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terça-feira, 12 de setembro de 2023

SERMÕES 204 - NAS MÃOS DE UM DEUS JUSTO

 NAS MÃOS DE UM DEUS JUSTO

Série: A Justiça do Reino de Deus

 

Ao longo deste ano temos falado sobre o Reino de Deus. Neste mês de Setembro o tema de nossa série é “A Justiça do Reino de Deus”. O tema de nossa mensagem de hoje é “Nas Mãos de um Deus Justo”.

Começaremos nossa mensagem respondendo a pergunta: O que significa a afirmação bíblica “Deus é justo”? Esse é o nosso primeiro ponto.

 

1 – O QUE SIGNIFICA A AFIRMAÇÃO BÍBLICA “DEUS É JUSTO”?

Há bíblia afirma que o nosso Deus é justo conforme podemos ler em Deuteronômio 32.4.

4 Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é. (Deuteronômio 32.4)

Estamos diante um verso da canção de Moisés. Essa canção tem um teor profético. Ela denuncia o pecado do povo, descreve os feitos de Deus na história, aponta Deus como o vingador de Israel e no final da canção anuncia a salvação de todos os povos em Jesus.

No verso que destacamos Deus é descrito como justo. Este versículo não só afirma que Deus é justo, como apresenta aquilo que O qualifica como justo. Ele afirma primeiramente que Deus é a Rocha, dando a ideia de que Deus é firme, estável, por isso podemos confiar Nele. O homem é marcado pela inconstância e instabilidade, mas Deus é imutável, totalmente sólido e estável.

O versículo afirma também que Suas obras são perfeitas – não há imperfeição nas obras de nosso Deus. A imperfeição que hoje vemos na criação é consequência do pecado do homem, e não falha de Deus.

Depois afirma que todos os seus caminhos são justos – não existe um caminho de injustiça em Deus. Tudo que Deus realiza na história é justo. Quando Deus destrói uma cidade ou um povo, como O fez com Sodoma e Gomorra, Ele faz para que a justiça seja estabelecida. Quando Deus permitiu que a Babilônia dominasse sobre seu povo, Israel, Ele permitiu para que a justiça fosse estabelecida. Israel deveria ser castigada por seus pecados. As ações de Deus na história visam sempre estabelecer a justiça.

Lemos também a afirmação que Ele é fiel – isto significa que Ele zela em cumprir Sua palavra. Ele não mente. Logo podemos descansar Nele, pois Ele prometeu a todos que creem em seu Filho Jesus Cristo, vida eterna. Nós os que cremos em Jesus Cristo e nos rendemos ao Seu senhorio, viveremos na nova Jerusalém e podemos descansar nessa verdade porque Deus é fiel.

Em seguida o verso diz que Deus não comete erros. O que Ele estabeleceu de forma macro para o ser humano e para toda Sua criação irá acontecer. Nada pode frustrar os planos de Deus. Desde o principio Ele já sabia como iria redimir a humanidade e como estabeleceria seu Reino para sempre. Não existe erro algum nos planos de Deus.   

Por fim o verso afirma que Deus é reto. Este termo está muito ligado à realidade de Deus ser justo. Mas a retidão, pessoalmente, acredito que possa designar o fato de que Deus, sendo Deus, o Criador de todas as coisas, Todo-poderoso, não permite nem a Si mesmo, agir sem que a justiça seja feita. Por exemplo: Ele perdoou os meus pecados e os seus pecados, mas Ele fez de forma reta, atendendo a justiça, pois a lei do pecado é a morte, por isso seu Filho Jesus Cristo morreu em nosso lugar. Nós fomos perdoados e a justiça foi saciada, porque Deus é reto. A soma de tudo isso nos leva a afirmação de que Deus é justo e este é um dos atributos divino. Não há injustiça em Deus. Ele jamais cometeu e jamais cometerá um ato de injustiça.

Em nosso segundo ponto iremos refletir nos aspectos da justiça de Deus.

 

2 – OS ASPECTOS DA JUSTIÇA DE DEUS

Os estudiosos costumam falar da justiça de Deus em dois aspectos diferentes, mas interligados. O primeiro aspecto é chamado de “justiça interna”, diz respeito a quem Deus é... De Seu caráter... De sua essência como um ser pessoal que Ele é. Deus é absolutamente justo.

7 Pois o Senhor é justo, e ama a justiça; os retos verão a sua face. (Salmos 11.7)

O salmista afirma primeiramente que Deus é justo, o que nos leva a compreensão de que por ser justo, Ele ama a justiça. Ele não é justo porque pratica a justiça, mas Ele pratica a justiça porque é justo. A justiça é algo inerente de sua natureza, é parte de seu ser.

O segundo aspecto é chamado de “justiça externa”, diz respeito ao que Deus faz, como Ele age na história. Por ser justo, Ele requer de nós que andemos em justiça, que vivamos segundo Seus valores e princípios. Ao cometermos uma injustiça, isto é, ao ferirmos Seus valores e princípios nos colocamos violentamente contra Ele. Nos fazemos culpados diante Dele.

Quando o salmista diz “os retos verão a Sua face”, ele está dizendo que Deus retribuirá aos justos, por suas obras de justiça, permitindo que estes vivam em Sua presença. Assim está implícito que os ímpios, os injustos não verão a Sua face, isto é, não viveram em Sua presença. Estes sofrerão o castigo destinados a todos que rejeitaram o Seu Filho, Jesus Cristo e viveram se embebedando no vinho da grande prostituta Babilônia.

Podemos afirmar sem erro que Deus é justo, que Ele espera que vivamos segundo os Seus princípios e valores e que Ele retribuirá a cada um de nós segundo as nossas obras.  

Com o fim de compreendermos melhor o quão justo é o nosso Deus e como aplica Sua justiça iremos olhar para a Bíblia como um todo, pois o estudo de uma parte dela somente, ou de uma carta, ou mesmo de um versículo, pode nos levar a conclusões erradas a respeito de Deus e de Sua justiça.

No ponto três iremos olhar para o período anterior a Lei de Moisés. Eu vou apenas passar por cima dos eventos para destacarmos o Deus justo fazendo justiça.

 

3 – DA CRIAÇÃO AO ÊXODO

Neste período não existia ainda a Lei de Deus entregue aos homens por Moisés. Contudo percebemos que Deus vai corrigindo e punindo os homens na medida de suas maldades.

A Bíblia começa narrando a nós que Deus criou o mundo perfeito, mas lemos em Gênesis três que Adão e Eva decidiram viver sendo seus próprios senhores. O ato de rebeldia deles condenou toda a terra ao caos e vemos Deus num ato de justiça e proteção punindo-os e os expulsando do paraíso.

Em Gênesis quatro narra que fora do paraíso Adão e Eva geraram filhos. Um dos filhos Caim matou seu irmão Abel. Deus o puniu de forma que tudo que ele viesse a plantar não vingaria, tendo que viver como errante na terra. Com o fim de que Caim não fosse assassinado por outros homens Deus coloca uma marca nele. Não sabemos que marca é esta.

Em Gênesis seis lemos que a maldade do homem se multiplicou na terra de forma que Deus puniu os homens a morte com um dilúvio. Neste período Ele faz uma aliança com Noé e sua casa. Diz a Bíblia que Noé era um homem justo. Noé é orientado por Deus a fazer uma grande arca com o fim de que os animais e sua família pudessem ser salvos do dilúvio.

Em Gênesis onze os homens se unem na construção de uma grande torre, com o fim de chegarem ao céu e tornarem seus nomes famosos entre os homens e não mais se espalharem sobre a terra. Deus havia ordenado aos homens para se multiplicarem e se espalharem sobre a terra. Além da soberba de acharem que podiam chegar à habitação de Deus construindo uma torre de tijolos, ainda se rebelaram contra a ordem de se espalharem pela terra. A ira de Deus se ascendeu contra os homens fazendo com que Deus distribuísse entre eles línguas diferentes, de forma que não mais se entendiam, e por isso esta torre recebeu o nome de Babel, pois Deus os confundiu e os espalhou por todo terra.

A partir de Gênesis doze temos o inicio do projeto divino de construir uma nação através da qual Ele (Deus) poderia ser conhecido e Sua vontade aos homens ser revelada. Este projeto começa com a chamada de um homem, seu nome era Abrão e mais tarde se tornou Abraão.

A saga de Abraão e sua descendência vai levá-los ao Egito onde se tornam escravos por aproximadamente quatrocentos anos. Através de uma intervenção divina o faraó os deixa ir para a terra prometida por Deus a Abraão.

Durante este período sem Lei percebemos em toda história Deus se revelando como um Deus justo, que aplica a justiça contra os injustos, que reivindica dos homens que ajam com justiça para com os seus semelhantes, mas também percebemos a misericórdia de Deus em suas ações de justiça. Deus sempre provê um caminho de salvação, uma oportunidade de arrependimento e correção de seus erros.

Aplicação: Essas narrativas que vimos tem que despertar em você temor. Você não pode viver a vida de qualquer forma! Ferindo seus irmãos, abraçado com o pecado, flertando com a injustiça, porque Deus é justo e cobrará justiça de todos os seus atos de injustiça.

Note nessas narrativas que mesmo provendo um caminho de salvação, uma oportunidade de arrependimento e correção dos erros, Deus puniu os injustos. Não brinque com Deus. Certamente você irá se arrepender se viver segundo o seu coração e não segundo o coração de Deus.

Agora iremos perceber a justiça de Deus através da Lei de Moisés.

 

4 – A LEI DE MOISÉS E A JUSTIÇA DE DEUS

Quando o povo de Israel saiu do Egito, Deus entregou a Moisés Dez mandamentos, que são à base de toda a lei civil e cerimonial que rege a nação de Israel. A lei moral é extraída dos princípios que estão contidos na lei civil e cerimonial.

Muitos estudiosos afirmam que esta distinção entre lei moral, civil e cerimonial não existia na cultura judaica nos tempos de Moisés, tudo era Lei de Deus e Deus se revelava por meio delas.

Com o fim de destacarmos o quanto Deus é justo e exige que a justiça seja feita, quero destacar uma parte da Lei de Deus entregue por Moisés ao povo de Israel (Êxodo 21.12-27).

12 "Quem ferir um homem, vindo a matá-lo, terá que ser executado. 13 Todavia, se não o fez intencionalmente, mas Deus o permitiu, designei um lugar para onde poderá fugir (cidades de refúgio). 14 Mas se alguém tiver planejado matar outro deliberadamente, tire-o até mesmo do meu altar e mate-o. 15 Quem agredir o próprio pai ou a própria mãe terá que ser executado. 16 Aquele que sequestrar alguém e vendê-lo ou for apanhado com ele em seu poder, terá que ser executado. 17 Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado. 18 Se dois homens brigarem e um deles ferir o outro com uma pedra ou com o punho e o outro não morrer, mas cair de cama, 19 aquele que o feriu será absolvido (v.12 da morte), se o outro se levantar e caminhar com o auxílio de uma bengala; todavia ele terá que indenizar o homem ferido pelo tempo que este perdeu e responsabilizar-se por sua completa recuperação. 20 Se alguém ferir seu escravo ou escrava com um pedaço de pau, e como resultado o escravo morrer, será punido (v.12 morte); 21 mas se o escravo sobreviver um ou dois dias, não será punido, visto que é sua propriedade. 22 Se homens brigarem e ferirem uma mulher grávida, e ela der à luz prematuramente, não havendo, porém, nenhum dano sério, o ofensor pagará a indenização que o marido daquela mulher exigir, conforme a determinação dos juízes. 23 Mas, se houver danos graves, a pena será vida por vida, 24 olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, 25 queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão. 26 Se alguém ferir o seu escravo ou sua escrava no olho e o cegar, terá que libertar o escravo como compensação pelo olho. 27 Se quebrar um dente de um escravo ou de uma escrava, terá que libertar o escravo como compensação pelo dente". (Êxodo 21.12-27)

A expressão contida neste trecho da lei “olho por olho, dente por dente” se tornou um ditado popular com o fim de expressar “vingança”. Se alguém te feriu, fira ela na mesma proporção. Se alguém te traiu, traia ela na mesma proporção. Contudo a lei não queria dizer isso. O objetivo da lei não era dar direito à vingança pessoal e sim dar direito ao juiz de exercer justiça de forma justa.

É interessante que o próprio Deus estabelece na nação que Ele estava construindo como exemplo para todas as demais nações a pena de morte – vida por vida. Não é justo aos olhos de Deus que uma pessoa que tirou a vida de outro, tenha o direito de viver, sendo que ele não deu ao outro o direito de viver.

Precisamos entender que fomos feitos a imagem e semelhança de Deus. Assim como Deus é justo, Ele nos fez com sede de justiça. É natural que tenhamos sede de justiça. É natural que um pai ou uma mãe que teve seu filho ou filha assassinada por uma bala perdida, um motorista bêbado, ou ainda violentada fisicamente, deseje vingança. Não é natural que este pai ou esta mãe simplesmente diga ao assassino: “não foi nada, isso acontece”. Entretanto não podemos ignorar que o pecado distorceu nosso senso de justiça, nos levando a cometermos mais injustiças na busca pela justiça.

A vingança não é algo bom, por isso Deus orientou Moisés a construir cidades de refúgio. A justiça deve ser feita segundo a Lei de Deus pelo Estado, por aqueles que receberam do Estado autoridade para exercê-la. Portanto “olho por olho, dente por dente” é na verdade uma expressão de que a justiça precisa ser feita de forma justa, permitindo ao ofendido se sentir justificado.

Jesus buscou corrigir este pensamento errado de que se podia fazer justiça com as próprias mãos, de que a vingança era algo aceitável.

38 "Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. 39 Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. 40 E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. 41 Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. 42 Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado". (Mateus 5.38-42)

Jesus está dizendo que não devemos pagar o mal com mal. Não devemos retribuir na mesma medida a quem nos fere; pelo contrário devemos tratá-la com amor, servindo-a além do que ela esperava de nós.

Somos ensinados por Jesus e pelos apóstolos a entregarmos a Deus a nossa causa. Ele fará justiça por nós. Nosso dever como cristãos é sempre fazermos o bem. Não importa o que isto no custe, o que venhamos a perder, pois nosso lar não é este mundo, e a nossa recompensa nos será dado quando entrarmos na nova terra e no novo céu.

Entretanto isto não anula a realidade de que podemos buscar justiça neste mundo, à reparação dos danos causados a nós neste tempo presente. O assassino de meu filho ser julgado e preso pode me fazer sentir justificado, entretanto não pode reparar a ausência dele no restante de minha vida. Esta é uma reparação que só será acertada na presença de Deus.

Quando olhamos para este texto de Êxodo vemos o quanto Deus é justo e o quanto Ele leva a sério a manifestação da justiça sobre toda sua criação. O Deus que entregou esta lei a Moisés é o mesmo que irá jugar as suas obras é por isso que o apóstolo Pedro escreve aos irmãos da fé as seguintes palavras. Ele não está escrevendo para os ímpios, mas para os da fé (1 Pedro 1.17).

17 Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês. (1 Pedro 1.17)

 

REFLEXÃO FINAL

Diante das palavras de Pedro, olhe bem para sua vida. Veja com muito cuidado o que você está fazendo, pois Deus este juiz justo não vai passar pano diante suas obras de injustiça.

Eu tenho receio de que muitos de nós que aqui estamos, que nos dizemos crentes, que confessamos Jesus como Senhor, não entraremos no Reino Dele, porque nossas obras não condizem com a vontade de Deus nosso Pai.

Jesus foi muito claro, ele disse (Mateus 7.21):

21 "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus". (Mateus 7.21)

Até quando você vai viver fazendo a sua vontade? Até quando você vai continuar lutando na igreja para que a sua vontade seja feita? Quando você vai cair em si que precisa ter um novo encontro com Cristo? Não ignore os sinais de Deus, pois se você não se arrepender de seus pecados, se as suas obras não condizem com a vontade do Pai, você não entrará no Reino de Deus, mesmo tenho o conhecimento de que Jesus na cruz morreu por você.

Fé em Jesus, o Cristo, é crer Nele como único e suficiente salvador e viver renunciando a si mesmo todos os dias, amando-O mais do que sua mãe, seu pai, seus filhos para que a vontade do Pai que está no céu seja feita através de sua vida. Não é simplesmente dizer que Ele é senhor de sua vida, frequentar a igreja todos os domingos, ler a bíblia todos os dias, é um compromisso de vida que exige que você morra para Deus viver com você. Deus te abençoe!

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

10/09/2023

 

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