JOSÉ E MARIA UMA FAMÍLIA GUERREIRA (2 parte)
Série: Casos de Família
Daremos hoje continuidade a nossa mensagem do último
domingo “Uma Família Guerreira”. Estamos refletindo no testemunho de José e
Maria, os pais do Jesus encarnado.
Você já se viu diante de um desafio inesperado? Já
recebeu uma responsabilidade da qual achou que não podia dar conta? José e
Maria passaram por isso.
Você já se sentiu esgotado fisicamente e
mentalmente por causa da luta diária para conseguir prover o pão necessário
para sua família? José e Maria enfrentaram essa dura realidade de viver a
margem da sociedade.
Você já precisou sair às pressas de sua terra
natal e se tornar um refugiado? Já se sentiu desnorteado e apreensivo por ter
sido obrigado a sair de sua casa? José e Maria se sentiram assim quando
precisaram ir a Belém e depois quando tiveram que fugir para o Egito.
Você já sentiu a dor intensa de se despedir de
alguém que faz parte de sua história? Já sentiu o vazio que fica no coração
depois de perder alguém querido para a morte? Maria perdeu José, seu esposo e
depois ficou aos pés da cruz vendo seu filho Jesus morrer.
Por isso tudo é que estou chamando esta família de guerreira. Em meio a tantas dificuldades nunca perderam a fé e a esperança.
No último domingo aprendemos quatro lições com
essa família guerreira.
1.
A primeira: O justo busca preservar a reputação do outro.
2.
A segunda: Servo é aquele que se dispõe a pagar o preço
para que a vontade de Deus se estabeleça em sua vida.
3.
A terceira:
Se o inusitado te apanhar e seus planos forem
frustrados, descanse em Deus e aceite o que lhe for dado neste momento.
4.
A quarta: Em meio às adversidades que você possa viver,
fique sempre atento, pois Deus tem prazer em surpreender seus filhos com
afagos.
Veremos hoje novas lições através do testemunho
de José e Maria. A quinta lição que aprendemos com esta família guerreira é que...
5 – POBREZA NÃO É AUSÊNCIA DA BÊNÇÃO
DE DEUS
Vivemos dias em que se têm
confundido riquezas como sinal da bênção de Deus. Aqueles que afirmam que
riquezas é um sinal da bênção de Deus, estão afirmando automaticamente, que a
pobreza é um sinal da ausência da bênção de Deus. Isso não é verdade! Isso não
tem fundamento bíblico! A pobreza não é ausência da bênção de Deus, assim como
as adversidades não são sinais da ausência da bênção de Deus.
Embora José e Maria fossem abençoados
por Deus e escolhidos para a grande missão de cuidarem de Jesus, o Emanuel, a Bíblia mostra que José e Maria eram pobres.
Podemos afirmar essa realidade pela oferta que eles levaram ao templo quando
foram consagrar Jesus, o seu primogênito.
22 Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo
com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao
Senhor 23 (como está escrito na Lei do Senhor:
"Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor") 24 e para oferecer um sacrifício, de acordo
com o que diz a Lei do Senhor: "duas rolinhas ou dois pombinhos". (Lucas 2.22-24)
Esse sacrifício – duas rolinhas ou dois pombinhos
– só eram permitidos àqueles que não tinham condições de oferecer um
cordeirinho, conforme você pode ler no livro de Levítico 5.7. Por isso podemos
afirmar que José e Maria eram pobres.
A pobreza não demonstra ausência da bênção e do
amor de Deus por alguém, mas denúncia o mal existente em cada um de nós seres
humanos. A pobreza denúncia nossa incapacidade de dividirmos os recursos que
temos com nossos semelhantes. O pão nosso é retido nas mãos de uma minoria.
A pobreza denúncia à concupiscência dos nossos
olhos. O desejo pela ostentação e pelos prazeres deste mundo produz homens e
mulheres corruptos. A corrupção produz morte. A cada ato de corrupção uma
escola é destruída, um posto de saúde é fechado, uma família perde a
oportunidade de ter uma casa, um aposentado é roubado em seus direitos. A
corrupção faz com que uma sociedade inteira se torne vitima de estelionatários
vestidos de colarinhos brancos.
A pobreza
escancara a soberba da vida e o egoísmo existente em nós seres humanos. Uma
minoria andando de carrão, se vestindo bem, comendo bem, enquanto milhões de
brasileiros vivem na pobreza ou abaixo da linha da pobreza. Dizer que você não
tem culpa pela pobreza das demais pessoas, não retira de você a
responsabilidade de mudar esse quadro.
Veja a listagem das classes sociais com base na faixa
salarial das famílias brasileiras (dados IBGE 2018):
CLASSE “A” e “B”
Composta por famílias com renda domiciliar per
capita superior a R$ 8.159,37.
Classe “A”: formada por aqueles que recebem mais
de 15 salários mínimos.
Classe “B”: formada por aqueles que recebem de 5
a 15 salários mínimos.
A + B correspondem a 14,4% da população
brasileira = 30 milhões de pessoas
• 1% da população mais rica concentra uma renda
equivalente à renda de 50% da população brasileira.
• 5% da população mais rica concentram uma renda
equivalente à renda de 95% da população brasileira.
CLASSE “C”
Composta por famílias com renda domiciliar per
capita de R$ 1.892,65 até R$ 8.159,37.
Classe “C”: formada por aqueles que recebem de 3
a 5 salários mínimos.
“C” corresponde a 55,3% da população brasileira =
115,3 milhões de pessoas
CLASSE “D” e “E”
Composta por famílias com renda domiciliar per
capita até R$ 1.892,65.
Classe “D”: formada por aqueles que recebem de 1
a 3 salários mínimos;
Classe “E1”: formada por aqueles que recebem até 1
salário mínimo.
Classe “E2”: formada por aqueles que recebem
abaixo de 1 salário mínimo
D + E = 30,3% - 62,3 milhões de pessoas
• 12% - 27 milhões de brasileiros vivem com apenas
R$ 246,00 por mês (região nordeste).
• 13% - 25 milhões de brasileiros vivem com apenas
R$ 387,00 por mês (região sudeste).
• 25% - 52 milhões de brasileiros vivem com até R$
387,00 por mês.
A desigualdade de nosso país é cruel e insustentável.
Ela denuncia o quanto estamos dominados pelo sistema maligno que opera neste mundo.
Nós cristãos não podemos aceitar isso como algo normal. Nós somos chamados por
Deus para tornar o seu amor manifesto, concreto aos olhos de todos. Nós não
podemos viver dominados pelo mundo, pelo contrário temos que viver desprendido
do mundo.
15 Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não
está nele. 16 Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da
carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do
mundo. (1 João 2.15,16)
O amor ao mundo, o desejo pelos prazeres que este
mundo nos oferece, a busca pelos bens materiais, pelas riquezas deste mundo nos
tornam prisioneiros deste sistema maligno que governa o mundo e nos tornam também
insensíveis às necessidades de nossos semelhantes, uma vez que vivemos correndo
para alcançarmos e suprirmos os nossos próprios desejos, que são constantemente
renovados a cada lançamento de uma nova tecnologia, de um novo empreendimento
imobiliário, de uma nova oportunidade de viajar, ou de uma nova oportunidade
para fazermos um “up grade” em alguma área de nossa vida.
Enquanto corremos atrás destes lançamentos e
oportunidades milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. Esquecidas
pela sociedade e pelos políticos de nosso país.
Nós cristãos somos o povo a quem Deus chamou para
tornar manifesto e real o Seu amor. Nós somos o povo que tem o dever de fazer
com que Deus se torne concreto e palpável no mundo. Por isso João escreveu...
17 Se alguém tiver recursos materiais e,
vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? 18 Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação
e em verdade. (1 João 3.17,18)
A Bíblia não condena o consumo consciente e sóbrio.
O consumo do que é necessário. Ela também não condena alguém simplesmente por
ser rico, por ter uma boa remuneração. A Bíblia condena o consumo inconsciente
e desmedido. Ela condena o acumulo de riquezas. Ela condena a falta de
generosidade e de amor para com os mais pobres. Ela condena a concentração de
renda como a que vemos em nosso país.
Maria e José eram pobres, mas eram agraciados por
Deus. Nós ricos, eu e você que recebemos acima de três salários mínimos não
podemos ignorar o alerta de Jesus:
25 "De fato, é mais fácil passar um
camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus". (Lucas 18.25)
Quem busca riquezas está buscando uma posição
muito perigosa de se estar. A riqueza é um perigo para aqueles que a têm e para
aqueles que a deseja, pois ela corrompe o coração do ser humano.
A sexta lição que aprendemos com esta família
guerreira é que...
6 – A SUBMISSÃO NOS FAZ ANDAR NA
VONTADE DE DEUS
Todos nós cristãos temos o desejo de nos movermos
na história em conformidade com a vontade de Deus. A submissão nos faz andar em
conformidade com a vontade de Deus. Entretanto vivemos em um período da história
em que submissão é visto de forma negativa. Uma pessoa submissa é vista em
nossos dias como alguém fraca, que se deixa ser subjugada. Valorizamos mais a
rebeldia do que a submissão.
Mas o que é submissão na Bíblia? Quando a bíblia
fala de submissão ela está falando de respeito à autoridade, de uma obediência
a uma autoridade estabelecida seja por Deus ou pela sociedade. Todos os textos
bíblicos quando falam de submissão apontam para uma autoridade. Vejamos alguns
textos:
1 Todos devem sujeitar-se (hypotassesthō - ὑποτασσέσθω) às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as
autoridades que existem foram por ele estabelecidas. 2 Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se
colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem
condenação sobre si mesmos. (Romanos 13.1,2)
O texto de Romanos aponta para as autoridades
governamentais. Todos devem respeito e obediência àqueles que estão investidos
desta autoridade.
22 Mulheres, sujeitem-se (hypotassomenoi - ὑποτασσόμενοι – v. 21) a seus maridos,
como ao Senhor, 23 pois o marido é o cabeça da mulher, como
também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o
Salvador. (Efésios 5.22,23)
Estes versos do texto de Efésios sinalizam a
autoridade do homem dentro do lar. A mulher esposa, deve respeito e obediência
ao seu marido.
1 Filhos, obedeçam (hypakouete - ὑπακούετε) a seus pais no
Senhor, pois isso é justo. (Efésios 6.1)
O apóstolo Paulo agora aponta para a autoridade
dos pais sobre os filhos. Os filhos devem obedecer a seus pais.
5 Escravos, obedeçam (hypakouete - ὑπακούετε) a seus senhores terrenos com respeito e temor, com sinceridade de coração, como a
Cristo. (Efésios 6.5)
Paulo trata agora da sujeição do servo, do
escravo ao seu Senhor. Traduzindo para nós hoje, Paulo está dizendo: “Empregados
ou funcionários obedeçam aos vossos chefes, aos vossos patrões, com sinceridade
de coração, como a Cristo”.
17 Obedeçam (Peithesthe - Πείθεσθε) aos seus líderes e submetam-se ([1]hypeikete - ὑπείκετε) à autoridade deles.
Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o
trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso
para vocês. (Hebreus 13.17)
O autor da carta aos Hebreus está apontando para
a autoridade dos pastores. Ele está escrevendo para os cristãos judeus serem
obedientes aos seus pastores. Mas é claro
que este princípio serve para nós ainda hoje. Também nós devemos ser
respeitosos e obedientes aos nossos pastores.
Vimos que sempre que a Bíblia trata de submissão
ela nos aponta para uma autoridade que deve ser respeitada e obedecida.
Enquanto obedecemos às autoridades colocadas sobre nós, Deus vai nos conduzindo
ao centro de Sua vontade. O que não significa vivermos sem adversidades. Viver
a boa, agradável e perfeita vontade de Deus não significa ausência de
sofrimento. Significa viver o privilégio de ser instrumento de Deus para o
cumprimento de seus propósitos.
José e Maria ao obedecerem o decreto do Imperador
César Augusto, muito possivelmente, sem perceberem acabaram cumprindo a palavra
profética de que o Salvador nasceria na cidade de Belém, conforme predito pelo
profeta Miquéias 5.2. A submissão de José e Maria a autoridade governamental
fez com que a vontade de Deus se cumprisse na vida deles e na vida de Jesus que
haveria de nascer.
José foi submisso a Deus também! Quando alertado
em sonho que deveria ir para o Egito e lá ficar porque Herodes queria tirar a
vida do bebe Jesus, ele foi.
Maria sua esposa foi submissa a José. Ela foi
para o Egito sem hesitar, confiou em seu marido. E da mesma forma foram
submissos quando o anjo novamente visitou José dizendo para que ele retornasse
para sua casa, pois Herodes havia morrido. Maria mais uma vez confiou no seu
marido. Essa obediência fez com que a palavra profética de Oséias 11.1 se
cumprisse – “...do Egito, chamei meu filho”.
O que dizer de Jesus? Toda sua vida é vivida na
sujeição a vontade do Pai, na sujeição do cumprimento da Lei de Moisés, na
sujeição das autoridades governamentais. Toda sujeição de Jesus o levou para a
cruz, cumprindo assim a vontade do Pai, e sua sujeição tornou possível sua
morte na cruz sem pecado. A obediência de Jesus Cristo nos trouxe salvação.
Acredito que seja relevante eu fazer aqui uma
consideração. Jesus foi submisso a Lei de Moisés, não as interpretações dos
homens, mas a Lei conforme o coração de Deus. Se Jesus tivesse seguido a Lei de
Moisés conforme os estudiosos da Torá desejavam, certamente Ele teria pecado.
Esse é o grande erro que cometemos hoje. Somos prisioneiros das interpretações
bíblicas dos homens, prisioneiros das tradições teológicas e prisioneiros de
leis e estatutos que nos matam. Fé não é seguir tradições e cumprir ritos. Fé é
ousar acreditar no Deus que é livre e que morreu para que fossemos
verdadeiramente livres com Ele.
Nossa submissão começa por Deus, e somente se
iniciando em Deus, podemos cumprir e viver a vontade de Deus para nós como
Jesus viveu, como José e Maria viveram, como esta família guerreira viveram.
Somente quem é verdadeiramente livre consegue viver a submissão bíblica porque
ela é sedimentada no amor e não nas letras frias de qualquer livro, de qualquer
lei ou de qualquer segmento religioso. O amor torna todos nós submissos uns aos
outros e nos faz andar no centro da vontade de Deus. Deus te abençoe!
Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
23/05/2021 (noite)
[1] A palavra submissão e obediência que apresentadas nos diversos textos
que lemos são todas traduções do mesmo verbo grego que aparece com conjugações
verbais diferentes.
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