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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

SERMÕES 183 - JUSTIFICAÇÃO PELA GRAÇA MEDIANTE A FÉ

 JUSTIFICAÇÃO PELA GRAÇA MEDIANTE A FÉ

 

Muitas de nossas doutrinas bíblicas têm sido distorcidas ao longo dos anos, entre elas, a doutrina da “Justificação Pela Graça Mediante a Fé” – tema de nossa mensagem de hoje.

Esta doutrina tem sido atacada pelos católicos ao longo da historia e hoje ela tem perdido força até mesmo no meio protestante e ignorada completamente pelas igrejas ditas evangélicas de nossos dias.

Procurarei nesta reflexão resgatar a força desta doutrina tão defendida pelos reformadores e que sem dúvida foi a grande causadora da Reforma Protestante do séc. XVI, para isso eu os convida a leitura do texto de Romanos 3.21-31.

21 Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, 22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, 23 pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, 24 sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. 25 Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; 26 mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. 27 Onde está, então, o motivo de vanglória? É excluído. Baseado em que princípio? No da obediência à lei? Não, mas no princípio da fé. 28 Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei. 29 Deus é Deus apenas dos judeus? Ele não é também o Deus dos gentios? Sim, dos gentios também, 30 visto que existe um só Deus, que pela fé justificará os circuncisos e os incircuncisos. 31 Anulamos então a lei pela fé? De maneira nenhuma! Pelo contrário, confirmamos a lei. (Romanos 3.21-31)

O apóstolo Paulo escreveu esta carta a Igreja de Roma aproximadamente no ano 57 d.C.

Roma era a capital do Império Romano. A riqueza de Roma saltava aos olhos. O seu comércio era algo extraordinário. A cidade de Roma era uma grande consumidora de mercadorias e especiarias de forma geral. Por isso Roma atraia todo tipo de pessoas.

Com o passar dos anos, Roma se tornou uma cidade superpovoada e o medo foi tomando conta de Roma. Sua população escrava e de pobres crescia assustadoramente. Logo, os problemas sociais começaram a surgir na capital do Império. Para diminuir o excesso de população muitos pobres e escravos eram lançados nas arenas onde morriam nas mãos de gladiadores ou se tornavam alimentos para ferozes leões.

Esta carta é o manifesto mais completo e coerente do evangelho que se encontra no Novo Testamento. Através da carta de Paulo aos Romanos podemos concluir que a Igreja de Roma era frequentada por ricos e pobres, escravos e livres, judeus e gentios.

O texto que lemos trata do discurso que Paulo faz em sua carta sobre o tema da justificação pela graça mediante a fé. Primeiro ponto que iremos destacar é que a justificação é um ato da justiça de Deus.

 

1o - É UM ATO DA JUSTIÇA DE DEUS

21 Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, 22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, (Romanos 3.21,22)

O apóstolo Paulo afirma que Deus proveu aos homens uma justiça que independe da lei, isto é, ela atua sem a lei. Ele está se referindo a justificação pela fé em Jesus Cristo. Este novo caminho não é um caminho desconhecido, pelo contrário, este caminho já era testemunhado pela Lei e pelos profetas.

Paulo começa sua carta aos Romanos condenando toda a humanidade, desde os tempos da criação do mundo, por sua ingratidão, visto que não há quem reconheça a Deus na excelência de suas obras, pois estas revelam o seu poder e a sua glória.

18 Portanto, a ira de Deus é revelada do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, 19 pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. (Romanos 1.18,19)

Paulo estava falando a homens que não receberam a revelação da Lei e que estavam adorando a criação, em vez de adorarem ao criador. Segundo ele estes cometeram uma injustiça ao adorarem a criação ao invés do criador.

O apóstolo também condena os judeus que confiavam na lei, mas não conseguiam cumpri-la e por ela eram condenados.

17 Ora, você que leva o nome de judeu, apóia-se na lei e orgulha-se em Deus; [...] 23 Você, que se orgulha na lei, desonra a Deus, desobedecendo à lei? 24 Como está escrito: "O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês". (Romanos 2.17,23,24)

Tantos os gentios como os judeus são colocados pelo apóstolo na mesma situação de condenação diante de Deus. Paulo conclui que todos os homens pecaram e carecem da glória de Deus, conforme podemos ler em Romanos 3.23.

23 pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, (Romanos 3.23)

Ao homem não resta nada a fazer, em face de sua culpa; ele esta impossibilitado de se salvar ou de se auto-justificar; só lhe resta aguardar o julgamento, que é a consequência inevitável do pecado no mundo de Deus. Diante esta incapacidade de se auto-justificar, é que se manifesta a graça de Deus em Cristo.

Portanto é Deus quem nos justifica, conforme lemos em Romanos 8:33.

33 Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. (Romanos 8.33)

Somente Ele pode nos justificar. Deus o faz livremente não por causa de nossas obras, mas por causa da sua graça manifestada em Cristo Jesus. A justificação pela fé é um ato da justiça de Deus aos homens.

O verbo justificar no grego é δικαιόω (dikaioō) construído sobre a mesma raiz de justo (δικαιος – dikaios) que significa ‘absolver’, ‘declarar justo’. A justificação é um ato próprio do juiz – que tem o poder de tornar alguém justo.

A ideia principal, em justificação, é a declaração de Deus, o juiz justo, de que o homem que crê em Cristo, embora possa ser pecador, é justo – é visto como sendo justo, porque, em Cristo, ele chegou a um relacionamento justo com Deus.

Para Paul Tillich a justificação é o ato eterno de Deus mediante o qual ele aceita como não alienados aqueles que na verdade se acham alienados dele pela culpa.

O teólogo alemão Paul Tillich, falecido no ano de 1965, apelava para que os irmãos ensinassem sobre a “justificação pela graça mediante a fé”, sem abreviarem este termo como tem sido frequentemente feito para “justificação pela fé”. Ele acreditava que ao fazermos isto acabávamos retirando a causa de nossa aceitação perante Deus. Segundo ele não somos aceitos por Deus causa da nossa fé, mas somos aceitos por causa da Sua graça manifestada em Jesus Cristo. A fé é a nossa resposta de que aceitamos a graça que nos foi oferecido em Cristo.

Segundo ponto que quero destacar é que a justificação é um ato da justiça de Deus que só pode ser encontrada em Cristo.


2o - SÓ PODE SER ENCONTRADA EM CRISTO

22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, 23 pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, 24 sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. (Romanos 3.22-24)

Visto que todos os homens são pecadores, todas as suas obras são maculadas, e a isso, segue-se que todos os homens se acham destituídos de justiça inerente. Nenhum homem consegue se auto-justificar perante o tribunal de Deus, estão todos condenados a morte, pois este é o salário do pecado.

Deus sendo rico em misericórdia desejava salvar o homem, mas Ele precisava satisfazer a lei. A lei não podia ser quebrada sem que o infrator sofresse a sua pena. Os pecadores estão presos à penalidade da lei. Não podem simplesmente sair ilesos, pois isso seria passar por cima da lei e seria contra o próprio caráter de Deus. A lei deve ser cumprida, suas exigências pagas e sua dignidade respeitada. Deus não pode abolir, ignorar ou deliberadamente passar por cima da constituição moral das coisas que estabeleceu.

Paulo tentou de todos os modos mostrar que o homem nada podia fazer de absoluto para ajudar alcançar sua salvação.

De tal forma que é indispensável que Cristo venha em nosso auxílio, pois Ele é o único inerentemente justo e capaz de fazer-nos justos, transferindo para nós sua própria justiça. Jesus Cristo é a manifestação da justiça de Deus aos homens.

Louis Berkhof define a justificação como um ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são satisfeitas com vistas ao pecador; isto significa, que o caminho para que o homem seja aceito por Deus, só pode ser encontrado em Cristo. 

O apóstolo Paulo também demonstra sucintamente que esta justificação só pode ser encontrada em Cristo. Jesus é o centro da ‘justificação pela graça mediante a fé’. Ele é o substituto que tomou o nosso lugar, levou o nosso pecado, morreu a nossa morte, sofreu a nossa penalidade.

Através deste novo caminho tanto judeus, como gentios podem ser postos em correta relação com Deus, podem ter a certeza de serem aceitos por Ele e de receberem Seu perdão gratuito.

É Cristo que Deus expôs diante de nossos olhos como Aquele cuja morte sacrificial fez expiação de nossa culpa e retirou a iminente retribuição merecida por nossa rebelião contra Ele. O que Cristo obteve para nós, podemos tornar efetivamente nosso pela fé.

Terceiro ponto que desejo destacar é que a justificação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo nos proporciona bênçãos eternas.

 

3o – PROPORCIONA BÊNÇÃOS ETERNAS

Vou enumerar algumas bênçãos que recebemos por meio da justificação pela graça mediante a fé. Esta ordem citada não representa graus das bênçãos.

A primeira bênção é a reconciliação com Deus 10 Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida! (Romanos 5.10). A reconciliação (Katalasso, katallage) é uma doutrina estreitamente aliada à da justificação. A justificação é a absolvição do pecador, de todo pecado; a reconciliação é a restauração do homem justificado ao relacionamento com Deus. Deixamos de ser inimigos de Deus e nos tornamos filhos de Deus por meio de Jesus Cristo.

A segunda bênção é o perdão – 1 Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, (Romanos 8.1). Através da justificação deixamos de ser inimigos de Deus e passamos a ter livre acesso a Ele. A justificação nos absolveu de nossos pecados e nos deu o perdão de Deus. Isto significa que estamos perdoados, não precisamos mais pagar a penalidade imposta por nossos pecados. Não há condenação para nós que estamos em Cristo Jesus. Estamos perdoados.

A terceira bênção é a paz1 Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, (Romanos 5.1). A ira de Deus, que transformava o homem em seu inimigo foi retirada por meio da justificação. O homem foi absolvido, seu relacionamento foi restaurado e agora temos paz com Deus. A paz esta ligada com o estado que o homem se encontra diante Deus. A justificação restabeleceu a paz do homem com Deus e de Deus com o homem.

A quarta bênção é a regeneração de nosso ser – 25 Aspergirei água pura sobre vocês, e vocês ficarão puros; eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos. 26 Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. 27 Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis. (Ezequiel 36.25-27). A justificação abriu a porta para o cumprimento da promessa de Deus anunciada pelo profeta Ezequiel.

Esta promessa esta relacionada com o novo nascimento. A regeneração do nosso ser significa uma transformação radical do nosso ser, operada pelo Espírito Santo de Deus. Antes da cruz o homem se encontrava ‘morto’ espiritualmente por causa da lei do pecado que operava sobre todos os homens. O homem vivia para o pecado, escravo de sua própria carne e morto para Deus. A cruz mudou esta história. Nela o homem foi justificado tornando possível que o homem antes pecador e inimigo de Deus, se tornasse a morada de Deus.

Todo o interior do homem, todas as suas faculdades e até os alicerces de sua personalidade são transformados pela regeneração. A regeneração é um nascer de novo, nascemos no espírito e agora somos guiados pelo Espírito de Deus.  Por meio deste novo nascimento somos recebidos no Reino de Deus como filhos adotados por meio de Cristo.

 

CONCLUSÃO

Quero encerrar lembrando aos irmãos que a justificação pela graça mediante a fé, é um ato da justiça de Deus, pois Deus para poder salvar o pecador precisava satisfazer sua justiça, (somente Deus poderia salvar o homem de sua ganância, cobiça, de sua desumanização, que o leva cada vez mais a morte, pois todos pecaram e todos carecem da glória de Deus); esta justificação só pode ser encontrada em Cristo, pois somente Jesus Cristo sendo Deus e homem pôde satisfazer a justiça de Deus (e somente em Jesus, o homem, pode olhar um para o outro sem distinção de classe social, cor e sexo, todos se tornam iguais perante Deus, não existe mais escravos e livres, pobres e ricos, judeus e gentios. Em Cristo somos todos um), e esta justificação nos proporciona bênçãos eternas, bênçãos essas que começamos a viver hoje, aqui e agora por meio de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

15/01/2023

 

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