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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

RELIGIÕES 1 - SEITAS

SEITAS




As seitas e as heresias são hoje um dos maiores problemas da Igreja de Cristo. Os números são assustadores. Nunca se viu um crescimento tão grande das seitas em todo o mundo, e a Igreja precisa estar armada contra isso.

"Seita, no meu entender, é qualquer grupo religioso que, em doutrina ou prática, difira, de forma significativa, dos grupos religiosos considerados a expressão normativa da religião em nossa cultura".

A palavra grega hairesis é traduzida por "seita" em At 5:17; 15:5; 24:5; 26:5; 28:22; e por "heresias" em 1 Co 11:19; Gl 5:20; e 2 Pe 2:1. No Novo Testamento este vocábulo aparece com o sentido de "partido, espírito sectário", e nem sempre representava uma ruptura com o sistema convencional de determinada comunidade. Os saduceus (At 5:17) e os fariseus (At 15:5; 26:5) formavam seitas e facções dentro do próprio judaísmo. Paulo adverte para que não haja no seio da igreja essas divisões (hairesis) e condena as inovações doutrinárias que venham dividir a igreja (1 Co 11:19; Gl 5:20).

A primeira referência ao termo "heresia" com o sentido moderno de erro doutrinário, aplicado aos que abandonaram a verdadeira fé para seguir grupos sectaristas com doutrinas peculiares, encontramos em 2 Pe 2:1.

Seitas são hoje grupos isolados que expõem ensinos errados, e heresias esses ensinos contrários às Escrituras Sagradas.

A palavra pode ser aplicada a um grupo de indivíduos reunidos em torno de uma interpretação errônea da Bíblia. Feita por uma ou mais pessoas. As testemunhas de Jeová, por exemplo, em sua maioria, são seguidores das interpretações bíblicas de Charles T. Russell e J. F. Rutherford, Nathan H. Knorr e Frederic Franz. Os atuais adeptos da Ciência Cristã são discípulos de Mary Baker Eddy, pois seguem sua interpretação pessoal das Escrituras. Os Mórmons, como eles próprios confessam, adotam a interpretação bíblica feita por Joseph Smith e Brigham Young, registrada nos escritos deles. Do ponto de vista teológico as seitas apresentam muitos desvios em relação ao cristianismo tradicional. Paradoxalmente, porém, continuam a afirmar que têm o direito de ser consideradas religiões cristãs.

O critério final para se julgar qualquer coisa relacionada a grupos, seitas, crenças, etc., sempre foi e sempre deve ser a pergunta: "Que pensais vós do Cristo? De quem é filho?"

Sou obrigado a discordar também da idéia de que "todos os caminhos que nos levam a Deus são bons", ou de que "todos os caminhos levam a Deus"; pois creio na palavra do Senhor que diz: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14:6). Observamos que Jesus não diz aí: "Eu sou um dos muitos caminhos bons" ou "Sou o melhor caminho, sou um aspecto da verdade, sou um fragmento da vida". Nada disso. Ele fez uma afirmação em termos absolutos, e a aceitação de que ele é o Salvador do mundo anula todas as afirmações semelhantes de outros homens ou religiões.

Há pessoas que estão sempre tentando convencer-nos, por meio de livros, artigos de revistas e jornais, de pronunciamentos em concílios e congressos ecumênicos, que "devemos dar menos valor às questões que nos separam, e mais ênfase àquelas que temos em comum uns com os outros, e que atuam como elos de ligação entre nós e eles". Estamos de acordo com a sugestão desde que aquilo que nos une a outros seja uma firme base doutrinária, uma verdade moral e ética, e que essa unidade de que se fala seja a união verdadeira do corpo de Cristo. Mas, se como querem alguns, esse fator de ligação se ampliar mais, para incluir também aqueles que não se acham em harmonia com os princípios essenciais do Cristianismo, então temos de nos opor decisivamente à idéia.



JESUS ANUNCIA A EXISTÊNCIA DE FUTURAS SEITAS

O combate às heresias ocupa um terço do Novo Testamento. Tanto o Senhor Jesus Cristo como seus apóstolos trabalharam incansavelmente contra as heresias de seu tempo. Cada livro do Novo Testamento é um equipamento firme que no seu conjunto forma o grande e indestrutível arsenal de combate as heresias. Não há livro no Novo Testamento que não se revele esse combate.

Juntamente com o evangelho da graça de Deus, o Senhor anunciou e profetizou que seus seguidores iriam enfrentar provações e tribulações, tanto dentro como fora da igreja, e que uma das maiores dificuldades que teriam seria a presença de falsos cristos e falsos profetas, que viriam em seu nome e enganariam a muitos. "Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos" (Mt 24:5). Jesus estava tão preocupado com essa questão que certa vez disse:



"Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade".(Mt 7:15-23)



Cristo revelou que haveria falsos profetas. O Filho de Deus não tinha dúvida de que isso ocorreria. E as heresias dos primeiros cinco séculos da era cristã comprovam a veracidade de suas predições. Cristo disse ainda que os frutos dos falsos profetas seriam visíveis e que a igreja iria identifica-los prontamente. Não nos esqueçamos de que os frutos de uma árvore má, além de éticos e morais, podem ser também doutrinários. Talvez uma pessoa possa ser até ética e moralmente correta, segundo os padrões humanos. Mas se der à costa a Jesus Cristo, rejeitando-o como Senhor e Salvador, o fruto dela será ruim, e deverá ser repudiado, pois não passa de um simulacro (imitação) da verdade.

Todos os escritos do Novo Testamento, inclusive os evangelhos, mostram essa luta acirrada contra as falsas doutrinas. Portanto, é tarefa da igreja atual "batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Jd 3), para manter os cristãos "na doutrina dos apóstolos" (At 2:42).



SUPERANDO A BARREIRA DA LINGUAGEM

Uma típica seita não-cristã deve sua existência ao fato de sempre utilizar a terminologia do Cristianismo, citar passagens bíblicas (quase sempre fora de contexto), e colocar em sua estrutura doutrinária inúmeros "clichês" e termos evangélicos, sempre que eles favorecem seus interesses. Até o presente, eles têm obtido muito sucesso nessa tentativa de apresentar seu sistema como sendo cristão.

Portanto, ao ter um confronto com um adepto de uma dessas seitas, devemos lembrar que estamos lidando com alguém que está familiarizado com a terminologia cristã, e que a reinterpretou para que se harmonizasse com seu sistema teológico.

Outro aspecto dessa manipulação semântica que deixa confuso o crente que tenta evangelizar um membro de uma seita é o volume de citações bíblicas que ele faz e o fato de dar impressão de que concorda com quase todos os argumentos do cristão. Esta sempre citando frases feitas, como "nós cremos assim também", "nós estamos de acordo nesse ponto".

A solução desse difícil problema não é simples. O crente precisa estar ciente de que, a cada termo ou doutrina bíblica que ele mencionar, na mente do outro se acenderá como que uma luzinha vermelha com a reinterpretação deles, e ele prontamente dará sua explicação distorcida. Quando o crente perceber que, embora o membro da seita aparente concordar com a doutrina em discussão, na verdade discorda de sua conceituação histórica e bíblica, estará começando lidar de forma correta com a terminologia da seita.

É muito simples para o adepto da seita espiritualizar e modificar o sentido dos textos e ensinos bíblicos, de forma a estar em harmonia com a fé cristã histórica. Essa harmonia, porém, é bastante superficial, e baseia-se numa ambivalência das palavras, que não passa pelo crivo da gramática e do contexto bíblicos, e nem de uma exegese correta. Na verdade, a língua é algo muito complexo; todos concordamos com isso. Mas há um fato que ninguém nega: em um mesmo contexto cada termo só pode ter um sentido.

As principais seitas modificam, sem o menor constrangimento, o sentido de termos estabelecidos ao longo da História. E depois respondem às interpelações dos teólogos cristãos com esta argumentação sem sentido: "Você interpreta do seu jeito, eu interpreto do meu. Precisamos ter mente aberta. Afinal qualquer interpretação é boa".

Portanto, não é de admirar que os cristãos ortodoxos se sintam impelidos a censurar as distorções praticadas contra uma terminologia definida e já de longa data aceita, e a afirmar que as seitas não têm base nem na Bíblia, nem na lingüística, nem na escolástica para reinterpretar os termos bíblicos da forma como o fazem.

Espiritualizar os textos e doutrinas bíblicas ou tentar explica-los com frases obscuras é praticar desonestidade intelectual. Não é incomum encontrar esta prática nas principais obras das seitas.



A ESTRUTURA PSICOLÓGICA DAS SEITAS

Os adeptos das seitas embora diferentes entre si como indivíduos, possuem em comum certos traços psicológicos.

. Em primeiro lugar, e acima de tudo, o sistema doutrinário das seitas se caracteriza por um fechamento da mente. Eles não buscam uma avaliação cognitiva racional dos fatos. A cúpula da organização interpreta os fatos para os membros, geralmente invocando a autoridade da Bíblia, ou de algum de seus livros, ou ainda do seu fundador, como suprema fonte de suas afirmações. Esse sistema de crença ocupa uma posição isolada, nunca adota uma coerência lógica. Essas crenças como que ocupam um compartimento fechado na mente do adepto, que, uma vez inteiramente submisso ao padrão de autoridade de sua organização, nunca mais questiona nada, nem tem mais dúvidas.

. Em segundo lugar, essas seitas se caracterizam também por forte antagonismo pessoal contra os cristãos, já que associam seu desagrado pela mensagem cristã com o mensageiro que adota crenças opostas às suas.

A quase totalidade das seitas ensina a seus discípulos que todos aqueles que se opõem às suas crenças só podem estar motivados por influência satânica, preconceitos cegos e grande ignorância.

. Em terceiro lugar, todas as seitas, quase sem exceção, apresentam uma espécie de dogmatismo (autoritarismo) institucional e uma forte intolerância para com qualquer outra forma de pensamento que não a sua. Obviamente no caso das seitas não-cristãs que desejam ser associadas ao Cristianismo, isso decorre do fato de que a base de suas teses quase sempre é, como alegam eles, de origem sobrenatural.

A história das seitas sempre começa com uma declaração autoritária por parte do fundador ou fundadores. Após a morte deles, ou mesmo durante sua vida, essa afirmação é institucionalizada, tornando-se um dogma que exige do seguidor uma confiança absoluta na autoridade sobrenatural daqueles que receberam a revelação inicial, que estaria contida em seus escritos e pronunciamentos.

. Em quarto lugar, estes movimentos se caracterizam hoje pelo exclusivismo e pelo sistema de monopólio da salvação. Para tais somente o seu grupo está certo e somente eles mesmos praticam a vontade de Deus. Na sua mentalidade só tem salvação ou só hão de adquiri-la (pois a maioria destas seitas nem sequer crê na doutrina bíblica da salvação) os que pertencem ao seu grupo. Ousam substituir Jesus Cristo pela sua organização. A salvação está na Pessoa augusta de Jesus, independentemente de organização religiosa. Filiar-se a uma igreja já é conseqüência da nova vida em Cristo. A Bíblia diz que a salvação é para todo aquele que invocar o nome do Senhor (Rm 10:13) e andar conforme as Escrituras (Is 8:20; Jr 7:37, 38; Jo 14:15, 23; Jo 15:10).

. Em quinto lugar, as seitas negam a autoridade da Bíblia, admitem outras obras com a mesma autoridade ou seguem a interpretação de seus fundadores e líderes. Esta é uma característica peculiar a todas as seitas. Há aquelas que admitem crer na Bíblia e segui-la como as Testemunhas de Jeová, embora na prática não seja assim, pois crêem nas publicações da Sociedade Torre de Vigia.

Para os adventistas do sétimo dia os escritos da Sra. Ellen Gould White têm a mesma autoridade da Bíblia. Afirmam que a expressão "o testemunho de Jesus é o espírito de profecia" (Ap 19:10) é uma alusão aos escritos da Sra. White. Crêem que suas obras têm "aplicação e autoridade especial para os adventistas do sétimo dia" e negam que "a qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas"



POR QUE ESTUDAR AS SEITAS?

As seitas são uma ameaça ao cristianismo histórico e um problema para as igrejas. Elas existem desde o princípio do cristianismo. Hoje estão bem aparelhadas para o combate da fé cristã. Apresentam-se, muitas delas, com uma estrutura organizacional de provocar inveja em qualquer empresa multinacional, parecendo um império, como as Testemunhas de Jeová e os Mórmons.

Os adeptos das seitas estão no contexto de Mc 16:15. São criaturas que precisam conhecer a Jesus. Muitos adeptos nunca tiveram a oportunidade de ouvir a verdade da Palavra de Deus. Estas vitimas estão incluídas nos grupos ainda não alcançados. A evangelização desta gente se constitui num grande desafio para as igrejas. Isto acontece porque, além de ser um trabalho árduo e muito difícil, é também muito arriscado alguém cair nas malhas das seitas.





BIBLIOGRAFIA

SILVA, Ezequiel Soares da. Como Responder Às Testemunhas De Jeová. São Paulo: Editora Candeia, 1995 Vol. 1

RINALDI, Natanael / ROMEIRO, Paulo. Desmascarando As Seitas. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1997

MARTIN, Walter. O Império Das Seitas. Belo Horizonte: Editora Betânia S/C, 1992 Vol. 1



Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

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