JOGANDO NO ATAQUE SEM DESCUIDARMOS DA DEFESA
Série: A-gente em Campo
Estamos em nossa
série A-gente em Campo. Nesta série estamos refletindo em nosso papel como
agentes responsáveis pela manifestação do reino de Deus no mundo, e, ao mesmo
tempo afirmando que nesse jogo entre o reino de Deus e o reino das trevas a
gente, a PIB de Itapevi está em campo jogando pelo time de Deus.
Hoje iremos
refletir no tema “Jogando no Ataque Sem Descuidar da Defesa”. Um bom time de
futebol começa por uma boa defesa. Uma defesa sólida e imbatível torna o seu
ataque mais eficiente, levando o time a alcançar um maior número de vitórias.
As vitórias de
um time de futebol não são frutos apenas dos gols marcados, mas também das
defesas realizadas. Uma boa defesa trabalha bem compactada, impedindo que o
time adversário encontre brechas para marcar gols.
Transportando
isto para a realidade espiritual, para o jogo do reino de Deus contra o reino
das trevas, a defesa está para um time campeão de futebol, como o
comportamento, o estilo de vida, as atitudes de um cristão estão enquanto este
está no ataque, buscando levar Cristo para alguém.
Muitas vezes
quando um cristão vai em direção a um parente, amigo, vizinho ou colega de trabalho
com o fim de evangelizá-los, não consegue êxito porque às vezes existem muitas
incoerências no que se diz e no que se vive. As atitudes erradas falam tão alto
que as pessoas não conseguem ouvir o que elas dizem.
Você confiaria
no ensino de um professor de natação que ao cair na piscina não consegue nadar?
Assim que uma pessoa se sente quando um discípulo de Cristo lhe fala do reino
de Deus, mas não vive o que ela afirma crer.
Este é um
problema crônico em nosso país. Muitas pessoas afirmam que creem em Deus.
Católicos, protestantes, evangélicos, mas não seguem fielmente o que Ele
ordena. Nosso problema hoje não é a falta de igrejas, não é a falta de
programas evangélicos, novelas gospel, músicas gospel, mas a falta de qualidade
na vida da maioria daqueles que se dizem cristãos.
A incoerência
entre o que Jesus ensina e o que os cristãos vivem torna a mensagem de Jesus
Cristo sem crédito, irrelevante para aqueles que a ouvem, e em muitos casos
aprisionantes. Nós cristãos, nos tornamos como um time de futebol que tem uma
defesa muito frágil, por mais que o time ataque, não consegue vencer, pois os
adversários sempre conseguem marcar gols, ferindo assim um duro golpe em todo o
time.
Portanto buscaremos apontar alguns princípios que nos levam a cuidar melhor de nossa defesa a fim de que o nosso ataque se torne mais promissor, nossa evangelização mais eficiente.
1º PRINCÍPIO: ESTARMOS ATENTOS COM AQUELES
QUE DIZEM JOGAR NO NOSSO TIME
15 "Cuidado
com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas,
mas por dentro são lobos devoradores. 16 Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de
ervas daninhas? 17 Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a
árvore ruim dá frutos ruins. 18
A árvore boa não pode dar frutos ruins,
nem a árvore ruim pode dar frutos bons. 19 Toda árvore que não
produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. 20 Assim, pelos seus
frutos vocês os reconhecerão! (Mateus 7.15-20)
Diante do texto
que lemos devemos nos perguntar: “Que tipo de frutos nós estamos produzindo
como cristãos?” Bons frutos ou frutos ruins?
Jesus, nestes
versos, nos ensina como podemos reconhecer um falso profeta. Ele diz claramente
que através dos seus frutos.
Duas perguntas
são significativas na leitura deste texto. Primeira
pergunta: “A quem Jesus está se referindo neste texto como falsos profetas?”
Segunda pergunta: “Como identificamos
seus frutos?”
As respostas a
estas duas perguntas se encontram nos versos seguintes (Mateus 7.21-23).
21 "Nem
todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas
aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não
profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não
realizamos muitos milagres?’ 23
Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os
conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!’" (Mateus 7.21-23)
Jesus está
chamando de falsos profetas homens que o chamavam de “Senhor”. Isto significa
que nem todo aquele que confessa Jesus como Senhor é salvo, é crente de
verdade.
A salvação não
está simplesmente em você confessar com sua boca que Jesus é o Senhor. Ela
precisa estar acompanhada de frutos que comprovam sua confissão.
Os frutos que
autenticam sua confissão, segundo Jesus, é um viver comprometido com a vontade
de seu Pai que está nos céus. Aqueles que não vivem comprometidos com a vontade
de seu Pai Celestial, não entrarão no Reino dos céus, não terão parte em Seu
reino, disse Jesus.
Estes falsos
profetas certamente afirmam ser cristãos, eles chamam Jesus de Senhor. Eles
expulsam demônios em seu nome. Eles profetizam em seu nome. Eles dizem realizar
milagres em seu nome. Assim se assemelham com muitos cristãos de nossos dias.
Você pode estar
se perguntando: “Não é a vontade do Pai que pessoas sejam libertas de demônios
que lhes oprimem?” Sim! Isto é a vontade do Pai. “Não é a vontade do Pai que
profetizemos, isto é, que anunciemos Suas palavras e vontade aos homens?” Sim!
Isto é a vontade do Pai. “Não é a vontade do Pai que coloquemos as mãos sobre
os enfermos para que sejam curados?” Sim! Isto também é a vontade do Pai. Por
que então Jesus está dizendo que não conhece estes homens e que eles não fazem
a vontade do Pai?
Porque Jesus vê
além do exterior. Ele vê além de nossas obras. Ele vê as intenções que nos
levam a chamá-lo de Senhor. Ele sabe o que fazemos quando não estamos
expulsando demônios em seu nome, profetizando ou realizando milagres em seu
nome. Ele sabe o que você faz quando não está pregando, cantando ou reunido nos
domingos com seus irmãos. Ele sabe quem você é! Ele sabe como você marido,
quando está em casa trata sua esposa. Ele sabe como você esposa, quando está em
casa trata seu marido. Como você trata seus filhos. Como você trata seus pais.
Como lida com os negócios. Como lida com o dinheiro. Como lida com a comida.
Como lida com a bebida. Como lida com a sexualidade. Como lida com o racismo.
Isto nos ensina
que mesmo frutos de aparência espiritual quando não produzidos por uma vida
submissa a vontade do Pai, são frutos ruins, produzidos por uma árvore ruim.
Jesus está nos
ensinando a fazermos o mesmo que Ele, a reconhecermos os falsos profetas, os
falsos irmãos que há entre nós. Não para sairmos julgando-os, mas para não nos
deixarmos ser conduzidos por eles. Eles irão provocar prejuízos ao nosso
desenvolvimento espiritual. Jesus está pedindo para nós olharmos para aqueles
que se dizem cristãos além das obras religiosas que elas fazem.
Este texto nos
ensina que você conhece os verdadeiros filhos de Deus não por orarem, não por
frequentarem uma igreja, não por andarem com uma bíblia nas mãos, não por
beberem ou não beberem cerveja, por irem ou não irem a uma praia, não por coisas
externas e superficiais, embora estas coisas sejam importantes para a
manutenção de uma espiritualidade sadia.
Os filhos de
Deus são identificados pela submissão a Deus e estes entrarão no reino dos céus.
A submissão é o ato de rendição voluntária a Deus e a tudo quanto Ele ensina.
Essa rendição fará com que os seus frutos não sejam somente obras externas, mas
frutos bons de um coração transformado. Esta transformação se mostrará no trato
dos seus negócios, no cuidado do seu cônjuge, no ensino de seus filhos, na
honra prestada a seus pais, no relacionamento com seus irmãos da fé, no
linguajar. Se mostrará no cuidado de sua liberdade com o fim de não se tornar
tropeço para outros, mas também no cuidado para não julgar o outro baseado nos
limite de sua própria fé. Se mostrará no desejo profundo e continuo de crescer
espiritualmente e crescer como ser humano semelhante à imagem do Criador, no respeito
aos demais seres humanos e no cuidado para com toda a criação de Deus.
Portanto
estejamos atentos àqueles que se dizem espirituais, mas que não vivem submissos
a Palavra de Deus, que não se submetem a Deus inteiramente, mas somente naquilo
que lhe é conveniente.
Não podemos
descuidar de nossa defesa, pois se o fizermos, certamente perderemos forças
para nos mantermos como time e alcançarmos os alvos estabelecidos por nosso
Senhor Jesus Cristo.
2º PRINCÍPIO: SERMOS SAL
13 "Vocês
são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo?
Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. (Mateus 5.13)
Ser sal é jogar
cuidando da defesa. O sal tem duas propriedades bem significativas. A primeira propriedade
do sal é a capacidade de preservar o alimento. Nos dias de Jesus o sal era
muito usado com este fim, uma vez que não existia geladeira.
Nós precisamos
viver de tal forma que possamos preservar os valores do reino de Deus enquanto
enfrentamos um mundo hostil a nós. Não podemos nos cansar de fazermos o bem uns
aos outros, de sermos honestos, de vivermos sóbrios, de nos reunirmos aqui aos
domingos para juntos adorarmos ao Senhor, de exortarmos uns aos outros em amor;
em fim de vivermos a mutualidade ensinada na Bíblia a nós. Não podemos abrir mão
de uma vida de santidade, de consagração a Deus.
Para vivermos a
vida de santidade que Deus espera de nós precisamos preservar as verdades de
Deus intactas, como Ele nos entregou. Precisamos resistir à tendência de
tentarmos ajustar as verdades de Deus a nossa compreensão pessoal ou a forma do
mundo interpretá-las.
A segunda
propriedade do sal é a capacidade de realçar o sabor de um alimento. Os verdadeiros
discípulos são sal da terra. Nós devemos também alavancar o valor das pessoas
ao nosso redor. Fazemos isso quando mostramos as pessoas o quanto Deus as ama e
se importa com elas. Fazemos isso quando reconhecemos o dom do outro. Quando
ajudamos o outro a se encontrar dentro do Corpo de Cristo e se tornar uma vida
frutífera. Fazemos isso quando não desistimos das vidas que Deus colocou sobre
o nosso cuidado.
Sermos sal
significa que temos o poder de influenciar tanto conservando os valores do
Reino de Deus, quanto valorizando as demais pessoas, sejam do nosso time, como
também do time adversário.
Enquanto jogamos
no ataque sem descuidarmos de nossa defesa, conseguimos tornar o reino de Deus
visível e palpável para que nossos ataques, a nossa mensagem de evangelização
se torne eficaz e digna de crédito.
3º PRINCÍPIO: SERMOS LUZ
14 "Vocês
são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. 15 E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca
debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim
ilumina a todos os que estão na casa. 16 Assim brilhe a luz de vocês
diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de
vocês, que está nos céus". (Mateus 5.14-16)
É impossível
esconder uma cidade iluminada. Não tem sentido acender um lampião para
colocá-lo debaixo da cama.
Tanto o sal
quanto a luz são figuras usadas por Jesus para mostrar que nós cristãos
precisamos influenciar o mundo, as pessoas que estão ao nosso redor de forma
significativa. Nossa influência deve levá-las a desejarem vestir o uniforme do
time de Jesus.
Como sal nós
preservamos os valores e ensinos do Reino de Deus, e, também realçamos o valor
das pessoas ao nosso redor. Como luz tornamos por meio de nossas ações e de
nossas vozes, visível à realidade de Deus onde estivermos.
A luz de Cristo
se propaga através de nós por meio de três formas claras.
Primeira forma: Na Pratica da Excelência – Nós
discípulos de Cristo devemos fazer sempre o melhor em qualquer coisa ou tarefa
que nos for dado a fazer. Seja dentro da igreja ou fora da igreja. Jesus viveu
de modo excelente e cumpriu sua tarefa com excelência. Deus criou todas as coisas
com excelência. Portanto como filhos devemos imitar o nosso Pai Celestial e
nosso Senhor e Salvador.
Segunda forma: Em Nossa Conduta Ética – No nosso
contexto brasileiro este é um terreno altamente problemático. A corrupção está
em todos os níveis da camada social de nosso país. Do mais alto escalão social
ao cidadão mais baixo na escala social deste país. No Brasil nada se realiza
sem “Petrolão”, “Mensalão”, “Rachadinhas” e outros nomes dados à troca e compra
de favores, negociações fraudulentas.
Sermos éticos é
sermos luz para este país corrupto, é sermos um farol de referência para
aqueles que desejam navegar sem se venderam a corrupção.
Terceira forma: Na Pratica de Atos de Bondade – Gestos de
carinho como um abraço, acolhimento ou um simples sorriso são atos de bondade
que podem abrir portas para que Cristo seja visto através de sua vida por
aqueles que estão jogando no time das trevas ou mesmo por aqueles que estão
jogando ao nosso lado, mas se encontram enfraquecidos. Um gesto de bondade para
com seu chefe, seu funcionário ou vizinho pode mudar a forma deles olharem para
você e a forma como compreendem Jesus.
A união destas
três formas de propagação de luz tornará Jesus visível por meio de sua vida.
Você não tem a opção de escolher uma, você precisa viver as três formas ao
mesmo tempo.
REFLEXÃO FINAL
Ao longo dessa
reflexão aprendemos por meio da Palavra de Deus que devemos estar atentos a
todos que dizem jogar no nosso time. Precisamos olhar atentamente para os
frutos de suas vidas além das praticas religiosas, com o fim de não sermos
destruídos em nossa inocência e levados a uma vida de frustração espiritual.
Depois
aprendemos que devemos ser sal, preservando os valores e ensinos de Deus
conforme Ele nos entregou, resistindo à tentação de adaptá-las a nossa
conveniência. E como sal devemos também realçar o valor das pessoas ao nosso
redor, levando-as a se tornarem frutíferas e participativas no time de Jesus.
E por fim
aprendemos que devemos ser luz e propagarmos a luz de Cristo em nós através da excelência,
da ética e de atos de bondade.
Podemos concluir
que jogar no ataque sem descuidarmos da defesa significa vivermos todos os dias
em santidade, em consagração para o nosso Deus. Não permitindo que o mal se
apodere de nós, que a mentira se torne parte do nosso viver, que a ausência de
perdão se apodere de nossos corações, que a ganância domine nossas mentes, que
a idolatria nos cegue, que a imoralidade nos torne impuros, que o julgar uns
aos outros nos distancie do outro, que a fraqueza de nossa fé não aprisione o
mais forte, que a nossa liberdade não leve o mais fraco a pecar, que o nosso
falar não seja falso, que os nosso olhos não sejam trevas..., que o nosso
coração, que a nossa mente, que o nosso falar, que o nosso andar, que o nosso
pensar, que o nosso agir sejam inteiramente para glorificar o nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo.
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
23/10/2022
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