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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

SERMÕES 179 - O SIGNIFICADO DO NATAL

 O SIGNIFICADO DO NATAL

 

O anúncio do nascimento de Jesus é o ponto inicial do plano de salvação que Deus arquitetou para a humanidade. Por isso devemos pregar sobre o Natal, independentemente da data em que Jesus nasceu.

Infelizmente o significado do Natal foi corrompido pelo comércio e outras tradições que celebram de tudo, menos a vinda do Salvador ao mundo.

Você já imaginou se na história bíblica não houvesse o nascimento de Jesus? Não existiria esperança para nós, não existiria salvação para nós. Então, se deixarmos de falar sobre a encarnação do Deus Filho, omitimos algo que a Bíblia fez questão de relatar com detalhes impressionantes para nos mostrar a grande importância do significado do Natal no plano redentor da humanidade.

Celebrar o Natal sem compreender o plano redentor de Deus é como celebrar a conquista de um campeonato esportivo. Você se alegra por um momento. Bebe e come, mas nada muda em sua vida. Quando acordar logo irá perceber que continua vazio, sem vida. Se você não entendeu o significado do Natal, você ainda não conseguiu entender de fato o que é a vida e como vivê-la. Por isso eu quero compartilhar hoje com você o significado do Natal a partir do texto de Isaías 9.1-7.

1 Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. 2 O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz. 3 Fizeste crescer a nação e aumentaste a sua alegria; eles se alegram diante de ti como os que se regozijam na colheita, como os que exultam quando dividem os bens tomados na batalha. 4 Pois, tu destruíste o jugo que os oprimia, a canga que estava sobre os seus ombros, e a vara de castigo do seu opressor, como no dia da derrota de Midiã. 5 Pois, toda bota de guerreiro usada em combate e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, como lenha no fogo. 6 Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. 7 Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso. (Isaías 9.1-7)

Nos dias de Isaías, os exércitos da Assíria impuseram miséria e escuridão para Zebulom e Naftali, duas das tribos que estavam mais ao norte de Israel. Essa escuridão era resultado da vida espiritual decadente de Israel.

O reino da Síria e o reino de Israel (também chamado de Efraim ou do Norte) haviam se aliado para enfrentar o império assírio. Acaz, rei de Judá (O Reino do Sul) não quis participar dessa aliança contra os assírios. Por isso a Siria e Israel invadiram Judá e sitiaram Jerusalém, com o intuito de forçar a participação de Judá na aliança anti-assíria. Nesse ambiente se desenrolam os capítulos 7 à 9 deste livro de Isaías. 

Isaías se apresenta ao rei de Judá, Acaz, conclamando-o a não temer o reino da Síria e de Israel, pois ambos seriam destruídos (7.4,16; 8.4). O profeta também o aconselha a não pedir socorro aos assírios, pois estes acabariam destruindo Judá (8.5). Acaz não deu ouvido para a palavra profética de Isaías. Ele fortificou Jerusalém e pediu ajuda dos assírios. Isaías foi rejeitado pelo rei e acusado de traidor (8.12). 

Isaías como os demais profetas, usa o tempo verbal no pretérito como se a profecia já tivesse sido cumprida e ao mesmo tempo aponta para o futuro reino.

A palavra de Isaías para o povo de Israel e Judá aponta para uma esperança no messias. Este iria mudar a sorte de Israel. Contudo o texto também nos leva além das fronteiras de Israel. Meu objetivo é levar você não para um passeio histórico na fé do povo de Israel, mas para uma experiência subjetiva com Deus a partir do nascimento de Jesus Cristo. Por isso a primeira afirmação que apresento a respeito do significado do Natal baseado neste texto é que Natal é luz.

 

1 – NATAL É LUZ

1 Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. 2 O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz. [...] 4 Pois, tu destruíste o jugo que os oprimia, a canga que estava sobre os seus ombros, e a vara de castigo do seu opressor, como no dia da derrota de Midiã. (Isaías 9.1,2,4)

O profeta Isaías declarou que quando o Messias viesse, isto é, quando Jesus nascesse haveria luz para aqueles que estavam em trevas. O que ele quer dizer com haveria luz com o nascimento de Jesus?

Primeiramente ele falava ao povo de Israel que o Messias, o Cristo, seria aquele que os libertaria das trevas, da opressão dos demais povos. Mas o texto também se refere a algo maior do que a opressão causada pelos povos inimigos de Israel.

A humanidade desde a queda de Adão e Eva, no Éden, tem vivido em trevas, debaixo do poder do pecado, condenada a morte eterna. O nascimento de Jesus trouxe luz porque sua vida seria o sacrifício salvífico de toda humanidade.

Natal é um tempo de luz, não por causa das milhares de lâmpadas que enfeitam as cidades e sim porque Jesus trouxe luz para nós que estávamos em trevas. Ele se tornou a nossa luz, a nossa salvação. As trevas que estavam sobre nós foram dissipadas, a condenação que pesava sobre nossos ombros foi retirada. Sem compreendermos este significado do Natal, esta festa perde o seu sentido real. Lembrarmos do nascimento de Jesus é lembrarmos que através de sua morte na cruz, nossos pecados foram perdoados e que por meio de sua ressurreição recebemos vida eterna e não morte eterna.

A segunda afirmação que apresento a respeito do significado do Natal baseado neste texto é que Natal é solidariedade.

 

2 – NATAL É SOLIDARIEDADE

Isaías nesta passagem fala a respeito do reinado do Messias. Ele afirma que o Messias, Jesus o Filho de Deus, fez crescer a nação e aumentou a alegria do povo. Eu enxergo nestas duas afirmações dois tipos de solidariedade nestes versos.

·         A primeira solidariedade é caracterizada pelo crescimento da nação.

·         A segunda solidariedade é caracterizada pelo aumento da alegria.

 

2.1 – A primeira solidariedade é caracterizada pelo crescimento da nação

O reino do Messias, de Jesus o Cristo é caracterizado pelo crescimento da nação, isto é, pelo crescimento do povo de Deus.

3a Fizeste crescer a nação e aumentaste a sua alegria;... (Isaías 9.3a)

O profeta Isaías irá citar novamente este crescimento (Isaías 26.15).

15 Fizeste crescer a nação, Senhor; sim, fizeste crescer a nação. De glória te revestiste; alargaste todas as fronteiras da nossa terra. (Isaías 26.15)

Este crescimento da nação é geográfico – “alargastes todas as fronteiras da nossa terra –, mas também é ao mesmo tempo solidário. É um crescimento que não visa dominar as fronteiras alcançadas, mas compartilhar a relação e a experiência do amor de Deus com os demais povos alcançados. É um crescimento que visa acolher os demais povos para dentro de si. É um crescimento que visa tornar todos os povos irmãos, é um crescimento solidário.

Israel como povo de Deus não deveria subjugar as demais nações, mas a partir de sua prosperidade servir as demais nações, tornando o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo acessível e amado por todos os povos. Essa verdade está contemplada no chamado de Deus feito a Abraão (Gênesis 12.3).

3 "Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados". (Gênesis 12.3)

Sempre foi o desejo de Deus abençoar todos os povos da terra, todas as famílias da terra. Deus não escolheu Abraão para que ele dominasse os povos, mas para que fosse solidário com os povos da terra. As bênçãos de Deus deveriam ser compartilhadas com os demais povos.

Viver o Natal é vivermos esta solidariedade onde compartilhamos o amor de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo com todas as pessoas.

As bênçãos de Deus reveladas a nós por meio do Espírito Santo a respeito de Jesus Cristo precisam ser compartilhadas com as demais pessoas.

Natal é a solidariedade de todas as raças e povos, pois o menino Jesus, se tornou o homem Jesus, que na cruz morreu e nos atraiu Nele nos chamando para sermos um só povo, o povo de Deus, comprado e remido por seu sangue. Em Cristo todos os povos foram unidos pelo Espírito de Deus. Assim cresceu a nação de Israel e estendeu suas tendas além de suas fronteiras.

 

2.2 – A segunda solidariedade é caracterizada pelo crescimento da alegria

O reino do Messias, de Jesus é caracterizado também pelo crescimento da alegria.

3a Fizeste crescer a nação e aumentaste a sua alegria;... (Isaías 9.3a)

Essa alegria é descrita pelo profeta Isaías de duas formas:

3b ...; eles se alegram diante de ti como os que se regozijam na colheita, como os que exultam quando dividem os bens tomados na batalha. (Isaías 9.3b)

·         Primeira descrição: Eles se alegram como os que se regozijam na colheita.

·         Segunda descrição: Eles se alegram como os que exultam quando dividem os bens tomados na batalha.

A primeira descrição do crescimento da alegria nos remete a alegria de recebermos a dádiva da vida. O regozijo da colheita é a expressão de felicidade daquele que colhe o alimento para o sustento da vida. Sem o alimento não existe vida. A fome é a causa de muitas mortes e guerras entre os homens.

A vida nos é dada por Deus e o alimento que sustenta nossas vidas também é providência divina, pois Ele criou a soja, o trigo, a banana e todas as espécies de sementes. Ele é quem faz o sol se levantar todos os dias e a chuva cair regando a terra seca.

Natal é tempo de nos lembrarmos que não existe vida sem Deus. Ele é o autor de toda vida, Ele é o sustentador de toda vida, Ele é a razão da existência de toda vida. Natal é tempo de nos lembrarmos que a mesa cheia e farta é bênção de Deus.

Alegria genuína é a experiência que só pode sentir aqueles que reconhecem que toda vida procede do Deus Criador.

A segunda descrição do crescimento da alegria nos remete a realidade de que as bênçãos de Deus dadas a nós precisam ser divididas. Era comum o exército vencedor tomar posse dos bens do exército derrotado em guerra. Armaduras, espadas, capacetes, às vezes ouro, prata, animais e terras eram tomados como despojos. Este momento era de grande alegria, pois tomar posse dos despojos do inimigo significava antes de qualquer coisa que o inimigo tinha sido vencido. A guerra acabou! A paz voltou a reinar novamente. Não existe mais razão para se viver com medo. O inimigo caiu. Satanás foi despojado de toda autoridade.

Os bens que pertenciam ao inimigo eram divididos entre o rei, soldados, sacerdotes e o povo. Cada um recebia uma parte destes despojos. Existia uma grande alegria no dividir os despojos da vitória, pois todos se sentiam abençoados por Deus.

Natal é tempo de nos lembrarmos de que precisamos dividir as bênçãos espirituais. A paz deve ser anunciada a todos. O nosso inimigo, Satanás foi derrotado. Não temos mais porque vivermos com medo e nem aprisionados a um sentimento de culpa, como se Deus vivesse insatisfeito conosco. Ele nos ama e mostrou o Seu amor em Cristo por nós, por mim e por você. Ele já nos perdoou de todo pecado. O seu acusador não tem mais do que te acusar, os seus pecados foram perdoados na cruz. Você é amado de Deus. Ele quer viver um relacionamento de amor com você. A paz entre você e Deus foi estabelecida por Jesus na cruz. Desfrute dessa paz é Natal!

Natal também é tempo de nos lembrarmos de que precisamos dividir as bênçãos materiais. O povo de Israel não só anunciavam a paz, como dividiam os bens materiais do inimigo entre eles. Se o inimigo de fato foi vencido em nossas vidas, já não vivemos egoisticamente, já não nos compreendemos mais como indivíduos solitários, mas como indivíduos solidários.  

Ser solidário é ver no mais fraco a oportunidade de servir a Jesus em amor. Ser solidário é se alegrar em dividir com os mais necessitados as bênçãos de Deus. Toda bênção de nosso Deus confiada a nós visa de alguma forma alcançar a outros.   

 

REFLEXÃO FINAL

Natal é tempo de luz! É o tempo propicio para anunciarmos a todos que Jesus trouxe luz para nós que estávamos em trevas. Ele se tornou a nossa luz, a nossa salvação. As trevas que estavam sobre nós foram dissipadas e agora olhamos para a Nova Jerusalém!

Natal é tempo de solidariedade, pois nossa tenda se estendeu e nossas fronteiras foram apagadas. Já não existem mais judeus, gregos, argentinos e brasileiros. Somos todos uma só raça em Cristo Jesus, um só povo, o povo de Deus.

Natal é tempo de solidariedade, pois a alegria aumentou entre nós. O inimigo foi derrotado, a paz entre nós e Deus foi estabelecida na cruz por Jesus Cristo. Agora somos livres para servirmos uns aos outros, para dividirmos tudo o que Deus tem nos dado: dons e bens materiais.

Que haja luz em seu Natal. Que haja solidariedade em seu Natal! Que Jesus seja o elo entre nós humanos de todas as raças, cores e línguas. Deus te abençoe neste Natal!

 

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

18/12/2022

 

 

 

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