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terça-feira, 10 de outubro de 2023

SERMÕES 207 - O REINO DE DEUS E SUA PLENITUDE

 O REINO DE DEUS E SUA PLENITUDE

Série: A Plenitude do Reino de Deus

 

O tema de nossa mensagem de hoje é: “O Reino de Deus e Sua Plenitude”. Em nossa reflexão buscaremos destacar dois aspectos que caracterizarão o Reino de Deus em sua plenitude.

Primeiro aspecto que caracterizará o reino de Deus em sua plenitude é a renovação de toda criação.

 

· PRIMEIRO ASPECTO: RENOVAÇÃO DE TODA CRIAÇÃO

A bíblia nos diz que na consumação final do Reino haverá uma renovação de toda a criação, que segundo as palavras do apóstolo Paulo geme aguardando este dia glorioso, conforme podemos ler em Romanos 8.19-23.

19 A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados. 20 Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança 21 de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 22 Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. 23 E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.  (Romanos 8.19-23)

A queda do primeiro Adão no Éden tornou toda a terra maldita. O mundo criado perfeito, por causa do pecado do primeiro homem passou a viver no caos. A harmonia existente entre as espécies criadas se transformou em uma luta diária entre elas pela sobrevivência. 

Este sofrimento que leva as espécies lutarem entre si pela sobrevivência é a natureza gemendo, como em dores de parto, aguardando o dia em que a harmonia será restabelecida entre as espécies.

Paulo também fala que nós estamos gemendo, embora tenhamos experimentado os primeiros frutos do Espírito. Esse é o conflito da carne e do Espírito, do “já” e o “ainda não”.

O Espírito de Deus já opera em nós, habita em nós e nos torna participantes da natureza divina, mas ainda estamos presos em corpo corrupto e por isso não vivemos a plenitude do Reino de Deus em nós. Ainda aguardamos a redenção do nosso corpo.

O profeta Isaías descreve como a criação, os animais viverão quando o Reino de Deus se manifestar de forma plena (Isaías 11.6-8).

6 O lobo viverá com o cordeiro, o leopardo se deitará com o bode, o bezerro, o leão e o novilho gordo pastarão juntos; e uma criança os guiará. 7 A vaca se alimentará com o urso, seus filhotes se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi. 8 A criancinha brincará perto do esconderijo da cobra, a criança colocará a mão no ninho da víbora. 9 Ninguém fará nenhum mal, nem destruirá coisa alguma em todo o meu santo monte, pois a terra se encherá do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar. (Isaías 11.6-9)

Temos aqui a descrição de que o reino messiânico será restaurado a originalidade da criação. Viveremos novamente a realidade vivida pelo primeiro Adão no paraíso. Os animais não serão mais feras carnívoras, não viverão mais em luta uns contra os outros para sobreviverem. Todo ser vivo se alimentará das ervas, das vegetações, da palha e não mais uns dos outros.

O verso nove conclui afirmando algo extraordinário: “Ninguém fará nenhuma mal”. Ninguém dentro do contexto descrito pelo profeta “é todo ser criado”. O profeta está afirmando que nenhum ser criado causará mal ao outro. Isso significa que o mal deixará de existir. Todo impulso maligno existente em nossa natureza hoje como egoísmo, avareza e a idolatria que desperta em nós sentimentos de orgulho, de ciúmes, depravação sexual e que nos leva a ganância, a guerras sem fim, a destruição da natureza, tudo isso deixará de existir. Você consegue imaginar isso? Um mundo sem maldade, onde os pensamentos todos são puros, as intenções são sempre boas, onde o outro não é apenas o outro distante, mas é parte de mim mesmo. Um mundo onde não haverá mais feras, pesadelos, terremotos, ciclones, enchentes, um mundo sem caos, o cosmos será restabelecido. A paz reinará sobre tudo e em todos. Assim será o novo céu e a nova terra.

Segundo aspecto que caracterizará o Reino de Deus em sua plenitude é o estabelecimento de uma nova ordem política.

 

· SEGUNDO ASPECTO: NOVA ORDEM POLÍTICA

Há muitos versículos na bíblia que descrevem o reinado de Jesus, o Cristo de Deus. Entre estes temos o texto de Hebreus 1.8,9.

8 Mas a respeito do Filho, diz (Deus Pai falando sobre o Filho): "O teu trono (A palavra trono se refere a um reinado), ó Deus, subsiste para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu Reino. 9 Amas a justiça e odeias a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, escolheu-te dentre os teus companheiros, ungindo-te com óleo de alegria". (Hebreus 1.8,9)

O autor de Hebreus aplica as palavras do Salmo 45, versos 6 e 7 a Jesus. Isto significa que os cristãos do primeiro e segundo século consideravam que Jesus era o rei messiânico mencionado pelo salmista, e que Ele não era apenas o filho de Davi, mas o Deus Filho que havia encarnado para morrer em nosso lugar e que havia ressuscitado dentre os mortos para reinar e cumprir as palavras desta profecia. Jesus voltará e reinará para sempre sobre todas as nações, sobre todos os povos. A teocracia (o governo de Deus) será estabelecida para sempre através do reinado de Jesus.  

O texto também afirma o estabelecimento da justiça através desta nova ordem política. No governo do Filho, de Jesus, a equidade estabelecerá a justiça para todo sempre. Jesus nos julgará de maneira imparcial, isenta e neutra; isto significa que Jesus não tomará partido por um em detrimento de outro, como fazem os juízes de nossos dias.

Somente Jesus tem a capacidade de nos julgar de forma imparcial e justa, pois somente Ele pode sondar nossos corações e nos julgar a partir de nossas intencionalidades, de nossos desejos mais profundos. Ele nos julgará para que a justiça seja estabelecida, pois ama a justiça e odeia a iniquidade.

O profeta Isaías também descreve a respeito da nova ordem política do reino messiânico (Isaías 11.1-5).

1 Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um renovo. (O profeta está dizendo que da casa do rei Davi virá o Messias, o Cristo de Deus) 2 O Espírito do Senhor repousará sobre ele (O Espírito Santo descerá sobre Jesus, o Messias, o Cristo de Deus), o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor (O Espírito Santo será o Seu conselheiro). 3 E ele se inspirará no temor do Senhor (Ele terá prazer em temer ao Pai, em fazer Sua vontade). Não julgará pela aparência, nem decidirá com base no que ouviu; 4 mas com retidão julgará os necessitados, com justiça tomará decisões em favor dos pobres. Com suas palavras, como se fossem um cajado, ferirá a terra; com o sopro de sua boca matará os ímpios. 5 A retidão será a faixa de seu peito, e a fidelidade o seu cinturão. (Isaías 11.1-5)

O profeta no verso três, assim como o salmista, afirma que o Messias julgará com equidade. Entretanto Isaías apresenta algo novo no verso quatro em relação às palavras do salmista. O Messias “com retidão julgará os necessitados, com justiça tomará decisões em favor dos pobres”. O que isso significa? Estaria Jesus fazendo um julgamento tendencioso aos pobres? Certamente que não.

As palavras do verso quatro precisam ser consideradas dentro do contexto dos dias do profeta. Era muito comum naqueles dias os magistrados se venderem aos poderosos e ricos de seus dias. Os julgamentos eram injustos, pois pendiam para aqueles que possuíam poder e riquezas, para aqueles que podiam saciar a ganância dos magistrados. Não diferente de nossos dias.

No capítulo dez lemos o profeta exortando os magistrados (Isaías 10.1-3).

1 Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, 2 para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos! 3 Que farão vocês no dia do castigo, quando a destruição vier de um lugar distante? Atrás de quem vocês correrão em busca de ajuda? Onde deixarão todas as suas riquezas? (Isaías 10.1-3)

O profeta nas palavras do capitulo onze busca deixar muito claro que no governo do Messias a justiça será estabelecida. Os ricos e poderosos serão julgados da mesma forma, na mesma medida que os pobres e necessitados. Jesus reinará e julgará tendo a retidão como uma faixa em seu peito e a fidelidade como um cinturão.

 

REFLEXÃO FINAL

Eu concluo lembrando que refletimos hoje sobre dois aspectos que caracterizarão o reino de Deus em sua plenitude. Existem outros aspectos, por exemplo: Seremos transformados ao recebermos um novo corpo, um corpo espiritual; o diabo e seus anjos caídos serão lançados no lago de fogo que foi preparado para eles, juntamente com todos que rejeitaram a Jesus como Senhor de suas vidas; na nova ordem política existirá apenas um povo e um só Estado. Jesus reinará sobre todas as nações, nos unindo Nele e nos fazendo um só povo.

O conhecimento destas verdades que caracterizarão o reino de Deus em sua plenitude deve produzir em nós esperança e ao mesmo tempo um compromisso com a missão que nos foi deixada por Jesus enquanto aqui vivemos.

A esperança porque sabemos que a ordem presente que reina hoje produzindo injustiças sociais, guerras, violência física, psicológica e sexual terá seu fim. Todo o mal deixará de existir. A destruição do meio ambiente, as catástrofes naturais, a violência entre os animais para sobreviverem, tudo isso deixará de existir. Uma nova ordem se estabelecerá de paz e justiça sobre todas as dimensões da vida. Precisamos viver esperançando por esse dia, pelo dia do Senhor. Precisamos viver desapegados deste mundo presente, pois fomos chamados para vivermos no Reino de Deus. Aqui não é a nossa pátria. Precisamos viver hoje sonhando com o novo céu e a nova terra.

O conhecimento destas verdades que caracterizarão o reino de Deus em sua plenitude também deve nos levar a vivermos comprometidos com a missão que nos foi dada por Jesus – “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura”. As pessoas precisam saber que há uma vida melhor esperando por elas em Jesus. Que o mundo não é somente o que elas veem hoje, um mundo de sofrimento, de injustiça, de violência, onde o mal predomina; mas que há um novo mundo e um novo céu, onde a justiça e a paz reinam preparado para elas. As pessoas precisam saber que Jesus morreu na cruz para que elas por meio Dele entrem neste reino de justiça e paz.

Não estamos aqui para implantarmos o novo céu e a nova terra. Não estamos aqui para implantarmos o reino de Deus neste tempo presente. Não estamos aqui para construirmos templos. Estamos aqui para anunciarmos o reino de Deus. Estamos aqui para tornarmos visível as pessoas que nos cercam, não as instituições, o reino de Deus que já está em nós, que nos rendemos a Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

A implantação do reino de Deus nos corações dos homens é obra do Espírito Santo. O estabelecimento do reino de Deus no mundo físico é obra de Jesus. A nossa obra é anunciar e vivermos hoje os valores e princípios do reino de Deus para que vidas através de nós possam desejar conhecer Jesus e Seu reino. Deus nos abençoe para que vivamos esperando confiantemente a manifestação plena do reino de Deus e comprometidos com a obra da evangelização.

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

08/10/2023 (noite)

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