APRENDENDO ATRAVÉS DA COMENSALIDADE DE JESUS
Série: Juntos Com Cristo
A palavra comensalidade não é usada por nós no
dia a dia, mas era muito praticado por Jesus. Comensalidade é a qualidade de
quem é comensal, se refere à pessoa que vive a mesa. Não se trata de um glutão
e nem de um beberrão! Comensal é o nome dado a uma pessoa que come
habitualmente com outros na mesma mesa (Jesus comeu com os fariseus, Zaqueu, os
discípulos de Emaús); também é o nome dado a quem frequenta uma casa e come com
frequência nessa mesma casa (Pedro, Lázaro irmão de Marta e Maria) ou ainda a
quem divide a mesa com outros (Ceia Pascoal, Multiplicação dos pães).
Jesus frequentemente estava na mesa com outros,
fosse fazendo refeições ordinárias ou participando de alguma festa ou de algum
banquete. Algumas vezes ele era o convidado e outras vezes ele era o anfitrião.
Na mesa ele ensinava, enquanto fazia a refeição, como também ensinava através
da mesa.
Além de ensinar na mesa e através da mesa, Jesus
também usava frequentemente em seus ensinos citações referentes a refeições. A
mesa era algo muito constante na vida e no ensino de Jesus. Sem dúvida isso não
era por acaso.
Existiam duas razões claras para Jesus
frequentemente fazer uso da mesa para seus ensinos. A primeira razão se devia
ao fato de que a mesa para os judeus possuía um valor sagrado. A segunda razão
era porque a mesa apontava que o sagrado estava disponível a todos.
Vamos olhar para elas com mais atenção. Vejamos a primeira razão:
1 – PRIMEIRA RAZÃO DO USO DA
MESA: A MESA ERA SAGRADA
Os judeus nos dias de Jesus tinham as refeições
como algo sagrado. Sentar à mesa e comer era para eles um momento sagrado. Por
considerar a mesa um espaço e um momento sagrado eles não aceitavam que pessoas
impuras e pecadoras aos seus olhos tomassem assento na mesma mesa com eles,
principalmente os religiosos. Contudo Jesus frequentemente comia na mesa com os
impuros e pecadores, conforme podemos ler em Mateus 9.10,11.
10 Estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus
discípulos muitos publicanos e "pecadores". 11 Vendo isso, os fariseus perguntaram aos discípulos dele:
"Por que o mestre de vocês come com publicanos e ‘pecadores’?" (Mateus 9.10,11)
O fato de Jesus comer com publicanos e pecadores
escandalizavam os fariseus e demais religiosos daqueles dias e colaborava para
que eles não o vissem como o Messias. Os religiosos nos dias de Jesus não
queriam ser vistos na companhia de pecadores, pois se julgavam melhores que
eles. Eles não queriam que suas imagens fossem associadas com a dos pecadores. Eles
pensavam que Jesus estava desrespeitando a sacralidade da mesa ao comer com pecadores
e impuros. Para eles pecadores não podem comer na mesa de um Deus santo.
Ainda hoje quando um crente toma assento na mesa
com uma prostituta, um bebâdo, um indigente, um travesti, ou com um homossexual
causa escandalo aos religiosos de plantão, porque estes se preocupam demais com
suas imagens e não se preocupam nada com a salvação do pecador. Os religiosos são
rápidos em julgar, mas tardio no amar.
A razão para que eles considerassem a mesa um
lugar sagrado era porque reconheciam que o pão, o alimento de cada dia era
dádiva de Deus. Alimentar o corpo era para eles um momento de experimentar a
graça de Deus. Diferentemente de nós que hoje comemos apressadamente, os judeus
se alimentavam reconhecendo que o alimento sobre a mesa, seja qual fosse o
alimento, era presente de Deus. Comer, para eles era provar da provisão de Deus,
por isso oravam antes das refeições e curtiam este momento. Eles aprenderam
essa verdade durante os anos que peregrinaram no deserto, conforme podemos ler
no livro de Êxodo 16.4.
4 Disse, porém, o Senhor
a Moisés: “Eu lhes farei chover pão do céu. O povo sairá e recolherá diariamente a porção necessária
para aquele dia...”. (Êxodo 16.4)
Jesus reafirma essa verdade quando diz que os
pagãos é que correm ansiosos atrás destas coisas, pelo que haveis de comer ou
vestir. Conforme lemos em Mateus 6.31,32.
31 Portanto, não se
preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘que vamos beber?’ ou ‘que vamos
vestir?’
32 Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. (Mateus 6.31,32)
Segundo Jesus, os judeus não deviam se preocupar
com estas coisas, com o que haveriam de comer ou vestir, pois o Pai Celestial
cuidava para que o trabalho deles dessem frutos e assim tivessem uma mesa
farta. Jesus então os adverte para que se preocupassem em tornar o Reino de
Deus e sua justiça visível, isso era buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e
a sua justiça.
Jesus via na mesa, neste espaço sagrado um lugar
de excelência para seus ensinos. A mesa ganha notoriedade no ministério de
Jesus.
Vejamos a segunda razão de Jesus frequentemente
fazer uso da mesa.
2 – SEGUNDA RAZÃO DO USO DA MESA:
A MESA APONTAVA QUE O SAGRADO ESTAVA DISPONÍVEL A TODOS
Muitos são os versos na Bíblia que nos ensina que
devemos compartilhar de nossa mesa, do fruto de nosso trabalho, com os que nada
têm sobre sua mesa. Vou ler apenas um destes textos, Levítico 25.35.
25 "Se alguém do seu povo empobrecer
e não puder sustentar-se, ajudem-no como se faz ao estrangeiro e ao residente temporário,
para que possa continuar a viver entre vocês". (Levítico 25.35)
O texto fala dos israelitas pobres, dos
estrangeiros que vinham morar em Israel e também daqueles que estavam vivendo
temporariamente entre eles. Todos deveriam participar da mesa. Todos deveriam
receber o alimento e os cuidados básicos para que pudessem continuar vivendo
entre eles.
Se a mesa, o lugar da refeição era por eles
considerado um lugar sagrado e Deus havia ordenado que eles compartilhassem de
sua mesa era porque Deus desejava compartilhar de sua maravilhosa graça.
A mesa apontava que o sagrado estava disponível a
todos e que essa era a vontade de Deus, entretanto os judeus, principalmente os
religiosos não compreenderam essa verdade, não compartilharam a mesa e tão pouco
a Graça de Deus.
Em vez de acolher os pecadores e ajudá-los, eles
os rejeitavam e os condenavam a uma vida fora da graça de Deus, distante do
amor de Deus. Vemos isso na mesa do fariseu, de nome Simão, em Lucas 7.36-50.
36 Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à
casa dele e reclinou-se à mesa. 37 Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu,
certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com
perfume, 38 e se colocou atrás de Jesus, a seus pés.
Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou
com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume. 39 Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si
mesmo: "Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que
tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’". [...] 44 Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: "Vê esta
mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela,
porém, molhou os meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus
cabelos. 45 Você não me saudou com um beijo, mas esta
mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés. 46 Você não ungiu a minha cabeça com óleo,
mas ela derramou perfume nos meus pés. 47 Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram
perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco
ama". 48 Então Jesus disse a ela: "Seus
pecados estão perdoados". (Lucas 7.36-39, 44-48)
Simão, o fariseu convidou Jesus para sentar em
sua mesa, mas não demonstrou amor e nem respeito por Jesus. Seu convite tinha o
fim de testar e não de honrar Jesus. Mas uma mulher pecadora entra na cena e
invade aquele espaço sagrado. Simão julga a mulher indigna de estar naquele
lugar de refeição e indigna de tocar em Jesus. Por outro lado Jesus a recebe
com amor e perdoa os seus pecados. No contexto de uma refeição o perdão é
liberado.
Todo ser humano precisa se alimentar, da mesma
forma, todo ser humano precisa se alimentar do pão celestial, que é Jesus
Cristo para ter a vida eterna. Na mesa Jesus nivelou todo ser humano a mesma
condição espiritual. Todos necessitam do pão e do perdão de Deus.
O pão precisava e precisa ainda hoje ser
compartilhado, assim como a vida de Jesus e seu amor por nós precisa ser
compartilhado.
A mesa na visão de Deus sempre foi um lugar para
todos. Aqueles que recebessem maior dádiva deveriam suprir a necessidade
daqueles que não tinham como sustentar a si mesmo. Essa verdade vale também para a realidade
espiritual. Aqueles que têm maior fé, maior conhecimento de Deus devem acolher
com amor os mais fracos na fé.
Deus sempre desejou uma mesa universal, onde
todos os povos, todas as raças, todas as línguas, todas as classes sociais,
todas as culturas pudessem juntos participar deste momento sagrado. A mesa de
Deus é lugar de inclusão e não de exclusão. Jesus chama os pecadores, os
doentes da alma, os necessitados, os impuros para participar de sua mesa, do
lugar sagrado.
A mesa apontava para o que Jesus iria fazer na
cruz, tornar o sagrado disponível a todos; tornando todos os povos um só povo,
uma só família, o povo de Deus e a família de Deus.
26 Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo
Jesus, 27 pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se
revestiram. 28 Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem
mulher; pois todos são um em Cristo Jesus. (Gálatas 3.26-28)
Até aqui aprendemos as duas razões que levavam
Jesus a ensinar na mesa. Agora quero destacar alguns ensinos de Jesus para nós
a partir da mesa.
3 – PRIMEIRO ENSINO: NA MESA O
REINO DE DEUS É LUGAR DE PÃO E PERDÃO
Quando Jesus instituiu a Ceia, ele disse que o
pão era seu corpo dado por nós e o vinho era o seu sangue derramado por nós. O
pão representa a vida e o vinho o perdão. Jesus deus sua vida por nós e nos
concedeu perdão por meio de sangue derramado na cruz. Essa é a essência da
comunhão. Vida compartilhada e perdão que nos reconcilia para que sejamos um.
Portanto mesa é lugar de comunhão.
Essa verdade está ensinada na oração do Pai
Nosso. Eu gosto de chamar esta oração como a oração do discípulo, porque somos
nós discípulos que devemos fazer essa oração ao nosso Pai que estás nos céus.
Até na oração Jesus trata da mesa, trata da refeição.
Após invocarmos o Reino de Deus e pedirmos para
que a vontade de Deus seja feita na terra como nós céus, devemos fazer duas
petições importantes, segundo o ensino de Jesus:
11 Dá-nos hoje o nosso
pão de cada dia.
12 Perdoa as nossas
dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. (Mateus 6.11,12)
O pão e o perdão representam nesta oração a
manifestação do Reino de Deus. Ambos estão disponíveis a todas as pessoas. O
pão nessa oração representa o alimento que precisamos para sobreviver. O perdão
representa o cancelamento de nossos pecados, assim também como o cancelamento
dos pecados daqueles que nos ofenderam.
Assim o pão e o perdão concretizam a manifestação
da justiça do Reino de Deus. O pão nosso, não é mais meu, nem seu, é nosso, por
isso deve ser compartilhado com todos os que não receberam pão, com todos que
estão à margem da sociedade e que são convidados por Jesus para tomarem assento
na mesa, conforme ele nos conta na Parábola do Grande Banquete (Mateus 22.2-14;
Lucas 14.16-23). Dessa forma, no compartilhar do pão a justiça se faz através
de nossa generosidade, assim como Deus é generoso conosco.
Da mesma forma o perdão com que fomos agraciados
em Cristo Jesus deve se estender através de nós a todas as pessoas, sem nos
apegarmos a que raça pertence, qual seu gênero sexual ou a que classe social
pertence. Jesus Cristo perdoou a todos, sem exceção, da mesma forma devemos
perdoar. Assim ao perdoarmos os que nos feriram à justiça do Reino de Deus se
faz presente entre nós.
O pão nosso nos convida a sentarmos a mesa com o
outro. Para sentarmos e compartilharmos do mesmo pão, nós precisamos nos
perdoar mutuamente, como Cristo nos perdoou. Não podem existir entre nós
divisões e inimizades. Na mesa pão e perdão são compartilhados e são para
todos.
Vejamos o segundo ensino de Jesus para nós a
partir da mesa.
4 – SEGUNDO
ENSINO: NA MESA JESUS PÕE FIM A DESIGUALDADE IMPOSTA PELA SOCIEDADE DE SEUS
DIAS
Ao ensinar que a mesa era e é para
todos, que o sagrado estava e está disponível a todos, Jesus também acabou por
denunciar a desigualdade social imposta pela sociedade de seus dias. O modus
operandi de Jesus na mesa denunciava os maus-tratos daqueles que detinham o
poder religioso, político e social de seus dias. Jesus na sua mesa era o
anfitrião e servo ao mesmo tempo.
Nos dias de Jesus as pessoas que
possuiam maior poder financeiro tinham em suas casas vários servos e alguns
possuiam até escravos. O anfitrião era quem convidava as pessoas para a refeição
ou para o banquete, era ele quem escolhia as pessoas que assentariam nos
lugares de honra. Assim ele se cercava das pessoas de maiores influências na
sociedade, com o fim de também ganhar algo em troca. Jesus critica essa postura
conforme podemos ler no Evangelho de Lucas 14.12-14. Também era
responsabilidade do anfitrião providenciar o alimento e o vinho para o
banquete. Os servos eram responsáveis em lavar os pés dos convidados e também
servi-los na mesa durante toda a refeição.
Os servos só comiam depois que todos
os convidados tivessem se retirado da festa. Portanto os servos só comiam a
sobra da festa. Comiam o alimento já frio e bebiam o vinho de pior qualidade,
pois o vinho bom era servido aos convidados. Os servos comiam na dispensa, não
na mesa. Comiam em pé ou encostado em algum lugar da dispensa.
As famílias mais pobres que não
possuiam servos e nem escravos, como por exemplo, a família de Lázaro, Marta e
Maria, colocavam as mulheres da casa para servirem seus convidados. Por isso
encontramos Marta sempre preocupada em servir a Jesus e seus discípulos.
A mulher era vista pela sociedade
como uma propriedade e substituta da mão de obra dos servos, se assim fosse
necerrário. Da mesma forma que os servos comiam a sobra e não participavam da
mesa com os convidados, as mulheres também.
Paulo entendendo o que Jesus ensinou
através da ordenança da Ceia escreve aos irmãos de Corinto denunciado e
combatendo a desigualdade que eles estavam impondo sobre os demais irmãos da
igreja, conforme lemos em 1 Coríntios 11.17-22.
17 Entretanto, nisto que lhes vou dizer não os elogio, pois
as reuniões de vocês mais fazem mal do que bem. 18 Em primeiro lugar, ouço que, quando vocês se reúnem como
igreja, há divisões entre vocês, e até certo ponto eu o creio. 19 Pois é necessário que haja divergências
entre vocês, para que sejam conhecidos quais dentre vocês são aprovados. 20 Quando vocês se reúnem, não é para comer
a ceia do Senhor, 21 porque cada um come sua própria ceia sem
esperar pelos outros. Assim, enquanto um fica com fome, outro se embriaga. 22 Será que vocês não têm casa onde comer e
beber? Ou desprezam a igreja de Deus e humilham os que nada têm? Que lhes
direi? Eu os elogiarei por isso? Certamente que não! (1 Coríntios 11.17-22)
O que acontecia na Igreja de Corinto
era que o compartilhar do pão, da vida de Cristo, havia se tornado numa
celebração da desigualdade social, uma celebração da injustiça praticada pela
sociedade de corinto. Os ricos comiam primeiro e os pobres comiam a sobra, se
houvesse sobra. Os ricos bebiam seus vinhos e deixavam para os irmãos pobres e
escravos o vinho de baixa qualidade, o quase vinagre. Eles não compartilhavam
da mesa juntos como Jesus havia ensinado, continuam agindo com a mentalidade da
cultura do mundo e não do reino de Deus. Assim humilhavam os irmãos mais pobres,
que possivelmente trabalhavam em suas casas. Entretanto esta separação dos
irmãos mais ricos dos mais pobres, não era e não é aceitável na Igreja de
Cristo. Isso não condiz com a justiça do reino de Deus. Essa atitude é a
demonstração clara da incapacidade deles em discernir o corpo de Cristo.
No corpo de Cristo, homens e
mulheres são iguais, livres e escravos são iguais, brancos e negros são iguais,
pobres e ricos são iguais, pastores e ovelhas são iguais.
Jesus na sua maneira de celebrar a
Ceia nos ensina que a desigualdade religiosa, política, econômica e social não
podem existir e fazer parte na vida daqueles que se alimentam de sua mesa.
26 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: "Tomem e comam; isto é o meu corpo".
(Mateus 26.26)
Preste atenção nestes quatro verbos:
Tomou; deu graças (abençoou); partiu; deu. Estes quatro verbos aparecem em
todos os evangelhos como parte do ensinamento de Jesus na mesa.
Tomar o pão e dar graças ou abençoar
era a tarefa do anfitrião, do senhor da casa. Jesus é o Senhor da casa que nos
convida para cear com ele. Você é um dos convidados a participar da Ceia
celestial que Jesus celebrará quando estabelecer o seu reino definitivamente
sobre toda a terra. Ele te convida oferecendo a você sua própria vida.
Partir o pão e dar aos seus era a
tarefa do servo ou da mulher quando não tinha servo. Jesus é o servo que se
entregou por nós, morrendo a nossa morte, para que por meio dele tenhamos vida
eterna. Jesus foi mais além do que partir e dar o pão, ele chegou a lavar os
pés de seus dicípulos, mostrando que no servir existe honra.
Dessa forma Jesus estava resgatando
o valor dos escravos, servos e das mulheres, como seres humanos, feitos à
imagem e semelhança de Deus. Jesus estava na mesa condenando a desigualdade
imposta pela sociedade tomando o lugar deles, fazendo o que eles faziam. Jesus
estava tomando o lugar de todos que são marginalizados e oprimidos pelos
poderosos. Portanto é incocebível a nós cristãos nos tratarmos como se fossemos
superiores aos demais irmãos e as demais pessoas de nossa sociedade. É
incocebível a nós cristãos não reconhecermos a igualdade das mulheres diante
dos homens. É incocebível a nós cristãos não reconhecermos a igualdade dos mais
pobres diante dos mais ricos.
Jesus ao ser anfitrião e servo
estava dizendo que no reino de Deus não tem opressor e oprimidos, não tem
senhores e servos, não tem homens e mulheres, não tem nada que diferencie uma
pessoa de outra. Todos são filhos de Deus e amados na mesma medida.
Portanto homens lavem a louça para
suas esposas, ajudem suas mulheres nas tarefas diárias, não há vergonha nisso.
Empresários paguem as mulheres o mesmo salário que vocês pagariam para um homem
realizar a mesma tarefa. Ricos paguem valores justos aos seus funcionários e
comam com eles, na mesma mesa. Brancos sentem a mesa com os negros e dividam
suas refeições com eles. Negros sentem a mesa com os brancos e compartilhem de
suas vidas com eles.
Amem-se uns aos outros como Cristo
os amou! Juntos, devemos viver! Juntos tornamos Cristo visível e real! Juntos,
no partir do pão e do perdão tornamos a justiça do reino de Deus visível.
Juntos, na mesa de Cristo celebramos a maravilhosa graça de Deus estendida a
todos os seres humanos. Juntos, com Cristo pomos fim à desigualdade imposta
pela sociedade sobre os mais pobres, sobre as mulheres, sobre os negros e a
todo grupo que tem sido oprimido ao longo dos anos. Juntos, seremos uma igreja que
compartilha o pão e o perdão. Juntos, todos nós daremos graças a Deus pelo pão
na mesa.
Quando você se sentar a mesa
lembre-se que o pão não te pertence, mas te é dado como graça e bondade de Deus
para com você e sua família. Lembre-se que muitas pessoas não têm pão. Por isso,
agradeça de coração a Deus pelo pão de cada dia. Deus te abençoe!
Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
11/03/2021
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