceitável por Deus – é realizada no secreto, isto é, para apenas um expectador, Deus; ainda que realizada diante muitos homens e mulheres.
A terceira razão pela qual a oração do hipócrita é condenada por Cristo:

3 – É VAZIA DE INTIMIDADE
7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8 Não sejam iguais a eles, (Mateus 6.7,8a)
Também era costume dos hipócritas, não apenas escolher lugares mais públicos para orar, mas também estender suas devoções, repetindo as mesmas palavras a Deus, não autenticadas pela verdade, produzidas pela vaidade e vazias de intimidade com Deus.
Como poderiam ter intimidade com Deus, se viviam na mentira, fingindo ser o que não eram e buscando o reconhecimento de homens? 
A ausência de intimidade com Deus fazia com que suas orações fossem semelhantes a de um pagão dirigindo-se a seu deus que, para conceder favores a seus devotos levava em conta o número de orações e práticas religiosas.
A falta de intimidade com Deus levou estes homens religiosos a acreditarem que o Deus de Israel se agradava de sacrifícios, como os deuses pagãos – e por isso eles queriam mostrar a todos suas “obras de justiça” – por isso desejavam tornar notório a todos seus sacrifícios, através das esmolas, dos jejuns e da oração. Essa era a forma deles dizerem: “Vejam como sou agradável a Deus” ou “Vejam como sou espiritual”. Em outras palavras estes homens oravam e faziam boas obras confiando de que estas os tornavam justos aos olhos de Deus e principalmente aos olhos dos homens.
Entretanto Deus prefere a obediência produzida por um coração quebrantado, isto é, por um coração que não está apoiado em seus méritos, do que sacrifícios de pessoas que se apoiam em seus próprios méritos. Me arrisco a dizer que Deus prefere a desobediência daquele que se compreende pecador e injusto – pois este está mais perto do arrependimento – do que a obediência daquele que confia em sua própria justiça e que deposita sua fé em suas próprias obras.
Muitas vezes agimos como os pagãos, oramos repetidamente, participamos de correntes de orações, jejuamos, mas não oramos com o coração, estas palavras se tornam sem sentidos, vazias de intimidade. Fazemos isso acreditando que de tanto insistirmos Deus irá se compadecer de nós e nos dar o que pedimos.
A oração que move o coração de Deus é a oração sincera e verdadeira. Deus nos chama a Sua intimidade. Ele deseja ouvir nossas histórias, ter um tempo conosco e falar de seus planos para nós. Deus deseja construir uma intimidade conosco.
Em vez de repetir palavras e frases que soam “espirituais” na esperança de ganhar a atenção de Deus, faça orações sinceras, honestas, que saem do coração.

REFLEXÃO FINAL:
Cristo condena a oração do hipócrita. Precisamos nos avaliar com muita sinceridade se não nos tornamos hipócritas ao longo de nossa jornada espiritual. Para isto precisamos responder as seguintes perguntas:
1.      A minha vida é um culto a Deus, uma expressão de Deus ao próximo, ou só cultuo a Deus em momentos específicos de adoração?
2.      As boas obras que faço são com a intenção de serem vistas pelos homens ou serem vistas pelo único expectador, o Deus de Israel?
3.      Minhas orações são frutos de um coração derramado diante de Deus ou expressões vazias de intimidade?


Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
31/03/2019

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