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terça-feira, 8 de agosto de 2023

SERMÕES 200 - A TEOLOGIA QUEER E A ÉTICA DO REINO DE DEUS

 A TEOLOGIA QUEER E A ÉTICA DO REINO DE DEUS

Série: A Ética do Reino de Deus

 

Durante este mês de Agosto estaremos refletindo na série “A Ética do Reino de Deus”. O nosso tema de hoje é “A Teologia Queer e a Ética do Reino de Deus”. Eu gostaria de começar esta série de mensagens definindo primeiramente o que é ética e o que é a Teologia Queer.

 

1 – O QUE É ÉTICA?

A palavra “ética” é de origem grega, de ethos, e significa hábitos, caráter. A ética é uma área da filosofia dedicada às ações e aos comportamentos humanos, com foco na filosofia moral.

Ø Acredito que podemos definir a ética como o conjunto de regras e valores que fundamentam o comportamento moral de um grupo ou de um indivíduo. Esse conjunto de regras e valores morais definem quais atitudes são consideradas certas ou erradas.

Portanto quando falamos da ética do Reino de Deus estamos falando do conjunto de regras e valores morais que definem quais atitudes são consideradas certas ou erradas aos olhos de Deus.

A importância do estudo da ética é para definirmos este conjunto de regras e valores que irão fundamentar nossas ações e escolhas na vida. Como cristãos precisamos fundamentar nossas ações e escolhas a partir da ética do Reino de Deus.

 

2 – O QUE É A TEOLOGIA QUEER?

A palavra “queer” tem se tornado cada vez mais presente em nosso país. Queer é uma palavra de origem inglesa, cuja tradução possível seria “estranho”. No século XVIII, o termo nomeava aquilo que era “inútil, malfeito, falso, excêntrico”, tinha uma conotação negativa. A palavra queer passou a ser usada como uma forma de insulto ao estranho. A bicha, o sapatão, o baitola eram insultados com este termo na Inglaterra. Na década de 1980, o termo, até então usado como xingamento, foi abraçado pelos movimentos sociais e pelos acadêmicos em uma forma subversiva. Assim, quando uma pessoa LGBTQIA+ afirma-se queer, ela não está falando de sua identidade, mas de seu compromisso em subverter, de transformar a realidade de aversão e repúdio aos dissidentes sexuais e de gênero, mostrando que o mundo não é feito só de pessoas que se relacionam com o sexo oposto, mas sim de uma variedade de expressões de gênero e sexualidade. Eles têm feito isso através das redes sociais, do cinema, da televisão, do teatro e também dos poderes governamentais.

Algumas dessas pessoas que se denominam queer levaram essa ideologia para o campo teológico cristão, buscando apresentar uma nova compreensão bíblica a respeito da sexualidade, visando autenticarem suas opções sexuais pecaminosas. Essa nova leitura bíblica a respeito da sexualidade tem fundamentado as igrejas chamadas inclusivas na aceitação das relações homossexuais como algo normal e aprovada por Deus. Essa leitura bíblica recebeu pelos acadêmicos o nome de Teologia Queer.

Ø Portanto a teologia queer é uma nova leitura bíblica a respeito da sexualidade proposta pelo grupo LGBTQIA+ com o fim de desconstruir a teologia reformada tradicional.

Podemos dizer que uma pessoa que se considera queer é uma pessoa que primeiramente se considera “estranha” diante as demais pessoas, ela aceita este rótulo; em segundo lugar é uma pessoa que se dispôs a transgredir os padrões morais já estabelecidos; em terceiro lugar ela busca normatizar seus próprios padrões morais desconstruindo os padrões anteriormente estabelecidos, ainda que seus padrões não tenham fundamentos científicos, humanos e nem éticos.

Uma vez definidos o que é ética e o que é a teologia queer vamos refletir na proposta de nosso tema. Este é o nosso terceiro ponto: A teologia queer e a ética do Reino de Deus.

 

3 - A TEOLOGIA QUEER E A ÉTICA DO REINO DE DEUS

A teologia queer tem atuado de forma a desconstruir os fundamentos bíblicos e cristãos a respeito da família e da sexualidade. Eles forçam uma leitura bíblica que é incapaz de ser sustentada pela ciência e até mesmo pelas leis estabelecidas por Deus na construção biológica dos seres humanos. A Bíblia afirma que Deus criou homem e mulher, macho e fêmea, como podemos ler em Gênesis 1.27.

27 Criou Deus o homem (Adam - seres humanos) à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem (zākār) e mulher (nᵉqēbāh) os criou. (Gênesis 1.27)

A palavra hebraica “zakar”, usada neste verso para descrever o homem significa lembrar, trazer a lembrança; contudo segundo o rabino Eugenio Zolli[1], professor de língua e literatura hebraica, falecido em 1956, o termo zakar nesta passagem significa pontudo, enquanto mulher “Neqebah”, se origina do verbo naqab que significa perfurar, trazendo a ideia de que a mulher é perfurada ou possuidora de um buraco.

Independentemente de como você traduza a palavra zakar, o texto está claramente dizendo que Deus criou apenas dois gêneros humanos: homem e mulher. A outra afirmação clara deste texto é que a mulher diferentemente do homem é furada, possuidora de um buraco. O texto se refere claramente ao local onde o homem deve guardar seu órgão genital externo. A mulher foi criada para receber o órgão sexual pontudo do homem. Dessa forma a família é construída.

Mesmo que você não creia em Deus, não creia na Bíblia como Palavra de Deus, antropologicamente e biologicamente a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo é uma aberração. Não existe nada de natural nisso! Da mesma forma o sexo anal entre homens e mulheres é uma aberração, pois o órgão localizado na parte de trás do homem e da mulher foi criado e preparado para sair às fezes e não receber o órgão genital masculino.

Relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo fere a ética do Reino de Deus estabelecida no ato da criação. Relações sexuais de pessoas do mesmo gênero sexual é um comportamento imoral e pecaminoso, pois fere também a ética natural e orgânica estabelecida pela própria constituição física humana.

A Bíblia nos ensina que o pecado não só trouxe morte espiritual e física a nós seres humanos, como também trouxe a morte psicossomática. Com o pecado o corpo e a alma deixaram de viver em uma unidade perfeita. Eu gostaria de refletir um pouco sobre isso com vocês - o surgimento do caos interior humano.

 

4 – O SURGIMENTO DO CAOS INTERIOR HUMANO

A verdade é que desde a queda do homem no Éden todos nós seres humanos nascemos com nosso interior devastado pelo caos. O pecado fez isso conosco.

Antes de Adão e Eva comerem do fruto da árvore, isto é, antes deles tomarem a decisão de serem autônomos, independentes de Deus, eles não percebiam a nudez entre eles, pois não havia nudez para ser percebida. Eles eram seres íntegros, uma unidade perfeita consigo mesmos e entre eles. Assim que comeram do fruto da árvore isso mudou conforme lemos em Gênesis 3.7.

7 Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se. (Gênesis 3.7)

O homem interior de Adão e a mulher interior de Eva passaram a olhar para os seus corpos com estranhamento. Houve uma quebra da unidade do homem interior com o seu corpo. Estou chamando esta quebra de morte psicossomática. O homem deixa de ser um ser inteiro, íntegro. Alma e corpo passam a viver em desarmonia.

O homem, em função do pecado, sofre da falta de unidade no que tange aos aspectos imateriais de seu ser. Por isso encontramos constantemente pessoas, sejam elas homossexuais ou heterossexuais insatisfeitas com seus corpos.

A diferença entre o LGBTQIA+ e o heterossexual é que enquanto o hétero deseja melhorar o nariz, a orelha, o bumbum, o outro grupo quer trocar de sexo. Eles rejeitam não somente o corpo, eles rejeitam o seu gênero dentro da espécie humana.

O que este grupo Queer não quer aceitar hoje é a verdade que o problema não está no corpo deles, não está no externo, e sim no homem interior. Eles não aceitam que seu homem interior precisa ser tratado, assim como o meu homem interior precisa e o seu também.

O tratamento que eles precisam é o mesmo que nós precisamos, é uma reconstrução de nosso ser a partir de um encontro real com Jesus Cristo. Toda crise no campo da identidade exige que busquemos conhecer mais os atributos de Deus e abandonemos o nosso conhecimento próprio. Precisamos deixar de buscar em nós mesmos a resposta e buscarmos em Deus. A reconstrução do nosso ser só é possível em Jesus Cristo através do poder amoroso do Espírito Santo.

A reconstrução do nosso ser não é instantânea, não ocorre imediatamente ao ato de nossa conversão a Jesus Cristo. Ela é um processo longo, que pode durar toda a nossa vida. Para alguns este processo é mais dolorido do que para outros.

Como a igreja deve participar da reconstrução do ser humano que abraçou a ideologia Queer? Vou tentar responder esta pergunta em nosso próximo e último ponto.

 

5 – A IGREJA E A RECONSTRUÇÃO DO GÊNERO MASCULINO E FEMININO

Confesso que não é fácil respondermos a pergunta como a igreja deve participar da reconstrução do ser humano que abraçou a ideologia Queer? Creio que primeiramente eu preciso fazer duas considerações sobre a realidade da igreja na relação com os adeptos da ideologia Queer, os LGBTQUIA+.

 

5.1 – Duas Considerações

Primeira consideração: Eu, Cornélio acredito que muitos crentes estão escondidos no armário. Alguns verdadeiramente convertidos a Jesus, outros não. Estão escondidos porque eles têm medo do julgamento dos irmãos, medo de serem rejeitados e até excluídos da igreja.

Travam uma luta gigantesca sozinhos, porque eles têm medo e até vergonha de se exporem. Estão carregando os seus pesados fardos sem o apoio dos irmãos. Se você está assim, busque alguém com quem possa abrir seu coração, com quem você tenha uma aliança e sabe que será abraçado e orientado com amor.

Este medo é algo que nós igreja precisamos ajudá-los a vencer. Precisamos praticar atitudes que os façam sentirem-se seguros e amados dentro da igreja.

Segunda consideração: É fato que existem muitos crentes assumidos homossexuais lutando contra o desejo homoafetivo, o desejo por uma pessoa do mesmo sexo. Estes travam uma luta terrível, pois desejam viver em santidade, em conformidade com a Palavra de Deus, mas acordam todos os dias desejando o que não se pode desejar, querendo amar o que não podem amar. Precisam matar a si mesmos todos os dias para agradarem a Deus.

Embora todos nós cristãos travamos uma luta contra nossa natureza pecaminosa, contra os desejos de nossa carne, a luta dos homessexuais é mais intensa, porque colocamos sobre eles um peso maior, uma exigência maior de mudança do que colocamos sobre o fofoqueiro, o beberrão, o glutão, o idólatra, o avarento, o mentiroso, o dissimulado, o hipócrita, etc. Estes outros pecadores vivem no pecado e são tratados na igreja como santos.

Os homossexuais são normalmente tratados a distância pela igreja, como se tivessem alguma doença transmissível. Parece que todos estão esperando descobrir uma falha da parte deles para exclui-los da igreja. Além da luta que travam internamente, eles lutam para serem aceitos e amados como ser humano dentro da igreja. Isto os leva a uma angústia profunda fazendo com que muitos deles abandonem a fé ou abracem a teologia Queer.

Assim como os crentes que ainda estão no armário, com relação a estes que já saíram do armário precisamos praticar atitudes que os façam sentirem-se seguros e amados dentro da igreja. Não estamos falando de aceitar o pecado, mas de ajudá-los a levarem o fardo.

Feitas as duas considerações, vou encerrar nossa reflexão com duas ações que acredito que a Igreja deva praticar para a reconstrução do gênero masculino e feminino.

 

5.2 – Duas Ações

Primeira ação: Resgatar a antropologia bíblica. Se desejamos reconstruir o ser humano masculino ou feminino daqueles que foram adeptos da ideologia Queer, temos que levá-los a resgatarem quem são a partir da perspectiva de Deus, da Palavra de Deus.

Estou falando de reconstrução porque estas pessoas não nasceram homossexuais, travestis, etc. Quando elas nasceram não tinham desejo algum por sexo, não tinham desejo por relacionamentos homoafetivos ou heteroafetivos. Ninguém nasce com desejo. O desejo é construído ao longo dos anos. Portanto pode ser desconstruído. É trabalhoso, pois exige uma mudança de cosmovisão.

A cultura de nossos dias está trabalhando arduamente para despertar o desejo homoafetivo nas crianças. Não é que elas nasceram com esse desejo, elas têm sido despertadas para esse desejo.

Portanto resgatar e reafirmar a antropologia bíblica ajudará os homossexuais a se conhecerem a partir de Deus, ao mesmo tempo protegerá nossos filhos, nossos jovens da ideologia Queer.

Segunda ação: Levar as pessoas a se relacionarem com Deus possuídas de temor. É preciso se relacionar com Deus com o respeito exigido por Ele. Deus espera que tenhamos temor! Não estou falando de temor como medo. Deus não quer que você tenha medo Dele. Ele quer que você se aproxime Dele.

Deus espera que tenhamos temor como fruto de uma reverência profunda por reconhecê-Lo como um Deus santo e amoroso. Um temor que nasce pela consciência de quem Deus é e de quem somos. Um temor que é fruto da consciência de que Deus é tão amoroso que mesmo diante as nossas dúvidas, temores, traumas e pecados, ainda se importa conosco. Este temor reverencial só pode ser construído através de uma relação de conhecimento profundo de Deus por meio de Jesus Cristo. Um temor que brota de um espírito que deseja adorar em verdade. Este temor só é possível acontecer a partir do momento que passamos a buscar Deus e Sua justiça de todo coração. Em Provérbios 2.1-5 lemos:

1 Meu filho, se você aceitar as minhas palavras e guardar no coração os meus mandamentos; 2 se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento; 3 se clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto, 4 se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido, 5 então você entenderá o que é temer ao Senhor e achará o conhecimento de Deus. (Provérbios 2.1-5)

Infelizmente nós cristãos incorporamos a religião como parte de nossa vida social. Ser cristão, frequentar uma igreja para nós brasileiros é como ser um estudante, é como ir ao cinema, é parte de nossa vida social. Dá a nós um sentido de pertencimento social. Entretanto vivemos um cristianismo ausente de temor a Deus.

Conversões genuínas e ensinos genuínos produziram o temor correto que levarão os novos discípulos de Jesus, tenham sido eles anteriormente ladrões, beberrões, glutões, fofoqueiros, avarentos, idólatras, mentirosos ou adeptos da ideologia Queer a tomarem cada um a sua cruz e viverem conforme a ética do Reino de Deus.

Encerro esta reflexão exortando-os a serem mais tolerantes com todos aqueles que fazem parte do grupo LGBTQIA+ que estão em busca da reconstrução de seu ser. Não os julguem, estendam as mãos para eles e lhes ajudem a trilharem o caminho de Cristo. No apoio da reconstrução do ser do masculino e feminino não percam de vista que Jesus é o único referencial para a construção do ser. Resgatem o ensino sobre a criação. Ensinem aos seus filhos sobre a criação bíblica e os levem a viverem uma comunhão real com Deus fundamentada no temor como fruto de um relacionamento correto com Cristo Jesus. Deus os abençoe!

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

06/08/2023



[1] ZOLLI, E. Israele. Studi storico-religiosi. Udine, [S.n.] 1935, p. 146-148.

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