O REINO DE DEUS E SUA PLENITUDE
Série: A Plenitude do
Reino de Deus
O tema de nossa
mensagem de hoje é: “O Reino de Deus e Sua Plenitude”. Em nossa reflexão buscaremos
destacar dois aspectos que caracterizarão o Reino de Deus em sua plenitude.
Primeiro aspecto que caracterizará o reino de Deus em sua plenitude é a renovação de toda criação.
·
PRIMEIRO ASPECTO: RENOVAÇÃO DE TODA CRIAÇÃO
A bíblia nos diz
que na consumação final do Reino haverá uma renovação de toda a criação, que segundo
as palavras do apóstolo Paulo geme aguardando este dia glorioso, conforme
podemos ler em Romanos 8.19-23.
19 A natureza criada aguarda, com grande
expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados. 20
Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por
causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança 21
de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em
que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 22 Sabemos que toda a
natureza criada geme até agora, como em dores de parto. 23 E não só isso, mas nós
mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente
nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. (Romanos 8.19-23)
A queda do
primeiro Adão no Éden tornou toda a terra maldita. O mundo criado perfeito, por
causa do pecado do primeiro homem passou a viver no caos. A harmonia existente
entre as espécies criadas se transformou em uma luta diária entre elas pela
sobrevivência.
Este sofrimento
que leva as espécies lutarem entre si pela sobrevivência é a natureza gemendo,
como em dores de parto, aguardando o dia em que a harmonia será restabelecida
entre as espécies.
Paulo também
fala que nós estamos gemendo, embora tenhamos experimentado os primeiros frutos
do Espírito. Esse é o conflito da carne e do Espírito, do “já” e o “ainda não”.
O Espírito de
Deus já opera em nós, habita em nós e nos torna participantes da natureza
divina, mas ainda estamos presos em corpo corrupto e por isso não vivemos a
plenitude do Reino de Deus em nós. Ainda aguardamos a redenção do nosso corpo.
O profeta Isaías
descreve como a criação, os animais viverão quando o Reino de Deus se
manifestar de forma plena (Isaías 11.6-8).
6 O lobo viverá com o cordeiro, o leopardo se
deitará com o bode, o bezerro, o leão e o novilho gordo pastarão juntos; e uma
criança os guiará. 7 A vaca se alimentará com o
urso, seus filhotes se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi. 8 A criancinha brincará perto do esconderijo da cobra,
a criança colocará a mão no ninho da víbora. 9
Ninguém fará nenhum mal, nem destruirá coisa alguma em todo o meu santo monte,
pois a terra se encherá do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar. (Isaías 11.6-9)
Temos aqui a
descrição de que o reino messiânico será restaurado a originalidade da criação.
Viveremos novamente a realidade vivida pelo primeiro Adão no paraíso. Os
animais não serão mais feras carnívoras, não viverão mais em luta uns contra os
outros para sobreviverem. Todo ser vivo se alimentará das ervas, das
vegetações, da palha e não mais uns dos outros.
O verso nove
conclui afirmando algo extraordinário: “Ninguém fará nenhuma mal”. Ninguém
dentro do contexto descrito pelo profeta “é todo ser criado”. O profeta está
afirmando que nenhum ser criado causará mal ao outro. Isso significa que o mal
deixará de existir. Todo impulso maligno existente em nossa natureza hoje como
egoísmo, avareza e a idolatria que desperta em nós sentimentos de orgulho, de ciúmes,
depravação sexual e que nos leva a ganância, a guerras sem fim, a destruição da
natureza, tudo isso deixará de existir. Você consegue imaginar isso? Um mundo
sem maldade, onde os pensamentos todos são puros, as intenções são sempre boas,
onde o outro não é apenas o outro distante, mas é parte de mim mesmo. Um mundo
onde não haverá mais feras, pesadelos, terremotos, ciclones, enchentes, um
mundo sem caos, o cosmos será restabelecido. A paz reinará sobre tudo e em
todos. Assim será o novo céu e a nova terra.
Segundo aspecto
que caracterizará o Reino de Deus em sua plenitude é o estabelecimento de uma
nova ordem política.
·
SEGUNDO ASPECTO: NOVA ORDEM POLÍTICA
Há muitos
versículos na bíblia que descrevem o reinado de Jesus, o Cristo de Deus. Entre
estes temos o texto de Hebreus 1.8,9.
8 Mas a respeito do Filho, diz (Deus Pai
falando sobre o Filho): "O
teu trono (A
palavra trono se refere a um reinado),
ó Deus, subsiste para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu Reino. 9 Amas a justiça e odeias a iniquidade; por isso,
Deus, o teu Deus, escolheu-te dentre os teus companheiros, ungindo-te com óleo
de alegria". (Hebreus 1.8,9)
O autor de
Hebreus aplica as palavras do Salmo 45, versos 6 e 7 a Jesus. Isto significa
que os cristãos do primeiro e segundo século consideravam que Jesus era o rei
messiânico mencionado pelo salmista, e que Ele não era apenas o filho de Davi,
mas o Deus Filho que havia encarnado para morrer em nosso lugar e que havia
ressuscitado dentre os mortos para reinar e cumprir as palavras desta profecia.
Jesus voltará e reinará para sempre sobre todas as nações, sobre todos os povos.
A teocracia (o governo de Deus) será estabelecida para sempre através do
reinado de Jesus.
O texto também
afirma o estabelecimento da justiça através desta nova ordem política. No
governo do Filho, de Jesus, a equidade estabelecerá a justiça para todo sempre.
Jesus nos julgará de maneira imparcial, isenta e
neutra; isto significa que Jesus não tomará partido por um em detrimento de
outro, como fazem os juízes de nossos dias.
Somente
Jesus tem a capacidade de nos julgar de forma imparcial e justa, pois somente
Ele pode sondar nossos corações e nos julgar a partir de nossas
intencionalidades, de nossos desejos mais profundos. Ele nos julgará para que a
justiça seja estabelecida, pois ama a justiça e odeia a iniquidade.
O
profeta Isaías também descreve a respeito da nova ordem política do reino
messiânico (Isaías 11.1-5).
1 Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas
raízes brotará um renovo. (O profeta está dizendo
que da casa do rei Davi virá o Messias, o Cristo de Deus) 2
O Espírito do Senhor repousará sobre ele (O Espírito
Santo descerá sobre Jesus, o Messias, o Cristo de Deus), o Espírito que dá sabedoria e
entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá
conhecimento e temor do Senhor (O Espírito Santo será o
Seu conselheiro). 3 E ele se inspirará no temor do Senhor (Ele terá prazer em temer ao Pai, em fazer Sua vontade). Não julgará pela aparência, nem
decidirá com base no que ouviu; 4 mas com
retidão julgará os necessitados, com justiça tomará decisões em favor dos pobres. Com suas palavras, como se
fossem um cajado, ferirá a terra; com o sopro de sua boca matará os ímpios. 5 A retidão será a faixa de seu peito, e a fidelidade
o seu cinturão. (Isaías 11.1-5)
O profeta no
verso três, assim como o salmista, afirma que o Messias julgará com equidade.
Entretanto Isaías apresenta algo novo no verso quatro em relação às palavras do
salmista. O Messias “com retidão julgará os necessitados, com justiça tomará
decisões em favor dos pobres”. O que isso significa? Estaria Jesus
fazendo um julgamento tendencioso aos pobres? Certamente que não.
As palavras do
verso quatro precisam ser consideradas dentro do contexto dos dias do profeta. Era
muito comum naqueles dias os magistrados se venderem aos poderosos e ricos de
seus dias. Os julgamentos eram injustos, pois pendiam para aqueles que possuíam
poder e riquezas, para aqueles que podiam saciar a ganância dos magistrados.
Não diferente de nossos dias.
No capítulo dez
lemos o profeta exortando os magistrados (Isaías 10.1-3).
1 Ai daqueles que fazem
leis injustas, que escrevem decretos opressores,
2 para privar os pobres dos seus direitos e da
justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos
órfãos! 3 Que farão vocês no dia do castigo,
quando a destruição vier de um lugar distante? Atrás de quem vocês correrão em
busca de ajuda? Onde deixarão todas as suas riquezas? (Isaías
10.1-3)
O profeta nas
palavras do capitulo onze busca deixar muito claro que no governo do Messias a
justiça será estabelecida. Os ricos e poderosos serão julgados da mesma forma,
na mesma medida que os pobres e necessitados. Jesus reinará e julgará tendo a
retidão como uma faixa em seu peito e a fidelidade como um cinturão.
REFLEXÃO FINAL
Eu concluo
lembrando que refletimos hoje sobre dois aspectos que caracterizarão o reino de
Deus em sua plenitude. Existem outros aspectos, por exemplo: Seremos
transformados ao recebermos um novo corpo, um corpo espiritual; o diabo e seus
anjos caídos serão lançados no lago de fogo que foi preparado para eles,
juntamente com todos que rejeitaram a Jesus como Senhor de suas vidas; na nova
ordem política existirá apenas um povo e um só Estado. Jesus reinará sobre
todas as nações, nos unindo Nele e nos fazendo um só povo.
O conhecimento
destas verdades que caracterizarão o reino de Deus em sua plenitude deve
produzir em nós esperança e ao mesmo tempo um compromisso com a missão que nos
foi deixada por Jesus enquanto aqui vivemos.
A esperança
porque sabemos que a ordem presente que reina hoje produzindo injustiças
sociais, guerras, violência física, psicológica e sexual terá seu fim. Todo o
mal deixará de existir. A destruição do meio ambiente, as catástrofes naturais,
a violência entre os animais para sobreviverem, tudo isso deixará de existir.
Uma nova ordem se estabelecerá de paz e justiça sobre todas as dimensões da
vida. Precisamos viver esperançando por esse dia, pelo dia do Senhor.
Precisamos viver desapegados deste mundo presente, pois fomos chamados para
vivermos no Reino de Deus. Aqui não é a nossa pátria. Precisamos viver hoje
sonhando com o novo céu e a nova terra.
O conhecimento
destas verdades que caracterizarão o reino de Deus em sua plenitude também deve
nos levar a vivermos comprometidos com a missão que nos foi dada por Jesus –
“Ide e pregai o Evangelho a toda criatura”. As pessoas precisam saber que há
uma vida melhor esperando por elas em Jesus. Que o mundo não é somente o que
elas veem hoje, um mundo de sofrimento, de injustiça, de violência, onde o mal
predomina; mas que há um novo mundo e um novo céu, onde a justiça e a paz
reinam preparado para elas. As pessoas precisam saber que Jesus morreu na cruz
para que elas por meio Dele entrem neste reino de justiça e paz.
Não estamos aqui
para implantarmos o novo céu e a nova terra. Não estamos aqui para implantarmos
o reino de Deus neste tempo presente. Não estamos aqui para construirmos
templos. Estamos aqui para anunciarmos o reino de Deus. Estamos aqui para
tornarmos visível as pessoas que nos cercam, não as instituições, o reino de
Deus que já está em nós, que nos rendemos a Jesus Cristo como Senhor e
Salvador.
A implantação do
reino de Deus nos corações dos homens é obra do Espírito Santo. O
estabelecimento do reino de Deus no mundo físico é obra de Jesus. A nossa obra
é anunciar e vivermos hoje os valores e princípios do reino de Deus para que
vidas através de nós possam desejar conhecer Jesus e Seu reino. Deus nos
abençoe para que vivamos esperando confiantemente a manifestação plena do reino
de Deus e comprometidos com a obra da evangelização.
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
08/10/2023
(noite)
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