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segunda-feira, 29 de março de 2021

SERMÕES 173 - JUNTOS TORNAMOS CRISTO E SEU AMOR REAL

 

JUNTOS TORNAMOS CRISTO E SEU AMOR REAL

 

O Evangelho de João até o capítulo doze nos apresenta os ensinos de Jesus que foram transmitidos ao povo judeu de uma forma geral. Até o capítulo doze o que temos são os ensinos de Jesus anunciados para um público maior que os seus discípulos mais próximos.

Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas também foram escritos com esta perspectiva. Eles trazem os ensinos de Jesus que foram anunciados ao povo de forma geral. Vamos chamar estes ensinos de ensinos públicos.

Contudo a partir do capítulo treze de João encontramos uma série de ensinos de Jesus, transmitidos através de palavras e ações de amor, dirigidos diretamente aos seus. Somente João nos revela estes ensinos. Vamos chamá-los de ensinos privados, porque estes foram dados somente aos seus discípulos mais chegados.

Estes ensinos privados de Jesus tinham como objetivo preparar, orientar e incentivar seus discípulos a viverem como ele viveu e a amarem como ele os havia amado, pois ele sabia que sua hora estava próxima.

Jesus havia vindo ao mundo para essa hora, ele deixou sua glória e se fez homem para morrer pela humanidade. Dentro de pouco tempo sua presença visível na terra chegaria ao fim. Ele ciente de que o caminho da cruz o levaria novamente ao Pai e que ele não estaria mais presente no mundo para revelar o amor do Pai, ele chama seus discípulos para uma conversa íntima, transferindo a eles a responsabilidade de tornarem sua presença real no mundo. Como eles poderiam tornar a presença de Cristo real no mundo? Encontramos a resposta no novo mandamento ordenado por Jesus.

 

1 – UM NOVO MANDAMENTO

O novo mandamento ordenado por Jesus se encontra nos ensinos privados dados aos seus discípulos mais próximos, conforme podemos ler no texto de João 13.34.

34 Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. (João 13.34)

O novo mandamento de Jesus – “Amem-se uns aos outros” – se baseia na essência dos dez mandamentos apresentados por Moisés, o qual o próprio Senhor Jesus resumiu em dois mandamentos. O primeiro mandamento: “ame o Senhor, o seu Deus de todo seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento”; e o segundo: “ame o seu próximo como a si mesmo”, conforme podemos ler em Mateus 22.37-39.

Diante disso poderíamos nos perguntar: “O que tem de novo no mandamento de Jesus?” Embora a essência do mandamento de Jesus é a mesma – o amor – o mandamento dado por ele traz uma nova característica que o torna diferente do mandamento apresentado por Moisés. Jesus estabeleceu um padrão de amor.

Ao estabelecer um padrão de amor, Jesus apresentou um padrão para medir o amor. Ele diz “Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros”. O amor de Jesus é o padrão de medida para seus discípulos. Os judeus não tinham um padrão para medir o amor, pois eles se relacionavam com Deus pela lei. Eles não conseguiam perceber o amor na lei. Para os judeus a relação com Deus era de obediência. A bênção ou a maldição dependia do quanto eles obedeciam a Deus. Assim eles também se relacionavam com o próximo. Aqueles que eles julgavam não obedecer à lei de Deus eram desprezados por eles.

Jesus apresenta seu amor como um padrão para os seus discípulos de como eles deveriam se amar. Esse padrão serve para nós hoje. Eu e você precisamos amar como Jesus nos amou. Amar o nosso irmão e a nossa irmã em Cristo, como Jesus nos amou, eleva o nível de amor que devemos entregar aos nossos irmãos. Já não devo amar os meus irmãos como amo a mim mesmo, mas devo amá-los como Jesus me amou, por isso Jesus apresenta este padrão de amor como um novo mandamento. Vejamos o resultado do exercício de nos amarmos como Jesus nos amou.

 

2 – O RESULTADO DO EXERCÍCIO DE NOS AMARMOS COMO JESUS NOS AMOU

O resultado prático do exercício de nos amarmos como Jesus nos amou é que nos tornaremos conhecidos por todos como discípulos de Jesus, conforme lemos em Jo 13.35.

35 Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros. (João 13.35)

Jesus está dizendo que se nós nos amarmos uns aos outros como ele nos amou, todos saberão, inclusive os não-cristãos, que nós somos seus discípulos.

Diante disso podemos afirmar que o que torna Jesus real para aqueles que nos olham de fora e também para nós que estamos dentro da igreja é o amor que exercemos uns para com os outros.

O Espírito Santo torna a unidade entre nós, conquistada através do sacrifício de Jesus na cruz possível e real no mundo espiritual, enquanto o amor torna essa unidade visível e real aos olhos humanos, ao ponto de sermos reconhecidos como discípulos de Jesus.

Uma igreja onde seus membros não vivem o amor de Jesus é uma igreja que não reflete Cristo. Uma igreja cujos membros não exercem o amor de Cristo entre si é uma igreja institucional somente, estabelecida em um lugar geográfico, possuidora de um CNPJ, que pratica os ritos cristãos, mas não é uma representante de fato da igreja de Jesus Cristo.

A marca distintiva que nos caracteriza como discípulos de Jesus é o amor. Preste atenção no que vou dizer: Você não é um discípulo ou uma discípula de Jesus porque todos os dias, envia pelo whatsapp ou facebook, textos bíblicos ou pregações das dez igrejas que você é filiada virtualmente. Enviar textos bíblicos ou pregações não é errado, mas não te torna discípulo ou discípula de Jesus.

O que nos define como cristãos não é o traje que vestimos, embora todos nós temos o dever de nos vestirmos com decência, sem mostrar a roupa intima aos demais irmãos de nossa igreja.

Também não somos definidos pelo que fazemos ou deixamos de fazer por Cristo. Você não é cristão pelo que faz ou deixa de fazer, embora você possa fazer ou deixar de fazer algo motivado por aquilo que te define como cristão, o amor por seus irmãos. Quando você assim procede, procede corretamente. O amor deve ser sempre a motivação correta para fazermos ou deixarmos de fazer algo uns pelos outros. 

O que torna Jesus real na sua vida e na minha vida, a ponto de sermos reconhecidos como discípulos, é o amor com que nos relacionamos uns com os outros. Mas não é um amor qualquer! Não é o amor ensinado por nossa sociedade. Não é o amor divulgado nas mídias e redes sociais. Não é nem mesmo o amor que sentimos por nós mesmos. O amor que torna Jesus real em nossas vidas e na vida de nossa igreja é o amor com que Cristo nos amou.

Portanto digo a você que se diz discípulo ou discípula de Jesus Cristo: “Você tem que amar seus irmãos em Cristo como Jesus te amou”.

Para que eu e você possamos compreender mais profundamente em como devemos amar nossos irmãos em Cristo, te convido a refletir comigo no amor de Jesus por nós. Mas peço sua permissão para falar diretamente a você, não me excluindo dessa reflexão, mas visando ajuda-lo, em amor, para isso vou buscar responder a pergunta: como Jesus te amou?

 

3 – COMO JESUS TE AMOU?

Quando falamos de amor estamos falando de algo que é dinâmico, que implica em movimento de vida em direção a outro ser. Não estamos falando de sentimentos apenas, porque amar é se envolver completamente com o outro, se doar plenamente para o outro, crer no outro contra todas as impossibilidades, sofrer pelo outro e por causa do outro por não deixar de amá-lo. Amar também é se alegrar por poder promover felicidade para o outro. Amar é libertar quem se ama para a vida. Amar resulta em ações concretas de vida para o amado ou amada. Jesus amou plenamente! Podemos dizer que Jesus amou...

 

·      Com amor imensurável – 16 Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16)

O texto de João 3.16 não está falando de uma quantidade que se pode contar ou de uma intensidade que se pode medir. Mas ele quer nos mostrar que o amor de Deus Pai pelo mundo e por você era tão imensurável que Ele entregou seu Filho Único para que você tenha vida eterna. 

Da mesma forma o amor de Jesus por você é imensurável. Não tenho como medir o quanto Jesus te ama. Ele fez tudo o que podia fazer para que você pudesse viver em plena comunhão com ele e com o Pai. Seu amor imensurável fez com que você se tornasse um com ele, um com seus irmãos em Cristo e um com o Pai. Em outras palavras ele dividiu tudo que era mais precioso para ele com você, e fez isso voluntariamente. Não lhe foi exigido pelo Pai que morresse por você. Jesus se ofereceu livremente para ir para a cruz em seu lugar.

Se você deve amar seus irmãos em Cristo, como Jesus te amou, você deve amar de forma imensurável, sem medidas, sem condições, sem limites de entrega, com o fim de conservar a unidade do Espírito e dessa forma honrar o que Cristo fez por você na cruz.

Jesus amou...

 

·      Com amor sacrificial – 16 Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. (1 João 3.16)

Não importava qual fosse à exigência para resgatar a sua vida, Jesus estava disposto a pagá-la. Antes de você nascer, antes do mundo ser criado, Jesus sabia que a cruz seria o caminho para salvar sua vida, e, ele livremente se dispôs a morrer em seu lugar.

O sacrifício de Jesus por você não aconteceu só na cruz. Jesus viveu sacrificando-se por você. Ele abriu mão de sua Glória. Paulo afirma que sendo ele Deus, não usurpou ser igual a Deus, se tornou homem como nós. Ele foi humilhado, cuspido, chicoteado, zombado e por fim pregado numa cruz, onde morreu por você.

Agora Jesus espera que você esteja disposto a dar sua vida por seus irmãos, como ele deu a dele por você. Você precisa abrir mão de qualquer glória. Você precisa, como Cristo, se dispor a ser humilhado, cuspido, chicoteado, zombado e até mesmo se necessário morrer por seus irmãos. 

Sacrifique sua justiça, sacrifique sua vontade, sacrifique sua reputação, sacrifique seu lucro, sacrifique seu ministério, sacrifique sua maneira de vestir, seu cabelo, sacrifique sua felicidade, sacrifique a si mesmo se for necessário para ganhar seu irmão ou sua irmã. Faça tudo que estiver ao seu alcance para conservar a unidade do Corpo de Cristo.

Jesus amou...

 

·    Com amor longânimo – 14 Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas; e elas me conhecem; (João 10.14)

Estou afirmando que Jesus amou com amor longânimo, isto é, com longo ânimo, porque ele conhecia suas ovelhas profundamente. Ele conhecia suas debilidades, fraquezas, imperfeições e embora ele as conhecesse tão bem, ele as amou até o fim, conforme lemos em João 13.1.

Jesus amou até o fim seus discípulos mais próximos, que por diversas vezes falharam com ele, nem por isso deixou de morrer por eles na cruz.

Jesus também amou você até o fim e continua te amando, mesmo com suas falhas constantes. Todos nós falhamos! Todos nós erramos de alguma forma. Não é só você! Não se torne prisioneiro(a) da culpa. Se esforce para não errar mais e se esforce para consertar seu erro. Peça perdão a quem tiver que pedir e se for possível reparar, repare o dano que você causou.

Assim como você erra e precisa de perdão, também deve perdoar os erros de seus irmãos. Perdoe e não desista da comunhão com seus irmãos. A ausência de perdão para com os irmãos é uma demonstração da ausência do amor de Cristo em sua vida. O amor de Cristo é imensurável, sacrificial e longânimo.

Perdoar não é uma questão de sentir vontade ou não. Perdoar não está ligado ao sentimento, mas a obediência a Deus. Perdoe porque Deus lhe mandou perdoar. Tome a decisão de liberar perdão a todo irmão ou irmã que possa ter falhado com você. Perdoar é não mais cobrar a falha do irmão e assumir o prejuízo causado por ele. Não mais cobrar verbalmente e não mais cobrar tentando fazer justiça própria. Alguns irmãos dizem que perdoam, mas depois ficam boicotando todo trabalho do irmão ou da irmã a quem disse que perdoou. Isso não é perdão. Isso é uma forma de fazer justiça própria. Alguns ainda não satisfeitos em boicotar, ficam difamando o irmão ou a irmã. Perdoar é ir em direção àquela pessoa que te ofendeu, que lhe causou algum dano e se reconciliar com ela para que o Corpo de Cristo não fique dividido.

Ame seus irmãos com amor longânimo. Não abra mão da comunhão com eles por mais difícil que isso seja para você. Ame seus irmãos até o fim!

 

REFLEXÃO FINAL

Quero concluir essa mensagem reafirmando o que eu disse em nosso último encontro.

Viver juntos é necessário! Viver juntos não é uma questão de escolha para nós cristãos. Viver juntos é abraçar o sonho de Jesus, por isso, nossa visão como Igreja é “Ser uma comunidade onde cada membro seja uma expressão do amor de Deus onde estiver”.

Vou me esforçar para sermos essa comunidade pela qual Jesus orou, mas só o meu esforço não é suficiente, eu preciso que você se esforce também. Abrace essa visão de Deus, faça dela sua visão, seu objetivo. Juntos nós seremos uma comunidade que vive a unidade do Espírito e tornaremos Cristo e seu amor real em nossa igreja e na cidade de Itapevi.

Não queremos só ser uma comunidade, não desejamos viver fechados em nós mesmos, mas desejamos ser uma expressão do amor de Deus, deste amor imensurável, sacrificial e longânimo. Que você seja essa expressão do amor de Deus! Essa expressão de amor precisa começar aqui e agora, começar entre nós para que todos possam ver que somos discípulos de Jesus, e através deste amor imensurável, sacrificial e longânimo possamos tornar Jesus Cristo e seu amor real em nosso meio e além de nossas fronteiras, onde estivermos. Deus te abençoe!

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

28/03/2017

 

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