A TEOLOGIA QUEER E A ÉTICA DO REINO DE DEUS
Série: A Ética do Reino de Deus
Durante
este mês de Agosto estaremos refletindo na série “A Ética do Reino de Deus”. O
nosso tema de hoje é “A Teologia Queer e a Ética do Reino de Deus”. Eu gostaria
de começar esta série de mensagens definindo primeiramente o que é ética e o
que é a Teologia Queer.
1 – O QUE É ÉTICA?
A
palavra “ética” é de origem grega, de ethos, e significa hábitos, caráter.
A ética é uma área da filosofia dedicada às ações e aos comportamentos humanos,
com foco na filosofia moral.
Ø
Acredito que podemos
definir a ética como o conjunto de regras e valores que fundamentam o
comportamento moral de um grupo ou de um indivíduo. Esse conjunto de regras e
valores morais definem quais atitudes são consideradas certas ou erradas.
Portanto
quando falamos da ética do Reino de Deus estamos falando do conjunto de regras
e valores morais que definem quais atitudes são consideradas certas ou erradas
aos olhos de Deus.
A importância do estudo da ética é para definirmos este conjunto de regras e valores que irão fundamentar nossas ações e escolhas na vida. Como cristãos precisamos fundamentar nossas ações e escolhas a partir da ética do Reino de Deus.
2 – O QUE É A TEOLOGIA
QUEER?
A palavra “queer” tem se tornado cada vez mais presente em nosso país. Queer
é uma palavra de origem inglesa, cuja tradução possível seria “estranho”. No
século XVIII, o termo nomeava aquilo que era “inútil, malfeito, falso,
excêntrico”, tinha uma conotação negativa. A palavra queer passou a ser usada
como uma forma de insulto ao estranho. A bicha, o sapatão, o baitola eram
insultados com este termo na Inglaterra. Na década de 1980, o termo, até
então usado como xingamento, foi abraçado pelos movimentos sociais e pelos acadêmicos
em uma forma subversiva. Assim, quando uma pessoa LGBTQIA+ afirma-se
queer, ela não está falando de sua identidade, mas de seu compromisso em
subverter, de transformar a realidade de aversão e repúdio aos dissidentes
sexuais e de gênero, mostrando que o mundo não é feito só de pessoas que se
relacionam com o sexo oposto, mas sim de uma variedade de expressões de
gênero e sexualidade. Eles têm feito isso através das redes sociais, do
cinema, da televisão, do teatro e também dos poderes governamentais.
Algumas dessas pessoas que se denominam queer levaram essa ideologia
para o campo teológico cristão, buscando apresentar uma nova compreensão
bíblica a respeito da sexualidade, visando autenticarem suas opções sexuais
pecaminosas. Essa nova leitura bíblica a respeito da sexualidade tem
fundamentado as igrejas chamadas inclusivas na aceitação das relações
homossexuais como algo normal e aprovada por Deus. Essa leitura bíblica recebeu
pelos acadêmicos o nome de Teologia Queer.
Ø Portanto a teologia queer é uma nova leitura bíblica a respeito da sexualidade
proposta pelo grupo LGBTQIA+ com o fim de desconstruir a teologia reformada tradicional.
Podemos dizer que uma pessoa que se considera queer é uma pessoa que
primeiramente se considera “estranha” diante as demais pessoas, ela aceita este
rótulo; em segundo lugar é uma pessoa que se dispôs a transgredir os padrões
morais já estabelecidos; em terceiro lugar ela busca normatizar seus próprios
padrões morais desconstruindo os padrões anteriormente estabelecidos, ainda que
seus padrões não tenham fundamentos científicos, humanos e nem éticos.
Uma vez definidos o que é ética e o que é a teologia queer vamos
refletir na proposta de nosso tema. Este é o nosso terceiro ponto: A teologia
queer e a ética do Reino de Deus.
3 - A TEOLOGIA QUEER
E A ÉTICA DO REINO DE DEUS
A teologia queer tem atuado de forma a desconstruir os fundamentos
bíblicos e cristãos a respeito da família e da sexualidade. Eles forçam uma
leitura bíblica que é incapaz de ser sustentada pela ciência e até mesmo pelas
leis estabelecidas por Deus na construção biológica dos seres humanos. A Bíblia
afirma que Deus criou homem e mulher, macho e fêmea, como podemos ler em
Gênesis 1.27.
27 Criou Deus o homem (Adam - seres
humanos) à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem (zākār) e mulher (nᵉqēbāh) os criou. (Gênesis 1.27)
A palavra
hebraica “zakar”, usada neste verso para descrever o homem significa lembrar, trazer
a lembrança; contudo segundo o rabino Eugenio Zolli[1], professor
de língua e literatura hebraica, falecido em 1956, o termo zakar nesta passagem
significa pontudo, enquanto mulher “Neqebah”, se origina do verbo naqab que
significa perfurar, trazendo a ideia de que a mulher é perfurada ou possuidora
de um buraco.
Independentemente
de como você traduza a palavra zakar, o texto está claramente dizendo que Deus
criou apenas dois gêneros humanos: homem e mulher. A outra afirmação clara
deste texto é que a mulher diferentemente do homem é furada, possuidora de um
buraco. O texto se refere claramente ao local onde o homem deve guardar seu
órgão genital externo. A mulher foi criada para receber o órgão sexual pontudo
do homem. Dessa forma a família é construída.
Mesmo que você
não creia em Deus, não creia na Bíblia como Palavra de Deus, antropologicamente
e biologicamente a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo é uma aberração.
Não existe nada de natural nisso! Da mesma forma o sexo anal entre homens e
mulheres é uma aberração, pois o órgão localizado na parte de trás do homem e
da mulher foi criado e preparado para sair às fezes e não receber o órgão
genital masculino.
Relações sexuais
entre pessoas do mesmo sexo fere a ética do Reino de Deus estabelecida no ato
da criação. Relações sexuais de pessoas do mesmo gênero sexual é um
comportamento imoral e pecaminoso, pois fere também a ética natural e orgânica estabelecida
pela própria constituição física humana.
A Bíblia nos
ensina que o pecado não só trouxe morte espiritual e física a nós seres humanos,
como também trouxe a morte psicossomática.
Com o pecado o corpo e a alma deixaram de viver em uma unidade perfeita.
Eu gostaria de refletir um pouco sobre isso com vocês - o surgimento do caos
interior humano.
4 – O SURGIMENTO DO CAOS INTERIOR HUMANO
A verdade é que desde a queda do homem no Éden todos nós seres humanos nascemos
com nosso interior devastado pelo caos. O pecado fez isso conosco.
Antes de Adão e Eva comerem do fruto da árvore, isto é, antes deles
tomarem a decisão de serem autônomos, independentes de Deus, eles não percebiam
a nudez entre eles, pois não havia nudez para ser percebida. Eles eram seres
íntegros, uma unidade perfeita consigo mesmos e entre eles. Assim que comeram
do fruto da árvore isso mudou conforme lemos em Gênesis 3.7.
7 Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que
estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se. (Gênesis 3.7)
O homem interior de Adão e a mulher interior de Eva passaram a olhar para
os seus corpos com estranhamento. Houve uma quebra da unidade do homem interior
com o seu corpo. Estou chamando esta quebra de morte psicossomática. O homem
deixa de ser um ser inteiro, íntegro. Alma e corpo passam a viver em desarmonia.
O homem, em
função do pecado, sofre da falta de unidade no que tange aos aspectos
imateriais de seu ser. Por isso encontramos constantemente pessoas, sejam elas
homossexuais ou heterossexuais insatisfeitas com seus corpos.
A diferença
entre o LGBTQIA+ e o heterossexual é que enquanto o hétero deseja melhorar o
nariz, a orelha, o bumbum, o outro grupo quer trocar de sexo. Eles rejeitam não
somente o corpo, eles rejeitam o seu gênero dentro da espécie humana.
O que este grupo
Queer não quer aceitar hoje é a verdade que o problema não está no corpo deles,
não está no externo, e sim no homem interior. Eles não aceitam que seu homem
interior precisa ser tratado, assim como o meu homem interior precisa e o seu
também.
O tratamento que
eles precisam é o mesmo que nós precisamos, é uma reconstrução de nosso ser a
partir de um encontro real com Jesus Cristo. Toda crise no campo da identidade
exige que busquemos conhecer mais os atributos de Deus e abandonemos o nosso
conhecimento próprio. Precisamos deixar de buscar em nós mesmos a resposta e
buscarmos em Deus. A reconstrução do nosso ser só é possível em Jesus Cristo
através do poder amoroso do Espírito Santo.
A reconstrução
do nosso ser não é instantânea, não ocorre imediatamente ao ato de nossa
conversão a Jesus Cristo. Ela é um processo longo, que pode durar toda a nossa
vida. Para alguns este processo é mais dolorido do que para outros.
Como a igreja
deve participar da reconstrução do ser humano que abraçou a ideologia Queer?
Vou tentar responder esta pergunta em nosso próximo e último ponto.
5 – A IGREJA E A RECONSTRUÇÃO DO GÊNERO MASCULINO
E FEMININO
Confesso que não
é fácil respondermos a pergunta como a igreja deve participar da reconstrução
do ser humano que abraçou a ideologia Queer? Creio que primeiramente eu preciso
fazer duas considerações sobre a realidade da igreja na relação com os adeptos
da ideologia Queer, os LGBTQUIA+.
5.1 – Duas Considerações
Primeira consideração: Eu, Cornélio acredito que muitos
crentes estão escondidos no armário. Alguns verdadeiramente convertidos a
Jesus, outros não. Estão escondidos porque eles têm medo do julgamento dos
irmãos, medo de serem rejeitados e até excluídos da igreja.
Travam uma luta
gigantesca sozinhos, porque eles têm medo e até vergonha de se exporem. Estão
carregando os seus pesados fardos sem o apoio dos irmãos. Se você está assim,
busque alguém com quem possa abrir seu coração, com quem você tenha uma aliança
e sabe que será abraçado e orientado com amor.
Este medo é algo
que nós igreja precisamos ajudá-los a vencer. Precisamos praticar atitudes que os
façam sentirem-se seguros e amados dentro da igreja.
Segunda consideração: É fato que existem muitos crentes
assumidos homossexuais lutando contra o desejo homoafetivo, o desejo por uma
pessoa do mesmo sexo. Estes travam uma luta terrível, pois desejam viver em
santidade, em conformidade com a Palavra de Deus, mas acordam todos os dias
desejando o que não se pode desejar, querendo amar o que não podem amar.
Precisam matar a si mesmos todos os dias para agradarem a Deus.
Embora todos nós
cristãos travamos uma luta contra nossa natureza pecaminosa, contra os desejos
de nossa carne, a luta dos homessexuais é mais intensa, porque colocamos sobre
eles um peso maior, uma exigência maior de mudança do que colocamos sobre o
fofoqueiro, o beberrão, o glutão, o idólatra, o avarento, o mentiroso, o
dissimulado, o hipócrita, etc. Estes outros pecadores vivem no pecado e são
tratados na igreja como santos.
Os homossexuais
são normalmente tratados a distância pela igreja, como se tivessem alguma
doença transmissível. Parece que todos estão esperando descobrir uma falha da
parte deles para exclui-los da igreja. Além da luta que travam internamente,
eles lutam para serem aceitos e amados como ser humano dentro da igreja. Isto
os leva a uma angústia profunda fazendo com que muitos deles abandonem a fé ou
abracem a teologia Queer.
Assim como os
crentes que ainda estão no armário, com relação a estes que já saíram do
armário precisamos praticar atitudes que os façam sentirem-se seguros e amados
dentro da igreja. Não estamos falando de aceitar o pecado, mas de ajudá-los a
levarem o fardo.
Feitas as duas
considerações, vou encerrar nossa reflexão com duas ações que acredito que a
Igreja deva praticar para a reconstrução do gênero masculino e feminino.
5.2 – Duas Ações
Primeira ação: Resgatar a antropologia bíblica. Se desejamos
reconstruir o ser humano masculino ou feminino daqueles que foram adeptos da
ideologia Queer, temos que levá-los a resgatarem quem são a partir da
perspectiva de Deus, da Palavra de Deus.
Estou falando de
reconstrução porque estas pessoas não nasceram homossexuais, travestis, etc.
Quando elas nasceram não tinham desejo algum por sexo, não tinham desejo por
relacionamentos homoafetivos ou heteroafetivos. Ninguém nasce com desejo. O
desejo é construído ao longo dos anos. Portanto pode ser desconstruído. É
trabalhoso, pois exige uma mudança de cosmovisão.
A cultura de
nossos dias está trabalhando arduamente para despertar o desejo homoafetivo nas
crianças. Não é que elas nasceram com esse desejo, elas têm sido despertadas
para esse desejo.
Portanto
resgatar e reafirmar a antropologia bíblica ajudará os homossexuais a se
conhecerem a partir de Deus, ao mesmo tempo protegerá nossos filhos, nossos
jovens da ideologia Queer.
Segunda ação: Levar as pessoas a se relacionarem com Deus
possuídas de temor. É preciso se relacionar com Deus com o respeito exigido por
Ele. Deus espera que tenhamos temor! Não estou falando de temor como medo. Deus
não quer que você tenha medo Dele. Ele quer que você se aproxime Dele.
Deus espera que
tenhamos temor como fruto de uma reverência profunda por reconhecê-Lo como um
Deus santo e amoroso. Um temor que nasce pela consciência de quem Deus é e de
quem somos. Um temor que é fruto da consciência de que Deus é tão amoroso que mesmo
diante as nossas dúvidas, temores, traumas e pecados, ainda se importa conosco.
Este temor reverencial só pode ser construído através de uma relação de conhecimento
profundo de Deus por meio de Jesus Cristo. Um temor que brota de um espírito
que deseja adorar em verdade. Este temor só é possível acontecer a partir do
momento que passamos a buscar Deus e Sua justiça de todo coração. Em Provérbios
2.1-5 lemos:
1 Meu filho, se você
aceitar as minhas palavras e guardar no coração os meus mandamentos; 2 se
der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento; 3 se
clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto, 4 se
procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um
tesouro escondido, 5 então você entenderá o que é temer ao Senhor e achará o
conhecimento de Deus. (Provérbios 2.1-5)
Infelizmente nós
cristãos incorporamos a religião como parte de nossa vida social. Ser cristão,
frequentar uma igreja para nós brasileiros é como ser um estudante, é como ir
ao cinema, é parte de nossa vida social. Dá a nós um sentido de pertencimento
social. Entretanto vivemos um cristianismo ausente de temor a Deus.
Conversões
genuínas e ensinos genuínos produziram o temor correto que levarão os novos
discípulos de Jesus, tenham sido eles anteriormente ladrões, beberrões,
glutões, fofoqueiros, avarentos, idólatras, mentirosos ou adeptos da ideologia
Queer a tomarem cada um a sua cruz e viverem conforme a ética do Reino de Deus.
Encerro esta
reflexão exortando-os a serem mais tolerantes com todos aqueles que fazem parte
do grupo LGBTQIA+ que estão em busca da reconstrução de seu ser. Não os
julguem, estendam as mãos para eles e lhes ajudem a trilharem o caminho de
Cristo. No apoio da reconstrução do ser do masculino e feminino não percam de
vista que Jesus é o único referencial para a construção do ser. Resgatem o
ensino sobre a criação. Ensinem aos seus filhos sobre a criação bíblica e os
levem a viverem uma comunhão real com Deus fundamentada no temor como fruto de
um relacionamento correto com Cristo Jesus. Deus os abençoe!
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
06/08/2023
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