JUNTOS TORNAMOS CRISTO E SEU AMOR REAL
O Evangelho
de João até o capítulo doze nos apresenta os ensinos de Jesus que foram
transmitidos ao povo judeu de uma forma geral. Até o capítulo doze o que temos
são os ensinos de Jesus anunciados para um público maior que os seus discípulos
mais próximos.
Os
Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas também foram escritos com esta
perspectiva. Eles trazem os ensinos de Jesus que foram anunciados ao povo de
forma geral. Vamos chamar estes ensinos de ensinos públicos.
Contudo a
partir do capítulo treze de João encontramos uma série de ensinos de Jesus,
transmitidos através de palavras e ações de amor, dirigidos diretamente aos
seus. Somente João nos revela estes ensinos. Vamos chamá-los de ensinos
privados, porque estes foram dados somente aos seus discípulos mais chegados.
Estes
ensinos privados de Jesus tinham como objetivo preparar, orientar e incentivar
seus discípulos a viverem como ele viveu e a amarem como ele os havia amado,
pois ele sabia que sua hora estava próxima.
Jesus havia vindo ao mundo para essa hora, ele deixou sua glória e se fez homem para morrer pela humanidade. Dentro de pouco tempo sua presença visível na terra chegaria ao fim. Ele ciente de que o caminho da cruz o levaria novamente ao Pai e que ele não estaria mais presente no mundo para revelar o amor do Pai, ele chama seus discípulos para uma conversa íntima, transferindo a eles a responsabilidade de tornarem sua presença real no mundo. Como eles poderiam tornar a presença de Cristo real no mundo? Encontramos a resposta no novo mandamento ordenado por Jesus.
1 – UM NOVO MANDAMENTO
O novo
mandamento ordenado por Jesus se encontra nos ensinos privados dados aos seus
discípulos mais próximos, conforme podemos ler no texto de João 13.34.
34 Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei,
vocês devem amar-se uns aos outros. (João 13.34)
O novo
mandamento de Jesus – “Amem-se uns aos outros” – se baseia na essência
dos dez mandamentos apresentados por Moisés, o qual o próprio Senhor Jesus resumiu
em dois mandamentos. O primeiro mandamento: “ame o Senhor, o seu Deus de todo
seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento”; e o segundo:
“ame o seu próximo como a si mesmo”, conforme podemos ler em Mateus 22.37-39.
Diante disso
poderíamos nos perguntar: “O que tem de novo no mandamento de Jesus?” Embora a
essência do mandamento de Jesus é a mesma – o amor – o mandamento dado por ele
traz uma nova característica que o torna diferente do mandamento apresentado
por Moisés. Jesus estabeleceu um padrão de amor.
Ao
estabelecer um padrão de amor, Jesus apresentou um padrão para medir o amor.
Ele diz “Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros”. O amor de Jesus é o padrão de
medida para seus discípulos. Os judeus não tinham um padrão para medir o
amor, pois eles se relacionavam com Deus pela lei. Eles não conseguiam perceber
o amor na lei. Para os judeus a relação com Deus era de obediência. A bênção ou
a maldição dependia do quanto eles obedeciam a Deus. Assim eles também se
relacionavam com o próximo. Aqueles que eles julgavam não obedecer à lei de
Deus eram desprezados por eles.
Jesus
apresenta seu amor como um padrão para os seus discípulos de como eles deveriam
se amar. Esse padrão serve para nós hoje. Eu e você precisamos amar como Jesus
nos amou. Amar o nosso irmão e a nossa irmã em Cristo, como Jesus nos amou,
eleva o nível de amor que devemos entregar aos nossos irmãos. Já não devo amar os
meus irmãos como amo a mim mesmo, mas devo amá-los como Jesus me amou, por isso
Jesus apresenta este padrão de amor como um novo mandamento. Vejamos o
resultado do exercício de nos amarmos como Jesus nos amou.
2 – O RESULTADO DO EXERCÍCIO DE NOS AMARMOS COMO JESUS
NOS AMOU
O resultado
prático do exercício de nos amarmos como Jesus nos amou é que nos tornaremos
conhecidos por todos como discípulos de Jesus, conforme lemos em Jo 13.35.
35 Com isso todos saberão
que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros. (João 13.35)
Jesus está
dizendo que se nós nos amarmos uns aos outros como ele nos amou, todos saberão,
inclusive os não-cristãos, que nós somos seus discípulos.
Diante disso
podemos afirmar que o que torna Jesus real para aqueles que nos olham de fora e
também para nós que estamos dentro da igreja é o amor que exercemos uns para
com os outros.
O Espírito
Santo torna a unidade entre nós, conquistada através do sacrifício de Jesus na
cruz possível e real no mundo espiritual, enquanto o amor torna essa unidade
visível e real aos olhos humanos, ao ponto de sermos reconhecidos como
discípulos de Jesus.
Uma igreja
onde seus membros não vivem o amor de Jesus é uma igreja que não reflete
Cristo. Uma igreja cujos membros não exercem o amor de Cristo entre si é uma
igreja institucional somente, estabelecida em um lugar geográfico, possuidora
de um CNPJ, que pratica os ritos cristãos, mas não é uma representante de fato
da igreja de Jesus Cristo.
A marca
distintiva que nos caracteriza como discípulos de Jesus é o amor. Preste
atenção no que vou dizer: Você não é um discípulo ou uma discípula de Jesus
porque todos os dias, envia pelo whatsapp ou facebook, textos bíblicos ou
pregações das dez igrejas que você é filiada virtualmente. Enviar textos bíblicos
ou pregações não é errado, mas não te torna discípulo ou discípula de Jesus.
O que nos
define como cristãos não é o traje que vestimos, embora todos nós temos o dever
de nos vestirmos com decência, sem mostrar a roupa intima aos demais irmãos de
nossa igreja.
Também não
somos definidos pelo que fazemos ou deixamos de fazer por Cristo. Você não é
cristão pelo que faz ou deixa de fazer, embora você possa fazer ou deixar de
fazer algo motivado por aquilo que te define como cristão, o amor por seus irmãos.
Quando você assim procede, procede corretamente. O amor deve ser sempre a
motivação correta para fazermos ou deixarmos de fazer algo uns pelos
outros.
O que torna Jesus real na sua
vida e na minha vida, a ponto de sermos reconhecidos como discípulos, é o amor
com que nos relacionamos uns com os outros. Mas não é um amor qualquer! Não é o
amor ensinado por nossa sociedade. Não é o amor divulgado nas mídias e redes
sociais. Não é nem mesmo o amor que sentimos por nós mesmos. O amor que torna
Jesus real em nossas vidas e na vida de nossa igreja é o amor com que Cristo
nos amou.
Portanto digo a você que se diz
discípulo ou discípula de Jesus Cristo: “Você tem que amar seus irmãos em
Cristo como Jesus te amou”.
Para que eu e você possamos
compreender mais profundamente em como devemos amar nossos irmãos em Cristo, te
convido a refletir comigo no amor de Jesus por nós. Mas peço sua permissão para
falar diretamente a você, não me excluindo dessa reflexão, mas visando
ajuda-lo, em amor, para isso vou buscar responder a pergunta: como Jesus te
amou?
3 – COMO JESUS TE AMOU?
Quando falamos de amor estamos
falando de algo que é dinâmico, que implica em movimento de vida em direção a
outro ser. Não estamos falando de sentimentos apenas, porque amar é se envolver
completamente com o outro, se doar plenamente para o outro, crer no outro
contra todas as impossibilidades, sofrer pelo outro e por causa do outro por
não deixar de amá-lo. Amar também é se alegrar por poder promover felicidade
para o outro. Amar é libertar quem se ama para a vida. Amar resulta em ações
concretas de vida para o amado ou amada. Jesus amou plenamente!
Podemos dizer que Jesus amou...
· Com amor imensurável – 16 Porque Deus tanto amou o
mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça,
mas tenha a vida eterna. (João 3.16)
O texto de João 3.16 não está falando de uma quantidade que se pode
contar ou de uma intensidade que se pode medir. Mas ele quer nos mostrar que o
amor de Deus Pai pelo mundo e por você era tão imensurável que Ele entregou seu
Filho Único para que você tenha vida eterna.
Da mesma forma o amor de Jesus por você é imensurável. Não tenho como
medir o quanto Jesus te ama. Ele fez tudo o que podia fazer para que você
pudesse viver em plena comunhão com ele e com o Pai. Seu amor imensurável fez
com que você se tornasse um com ele, um com seus irmãos em Cristo e um com o
Pai. Em outras palavras ele dividiu tudo que era mais precioso para ele com
você, e fez isso voluntariamente. Não lhe foi exigido pelo Pai que morresse por
você. Jesus se ofereceu livremente para ir para a cruz em seu lugar.
Se você deve amar seus irmãos em Cristo, como Jesus te amou, você deve
amar de forma imensurável, sem medidas, sem condições, sem limites de entrega,
com o fim de conservar a unidade do Espírito e dessa forma honrar o que Cristo
fez por você na cruz.
Jesus amou...
· Com amor sacrificial – 16 Nisto
conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. (1 João 3.16)
Não importava qual fosse à exigência para resgatar a sua vida, Jesus
estava disposto a pagá-la. Antes de você nascer, antes do mundo ser criado,
Jesus sabia que a cruz seria o caminho para salvar sua vida, e, ele livremente
se dispôs a morrer em seu lugar.
O sacrifício de Jesus por você não aconteceu só na cruz. Jesus viveu
sacrificando-se por você. Ele abriu mão de sua Glória. Paulo afirma que sendo
ele Deus, não usurpou ser igual a Deus, se tornou homem como nós. Ele foi
humilhado, cuspido, chicoteado, zombado e por fim pregado numa cruz, onde
morreu por você.
Agora Jesus espera que você esteja disposto a dar sua vida por seus
irmãos, como ele deu a dele por você. Você precisa abrir mão de qualquer
glória. Você precisa, como Cristo, se dispor a ser humilhado, cuspido,
chicoteado, zombado e até mesmo se necessário morrer por seus irmãos.
Sacrifique sua justiça, sacrifique sua vontade, sacrifique sua
reputação, sacrifique seu lucro, sacrifique seu ministério, sacrifique sua
maneira de vestir, seu cabelo, sacrifique sua felicidade, sacrifique a si mesmo
se for necessário para ganhar seu irmão ou sua irmã. Faça tudo que estiver ao
seu alcance para conservar a unidade do Corpo de Cristo.
Jesus amou...
· Com amor longânimo – 14 Eu
sou o bom pastor; conheço
as minhas ovelhas; e elas me conhecem; (João 10.14)
Estou
afirmando que Jesus amou com amor longânimo, isto é, com longo ânimo, porque
ele conhecia suas ovelhas profundamente. Ele conhecia suas debilidades,
fraquezas, imperfeições e embora ele as conhecesse tão bem, ele as amou até o
fim, conforme lemos em João 13.1.
Jesus amou
até o fim seus discípulos mais próximos, que por diversas vezes falharam com
ele, nem por isso deixou de morrer por eles na cruz.
Jesus
também amou você até o fim e continua te amando, mesmo com suas falhas
constantes. Todos nós falhamos! Todos nós erramos de alguma forma. Não é só
você! Não se torne prisioneiro(a) da culpa. Se esforce para não errar mais e se
esforce para consertar seu erro. Peça perdão a quem tiver que pedir e se for
possível reparar, repare o dano que você causou.
Assim como
você erra e precisa de perdão, também deve perdoar os erros de seus irmãos.
Perdoe e não desista da comunhão com seus irmãos. A ausência de perdão para com
os irmãos é uma demonstração da ausência do amor de Cristo em sua vida. O amor
de Cristo é imensurável, sacrificial e longânimo.
Perdoar não
é uma questão de sentir vontade ou não. Perdoar não está ligado ao sentimento,
mas a obediência a Deus. Perdoe porque Deus lhe mandou perdoar. Tome a decisão
de liberar perdão a todo irmão ou irmã que possa ter falhado com você. Perdoar
é não mais cobrar a falha do irmão e assumir o prejuízo causado por ele. Não
mais cobrar verbalmente e não mais cobrar tentando fazer justiça própria.
Alguns irmãos dizem que perdoam, mas depois ficam boicotando todo trabalho do
irmão ou da irmã a quem disse que perdoou. Isso não é perdão. Isso é uma forma
de fazer justiça própria. Alguns ainda não satisfeitos em boicotar, ficam
difamando o irmão ou a irmã. Perdoar é ir em direção àquela pessoa que te
ofendeu, que lhe causou algum dano e se reconciliar com ela para que o Corpo de
Cristo não fique dividido.
Ame seus
irmãos com amor longânimo. Não abra mão da comunhão com eles por mais difícil
que isso seja para você. Ame seus irmãos até o fim!
REFLEXÃO FINAL
Quero concluir essa mensagem reafirmando o que eu
disse em nosso último encontro.
Viver juntos é necessário! Viver juntos não é uma
questão de escolha para nós cristãos. Viver juntos é abraçar o sonho de Jesus,
por isso, nossa visão como Igreja é “Ser uma comunidade onde cada membro seja
uma expressão do amor de Deus onde estiver”.
Vou me esforçar para sermos essa comunidade pela
qual Jesus orou, mas só o meu esforço não é suficiente, eu preciso que você se
esforce também. Abrace essa visão de Deus, faça dela sua visão, seu objetivo.
Juntos nós seremos uma comunidade que vive a unidade do Espírito e tornaremos
Cristo e seu amor real em nossa igreja e na cidade de Itapevi.
Não queremos só ser uma comunidade, não desejamos
viver fechados em nós mesmos, mas desejamos ser uma expressão do amor de Deus,
deste amor imensurável, sacrificial e longânimo. Que você seja essa expressão
do amor de Deus! Essa expressão de amor precisa começar aqui e agora, começar
entre nós para que todos possam ver que somos discípulos de Jesus, e através
deste amor imensurável, sacrificial e longânimo possamos tornar Jesus Cristo e
seu amor real em nosso meio e além de nossas fronteiras, onde estivermos. Deus
te abençoe!
Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
28/03/2017
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