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terça-feira, 16 de abril de 2019

SERMÕES 77 - JESUS E A CRUZ


JESUS E A CRUZ

Estamos dando início a uma nova série de mensagens: Como Cristo na Morte e na Ressurreição. Esta série surge com o fim de nos levar a uma reflexão através da experiência de Cristo com a cruz e com a ressurreição. E nessa primeira mensagem, cujo tema é “Jesus e a Cruz”, gostaria de refletir com vocês a partir de duas perguntas:
1 – Por que a cruz se tornou necessária ao homem?
2 – Por que a cruz se tornou necessária a Jesus?


1 – POR QUE A CRUZ SE TORNOU NECESSÁRIA AO HOMEM?
11 Ele (Deus) fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez. (Eclesiastes 3.11)

1.1 – Deus Criou o Ser Humano Com o Anseio Pela Eternidade
Este texto nos ensina que Deus ao nos criar pôs em nossos corações o anseio pela eternidade. Isto explica porque todos os seres humanos desejam estender suas vidas o máximo que puderem. Ainda que o homem viva cento e vinte anos, continuará com a sensação de que viveu pouco, pois sua alma clama pela existência eterna.
Este clamor da alma pela existência eterna, nada mais é do que um sentimento de saudade insaciável pelo Eterno, nosso criador. Deus colocou em nós, ao nos criar um sentimento que nos impulsiona a buscá-lo, pois Ele nos criou para sua glória.
No projeto original de Deus essa sede estaria sempre sendo saciada, preenchida, pois viveríamos conectados a Ele. A vida de Deus correria através de nós num fluxo constante e ininterrupto.
Esse sentimento colocado em nós por Deus, não deixa de ser um mecanismo de segurança para nós. Uma forma que Deus proveu para que sempre o busquemos, para que nosso prazer de viver se encontre somente Nele.

1.2 – O Ser Humano se Desconectou de Seu Criador
Contudo essa conexão entre Deus e o homem foi quebrada pelo homem. Desde então o ser humano vive com a sensação de um buraco dentro de seu ser, de um vazio inexplicável, de um sentimento de que sempre lhe falta algo na vida, independente de tudo que possa conquistar.
Ao se desconectar de Deus a morte entrou no mundo. A dor e a enfermidade se tornaram presentes na vida do ser humano. Onde jorrava vida, passou a jorrar morte. O caos se instalou em toda criação.
A origem deste caos se deu numa maldita escolha feita pelo primeiro homem no Éden. Ele escolheu ser autônomo, ser autossuficiente, auto-existente. Acreditou que poderia ser como Deus, ser o senhor e sustentador de sua própria existência. Infelizmente o homem descobriu da pior maneira que não poderia ser como Deus, que não tinha capacidade de ser senhor e sustentador de sua própria existência. Diante disso...

1.3 – O Ser Humano Criou Caminhos Para Saciar o Anseio Pela Eternidade
O sentimento de buraco, de vazio experimentado pelo homem, o tem levado a uma busca constante de tentar preencher este vazio de alguma forma. Podemos resumir esta busca de preenchimento por parte do ser humano, de seu anseio pela eternidade através de dois caminhos: A religião e a secularização.
·         Religião – Exige do ser humano perfeição, boas obras, compensação, mas só produz cansaço e decepção. A religião aponta para o que de fato pode preencher este sentimento de saudade de Deus – o próprio Deus. Entretanto a religião erra ao dizer que o homem pode de alguma forma colaborar ou realizar obras que o tornem aceitável diante de Deus, que o conecte novamente com Deus. Nenhuma religião nos conecta ao Deus Criador.
·         Secularização – Este é o caminho criado pelo ser humano para resolver o problema sem Deus. Neste caminho o homem tenta preencher o vazio existencial de sua alma, matar sua saudade de Deus, matando Deus de sua própria vida. Neste caminho o ser humano nega a existência de Deus, ao mesmo tempo, em que busca preencher o vazio de sua alma através do poder, do dinheiro, do sucesso profissional, sucesso familiar, etc. Cria deuses para si. Estabelece ídolos em seu coração tentando dar sentido a sua existência e dessa forma tentando inutilmente abafar o grito de sua alma pela ausência do Deus Criador.

Os caminhos criados pelo ser humano se mostraram inúteis. Criar religiões, estabelecer ritos e doutrinas, não torna a existência do Criador real a nós. Não preenche o anseio da eternidade, não mata a saudade de nossa alma pelo Criador, porque nada disso é suficiente para nos justificar diante do Criador e promover nossa reconexão com o Criador.
Da mesma forma, eliminar Deus de sua existência, não põe fim a realidade de que o ser humano precisa se conectar novamente ao Criador, para que possa encontrar prazer na vida novamente; para que a vida possa fluir abundantemente de seu ser, preenchendo cada órgão, músculo, células de sua existência, curando toda sua psique, restabelecendo sua alma a um gozo eterno.
Ao se desconectar do Criador o homem pecou, fugiu de seu propósito existencial, errou o alvo, e se colocou debaixo da lei do pecado.
23 Pois o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23a)
Então Deus ciente de que o homem jamais O alcançaria por seus esforços fez o que o homem não poderia fazer. Deus veio ao encontro do ser humano! Mas era necessário que a justiça fosse feita, que o salário do pecado fosse pago. Um homem justo, sem pecado deveria morrer para que a justiça fosse estabelecida. Por isso a cruz se tornou necessária ao homem. O que nos leva a segunda pergunta:

2 – POR QUE A CRUZ SE TORNOU NECESSÁRIA A JESUS?
Antes de responder esta pergunta, deixa eu lhe falar um pouco sobre a Bíblia. A Bíblia é a Palavra de Deus, um livro dado aos homens por Deus, que apresenta a saga original da redenção do mundo e dos seres humanos. Para entender a saga bíblica é preciso entender os três primeiros capítulos de Gênesis.
Capítulo 1 – O ponto principal é afirmar que Deus criou todas as coisas. O texto não é cientifico; não se preocupa com a exatidão do tempo da criação ou em nos dar respostas precisas sobre toda criação.
Capítulo 2 – A grande lição é afirmar que tudo era perfeito, tudo era muito bom. Não existia morte, dor, tristeza, nenhum tipo de sofrimento no projeto original de Deus.
Capítulo 3 – O ponto principal é mostrar que o ser humano se desconectou de Deus, e essa desconexão trouxe a morte, dor, tristeza e todo tipo de sofrimento para toda criação. Este capítulo também ensina que a partir dessa quebra de harmonia entre o homem e Deus, toda a descendência humana foi afetada ali. Todo ser nascido após a queda do homem, a desconexão entre o homem e Deus já nasce sob o domínio do pecado. A lei do pecado passou a reger sobre toda a criação. Por isso o apóstolo Paulo escreve;
23 Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, (Romanos 3.23)

22 Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. (Romanos 8.22)
A lei do pecado produz uma força destruidora sobre o homem e sobre toda criação. Nós hoje ainda vivemos debaixo dessa força destruidora.
Voltemos a nossa pergunta: Por que a cruz se tornou necessária a Jesus. Uma vez que todo ser humano já nasce sob o poder do pecado, nenhum homem nascido da carne, fruto da união de um homem e uma mulher poderia pagar o preço do pecado por meio de sua morte e do derramamento de seu sangue. Devido a esta realidade é que a cruz se tornou necessária a Jesus.
A partir do capítulo 4 do livro de Gênesis até o último capítulo do livro de Apocalipse temos a saga da redenção humana. A história real de um Deus de amor imensurável e indescritível, que na busca em restabelecer a conexão com o ser humano, deixa seu trono, deixa sua glória, deixa tudo e se torna homem, vulnerável, se coloca na posição de servo e se deixa ser crucificado, por sua livre vontade.
A cruz é o resultado da escolha voluntária de Jesus Cristo, feita antes da fundação do mundo, de se tornar o salvador de toda criação e de toda humanidade, caso essa viesse a pecar, como de fato veio.  Diante a impossibilidade que a humanidade pudesse salvar a si mesmo, Jesus se ofereceu para morrer a nossa morte. Antes que o mundo viesse a existir, Jesus já tinha estendido seus braços para você e para mim. Antes mesmo que pudéssemos amá-lo ou lhe pedir perdão, Ele já havia se disposto a pagar o preço para nossa reconciliação com o Pai, conforme podemos ler...
18 Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, 19 mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, 20 conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês. (1 Pedro 1.18-20)
A bíblia nos diz que o cordeiro foi conhecido antes da fundação do mundo, mostrando-nos que a crucificação de Jesus foi apenas uma manifestação daquilo que já havia sido planejado para o nosso resgate, antes da criação.
O cordeiro já havia sido providenciado por Deus na eternidade, afim de que o homem não precisasse morrer devido ao seu pecado original. Deus nos amou intensamente quando ainda erámos apenas uma ideia, um desejo de seu coração. Antes que viéssemos a existir, Jesus já nos amava tanto, a ponto de se oferecer como sacrifício em nosso lugar. Imagina o quanto Ele te ama hoje e o quanto Ele deseja se relacionar com você. Se ele já te amava antes de você existir, se ele sonhava com sua existência, pense o quanto Deus deseja ouvir sua oração.

Conclusão
Vimos que Deus criou tudo perfeito. A relação entre Deus e o homem era perfeita. Contudo este relacionamento se rompeu porque o homem desejou ser mais do que havia sido criado para ser. O homem não se satisfez em ser homem, desejou ser como Deus.
Quando relacionamentos se rompem o caos se instala. A culpa, o remorso, a mentira, a inveja, a amargura e outros sentimentos destruidores começam a se instalar no coração do homem.
Vimos também que Deus não foi o causador do rompimento, entretanto Ele foi o agente que trabalhou para que a reconciliação pudesse acontecer. Ele tomou a iniciativa para reconstruir a ponte entre Ele e os seres humanos. Para isso, abriu mão de sua divindade, de sua glória, de seu poder e se humilhou, tornou-se homem e morreu numa cruz por você e por mim. Cristo pagou a conta dos nossos erros, assumiu o prejuízo de nossos pecados.
Aprendemos com Cristo que não existe reconciliação sem que alguém pague a conta. Ele se dispôs a pagar.
Aprendemos com Deus que na busca da paz e da reconciliação devemos dar nosso tudo – tudo que possuímos e tudo que somos –, por isso não existe maior ato de adoração do que perdoar seu irmão.
Perdoar é a experiência de reviver a cruz com Cristo novamente. É morrer para se reconciliar.

Reflexão Final:
Em todo relacionamento onde existe um dano alguém irá pagar a conta. Quando isto ocorre você tem duas opções. Você pode dizer a quem te feriu:
1.      Não esquenta a cabeça, vou te mandar a conta e tudo ficará certo.
2.      Não esquenta a cabeça, vá para casa e descanse, eu assumo o prejuízo. Te perdoo.
Deus olhou para nós e optou pela segunda. E você qual opção tem feito quando alguém te fere? Qual a opção você tem escolhido com aqueles que já te feriram?


Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
14/04/2019

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