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terça-feira, 11 de maio de 2021

SERMÕES 118 - UMA FAMÍLIA EXTRAORDINÁRIA (2 parte)

 UMA FAMÍLIA EXTRAORDINÁRIA

Série: Casos de Família (2 parte)

 

Neste mês de Maio estamos refletindo na série “Casos de Família”. Hoje estaremos dando continuidade a nossa mensagem do último domingo “Uma Família Extraordinária”.

Nossa reflexão no domingo passado se baseou na experiência vivida por Lázaro, Marta e Maria, quando Lázaro irmão de Marta e Maria adoeceu e veio a morrer. A morte de Lázaro trouxe a luz o amor de suas irmãs por ele e a fé que tinham em Jesus Cristo. Dessa experiência vivida por essa família extraordinária destacamos duas lições.

A primeira lição que destacamos foi que precisamos amar e cuidar de nossa família. Afirmamos que é no lar, no convívio do dia a dia com os nossos, que começamos aprender a amar de verdade.

A segunda lição que destacamos foi que diante a decepção e tristeza, até mesmo, para com a pessoa de Jesus, devemos confiar Nele em todo tempo, ainda que nossos sentimentos digam não. Nestes momentos em que a nossa fé entra em crise aprendemos que devemos trazer a memória em quem temos crido. Lembre-se do que Jesus fez por você na cruz. Lembre-se de todo sofrimento que Ele suportou por você. Não há porque duvidar do seu amor.

Hoje iremos destacar algumas lições que aprendemos ao olhar para cada um dos membros desta família extraordinária. Vamos começar com Lázaro.

 

1 – LÁZARO

O que podemos aprender com Lázaro? O que ele tem a nos ensinar? Vejamos o que os textos bíblicos nos dizem sobre Lázaro.

1 Havia um homem chamado Lázaro. Ele era de Betânia, do povoado de Maria e de sua irmã Marta. E aconteceu que Lázaro ficou doente. [...] 3 Então as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: "Senhor, aquele a quem amas está doente". (João 11.1,3)

 

1 Seis dias antes da Páscoa Jesus chegou a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ressuscitara dos mortos. 2 Ali prepararam um jantar para Jesus. Marta servia, enquanto Lázaro estava à mesa com ele. (João 12.1,2)

 

9 Enquanto isso, uma grande multidão de judeus, ao descobrir que Jesus estava ali, veio, não apenas por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem ele (Jesus) ressuscitara dos mortos. 10 Assim, os chefes dos sacerdotes fizeram planos para matar também Lázaro, 11 pois por causa dele muitos estavam se afastando dos judeus e crendo em Jesus. (João 12.9-11)

Podemos afirmar a partir destes textos que Lázaro era um grande amigo de Jesus e muito amado por ele. Também podemos afirmar que a ressurreição de Lázaro foi um grande testemunho do poder de Jesus, o que levou os chefes dos sacerdotes a planejarem a morte de Lázaro. Sua ressurreição anunciava que Jesus era o Messias e derrubava qualquer argumento contrário. Lázaro era a evidência viva de que Jesus era o Messias, o Filho de Deus e a ressurreição como Ele havia dito.

Lázaro se tornou um marco do extraordinário de Deus. As pessoas iam a Betânia para conhecê-lo. Todos queriam ver o homem a quem Jesus ressuscitou. A vida de Lázaro, Marta e Maria foram transformadas a partir deste evento extraordinário. Eles se tornaram testemunhas de Jesus Cristo e de seu poder.

A lição que aprendemos com Lázaro é que nós que ressuscitamos pela fé, com Cristo Jesus, devemos testemunhar a nova vida de Cristo em nós. Para podermos realizar este testemunho fomos capacitados por Deus, conforme lemos em Atos 1.8.

8 Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra". (Atos 1.8)

Recebemos poder da parte de Deus, por meio do Espírito Santo, para testemunharmos a vida de Jesus que opera em nós. Eu e você precisamos testemunhar com palavras e atos os feitos de Jesus. Por isso digo a você hoje: Evangelize! Ganhe almas para Jesus! Ele te deu poder para isso. Não deixe para amanhã esta obra. Seja sua vida uma afirmação de que Jesus é real e de que Ele vive por meio de você.

Evangelize com sua família. Abra a porta de sua casa e comece um Grupo Pequeno em sua casa. Transforme seu lar em um ambiente de evangelização e de comunhão entre os irmãos. Faça de sua casa uma referência do agir de Deus.

Assistimos hoje o quanto o GP tem feito bem ao Danilo e a Taty. Abra sua casa, mas convide para fazer parte de seu GP famílias que estão chegando a igreja, que estão em busca de novos relacionamentos. Que estão buscando novos amigos que possam mostrar para eles o amor de Cristo.

Vamos olhar agora para Marta.

 

2 - MARTA

O que Marta tem a nos ensinar? Vejamos o que os textos bíblicos nos dizem sobre Marta.

38 Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. 39 Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra. 40 Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: "Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude! " 41 Respondeu o Senhor: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; 42 todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada". (Lucas 10.38-42)

 

2 Ali prepararam um jantar para Jesus. Marta servia, enquanto Lázaro estava à mesa com ele. (João 12.2)

Estes dois textos bíblicos nos apresentam claramente quem era Marta. Uma mulher trabalhadora, que tinha o prazer de servir. O nome “Marta” se origina de uma raiz do aramaico que significa “dona” ou “patroa”, podendo significar também “dona de casa”.

A primeira lição que aprendemos com Marta é que devemos praticar a hospitalidade. No texto de Lucas destacamos que Marta recebeu Jesus em sua casa. Acredito que Marta ao ouvir Jesus ensinando em Betânia, logo percebeu que Ele era diferente dos demais rabis e o convidou a se hospedar em sua casa.

O escritor da carta aos Hebreus recomenda que sejamos hospitaleiros, pois alguns, fazendo isso, sem o saber hospedaram anjos (Hb 13.2), afirma o autor. O apóstolo Pedro e o apóstolo Paulo em suas epistolas ordenam a todos os membros da igreja que sejam hospitaleiros (1 Pd 4.9; Rm 12.13). Tito descreve a hospitalidade como característica necessária daquele que exerce o pastoreio, a liderança na vida eclesiástica (Tt 1.8).

Portanto seja hospitaleiro! Marta teve o privilégio de hospedar em sua casa, Jesus Cristo, o Filho de Deus! Você tem hoje o mesmo privilégio. Abra a porta de sua casa e receba os filhos de Deus, e também o estrangeiro, pois sem saber você poderá estar recebendo anjos em sua casa.

A segunda lição que aprendemos com Marta é que devemos discernir o tempo de servir e o tempo de ouvir. Marta estava dando o seu melhor, fazendo com excelência seu serviço. Isso é bom e agradável a Deus! Contudo ela estava perdendo o melhor, pois estava correndo atarefada no tempo que era para permanecer quieta ao lado de Jesus. Essa é a lição que Jesus dá a Marta com muito amor, quando ela questiona o fato de Maria não estar com ela no serviço.

Precisamos compreender que todos nós somos chamados para servir e que cada um de nós recebeu de Jesus Cristo um dom para exercermos o nosso serviço, a nossa vocação. Contudo é imprescindível que saibamos quando devemos servir e quando devemos permanecer aos pés de Jesus.

A qualidade e eficiência do nosso serviço espiritual são influenciadas pelo tempo que permanecemos aos pés de Jesus. Podemos realizar muitas coisas e aparentemente termos muito êxito, mas se não dependermos inteiramente do que ouvimos de Jesus, podemos estar na verdade realizando nada aos olhos de Deus, assim como a igreja de Laodicéia (Ap 3.14-22).

Não é o muito que fazemos que agrada a Deus, mas o que fazemos sob a orientação Dele. Até mesmo o culto que prestamos a Deus precisa ser feito em conformidade com a Sua orientação. Deus, não aceita qualquer culto.

Fazer sob a orientação de Jesus exige de nós tempo na presença Dele. Os profetas de Deus no Antigo Testamento não saíam por aí profetizando, eles profetizavam quando Deus os mandava. Eles permaneciam na presença de Deus e saíam para o serviço profético somente quando Deus os ordenava.

A terceira lição que aprendemos com Marta é que Jesus tem mais interesse em nós do que no nosso serviço. Para Jesus estarmos com Ele é mais importante do que fazermos para Ele. Vivermos um relacionamento sadio com Ele é mais importante do que realizarmos obras com o fim de agradá-Lo, pois Ele nos ama não pelo que fazemos, mas pelo que somos.

O nosso serviço a Jesus deve ser um resultado de nossa relação com Ele e não um meio para nos relacionarmos com Ele ou conquistarmos pontos com Ele. Quanto mais permanecemos na presença de Jesus e absorvemos de seus ensinos, mais nossa vida é colocada em ordem e mais equilibrada nossa vida se torna. Servimos melhor a Deus quando dedicamos mais tempo de nossas vidas aos pés de Jesus.

Marta buscou agradar ao Senhor Jesus por meio dos seus serviços domésticos. Jesus não a repreende por causa do serviço realizado, mas da escolha errada que ela fez. Marta por não ter entendido que Jesus tem mais interesse em nós do que no serviço que realizamos, pede para que Ele mandasse Maria ajudá-la, pois ela estava exausta. Entretanto tudo o que Jesus desejava era ter mais tempo com ela. O que ela fazia tinha valor, mas não era a melhor parte. Jesus queria que ela fizesse o mesmo que Maria, porque Ele estava mais interessado nela, Marta, do que nas coisas que ela estava fazendo para Ele e seus discípulos naquele momento.

Jesus está interessado em você, no ser humano que você é. Ele não está interessado nas coisas que você está realizando para Ele. Essas coisas devem ser frutos da sua comunhão com Ele. Portanto aquiete-se. Pare tudo o que está fazendo e se coloque aos pés de Jesus. Você é mais importante para Ele do que qualquer coisa que você possa fazer por Ele.

Vamos olhar agora para Maria. Lembro que estamos falando de Maria, irmã de Lázaro.

 

3 – MARIA

O que Maria tem a nos ensinar? Vejamos o que os textos bíblicos nos dizem sobre Maria.

Sabemos que Maria morava em Betânia; era irmã de Marta e de Lázaro; provavelmente a mais nova entre os irmãos, visto que Marta parece liderar sobre ela.

Maria aparece com destaque em duas ocasiões no ministério terreno de Jesus. A primeira ocasião de destaque se encontra no texto de Lucas 10.38-42, texto este que já lemos hoje, que nos mostra que Maria preferiu ficar escutando as palavras de Jesus ao invés de ajudar sua irmã com os afazeres domésticos.

A segunda ocasião de destaque se encontra no texto de João 12.3, quando Maria em um jantar, na casa de Simão, o leproso, ungiu os pés de Jesus. Diz assim o texto bíblico:

3 Então Maria pegou um frasco de nardo puro, que era um perfume caro, derramou-o sobre os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos. E a casa encheu-se com a fragrância do perfume. (João 12.3)

A primeira lição que aprendemos com Maria é que à adoração pessoal precede o serviço. Enquanto Marta se fatigava no serviço da casa, buscando agradar a Jesus e seus discípulos, Maria, sua irmã, permanecia assentada aos pés de Jesus, totalmente extasiada, ouvindo os Seus ensinos. Ela sabia que o serviço era coisa secundária. Ela não podia perder a oportunidade de se colocar aos pés do Mestre em adoração, para aprender com Ele e depois se levantar e prestar um serviço a Jesus e aos seus discípulos, que também é um ato de adoração.

Aprendemos aqui que a adoração pessoal precede os demais serviços de adoração. Isto significa que primeiro o coração se rende a Jesus e depois nos levantamos para realizar serviços de adoração.

Não podemos cair no engano de acharmos que podemos adorar a Deus realizando obras. Precisamos primeiro entregar nossos corações a Jesus, cultivarmos com Ele uma relação pessoal, para depois prestarmos um serviço a Ele como oferta de adoração.

A segunda lição que aprendemos com Maria é que seremos alvos de criticas e condenação por manifestarmos profunda adoração a Jesus Cristo. Primeiro Maria foi criticada por sua irmã Marta, que desejava que ela servisse com ela. Naqueles dias as mulheres não podiam ficar reunidas com os homens, elas deviam servir os convidados da casa. Maria quebrou o protocolo cultural de seus dias para ficar mais tempo com Jesus. Marta não gostou da escolha de Maria. Aos olhos de Marta, sua irmã não estava sendo justa com ela, deixando-a sozinha para servir a todos.

Depois Maria foi criticada por Judas que considerou um desperdício ter derramado o frasco de perfume nos pés de Jesus. Judas não foi capaz de discernir que a verdadeira adoração se faz presente no desprendimento em dar o seu melhor para Jesus. Maria, assim como a viúva pobre, ofertou o melhor que podia para Deus.

Portanto, não estranhe as criticas quando estiver adorando a Deus de forma profunda. Sempre haverá “Martas” querendo que você se mantenha prisioneira dos protocolos culturais e religiosos estabelecidos ao longo dos anos. Também haverá “Martas” se sentindo injustiçadas em relação a você e por isso criticando tudo o que você faz.

Quando não forem as “Martas” que te atacarem, possivelmente os “Judas” se levantarão com ar de piedade, tentando fazer você se sentir culpado, e dessa forma induzindo você a ofertar nos seus templos, para manterem suas obras de caridade e seus bolsos cheios.

Não se incomode com as “Martas” ou com os “Judas”. Maria não tentou se defender, apenas continuou derramando sua alma aos pés de Jesus. Os que permanecem na presença de Jesus em adoração não precisam se defender dos ataques e das criticas de ninguém. O próprio Senhor Jesus defendeu Maria diante o desejo de Marta, para que ela se comportasse como os protocolos exigiam e diante de Judas que usava da piedade para manipular o coração de Maria e assim obter lucros para si mesmo.

A terceira lição que aprendemos com Maria é que somos responsáveis por nossas vidas. O texto bíblico nos diz que “Maria escolheu a boa parte”, indicando que Marta escolheu servir ao invés de parar e aprender aos pés de Jesus. Marta não assumiu a responsabilidade de mudar a história de sua vida diante os costumes e tradições de sua cultura. Mesmo sabendo que Jesus estava em sua casa, ela continuou priorizando o serviço ao invés da adoração e comunhão. Maria ousadamente, assim como o fez quando ungiu os pés de Jesus, na casa de Simão, o leproso, tomou a responsabilidade de sua vida e quebrou os protocolos sentando-se aos pés de Jesus, e ali permaneceu, juntamente com os demais homens para aprender mais com o Mestre. Não podemos negar a responsabilidade que temos na condução de nossas vidas. Nós somos responsáveis por nossas escolhas. Não podemos parar por causa das criticas, elas sempre acontecerão.

A escolha é sua! Você decide se deseja ser um cristão verdadeiramente livre. Cristo morreu na cruz para que você seja verdadeiramente livre. Tetélestai! Ele consumou sua obra para que você possa viver sem culpa e sem medo diante de Deus. Ou você pode escolher ser um cristão escravo dos costumes, das tradições, dos estatutos, dos falsos pastores que escravizam ao invés de libertarem dizendo que você precisa estar debaixo da cobertura deles, dos mercenários que usam da fé manipulando seus sentimentos e desejos para obterem lucros. Você é responsável por sua vida! Você é responsável por suas escolhas.

 

REFLEXÃO FINAL

Quero concluir com duas reflexões finais.

A primeira reflexão final: Se o seu serviço de adoração a Deus, a sua vida espiritual, está te deixando exausto, amargo, te fazendo mal é bem possível que você esteja fazendo escolhas erradas. Possívelmente você está servindo a Jesus sem priorizar a relação pessoal com Ele, sem passar horas ouvindo suas orientações e fazendo com Ele o que Ele quer fazer junto com você. Você possivelmente está fazendo muitas coisas, está ouvindo muitas vozes, quando deveria estar fazendo uma só coisa e ouvindo uma só voz, a voz de Jesus, seu bom pastor.

A segunda reflexão final: Esta família de órfãos era uma família comum, de uma pequena vila de Betânia, mas se tornou extraordinária a partir do momento em que Marta abriu a porta de sua casa para Jesus. Suas vidas se tornaram conhecidas de todos pela hospitalidade de Marta, pelo testemunho de Lázaro e pela devoção de Maria. Ainda hoje estamos olhando para esta família e aprendendo com eles.

Ao longo da história, pessoas comuns como eles se encontraram com Jesus e se tornaram extraordinárias: pescadores tornaram-se apóstolos, sapateiros missionários, escravos mártires da fé, dependentes químicos pastores, traficantes evangelistas.

Creio que ainda hoje, Jesus escolhe famílias comuns para se tornarem extraordinárias. Acredito que Ele quer tornar sua família, uma família extraordinária. Ele deseja levá-los a vivenciarem com Ele o extraordinário. Mas a escolha é sua. A responsabilidade de sua vida e a transformação de sua família está em suas mãos. Você deseja que sua casa experimente o extraordinário de Deus? Se você deseja, comece como Marta, abra a porta de sua casa e também de seu coração para Jesus. Transforme sua casa num lugar de adoração a Deus e sua família experimentará o extraordinário. Deus te abençoe!

 

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

09/05/2021 (noite)

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