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terça-feira, 5 de novembro de 2019

SERMÕES 109 - IDENTIDADE 1: NOSSA VISÃO


IDENTIDADE (primeira parte): NOSSA VISÃO

De 2009 até março de 2018 eu exerci meu ministério pastoral na Igreja Batista Memorial de São Paulo. No dia 27 de março de 2018 assumi o pastoreio da Primeira Igreja Batista em Itapevi.
Logo que iniciei o diálogo com a PIBI, comecei a orar intensamente a Deus para me mostrar o que Ele queria realizar através da PIBI e para onde Ele queria conduzir a PIBI. E foi durante este período intenso de oração que Deus me mostrou para onde queria conduzir a PIBI, nossa igreja.
Primeiramente Deus me levou a refletir sobre qual tipo de igreja ele desejava tornar a PIBI.


1 – UMA IGREJA COM A CIDADE
16 Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5.16)
Durante este período de oração, Deus me mostrou que existem três tipos de igreja.
   Igreja na cidade
    Vive em seu mundo dentro da cidade. Ela não se mistura com a cidade. Ela não participa da vida da cidade. Ela não realiza nada  com a cidade ou em prol da cidade. Sua luz e obras não são vistas.
    Igreja para a cidade
    Vive em seu mundo, mas às vezes vai até a cidade e faz algumas coisas pontuais. Apresenta um musical no natal ou na páscoa. Sua luz e obras às vezes são vistas.
    Igreja com a cidade
    Vive na cidade e se interage com a cidade durante toda sua existência. Sua luz e obras são conhecidas e glorificam o Pai.
Após me mostrar estes três tipos de igreja, Deus me fez entender que devemos ser uma Igreja com a cidade. Isto significa sermos uma igreja que interage com a cidade, que se mistura com a cidade, que invade a cidade com amor durante todo o ano. Portanto nós somos uma igreja COM a cidade, e estamos orando para termos projetos que nos torne de fato uma igreja COM a cidade.
A segunda coisa que Deus me revelou foi sua visão para a PIBI.

2 - NOSSA VISÃO
34 "Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. 35 Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros". (João 13.34,35)
Depois ter compreendido que Deus desejava que nossa igreja invadisse a cidade com amor, eu perguntei a Deus: “Como o Senhor deseja que a PIB em Itapevi seja conhecida? Qual o sonho do Senhor para a PIBI? Qual a visão que o Senhor tem para a PIBI?”.
Eu sabia que a resposta para esta pergunta era importante, pois eu precisava saber que tipo de casa Deus queria construir. Conforme o modelo de casa desejada, se define o projeto, os fundamentos e materiais necessários para a construção da mesma. E num certo dia quando eu estava orando pela PIBI, antes de vir para cá, veio em minha mente à frase: “seja uma comunidade que expresse o meu amor”. E dessa frase surgiu a nossa visão: Ser uma comunidade onde cada membro seja uma expressão do amor de Deus onde estiver.
O que estou apresentando a vocês não foi algo que nasceu do meu coração ou que surgiu do nada, do acaso. Não! O que estou apresentando a você é o que me foi dado após muito tempo de oração. Estas palavras, a visão de Deus para nossa igreja, foi sendo plantada por Deus ao longo desse período de oração. Deus foi construindo em meu coração o que Ele desejava realizar em nossa igreja, antes que eu conhecesse a igreja. Acredito que Deus fez isso para que eu não fosse influenciado pela própria igreja ou por meus sentimentos em relação à igreja.
Mas como nos tornarmos uma comunidade? O que é ser uma comunidade?

3 – DEFININDO COMUNIDADE
Comunidade é um agrupamento de pessoas unidas por interesses comuns e que compartilham algo uns com os outros. Existem comunidades formadas para salvar animais exóticos; comunidades formadas por afinidades de raças, times, carros, etc.; outras formadas por uma ideologia ou religião.
Quando falamos de igreja, estamos falando de uma comunidade, de um grupo de pessoas que se reúnem por interesses comuns e que compartilham de algo uns com os outros. Esses interesses comuns e compartilhados dão as pessoas da comunidade identidade e pertencimento.
O que nos faz reunirmos todos os domingos aqui? Reunimo-nos todos os domingos para adorar a Jesus Cristo e compartilharmos da vida de Cristo uns com os outros. Até aqui somos uma comunidade como qualquer outra. Mas a nossa união ultrapassa os encontros dominicais, ultrapassa os limites físicos, a dimensão material e nossos próprios interesses pessoais; ela é feita na dimensão espiritual, transcende o humano. Diante essa realidade precisamos definir melhor o que é a comunidade de Cristo.

4 – DEFININDO A COMUNIDADE DE CRISTO
5 assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. (Romanos 12.5)
O que nos difere das demais comunidades existentes é que na comunidade cristã somos inseridos no Corpo de Cristo, pelo poder do Espírito Santo de Deus que opera em nós. Ao sermos inseridos no Corpo de Cristo nos tornamos todos “um” em Cristo Jesus.
Nós não só temos algo em comum – por exemplo: missão, visão, ideais, fé, realizações, valores e princípios – como nos tornamos comuns uns aos outros, pois pertencemos ao mesmo corpo. A vida que nos sustenta e nos dirige é a mesma, é a vida do Espírito de Cristo. De tal forma que quando firo ao meu irmão, firo a mim mesmo, pois firo o corpo de Cristo a qual faço parte.
Toda vez que você sabota o projeto da igreja ou de um ministério da igreja, você sabota o projeto de Cristo, e sabota o agir de Deus em você e na vida de seus irmãos, não só da igreja local, mas da igreja universal. Isso porque somos uma comunidade. E só se vive em comunidade quando se vive em comunhão, isto é, só se vive a comunidade quando se vive compartilhando de sua vida, de seus dons, de seus recursos com aqueles que são comuns a você. A sua vida continua no outro, assim como a vida do outro se estende em você.
Nossa união não é apenas ideológica ou de interesse pessoal, ela é espiritual. Ela se inicia ao renunciarmos o controle de nossas vidas e nos rendermos ao Senhorio de Jesus Cristo e se completa no derramar do Espírito Santo em nós. Dessa forma somos imersos no Corpo de Cristo e participamos da mesma vida, a vida de Cristo.   

5 – PAULO ORANDO POR NOSSA VISÃO
Nessa semana me deparei com uma oração do apóstolo Paulo e fiquei impressionado, pois sua oração tem tudo haver com a visão que Deus estabeleceu para nossa igreja, para a PIBI.
14 Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, 15 do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra. 16 Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça (krataiōthenai) no íntimo do seu ser com poder (dinamis), por meio do seu Espírito, 17 para que Cristo habite (katoiken) em seus corações mediante a fé; e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, 18 possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, 19 e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus. 20 Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós, 21 a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! Amém! (Efésios 3.14-21)
Em seu comentário da carta de Paulo aos efésios, Francis Foulkes afirma que esta é uma oração muito ousada, por parte do apóstolo. Paulo faz duas petições nessa oração. Quero olhar essa oração com vocês porque acredito que ela vai de encontro com a nossa visão - Ser uma comunidade onde cada membro seja uma expressão do amor de Deus onde estiver.
Vejamos a oração do apóstolo Paulo.
14 Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, – A oração se inicia por uma razão. Qual a razão? Paulo está se referindo a tudo que ele escreveu anteriormente nesta carta. Pelos mistérios revelados em Cristo Jesus desde antes da fundação do mundo. Pela realidade de que em Cristo todos fomos predestinados a sermos santos. Pelo fato de que mediante a graça de Deus, Cristo da vida a todos que estavam mortos em pecados. Pela conscientização da unidade através da qual judeus e gentios se tornaram uma só família.
O judeu tem o costume de orar em pé, ele se ajoelha somente quando se sente quebrantado. A beleza da unidade do Corpo de Cristo é uma das razões de Paulo se colocar de joelhos e orar; e que tem tudo haver com nossa visão.
Ser uma comunidade é viver a unidade realizada na cruz. Em Cristo nos tornamos comuns, viramos uma unidade. Não somos mais um monte de batatas no saco, mas fomos transformados em um purê de batatas. Isso é ser uma comunidade. E somos uma comunidade sustentada pelo amor. Precisamos viver essa realidade e não apenas conhecê-la.
O próprio apóstolo reconhecendo que não é fácil viver em comum + unidade faz sua primeira petição pela unidade da comunidade cristã de Éfeso, conforme lemos no verso desesseis.
16 Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça (krataiōthenai) no íntimo do seu ser com poder (dinamis), por meio do seu Espírito, – Neste verso Paulo apresenta o propósito de sua oração, ele ora para que Deus, por meio de todos seus atributos divinos – os comunicáveis e não comunicáveis, os conhecidos pelos homens e os não conhecidos pelos homens – fortalecesse (krataiōthenai – capacitasse) os irmãos de Éfeso com poder, por meio do seu Espírito.
Todo crente precisa de poder. Precisa ser capacitado pelo Espírito Santo de Deus com poder. Não basta sermos regenerados pelo Espírito Santo, precisamos ser revestidos de poder do Espírito Santo. Não estou falando de segunda bênção. Estou falando de ser cheio do Espírito Santo. Paulo sabia que os irmãos de Éfeso já tinham recebido o Espírito Santo, mas sabia também que eles precisavam ser cheios do Espírito Santo. A experiência da regeneração ela é única em nossa vida. Nascemos somente uma vez no Espírito, mas a experiência do revestimento, do ser cheio do Espírito ela pode acontecer diversas vezes em nossas vidas. Por isso Paulo diz: “Enchei-vos do Espírito”. Por que eles deveriam ser cheios do Espírito Santo? Paulo responde no verso dezessete.
17a para que Cristo habite (katoiken) em seus corações mediante a fé; – O desejo de Paulo era que Deus com todo seu saber e poder, com toda sua misericórdia e justiça, capacitasse com poder os corações dos irmãos de Éfeso, por meio do Espírito Santo, para que Cristo habitasse em seus corações mediante a fé.
Paulo não está orando pela salvação dos irmãos, ele se refere a uma vida inteiramente controlada por Jesus. Existem duas palavras para habitação no grego. Paroiken que se refere à habitação temporária. Exemplo: um hospede em sua casa. Ele mora com você, mas não é dono de sua casa. Ele não pode fazer reformas na casa sem sua autorização. A segunda palavra Katoiken que se refere habitação permanente. Exemplo: proprietário da casa. Paulo usa esta palavra. O apóstolo está orando para que eles entregassem seus corações para Cristo inteiramente. Que dessem a Jesus a escritura de seus corações, permitindo que ele pudesse fazer todas as mudanças necessárias na casa, nos corações.
Jesus Cristo espera apenas por esta disposição e desejo de nossa parte para que Ele venha entrar com toda a plenitude de bênçãos que Sua presença oferece a nós. Paulo está orando para que Deus capacitasse os irmãos com poder, no seu íntimo, por meio do Espírito, para que eles tivessem essa disposição de entregarem todos os cômodos dos seus corações para Jesus, a fim de que ele pudesse produzir neles o novo homem e dessa forma viverem a unidade e ser tornarem verdadeiramente uma comunidade cristã.
Somente conseguiremos ser uma comunidade se entregarmos as escrituras de nossos corações a Cristo Jesus. Cristo precisa virar dono de nossos corações, ele não pode ser apenas um hospede.
A segunda petição se encontra na continuação do verso dezessete até o verso dezenove.
17b e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, 18 possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, 19 e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus. – Eu acho esta segunda petição muito profunda, na verdade ela não é uma segunda petição, mas uma consequência da primeira petição – “para que vocês,...” ou poderia ser “a fim de que vocês,..”. Paulo deseja que Cristo habite nos corações dos irmãos “para que eles arraigados e alicerçados em amor...”. Esta segunda petição nos revela algo extraordinário, o compreender e o conhecer o amor de Cristo, só pode ser experimentado na vida da comunidade cristã.
Paulo usa duas metáforas para descrever a unidade da igreja. Uma comunidade só pode existir se estiver arraigada e alicerçada em amor.
·      Arraigados significa que tem raízes profundas. Paulo está dizendo que precisamos ter raízes profundas um no outro em amor. Eu em você e você em mim. De forma que não podemos ser separados, que nossas vidas se tornam uma só vida, através de você sou alimentado e você é alimentado através de mim.
·      Alicerçados significa que tem sustentação segura. Paulo está dizendo que precisamos oferecer sustentação segura uns aos outros em amor. O amor precisa ser praticado, dando a cada um de nós segurança em nossas relações. A prática do amor mantém a relação sólida.
O que Paulo está dizendo através do seu pedido de oração, é que o amor deve ser vivenciado por nós com profundidade e de forma prática. Assim como uma árvore se mantém firme devido à profundidade de suas raízes no solo e assim como um edifício se mantém firme por causa de seu bom alicerce, assim deve ser o amor na vida da comunidade.
Se vivermos enraizados e alicerçados uns nos outros em amor, Paulo afirma que compreenderemos (com o intelecto) e conheceremos (por experiência) o amor de Cristo que excede todo conhecimento e dessa forma seremos cheios de toda a plenitude de Deus.
Podemos concluir duas verdades a partir desta oração de Paulo.
·      Primeira verdade – Paulo está dizendo que só seremos cheios de toda a plenitude de Deus quando vivermos enraizados e alicerçados em amor. Portanto somente quando nos tornarmos uma comunidade que expresse o amor de Cristo seremos cheios da plenitude de Deus.
·      Segunda verdade – Nunca poderemos compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo e nem experimentar o amor de Cristo se não nos tornarmos uma comunidade.

REFLEXÃO
Quero concluir dizendo que quando Deus terminou de construir essa visão para nossa igreja, eu não tinha claro o que isso significaria para todos nós. Hoje sei que Deus espera que eu e você possamos viver o evangelho de forma plena, que possamos verdadeiramente entregar as escrituras dos nossos corações a Jesus, e clamarmos para que sejamos cheios do Espírito Santo de Deus, pois somente pelo poder do Espírito conseguiremos viver enraizados e alicerçados uns nos outros em amor.
O desafio de Deus para nós é que sejamos uma comunidade que expresse o seu amor a todos e em todo lugar. Eu espero que você ore como Paulo orou e que, no poder do Espírito Santo, você dê passos para se enraizar e se deixar ser enraizado em amor; que você construa alicerces e encontre alicerces para se sustentar no momento da dor, da dúvida, assim também no momento da vitória e da alegria, permitindo que pessoas conheçam através de você a grandeza do amor de Jesus e se tornem cheios da plenitude de Deus. Deus te abençoe.

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
03/11/2019

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