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terça-feira, 26 de outubro de 2021

SERMÕES 138 - LIDERANÇA

 

LIDERANÇA

Série: Juntos Com Nossos Heróis

 

A história que vou contar hoje se encontra no livro dos Juízes, capítulos 4 e 5.

Nesta série “Juntos Com os Nossos Heróis” estamos olhando para os nossos heróis da Bíblia e vendo como eles viveram a experiência do viver juntos, do viver comunidade, do viver unidade. Hoje eu vou olhar para a experiência da dupla Débora e Baraque. Mas antes quero convidá-los para assistirem um vídeo comigo.

Ø Abertura: Vídeo (Capitão América – Omissão)

O Capitão América, herói da Marvel, ao longo da série dos Vingadores se destacou por sua liderança. Entretanto durante a série ele algumas vezes foi omisso em suas decisões por se sentir culpado de tragédias passadas. Liderar traz sobre o líder um grande peso, pois suas decisões sempre serão julgadas por algumas pessoas como boas e por outros como más; por isso todo líder precisa da sabedoria de Deus para que possa ser assertivo em suas decisões.

Na história de hoje conheceremos uma líder que demonstrou possuir a sabedoria de Deus para liderar o povo de Israel de forma assertiva.

Os juízes eram heróis locais que, de alguma maneira governaram partes distintas do território de Israel. Eram líderes tribais e na sua maioria militares, exerciam o poder político e algumas vezes o religioso. Eles eram instrumentos dos atos de redenção que eram seguidos por alguns anos de paz. Eles atuaram em períodos de grande apatia espiritual e moral.

Evidentemente o termo empregado e as tarefas empregadas ao “juiz” apontam para uma realidade maior: Cristo, o verdadeiro libertador e Juiz de Seu povo, aquele que viria libertar o seu povo dos inimigos de uma vez por todas e a humanidade da condenação eterna.

Mais ou menos entre os anos 1200 a.C. e 1000 a.C., as tribos israelitas já ocupavam territórios dos dois lados do rio Jordão e seguiam em campanha pela conquista definitiva de Canaã. Contudo várias nações canaanitas ofereciam resistência aos israelitas e muitas delas mantinham assentamentos judaicos sob constante opressão.

Algumas dessas nações canaanitas obtinham apoio bélico de reinos mais distantes, que não viam com bons olhos o fortalecimento dos israelitas. Foi nesse contexto que os cananeus de Hazor subjugaram aos israelitas. Durante vinte anos, Jabim rei de Hazor maltratou o povo de Israel sem dó nem piedade. Seu general Sísera comandava um exército com 900 carros de guerra. Cansados dessa opressão o povo de Israel pediu socorro a Deus.

Naquela época, uma israelita chamada Débora, mulher de Lapidote, uma profetisa, atuava como juíza sobre Israel. Segundo a Bíblia, sob a orientação de Deus ela organizou um movimento de resistência e planejou um ataque ao general Sísera, conforme lemos em Juízes 4.6,7.

6 Débora mandou chamar Baraque, filho de Abinoão, de Quedes, em Naftali, e lhe disse: "O Senhor, o Deus de Israel, lhe ordena que reúna dez mil homens de Naftali e Zebulom e vá ao monte Tabor. 7 Ele fará que Sísera, o comandante do exército de Jabim, vá atacá-lo, com seus carros de guerra e tropas, junto ao rio Quisom, e os entregará em suas mãos". (Juízes 4.6,7)

Seguindo a ordem de Deus, Baraque reuniu dez mil homens e foi ao monte Tabor. Deus fez com que uma forte chuva caísse sobre eles, de tal forma que Sísera e seu exército se viram obrigados a passar por uma região encharcada, onde o poder das carruagens canaanitas pôde facilmente ser neutralizado. Sísera fugiu a pé e seu exército foi massacrado, conforme lemos em Juízes 4.15.

15 Diante do avanço de Baraque, o Senhor pela espada derrotou Sísera e todos os seus carros de guerra e o seu exército, e Sísera desceu do seu carro e fugiu a pé. (Juízes 4.15)

Chama a atenção o destaque dado à participação feminina nessa passagem do livro bíblico de Juízes. Embora Baraque seja apresentado como um comandante dos mais eficientes, a verdade é que ele não passa de um personagem secundário nesta história, já que o comando militar ficou praticamente todo nas mãos da juíza Débora. Ela é a única mulher de que temos notícia, exerceu essa função em Israel. Ela não exerceu essa função por que a desejou, mas porque Baraque, a quem Deus havia chamado para liderar a batalha, entregou a ela a liderança militar, conforme lemos em Juízes 4.8.

8 Baraque disse a ela: "Se você for comigo, irei; mas, se não for, não irei". (Juízes 4.8)

Ao longo da história muitos pregadores e estudiosos da bíblia reduziram Débora ao papel de cantora e intercessora somente. Entretanto os registros de seus feitos neste livro são a evidência de que ela foi reconhecida como juíza e libertadora do povo de Israel. Mas ela não levou Israel à libertação sozinha, ela o fez juntamente com Baraque e com mais 10 mil homens. Dessa história quero destacar algumas lições.

 

1 – LIDERANÇA NÃO É IMPOSTA É CONSTRUÍDA

4 Débora, uma profetisa, mulher de Lapidote, liderava Israel naquela época. 5 Ela se sentava debaixo da tamareira de Débora, entre Ramá e Betel, nos montes de Efraim, e os israelitas a procuravam, para que ela decidisse as suas questões. (Juízes 4.4,5)

A liderança de Débora foi sendo construída ao longo de seus anos de atuação como profetiza e juíza. Debaixo de uma tamareira Débora foi conquistando a confiança dos israelitas com palavras de sabedoria e demonstração de amor por aqueles que a procuravam.

Certamente Deus tinha dado a ela os dons para exercer o ministério profético e de juíza sobre o povo, mas conquistar a confiança do povo dependia dela, dependia do modo como ela tratava o povo que a procurava.

Moisés e Davi foram escolhidos por Deus para liderar o povo de Israel, mas conquistar a confiança do povo e do exército de Israel dependia deles.

Débora não se tornou líder pela força, nem pelo regimento de um estatuto. Ela se tornou líder porque era sábia e ouvia a voz de Deus. Por ser sensível a voz de Deus sua autoridade foi se consolidando, assim como aconteceu com Moisés e Davi, diferentemente do rei Saul que por não ouvir a voz de Deus teve sua liderança retirada de sobre o povo de Israel.

 

2 – LIDERANÇA SE PRATICA DELEGANDO AUTORIDADE

Débora conhecia suas limitações e suas áreas de atuações. Os seus dons definiam onde atuar, por isso ela não tentou fazer tudo sozinha. Ela não era guerreira, ela não foi treinada para guerrear, por isso Deus lhe mandou chamar Baraque para que este liderasse o exército de Israel contra o exército de Sísera. Baraque foi o escolhido de Deus para libertar Israel das mãos do rei Jabim.

A virtude de Débora está no fato de que ela não se sentiu ameaçada pela liderança de Baraque, não sentiu inveja e nem tentou boicotar sua liderança. Tão pouco se sentiu menor por ter que dividir a liderança com Baraque. Pelo contrário, ela o motivou a fazer o seu melhor conforme lemos em Juízes 4:14.

14 E Débora disse também a Baraque: "Vá! Este é o dia em que o Senhor entregou Sísera em suas mãos. O Senhor está indo à sua frente! " Então Baraque desceu o monte Tabor, seguido por dez mil homens. (Juízes 4.14)

Um bom líder não tenta ser o melhor em tudo, ele reconhece suas limitações e delega poder para que as demais pessoas possam exercer seus dons ao seu lado. Seu apoio a Baraque fez com que o feito dele fosse lembrado e colocado na lista dos heróis da fé do livro de Hebreus (Hb 11.32).

A verdadeira liderança é reconhece os talentos de cada um em sua equipe e motiva cada um a dar o seu melhor, delegando responsabilidades de maneira sábia. Um bom líder não se sente ameaçado pelos talentos dos outros porque sabe que liderar não é “mandar”, não é uma questão de poder, mas de servir.

 

3 – LIDERANÇA SE PRATICA TENDO EMPATIA PELOS LIDERADOS

Sísera! Esse nome causava terror e pânico em Israel. A religião e a cultura dos cananeus eram cruéis. Sacrifícios de crianças e prostituições nos templos faziam parte delas. Tente imaginar como era viver sob o domínio opressor de um comandante cananeu e seu exército.

Segundo a canção de Débora, era impossível viajar pelo país, as estradas estavam desertas, os viajantes precisavam andar por caminhos não preparados, esgueirando-se para não serem vistos e não havia mais ninguém morando nos campos, eles desistiram de plantar, pois sempre eram saqueados conforme lemos em Juízes 5.6,7.

6 "Nos dias de Sangar, filho de Anate, nos dias de Jael, as estradas estavam desertas; os que viajavam seguiam caminhos tortuosos. 7a Já tinham desistido os camponeses de Israel, já tinham desistido,... (Juízes 5.6,7a)

Imagine o povo se escondendo nas florestas e nos montes, com medo de cultivar a terra, pois atrairiam a fúria de Sísera e seu exército de saqueadores. O povo tinha medo de morar nos vilarejos onde não havia a proteção de muralhas, viviam aterrorizados com a ideia de serem atacados, terem seus filhos raptados para serem oferecidos como sacrifícios aos deuses cananeus, ou ainda, de terem suas mulheres estupradas pelos soldados de Sísera.

Em meio a este cenário de horror e sofrimento surge Débora movida pela empatia. Diante a dor do seu povo, ela se coloca debaixo de uma tamareira buscando socorre-los oferecendo a eles uma palavra de sabedoria que os ajudasse a suportar tamanha aflição e que renovasse a esperança no Deus de Israel.

Nesse contexto Débora relata que se levantou como uma “mãe de Israel”. Sua intenção não era assumir o poder, mas como uma mãe proteger seus filhos e colocar a casa em ordem, conforme expressa em sua canção, em Juízes 5.7.

7 Já tinham desistido os camponeses de Israel, já tinham desistido, até que eu, Débora, me levantei; levantou-se uma mãe em Israel. (Juízes 5.7)

Certamente ela foi tomada por sentimento de empatia gerada pelo próprio Deus, pois Deus como uma mãe ama o seu povo. Como uma mãe que ama o seu filho, Deus te ama.

Que mulher notável! O povo já estava sem esperança, já haviam desistido de produzir, de viver, até que Débora se levanta como uma mãe, resgatando a esperança e a fé no Deus de Israel.

 

REFLEXÃO FINAL

A postura de Débora reflete primeiramente intimidade com Deus. Sua empatia com a dor do povo certamente nasce dessa intimidade. A empatia de Débora é um reflexo do amor de Deus por seu povo. Deus tem um profundo amor por você também e vê-lo sofrendo causa tristeza em seu coração. Deus deseja te libertar do domínio deste mundo pecaminoso, do domínio do pecado sobre seu ser. Na cruz ele morreu para que você possa viver. Ele morreu para que você possa ter vida eterna ao seu lado.

A postura de Débora reflete em segundo lugar sujeição à vontade de Deus. Débora foi submissa a Deus atribuindo a Baraque a liderança militar e o dever de libertar o povo. Ela reconheceu até onde sua autoridade e liderança deveriam ir. Dessa forma ela não impediu o agir de Deus na vida de Baraque, pelo contrário ela o fortaleceu quando ele precisou de seu apoio. Você precisa se sujeitar à vontade de Deus reconhecendo até onde sua autoridade e liderança deve ir e como Débora você deve se dispor a apoiar aquele a quem Deus chamou e capacitou.

A postura de Débora reflete em terceiro lugar uma compreensão clara de seus dons e como deveria servir no projeto do Reino de Deus. Ela sabia que seus dons a habilitava somente para o exercício do ministério profético e de juíza. Ela sabia que não tinha sido capacitada com dons que a habilitasse para guerrear, nem mesmo para ser sacerdotisa. Você precisa servir a Cristo a partir do dom que ele te deu. Você precisa servir no Corpo de Cristo conforme seu dom e sua paixão. Você precisa servir aberto para compartilhar sua liderança e reconhecer a liderança que está sobre outro. Atuar fora do seu dom é ocupar um espaço que pertence a outro membro do Corpo e rejeitar o que Cristo lhe deu.

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

24/10/2021 (noite)

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