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sexta-feira, 21 de maio de 2021

SERMÕES 120 - JOSÉ E MARIA UMA FAMÍLIA GUERREIRA (2 parte)

 JOSÉ E MARIA UMA FAMÍLIA GUERREIRA (2 parte)

Série: Casos de Família

 

Daremos hoje continuidade a nossa mensagem do último domingo “Uma Família Guerreira”. Estamos refletindo no testemunho de José e Maria, os pais do Jesus encarnado.

Você já se viu diante de um desafio inesperado? Já recebeu uma responsabilidade da qual achou que não podia dar conta? José e Maria passaram por isso.

Você já se sentiu esgotado fisicamente e mentalmente por causa da luta diária para conseguir prover o pão necessário para sua família? José e Maria enfrentaram essa dura realidade de viver a margem da sociedade.

Você já precisou sair às pressas de sua terra natal e se tornar um refugiado? Já se sentiu desnorteado e apreensivo por ter sido obrigado a sair de sua casa? José e Maria se sentiram assim quando precisaram ir a Belém e depois quando tiveram que fugir para o Egito.

Você já sentiu a dor intensa de se despedir de alguém que faz parte de sua história? Já sentiu o vazio que fica no coração depois de perder alguém querido para a morte? Maria perdeu José, seu esposo e depois ficou aos pés da cruz vendo seu filho Jesus morrer.

Por isso tudo é que estou chamando esta família de guerreira. Em meio a tantas dificuldades nunca perderam a fé e a esperança.

No último domingo aprendemos quatro lições com essa família guerreira.

1.        A primeira: O justo busca preservar a reputação do outro.

2.        A segunda: Servo é aquele que se dispõe a pagar o preço para que a vontade de Deus se estabeleça em sua vida.

3.        A terceira: Se o inusitado te apanhar e seus planos forem frustrados, descanse em Deus e aceite o que lhe for dado neste momento.

4.        A quarta: Em meio às adversidades que você possa viver, fique sempre atento, pois Deus tem prazer em surpreender seus filhos com afagos.

Veremos hoje novas lições através do testemunho de José e Maria. A quinta lição que aprendemos com esta família guerreira é que...

 

5 – POBREZA NÃO É AUSÊNCIA DA BÊNÇÃO DE DEUS

Vivemos dias em que se têm confundido riquezas como sinal da bênção de Deus. Aqueles que afirmam que riquezas é um sinal da bênção de Deus, estão afirmando automaticamente, que a pobreza é um sinal da ausência da bênção de Deus. Isso não é verdade! Isso não tem fundamento bíblico! A pobreza não é ausência da bênção de Deus, assim como as adversidades não são sinais da ausência da bênção de Deus.

Embora José e Maria fossem abençoados por Deus e escolhidos para a grande missão de cuidarem de Jesus, o Emanuel, a Bíblia mostra que José e Maria eram pobres. Podemos afirmar essa realidade pela oferta que eles levaram ao templo quando foram consagrar Jesus, o seu primogênito.

22 Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor 23 (como está escrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor") 24 e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que diz a Lei do Senhor: "duas rolinhas ou dois pombinhos". (Lucas 2.22-24)

Esse sacrifício – duas rolinhas ou dois pombinhos – só eram permitidos àqueles que não tinham condições de oferecer um cordeirinho, conforme você pode ler no livro de Levítico 5.7. Por isso podemos afirmar que José e Maria eram pobres.

A pobreza não demonstra ausência da bênção e do amor de Deus por alguém, mas denúncia o mal existente em cada um de nós seres humanos. A pobreza denúncia nossa incapacidade de dividirmos os recursos que temos com nossos semelhantes. O pão nosso é retido nas mãos de uma minoria.

A pobreza denúncia à concupiscência dos nossos olhos. O desejo pela ostentação e pelos prazeres deste mundo produz homens e mulheres corruptos. A corrupção produz morte. A cada ato de corrupção uma escola é destruída, um posto de saúde é fechado, uma família perde a oportunidade de ter uma casa, um aposentado é roubado em seus direitos. A corrupção faz com que uma sociedade inteira se torne vitima de estelionatários vestidos de colarinhos brancos.

 A pobreza escancara a soberba da vida e o egoísmo existente em nós seres humanos. Uma minoria andando de carrão, se vestindo bem, comendo bem, enquanto milhões de brasileiros vivem na pobreza ou abaixo da linha da pobreza. Dizer que você não tem culpa pela pobreza das demais pessoas, não retira de você a responsabilidade de mudar esse quadro. 

Veja a listagem das classes sociais com base na faixa salarial das famílias brasileiras (dados IBGE 2018):

 

 

 

CLASSE “A” e “B”

Composta por famílias com renda domiciliar per capita superior a R$ 8.159,37.

Classe “A”: formada por aqueles que recebem mais de 15 salários mínimos.

Classe “B”: formada por aqueles que recebem de 5 a 15 salários mínimos.

A + B correspondem a 14,4% da população brasileira = 30 milhões de pessoas

     1% da população mais rica concentra uma renda equivalente à renda de 50% da população brasileira.

     5% da população mais rica concentram uma renda equivalente à renda de 95% da população brasileira.

 

CLASSE “C”

Composta por famílias com renda domiciliar per capita de R$ 1.892,65 até R$ 8.159,37.

Classe “C”: formada por aqueles que recebem de 3 a 5 salários mínimos.

“C” corresponde a 55,3% da população brasileira = 115,3 milhões de pessoas

 

CLASSE “D” e “E”

Composta por famílias com renda domiciliar per capita até R$ 1.892,65.

Classe “D”: formada por aqueles que recebem de 1 a 3 salários mínimos;

Classe “E1”: formada por aqueles que recebem até 1 salário mínimo.

Classe “E2”: formada por aqueles que recebem abaixo de 1 salário mínimo

D + E = 30,3% - 62,3 milhões de pessoas        

     12% - 27 milhões de brasileiros vivem com apenas R$ 246,00 por mês (região nordeste).

     13% - 25 milhões de brasileiros vivem com apenas R$ 387,00 por mês (região sudeste).

     25% - 52 milhões de brasileiros vivem com até R$ 387,00 por mês.

     

A desigualdade de nosso país é cruel e insustentável. Ela denuncia o quanto estamos dominados pelo sistema maligno que opera neste mundo. Nós cristãos não podemos aceitar isso como algo normal. Nós somos chamados por Deus para tornar o seu amor manifesto, concreto aos olhos de todos. Nós não podemos viver dominados pelo mundo, pelo contrário temos que viver desprendido do mundo.

15 Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. 16 Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. (1 João 2.15,16)

O amor ao mundo, o desejo pelos prazeres que este mundo nos oferece, a busca pelos bens materiais, pelas riquezas deste mundo nos tornam prisioneiros deste sistema maligno que governa o mundo e nos tornam também insensíveis às necessidades de nossos semelhantes, uma vez que vivemos correndo para alcançarmos e suprirmos os nossos próprios desejos, que são constantemente renovados a cada lançamento de uma nova tecnologia, de um novo empreendimento imobiliário, de uma nova oportunidade de viajar, ou de uma nova oportunidade para fazermos um “up grade” em alguma área de nossa vida.

Enquanto corremos atrás destes lançamentos e oportunidades milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. Esquecidas pela sociedade e pelos políticos de nosso país.

Nós cristãos somos o povo a quem Deus chamou para tornar manifesto e real o Seu amor. Nós somos o povo que tem o dever de fazer com que Deus se torne concreto e palpável no mundo. Por isso João escreveu...

17 Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? 18 Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. (1 João 3.17,18)

A Bíblia não condena o consumo consciente e sóbrio. O consumo do que é necessário. Ela também não condena alguém simplesmente por ser rico, por ter uma boa remuneração. A Bíblia condena o consumo inconsciente e desmedido. Ela condena o acumulo de riquezas. Ela condena a falta de generosidade e de amor para com os mais pobres. Ela condena a concentração de renda como a que vemos em nosso país.

Maria e José eram pobres, mas eram agraciados por Deus. Nós ricos, eu e você que recebemos acima de três salários mínimos não podemos ignorar o alerta de Jesus:

25 "De fato, é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus". (Lucas 18.25)

Quem busca riquezas está buscando uma posição muito perigosa de se estar. A riqueza é um perigo para aqueles que a têm e para aqueles que a deseja, pois ela corrompe o coração do ser humano.

A sexta lição que aprendemos com esta família guerreira é que...

 

6 – A SUBMISSÃO NOS FAZ ANDAR NA VONTADE DE DEUS

Todos nós cristãos temos o desejo de nos movermos na história em conformidade com a vontade de Deus. A submissão nos faz andar em conformidade com a vontade de Deus. Entretanto vivemos em um período da história em que submissão é visto de forma negativa. Uma pessoa submissa é vista em nossos dias como alguém fraca, que se deixa ser subjugada. Valorizamos mais a rebeldia do que a submissão.

Mas o que é submissão na Bíblia? Quando a bíblia fala de submissão ela está falando de respeito à autoridade, de uma obediência a uma autoridade estabelecida seja por Deus ou pela sociedade. Todos os textos bíblicos quando falam de submissão apontam para uma autoridade. Vejamos alguns textos:

1 Todos devem sujeitar-se (hypotassesthō - ὑποτασσέσθω) às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. 2 Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. (Romanos 13.1,2)

O texto de Romanos aponta para as autoridades governamentais. Todos devem respeito e obediência àqueles que estão investidos desta autoridade.

22 Mulheres, sujeitem-se (hypotassomenoi - ὑποτασσόμενοι – v. 21) a seus maridos, como ao Senhor, 23 pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. (Efésios 5.22,23)

Estes versos do texto de Efésios sinalizam a autoridade do homem dentro do lar. A mulher esposa, deve respeito e obediência ao seu marido.

1 Filhos, obedeçam (hypakouete - ὑπακούετε) a seus pais no Senhor, pois isso é justo. (Efésios 6.1)

O apóstolo Paulo agora aponta para a autoridade dos pais sobre os filhos. Os filhos devem obedecer a seus pais.

5 Escravos, obedeçam (hypakouete - ὑπακούετε) a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a Cristo. (Efésios 6.5)

Paulo trata agora da sujeição do servo, do escravo ao seu Senhor. Traduzindo para nós hoje, Paulo está dizendo: “Empregados ou funcionários obedeçam aos vossos chefes, aos vossos patrões, com sinceridade de coração, como a Cristo”.

17 Obedeçam (Peithesthe - Πείθεσθε) aos seus líderes e submetam-se ([1]hypeikete - ὑπείκετε) à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês. (Hebreus 13.17)

O autor da carta aos Hebreus está apontando para a autoridade dos pastores. Ele está escrevendo para os cristãos judeus serem obedientes aos seus pastores.  Mas é claro que este princípio serve para nós ainda hoje. Também nós devemos ser respeitosos e obedientes aos nossos pastores.

Vimos que sempre que a Bíblia trata de submissão ela nos aponta para uma autoridade que deve ser respeitada e obedecida. Enquanto obedecemos às autoridades colocadas sobre nós, Deus vai nos conduzindo ao centro de Sua vontade. O que não significa vivermos sem adversidades. Viver a boa, agradável e perfeita vontade de Deus não significa ausência de sofrimento. Significa viver o privilégio de ser instrumento de Deus para o cumprimento de seus propósitos.

José e Maria ao obedecerem o decreto do Imperador César Augusto, muito possivelmente, sem perceberem acabaram cumprindo a palavra profética de que o Salvador nasceria na cidade de Belém, conforme predito pelo profeta Miquéias 5.2. A submissão de José e Maria a autoridade governamental fez com que a vontade de Deus se cumprisse na vida deles e na vida de Jesus que haveria de nascer.

José foi submisso a Deus também! Quando alertado em sonho que deveria ir para o Egito e lá ficar porque Herodes queria tirar a vida do bebe Jesus, ele foi.

Maria sua esposa foi submissa a José. Ela foi para o Egito sem hesitar, confiou em seu marido. E da mesma forma foram submissos quando o anjo novamente visitou José dizendo para que ele retornasse para sua casa, pois Herodes havia morrido. Maria mais uma vez confiou no seu marido. Essa obediência fez com que a palavra profética de Oséias 11.1 se cumprisse – “...do Egito, chamei meu filho”.

O que dizer de Jesus? Toda sua vida é vivida na sujeição a vontade do Pai, na sujeição do cumprimento da Lei de Moisés, na sujeição das autoridades governamentais. Toda sujeição de Jesus o levou para a cruz, cumprindo assim a vontade do Pai, e sua sujeição tornou possível sua morte na cruz sem pecado. A obediência de Jesus Cristo nos trouxe salvação.

Acredito que seja relevante eu fazer aqui uma consideração. Jesus foi submisso a Lei de Moisés, não as interpretações dos homens, mas a Lei conforme o coração de Deus. Se Jesus tivesse seguido a Lei de Moisés conforme os estudiosos da Torá desejavam, certamente Ele teria pecado. Esse é o grande erro que cometemos hoje. Somos prisioneiros das interpretações bíblicas dos homens, prisioneiros das tradições teológicas e prisioneiros de leis e estatutos que nos matam. Fé não é seguir tradições e cumprir ritos. Fé é ousar acreditar no Deus que é livre e que morreu para que fossemos verdadeiramente livres com Ele.

Nossa submissão começa por Deus, e somente se iniciando em Deus, podemos cumprir e viver a vontade de Deus para nós como Jesus viveu, como José e Maria viveram, como esta família guerreira viveram. Somente quem é verdadeiramente livre consegue viver a submissão bíblica porque ela é sedimentada no amor e não nas letras frias de qualquer livro, de qualquer lei ou de qualquer segmento religioso. O amor torna todos nós submissos uns aos outros e nos faz andar no centro da vontade de Deus. Deus te abençoe!

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

23/05/2021 (noite)



[1] A palavra submissão e obediência que apresentadas nos diversos textos que lemos são todas traduções do mesmo verbo grego que aparece com conjugações verbais diferentes.

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