LIDERANÇA
Série: Juntos Com Nossos Heróis
A história que
vou contar hoje se encontra no livro dos Juízes, capítulos 4 e 5.
Nesta série “Juntos Com os Nossos Heróis” estamos olhando
para os nossos heróis da Bíblia e vendo como eles viveram a experiência do
viver juntos, do viver comunidade, do viver unidade. Hoje eu vou olhar para a
experiência da dupla Débora e Baraque. Mas antes quero convidá-los para
assistirem um vídeo comigo.
Ø
Abertura: Vídeo
(Capitão América – Omissão)
O Capitão
América, herói da Marvel, ao longo da série dos Vingadores se destacou por sua
liderança. Entretanto durante a série ele algumas vezes foi omisso em suas
decisões por se sentir culpado de tragédias passadas. Liderar traz sobre o
líder um grande peso, pois suas decisões sempre serão julgadas por algumas
pessoas como boas e por outros como más; por isso todo líder precisa da
sabedoria de Deus para que possa ser assertivo em suas decisões.
Na história de hoje conheceremos uma líder que demonstrou possuir a sabedoria de Deus para liderar o povo de Israel de forma assertiva.
Os juízes eram
heróis locais que, de alguma maneira governaram partes distintas do território
de Israel. Eram líderes tribais e na sua maioria militares, exerciam o poder
político e algumas vezes o religioso. Eles eram instrumentos dos atos de
redenção que eram seguidos por alguns anos de paz. Eles atuaram em períodos de grande
apatia espiritual e moral.
Evidentemente o
termo empregado e as tarefas empregadas ao “juiz” apontam para uma realidade
maior: Cristo, o verdadeiro libertador e Juiz de Seu povo, aquele que viria
libertar o seu povo dos inimigos de uma vez por todas e a humanidade da
condenação eterna.
Mais ou menos
entre os anos 1200 a.C. e 1000 a.C., as tribos israelitas já ocupavam
territórios dos dois lados do rio Jordão e seguiam em campanha pela conquista
definitiva de Canaã. Contudo várias nações canaanitas ofereciam resistência aos
israelitas e muitas delas mantinham assentamentos judaicos sob constante
opressão.
Algumas dessas
nações canaanitas obtinham apoio bélico de reinos mais distantes, que não viam
com bons olhos o fortalecimento dos israelitas. Foi nesse contexto que os
cananeus de Hazor subjugaram aos israelitas. Durante vinte anos, Jabim rei de
Hazor maltratou o povo de Israel sem dó nem piedade. Seu general Sísera
comandava um exército com 900 carros de guerra. Cansados dessa opressão o povo
de Israel pediu socorro a Deus.
Naquela época,
uma israelita chamada Débora, mulher de Lapidote, uma profetisa, atuava como
juíza sobre Israel. Segundo a Bíblia, sob a orientação de Deus ela organizou um
movimento de resistência e planejou um ataque ao general Sísera, conforme lemos
em Juízes 4.6,7.
6 Débora mandou chamar Baraque, filho de Abinoão, de Quedes, em
Naftali, e lhe disse: "O Senhor, o Deus de Israel, lhe ordena que reúna
dez mil homens de Naftali e Zebulom e vá ao monte Tabor. 7 Ele fará que Sísera, o comandante do exército de
Jabim, vá atacá-lo, com seus carros de guerra e tropas, junto ao rio Quisom, e
os entregará em suas mãos". (Juízes 4.6,7)
Seguindo a ordem
de Deus, Baraque reuniu dez mil homens e foi ao monte Tabor. Deus fez com que uma
forte chuva caísse sobre eles, de tal forma que Sísera e seu exército se viram
obrigados a passar por uma região encharcada, onde o poder das carruagens
canaanitas pôde facilmente ser neutralizado. Sísera fugiu a pé e seu exército
foi massacrado, conforme lemos em Juízes
4.15.
15 Diante do avanço de Baraque, o Senhor
pela espada derrotou Sísera e todos os seus carros de guerra e o seu exército,
e Sísera desceu do seu carro e fugiu a pé. (Juízes 4.15)
Chama a atenção
o destaque dado à participação feminina nessa passagem do livro bíblico de Juízes.
Embora Baraque seja apresentado como um comandante dos mais eficientes, a
verdade é que ele não passa de um personagem secundário nesta história, já que
o comando militar ficou praticamente todo nas mãos da juíza Débora. Ela é a
única mulher de que temos notícia, exerceu essa função em Israel. Ela não
exerceu essa função por que a desejou, mas porque Baraque, a quem Deus havia
chamado para liderar a batalha, entregou a ela a liderança militar, conforme
lemos em Juízes 4.8.
8 Baraque disse a ela: "Se você for
comigo, irei; mas, se não for, não irei". (Juízes
4.8)
Ao longo da
história muitos pregadores e estudiosos da bíblia reduziram Débora ao papel de
cantora e intercessora somente. Entretanto os registros de seus feitos neste
livro são a evidência de que ela foi reconhecida como juíza e libertadora do
povo de Israel. Mas ela não levou Israel à libertação sozinha, ela o fez
juntamente com Baraque e com mais 10 mil homens. Dessa história quero destacar
algumas lições.
1 – LIDERANÇA NÃO É IMPOSTA É CONSTRUÍDA
4 Débora, uma profetisa, mulher de
Lapidote, liderava Israel naquela época. 5 Ela
se sentava debaixo da tamareira de Débora, entre Ramá e Betel, nos montes de
Efraim, e os israelitas a procuravam, para que ela decidisse as suas questões.
(Juízes 4.4,5)
A liderança de
Débora foi sendo construída ao longo de seus anos de atuação como profetiza e
juíza. Debaixo de uma tamareira Débora foi conquistando a confiança dos
israelitas com palavras de sabedoria e demonstração de amor por aqueles que a
procuravam.
Certamente Deus
tinha dado a ela os dons para exercer o ministério profético e de juíza sobre o
povo, mas conquistar a confiança do povo dependia dela, dependia do modo como
ela tratava o povo que a procurava.
Moisés e Davi
foram escolhidos por Deus para liderar o povo de Israel, mas conquistar a
confiança do povo e do exército de Israel dependia deles.
Débora não se
tornou líder pela força, nem pelo regimento de um estatuto. Ela se tornou líder
porque era sábia e ouvia a voz de Deus. Por ser sensível a voz de Deus sua
autoridade foi se consolidando, assim como aconteceu com Moisés e Davi,
diferentemente do rei Saul que por não ouvir a voz de Deus teve sua liderança
retirada de sobre o povo de Israel.
2 – LIDERANÇA SE PRATICA DELEGANDO
AUTORIDADE
Débora conhecia suas limitações e suas áreas de
atuações. Os seus dons definiam onde atuar, por isso ela não tentou fazer tudo
sozinha. Ela
não era guerreira, ela não foi treinada para guerrear, por isso Deus lhe mandou
chamar Baraque para que este liderasse o exército de Israel contra o exército
de Sísera. Baraque foi o escolhido de Deus para libertar Israel das mãos do rei
Jabim.
A virtude de
Débora está no fato de que ela não se sentiu ameaçada pela liderança de Baraque,
não sentiu inveja e nem tentou boicotar sua liderança. Tão pouco se sentiu
menor por ter que dividir a liderança com Baraque. Pelo contrário, ela o
motivou a fazer o seu melhor conforme lemos em Juízes 4:14.
14 E Débora
disse também a Baraque: "Vá! Este é o dia em que o Senhor entregou
Sísera em suas mãos. O Senhor está indo à sua frente! " Então Baraque
desceu o monte Tabor, seguido por dez mil homens. (Juízes
4.14)
Um bom líder não
tenta ser o melhor em tudo, ele reconhece suas limitações e delega poder para
que as demais pessoas possam exercer seus dons ao seu lado. Seu apoio a Baraque
fez com que o feito dele fosse lembrado e colocado na lista dos heróis da fé do
livro de Hebreus (Hb 11.32).
A verdadeira
liderança é reconhece os talentos de cada um em sua equipe e motiva cada um a dar
o seu melhor, delegando responsabilidades de maneira sábia. Um bom
líder não se sente ameaçado pelos talentos dos outros porque sabe
que liderar não é “mandar”, não é uma questão de poder, mas de servir.
3 – LIDERANÇA SE PRATICA TENDO EMPATIA
PELOS LIDERADOS
Sísera! Esse
nome causava terror e pânico em Israel. A religião e a cultura dos cananeus
eram cruéis. Sacrifícios de crianças e prostituições nos templos faziam
parte delas. Tente imaginar como era viver sob o domínio opressor de um
comandante cananeu e seu exército.
Segundo a canção
de Débora, era impossível viajar pelo país, as estradas estavam desertas, os
viajantes precisavam andar por caminhos não preparados, esgueirando-se para não
serem vistos e não havia mais ninguém morando nos campos, eles desistiram de
plantar, pois sempre eram saqueados conforme lemos em Juízes 5.6,7.
6 "Nos dias de Sangar, filho de Anate,
nos dias de Jael, as estradas estavam desertas;
os que viajavam seguiam caminhos tortuosos. 7a Já tinham desistido os camponeses de Israel, já tinham desistido,... (Juízes
5.6,7a)
Imagine o povo
se escondendo nas florestas e nos montes, com medo de cultivar a terra, pois
atrairiam a fúria de Sísera e seu exército de saqueadores. O povo tinha medo de
morar nos vilarejos onde não havia a proteção de muralhas, viviam aterrorizados
com a ideia de serem atacados, terem seus filhos raptados para serem oferecidos
como sacrifícios aos deuses cananeus, ou ainda, de terem suas mulheres
estupradas pelos soldados de Sísera.
Em meio a este
cenário de horror e sofrimento surge Débora movida pela empatia. Diante a dor
do seu povo, ela se coloca debaixo de uma tamareira buscando socorre-los
oferecendo a eles uma palavra de sabedoria que os ajudasse a suportar tamanha
aflição e que renovasse a esperança no Deus de Israel.
Nesse contexto
Débora relata que se levantou como uma “mãe de Israel”. Sua intenção não era
assumir o poder, mas como uma mãe proteger seus filhos e colocar a casa em
ordem, conforme expressa em sua canção, em Juízes
5.7.
7 Já tinham desistido os camponeses de
Israel, já tinham desistido, até que eu, Débora, me levantei; levantou-se uma mãe em Israel. (Juízes 5.7)
Certamente ela
foi tomada por sentimento de empatia gerada pelo próprio Deus, pois Deus como
uma mãe ama o seu povo. Como uma mãe que ama o seu filho, Deus te ama.
Que mulher
notável! O povo já estava sem esperança, já haviam desistido de produzir, de
viver, até que Débora se levanta como uma mãe, resgatando a esperança e a fé no
Deus de Israel.
REFLEXÃO FINAL
A postura de
Débora reflete primeiramente intimidade
com Deus. Sua empatia com a dor do povo
certamente nasce dessa intimidade. A empatia de Débora é um reflexo do amor de
Deus por seu povo. Deus tem um profundo amor por você também e vê-lo sofrendo
causa tristeza em seu coração. Deus deseja te libertar do domínio deste mundo
pecaminoso, do domínio do pecado sobre seu ser. Na cruz ele morreu para que
você possa viver. Ele morreu para que você possa ter vida eterna ao seu lado.
A postura de
Débora reflete em segundo lugar sujeição
à vontade de Deus. Débora foi submissa a
Deus atribuindo a Baraque a liderança militar e o dever de libertar o povo. Ela
reconheceu até onde sua autoridade e liderança deveriam ir. Dessa forma ela não
impediu o agir de Deus na vida de Baraque, pelo contrário ela o fortaleceu
quando ele precisou de seu apoio. Você precisa se sujeitar à vontade de Deus
reconhecendo até onde sua autoridade e liderança deve ir e como Débora você
deve se dispor a apoiar aquele a quem Deus chamou e capacitou.
A postura de
Débora reflete em terceiro lugar uma
compreensão clara de seus dons e como deveria servir no projeto do Reino de
Deus. Ela sabia que seus dons a habilitava somente para o exercício do
ministério profético e de juíza. Ela sabia que não tinha sido capacitada com
dons que a habilitasse para guerrear, nem mesmo para ser sacerdotisa. Você
precisa servir a Cristo a partir do dom que ele te deu. Você precisa servir no
Corpo de Cristo conforme seu dom e sua paixão. Você precisa servir aberto para
compartilhar sua liderança e reconhecer a liderança que está sobre outro. Atuar
fora do seu dom é ocupar um espaço que pertence a outro membro do Corpo e
rejeitar o que Cristo lhe deu.
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
24/10/2021
(noite)
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