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terça-feira, 12 de setembro de 2023

SERMÕES 205 - A RELAÇÃO ENTRE O PERDÃO E A JUSTIÇA DE DEUS

 A RELAÇÃO ENTRE O PERDÃO E A JUSTIÇA DE DEUS

Série: A Justiça do Reino de Deus

 

Neste ano estamos refletindo sobre o Reino de Deus e neste mês de Setembro o tema de nossa série é “A Justiça do Reino de Deus”. Hoje pela manhã refletimos no tema “Nas Mãos de um Deus Justo” e agora à noite iremos refletir no tema “A Relação Entre o Perdão e a Justiça de Deus”.

Muitos consideram o perdão e a justiça contraditórios, incoerentes entre si. Para muitos o perdão é injusto visto que retira do ofensor o seu pecado, enquanto o ofendido tem que carregar a sua dor em silêncio, uma vez que perdoou.

Seria realmente o perdão um ato de injustiça? Se o perdão fosse um ato de injustiça, Deus seria injusto e estaria nos pedindo para sermos injustos também. Sabemos que Deus é justo e não comete injustiça alguma, então o perdão é um ato de justiça, embora tenhamos dificuldade com isso.

Para compreendermos melhor essa relação de justiça no perdão, vamos começar nossa reflexão buscando compreender o perdão.

 

1 – O QUE É O PERDÃO?

O perdão é o ato onde o ofendido libera o ofensor de pagar por sua culpa. Entretanto é necessário reconhecermos que o ofendido ao liberar o ofensor assume o prejuízo da culpa cometida pelo ofensor. Vemos isso na cruz.

Jesus para apaziguar a ira de Deus contra nós pecadores morreu por nossos pecados. Ira essa proveniente do desejo profundo de Deus por justiça. O perdão não anulou a necessidade da justiça, por isso Jesus morreu na cruz, conforme lemos em Romanos 3.21-26.

21 Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, 22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, 23 pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, 24 sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. 25 Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; 26 mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. (Romanos 3.21-26)

Nós os ofensores tivemos a culpa retirada. Nós fomos perdoados, mas Jesus assumiu o prejuízo de nossos pecados. Ele satisfez a justiça requerida pelo Pai. Nele fomos justificados. O ofendido pagou o preço exigido pela justiça na pessoa do Filho.

O mesmo se dá em nossas vidas quando perdoamos nossos ofensores. Assumimos os prejuízos de seus danos contra nós. A extensão desse prejuízo varia de acordo com a dimensão da vida que foi afetada pelo ofensor. Se o prejuízo é somente financeiro, o ofendido irá assumir esse prejuízo financeiro, liberando o ofensor de restituí-lo. Assim a justiça é satisfeita aos olhos de Deus. O ofendido pagará em vida o preço dos danos financeiro.

Quando o ofensor restitui o que roubou, ou restitui de alguma forma o prejuízo que causou, ele tem sua culpa retirada, ele foi desculpado. O perdão é para os casos em que o ofensor não tem como retirar a sua culpa, não tem como restituir o prejuízo causado.

Às vezes o prejuízo vai além do financeiro, afeta a dimensão moral daquele que foi ofendido. Isso pode acontecer quando fofocamos da vida alheia, quando lançamos palavras a respeito de alguém que não são verdadeiras, que não temos como prová-las.

Neste caso não tendo como o ofensor restituir a moral do ofendido, cabe ao cristão ofendido perdoar o ofensor, declarando através do perdão que o ofensor não lhe deve mais nada. Dessa forma ele assume o prejuízo moral causado a sua pessoa pelo ofensor. Assim a justiça é satisfeita aos olhos de Deus. Novamente o ofendido pagará em vida o preço dos danos morais causado pelo ofensor.

Atualmente nossa legislação prevê casos de restituição financeira quando a moral de alguém é denegrida sem que haja provas concretas contra ela. Entretanto o ensino bíblico é que nós cristãos não levemos ao tribunal comum os problemas entre nós, mas que possamos resolver entre nós mesmos, seja por meio da restituição ou do perdão.

Algumas vezes o prejuízo pode ser irreparável, isto ocorre em casos de assassinatos, violência física, sexual, psicológica; mesmo nestes casos somos ordenados por Deus a perdoar. Precisamos liberar o ofensor de sua culpa e deixar Deus fazer justiça por nós. Assim a justiça é satisfeita aos olhos de Deus. Mais uma vez o ofendido pagará o preço dos danos irreparáveis causados pelo ofensor.

Olhando dessa forma parece que o perdão não é justo, pois o ofensor, aquele que fere, não responde por seus atos de injustiça, enquanto o ofendido precisa assumir os prejuízos causados por seus ofensores.

Devo lembrar que se o perdão não fosse justo, Deus não nos ordenaria perdoarmos uns aos outros. O perdão não é uma opção para nós cristãos, é uma ordem de Deus. Se o perdão não fosse justo Deus não nos perdoaria através de Seu Filho Jesus Cristo.

Em nosso próximo ponto buscaremos responder a pergunta: “Como o perdão pode ser justo”?

 

2 – COMO O PERDÃO PODE SER JUSTO?

Precisamos responder a esta pergunta olhando para o ofensor e para o ofendido separadamente, mas precisamos responder a esta pergunta a partir da cruz, pois ela amplia a graça de Deus para todos os seres humanos. A cruz redime todos os homens de todos os seus pecados. Com essa perspectiva vamos começar olhando para o ofensor.

·    Com relação ao ofensor – Primeiramente a justiça de Deus se faz presente para o ofensor no sentido de que ao ser perdoado, ele experimenta da graça de Deus através do ofendido. O perdão torna visível para o ofensor o ato da justificação realizado por Deus em Cristo Jesus na cruz.

Em segundo lugar a justiça divina se faz porque a retribuição do mal que lhe foi causado, com obras de justiça e perdão irá amontoar brasas vivas sobre a cabeça do ofensor, conforme lemos em Romanos 12.19-21.

19 Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor. 20 Pelo contrário: "Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele". 21 Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem. (Romanos 12.19-21)

Em terceiro lugar a justiça divina se faz porque o perdão libera o ofensor arrependido do sentimento de culpa, liberando-o para experimentar a nova vida em Cristo Jesus.

·    Com relação ao ofendido – A justiça de Deus se faz primeiramente porque o perdão protege o coração do ofendido. A bíblia diz em Provérbios 4.23:

23 Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida. (Provérbios 4.23)

Se você permitir que o seu coração seja dominado pelo sentimento de amargura, logo você irá morrer emocionalmente e espiritualmente. O perdão é uma proteção contra a morte emocional e espiritual daquele que foi ofendido. É injusto que o justo morra espiritualmente por causa de uma injustiça causada pelo injusto.

Em segundo lugar a justiça de Deus se revela através do perdão, pois a raiz de amargura não só irá destruir sua espiritualidade e sua vida emocional como também sua saúde física. Muitas pessoas se encontram doentes fisicamente porque guardam em seus corações sentimentos de amargura. Portanto o perdão protege seu corpo também.

Em terceiro lugar a justiça de Deus se manifesta por meio do perdão porque impede que muitos na igreja sejam contaminados pela amargura. Um indivíduo que carrega amargura produz muitas perturbações na igreja e gera novos corações amargos. Em Hebreus 12.15b lemos:

15b [...] Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos. (Hebreus 12.15b)

A ausência de perdão torna a pessoa amarga, levando-a a morte espiritual e emocional, causando doenças físicas e ainda afeta a vida das pessoas com as quais ela tem contato.

Em quarto lugar a justiça de Deus se manifesta por meio do perdão, pois aquele que não perdoa, estanca a graça de Deus sobre sua própria vida. Na oração do Pai nosso Jesus nos ensinou a orarmos a Deus para que Ele nos perdoe como nós perdoamos aos nossos defensores. Se você não perdoa, como pode esperar que Deus te perdoe?

Por todas estas razões que citamos o perdão na perspectiva de Deus é justo. É justo pelo que fazemos pelo ofendido, pelo que fazemos por nós e pelo que fazemos pelos outros. Por isso o perdão é ordenado por Deus; não é uma opção, pois a ausência do perdão causa muitas injustiças. Precisamos olhar para o perdão a partir da cruz e não de nosso próprio senso de justiça.

Uma vez que ficou claro que o perdão não é injusto aos olhos de Deus, eu gostaria de refletir em nosso terceiro ponto sobre a realidade de que o perdão não exclui a justiça de Deus sobre nós.

 

3 – O PERDÃO NÃO EXCLUI A JUSTIÇA DE DEUS

O ensino uniforme em toda a Escritura é de que o homem será julgado de acordo com aquilo que fez neste mundo presente. Todos serão recompensados ou condenados de acordo com as decisões e atitudes tomadas durante sua vida terrena.

Paulo escreveu a igreja de Corinto afirmando aos irmãos da fé que estes iriam comparecer diante o tribunal de Cristo para prestar contas de todas as obras praticadas.

10 Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más. (2 Coríntios 5.10)

Precisamos compreender que o perdão não exclui a justiça de Deus sobre nossas vidas. Todos nós crentes e incrédulos responderemos diante de Deus por nossos atos e palavras.

Os incrédulos serão lançados no lago de fogo preparado para o diabo e seus anjos. Toda justiça será feita quando estes forem condenados à morte eterna. Quanto a nós crentes, seremos julgados e salvos pela graça, mas de alguma forma pagaremos por nossas injustiças, assim como receberemos galardões por nossas boas obras.

 

REFLEXÃO FINAL

12 Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. 13 Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. (Colossenses 3.12,13)

Quando alguém comete um ato de injustiça e não se arrepende, ele responderá a Deus por seu ato de injustiça. Você ao perdoar esta pessoa está protegendo seu coração para que você não se torne amarga e digna do juízo de Deus. Mas acima de tudo você está fazendo o que Deus lhe pediu para fazer conforme lemos em Colossenses 3.12,13.

Ao perdoarmos obedecemos o ensino de Jesus e de seus apóstolos. Ao perdoarmos alegramos o coração de Deus, pois demonstramos misericórdia como Ele demonstrou por nós por meio de Seu Filho, Jesus Cristo. Ao perdoarmos assumimos o prejuízo neste tempo presente para recebermos a recompensa quando o Reino de Deus se manifestar por completo aos homens.

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

10/09/2023 (noite)

 

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