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By Ferramentas Blog

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

APOSTILA 11 - INTRODUÇÃO A BÍBLIA (O PENTATEUCO)

INTRODUÇÃO A BÍBLIA
(O PENTATEUCO)

                                                           Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

Introdução a Bíblia

1.  Bíblia ("Livros")

Bíblia é plural da palavra Biblion "rolo" ou "livro" originalmente significava um documento escrito em papiro.

Sua formação – levou cerca de 1500 a 1600 anos
Sua unidade – tem cerca de 40 autores, mas é um só livro
                         AT – 39 livros
                         NT – 27 livros

                  TOTAL = 66 LIVROS

Antigo Testamento – 17 livros históricos (Gênesis – Ester)
                                                   5 Poéticos (Jó, Salmos, Prov., Eclesiastes e Cânticos)
                                             17 Proféticos (Isaías – Malaquias)
Os 17 livros proféticos estão divididos: 5 dos profetas maiores (Isaías – Daniel) e 12 dos profetas menores (Oséias – Malaquias)

Novo Testamento –  4 Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João)
                                      Atos
                                          21 Epistolas (Romanos – Judas)
                                   1 Apocalíptico (Apocalipse)

Os católicos acrescentam mais 7 livros chamados por nós Apócrifos "apocryphos" que significa oculto, escondido e por eles "deuterocanonicos". São os seguintes: Tobias, 1 Esdras, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (Siraque), Baruque, A Oração de Manassés, 1 e 2 Macabeus, mais vários acréscimos a Ester e Daniel, e 2 Esdras que não esta na versão dos Setenta ou da Septuaginta.
Os judeus estavam acostumados a dividir o AT em três partes principais, a saber:
a)    A lei "Torah" – Os cincos primeiros livros "O Pentateuco" (Gn – Dt).
b)    Os Profetas "Neviim" – São divididos em "os profetas anteriores" ou livros históricos, e os "profetas posteriores" ou livros que são comumente chamados de livros proféticos.
c)    Os Escritos  "Kethubim" – Incluíam: 1) Os livros poéticos (Sl, Pv e Jó); 2) Os cinco rolos (Cantares de Salomão "lido na Páscoa dos judeus", Rute "no pentecostes", Ester "no Purim", Lamentações "na proclamação da destruição de Jerusalém" e Eclesiastes "nos tabernáculos"); 3) Outros livros (Dn, Es, Ne, 1 e 2 Crônicas).

A própria Bíblia divide o AT em três partes, como seguem:
a)    A Lei – Os cincos primeiros livros da Bíblia.
b)    Os Profetas – inclui os 12 livros chamados históricos e os dezessete livros que conhecemos como proféticos.
c)    Os Salmos – incluindo os cinco livros poéticos


2.    Autoridade

Autoridade é o direito ou o poder de exigir obediência. Existe uma crise de autoridade amplamente difundida na sociedade contemporânea, onde a única autoridade aceita por muitos é aquela auto-imposta conscientemente.
Na perspectiva da fé cristã, Deus tem o supremos direito e poder de exigir obediência porque Ele é o Criador e Senhor de todos os homens.
Uma vez que o cristão compreenda este principio fundamental a questão de autoridade torna-se praticamente a de descobrir a vontade e a mente de Deus em qualquer assunto. Mas como encontrar Deus e descobrir sua mente e sua vontade? Mais especificamente, Deus providenciou uma fonte pela qual cheguemos à sua verdade e assim nos submetamos à sua autoridade?

A fonte da autoridade: No decorrer dos séculos os cristãos apelaram para uma variedade de vozes como fonte da autoridade final.


a)    Os credos – resumo das verdades cristãs que foram produzidos nos primeiros séculos para declarar a essência da fé em uma época de confusão teológica. O Credo Apostólico é o mais antigo e mais conhecido. Este credo fornece uma série de pontos básicos para apresentar exposições da fé cristã, mas não serve como padrão e fonte final da verdade cristã.
b)    As confissões históricas – essas declarações da fé cristã pertencem ao período da Reforma e pós-reforma. Ex.: Os 39 Artigos (1571) e a Confissão de Westminster (1647), são mais completas do que o credo, contudo são declarações partidárias refletindo as opiniões de um braço da igreja universal, e, portanto, contendo elementos que não poderiam obter o apoio de outros. Por isso não servem como autoridade final.
c)    A opinião da Igreja – A quem damos ouvidos: teólogos, pastores, comissões, a média da opinião do povo, ou o que? Da mesma forma, se essa "mente", a opinião da Igreja, é nossa autoridade final, qualquer conflito de opinião nos leva a um impasse, desde que não há autoridade superior. O que pensar quando nem sempre a opinião da Igreja foi fiel à "fé entregue aos santos", conforme nos mostra a história da Igreja.
d)    A experiência cristã – Esta abordagem começa com a experiência humana atual de Deus e tenta identificar as doutrinas expressas mediante essa experiência. Limita a verdade cristã, excluindo qualquer verdade que estiver além de nossa experiência imediata, como por exemplo a doutrina da Trindade.
e)    A "voz interior" – este ponto de vista é comum hoje, a "voz" sendo freqüentemente interpretada como a inspiração do Espírito Santo. Ele inclui, é claro, um elemento de verdade; o Espírito Santo cumpre realmente um papel vital na doutrina cristã da autoridade, mas ele opera essencialmente nas Escrituras e através das Escrituras.

Nenhuma das fontes mencionadas acima podem nos levar a conhecer a mente de Deus. Nenhuma delas tem a autoridade plena como fonte da verdade cristã, mas cada uma delas tem algo a contribuir.

f)     A Bíblia – A fonte final da autoridade, é o próprio Deus trino que revelou-se a nós através das palavras da Bíblia. Isto combina três verdades:

1º - Deus tomou a iniciativa: Aprendemos Dele e nos submetemos à sua autoridade direta por causa de sua decisão de revelar-nos a sua pessoa e a sua vontade. Este processo é chamado de "Revelação" – o próprio Deus veio até nós em Jesus Cristo, o Deus-Homem. Jesus Cristo é o mediador de todo o nosso conhecimento de Deus (Jo 1:1; Jo 14:6-9; 1 Co 1:30; Cl 2:3; Ap 19:13).

2º - Nosso conhecimento de Deus vem através da Bíblia. Ele fez com que ela fosse escrita e nos fala hoje como falou ao povo quando essas palavras foram dadas pela primeira vez.

3º - A Bíblia deve ser recebida como a palavra de Deus para nós, reverenciada e obedecida como tal. Quando nos submetemos à sua autoridade, nos colocamos sob a autoridade do Deus vivo que se revela a nós em Jesus Cristo.
Toda pessoa tem uma base de autoridade sobre a qual pensa e age. Para o crente, essa base é a Bíblia.


3.  Revelação

            Revelar significa manifestar algo oculto, para que possa ser visto e conhecido como realmente é. A palavra principal do A.T., "gala", vem de uma raiz significando "nudez" (cf. Êx 20:26), mas é com freqüência usada metaforicamente: em Is 53:1 o braço de Deus é literalmente "desnudado" em sua obra salvadora (cf. Is 52:10); 2 Sm 7:27, "fizeste ao teu servo esta revelação" é literalmente "desnudaste a orelha de teu servo". O equivalente grego, apokalypto, é usado no Novo Testamento apenas no sentido teológico desenvolvido de tornar conhecidas as realidades religiosas (cf. Lc 10:21; Ef 3:5)
A religião cristã é uma religião de revelação, uma fé baseada na afirmação de que Deus veio a nós e manifestou-se.
Se pretendemos conhecer a Deus, a revelação é indispensável por duas razões complementares.

A)   Somos Criaturas - "No principio criou Deus...o homem" (Gn 1:1,27)
      Essas primeiras palavras da Bíblia expressam a distinção entre Deus e a     humanidade.

B)   Somos pecadores
Nossa necessidade de revelação é consideravelmente aumentada pelo nosso pecado. A queda afetou nosso ser em todos os seus aspectos, inclusive nossa percepção da realidade moral e espiritual. O pecado nos torna espiritualmente cegos e ignorantes de Deus (Rm 1:18; 1 Co 1:21; 2 Co 4:4; Ef 2:1; 4:18).
O único meio de conhecer Deus é quando Ele se coloca espontaneamente ao alcance da nossa percepção. Dessa forma, para conhecermos a Deus e termos uma base adequada para nossa compreensão e experiência cristã, a revelação torna-se indispensável.

3.1 – Tipos de revelação

3.1.1 – Revelação geral
      É aquela que Deus fez a todos em toda parte. Ela possui várias formas e característica.
a)    Criação – Sl 19; Rm 1:18-21 (Natureza)
b)    Experiência moral – Rm 2:14-15 declara que quando "os gentios que não têm lei (a lei do At), procedem por natureza de conformidade com a lei...Estes mostram a norma da lei gravada nos seus corações, testemunhando-lhes também a consciência, e os seus pensamentos mutuamente acusando-se ou defendendo-se". Apesar de Deus revelar-se na consciência do não cristão, o conhecimento da vontade de Deus por parte dele é imperfeito devido a queda. O pecado provoca uma insensibilidade moral que prejudica toda nossa consciência de Deus e sua vontade.
c)    A História - Afirma-se que Deus se revela em algum sentido mediante o processo de juízo refletido na ascensão e queda das nações e dos poderes mundiais.

3.1.2 – Revelação especial
      A revelação especial demostra as maneiras como Deus se faz conhecido com uma clareza e plenitude que superam em muito a revelação geral.
a)    Jesus Cristo – é o verbo que "se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1:1,14). Este é o cerne e o clímax de toda a revelação divina, o próprio Deus na pessoa de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
b)    As Escrituras Sagradas - 2 Tm 3:16; Rm 3:2; Jo 10:35)

A Interligação dessas formas
Essas formas não podem ser separadas. Cristo, o Verbo encarnado, é conhecido através da palavra escrita de Deus, a Bíblia. Conhecer Cristo é, naturalmente, uma realidade mais preciosa do que o simples ensino bíblico sobre ele. Mas o Cristo que conhecemos na experiência pessoa é o Cristo do testemunho escriturístico; não existe outro Cristo. A resposta salvadora de Cristo implica em compromisso com ele em termos do testemunho dado pela Escritura sobre ele.

4.  Inspiração

      A revelação diz respeito ao material ou ao conteúdo do qual Deus é apresentado ao homem. A inspiração diz respeito ao registro de tal conteúdo, a Bíblia.
A palavra "inspiração" refere-se à maneira como a auto-revelação de Deus veio a ser expressa nas palavras da Bíblia. Trata-se daquela atividade do Espírito Santo de Deus através da qual Ele dirigiu os autores da Escritura, de modo que seus escritos se tornaram uma transcrição da palavra de Deus ao homem. Chamar a Bíblia de "inspirada" é simplesmente outra maneira de dizer que ela é a auto-revelação de Deus e tem toda a autoridade. De fato, a inspiração divina da Escritura concede-lhe exatamente aquela autoridade que o Espírito confirma.

"Porque toda a Escritura sagrada é inspirada por Deus..." (2 Tm 3:16)
"Porque toda a Escritura sagrada é soprada por Deus..."   (2 Tm 3:16)

O termo inspirado vem de duas palavras gregas e literalmente significa "soprado por Deus". 
Dizer que a Escritura é inspirada é confirmar sua origem e caráter divino e implica em algo mais forte do que a palavra inspiração. Mais corretamente, as Escrituras são "expiradas", isto é, sopradas por Deus..
Inspiração é a ação supervisionadora de Deus sobre os autores humanos da Bíblia, de modo que, usando suas próprias personalidades e estilos, compuseram e registraram sem erro as palavras de Sua revelação ao homem.
A Inspiração se aplica apenas aos manuscritos originais (chamados de autógrafos).

4.1 – Teorias sobre a inspiração
a)    Natural – não há qualquer elemento sobrenatural envolvido. As pessoas que escreveram a Bíblia seriam uma espécie de "gênio de alta classe", assim como Shakespeare, Confúcio, etc.
b)    Mística ou iluminativa – Os autores bíblicos foram cheios do Espírito Santo como qualquer crente pode ser cheio hoje.
c)    Inspiração parcial – Admite certas partes da Bíblia como sobrenaturalmente inspiradas, ou seja, porções da Bíblia que de outra forma seriam desconhecidas (relatos da criação, profecias, etc.)
d)    Mecânica ou ditada – Os autores não passaram de uma maquina de escrever humanas ou ditafones que serviram como instrumentos para que a Palavra de Deus chegasse eventualmente a incorporar-se no cânon sagrado. (Lc 1:3 "porque me pareceu bem...". Partiu da vontade de Lucas e houve muitas pesquisas históricas de primeira mão, dependência direta de fontes anteriores (1 e 2 Cr), empréstimos de outros livros (2 Pe e Jd).
e)    Verbal – Implica que os autores não foram inspirados apenas em sua idéias gerais, mas nas próprias palavras usadas por ele. A idéia é que cada palavra escrita nos manuscritos originais teve a supervisão de Deus.
f)     Plenário – A inspiração reivindicada se estende a toda a Bíblia. Deus fez com que toda Escritura fosse escrita e não apenas as seções que levam as marcas da inspiração mais claramente.

Entre muitos cristãos conservadores há uma posição que se poderia chamar de propósito inspirado da Bíblia. Isto significa simplesmente que, apesar de conter erros de fato e discrepâncias insolúveis em seus conteúdo, a Bíblia possui "integridade doutrinaria" e, assim, cumpre perfeitamente o propósito de Deus para ela.
Deus supervisionou, mas não ditou o conteúdo, Ele usou autores humanos e seus estilos individuais e o produto final, nos manuscritos originais, era isento de erro doutrinário.

Três comentários finais
1.    A Bíblia ensina que ela é direta e soberanamente inspirada por Deus devendo, portanto, ser obedecida como a sua palavra viva dirigida diretamente a nós.
2.    Sempre haverá evidentemente, um elemento de mistério sobre a maneira precisa pela qual a Bíblia foi produzida. Isto não deve surpreender-nos, pois o mistério acompanha inevitavelmente todos os relacionamentos de Deus com suas criaturas. A encarnação é igualmente um "mistério" para nós, pois jamais poderemos estabelecer definitivamente como as naturezas divina e humana são unidas na pessoa de Jesus Cristo.
3.    Em última análise, a questão da inspiração é profundamente relacionada com a nossa doutrina sobre Deus. Se reconhecermos Deus como aquele "que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1:11), que "faz o que quer" (Sl 135:6 BLH) não encontraremos qualquer dificuldade básica. Nada há de incongruente no fato Dele ter produzido um livro que, embora nascido da experiência das suas criaturas, é também, através de sua ordem soberana, a sua própria Palavra dirigida a elas.

5.  Infalível

Aplicada à Escritura, esta palavra deixa implícita a qualidade de não enganar. Esta declaração significa que todas as afirmativas bíblicas são verídicas e dignas de inteira confiança, em contraste com as palavras e declarações humanas "falíveis". Ela afirma que a Escritura não engana porque trata-se do auto-testemunho do próprio Deus.
A infalibilidade das Escrituras refere-se à sua mensagem vista como um toldo. Isto não quer dizer que certas passagens e textos não sejam infalíveis, mas que cada declaração e trecho particular é infalível dentro do contexto da Escritura inteira.
A infalibilidade da Escritura está associada com a intenção na mente do autor.

"Por isso vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebeste, e será assim convosco" (Mc 11:24).
"Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres" (Tg 4:3).
"E esta é a confiança que temos para com ele, que, se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, ele nos ouve" (1 Jo 5:14).




6.  Inerrante

Se a Bíblia foi dirigida em suas próprias palavras pelo Deus da verdade podemos ter confiança em que está livre de erros. Assim sendo, toda a vez em que a Bíblia prescreve o conteúdo da nossa fé (doutrina) ou o padrão de nossa vida (ética) ou registra os eventos reais (história) ela fala a verdade. Devemos novamente esclarecer que o grau de inerrância alegado em qualquer caso particular é relativo ao que o texto pretende ensinar; quando uma passagem da Escritura é interpretada de acordo com a intenção do escritor e em harmonia com outras passagens bíblicas, sua verdade inerrante será percebida claramente.

"E foram para Jericó. Quando Ele saía de Jericó,....., Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho." (Mc 10:46-52)
"Saindo Ele de Jericó, uma grande multidão o acompanhava. E eis que dois cegos, assentados à beira do caminho,...." (Mt 20:29-34)
"Aconteceu que, ao aproximar-se ele de Jericó, estava um cego assentado à beira do caminho, pedindo esmolas..."


Apenas para ilustrar como os tempos mudaram, até poucos anos atrás tudo o que se precisava dizer para expressar convicção de que a Bíblia era plenamente inspirada era "A Bíblia é a Palavra de Deus". Depois, foi preciso acrescentar "A Palavra inspirada de Deus". Mais algum tempo passou e a frase cresceu para "A Palavra verbalmente inspirada de Deus". Daí, para dizer a mesma coisa, era preciso dizer: "A Bíblia é a Palavra de Deus, verbal e plenariamente inspirada". Depois, surgiu a necessidade de dizer: "A Bíblia é a Palavra de Deus, infalível, verbal e plenariamente inspirada". Hoje em dia é preciso usar uma bateria de termo teológicos: "A Bíblia é a Palavra de Deus, infalível, inerrante nos manuscritos originais, verbal e plenariamente inspirada". Apesar de tudo isso, é possível não comunicar exatamente o que se quer dizer!







7.  HERMENÊUTICA – A CIÊNCIA DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA


7.1 – Como compreender a Bíblia

Em relação à Bíblia, revelação trata de seu conteúdo ou material (ato ou processo como Deus se revelou). Inspiração diz respeito ao registro de tal conteúdo (como foi elaborado?), e iluminação trata do significado deste conteúdo (O que ele quer nos ensinar).
O homem não salvo não pode compreender o ministério iluminador do Espírito Santo já que está cego para a verdade de Deus (1 Co 2:14). Isto não significa que nada possa aprender dos fatos da Bíblia, mas sim que ele os considera loucura.
Por outro lado o crente tem a promessa de ser iluminado para compreender o significado do texto bíblico (Jo 16:12-15; 1 Co 2:9-16).
O propósito do ministério de iluminação do Espírito é glorificar a Cristo e não a si mesmo (Jo 16:13).
7.2 – Interpretação

A iluminação, embora assegurada, nem sempre garante compreensão automática. O crente deve estar em comunhão com o Senhor para experimentar esse ministério.
Deve, além disso, estudar, utilizando-se dos mestres dados por Cristo a Igreja (Rm 12:7), bem como das capacidades e dos recursos de que dispuser.

7.2.1 – Princípios básicos para interpretação
a)    Interpreta-la literalmente – Este principio, conhecido tecnicamente como o método gramático-histórico, toma o sentido natural, direto, de um texto ou passagem como sendo fundamental. Esta abordagem "literal" deve ser cuidadosamente distinguida da "literalista". Esta última interpreta as palavras da Escritura de modo rígido, sem fazer concessões a figuras de linguagem, metáforas, formas literária, etc.; para tomar um exemplo extremo: "Pois os olhos do Senhor passam por toda terra, para cima e para baixo" (2 Cr 16:9 BV) ensina a onisciência de Deus e não que um par de olhos celestiais periodicamente varre todo o globo. Uma abordagem "literal" exige que interpretemos a Escritura: 1) Segundo o significado original. 2) Segundo a forma literária (prosa, poesia, parábolas, alegoria (Ez 16), mito, apocalíptica, fabula (Jz 9:8-15), etc. 3) Segundo o contexto
b)    Reconhecer o progresso da revelação – Lembre-se que a Bíblia não foi entregue pronta de uma vez, como um livro completo, mas que chegou da parte de Deus através de muitos autores, durante um período de cerca de 1600 anos. Isto significa que, no processo de sua revelação ao homem, Deus pode ter acrescido ou até mesmo mudado numa era aquilo que Deus dera em outra (como, por exemplo, a proibição do consumo de carne de porco, outrora imposta para o povo de Deus, foi suspensa em nossa era, At 10:10-16; 1 Tm 4:3). Isso é muito importante; doutra sorte, a bíblia conteria contradições aparentemente insolúveis (como Mt 10:5-7 {fim da lei} comparado a Mt 28:18-20 {inicio de uma nova era} salvação é para todos).
c)    A Escritura deve ser interpretada pela Escritura – "A regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura; portanto quando surge uma questão sobre o sentido verdadeiro e completo de qualquer Escritura, ela deve ser pesquisada e determinada por outras passagens que falem mais claramente." (Confissão de Fé de Westminster)
d)    A Escritura só pode ser interpretada pelo Espírito Santo – A verdadeira compreensão não nos é natural; é dom de Deus (Mt 11:25; 16:17) mediante o Espírito Santo (Jo 16:13). Isto não nos isenta do esforço aplicado, nem implica em que possamos isolar-nos de outros cristãos em nosso entendimento da Bíblia. É tolice esperar que Deus nos ensine pela sua Palavra se negligenciarmos a maneira ordenada como nos traz sua verdade, inclusive o dom exercido pelos mestres por ele escolhidos.





  1. Como a Bíblia chegou até nós

A questão de quais livros pertencem à Bíblia é chamada questão canônica. A palavra cânon ("Kanõn" no grego se origina do hebraico "Kaneh") significa régua, padrão de medida, vara de medir, regra, daí deriva o significado secundário, linha, norma, e lei, e, em relação à Bíblia, refere-se à coleção de livros que passaram pelo teste de autenticidade e autoridade, significa ainda que esses livros são nossa regra de vida. Como foi formada esta coleção?

8.1  – Os testes de Canonicidade
Em primeiro lugar é importante lembrarmos que certos livros já eram canônicos antes de qualquer teste lhes ser aplicado. Isto é como dizer que alguns alunos são inteligentes antes mesmo de se lhes ministrar uma prova. Os testes apenas provam aquilo que intrinsecamente já existe. Do mesmo modo, nem a Igreja nem os concílios eclesiástico jamais concederam canonicidade ou autoridade a qualquer livro; o livro era autêntico ou não no momento em que foi escrito. A Igreja ou seus concílios reconheceram certos livros como Palavra de Deus e, com o passar do tempo, aqueles assim reconhecidos foram colecionados para formar o que hoje chamamos Bíblia.
Existem certas sugestões no AT no sentido de que os primeiros cincos livros, o Pentateuco, receberam bem cedo o reconhecimento oficial (Dt 31:11; Js 1:7s; 2 Cr 23:18). As bases da aceitação do cânon no judaísmo não são conhecidas e assim nossa primeira consideração deve ser que o Senhor e seus apóstolos reconheceram o cânon do AT. Jesus discutiu com as autoridades religiosas de sua época sobre vários assuntos, mas nenhuma divergência é registrada quanto ao cânon. Em Lc 11:51 fica implícito que o cânon usado na sinagoga nos dias de Jesus era equivalente ao nosso AT.
Não parece ter havido grande disputa entre os judeus em período algum com respeito ao cânon. A versão grega do AT incluía vários livros apócrifos, mas nenhum deles foi aparentemente reconhecido na Palestina. Não existe qualquer evidência de que os apócrifos tivessem sido reconhecidos e aceitos em qualquer época pelo judaísmo oficial, seja na Palestina ou em Alexandria, e os judeus de hoje continuam considerando como Escritura apenas os livros do nosso AT.
Que testes a Igreja aplicou?
1º - Havia o teste de autoridade do escritor. Em relação ao AT, isto significava a autoridade do legislador, ou do profeta, ou do líder em Israel. No caso do NT, o livro deveria ter sido escrito ou influenciado por um apóstolo para ser reconhecido. Em outras palavras, deveria ter a assinatura ou a aprovação de um apóstolo. Pedro, por exemplo, apoiou a Marcos, e Paulo a Lucas.
2º - Os próprios livros deveriam dar alguma prova intrínseca de seu caráter peculiar, inspirado e autorizado por Deus. Seu conteúdo deveria se mostrar ao leitor como algo diferente de qualquer outro livro por comunicar a revelação de Deus. Seu conteúdo deveria contem a mensagem do "Kerigma".
3º - O veredito das igrejas quanto à natureza canônica dos livros era importante. Na verdade, houve uma surpreendente unanimidade entre as primeiras igrejas quanto aos livros que mereciam lugar entre os inspirados. Nenhum livro cuja autenticidade foi questionada por um número grande de igrejas veios a ser aceito posteriormente como parte do cânon.
O primeiro concílio eclesiástico a reconhecer todos os 27 livros do NT foi o Concílio de Catargo, em 397 A.D.. Alguns livros do NT, individualmente, já haviam sido reconhecidos como canônicos muito antes disso (2 Pe 3:16; 1 Tm 5:18) e a maioria deles foi aceita como canônica no século posterior ao dos apóstolos (Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João e Judas foram debatidos por algum tempo). A seleção do cânon foi um processo que continuou até que cada livro provasse o seu valor, passando pelos testes de canonicidade.

8.2  – A diferença entre canônico e não-canônicos
A diferença essencial entre escritos canônicos e não-canônicos é que aqueles são normativos (tem autoridade), ao passo que estes não são autorizados. Os livros inspirados exercem autoridade sobre os crentes; os não inspirados poderão ter algum valor devocional ou para edificação espiritual, mas jamais devem ser usados para definir ou delimitar doutrinas. Os livros canônicos fornecem o critério para a descoberta da verdade, mediante o qual todos os demais livros (não canônicos) devem ser avaliados e julgados.

A Bíblia é a palavra de Deus, pois sua composição foi inspirada totalmente por Deus.
A Bíblia contem a palavra de Deus, pois nem tudo o que está escrito é propriamente a palavra de Deus (Mt 4:3,6,9).


INTRODUÇÃO AOS LIVROS DA BÍBLIA


1.    Introdução ao Pentateuco
. Grego Pente – cinco; teuchos – estojo para o rolo de papiro. Pentateuco é um termo grego aplicado aos cincos livros de Moisés.
. Idéia dominante do livro – A fundação da nação hebraica.
. O vale dos rios Eufrates e tigre é o local onde viveram os primeiros habitantes da terra e onde a história bíblica começou.
. Autoria – A opinião tradicional é a de que Moisés escreveu o Pentateuco substancialmente como o possuímos, exceto poucos versos do final, onde se relata a sua morte, e interpolações ocasionais feitas por copistas, para efeito de eludição.
. Que diz a arqueologia – A teoria de que a escrita era desconhecida nos dias de Moisés já foi pelos ares, de modo completo. E cada ano no Egito, Palestina e Mesopotâmia[1] estão se escavando evidências, tanto em inscrições como em camadas de terra, de que as narrativas do Antigo Testamento tratam de verdadeiros fatos históricos.
. Provas de que Moisés fez uso da escrita – Êx 17:14; Êx 24:4; 34:27; Nm 17:2; 33:2; Dt 6:9; Dt 24:1-3, etc.
. Quanta ao gênesis parece que ele usou registros que vieram de gerações anteriores.
. A opinião da crítica moderna – é a de que se trata de uma obra heterogênea, produto de várias escolas de sacerdotes, feito desde o oitavo século A.C. baseados em tradições orais.
. Existe uma perfeição espiritual no Pentateuco. Ele nos relata a:


"ordem da Experiência do Povo de Deus"
Gênesis – a ruína através do pecado do homem.
Êxodo – a redenção mediante o sangue do cordeiro e o Espírito de poder.
Levítico – temos comunhão baseada na expiação.
Números – orientação durante a peregrinação.
Deuteronômio – instrução renovada e completada e o povo levado ao destino predeterminado.

"uma revelação progressiva de Deus"
Gênesis – A soberania de Deus na criação e na eleição. (Na escolha de Abraão, Isaque, Jacó e na promessa de dar a eles a terra de Canaã; uma herança predestinada).
Êxodo – Poder remidor de Deus ao libertar Israel do Egito.
Levítico – Santidade de Deus em sua insistência na separação e santificação do povo remido.
Números – Bondade e Severidade de Deus: Severidade para com a geração incrédula que deixou o Egito, mas não pode entrar na herança prometida e bondade para com os filhos desses israelitas, sustentando- os, protegendo-os e preservando-os até ocuparem Canaã.
Deuteronômio – revela a fidelidade de Deus em levar os remidos até a terra que lhes prometera.

2. Gênesis e Apocalipse
É impressionante reconhecer a relação entre Gênesis e o último livro da Bíblia. Existe uma correspondência entre eles, que sugere ser ao mesmo tempo uma prova e um produto do fato de que a Bíblia é uma revelação completada.

Gn responde a pergunta: "Como tudo começou?"
Ap responde a pergunta: "Como tudo terminará?"
Tudo o que fica entre eles é o desenrolar dos acontecimentos de um até o outro.

2.1. Contraste entre um livro e outro
Gn   3:23 paraíso fechado
Ap 21:25 paraíso aberto

Gn   3:24 pecado humano resulta em expulsão
Ap 21:24-25 A graça divina produz reintegração

Gn   3:17 maldição imposta
Ap 22:3   maldição removida

Gn   3:24 Acesso à árvore da vida é vetado
Ap 22:14 Acesso à árvore da vida é recuperado em Cristo

Gn  3:16-19 Começo do sofrimento e da dor
Ap 21:4  Já não haverá morte, nem luto, nem pranto, nem dor

Gn  3:6-7 Um jardim em que entrou a corrupção
Ap 21:27 Uma cidade onde jamais entrará algo contaminado

Gn  3:13 Vemos triunfar a maldade da serpente
Ap 20:10; 22:3 Contemplamos o triunfo final do Cordeiro

Gn 22:10 Primeira habitação do homem foi um Jardim "a beira de um rio"
Ap 22: 1  A eterna habitação do homem redimido será ao lado de um rio que corre para sempre do trono de Deus.


INTRODUÇÃO AO LIVRO DE GÊNESIS


1.    Gênesis
. significa "origem" ou "principio"

2.    Data em que foi escrito -  1433 a.C., aproximadamente
. Embora fosse possível Moisés escrever esse livro no exílio de quarenta anos em Midiã, é duvidoso que ele tivesse a motivação humana ou a inspiração divina para compor essa monumental obra literária. É mais provável que a tenha escrito num período subsequente à sua comissão divina junto à sarça ardente que fez dele um profeta de Deus.
. Gênesis foi provavelmente redigido durante a primeira parte da peregrinação pelo deserto, enquanto procurava instruir Israel sobre as verdades fundamentais divinas e o programa da aliança de Deus para com a nação.

3.    Extensão histórica de Gênesis – 2369 anos
. A história de Gênesis começa com a criação do Universo e do homem e termina com a morte de José, o último dos patriarcas de Israel.
. O período de tempo está especificado na narrativa como sendo de 2369 anos, aceitando-se o texto hebraico massorético.

4.    Objetivos do livro de Gênesis
. Seu objetivo histórico é proporcionar uma narrativa autêntica do origem nobre do homem ao ser criado por Deus, sua queda ignóbil no pecado, com as devidas conseqüências de corrupção e julgamento, e a introdução do reino de Deus e dos programas redentores na terra. A história é mais especifica do que geral, sempre excluindo linhas colaterais a fim de traçar os programas da aliança e redenção.
. O seu objetivo teológico é salientar a soberania de Deus sobre toda a criação e enfatizar a responsabilidade do homem para com o Deus soberano. Reação positiva de obediência traz a graça e o livramento de Deus, sendo que a reação negativa de rejeição e rebeldia acarreta o julgamento divino.

5.    A estrutura de Gênesis
Encontramos duas importantes divisões:
1º divisão: capitulo 1 a 11 História primitiva
2º divisão: capitulo 12 a 50 História patriarcal



1º divisão temos quatro eventos em destaque
-          A CRIAÇÃO (A soberania divina na criação física / A prioridade eterna de Deus)
-          A QUEDA (A soberania divina na tribulação humana / A autoridade moral de Deus)
-          O DILÚVIO (A soberania divina na retribuição histórica / A severidade judicial de Deus)
-          A CRISE DE BABEL (A soberania divina na distribuição racial / A supremacia governamental de Deus)

2º divisão temos quatro pessoas em destaque
-          ABRAÃO (chamado sobrenatural Gn 12:1-3)
-          ISAQUE (nascimento sobrenatural Gn 17:18)
-          JACÓ (cuidado sobrenatural Gn 48:16)
-          JOSÉ (controle sobrenatural)

1º divisão – Processo degeneração
-          Adão (degeneração do indivíduo)
-          Caim (degeneração da família)
-          Noé (degeneração das Nações - civilizações antediluvianas)
-          Babel (degeneração persistindo através das Raças)

2º divisão – Processo de regeneração
-          Abraão, Isaque, Jacó (regeneração do indivíduo)
-          Os filhos de Jacó (regeneração da família)
-          Israel (regeneração com vistas à regeneração final das raças)

Em Abraão, Isaque e Jacó vemos a soberania divina na eleição. Abraão apesar de ser o filho mais moço, é escolhido em lugar de seus dois irmãos mais velho. Isaque é escolhido em lugar de Ismael. Jacó embora tivesse nascido depois de Esaú, é preferido a seu irmão.
Em tudo isso vemos a eleição divina. Deus escolhe a quem quer.

IMPORTANTE: Devemos antes de entrarmos no estudo da criação nos lembrarmos que a história primitiva aglutina gêneros literários diversos: sagas (2; 4; 6-8), mitos (3:1-24; 6:1-4), narrativas didáticas (1:1-2; 3; 9:1-17) e genealogias (5; 10; 11:10-32).

6.    A criação

Esta (a criação) não deve ser confundida ou identificada com qualquer teoria científica sobre as origens. O propósito da doutrina bíblica, em contraste ao propósito da investigação científica, é ético e religioso. A referência a essa doutrina, na Bíblia, está espalhada pelas páginas tanto do Antigo como do Novo Testamento, e não se confina aos capítulos iniciais do livro de Gênesis. Pode-se notar as seguintes referências: nos profetas, Is 40:26, 28; 42:5; 45:18; Jr 10:12-16; Am 4:13; nos Salmos 33:6-9; 90:2; 102:25; também Jó 38:4 e segs.; Ne 9:6; e no Novo Testamento, Jo 1:1 e segs.; At 17:24; Rm 1:20-25; 11:36; Cl 1:16; Hb 1:2; 11:3; Ap 4:11; 10:6.
Um ponto inicial necessário para qualquer consideração sobre essa doutrina é Hb 11:3 "Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus". Isso significa que a doutrina bíblica da criação se baseia na revelação divina e só pode ser compreendida do ponto de vista da fé.

Gn 1:1 "No principio criou Deus os céus e a terra."
            Isto não é teoria humana, mas um "testemunho" divino. "O testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices" (Sl 19:7).
É a primeira grande verdade que Deus quer tornar conhecida ao homem; e este não a poderia conhecer se não fosse pelo testemunho divino.
Não há definição de Deus, nenhuma descrição da criação e nenhuma declaração de data.
As questões acerca da relação entre o primeiro capitulo do livro de Gênesis e as ciências geológicas e biológicas têm sido abordadas de muitos modos. O ponto de vista Concordistas tem procurado encontrar uma correlação mais ou menos exata entre a ciência e a Bíblia. Têm sido traçados paralelos entre as camadas geológicas e as afirmações no livro de Gênesis, formando uma seqüência cronológica. Alguns têm insistido que a frase "segundo a sua espécie" é uma refutação completa da teoria da evolução. Entretanto, não é inteiramente claro que a palavra hebraica para "espécie" (mïn) tenha este ou aquele sentido, exceto como uma observação geral que Deus fez de tal modo as criaturas que elas se reproduzem dentro de suas respectivas famílias. Porém, se o vocábulo hebraico tem sentido obscuro, é igualmente verdade que os agrupamentos biológicos estão longe de ficar finalmente decididos. Fique aceito, entretanto, que a Bíblia está asseverando que, como quer que a vida tenha vindo à existência, Deus está por detrás de todo o processo, e que este capitulo nem afirma nem nega a teoria da evolução, ou qualquer outra teoria sobre a matéria.        
O livro de Gênesis deixa espaço para todo o desenrolar subsequente das Escrituras e todas as descobertas da ciência.
"No principio...Deus" – nega o ateísmo com sua doutrina da não existência de Deus.
"No principio...Deus" – nega o politeísmo com sua doutrina de muitos deuses.
"No principio criou Deus" – nega o fatalismo com sua doutrina do acaso.
"No principio criou Deus" – nega a evolução com sua doutrina de transformação infinita.
"No principio criou Deus os céus e a terra" – nega o panteísmo que identifica Deus com o universo.
"No principio criou Deus os céus e a terra" – nega o materialismo que proclama a eternidade da matéria. As palavras de Hb 11:3 "o visível veio a existir das coisas que não aparecem", consideradas juntamente com Gn 1:1 "No principio criou Deus os céus e a terra" indicam que os mundos não foram formados de qualquer material preexistentes, mas antes foram formados do nada, pela palavra divina. Essas afirmações eliminam a idéia de que a matéria é eterna.


Gn 1:2 "A terra, porem, era sem forma e vazia, havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas"


J. Sidlow Baxter diz que:
"Deve ser feita uma diferença (a Bíblia com certeza a faz) entre a criação original da terra e sua reconstrução subsequente, com o objetivo de torná-la habitável para o homem....
Esse segundo versículo, que diz "a terra era sem forma e vazia" não descreve a primeira condição da terra após sua criação, como muitos pensam. Ele alude a um cataclisma que devastou mais tarde a terra. Os versículos 1 e 2 não tem uma ligação lógica. Existe uma lacuna entre ambos, cuja duração não sabemos. O versículo 2 deveria sem dúvida ser: "E a terra tornou-se (não apenas "era") sem forma e vazia..." – o mesmo termo hebraico usado aqui é interpretado desse modo em Gn 2:7 "O homem passou a ser (tornou-se) alma vivente" ( sem mencionar outros exemplos, em alguns dos quais a interpretação é "veio a ser").
Entre esses dois versículos de Gênesis há amplo espaço para todas as eras geológicas. Ninguém pode afirmar qual o lapso de eras que existe entre eles.
Versículo 1 – trata-se da criação original, no passado sem data.
Versículo 2 – trata-se de um caos que veio mais tarde a terra. Então os seis dias subsequentes descrevem a nova formação da terra com a finalidade de torná-la habitável para o homem.
Não sabemos com certeza o que ocasionou o cataclisma que tornou a terra "sem forma e vazia". A escritura parece fornecer algumas indicações veladas de que isso estava associado a uma rebeldia pré-adâmica e ao juízo de Lúcifer e outros seres angelicais (Is 14:9-17; Jr 4:23-27: Ez 28:12-18, onde a linguagem transcende qualquer limite local ou temporal)."

Em ponto algum da Bíblia é dito que se trata de um registro da criação original. Em síntese, esses seis dias relatam um novo começo, mas não são o primeiro começo.

6.1. Os "sete dias"
Se foram dias de 24 horas, ou longos e sucessivos períodos, não sabemos. A palavra "dias" tem vários sentidos.
Gn 1:5 dia é luz
Gn 1:8 dia parece ser 24 horas
Gn 1:16 dia parece ser 12 horas
Sl 90:4 "Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi, e como a vigília da noite."
2 Pe 3:8 "...um dia é para o Senhor como mil anos, e mil anos como um dia."
Assim, talvez seja melhor não dogmatizar muito sobre a duração dos seis dias da criação.

6.2. O sexto dia (Gn 1:24-31)
Os animais terrestres e o HOMEM. Pronta por fim a terra para ser moradia do homem. Deus o fez à SUA PRÓPRIA IMAGEM e deu-lhe domínio sobre a terra e todas as criaturas dela. Deus viu tudo quanto fizera e achou-o "muito bom", Vs. 10, 12, 18, 21, 25, 31. Logo porem esse quadro se tornou escuro. Deus deve ter sabido de antemão que isso aconteceria, e deve ter considerado toda a obra da criação do homem apenas como um passo avante na direção do mundo glorioso que há de proceder daí, como se diz nos últimos capítulos do Apocalipse.

6.3. O sétimo dia (Gn 2:1-3)
Deus descansou. Não completamente, Jo 5:17, mas com relação a essa obra criadora específica, descansou. Foi isso em que se baseou o sábado Êx 20:11.
1º dia v. 5             3º dia v. 13           5º dia v. 23        7º dia  (é o único que não
2º dia v. 8             4º dia v. 19           6º dia v. 31         há referência sobre tarde
                                                                                                              e manhã)

6.4. "O Hino da Criação"
É uma descrição poética, em movimento cadenciado e majestoso, das etapas sucessivas da criação, vazada no molde bíblico, tão freqüente, do número "sete".
Quem escreveu o "Hino da Criação"? Foi utilizado por Moisés, porem escrito, sem duvida muito antes, talvez por Abraão, ou Noé, ou Enoque ou Adão. A escrita era de uso comum séculos antes de Moisés. Alguns dos "mandamentos, estatutos e leis" de Deus existiam nos dias de Abraão, 600 anos antes de Moisés (Gn 26:5).
Como o autor soube do que aconteceu antes do homem aparecer? Somente pela revelação de Deus.
Quem sabe se Deus mesmo não ensinou este hino, ou a sua essência ao próprio Adão? E podia ser recitado a viva voz, no círculo das famílias, ou cantado ritualmente no culto primitivo, geração após geração, até que se inventou a escrita.



NOTA ARQUEOLÓGICA: Histórias Babilônicas da Criação
Poemas épicos, de várias formas, em placas circulavam antes da época da Abraão, foram achados em anos recentes nas ruínas de Babilônia, Nínive, Nipur e Assur, notavelmente similares ao "Hino da Criação" do Gênesis.
Há "sete" placas (ou épocas) da criação.

-          "No principio" um "primitivo abismo"
-          "Um caos de águas" chamado "o profundo"
-          Os deuses "formaram todas as coisas"
-          Fizeram o "firmamento superior e o inferior"
-          "Estabeleceram os céus e a terra"
-          No 4º dia "puseram em ordem as estrelas"
-          "Fizeram crescer a relva e as ervas verdes"
-          "Os animais do campo, o gado e todas as coisas vivas"
-          No 6º dia "formaram o homem do pó do chão"
-          "Tornaram-se criaturas viventes"
-          "Cada homem com sua esposa habitaram"
-          "Companheiros eram"
-          "Num jardim foi sua morada"
-          "Vestes não conheciam"
-          O "7º" dia foi feito "dia Santo e ordenada a cessação de todo trabalho"

São todas estas histórias Babilônicas e Assírias, acerca da criação, grosseiramente politeísticas. Mas, à vista de tantos traços de semelhança com a narrativa do Gênesis parece que tiveram uma origem comum.
1º - isto é uma evidência de que algumas das idéias do Gênesis embutiram-se
       bem na memória dos primeiros habitantes da terra.
2º - São essas tradições adulteradas um testemunho do fato de que há um
       original divino.

A queda
1.    A teoria LITERAL vê o registro de Gênesis como uma descrição histórica direta. Esta é a posição amplamente aceita na igreja no decorrer dos séculos, e continua a ter muitos defensores sinceros. Ela é menos adotada hoje, mesmo entre aqueles que reconhecem indiscutivelmente a plena inspiração da Escritura.
2.    A teoria MITOLÓGICA rejeita qualquer elemento histórico e trata a história de Gênesis como um quadro religioso que transmite verdades importantes sobre o homem e sua condição moral; a história não diria respeito à origem do pecado, mas à sua essência. Seria errado não considerar isto como um uso suplementar do relato da queda. De fato, Paulo pode ter tratado o assunto mais ou menos desta maneira em Romanos 1, ao descrever o pecado e a rebelião do mundo gentio de sua época. Todavia, este não é o significado principal de Gênesis 3, desde que a rejeição de qualquer elemento histórico não se harmoniza absolutamente com os escritores bíblicos posteriores. A teoria mitológica solapa o conceito bíblico da redenção e deixa o pecado humano totalmente sem explicação.
3.    A teoria HISTÓRICA declara que embora Gênesis 2-3 não deva ser interpretado em sentido literal em todos os pontos, acontecimentos relativos a espaço e tempo estão sendo realmente relatados. A Bíblia comenta a queda como se tratasse de um acontecimento (Rm 5:12ss), localiza o Éden com razoável precisão (Gn 2:10-14) e estabelece Adão em continuidade histórica com Abraão e Israel (Gn 4:1; 5:4; 11:27; Lc 3:38). A queda foi um evento real na história moral do homem.
Em Romanos 5:12ss (cf. 1 Co 15:22) Paulo usa a queda como contraponto para uma exposição da obra redentora de Cristo. Os efeitos de "uma" (isto é, a "primeira") ofensa de Adão (vs. 16,18) são anulados por "um só ato de justiça" (v. 18) de Cristo em sua morte pelos pecadores (cf. 3:25; 4:25; 5:8ss). É impossível manter o paralelo entre a obra de Adão e a obra de Cristo se for negada a queda como um acontecimento no tempo e no espaço.

            Teólogos modernos do Velho Testamento dizem pouco, ou nada, sobre a origem do pecado, ou a queda do homem. Dizem que o AT não tem nenhuma doutrina da queda do homem. Segundo o apóstolo Paulo, o pecado teve origem na transgressão de Adão. É verdade que Paulo dá uma interpretação do significado do pecado de Adão que não se encontra no Velho Testamento senão por implicação.
            Koehler e Burrows dão ênfase ao propósito etiológico na história do pecado de Adão e Eva. Dizem que o autor explica por que a serpente anda de rastos sobre o ventre e come pó; por que há inimizade entre a serpente e o homem; porque a mulher sofre em dar à luz, e por que o seu desejo é para o marido; por que o homem tem que comer pão no suor de seu rosto, por que usa roupa e por que foi expulso do Jardim do Éden.
            Mas a narrativa mostra antes que o propósito do escritor é o de explicar a natureza da tentação, do pecado e das suas conseqüências. O homem criado para seguir a orientação de Deus tem a tendência inveterada de ceder à tentação de seguir o seu próprio caminho, e o resultado da rebelião contra o propósito do Senhor é vergonha e sofrimento. Por causa da solidariedade da natureza humana, o mal do pecador pode envolver gerações subsequentes, como se vê logo na história do pecado de Caim e Lameque. Seja qual for a influência literária da mitologia antiga nesta história da queda do homem, o escritor revela profundo conhecimento psicológico da natureza da tentação e do pecado.

            O Velho Testamento não ensina a depravação total do homem, no sentido de que a natureza humana é tão corrompida que nenhuma pessoa pode fazer, ou pode desejar fazer o que é justo, sem o socorro da graça remidora de Deus.
            O pecado é universal. "Não há justo, nem sequer um" (Rm 3:10, 23; Sl 14:1ss). Jesus Cristo foi o único homem que viveu "sem pecado" (Hb 4:15).
            A extensão do pecado é total, não simplesmente num sentido geográfico, mas também na vida do indivíduo. O pecado afeta o ser humano inteiro: a vontade (Jo 8:34, Rm 7:14-24), a mente e o entendimento (Gn 6:5; 1 Co 1:21; Ef 4:17), as afeições e emoções (Rm 1:24-27; 1 Tm 6:10), assim como nossas palavras e comportamento (Mc 7:21ss; Gl 5:19-21; Tg 3:5-9). Isto tem sido expresso tradicionalmente como depravação total. A frase não implica que sejamos tão maus quanto seria possível, o que nos igualaria aos demônios; porem nenhum aspecto de nossa natureza é deixado intacto pelo pecado; não podemos citar qualquer área de nossa personalidade para reivindicar autojustificação moral.

            O Velho Testamento não diz nada sobre a transmissão da culpa do pecado original à humanidade inteira, mas os escritores falam claramente da natureza perversa do homem, e da sua inclinação para o mal. Mas, apesar da sua natureza pecaminosa, o homem retém a liberdade e a responsabilidade de escolher o bem, ao invés do mal. Também o pecado não tinha destruído a imagem divina no homem, nem a possibilidade da sua restauração (Gn 9:6)

Fica perfeitamente claro para qualquer um que o pecado, com todos seus conseqüentes sofrimentos, existe no mundo inteiro. Como ele entrou? A explicação bíblica é dada em Gn 3. Não é nosso propósito defender essa explanação contra as opiniões humanas contrárias. Nós a apresentamos de maneira expositiva e não controversa.
Aceitamos a explicação das Escrituras, e três coisas fazem parte do relato.
1)    A tentação
2)    A Aceitação
3)    Os resultados

TENTAÇÃO (vs. 1-6) – O fato do ser humano estar sendo simplesmente provado, conforme lemos no capítulo 2:17, tornou-o sujeito à tentação. Mas, lembre-se, o tentador podia somente tentar, não era necessário haver pecado. Notamos que a tentação foi dirigida a Eva isoladamente. Este é o método comum de Satanás.
Houve um aumento gradual na força da tentação.
V. 1 à A principio, a palavra de Deus é apenas posta em dúvida (Gn 2:16-17)
V. 4 à A seguir, é diretamente contestada
V. 5 à A palavra de Deus é pervertida, porque a pessoa tentada continua dando ouvidos ao tentador. O próprio motivo em que se baseia a palavra é pervertido.

ACEITAÇÃO (v. 6) – Satanás primeiro cativou o ouvido, depois os olhos, a seguir o desejo interior e finalmente a vontade.
Eva deu ouvido ao tentador, permitindo depois que seus olhos contemplassem o objeto da tentação. Seu desejo então superou a vontade. Compare o versículo 6 com 1 Jo 2:16 "Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer"a concupiscência da carne. "Agradavel aos olhos" – a concupiscência dos olhos ("boa para se comer" apelo ao sentido fisico / "agradavel aos olhos" apelo estético / "desejável para dar entendimento" apelo ao desejo, ao poder). A primeira tentação no Éden, assim como milhares de tentações que levaram homens e mulheres a pecar desde então, são fundamentalmente idênticas.
"O principal objetivo do tentador é sempre separar cada vez mais a vontade do homem da de Deus".
Gn 2:17 e 3:33 – Sabiam da ordem e ela não poderia ser mais explicita.
1 Tm 2:14 – Eva foi "enganada", mas não Adão. A escolha dele foi deliberada, ao que parece, ao ficar ao lado de Eva na sua queda.

RESULTADOS (Vs. 7-24) – Satanás dissera que os olhos deles se abririam e que conheceriam o bem e o mal (v. 5). O cumprimento foi um tanto quanto sarcástico. Os olhos deles se foram "ABERTOS"!  E eles "CONHECERAM"! – mas que descoberta e que conhecimento!
1º) "Abriram-se então, os olhos de ambos; e, perceberam que estavam nus..." (v.7) à A inocência desapareceu.
2º) "Coseram folhas de figueira, e fizeram cintas para si." (v.7) à Surge a vergonha.
3º) (v.10) à Veio repentinamente à tona uma estranha guerra e paz. Veio o terror de uma faculdade recém-desperta – a da consciência. Assim, com o primeiro pecado surgiu o primeiro medo.
4º) (vs.23-24) à Um afastamento espiritual se produzira entre o homem e Deus. Não somos dignos de apresentar-nos diante de Deus
5º) (Gn 2:17) à O Reino da morte espiritual fora estabelecido. Ficamos incapacitados para fazer a vontade de Deus.
6º) (v.17) à A terra é amaldiçoada.
7º) (v.16) à O homem recebe dominio sobre a mulher.
8º) (v.14) à A serpente é amaldiçoada. (Para os literalistas a serpente voava ou andava)

"A árvore da ciência do bem e do mal", Gn 2:9,17, era "boa para se comer", "agradevel aos olhos" e "desejavel para dar entendimento" Gn 3:6. Fosse qual fosse a natureza exata desta árvore, literal, figurada ou simbólica, o pecado de Adão e Eva, em parte, foi essencialmente este: a transferência da direção de suas vidas, de Deus para eles mesmos. Deus lhes dissera em substância, que podiam fazer tudo que quisessem, EXCETO aquilo só. Foi um teste de obediência para eles. Enquanto se abstiveram, Deus era o seu SENHOR. Quando, a despeito do mandamento divino, fizeram a única coisa que era proibida, tornaram-se senhores de si próprios. Não é esta mesma a essência do pecado humano? Desde o principio, Deus destinou o homem a uma VIDA PERENE, sob a única condição de obediência a Deus. O homem fracassou.
Gn 3:15 – Primeira grande promessa sobre a vinda de um Salvador. Em meio ao julgamento Deus manifesta a misericórdia para com o homem.

Por que Deus fez o homem com a capacidade de pecar?
Podia haver criatura moral sem capacidade de escolher? A LIBERDADE é um dom de Deus ao homem: liberdade de pensar, de escolher, liberdade de consciência, ainda mesmo que o homem use essa liberdade para rejeitar e desobedecer a seu Deus.

Capitulo 4 – Temos Caim e sua linhagem "os filhos dos homens"

Capitulo 5 – Temos Sete e sua linhagem "os filhos de Deus". Alguns afirmam que os "filhos de Deus" mencionados no capitulo 7, são anjos decaidos, isto é, anjos "que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu proprio domicilio", referidos em Judas 6.
            Um pouco de reflexão nos mostrará que esta é uma teoria absurda.

[2]"Os anjos são seres espirituais, assexuados, e, portanto incapazes de experiências sensuais ou processoas sexuais; também não podem reproduzir-se. A sugestão de esses anjos perversos de alguma forma terem tomado a forma humana e se tornado capazes de uma atividade sexual não passa de um disparate, como qualquer um pode verificar. A idéia é inconcebível tanto no terreno psicológico como no fisiológico.... Se os anjos simplesmente tomassem corpos e habitassem neles, isso não os capacitaria de modo algum a experimentar as sensações desses corpos, pois os anjos e os corpos não estariam unidos em uma personalidade, como no caso da mente e corpo humanos.... Se esses "filhos de Deus" em Gênesis eram anjos decaídos, a única maneira de se tornarem humanos e se casarem e terem filhos (6:1, 4) seria submetendo-se a um nascimento humano real – isto é, sendo encarnados e nascidos de mães humanas, mas sem pais humanos! Pensar que isto aconteceu é absurdo."

            "Filhos de Deus" (6:2) – Is 43:6; Is 45:11 – A expressão "meus filhos" é equivalente a "filho de Deus".
            A expressão "filhos de Deus" é usada no AT quase que exclusivamente com referências a anjos (Jó 1:6; 2:1; 38:7), contudo é possivel que neste caso se refira a descendencia piedosa de sete.

Capitulo 6 – As duas linhas se cruzam, com resultados morais trágicos. A separação entre as duas linhagens era vital; sua mistura, fatídica. A condição moral resultante foi espantosa; a corrupção, extrema. Tornou-se inevitável a intervenção divina, assim como o castigo.

Capitulo 7 – O juízo é executado.

O Dilúvio
            Se há um período da história sobre o qual gostaríamos de mais informações é o período antediluviano, entre a queda e o dilúvio. A narrativa de Gênesis mostra-se muito reticente, por uma razão muito simples. Mil e seiscentos anos são concentrados em duas páginas, de modo que não podemos ignorar a ligação significativa entre a queda e o dilúvio, quer vejamos ou não qualquer outro elemento. A narrativa bíblica jamais se preocupa com o simples lapso de tempo, e sim com a importância moral dos eventos.
O dilúvio foi enviado como um ato de juízo e também como uma medida de salvação moral (Gn 6:5-7; 6:11-13).
O diluvio foi universal? Não seria uma hiperbole como em Dt 9:1.

[3]"Existem, porém, dois ou três fatos basicamentes importantes que não podem deixar de ser mencionados. Primeiro, entendamos claramente que não é fundamental para a inspiração das Escrituras afirmar que o dilúvio de Noé foi universal. Segundo a expressão "a terra", que aparece tantas vezes no registro bíblico, não nos obriga a isso, pois o termo hebraico (eretz), traduzido como "terra", frequentemente indica apenas um país ou localidade. Por exemplo, no chamado divino a Abraão, "sai da tua terra", a palavra é eretz, e em muitos outros pontos eretz corresponde a "região". Terceiro do mesmo modo, o termo hebraico (har) traduzido como "monte" (7:20) tem várias conotações. Pode significar pouco mais que outeiros ou planaltos, ou ainda montanhas propriamente ditas. É a palavra repetidamente empregada no título "Monte Sião". Não se exige de modo algum que pensemos em Noé e a arca elevados acima do Alpes e das montanhas do Himalaia, onde, por seu proprio peso, as aguas se tornariam parte da neve e gelos eternos, lugar em que de fato, a arca ficaria enterrada sob milhares de metros de gelo, e onde, mesmo que tal sepultamento na neve fosse de alguma forma superado, a vida na arca teria sido impossivel se não houvesse algum sistema milagroso de "aquecimento central!"

Vamos ver o que Halley fala sobre este assunto em seu livro Manual Bíblico:
[4]"Todos os altos montes, que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos. Pereceu toda a carne que se movia sobre a terra" Gn 7:19,21.
Foram estas, sem dúvida, as próprias palavras com que Sem narrou, ou escreveu, a história do dilúvio a seus filhos e netos. Contou como viu. Temos de interpretar sua linguagem conforme sua própria geografia? Ou conforme a geografia de hoje? Toda a raça, exceto Noé e sua família , foi destruída. Para destruir a raça, bastava que o dilúvio cobrisse, apenas, as regiões habitadas da terra. Aceitando a narrativa como está na Bíblia, houve só DEZ gerações, desde Adão, o primeiro homem. Dispondo de meios primitivos para viajar, como podia UMA família, em DEZ gerações, povoar a terra inteira? É muito provável que a raça não se tivesse espraido para além da Bacia do Eufrates. Não obstante, pensam alguns que o dilúvio cobriu, de fato, a terra toda como hoje a conhecemos, identificando-o com a última grande modificação havida no nível do solo ao fim da Era Glacial, em 10.000 a.C."

O tempo passado na arca – Noé entrou na arca 7 dias antes que começasse a chover (7:4,10). A chuva começou no 17º dia do 2º mês do ano 600º de Noé. Removeu-se a coberta da arca no 1º dia do 1º mês do ano 601º de Noé (8:13). Saída da arca 27º dia do 2º mês (8:14-19). Na arca passaram 1 ano e 17 dias: 5 meses vogando, 7 meses no monte.
O Monte Ararate – Depois de vogar uns 800 kms, ou mais, além do local de onde partira, a arca repousou no pico de um dos montes da Armênia, chamado Ararate. Esse monte tem de altura 5.610 ms. Ao seu sopé fica a cidade chamada Naxuana, ou Nakhitchevan, que alega possuir o tumulo de Noé. O nome significa "Aqui Noé fixou-se".
O Arco Íris – Deus designou-o como sinal de Sus aliança com o gênero humano, de que não haveria outro dilúvio (9:8-17). A próxima destruição da terra será pelo fogo (2 Pe 3:7).
A profecia de Noé – (9:25-27) Os descendentes de Cão seriam raças de servos; os semitas preservariam o conhecimento do verdadeiro Deus; as raças jaféticas haveriam de dominar vastíssima porção do mundo e suplantar as raças semíticas como doutrinadores de Deus. Foi cumprido isso quando os israelitas tomaram Canaã, os gregos conquistaram Sidom, e Roma capturou Catargo. Desde então as raças jaféticas têm dominado o mundo e se têm convertido ao Deus de Sem enquanto as raças semíticas têm ocupado posição de relativa insignificância, e as raças camíticas, uma condição servil. Foi uma admirável previsão da história.
A Arca – Media 138 metros de cumprimento, 23 metros de largura e 14 metros de altura. Toda a Arca tem 65.000 metros cubicos, isto equivale ao tamanho de um transatlântico moderno. Sua capacidade de carga equivalia a 522 vagões de cargas normais. Poderia levar 45.000 animais.
Notamos, finalmente, que após a destruição de toda a raça adâmica restou um homem que, com sua família, "achou graça diante de Deus" Gn 6:8.
"Noé era homem justo e integro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus" Gn 6:9.
Este homem e sua família foram poupados.
A família de Noé desembarcou da arca no Monte Ararate, perto das cabeceiras do Eufrates. Parece que depois migrou 804 Kms. De volta, na direção sudeste, e estabeleceu-se em Babilônia, seu lar de antes do dilúvio. Cem anos depois (10:25) dispersou-se com a confusão das línguas.
Satanás pode fazer o que seja pior, o homem pode afundar ao maximo e o juízo pode ser executado até o extremo, mas o propósito final do Senhor jamais deixará de ser alcançado. Ele segue adiante e triunfará um dia "em novos céus e nova terra", onde haverá justiça e glória incomparaveis.

A Torre de Babel
            A confusão das línguas ocorreu na quarta geração após o dilúvio, mais ou menos ao tempo do nascimento de Pelegue (10:25), 101 anos após o dilúvio e 326 antes da chamada de Abraão. Foi o meio de que Deus se serviu para dispersar a raça e encaminhá-la à tarefa de subjugar a terra. Isto pode explicar, em parte, a variedade de deuses, e, também, a variação por que passaram nomes de pessoas antediluvianas.
O trabalho da Torre de [5]Babel foi suspenso temporariamente; logo mais foi reiniciado pelos que permaneceram em Babilônia; A Torre tornou-se o centro à volta do qual a cidade da Babilônia foi construída, bem como o modelo de outras torres em outras cidades babilônicas, e pode ter sugerido a forma da pirâmides do Egito.

1.    Gn 11:4 – "uma torre cujo topo chegue até aos céus" exprime o vasto orgulho dos primeiros edificadores de Zigurates, as colinas-templo artificiais da Suméria e da Babilônia.
2.    "Tornemos célebre o nosso nome" - O antigo espírito da rebeldia, da adoração ao homem, e da soberba humana, dominava mais uma vez. "Para que não sejamos espalhados por toda a terra!" - A idéia era concentrar, edificar grupos e cidades poderosas aos invés de obedecer à ordem divina de Gn 9:1.
3.    Alguns Zigurates ainda existem em Ur e Ereque (moderno Warca), e sua construção ilustra Gn 11:3 e 4. Seu único propósito, em todas as descobertas, foi revelado como sendo a adoração idólatra, e nisto se percebe o pecado dos edificadores de Babel.

A dispersão em Babel [6]"O fato essencial a ser compreendido é que a pluralização da linguagem humana foi uma medida restritiva culminante, sendo precipitada por um acordo humano no sentido de estabelecer um grande centro racial, com uma elevada torre astral. Não devemos atribuir a esses construtores da antiguidade a estupidez de imaginar que pudessem edificar uma torre que chegasse aos céus. O texto, na verdade, não se refere à altura da torre, mas diz, "e seu topo com os céus", ou seja, com um planisfério astronômico, figuras do zodíaco e desenhos das constelações – como encontramos nos templos antigos de Esneh e Denderah no Egito. Talvez devêssemos dar a confirmação do falecido Tenente-General Chesney. Depois de escrever outras descobertas entre as ruínas da Babilônia ele declara: "Cerca de cinco milhões a sudoeste de Hillah, a mais notável de todas as ruínas, a Birs Nimroud dos árabes, levanta-se a uma altura de 46 metros acima da planície sobre uma base quadrada de 121 metros de lado. Ela foi construída de tijolos secos no forno, em sete estagios, a fim de corresponder aos planetas a que foram dedicados: a inferior preta, a cor de Saturno; a seguinte laranja, para Júpiter; a terceira vermelha para Marte; e assim por diante. Esses estágios eram encimados (posto em cima) por uma elevada torre, no cume da qual, segundo nos foi dito, encontravam-se os signos do zodíaco e outras figuras astronômicas; tendo portanto (como deveria ter sido traduzido) uma representação dos céus, em lugar de um 'topo que chegue até aos céus' "..., a partir deste ponto, Babel, ou Babilônia, torna-se a cidade-símbolo do "mundo perverso atual", energizado, como e é, pelo arqui-rebelde Satanás. A completa destuição da Babilônia de Isaías 13:19:22, é uma das maravilhas da profecia bíblica. Mas a Babilônia continua vivendo em forma de "mistério", como lemos no livro de Apocalipse; e a destruição da Babilônia histórica tipifica a futura ruína da Babilônia misteriosa e do presente sistema mundial."




O ENSINO DOS TIPOS EM GÊNESIS
            As escrituras do Antigo Testamento contêm, de fato, inúmeros significados tipológicos latentes. Exemplos de seu conteúdo tipológico são repetidamente citados no Novo Testamento; eis alguns deles:

Pessoas: "Adão... era a figura (typos = tipo) daquele que havia de vir" (Rm 5:14).
                "Melquisedeque... feito semelhante (aphomoiao = à semelhança de) ao
                 Filho de Deus" (Hb 7:3).

Objetos: "E a pedra (da qual os israelitas beberam. Êx 17) era Cristo" (1 Co 10:4).
              "O primeiro tabernáculo... é uma parábola (parabole = figura ou
               comparação)" (Hb 9:8,9).

Eventos: "Noé... salvo através da água, a qual, figurando (antitypos = antitipo) o
                batismo, agora, também vos salva" (1 Pe 3:21).
               "Abraão... porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo
                dentre os mortos, de onde também, figuradamente (parabole = símile), o
                recobrou" (Hb 11:19).

"Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós,..." (1 Co 10:6).

O valor da tipologia
            A presença deste conteúdo tipológico latente contribui para que as Escrituras do AT se revistam de nova e maravilhosa riqueza de significado; é lamentável, portanto, que o estudo dos tipos tenha caído em considerável desfavor em alguns setores, em vista de as interpretações alegóricas e místicas terem sido levadas a extremos insensatos sem qualquer base neotestamentária. Quando estudada com bom senso e de acordo com o ensino do Novo Testamento, a tipologia do Antigo é um tesouro precioso para quem estuda a Bíblia, não devendo ser de forma alguma negligenciada.
Além disso a tipologia do AT fornece uma grande prova de sua inspiração divina. Se este significado tipológico é de fato inerente, ele indiscutivelmente atesta uma sabedoria e presciência sobre-humanas! – pois os tipos do AT não só evidenciam a habilidade suprema do Autor Divino como são uma forma de profecia, prefigurando pessoas e coisas que ainda estavam por vir e revelando que Deus previu todos os eventos futuros.

Princípios de Interpretação
            Duas precauções devem sempre estar em nossa mente na interpretação e aplicação dos tipos. Primeira: nenhuma doutrina ou teoria deve ser construída sobre um tipo ou tipos, independentemente de ensino direto em qualquer outro ponto das Escrituras. Os tipos tem como alvo ampliar e dar vida à doutrina, mas não originá-la. Eles são esclarecedores, mas não fundamentais. O seu propósito é ilustrar e não formular.
Segunda: o paralelismo entre o tipo e o antítipo não deve ser levado a extremos. Os tipos, ao que parece, não devem ser réplicas exatas daquilo que simbolizam, mas devem enriquecer e iluminar nossa compreensão dos aspectos mais essenciais no antítipo. Quando a interpretação dos tipos chega em entrar em minúcias insignificantes, ela degenera em alegorização fantasiosa, apresentando muitos perigos.
Pode ser útil acrescentar aqui que nenhuma pessoa, objeto, eventos ou instituição do AT deve ser dogmaticamente confirmado como tipo sem uma garantia clara do Novo Testamento.

Tipos em Gênesis
Adão – tipo de Cristo / Eva – tipo da Igreja / Caim e Abel – carnal versus espiritual / Enoque – a futura transladação / Sobreviventes do dilúvio – a Igreja / Ló – tipo do crente mundano / Melquisedeque – tipo de Cristo / Hagar e Sara – lei versus graça / Ismael e Isaque – carne versus espírito / Abraão – (22 e 24) / Isaque – O Cristo (22 e 24 etc.) / O servo – O Espírito (24) / Rebeca – A Igreja (24) / José – tipo de Cristo.



Modelos de tipos em Gênesis
1.    Os sobreviventes do dilúvio – um tipo da igreja
Noé e os que foram salvos com ele na arca são tipos extraordinários dos cristãos e da Igreja como um todo (veja Gn 6-9).
1.1 . Chamados
A entrada na arca foi uma resposta ao chamado divino. "Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa" (Gn 7:1)
Assim também, o verdadeiro povo de Cristo, além de ter sido escolhido eternamente Nele, entra em união vital com Cristo mediante um chamado divino. Lemos então em Rm 8:30  "E aos que predestinou (Deus), a esses também chamou". E em 1 Co 1:9 "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho..."
1.2 . Crentes
Noé construiu a arca e entrou nela com sua família, porque cria em Deus (7:4 e 7:7). Veja também Hebreus 11:7 – "Pela fé Noé...aparelhou uma arca".
Assim o povo de Cristo é constituído exclusivamente de crentes. Veja Hebreus 10:39 "... somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma" (e muitas outras passagens). Note: a fé que Noé possuía o tornou obediente (Gn 6:22; 7:5). É isso que acontece com o cristão (1 Pe 1:22; Rm 16:26 etc). Essa fé também lhe imputou justiça (Hb 11:7 e Gn 7:1). O mesmo se da com a fé do cristão (Rm 5:1; 10:4).
1.3. Separados
A arca que efetuou a salvação também envolveu separação. Noé já estava separado de sua geração perversa, no espírito e estilo de vida. Sua entrada na arca foi o apogeu visível daquela geração.
Os cristãos são igualmente um povo separado. "eles não são do mundo" (Jo 17:16); "povo de propriedade exclusiva de Deus" (1 Pe 2:9); e dessa maneira, somos exortados a tornar a nossa separação prática e evidente: "retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor" (2 Co 6:17).
1.4. Levantados
Quanto mais crescia o dilúvio, tanto mais a arca se erguia sobre as águas. Enquanto o mundo pecador se achava sob o dilúvio de juízo e morte, os que se encontravam na arca eram levantados acima dele e estavam a salvo (Gn 7:17-19). Em uma figura notável, a arca significou então vida a partir da morte.
Isto tem o seu equivalente na experiência do cristão. "(A arca) figurando o batismo, agora também vos salva... por meio do ressurreição de Jesus Cristo" (1 Pe 3:21). "... ressuscitados juntamente com Cristo" (Cl 3:1).
1.5. Recompensados
Eles não só sobreviveram ao dilúvio, mas também se tornaram donos de um novo mundo (Gn 8:15-19). O mesmo acontecerá aos remidos em Cristo. "Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (2 Pe 3:13). Veja também Ap 21:1-4

2.    José – um tipo de Cristo
2.1.        O filho amado
"Ora Israel amava mais a José que a todos seus filhos" (Gn 37:3). Cristo também é o Filho amado em quem o Pai divino se compraz de maneira especial (Mt 3:17; Cl 1:13).
2.2.        O servo Rejeitado
-          Odiado – José foi odiado por seus irmãos (Gn 37:4, 8). Isto também se aplica a Cristo (Jo 15:24; Lc 19:14).
-          Vendido – José foi vendido pelos seus irmãos por vinte peças de prata (Gn 37:27, 28) aos gentios. Cristo foi vendido por trinta peças de prata (Mt 27:9) e entregue aos gentios.
-          Sofrimento – Compare Gn 37:23, 24 com 42:21. Veja José no mercado de escravos, a seguir sob tentação (39:7-12), em novas adversidades (39:20). Cristo também foi tentado, sofreu nas mãos dos soldados romanos.
2.3.        O salvador exaltado
-          Exaltado com sabedoria e poder de Deus para a salvação (Gn 41:38-43). Cristo (Fl 2:5-11; 1 Co 1;24).
-          Exaltado entre seu irmãos (Gn 42:6; 43:26). Também Jesus foi exaltado entre seus irmãos (Ap 1:7; Jr 23:5-6; Ef 1:9-10; Ap 1:18).


Abraão, Isaque, Jacó e José
            Chegamos agora aos patriarcas pós-diluvianos e, para economizar espaço, os agrupamos, apesar de termos muito a dizer sobre eles separadamente. Seguindo a tipologia da regeneração em Noé, esses quatros personagens evidenciam, de modo especial, as qualidades e as características da vida regenerada. Eles nos mostram as formas de vida após a regeneração.
            Em ABRAÃO vemos a vida de fé. Ele se destaca como o exemplo supremo da vida de fé. É o homem fiel que avança, confiante na orientação divina, crendo nas promessas divinas, recebendo as confirmações divinas, herdando a benção divina, submetendo-se a grandes provações e, apesar de falhas ocasionais, sendo "justificado" pela fé e chamado "amigo de Deus".
            Em ABRAÃO Deus anuncia o projeto de abençoar todas as famílias da terra (Gn 12:3), mostrando que mesmo antes da lei Deus pensava na salvação dos gentios.
            Em ISAQUE             vemos a vida de filiação. O registro de Gênesis enfatiza com clareza a filiação singular de Isaque. Ele é o filho da promessa especial, do nascimento especial, de valor especial, o filho único de sua mãe e o único herdeiro de seu pai, o filho festejado ao desmamar, através de quem as promessas serão cumpridas e para quem uma esposa especial deve ser escolhida.
            JACÓ nos apresenta a vida de serviço. Jacó é aquela vida que (como no seu nascimento) "segura com a mão". Jacó é o obreiro completo, sempre com as mãos ocupadas. O seu serviço é incansável. Comete erros de método e atuação, todavia há benção, pois no coração a motivação é boa. O obreiro ocupado gostaria mesmo de realizar os propósitos divinos mais depressa, até que Deus toca a coxa do servo e o ensina a ser também um príncipe na oração. Jacó, porém, é espiritual em seu íntimo, como mostram todas as suas palavras. Esaú vende o seu direito de primogenitura por comida. Jacó dispensa a comida pelo direito de primogenitura, a fim de obter de algum modo a herança. Jacó oferece positivamente um exemplo de atividade zelosa, trabalho, serviço, um desejo profundo de ser o continuador do projeto de Deus para abençoar as nações, algo não encontrado em Esaú.
            Em JOSÉ finalmente é estabelecido o tipo mais excelente e superior da vida regenerada. Os esboços biográficos na Bíblia são sempre imparciais e fiéis aos fatos; embora mais espaço seja dedicado a José do que a qualquer outro assunto em Gênesis, não se encontra, em todo o registro, qualquer palavra de censura divina a José. Vemos nele a vida de sofrimento e glória. Fé, filiação e serviço são aqui combinados em algo mais profundo e grandioso, resultando em domínio completo sobre o mundo e a carne. O Egito (tipo do mundo e da vida controlada pelos sentidos), que fora uma armadilha para Abraão e Isaque, é completamente dominado. Esta é a "comunhão dos seus sofrimentos (de Cristo) e o poder da sua ressureição". Este é o caráter do indivíduo regenerado que se torna "perfeito através dos sofrimento". Eis aqui o sofrer e reinar com Cristo, e ser "glorificado como Ele"!
      Lembre-se que essa é uma analise tipológica e não biográfica.

Capítulo 12 e 13
            Começa aqui a história da redenção. Dela houve uma idéia vaga no Jardim do Éden (Gn 3:15). Agora, 2000 anos após a criação e a queda do homem, 400 anos após o dilúvio, numa terra que descambara para a idolatria e a maldade, Deus chamou Abrão para fazê-lo fundador de um movimento que tinha por objetivo a RECUPERAÇÃO e a REDENÇÃO do gênero humano.
            Nessa era pioneira do mundo, enquanto as nações não passavam muito de comunidades tribais, vivendo de explorar e colonizar as regiões mais favoráveis. Abrão, homem justo, crente em Deus, não idólatra, um dos poucos que ainda mantinham a tradição do monoteísmo primitivo recebeu de Deus a promessa de que seus descendentes: 1) Herdariam a terra de Canaã. 2) Tornar-se-iam grande nação. 3) E que mediante eles todas as nações seriam abençoadas.
            Esta promessa (Gn 12:2-3; 22:18) é a idéia fundamental que na Bíblia inteira tem seu desenvolvimento.
            Quando Abraão nasceu seu pai tinha 130 anos. Abraão tinha 75 anos quando entrou em Canaã; tinha 80 anos quando livrou Ló e encontrou-se com Melquisedeque; tinha 86 anos quando Ismael nasceu; tinha 99 anos quando Sodoma foi destruída; tinha 100 anos quando Isaque nasceu; tinha 137 anos quando Sara morreu; tinha 160 anos quando Jacó nasceu e 175 anos quando morreu.


Capítulo 16:1-16 – Nascimento de Ismael (origem dos povos Árabes).
Capítulo 17:1-8 – Deus muda o nome de Abrão para Abraão.
Capítulo 17:9-14 – Aliança (circuncisão)
Capítulo 21:1-7 – Nascimento de Isaque (origem do povo Judeu)


INTRODUÇÃO AO LIVRO DE ÊXODO

1.    Êxodo
. Significa "saída", o livro recebeu este nome dos tradutores da Septuaginta devido ao fato de seu tema central tratar das ações redentoras de Deus para com o seu povo.

2.    Autor
. Como em Gênesis, a autoria de Moisés é confirmada pela estreita conexão e unidade como os livros restantes do Pentateuco. Neste livro, entretanto, Moisés coloca-se como o centro de todas as ações (17:14; 24:4; 25:9; 36:1).

3.    Data em que foi escrito
. 1440 a.C. aproximadamente. Se Moisés escreveu Gênesis nessa data, deve tê-lo feito durante a primeira parte de sua peregrinação com o povo judeu pelo deserto de Cades-Barnéia.

4.    Data do êxodo
. 1445 a.C. aproximadamente.
. 1 Rs 6:1 coloca o êxodo 480 anos antes de Salomão começar a construir o templo, o que está fixado em 967 a.C.
. Juízes 11:26 coloca a conquista da Transjordânia 300 anos antes da época de Jefté (que viveu ao redor de 1100 a.C.).
. Atos 13:17-20 dá o período aproximado do êxodo a Samuel como sendo 450 anos. Samuel morreu por volta de 1020 a.C.


5.    As religiões do Egito
. Os egípcios antigos eram muitos religiosos, adorando uma infinidade de divindades. Tinham deuses nacionais e locais, além de fetiches (ídolos ou amuletos) relacionados a inúmeras manifestações da natureza.
. As divindades mais importantes tinham imensos templos.
. Os seus sacerdotes exerciam grande poder sobre o povo e os políticos egípcios.
. Todas as religiões praticadas no Egito defendiam a crença na vida após a morte. Tal crença levou o povo egípcio a se preocupar, como nenhum outro, com os preparativos para o sepultamento.
. A circuncisão era um dos seus ritos mais notáveis (provavelmente influência recebida dos hebreus).

6.    A vida de Moisés
. Os primeiros quarenta anos de sua vida Moisés passou no lar dos seus pais e no palácio do Faraó. Nascido em Gósen mais ou menos em 1525 a.C., foi o segundo filho de Anrão e Joquebede, da tribo de levi. No lar paterno Moisés recebeu a sua formação religiosa, e na corte do Faraó adquiriu conhecimento intelectual e político, além de treinamento militar.
. Os segundos quarenta anos passou exilado em Midiã, fugindo do Faraó, meditando e trabalhando como pastor. Casou-se com Zípora, filha de Jetro, o sacerdote, e nasceram-lhe dois filhos, Gérson e Eleizer (Êx 18:34).
. Os últimos quarenta anos de sua vida ele os viveu no Egito e no deserto, na condição de primeiro lider de Israel. Serviu ao Senhor como profeta, sacerdote e rei, muito antes de esses cargos serem estabelecidos entre os judeus. Ensinou a todos como um profeta; como um sacerdote intercedeu por eles quando caíram na idolatria e, como líder, retirou-os da servidão e os organizou como o povo da Aliança de Deus.



7.    Os Faraós do tempo de Moisés
. Amosis I (1580-1558) – não somente continuou a opressão dos combativos hicsos sobre o povo judeu, mas até aumentou-a, provavelmente devido à formação estrangeira de Israel e seu crescimento demografico.
. Totmés I (1539-1514) – ordenou a matança dos meninos na época em que Moisés nasceu.
. A Rainha Hatshepsut (1504-1482) – filha de Totmés I e esposa de Totmés II (1520-1504), usurpou o trono depois da morte deste, e foi provavelmente a filha de faraó que adotou Moisés em 1525.
. Totmés III (1504-1450) – foi dele que Moisés fugiu para o deserto de Midiã (apesar de Hatshepsut, na época dessa fuga, ainda estar viva).
. Amenófis II (1450-1426) – foi o faraó com quem Moisés se confrontou e a quem Deus mandou as pragas. O faraó seguinte (Totmés IV) não era o seu herdeiro natural, mas um filho nascido mais tarde, o que sugere que o primogênito tenha morrido.

8.    Objetivo do livro de êxodo
. Apresentar a origem da nação de Israel. Este livro apresenta o antigo registro da origem e organização de Israel. Descreve o seu princípio ignominioso em terra estranha sob pesada e cruel servidão, o livramento divino de captores relutantes e a pronta organização do povo com um conjunto de leis espirituais, sociais e civis para o governo da comunidade.
. O principal objetivo de Êxodo é descrever como Deus livrou Israel da servidão e da idolatria no Egito, conduzindo-o a um lugar de destaque na condição de povo exclusivamente seu, num relacionamento de aliança teocrática. Moisés preservou para o povo um registro do seu passado ignominioso (infame, vergonhoso), do livramento e redenção dados pelo Senhor através do seu poderoso braço, e do sangue de um cordeiro. Três grandes acontecimentos definem o objetivo didático do livro: a saída do Egito, a entrega da lei e a construção do tabernáculo.
A estrutura de Êxodo
            O título "Êxodo", que significa "saída", comunica corretamente o tema principal do livro; mas dois outros assunto acham-se associados com o êxodo, resultando diretamente dele e complementando-o: a lei e o tabernáculo. Assim, o livro dividi-se naturalmente em:
1.    O Êxodo – 1-18
1.1.        Planejado – 1-4
1.2.        Obstruído – 5-11
1.3.        Efetuado – 12-18

                                                              2.   A lei – 19-24
                   2.1.    "Mandamentos" (rege a vida Moral) – 19-20
                   2.2.    "Juízos" (rege a vida Social) – 21-23
                   2.2.    "Ordenanças" (rege a vida Religiosa) - 24
             
3.   O Tabernáculo – 25-40
3.1.        Projetado – 25-31
3.2.        Adiado – 32-34
3.3.        Completado – 35-40

            Cada uma das três divisões principais do livro se subdividem em três partes secundárias.

Poder, Santidade e Sabedoria Divinos
            Este plano tríplice sugere imediatamente a importância fundamental do livro. Observe, em primeiro lugar, o ensino acerca de Deus. No êxodo (1-18), vemos o poder de Deus. Na lei (19-24), vemos a santidade de Deus. No tabernáculo (25-40), vemos a sabedoria de Deus. Já aprendemos que a mensagem suprema de Gênesis é a soberania divina. É muito adequado que, agora, então, o livro de Êxodo nos apresente o poder, santidade e sabedoria divinos em grande destaque!

Vida, lei e Amor
            Note também o que é ensinado aqui sobre ISRAEL. No êxodo, Israel é introduzido em uma nova condição - a liberdade. Na lei, Israel é levado a uma nova constituição - a teocracia. No tabernáculo, Israel adota um novo conceito - de adoração e de Deus. Mediante o êxodo eles são impelidos a uma nova liberdade. Pela lei são submetidos a um novo governo. Através do tabernáculo são introduzidos em uma nova comunhão.
            Essas coisas falam ao povo de Deus, em todos os tempos, dos princípios básicos subjacentes aos tratos divinos conosco. Aqui, no êxodo, na lei e no tabernáculo, encontramos redenção, reconstrução, reconciliação. Aqui estão vida, lei e amor. O êxodo leva a uma vida nova e mais plena. O Sinai condiciona a nova vida à única lei perfeita. O tabernáculo leva ao amor sublime, a base de ambas as vidas.

Liberdade, Responsabilidade e Privilégio
            O problema fundamental de que as várias filosofias de vida procuram tratar é o da liberdade, responsabilidade e privilégio humanos. Liberdade sem lei é abuso. Responsabilidade sem liberdade é escravidão. Liberdade e responsabilidade juntas, sem privilégio – sem recompensa e castigos – perdem sua motivação e seu sentido. No êxodo, na lei e no tabernáculo vemos essas três coisas – no êxodo, liberdade; na lei, responsabilidade; no Tabernáculo, privilégio.

O Êxodo e o Egito
            Pense no significado do êxodo em relação ao Egito. Ele simbolizou especialmente três coisas. Antes de mais nada, foi a primeira grande demonstração da falsidade da idolatria. À medida que o tempo passava, a grande e primeira auto-revelação de Deus e de Sua verdade aos primeiros pais da raça, era cada vez mais obscurecidos ou desfigurada pela mente e vontade corruptas do homem decaído. Sistemas de idolatrias foram estabelecidos (Js 24:2, 14, 15), e o homem criou toda espécie de deuses para si. Na época do êxodo, o Egito talvez fosse o maior reino da terra. Seus deuses eram, portanto, considerados poderosos. Quando Deus chamasse o povo de Israel para sua nova vida e sua missão nacional de restaurar o conhecimento do Deus verdadeiro e único, Ele iria, ao mesmo tempo, expor a falsidade de todas as divindades inventadas pelo homem. Por isso, diz: "... executarei juízo sobre todos os deuses do Egito: Eu sou o Senhor" (Êx 12:12; Nm 33:4). Esta destruição dos deuses egípcios não só fez com que até os magos do Egito confessassem: "Isto é o dedo de Deus" (Êx 8:19), mas por ser tão evidente, tornou-se também uma lição para todos os povos da época (Êx 15:14-15; 18:11; Js 9:9).
            Segunda, a derrota do Egito demonstra a inutilidade, o pecado e a loucura de tentar resistir ao Senhor Deus de Israel, o único Deus verdadeiro. No ínicio da disputa, Faraó perguntou com desprezo: "Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz?" (Êx 5:2). A intençao do êxodo era responder a essa pergunta de maneira a tornar-se uma lição para todos os homens de todos os tempos.
            Terceira, deve ser lembrado que todas as principais características do êxodo possuem uma importância tipológica e que, de acordo com isto, o Egito, o cenário do êxodo, é um tipo do "mundo", no sentido de corrupção moral. O Egito é um tipo do mundo (1) em sua riqueza material e poder (Hb 11:26); (2) em sua sabedoria carnal e falsa religião (Êx 8:7; 1 Rs 4:30); (3) em seu príncipe despótico, Faraó, que é um tipo de Satanás; (4) em sua perseguição ao povo de Deus (Dt 4:20); (5) em sua destruição pelo juízo divino (Êx 12:29; Êx 15:4-7). Nas pragas, na morte dos primogênitos e no afogamento do exército egípcios, vemos a tribulação final (sofrimentos), o juízo e a destruição do sistema mundial em que vivemos.

O Êxodo e Israel
Pense no que o êxodo significou para Israel. São quatro significados básicos. Primeiro: marcou o início de uma nova VIDA (Êx 12:2). A nova vida é marcada pelo começo de um novo calendário. Segundo, o êxodo significou o começo de uma nova LIBERDADE (Êx 13:3). Terceiro, o êxodo significou o início de uma nova COMUNHÃO. A partir deste momento Deus estaria sempre ao lado do Seu povo para lhes instruir. Isto foi simbolizado na "festa" instituída para a Páscoa (Êx 12:14). No AT a festa é sempre símbolo de comunhão. Quarto, o êxodo marcou o início de uma nova SEGURANÇA (Êx 6:7,8), pois Deus agora era o Senhor sobre o povo de Israel. 

O Êxodo e o Evangelho
1.    Principais Semelhanças
1.1.        O êxodo trouxe uma emancipação majestosa para Israel. O evangelho traz libertação da culpa, do castigo e da servidão do pecado.
1.2.        O êxodo foi centrado na Páscoa e no cordeiro sacrificado. O evangelho é centrado na grande páscoa do Calvário e "no Cordeiro morto desde a fundação do mundo".
1.3.        O êxodo foi, desde então, comemorado na festa da Páscoa. Assim sendo, "Cristo, nosso cordeiro Pascal, foi imolado. Por isso celebremos a festa" (1 Co 5:7-8).

2.    Principais Contrastes
2.1.        Nos meios. O sangue protetor, no êxodo, era o de um simples animal. No evangelho, ele é "o sangue precioso de Cristo". No primeiro caso, muitos cordeiros são sacrificados; no segundo, Um só por todos.
2.2.        Na extensão. O êxodo foi nacional e portanto limitado. O evangelho é universal, sua expressão característica é "quem quer que...".
2.3.        Nos efeitos. O primeiro significa libertação das algemas físicas; o segundo, da servidão espiritual. Uma liberdade era temporal, a outra eterna. A primeira abria caminho para uma Canaã terrena, a outra, para uma celestial.

A Lei
            A segunda da três partes principais de Êxodo começa no capítulo 19 e vai até o final do capítulo 24. Ela trata da entrega da lei e da proclamação da aliança mosaica. A lei se apresenta em três partes – "mandamentos" (19-20), "juízos" (21-23) e "ordenanças" (24).

1.    A introdução da lei
A aliança mosaica, em termos estritos, não foi um novo pacto, mas uma extensão da aliança abrâmica. O tema da alinça é introduzido a Israel no Sinai (Êx 19:4-6).
A aliança a qual Deus está se reportando neste texto se refere a aliança que foi feita com Abraão (Êx 2:24; Êx 6:4,5).
Geralmente, a entrega da lei no Sinai e a formação da aliança mosaica são mal entendidas porque não se capta corretamente a sua relação com a aliança abrâmica. É necessário conhecer dois fatores básicos a respeito da aliança abrâmica – 1º) a base de aceitação de Abraão foi a sua fé (Gn 15:6; Rm 4:9-13). – 2º) a parte de Abraão na aliança consistia simplesmente na persistência sincera na fé e na retidão: "... anda na minha presença, e sê perfeito. Farei uma aliança entre mim e ti" (Gn 17:1-2). Quando a obediência à aliança foi ordenada novamente no Sinai, a entrega da lei não tinha a finalidade de trocar a aliança abrâmica, baseada na fé, por outra, baseada em obras. Por conhecer o coração do homem decaído, Deus não impôs, naquela ocasião, a guarda da lei moral como uma nova base de aceitação. Absolutamente não.
O povo hebreu, desde o princípio, parece ter mudado a ênfase: da base na fé para a da aceitação baseada em obras, de modo que para sempre, depois disso, nas palavras de Paulo, eles "procuraram estabelecer sua própria justiça" (Rm 10:3).

2.    A razão da lei
Se a lei não tinha o propósito de substituir a base de fé da aliança abrâmica, por que foi então dada? As razões disso são três:
Primeiro, proporcionar um padrão de justiça. No início Deus tratava diretamente com os patriarcas, mas agora o povo se constituíra em nação e teocracia, tornara-se necessário fornecer um padrão moral escrito e permanente, expressando o modelo divino de caráter e conduta (Dt 4:8; Sl 19:7-9; 119:142).
Segundo, expor e identificar o pecado. Se eu fizer descer sobre um muro tortuoso um prumo, o prumo mostra a tortuosidade, mas não altera. Se eu sair numa noite escura com uma luz, esta revela-me todos os obstáculos e dificuldades que se acham no caminho, mas não os remove. O prumo e a luz revelam os males, contudo eles não o criam, não os afastam, apenas o revelam. O mesmo acontece com a lei: não cria o mal no coração do homem nem tão pouco o tira, mas revela-o com infalível exatidão (Rm 3:20; 5:20; 7:7; Gl 3:19).
Terceiro, revelar a santidade divina. Era absolutamente indispensável que os privilégios singulares conferidos à nação eleita, para o cumprimento de sua sublime vocação, fossem preservados por um reconhecimento reverente da santidade inviolável de Deus, a fim de que o privilégio não levasse à arrogância.

3.    A lei e o evangelho
A lei é cancelada em Cristo de três maneiras.
1º - A execução dos "mandamentos" – como condição de justificação pessoal é abolida de forma enfática e conclusiva; pois "o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê" (Rm 10:4). Embora os dez mandamentos, menos o quarto, estejam incluídos na ética do NT, são integrados como princípios independentes e não como parte do sistema mosaico. Sua observância não é obrigatória para a salvação, mas o resultado espontâneo da salvação.
            2º - A execução das "ordenanças" – da lei, como meio de alguém ser aceito por Deus, está agora superada, uma vez que as ordenanças religiosas da dispensação mosaica não passavam de tipos e sombras dos quais Cristo é o cumprimento e substância (Cl 2:17; Hb 9:22-10:18).
            3º - A lei, como dispensação – ou método de trato divino, foi agora cancelada, pois o evangelho introduz uma nova dispersação para os judeus e gentios igualmente. A velha dispensação era a da "letra" – um mandamento exterior. A nova dispensação é a do "Espírito" – um poder interior (2 Co 3:4). A primeira não passava de um código objetivo. A segunda, uma mudança subjetiva. Aquela, a condenação pela ética. Esta, uma dinâmica transformadora (Rm 8:3,4).

. A lei mostra-nos o que o homem deveria ser; enquanto que a graça demonstra o que Deus é.
. Como tudo que emana de Deus, a lei era perfeita – perfeita para alcançar o fim a que era destinada; porém esse fim não era, de modo nenhum, o revelar, perante pecadores culpados, a natureza e o caráter de Deus (não havia graça nem misericórdia Hb).
. Ora quando o homem se examina à luz da lei descobre que é precisamente aquilo que a lei condena. Como poderá ele, portanto, obter a vida por meio da lei?
. A lei não é indulgente com as fraquezas, e não reconhece a obediência sincera, embora imperfeita. Se fosse este o caso, não seria aquilo que é, "santa, justa e boa" (Rm 7:12).
. Se o pecador pudesse obter vida pela lei, a lei não seria perfeita, ou então ele não seria pecador. É impossível que o pecador possa obter vida por meio de uma lei perfeita.
. "Não matarás", "não cometerás adultério", "não furtarás" – aqui tenho, pois, uma regra ou linha posta diante de mim; porém descubro que tenho em mim mesmos os próprios princípios contra os quais estas proibições são expressamente dirigidas. Ainda mais, o próprio fato de me ser proibido matar ou mostra que o homicidio está em minha natureza. Não havia necessidade de me ser proibido fazer uma coisa que eu não tinha inclinação para fazer; porém, a revelação da vontade de Deus, quanto ao que eu deveria ser, mostra a tendência da minha vontade para ser aquilo que não devo.
. É evidente que a lei não é nem o fundamento de vida para o pecador nem a regra de vida para o cristão. Cristo é tanto uma coisa como a outra. "Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura" (Gl 6:15, 16). Qual regra? Ser nova criatura.

O Tabernáculo (25-40)
[7]"O tabernáculo esta divido em três subdivisões que são as seguintes:
1º) O TABERNÁCULO PLANEJADO (25-31) – O modelo é dado a Moisés durante seus quarenta dias no monte.
2º) O TABERNÁCULO ADIADO (32-34) – No episódio do bezerro de ouro, vemos a execução do plano suspensa temporariamente devido a queda de Israel na idolatria. Nesse meio tempo é provido um substituto temporário para o tabernáculo, numa tenda armada "longe do arraial".
3º) O TABERNÁCULO COMPLETADO (35-40) – O tabernáculo é finalmente completado e erguido (exatamente um ano depois do êxodo (Êx 40:2) e a glória da presença divina desce sobre ele.
O tabernáculo não foi planejado para impressionar como uma simples obra arquitetônica. Ele foi projetado para ser uma expressão simbólica e tipológica da maravilhosa verdade espiritual, e nisto está a sua relevância.
São quatro os aspectos principais do tabernáculo:
A estrutura;
     Os utensiolios;
    O sacerdócio;
As ofertas.
O último dos quatro, porém – o sistema de ofertas – é um tópico exclusivo, recebendo tratamento especial no livro de Levítico, que consideraremos mais tarde. Observaremos brevemente aqui, portanto, os outros três – a estrutura, os utensílios, o sacerdócio.

1. A estrutura
A estrutura era composta de três partes – o átrio externo, o Santo lugar, o Santo dos Santos. Havia uma entrada única para o átrio externo e uma para o Santo Lugar. A entrada para o Santo dos Santos era chamada de "véu" (Êx 26:31).






Santo dos
Santos

Santo
lugar

Atrio Externo

1.1  O átrio externo
O átrio externo era um cercado grande, oblongo e retangular, com os dois lados mais compridos voltados para o norte e o sul, e os mais curtos para o leste e oeste. Os dois lados mais longos tinham 100 côvados cada um e os dois menores 50 côvados cada. Como cada côvado tem aproximadamente 45 cm, o átrio externo media portanto cerca de 45x22m. Sua construção era muito simples do ponto de vista arquitetônico. Os quatro lados eram feitos com "colunas" construídas com espaços iguais umas das outras, fechadas por cortinas – vinte "colunas" em cada um dos lados maiores e dez nos menores, perfazendo sessenta colunas ao todo, erguidas em intervalos de 5 côvados, tendo cada coluna 5 côvados ou uma altura de 2,30m. Nas partes de cima, as colunas tinham capitéis de prata, e também eram de prata os ganchos e trilhos conectados aos pilares das cortinas. As bases das colunas eram de bronze, sendo usadas amarras e pinos para dar firmeza à estrutura. As cortinas que cercavam o átrio eram feitas de "linho fino". O perímetro do átrio externo tinha 300 côvados ou cerca de 137m.

1.2  O santuário
O santuário ou lugar de habitação de Deus, consistindo do Santo lugar e do Santo dos Santos, era como o átrio externo: retangular e oblongo, tendo 30 côvados de comprimento por 10 de largura. Como acontecia com o átrio externo, os dois lados, no sentido longitudinal, olhavam para o norte e o sul, enquanto as duas extremidades, ou lados menores, ficavam a leste e oeste. Um véu dividia o tabernáculo em duas partes, O Santo lugar, com 20 côvados de comprimento, ou dois terços do comprimento total, e o Santo dos Santos, que ocupava 10 côvados restantes. Ao contrário do átrio externo, as paredes do tabernáculo eram completamente de madeira – e não apenas de colunas separadas umas das outras – sendo as colunas ligadas por pinos ou hastes que passavam pelos anéis fixados nela com este propósito. Quatro cortinas grandes e belas cobriam toda a parte superior da estrutura, fechando-a e tornando-a assim uma "habitação".

1.3  O Santo dos Santos
O Santo dos Santos possui três coisas muitíssima interessante que nos impressionam imediatamente. Em primeiro lugar, notamos as sua dimensões. Ele media 10 x 10 x10 côvados, ou seja, sua largura, altura e comprimento mediam exatamente 10 côvados, sendo portanto iguais. O Santo dos Santos era então um cubo. Mais tarde quando o tabernáculo deu lugar ao magnifico templo construído por Salomão, o Santo dos Santos passou a ter 20 côvados de comprimento, 20 côvados de altura e 20 côvados de largura, continuando no formato de um cubo. Se examinarmos os dois últimos capítulos da Bíblia descobriremos que a cidade celestial é descrita como sendo também um quadrado: "A cidade é quadrangular, de comprimento e largura iguais" (Ap 21:16). Qual o simbolismo deste uso do cubo? O Dr. A. T. Pierson nos conta que entre os hebreus o cubo era o antigo símbolo da perfeição, em vista de sua absoluta simetria."
Em segundo lugar, note o propósito servido pelo Santo dos Santos. Ele deveria ser a habitação de Deus na terra. Ele havia andado com Adão e Eva no Éden, falará com os patriarcas, visitara abraão de forma visível, mas não fizera para si um lugar de habitação na terra. Agora, porém, Ele desce para habitar com seu povo remido. Depois do tabernáculo, veio o templo. Depois do templo, veio o Filho do seio do Pai: "... o verbo se fez carne, e habitou entre nós" (Jo 1:14). A seguir, de pois da encarnação veio a igreja – casa espiritual, "santuário... edificados para habitação de Deus no Espírito" (Ef 2:21,22). Este é o tabernáculo presente de Deus, ou sua habitação na terra, e permanecerá até sua consumação, como está escrito; "Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles... e Deus mesmo estará com eles" (Ap 21:3).
Em terceiro lugar, observe a santidade especial do Santo dos Santos. Quando o povo de Israel levava suas ofertas ao tabernáculo, recebia permissão para entrar no átrio externo, mas não no Santo lugar, onde só podiam ministrar os sacerdotes; e até estes eram proibidos de entrar no Santo dos Santos. Só o sumo sacerdote tinha permissão de adentrar este santuário interior e, mesmo ele, somente em ocasiões especiais, depois dos devidos preparativos. Isso também ocorreu com o templo, quando este tomou mais tarde o lugar do tabernáculo. O lugar em que Deus habita é indiscritivelmente sagrado – uma lição que o povo de Deus deveria aprender muito bem e para sempre. Não pode haver adoração aceitável ou verdadeira comunhão sem o reconhecimento reverente da santidade daquilo que é divino.
Como é sagrado o privilégio e a responsabilidade de pertencer a Cristo e de ser por Ele habitado!
Baxter diz o seguinte: "Da mesma forma como o antigo tabernáculo era uma estrutura tríplice, assim também nós, por nossa própria constituição como seres humanos. O corpo corresponde ao "átrio externo". O "Santo lugar" é a alma. O espírito corresponde ao "Santo dos Santos"; e aqui, no mais íntimo de nosso ser, é que Deus fe Sua morada, transformando-nos em Seus templos vivos.

6.     Os utensílios
O estudo dos utensílios do tabernáculo é realmente fascinante. Eles consistiam de sete artigos cuidadosamente descritos, cuja natureza praticamente não nos permitem duvidar de seu significado simbólico e tipológico, enquanto o seu número – como acontece em muitas outras ocorrências do número sete – transmite a idéia da perfeição.
Em primeiro lugar, ao passar pela "porta" que dá acesso ao atrio externo maior, chegamos ao altar do holocausto (Êx 27:1-8; 38:1-7), cujo propósito é ensinar-nos, logo no limiar, que o único meio de o homem pecador aproximar-se do seu Deus santo é mediante o sacrifício expiatório – sacrifício este que é ao mesmo tempo uma confissão do pecado do homem e uma justificação diante de Deus.
Depois do altar do holocausto chegamos à bacia de bronze (30:17-22; 38:8), contendo a água sagrada para a purificação dos que ministravam no santuário; isto nos fala da necessidade de renovação espiritual (mãos e pés deviam ser lavados antes de qualquer ato de ministração, simbolizando a conduta e o andar em santidade).
A seguir, chegamos à "porta" do santuário propriamente dito e, atravessando-a, encontramo-nos no "Santo Lugar". Aqui, à direita (lado norte), vemos a mesa dos pães da proposição (25:23-30; 37:10-16), com suas ofertas (alimento) e libações (bebida), representando o sustento para a vida espiritual. À esquerda (lado sul), vemos o candelabro de sete braços (25:31-40; 37:17-24), representando a iluminação espiritual. À nossa frente então, exatamente antes do "véu"do "Santo dos Santos", acha-se o altar de incenso coberto de ouro, simbolizando, com seu perfume, as súplicas aceitáveis (30:1-10; 37:25-28).
Em último lugar, passando através do "véu" para dentro do "Santo dos Santos", vemos aquela caixa sagrada revestida de ouro, a arca, indicando a relação de aliança entre Deus e seu povo; e, acima dela, na tampa, o propiciatório, com os dois querubins, um de cada lado, de faces voltadas uma para o outro e cobrindo com as asas estendidas o propiciatório e o fogo que queimava sobre ele – no Dia da Expiação o sangue era aspergido sobre o propiciatório (kappõreth) , iluminado pela presença de Deus (shekinah), que falava de intercessão, diante do próprio Senhor, e da vida que Ele concedia.
Veja, então, o notável progresso e a perfeição do ensino simbólico nesta série de sete objetos em sucessão – expiação, regeneração, sustentação espiritual, iluminação, súplica, acesso total e reconciliação mediante uma relação de aliança, assim como identificação com a vida de Deus manifestada e simbolicamente concedida na chama Shekinah.

UTENSÍLIOS
SIGNIFICADO SIMBÓLICO
SIGNIFICADO TIPOLÓGICO
(1) Altar dos holocaustos
Expiação mediante sacrifícios
A expiação de Cristo
(2) Bacia de Bronze
Renovação espiritual
Regeneração e renovação pelo Espírito Santo
(3) Mesa dos Pães da Proposição
Sustento espiritual
Cristo = o pão da vida; Espírito Santo =  água da vida
(4) Candelabro
Iluminação espiritual
Cristo = a luz do mundo e especialmente do Seu povo
(5) Altar do Incenso
Súplica aceitável
Oração em nome de Jesus
(6) A Arca
Acesso mediante relação de aliança
Cristo como base da aliança de nosso acesso a Deus
(7) O Propiciatório e a Presença de Deus
A presença e a vida de Deus
Cristo como o "Propiciatório" (Rm 3:25), e o Espírito Santo (Shekinah) como a vida que emana de Deus

Altar do holocausto – Também chamado na Bíblia de Altar da Transferência. Apontava para a cruz de Cristo. "Farás um altar de madeira de acácia. Será quadrado e terá dois metros e meio de comprimento e de largura, e um metro e meio de altura. Dos quatro cantos do altar farás sobressair pontas e o revestirás de bronze..." Esse altar era suficientemente grande para sobre ele serem imolados os animais do sacrifício.
Bacia de bronze – Simbolizava a Palavra de Deus, esta peça continha água na qual os sacerdotes teriam de se lavar cada vez que ministrassem no Altar de Bronze. Não sabemos quais as dimensões dessa peça, assim como também não conhecemos todo o extraordinário poder purificador da Palavra de Deus.
A Mesa dos pães da proposição – Também chamada Mesa da Presença. Esta peça era feita com madeira de acácia e revestida de ouro. Tinha um metro de comprimento, por 50 centímetros de largura e 75 centímetros de altura. Sobre ela ficava os 12 pães da presença, representando todo o povo de Deus. Eram comidos pelos sacerdotes a cada sábado., e no mesmo dia substituídos. Esses pães indicavam a pessoa de Jesus como o Pão da Vida, o alimento espiritual de povo de Deus.
O Candelabro – Era feito com ouro puro batido e pesando 30 quilos. Ele indica a iluminação e a direção do Espírito Santo. 
O Altar do incenso – Representando a nossas orações e a nossa adoração. O Altar do Incenso era uma peça de madeira toda coberta de ouro, tinha 50 centímetros de cada lado e um metro de altura.   
A Arca – Era uma peça de madeira de acácia toda revestida de ouro por dentro e por fora. Media 125 centímetro de comprimento por 75 de largura e 75 de altura. A Arca tipifica a presença de Deus com o seu povo (Êx 25:22).
O CONTEÚDO DA ARCA: 1) A Arca continha as tábuas da lei. Apontavam para Jesus que tinha a vontade de Deus no seu coração. 2) A vara de Arão, florescida, fala da ressurreição de Cristo. 3) O maná, colocado num vaso dentro da Arca, indica provisão de Deus para o seu povo.
O Propiciatório – Esta peça, feita de ouro puro, representa o trono de Deus. Era um trono de misericórdia, pois a palavra propiciatório significa "onde Deus nos é propício", nos é favorável. "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro" (1 Jo 2:2).
-          Propiciação: significava a remoção da ira mediante a oferta de um presente. Trata com Deus.
-          Expiação: idéia de reconciliação. A união de partes antes alienadas. Trata com o homem. 

Os Metais

A)   O Bronze – Seguindo a ordem de entrada do pátio para o Lugar Santíssimo, encontramos as colunas revestidas de bronze e com suas bases de bronze, o grande altar todo revestido de bronze, situado logo após a porta do tabernáculo, e a pia, ou lavatório, de bronze maciço. As passagens bíblicas de Êx 27:17; Nm 21:9; Jr 1:18; 1 Co 13:1; 2 Co 5:21, indicam esse metal como o tipo de julgamento, de juízo. E o bronze no tabernáculo, significava o julgamento do pecado. Também todos os cravos, os pregos, usados nesse Santuário, eram desse mesmo metal e apontavam para a crucificação de Jesus no madeiro do Calvário.
B)   A Prata – Por sua vez, a prata estava presente em todos os ganchos que ostentavam as cortinas do Tabernáculo e também formava os capitéis ou faixas que ornamentavam essas cortinas. Também todas as tábuas do Santuário estavam apoiadas em bases de prata.
A prata é o símbolo de resgate, e o mesmo preço seria pago por todo o israelita, independentemente de suas posses. Êx 30:12-16 (Note bem: o rico não dará mais nem o pobre menos). O preço pago era um só e isso aponta para o sacrifício expiatório de Jesus, que nos comprou com o seu precioso sangue, pagando um preço único para o nosso resgate, e também mostra que todas as vidas têm valor igual diante de Deus.
C)   O Ouro – O ouro que reveste a mesa, as colunas e a Arca, e de que se constituem os colchetes, o Candelabro, o Propiciatório e os Querubins, aponta para a glória e a realeza de Cristo.

O Sacerdócio
Vamos estudar as vestes do sumo sacerdote. Elas são cuidadosamente descritas no capítulo 28.
Vemos nesse capítulo que as vestes deveriam ser "para glória e ornamento"  (v. 2). Vestido com esses adornos de ouro, estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino e pedras preciosas, o sumo sacerdote de Israel devia de fato parecer glorioso e belo; mas quem descreverá a glória e beleza do Amado do céu enquanto Ele nos representa lá em cima?
Os artigos prescritos para serem usados pelo sumo sacerdote eram em número de sete (veja os vv. 4, 36, 42), a saber, um peitoral, uma estola, uma sobrepeliz, uma túnica bordada e calções de linho, enquanto para a cabeça havia a mitra e a coroa sagrada (vv. 4, 36, 42, 29:6).
Essas vestimentas eram colocadas na seguinte ordem – primeiro os calções, depois a túnica; sobre eles a sobrepeliz; em cima desta a estola, em seguida o peitoral e finalmente a mitra, que levava a coroa sagrada.
De modo geral, as peças de baixo, ou seja, os calções e a túnica, eram as roupas comuns do sumo sacerdote, distinguindo-se das demais, que eram para a glória e ornamento. Três dessas últimas recebem destaque especial, e fica evidente que se destinam a representar grandes verdades para nós: a estola, o peitoral e a coroa sagrada.
A estola – A estola ou éfodo era uma peça curta que ia dos ombros até a cintura ou talvez pouco abaixo dela. Consistia de duas partes, frente e costas, unidos nos ombros por duas ombreiras (v. 7). Era feita de linho fino bordado de ouro, azul, púrpura violácea e carmesim. Um cinto artisticamente trabalhado usando as mesmas cores da estola a prendia ao corpo (v. 8). De acordo com os significados tipológicos presentes em todo lugar nesta parte da Escritura, o ouro (a divindade), o azul (santidade), a púrpura (realeza), o carmesim (o sacrifício) e o linho fino (perfeita justiça do Senhor); todavia o mais significativo de tudo é o que ficamos sabendo sobre as duas ombreiras (vv. 9-12).
Duas pedras de ônix eram colocadas nessas ombreiras, levando gravados os nomes das doze tribos de Israel – seis nomes em cada pedra. A razão disto é dada no versículo 12:
"E porás as duas pedras nas ombreiras da estola sacerdotal, por pedras de memória aos filhos de Israel: e Arão levará os seus nomes sobre ambos os seus ombros, para memória diante do Senhor".
Os nomes de Israel ficaram assim gravados em pedras preciosas, fixadas em engastes de ouro e colocadas no ombro do sumo sacerdote, como memorial diante do Senhor.
Meditar Is 9:6, Is 22:22
O peitoral – O peitoral (28:15-29) era uma peça de linho finamente tecido com cerca de 43 cm. de comprimento por 21,5 cm. de largura, dobrada de modo a formar um bolsa quadrada de 21,5 x 21, 5 cm. Exibia as mesmas cores da estola e deve ter sido belíssimo, pois ostentava doze pedras preciosas, com quatro ordens de três pedras cada – cada uma levando o nome de uma tribo de Israel e as doze com engastes de ouro puro. O peitoral era mantido na posição por duas correntes de ouro trançadas, que o prendiam nas ombreiras da estola (vv. 22-25), e por uma fita azul (nas duas extremidades inferiores), que ligava à estola. A razão de tudo isso é dada no versículo 29:
"Assim Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o seu coração, quando entrar no santuário, para memória diante do Senhor continuamente".
O nome do povo de Israel é novamente escrito em pedras preciosas engastadas em ouro, como um memorial diante Dele, mas desta vez elas ficam sobre o coração do sumo sacerdote.
A coroa sagrada – Era uma lâmina de ouro puro presa na frente da mitra e levando a inscrição: "Santidade ao Senhor" (vv. 36-37). O sentido é explicado no versículo 38:
"E estarás sobre a testa de Arão, para que Arão leve a iniquidade concernente às cousas santas, que os filhos de Israel consagrarem em todas as ofertas de suas cousas santas; sempre estará sobre a testa de Arão, para que eles sejam aceitos perante o Senhor".
O ponto neste versículo é que, apesar das purificações cerimoniais associadas com a adoração de Israel, tanto as ofertas como os ofertantes eram realmente impuros perante os olhos santos de Deus; no entanto, no sumo sacerdote, que reunia em sua pessoa todo o povo, por assim dizer, e ao mesmo tempo anunciava o sacrifício de expiação que cobria a todos – nele, com suas vestes de "glória e adorno" (simbolizando o mérito e expiação gloriosos de Cristo), a impureza do povo transformava-se em "santidade ao Senhor" e os israelitas eram assim "aceitos diante do Senhor".
O ensino glorioso dos tipos – Qual o significado de tudo isto para nós? Por que esses detalhes tão minuciosos sobre a estola, o peitoral e a coroa sagrada? É pelo fato de todos conterem ensinos gloriosos sobre tipos. Estas são coisas terrenas com significados celestiais; objetos materiais estabelecendo grandes realidades espirituais.
O sumo sacerdote, Arão, é um tipo do Senhor Jesus como nosso Sumo Sacerdote. Em primeiro lugar, na estola, o sumo sacerdote leva sobre os ombros as doze tribos de Israel, coletivamente. A seguir, no peitoral, ele as leva individualmente sobre o coração. Ao carregá-las assim perante Deus, ele suporta toda a sua imperfeição e as cobre inteiramente com a sua própria "beleza e adorno", de modo que Deus vê "Santidade ao Senhor" brilhando na testa do sumo sacerdote, e o povo é aceito nele. Veja o versículo 38: "... sempre estará sobre a testa de ARÃO, para que ele sejam aceitos".
Nesses três versículos-chave (12, 29, 38) é mencionado três vezes que o sumo sacerdote levará o povo e seus interesses – sobre o seu ombro, sobre o seu coração e sobre a sua testa; e cada vez eles são representados como jóias preciosas e ouro puro!
Vemos em tudo isto uma descrição de Cristo e Seu povo. Em primeiro lugar, somos levados sobre os Seus grandes ombros. O ombro é o lugar de sustentação do poder. Vemos então aqui o poder todo suficiente de nosso grandioso Salvador para nos sustentar e a todos os nosso problemas, tanto na presença de Deus como através de todas as experiências pelas quais temos de passar.
A seguir, somos levados em Seu coração. O coração é o lugar do amor. Da mesma forma que as tribos de Israel tinham seus nomes gravados naquelas pedras preciosas, cada cristão comprado pelo sangue permanece para sempre em Seu coração, no amor e na mente cheia de ternura de Cristo, enquanto Ele se põe diante de Deus a nosso favor. Além disso, assim como aquelas jóias brilhavam no peito de Arão, o povo de Cristo brilha também em seu peito como pedras preciosas na presença de Deus.
Quando nosso Senhor nos representa lá no alto, a "Santidade ao Senhor" brilha em sua testa. A testa caracteriza o que há de mais nobre e distinto do homem. A santidade deve ser inscrita nela, a fim de ser vista antes de tudo, no momento em que o sumo sacerdote entra na Presença santa. Essa é a primeira coisa que Deus contempla em nosso glorioso Sumo Sacerdote no santuário celestial. Ele a leva em Sua testa para que nós possamos ser aceitos! Assim como Arão deveria usar sempre a "coroa sagrada" (v. 38), Cristo também a leva por nós, a fim de que Nele nos tornemos sempre aceitos!
Tudo isto é ensinado como doutrina no Novo Testamento – especialmente em Efésios e Hebreus. Somo "aceitos no Amado" que no conduz em Seu coração diante de Deus. Somos escolhidos "Nele" a fim de sermos "santos e irrepreensíveis", pois Ele é a nossa santidade. Ficamos conhecendo o "poder divino para aqueles que crêem" – e este poder é visto em Cristo, que leva seu povo em seu poderoso ombro, "acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir" (Ef 1:21)! Louvemos a Deus, para sempre, por um Salvador como este!

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE LEVÍTICO


1.    Título
. Os hebreus deram-lhe o nome de "Wayyiqra" devido à sua primeira frase "Chamou o Senhor" , que enfatizava o fato de Deus falar do santuário. Também referiam-se ao livro como "A Lei dos Sacerdotes".
. A Septuaginta chamou-o de "Levítico" (Leuitikon), devido à ênfase dada a esse sacerdócio (apesar de os levitas serem mencionados apenas em um texto 25:32-33). Era um manual Levítico para uso sacerdotal.
2.    Autor
. A autoria de Moisés é confirmada no próprio livro pelo fato de o texto declarar cinqüenta e seis vezes: "Disse o Senhor a Moisés". Nenhum outro livro da Bíblia tem uma confirmação tão acentuada da autoria mosaica como este.
. É também um dos livros confirmados por Jesus como sendo de Moisés, conforme Mateus 8:4.
3.    Data em que foi escrito
. 1440 a.C., aproximadamente.
. Moisés deve ter composto este livro logo depois do êxodo, durante os anos de peregrinação e relativa folga em Cades-Barnéia.
4.    Período de tempo envolvido
. 30 dias aproximadamente.
. Moisés evidentemente deu esta legislação logo depois de levantado o Tabernáculo em 1 de Abril de 1444 a.C., e antes de o povo se pôr em marcha em 20 de maio (Êx 40:17; Nm 10:11). Como os últimos vinte dias foram dedicados ao censo (Nm 1:1), os acontecimentos de Levítico ocorreram provavelmente nos trinta dias do mês de Abril (Abibe).
. Durante esse tempo, os israelitas celebraram durante sete dias o primeiro aniversário da Páscoa e do Êxodo (Nm 9:1-12). Os que estavam imundos por terem tocado o cadáver de um homem tiveram a permissão de celebrar a Páscoa um mês mais tarde.
5.    Cenário religioso
. Recém-saídos do Egito idólatra, os aproximadamente 2.500.000 israelitas passaram o primeiro ano nas montanhas desertas do Sinai. Os teólogos chamam esse ano de "teológico", pois nele o povo recebeu uma quantidade enorme de verdades religiosas. Em vez de irem diretamente para Canaã, foram levados pela coluna de fogo e pela nuvem rumo ao sul para o Sinai. Antes de encontrarem o inimigo num conflito armado, precisavam de uma comunhão especial com o Senhor. Para que isso acontecesse, Deus proveu para eles, comida, água, vestuário e saúde, a fim de afastá-los da idolatria e ensinar-lhes os caminhos e o caráter do Deus único e verdadeiro.
. Havendo recebido a lei e o tabernáculo, precisavam ser instruídos quanto à adoração e culto no santuário, e quanto à maneira de ter uma vida de santidade. Levítico provê essa instrução, especialmente para o ministério dos sacerdotes. Esclarece a maneira adequada de expiação pelo pecado e como deve ser feita a separação para o culto. A palavra "santo" aparece noventa e três vezes neste livro, e a palavra "expiação" cinqüenta e uma vezes.
6.    Objetivo do livro de Levítico
. Levítico tem o objetivo singular de convocar o povo de Deus para a santidade pessoal. Os muitos rituais são usados como auxiliares visuais para retratar o SENHOR como o DEUS SANTO e para enfatizar que a comunhão com o Senhor deve ser na base da expiação pelo pecado e vida obediente.
. Levítico foi escrito para mostrar a Israel como viver em santidade e comunhão com Deus e preparar assim a nação para a tarefa sublime de levar a redenção de Deus a todas as nações.
. Nesta revelação do Deus Santo de Israel, acha-se envolvida a insistência imperiosa na separação da nação israelita dos outros povos. As leis de Levítico têm com objetivo assegurar esta separação e preparar o povo para o cumprimento de sua vocação superior.
. Pode ser também acrescentado que Levítico tinha o propósito de preparar Israel para o Cristo que viria, despertando um sentimento de necessidade e ao mesmo tempo apontando, através do ritual do tabernáculo, para a oferta expiatória do Calvário.
7.    O grande dia da Expiação de Israel (YOM KIPPUR)
. (Lv 16) – o décimo dia do sétimo mês do ano (10 de Tishri ou Tisri, aproximadamente outubro).
. No moderno uso judaico, o dia da expiação dia em que ocorre o ritual de "YOM KIPPUR", é o último dos "Dez dias de Penitência", que começam com o Rosh Hashanah – o Ano Novo judaico. Esse período é devotado aos exercícios espirituais de penitência, oração e jejum, em preparação para o dia mais solene do ano, o décimo dia do Ano Novo, foi considerado o mais santo do ano, o YOM KIPPUR.
8.    Estrutura de Levítico
O livro está com certeza dividido em duas partes principais.
A primeira abrange os capítulos 1 a 17 e tratam de regulamentos não-morais , a primeira parte está relacionada com à adoração, tudo se relaciona com o tabernáculo. A primeira parte mostra o caminho para Deus pelo sacrifício, ela mostra a corrupção cerimonial e física. Aqui é fornecida a purificação. A primeira parte tem a ver com a obtenção da pureza. 1 a 17 a base da comunhão no sacrifício propiciatório.
A segunda parte abrange os capítulos 18 a 27 e tratam de regulamentos morais, a segunda parte está relacionada com à prática de vida.  Tudo na segunda parte se relaciona com caráter e comportamento. Estes 10 capítulos mostra o andar com Deus pela santificação e nos mostra a corrupção moral e espiritual. Nesta segunda parte é infligido o castigo. A segunda parte está ligada à vida pura do povo. 18 a 27 as obrigações de comunhão na santificação prática.

I – A BASE DA COMUNHÃO – SACRIFÍCIO (1-18)
      As ofertas (Absolvição) – 1-7
      O sacerdócio (Mediação) – 8-10
O povo (Purificação) – 11-16
O altar (Reconciliação) – 17

II – O ANDAR EM COMUNHÃO – SEPARAÇÃO (18-27)
      Regulamentos para o povo – 18-20
      Regulamentos para os sacerdotes – 21, 22
      Regulamentos para as festas, etc. – 23,24
      Regulamentos para Canaã – 25-27

Sacrifícios no Antigo Testamento (1-7)


1 – Definição
            Sacrifício: oferta solene à divindade em vítimas ou donativos.
            O Antigo Testamento não possui palavra geral para "sacrifício", excetuando o termo esparsamente empregado qorbãn – "aquilo que é trazido perto", o qual é praticamente confinado à literatura levítica. Ishshê – é vocábulo que também pode servir a esse propósito nas leis, porém, é ponto debatido se o mesmo deve ou não ser limitado às "ofertas com fogo".
            As outras palavras freqüentemente usadas, descrevem tipos específicos de sacrifício.

2 – Teorias sobre os inícios do sacrifício
            O sacrifício não se confinava a Israel entre as nações da antigüidade (Js 16:23; 1 Sm 6:4; 2 Rs 3:27; 5:17), e muitos paralelos das nações circunvizinhas têm sido aduzidos como explicação dos sacrifícios Israelitas.
            W. R. Smith ("Sacrifice", Ebr, XXI, 1886, págs. 132-138; The Religion of the Semites" 1894) construiu, baseando-se nos árabes nômades pré-islâmicos, um "semita" hipotético, para quem a refeição sacrificial foi a forma mais antiga, bem como também a comunhão dos adoradores e a deidade sendo a idéia controladora. O movimento pan-babilônico preferia encontrar os primórdios das ofertas sacrificiais na civilização mais alta da Mesopotâmia, bem como no desenvolvimento ritual de sacrifício propiciatório ali praticado.
            R. Dussand, por sua vez, preferia um pano de fundo cananeu, e encontrou paralelos primeiramente nas tarifas sacrificiais cartaginesas. (Le Sacrifice em Israel et chez les Pheniciens, 1914), e posteriormente nos textos de Ras Shamra (Les découvertes de Ras Shamra et L'Ancien Testamente, 1937). Neste último caso, os materiais da Antiga Ugarite (de 1400 A.C.) indicavam um bem desenvolvido ritual de sacrifícios dotado de nomes semelhantes àqueles do Antigo Testamento.
            O Shrp – era uma oferta queimada
            O dbh – era uma oferta abatida para uma refeição
            O Shlm – possivelmente era um sacrifício propiciatório
            O 'Athm – era equivalente ao 'ãshãm hebraico.
            Para A. Alt, os verdadeiros antecedentes da fé israelita deveriam ser buscado antes entre os patriarcas nômades, os quais teriam praticado uma forma de religião centralizada no deus do cabeça do clã (o "Deus de Abraão"; o "Deus de Isaque").
            A religião dos israelitas, conforme ela aparece no A.T., seria um sincretismo em que o sacrifícios nômade Zebhah (p/ refeição) existe paralelamente aos sacrifícios de doação do tipo 'ôlâ', que se originou do lado cananeu sedentário.
            Tal ponto de vista pode comportar tanto o aspecto sedentário como o aspecto nomádico, mas se torna subjetivo quando é aplicado a narrativas específicas do Antigo Testamento. O A.T. pinta o antigo Israel menos como um povo nômade de que como um povo no processo de tornar-se sedentários. Os patriarcas já possuíam os bovinos, ou gado de maior porte, e já se ocupavam de alguma agricultura, e é bem possível que um paralelo mais próximo dos sacrifícios Hebreus passa ser encontrado entre certa tribo como os Nuer da África, cujo sacrifício, conforme descrito por E. Evans. Pritchard (Nuer Religion, 1956) envolvia o oferecimento de um boi em substituição pelo pecado.

3 – O desenvolvimento na história
a)    Patriarcal
É significativo que os primeiros sacrifícios mencionados no livro de Gênesis não eram refeições (zebhahiim), mas antes as ofertas voluntárias de Caim e Abel (Minhâ; Gn 4:3-4), e as ofertas queimadas de Noé ('ôlâ, Gn 8:20 / Aqui encontramos a primeira referência a um altar). Os altares patriarcas são freqüentemente descritos, mas infelizmente os detalhes acerca do tipo de sacrifício não são dados.
Gn 22:7 – Sacrifício 'ôlâ – oferta queimada – oferecia um cordeiro, Isaque sabia do costume de seu pai.
Quanto aos motivos que impeliam ao sacrifício, nesse período, aparecem como proeminência a honra a Deus e ação de graças pela Sua bondade.
b)   Tribal ou Anfitiônico
O reconhecimento de Israel primitivo como uma organização tribal do tipo anfitiônico (anfitrião – o que paga as despesas de uma comezaina) é associado hoje pela tradição bíblica aos tempos de Moisés, para alguns tornou-se uma realidade no solo da Palestina no tempo dos juízes.
As principais dentre as ocasiões anfitiônicas eram as três grandes festividades religiosas, quando então deveriam ser oferecidos sacrifícios (Êx 23:15).
Os sacrifícios que melhor conhecemos são aqueles da Páscoa e da Aliança. A páscoa combinava os elementos de sacrifício como um apotropaico e o sacrifício como uma refeição de comunhão. Estando confirmados no conhecimento de que o sangue fora derramado para desviar o mal, os membros da cada família podiam assentar-se em alegre comunhão entre si (Êx 12; Js 5:5-12).
Elementos similares provavelmente entravam no sacrifício da Aliança e em suas renovações (Êx 24:1-8; Dt 27:1). A aspersão de sangue purificava a aliança enquanto que a ingestão da refeição assinalava a sua consumação.
Sacrifícios Nacionais típicos eram oferecidos em momentos desastrosos ou em ocasiões de guerra (Js 20:26; 21:4; 1 Sm 7:9). As dedicações e novo inícios eram marcados por sacrifícios (Jz 6:28; Êx 32:6; 1 Sm 6:14; 2 Sm 6:17).
c)    Monárquico
A ereção do templo, por Salomão, proveu uma oportunidade do oferecimento de sacrifícios iniciatórios (1 Rs 8:62 e seg.) e regulares (1 Rs 9:25), mas como as fontes são os livros dos "Reis", tais sacrifícios falam antes sobre a participação real (2 Rs 17:10 e segs.) do que sobre a participação do povo. Que o culto diário achava-se em progresso, entretanto, é confirmado por um versículo tal como 2 Rs 12:16, bem como pela freqüente menção sobre sacrifícios nos escritos dos profetas e nos salmos.
d)   Pós-exílico
Tanto a alegria como a penitência, continuam ali a caracterizar os sacrifícios (Ed 6:15-18; Ne 8:9 e segs.).
O templo e o culto recebem grande valor (Ag 1-2), mas somente quando servem de veículo para uma adoração sincera (Ml 1:6 e segs.; 3:3 e segs.).
e)    No mundo Antigo
a)    Mesopotâmia – ali, a idéia dominante dos sacrifícios é o oferecimento de provisões para os deuses, para facilitar-lhes a existência. As divindades dependiam dos alimentos oferecidos pelos homens. Há menções de sacrifícios de animais, mas não há menção ao sangue como um dos elementos rituais.
b)    Norte da Síria e Anatólia – uma das mais notáveis alusões a algum sacrifício, no reino Amorreu de Mari, é a descrição do ritual para estabelecimento de paz, em que um jumentinho era abatido.
c)    Ugarite e Fenícia – os tabletes de Ugarite fornecem importantes textos rituais dos tipos prescritos (documentos, escritos que falam acerca dos ritos, material a ser usado, dos atos, das orações) e descritivos (como e quando certos rituais eram feitos). Nestes tabletes há expressões como "oferta pela culpa" e "oferta pacífica".

4 – Os regulamentos das leis
            As leis referentes aos sacrifícios estão espalhadas por todos os códigos do A.T. (Êx 20:24 e segs.; 34:25 e segs.; Lv 17;19:5 e segs.; Nm 15; Dt 12, etc.), mas  o "torah" por excelência sobre os sacrifícios fica em Lv 1-7. Os capítulos 1-5, tratam por sua vez, das ofertas queimadas ('ôlâ), das ofertas de cereais (Minhâ), das ofertas pacíficas (zebhah), das ofertas pelo pecado (hatta'th), e das ofertas pela culpa ('ãsham), enquanto que os capítulos 6 e 7 nos fornecem regulamentos adicionais a respeito de todos aqueles outros cincos capítulos anteriores.
            Dessas referências pode-se tirar o seguinte:
a)    Os materiais
A vitima sacrificial tinha de ser tirada dentre os animais e pássaros limpos (Gn 8:20), e podiam ser o touro, a cabra, a ovelha, a pomba ou a rola (Gn 15:9), mas de forma alguma podia ser o camelo ou o jumento (Êx 13:13).
Essas provisões não devem ser traçadas até a idéia de sacrifício como "alimento para os deuses" (a saber que os deuses comiam aquilo que o homem comia)  - conforme parece ser sugerido por Lv 3:11; 21:6; Ez 44:7 – pois os peixes (Lv 11:9) e os animais selvagens (Dt 12:22) podiam ser comidos, mas não sacrificados.
O principio parece ser o de propriedade (2 Sm 24:24), caso em que os animais selvagens seriam considerados como já de alguma maneira pertencentes a Deus (Sl 50:9 e segs.; Is 40:16), enquanto que os animais domésticos ter-se-iam tornado propriedade do homem devido ao seu trabalho (Gn 22:13) e tinha uma espécie de "conexão vivencial" com ele. Isso se torna ainda mais claro no caso das ofertas incruentas (sem sangue), produzidas pelo "suor de seu rosto" (cereais, farinha, azeite, vinho, etc.), as quais eram também artigos de primeira necessidade na cozinha. A propriedade ilegitimamente adquirida não era aceitável como sacrifício (Dt 23:18).
Quanto ao principio que diz "o melhor é para Deus" era observado em todas as ocasiões – quanto ao sexo, os animais machos eram preferidos às fêmeas (Lv 1:3; Lv 3:1; 1 Sm 6:14); quanto à idade, a maturidade era reputada (julgada) especialmente valiosa (1 Sm 1:24); quanto à perfeição física, "sem defeito" é exigência constantemente salientada (Lv 1:3; 3:1; Dt 15:21; 17:1), mas havia exceção referente às ofertas voluntárias, (Lv 22:23).
Há diferenças entre Israel e seus vizinhos é claramente visto na rejeição da extensão deste principio ao clímax lógico no primogênito humano. Os sacrifícios de crianças, presentes no período final do Reino (2 Rs 21:6), e os sacrifícios humanos vieram de influências externas, e foram condenadas pelos profetas (Jr 7:31 e segs.), por preceitos (Lv 20:4).
O principio da substituição se faz presente, não apenas nessa substituição do primogênito humano por uma vitima animal, mas igualmente na provisão dada aos pobres para que pudessem oferecer pombas, como oferta pelo pecado, que eram bem mais baratas (Lv 5:7), e, se até mesmo essa oferta fosse pesada demais, uma oferta de cereais (Lv 5:11). As palavras "segundo as suas posses" Lv 14:22
A proibição do uso de fermento e de mel e possivelmente do leite é porque apodreciam (putrificavam) rapidamente, justamente pelo motivo oposto, o sal era provavelmente adicionado aos sacrifícios, por causa de suas qualidades preservadoras (Lv 2:13; Ez 43:24).
O incenso (Lebhônâ, qetoreth) poderiam ser uma oferta independente (Êx 30:7) como um acompanhamento das ofertas de cereais (Lv 2).
Muitos eruditos duvidam de seu emprego antigo, a base de que não seria nem comestível nem uma propriedade de cada família, pensam que qetõreth descreve queima de gordura e não de incenso, mas isso não é certo.
b)   As ocasiões
Os regulamentos bíblicos cobrem tanto as ofertas nacionais e individuais como as ocasiões diárias e festivas. Os primeiros sacrifícios público com boa comprovação são os periódicos, a saber, a Festa dos Pães Asmos, a Festa das Primícias ou das Semanas, e a Festa da Colheita ou dos Tabernáculos (Êx 23:14-17; 34:18-23; Dt 16). Com a primeira, a Páscoa estava ligada desde o principio (Js 5:10-12), e com a última, com toda a probabilidade, estavam ligados os cerimoniais de Renovação da Aliança (Êx 24; Dt 31:10 e segs.; Js 24) e possivelmente os ritos de Ano Novo e de expiação (Lv 23:27 e segs.).
Uma completa tarifa de sacrifícios para as mesmas, e para observâncias adicionais, mensais (luas novas), semanais (sábados), e diárias (matinais e vespertinas) se encontram em Nm 28-29.
c)    O ritual
Os principais sacrifícios efetuados sobre o altar, em Lv 1-5, são descritos dentro de uma moldura de ritual estereotipado que se compõe de seis atos, dos quais três pertencem ao adorador e três pertencem ao sacerdote.
1 – O adorador trazia para perto (hiqrïbh) a sua oferta. O lugar do sacrifício é o tabernáculo, no átrio fronteiriço, ao lado norte do altar (no tocante às ofertas queimadas, pelo pecado e pela culpa, mas não no tocante às mais numerosas ofertas pacíficas), embora em tempos anteriores talvez o local exato mais apropriado fosse a porta do tabernáculo (Lv 17:4).
2 – O adorador impunha suas mãos (sâmakh), ou no período bíblico mais provavelmente uma mão só (Nm 27:18), sobre a vítima, e possivelmente confessa o seu pecado. A representação, se não até mesmo a transferência parece estar claramente envolvida (emprego da mesma palavra concernente a comissão dada a Josué Nm 27:18 e aos levitas Nm 8:10).
3 – O abate (shãhath) é levado a efeito pelo adorador, excetuando no caso de ofertas nacionais (Lv 16:11; 2 Cr 29:24).
4 – A manipulação (zãraq) do sangue ficava ao encargo do sacerdote, que recolhia o sangue numa bacia e o salpicava sobre as esquinas nordeste e sudoeste do altar de tal maneira que todos os quatros lados ficavam aspergidos. Isso tinha lugar com as ofertas queimadas de animais (Lv 1), ofertas pacíficas (Lv 3) e ofertas pela culpa (Lv 7:2), mas não com as ofertas queimadas de pássaros (Lv 1:15), pois nesse caso a quantidade de sangue era insuficiente, pelo que era deixado escorrer por um dos lados do altar.
5 – Alguma queima (hiqtir) tomava lugar no caso de todos os sacrifícios. Não somente o sangue, mas igualmente a gordura, pertencia a Deus, e esta era primeiramente queimada (Gn 4:4; 1 Sm 2:16). Não se tratava da gordura em geral, mas especificamente da gordura dos rins, do fígado e dos intestinos.
No tocante as ofertas de cereais havia uma porção, chamada de 'azkãrã, que era separada e queimada; porém a oferta queimada era inteiramente queimada excetuando o couro, que se tornava propriedade dos sacerdotes (Lv 7:8).
6 – As porções restantes do sacrifício eram comidas ('akhal) em uma refeição sacrificial, ou pelos sacerdotes e adoradores conjuntamente (oferta pacífica), ou pelos sacerdotes e suas famílias, ou pelos sacerdotes exclusivamente (oferta pelo pecado).
O alimento dos sacerdotes era classificado como santo ou como santíssimo.

5 – Os tipos de sacrifícios
            Oferta Queimada, oferta de Manjares, Oferta Pacífica – Aroma Agradável e Voluntária.
            Oferta pelo Pecado, Oferta pela culpa – Ofertas sem Aroma Agradável e Obrigatória.
            As ofertas de aroma agradável tipificam Cristo em Sua perfeição meritória. As ofertas sem aroma agradável tipificam Cristo suportando sobre Si o demérito do pecador. As de aroma agradável falam do significado que a oferta de Cristo tem para Deus, enquanto as sem aroma agradável expressam o que a oferta de Cristo significa para nós – em relação a elas encontramos aqui as nove ocorrências das palavras "será perdoado" (Lv 4:20, 26, 31, 35; 5:10, 13, 16, 18; 6:7).
1)    O holocausto ou oferta queimada (Lv 1) - (Hebr. 'olah ou 'ôlâ – cujo significado básico é de fazer subir em fumaça). Uma oferta total da qual os demais sacrifícios são apenas modificações. Nossa palavra holocausto significa "totalmente queimado". Esta oferta significava a dedicação completa a Deus daquele que a oferecia e visava ganhar o favor divino e tipifica a Jesus Cristo, ao se oferecer imaculado a Deus, para fazer seu inteiro agrado. Uma oferta voluntária. Acha-se presente na escritura desde o principio (Gn 4; Gn 8:20; 22:2). A oferta queimada tipifica Cristo "oferecendo-se a Deus sem mácula". Ela prefigura Cristo na cruz, não só suportando o pecado como também executando a vontade de Deus.
2)    As ofertas de Manjares ou ofertas de cheiro suave (Lv 2) - (Hebr. Minhâ – oferta refeição. Raiz provavelmente manah = dar). Uma oferta de homenagem que significava uma promessa de leal obediência a Deus e lembrava ao povo que Deus lhe dava o alimento básico. Aparece muitas vezes com o significado de presente ou tributo. A menor dessas ofertas de cereais compunha-se de uma dizima do efa ou seja 2,2 litros. A oferta de manjares manifesta tipicamente a perfeita natureza humana de Cristo. A ênfase aqui está na vida ofertada. Ela estabelece a perfeição de caráter que deu à oferta seu valor indescritível
3)    Os sacrifícios pacíficos (Lv 3) - (Hebr. Zebhah e ShelãmïnShelem ou Shalôm, da raiz traduzida "paz", "saúde" e "inteiro"). Falavam de inteira dedicação da parte do ofertante e da paz com Deus a quem as oferecem. As gorduras somente eram queimadas e as carnes eram consumidas pelos sacerdotes e pelo povo, numa ceia de aliança solene, à qual os pobres eram convidados (Dt 12:18). A oferta pacífica fala da comunhão restaurada, resultante da perfeita satisfação apresentada em Cristo. A ira de Deus é aplacada. O homem é reconciliado. Existe paz.
4)    Oferta pelo pecado – (Hebr. Hattâ'th). Este tipo de sacrifício era necessário para expiar pecados específicos. O grau da culpa e a qualidade da oferta variavam de acordo com a posição e a responsabilidade do pecador. O pecado do sumo-sacerdote era o mais grave, porque era ele quem representava a nação inteira. Ofertas pelo pecado do leproso (Lv 14), da mãe após ter dado a luz (Lv 12), ofensas de engano e apropriação indébita (Lv 6:1-7). A oferta pelo pecado tipifica Cristo como o portador do pecado – "feito pecado por nós" (2 Co 5:21).
5)    Oferta pela culpa ou pela transgressão – (Hebr. 'ãshãm, que quer dizer culpa no sentido de danos e estragos e também é o nome técnico do tipo de sacrifício que a culpa requer). Normalmente pecados contra o próximo, muitas vezes requer uma compensação monetária em adição ao próprio sacrifício (Lv 6:5). A oferta pela transgressão ou culpa fala dos pecados (plural) e tipifica Cristo como agente da expiação, fazendo restituição devido à ofensa causada pelos nossos delitos.

6 – O Significado
            O propósito dos sacrifícios, freqüentemente declarado no livro de Levítico, é "fazer expiação" (Kipper, Lv 1:4).
            Esse verbo pode ser explicado de uma das três seguintes maneiras: "cobrir", do árabe Kafara; "apagar" do acadiano Kuppuru; "resgatar por um substituto" do substantivo hebraico Kopher. Esta última explicação parece mais de conformidade com a teoria de sacrifício apresentada em Lv 17:11, "Porque a vida da carne está no sangue... porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida", e com o principio em operação em muitas das práticas encontradas acima: a escolha do material da oferta como preço de vida; a designação dos mesmos pela imposição de mãos; a queima de uma porção simbólica, como a gordura ou o 'azkãrâ; a oferta de uma primeira porção e a redenção do primogênito.
            A verdadeira vantagem da teoria da substituição é que a mesma retém as categorias de relações pessoais, enquanto que as demais posições tendem a descer para as categorias dinamísticas subpessoais, em que o próprio sangue é considerado como algo que efetua uma união ou revitalização mística, de modo semi-mágico.
            De grande importância para esta discussão é o reconhecimento que o próprio  Deus doou este ritual ao homem pecaminoso.
            "... Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas... " (Lv 17:11).
            Os sacrifícios devem ser vistos como algo que operava dentro da esfera da aliança e da graça do pacto. Não eram "um expediente humano para sua própria redenção".
            Lv 17:13 – Devolver o sangue a terra; sugere que a vida esta sendo devolvida a Deus.
            Dt 12:16 – O sangue não comerás.
            ... A virtude não está no próprio sangue, mas na vida que é mantida pelo sangue. Quando o sangue é derramado, a vida sai com ele.
            ... A vida da carne está no sangue". É assim que a vida faz a expiação; e não o sangue em si mesmo.
            Sangue no Antigo testamento está ligado:
1º - Redenção: nas portas do Egito.
2º - Expiação: no altar.
3º - Purificação: Aspergido sobre uma pessoa com lepra.
4º - Compromisso: Aspergido no livro do pacto.
5º - Consagração: Aspergido nos sacerdotes, nos vasos do santuário.
6º - Intercessão: Aspergido no propiciatório.




7 – Ordem do culto
A ordem das ofertas, descritas nos primeiros capítulos de Levitico, não correspondem á ordem pela qual eram apresentadas nas cerimônias efetuadas no Tabernáculo.
Nestes capítulos a ordem é a seguinte: holocausto, manjares, sacrifícios pacíficos, sacrifícios pelo pecado e sacrifício pela culpa. Entretanto, na primeira cerimônia realizada no tabernáculo, que foi a ordenação dos sacerdotes (Lv 8-10), essa ordem é completamente alterada. A primeira oferta apresentada naquela ocasião foi a oferta pelo pecado (8: 14-17). Em seguida o carneiro do holocausto (8:18-21). Depois foi apresentado o carneiro da consagração (8:22-25). Continuando a cerimônia, é apresentada a oferta de manjares (8:26-28). Não há referência direta à oferta pacífica. Contudo, o carneiro da consagração, que serviu como alimento, tomou o lugar daquela oferta, na qual praticamente toda carne era consumida pelo ofertante e pelo sacerdote que apresentava a oferta.
Deve-se notar que a ordem seguida na apresentação das ofertas nessa e noutras cerimônias do Tabernáculo ajusta-se às necessidades de homem perante Deus. Primeiro ele deve ser purificado de seus pecados, depois de colocar sua vida a disposição do Senhor, e então poderá alimentar-se do banquete divino na casa de Deus.
Porque a descrição das ofertas não segue essa orientação?
Mackintosh sugere que nos primeiros capítulos a ordem das ofertas tem como princípio colocar em primeiro lugar o que pertence a Deus, e, depois tratar das necessidades humanas.

Os Sacerdotes (8-10)
            Estarei apenas acrescentando alguma coisa aqui visto que já falamos sobre o sumo-sacerdote quando estudávamos o livro de Êxodo.
            A parte sobre os sacerdotes é de insuperável interesse. O ponto alto dela é que, para que a comunhão entre os remidos e seu Deus santo seja mantida, não deve haver apenas um sacrifício (como nos capítulos 1-7), mas também um sacerdote (como nos capítulos 8-10). Além da absolvição da culpa é preciso haver mediação. Graças a Deus, o Senhor Jesus é tanto sacrifício quanto sacerdote para Seu povo de fé, de modo que temos acesso a Deus por "um novo e vivo caminho" (Hb 10:20) – um caminho "novo" porque é o caminho da cruz, que fala do sacrifício final pelo pecado; e um caminho "vivo" por ser o caminho da ressurreição, que fala do sacerdote eterno nas alturas.
Observe agora a base da consagração (vv. 14-30) – sacrifício. Uma oferta pelo pecado, uma oferta queimada e um "carneiro da consagração" devem ser oferecidos. Arão e seus filhos devem colocar as mãos sobre a cabeça do sacrifício, identificando-se assim com ele; a seguir, o sangue do sacrifício será aspergido sobre eles, fazendo com que se identifique com eles. Assim, mediante uma dupla identificação, os sacerdotes se associavam aos sacrifício expiatório e, com base nisso, eram aceitos e consagrados. A ponta da orelha direita, o polegar da mão direita e o polegar do pé direito devem ser selados com sangue (vv. 23, 24). "Uma ORELHA selada com sangue era necessária para ouvir as comunicações divinas; uma MÃO selada com sangue era exigida para executar os serviços do santuário; e um pé selado com sangue era necessário para andar pelos pátios da casa do Senhor" O próprio altar precisava ser aspergido (vv. 15, 19, 24). O sangue é o grande fundamento de tudo.
Deve ser notada a diferença entre a unção de Arão e a de seus filhos. Arão é ungido antes de o sacrifício ser imolado (v. 12). Os filhos são ungidos depois da morte, juntamente com a aspersão de sangue sobre eles (v. 30). Obedecendo à sua exatidão caraterística, a Escritura faz esta distinção por um bom motivo. No ensino dos tipos deste capítulo, Arão, o sumo sacerdote, prefigura o Senhor Jesus, enquanto seus filhos representam por antecipação, os crentes-sacerdotes da presente dispensação. O Senhor Jesus que não tinha pecado em Si, não precisava da aspersão de sangue antes de receber a unção do Espírito Santo; e no fato de Arão ser ungido sozinho, antes do derramamento de sangue, vemos um exemplo discriminatório do tipo do Filho de Deus encarnado, que permaneceu absolutamente sozinho até que Se deu no Calvário. Sem o derramamento de sangue, Arão e seus filhos não podiam juntar-se na unção. Mas, depois dele, Moisés unge "Arão... bem como ... os filhos de Arão" (v. 30). Uma vez derramado o sangue, Arão e seus filhos – tipificando Cristo e Sua casa sacerdotal – se unem no ministério sacerdotal único; e assim unidos, todos ficam diante de Deus em virtude do mesmo sacrifício.
No capítulo 10, o mesmo fogo que consumia a oferta queimada sobre o altar agora salta adiante e devora dois sacerdotes! Nadabe e Abiú oferecem "fogo estranho" diante do Senhor, "o que lhes não ordenara". Este é o pecado da Presunção, ao qual se segue súbito e terrível juízo. Em contraste com o capítulo 9, com sua aprovação e confirmação do sacerdócio, vemos agora presunção e rejeição! A oferta do "fogo estranho" feita por Nadabe e Abiú era "adoração da vontade", "da carne". Não se baseava na vontade revelada por Deus. Tratava-se de uma intrusão vã, uma violação do privilégio sacerdotal, sendo absolutamente repudiada. Os sacerdotes de Israel devem aprender imediatamente e para sempre a andar segundo a regra inflexível de obediência completa à vontade e palavra de Deus.
Há muitos Nadabes e Abiús hoje. A presunção deles quase sempre fica longo tempo sem castigo – pois a presente dispensação é da graça; mas o capítulo 10 de Levítico é uma advertência solene de que, embora o juízo tarde, ele certamente virá no final. De Deus não se zomba!

O povo (11-16)
Os capítulos 11 a 16 dizem-nos que o povo de Deus deve ser um povo limpo, interna e externamente. Deve haver limpeza física e também deve haver limpeza cerimonial de tudo que possa contaminá-lo moral e espiritualmente aos olhos de Deus. Deve ser higiênico e sacrificialmente purificado.
O propósito do ensino nesta seção é "fazer diferença entre o imundo e o limpo" (11:47) e separar "os filhos de Israel das suas impurezas" (15:31). Veja também 16:30.
Os assuntos tratados são: consumo de carne (11), parto (12), lepra, vestes e casas (13, 14), higiene sexual (15) e purificação nacional pelo sacrifício expiatório (16). Podemos classificar o conteúdo desses capítulos de maneira mais fácil de lembrar, dizendo que esta seção insiste em:
Alimentos limpos – 11 // corpos limpos – 12-13:46 // roupas limpas – 13:47-59 // casas limpas – 14:33-57 // contatos limpos – 15 // nação limpa – 16
O capítulo 16 fala do grande dia da Expiação anual.

O altar (17)
O significado disso para nós é claro. Há um lugar, e somente um, onde Deus, em graça soberana, decidiu encontrar-se com os pecadores arrependidos, a cruz – da qual o altar à porta da tenda da congregação era um tipo. Nenhum outro sacrifício! Nem um outro sacerdote! Nenhum outro altar! "Porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4:12).
Rejeitar este ponto de encontro é trazer juízo sobre si mesmo – é pisotear as justas reivindicações de Deus e arrogar o direito à vida que todos perderam".      

O povo (18-20)
Esta seção cobre os capítulos 18-20 e consiste de regulamentos morais para o povo todo. Esses três capítulos, marcados por uma introdução formal (18:1-5) e um fecho formal (20:22-26), são claramente uma seção distinta. Em primeiro lugar, no capítulo 18, temos proibições sexuais; a seguir no capítulo 19, advertências gerais; e finalmente, no capítulo 20 sanções penais contra os ofensores.
As proibições no capítulo 18 não são dadas como um código sexual completo, mas dirigidas contra as violações mais grosseiras da castidade, que prevalecem ofensivamente entre as nações idólatras ao redor de Israel – que na verdade sempre prevaleceram e continuam prevalecendo entre os adeptos da idolatria e do paganismo. As razões da proibição de casamento entre parentes próximo são válidas tanto hoje quanto naquele tempo. Em contraste com a permissividade de nossos dias, as proibições deste capítulo 18 mostram o modo como Deus valoriza a pureza nos relacionamentos sexuais. Nada é mais vital para qualquer povo do que a proteção adequada dos relacionamentos conjugais e familiares.
As longas listas de preceitos morais e sanções penais nos capítulos 19 e 20 também não devem ser consideradas completas, pois cobrem apenas os pontos que afetam diretamente o bem-estar de Israel.

Os sacerdotes (21-22)
Os capítulos 21 e 22 referem-se especialmente aos sacerdotes. Se o povo como um todo devia ser santificado ao Senhor, quanto mais os sacerdotes!
Os mais altos privilégios estavam ligados ao sacerdócio. O Senhor escolhera uma tribo e dessa tribo um certa família; dessa família, um certo homem; a este e a sua casa Ele conferira os privilégios exclusivos de se aproximarem dEle como Seus intermediários indicados e ungidos pela mais absoluta santidade; e é para assegurar isto que esses novos regulamentos são transmitidos aqui.
A seção dividi-se em três partes: primeira, práticas proibidas (21:1-15), relativas aos relacionamentos sociais dos sacerdotes; segunda, pessoas proibidas (21:16-22:16), referentes às coisas que desqualificavam a pessoa para servir ou comer das coisas no tabernáculo; terceira, sacrifícios proibidos (22:17-33), referentes aos animais imperfeitos que não deviam ser oferecidos no altar do Senhor. Em outras palavras, esses capítulos nos dizem o que o sacerdote não deve fazer, não deve ser, não deve oferecer. O sacerdote do Senhor, acima de todos os homens, deve ser separado de tudo que contamina, para que o santuário de Deus não seja profanado.

A terra (25-27)
A seção final de Levítico consiste dos capítulos 25 a 27 e trata especialmente da ocupação de Canaã por Israel. Em Êxodo e Levítico encontramos várias vezes palavras tais como "quando entrares na terra ...", o que é natural, uma vez que a totalidade da Lei dada através de Moisés antecipava a chegada de Israel em Canaã e seu estabelecimento ali.
O capítulo 25 determina a observação dos dois sábados periódicos "de descanso" solene para a terra", a saber, o sétimo ano (vv. 1-7) e o qüinquagésimo (vv. 8-55). Estes dois sábados seriam como um reconhecimento da propriedade da terra por parte de Deus e da permanência de Israel com base na fidelidade à aliança (v. 23). Essa foi uma medida que favoreceu a terra, como a ciência agrícola reconheceria mais tarde. Foi uma oportunidade graciosamente providenciada para o descanso alegre do povo – pois, embora em sentido estrito fossem períodos de descanso "para a terra", todavia, como um subproduto previsto, o povo gozaria do repouso ocasionado. Assim, esses sábados da terra serviriam também para pôr termo à cobiça. A cada sete anos, o judeu deveria suspender seus esforços de lucros. Ele deveria até mesmo desistir de seu direito à produção espontânea dos seus campos, de modo que todos igualmente – ricos e pobres, gado e animais domésticos – fossem sustentados por ela (vv. 5, 6). No caso do jubileu, que se seguia ao sétimo ano de repouso, esta restrição abrangia dois anos completos. Se combinarmos isto com o regulamento severo de que não se podia cobrar juros sobre dinheiro ou mercadorias emprestadas a outro judeu (vv. 35-38) e com a outra regra de que no jubileu todos deviam ser libertados, vemos ainda mais claramente esta repressão da cobiça. Além do mais, esses descansos sabáticos tinham o propósito de fazer aumentar a fé que o povo tinha em Deus e cultivar um sentido de dependência confiante nEle (vv. 20-22).
É possível, no entanto, que o principal objetivo dos regulamentos neste capítulo 25 fosse o de assegurar ao máximo "a distribuição eqüitativa de riqueza, evitando acúmulos excessivos de terra ou capital nas mãos de poucos enquanto a massa ficava na pobreza".
O ponto principal do ano do jubileu é a palavra "liberdade" (v. 10).  Ele proporcionava liberdade – (1) ao escravo, (2) à propriedade, (3) ao solo em si.
Alguns vêem aqui uma tipologia:
-          1º ) O sábado de descanso do sétimo ano, depois de seis anos de trabalho fala daquele grande sétimo período de mil anos que ainda virá, introduzido pelo segundo advento de Cristo. Depois de seis mil anos a partir de Adão, que estão chegando agora ao fim, a terra irá descansar então sob o reinado benigno do verdadeiro Rei de Israel.
-          2º ) O jubileu, que deveria ser o ano depois do sétimo ano sabático, caindo portanto sempre no oitavo ano do calendário sabático, fala daquela gloriosa condição que sucede o reinado milenar de Cristo. O que é o nosso domingo – o primeiro dia da nova semana, que vem a seguir e faz desaparecer o sábado do sétimo dia da antiga semana e antiga dispensação, o dia da ressurreição, do derramar do Espírito, de uma nova ordem de coisas, até mesmo de uma nova criação em Cristo Jesus. Assim, o jubileu aguarda o novo céu e a nova terra que virão (Ap 21-22), quando depois do sétimo grande dia de mil anos da história, durante o qual todo governo e autoridade serão colocados sob os pés de Jesus. A Nova Jerusalém descerá dos céus, e os remidos e glorificados tomarão posse da herança comprada.
Isto é verdadeira libertação! Para o escravo, para a herança, para a própria terra. "... a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus" (Rm 8:21).
No capítulo 26 ele coloca diante de Israel as condições categóricas da posse e prosperidade, as alternativas inexoráveis que dependiam de sua obediência ou desobediência. Quantas bênçãos são prometidas aos desobedientes! Quantas advertências pronunciadas para evitar a desobediência! Verdadeiramente, quanto mais alto o privilégio, tanto mais profunda a responsabilidade!
Deve ser notado que o castigo final é a expulsão da terra e dispersão entre as nações. Depois de recaírem os outros juízos, este último ocorreu de modo patente, e a terra em si ficou abandonada e vazia durante gerações, como havia sido predito. Todavia, junto com esta advertência se achava a promessa divina garantindo a preservação e restauração de Israel, sendo esta preservação um dos milagres da história que ainda não perdeu seu brilho. Além do mais, estamos vendo em nossos dias as primeiras fases da restauração de Israel sendo levadas a efeito.
n  A figura central em Levítico é o Sumo Sacerdote. O capítulo central é o 16 – O dia da Expiação anual. O tema central é a comunhão mediante a santificação. A lição central é: "Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (Lv 19:2).—

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE NÚMEROS

            Apesar de o nome hebraico para este quarto escrito de Moisés ser Be-midbar ou Bemidbarth, que significa "no deserto" (das palavras do primeiro versículo do primeiro capítulo), o nome grego que os tradutores da Septuaginta lhe deram foi Arithomai (origem do nosso termo "aritmética), que em latim se torna Numeri e em português Números – tendo esse nome porque nele os filhos de Israel são recenseados duas vezes, uma no início do livro e outra no fim.

1.    Autor
. A autoria de Moisés é confirmada no próprio livro por sua estreita conexão com Levítico e Deuteronômio, e pelo fato de o Senhor ter ordenado ao legislador que o escrevesse (Nm 33:2).
. Jesus e os apóstolos relacionaram Moisés com os acontecimentos de Números em muitas ocasiões (Jo 3:14; I Co 10; Hb 3) e Jesus se referiu a Moisés como sendo o autor do Pentateuco (Jo 5:46).

2.    Data em que foi escrito
. Foi concluído em 1405 a.C,

3.    Período em que foi abrangido – 1444-1405 a.C.
. Números começa com a ordem dada pelo Senhor em 1 de maio de 1444 a.C. para se fazer o recenseamento do povo, e termina com uma assembléia às margens do Jordão, pouco antes da morte de Moisés.
. A duração total dos acontecimentos de Números é de 38 anos e 9 meses, em quatro períodos:
a)    Recenseamento e preparo para a marcha (1-10) 20 dias
b)    Jornada até Cades-Barnéia; missão de espionagem (11-14) 70 dias
c)    Peregrinação no deserto em torno de Cades (15-20) 38 anos e 1 mês
d)    Jornada em torno de Edom até as Campinas de Moabe (21-36) 5 meses

4.    Cenário Religioso
. Este livro trata de duas gerações de Israel: a primeira havia saído do Egito, e a segunda estava para entrar em Canaã. A primeira tinha visto grandes milagres executados por Moisés, e recebera a lei de maneira também miraculosa. Seus componentes foram, entretanto, destruídos por desobediência e rebelião. A segunda geração cresceu conhecendo a lei e recebendo diariamente o maná, e estava familiarizada com o fato de Deus ter destruído, devido à corrupção, todos os habitantes do lado leste do Jordão.
. Os dois grandes pecados de toda a assembléia no deserto ocorreram no Sinai e em Cades, ambos cometidos pela primeira geração. O primeiro foi a idolatria, e o segundo a rebelião. Todos os dois ocorreram em agosto, em 1445 e 1444. Ambos precederam grandes dádivas de Deus: a Lei Mosaica e a terra de Canaã. Depois do primeiro e do segundo pecados, manifestou-se a ira de Deus bem como a sua resolução de destruí-los. Após cada pecado, Deus demonstrou ira e misericórdia, perdoando-os sempre com base na sua aliança com Abraão e manifestando a sua misericórdia para com eles.
. Apesar de terem recebido a lei e o sistema levítico, é duvidoso que tenham guardado todos aqueles regulamentos no deserto. A prova disto é o fato de que o requisito da circuncisão só foi observado após a travessia do Jordão (Js 5:5).

5.    Objetivos de Números
. O objetivo de Moisés em Números foi preservar um regime da paciência de Deus para com o povo que ele escolhera, e demostrar que a redentora misericórdia divina não impediu que ele os castigasse severamente por causa dos pecados deles. Não obstante tê-los redimido graciosamente, ele não os libertou para uma vida fácil, permissiva e independente. Antes, salvou-os para a disciplina, o serviço e a guerra. A frase chave (quatorze vezes no capítulo 1) é: "todos os capazes de sair à guerra."  Nesses preparativos, o Senhor mostrou-lhes que nenhum inimigo os venceria caso confiassem no poder de Deus e obedecessem à sua palavra. Portanto, o tema implícito deste livro é: "Preparativos para o serviço na rota do Sinai ao Jordão."


A BONDADE E SEVERIDADE DE DEUS
A Antiga
Geração
(do Sinai até Cades)
Era de
Transição
(No deserto)
A Nova
Geração
(de Cades até Moabe)
1-14
15-20
21-36
O Censo (1-4)
As Instruções (5-9)
A Jornada (10-14)

A PEREGRINAÇÃO
As novas jornadas (21-25)
O novo censo (26-27)
As novas instruções (28-36)

6.    Sua importância
. De fato, o Espírito Santo chamou atenção especial para ele na clássica declaração relativa à história dos primórdios de Israel, em 1 Co 10:1-12. Note as palavras "Estas cousas lhe sobrevieram como exemplos...". De fato, julgamos que não seja exagero dizer, como A.C. Gaebelein, que o fracasso de Israel em entrar em Canaã, por causa de sua infidelidade, pode perfeitamente prefigurar, como por certo ilustra, o fracasso da igreja organizada de hoje em possuir as coisas celestiais em Cristo.
. Aquele que conhece bem o livro de Números terá sido bem advertido para a sua viagem de peregrino à Canaã celestial e escapará de muitas contrariedades.
. Vemos em Números a severidade de Deus para com a antiga geração que caiu no deserto e jamais entrou em Canaã. Observamos também a bondade de Deus para com a nova geração, que foi protegida, preservada e sustentada até que se desse a posse de Canaã. No primeiro caso vemos a terrível inflexibilidade da justiça divina. No segundo, a infalível fidelidade de Deus à Sua promessa, Seu propósito, Seu povo.
. Também encontramos uma advertência contra a presunção "Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia." (1 Co 10:12) e outro aviso é contra a incredulidade (Hb 3:19).

Capítulo 1

            Os filhos de Israel foram contados no censo "segundo as suas famílias, segundo a casa de seus pais" (1:2), e deviam evidentemente "declarar a descendência deles" (1:8). Só os verdadeiros israelitas tinham permissão de lutar por Israel. Ninguém do populacho que saiu do Egito com Israel podia fazê-lo. Que lição para nós hoje, quando todo tipo de pessoa tem o direito de servir na igreja organizada, sem a descendência espiritual do novo nascimento divinamente exigida! A primeira pergunta com respeito ao serviço cristão deveria ser sempre a da descendência espiritual. Quantos obreiros da igreja atual estão longe de poder afirmar: "O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8:16).

Capítulo 2

            Temos a distribuição das tribos e a mobilização do arraial. Cada uma das doze tribos deveria colocar seu estandarte sendo distribuídas em quatro grupos de três – um grupo ao norte, outro ao sul, outro a leste e outro ainda a oeste do tabernáculo.

Norte
               Aser                                        Dã                               Naftali
Benjamim

Efraim

Manassés
Meraritas
Issacar

Judá

Zebulom
Oeste

Gersonitas

TABERNÁCULO
Leste
Moisés
Arão
Sacerdotes
Coatitas

               Gade                                     Rúben                           Simeão

Sul




Capítulo 3
            Temos o censo da tribo de Levi, que fora isenta do censo geral pelo fato de Deus tê-la escolhido para o serviço especial do tabernáculo (1:49-50). Este censo levita, ao contrário do outro, deveria incluir todos os levitas do sexo masculino da idade de um mês para cima (3:15). Juntamente com isto vem a explicação de que daí por diante Deus iria considerar todos os levitas como de sua exclusiva propriedade, em lugar do primogênito de todas as outras tribos (3:12-13).
Os levitas compunham-se de três famílias – gersonitas, coatitas e meraritas; e eles ficavam a oeste, sul e norte, respectivamente e a entrada do tabernáculo ficavam Moisés, Arão e os sacerdotes.

Capítulo 4

            Aqui temos um censo dos levitas do sexo masculino de 30 a 50 anos; pois só eles podiam ser nomeados para os serviços do tabernáculo. Marque muito bem a diferença entre o ministério dos levitas e o dos sacerdotes. Os sacerdotes se ocupavam-se dos ministérios cerimonial, sacrificial e espiritual do tabernáculo. Os levitas ocupavam-se da parte material do tabernáculo propriamente dito – manutenção, tais como conduzir os bois, cuidar dos animais para o sacrifício e preparar o incenso.

            Os quatros primeiros capítulos nos deram a formação externa do arraial. Os cincos seguintes tratam da sua condição interna. A chave está em Nm 5:3 "... para que o (seu arraial) não contaminem no meio do qual Eu habito."

Capítulo 5

            Neste capítulo é ordenado que os leprosos sejam lançados fora do arraial; que o ganho desonesto seja confessado e restituído; que a suspeita de imoralidade seja testada diante de Deus. É preciso haver pureza, honestidade e verdade.

Capítulo 6

            Este capítulo contém os regulamentos sobre o voto de nazireado. Este voto do nazireado hebraico não pertencia às exigências obrigatórias da lei. Estes votos de abstinência são coisa comum em todas as religiões. É certo que freqüentemente eles se misturam a muito de superstição, obstinação e orgulho. Todavia, em geral surgem de impulsos nobres. 
            Embora o capítulo 5 se refira à separação da contaminação em geral, o capítulo 6 está ligado à separação individual para Deus.

Capítulo 7

            Registra a oferta voluntária dos príncipes. Estas ofertas eram destinada ao tabernáculo.
Pois o nosso Deus, que é imensamente rico, nada necessitando que possa ser oferecido pelo homem, não considera apenas o valor monetário do total, mas reconhece cada oferta pelo que ela exprime do amor do ofertante em relação a Ele.

Capítulo 8

            Descreve a consagração dos levitas. (v. 7) Antes de servir, eles deviam ser purificados; nós também. Sua purificação era dupla, parte operada sobre (água da purificação) eles e parte operada por eles; do mesmo modo na nossa purificação a uma parte divina (sangue de Jesus e a renovação do Espírito Santo) e outra parte que depende de nós (Cl 3).

Capítulo 9
            Mostra-nos primeiramente a observância da Páscoa e depois nos fala sobre a coluna de nuvem (durante o dia) e fogo (à noite) que pairava sobre o tabernáculo quando o povo devia parar e que se movia quando ele devia continuar a jornada. A coluna de nuvem e fogo fala de orientação.

Capítulo 10
            É ordenado a Moisés (Nm 10:2): "Faze duas trombetas de prata: de obra batida as farás; servi-te-ão para convocardes a congregação, e para a partida dos arraiais."
            Quatro usos são determinados para essas trombetas de prata. Elas deveriam ser primeiramente um chamado para a reunião do povo (v. 3); segundo, um sinal para a partida (vv. 5-6); terceiro, um clarim em tempo de guerra (v. 9); quarto, um memorial diante de Deus (vv. 9-10). Os sacerdotes é que deveriam tocar a trombeta, pois a trombeta de prata era a "trombeta de Deus".
            Todas essas coisas podem ser associadas a nós. A trombeta assinala uma nova reunião? Essa trombeta ainda está para soar, para reagrupar o povo disperso de Israel! (Is 27:13; Zc 9:14) Além disso, quando o Senhor Jesus voltar para buscar os Seus, Ele "o Senhor mesmo... ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus"- a fim de reunir os remidos (1 Ts 4:16). "A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados" (1 Co 15:52). A trombeta fala de guerra e conquista? Veja Joel 2:1; Leia Ap 8 e 9 e veja os anjos com suas trombetas fazendo soar a vitória de Cristo no Armagedon. Ó, quanto esperamos pela trombeta que proclamará a Sua volta!
Nos vv. 11-13 temos a narrativa do início da jornada, o povo de Israel, saem do deserto de Sinai a Cades.
Nos vv. 29-32 Moisés pediu a Hobabe, seu cunhado, que os acompanhasse e os ajudasse com seu conhecimento da região. Este parágrafo não esclarece se Hobabe aceitou o convite, embora aparentemente o tenha feito, porque o povo da família midianita, os queneneus, finalmente se estabeleceu em Canaã (cf. Jz 1:16; 4:11). A orientação divina não exclui a ajuda humana, não houve da parte de Deus nenhuma repreensão por ter Moisés solicitado a ajuda de Hobabe.

Capítulo 11
Se inicia com as seguintes palavras "Queixou-se o povo..." Começam as murmurações (vv. 1-3). Canaã está logo a frente. Levam em sua companhia o penhor da vitória. Deveriam estar cantando hinos de júbilo; todavia murmuram. O fogo do juízo está prestes a consumi-los, mas a oração de Moisés misericordiosamente os poupa.
No v. 4 "o populacho"[8] lembra com saudades as iguarias do Egito e o povo israelita se une a eles: "Quem nos dará carne a comer?"
No v. 6 reclamam do maná. O próprio Moisés começa a desanimar (vv. 10-15): "Eu sozinho não posso levar a este povo". Setenta anciãos são escolhidos para dividir as obrigações com ele.
A carne tão desejada é provida milagrosamente na forma de codornizes. Todavia, no momento em que o povo começa a devorar gulosamente a carne, o juízo vem na forma de uma praga que os dizima. Foram julgados por terem comido avidamente para satisfazer sua cobiça carnal, sem arrependimento e sem reconhecer o doador. O lugar da praga recebeu o nome de Quibrote-Taavá, que significa "sepultura da concupiscência." 

Capítulo 12
As queixas alcançam nesse ponto os principais líderes de Israel. O irmão e a irmã de Moisés discutem o seu direito de liderança. Arão já era sumo sacerdote. Miriã era a profetisa de Israel. O orgulho invejoso desejava agora uma posição ainda mais alta. A menção da mulher gentia de Moisés não passou de simples pretexto. Observe a grandeza de Moisés. Não houve auto-vindicação e nem sequer um traço de ressentimento (veja o capítulo 13). Sua mansidão o engrandece. Sua humildade é sua majestade. Deus o justifica (vv. 4-10) "... como, pois, não temeste falar contra o meu servo, contra Moisés?" O juízo recai sobre os desobedientes. Miriã, a instigadora fica leprosa. Note que é um pecado grave falar contra um verdadeiro servo de Deus. A segurança real do crente está em permitir que Deus o justifique. Deus guarda o homem a quem chama para servi-lo. Observe o espírito perdoador de Moisés. Ele ora por Miriã, e ela é curada.

Capítulos 13 e 14
Os doze espias examinaram a terra durante quarenta dias. Em seu relatório todos concordam que Canaã é de fato uma terra excelente (13:27). Mas dez deles trazem a triste informação de que a sua conquista é impossível. Os outros dois, Calebe e Josué, fazem calar o povo, declarando: "Eia! Subamos, e possuamos a terra"; "o Senhor é conosco; não os temais". Os dez colocaram uma barreira entre eles e Deus. Os dois colocaram Deus entre eles e a barreira. Os dez viram com os olhos da carne. Os dois viram com os olhos da fé.
Sabemos o resultado, Israel não quis crer, depois rebelou-se, até pedindo que Calebe e Josué fossem apedrejados (14:10) e sugerindo que outro chefe fosse nomeado para levá-los de volta ao Egito (14:4)! A penosa ironia é que Israel estava a um passo do prêmio. A nação desobedeceu. O juízo caiu sobre ela. Moisés intercede pelo povo de maneira tocante (14:11-20); mas o julgamento da peregrinação de quarenta anos é imposto (14:29-30). Que tragédia – toda uma geração deve fenecer (morrer) no deserto e andar a esmo por quarenta anos sem chegar a lugar algum! Embora a incredulidade humana não possa certamente frustrar os propósitos de Deus, ela pode atrasar o seu cumprimento. Mas a lição mais enfática aqui é certamente esta: a incredulidade derrota o incrédulo!

Capítulos 15-20
Abrangem os 38 anos da chamada peregrinação no deserto. Este período de espera marca a transição da velha geração para a nova. Ele se inicia imediatamente após a crise de Cades e termina no ano da morte de Arão (Nm 20).
Tanto no início como no fim de Números, vemos Israel cuidadosamente organizado para a conquista e posse imediatas. Mas este período de 38 anos de atraso desnecessário e trágico intervém e faz com que a benção da terra prometida seja adiada e transferida para uma nova geração. Dessa forma, ele nos fala hoje com cada cristão em particular. Num período  de dois anos o povo de Israel se encontrava em Cades-Barneia, a porta de Canaã. Trinta e oito anos mais tarde, ali se achava novamente, no mesmo lugar. Por que? Bem, havia o "populacho", os pseudo-israelitas que recebeu permissão para viajar com a congregação, mas que na verdade não era fiel nem ao povo nem aos seus planos. Esse populacho cobiçava e levava o povo a cobiçarem a fartura e iguarias baratas do Egito. Que maldição é esse populacho na igreja de hoje!
A seguinte citação é absolutamente legítima. "Em nossas igrejas existem milhares de casos de crescimento retardado. Para muitos, como aconteceu com Israel, a demora é uma conseqüência direta da desobediência. Eles ouviram o chamado de Deus, experimentaram a libertação divina, passaram da morte para a vida e iniciaram bem a nova existência. Como novos cristãos, estavam cheios de zelo e amor: eles exclamavam confiantes: "Faremos tudo quanto o Senhor ordenar." Pareciam prontos para entrar na posse de seus bens e, espiritualmente, em todas as experiências benditas que Deus prepara para os que O seguem inteiramente. Um dia, porém, foi feito um chamado para que entrassem definitivamente na terra, para que se entregassem definitivamente nas mãos de Deus em uma vida mais profunda e rica, como jamais haviam conhecido antes. Eles viram a terra, confessaram que era boa; mas notaram gigantes e as cidades protegidas; viram a perseguição, as zombarias, o isolamento, o difícil serviço que a que teriam de se submeter em vista de sua plena consagração. Exclamaram: "Não podemos enfrentá-los; não vamos entrar"; o seu progresso foi imediatamente retardado, sua religião perdeu o vigor e o poder. Se algum de vocês passar por esta experiência, lembre-se que a cura para ela é a volta a Cades. Volte ao ponto onde desobedeceu a Deus; confesse o seu pecado; retome a vida de obediência; e a velha alegria, poder e progresso serão novamente seus.

Uma Interrupção Histórica
Esses 38 anos simplesmente marcam um tempo em que não se fez história. O povo escolhido praticamente desaparece de vista. Durante esses anos, a verdadeira história de Israel manteve-se realmente em suspenso; pois essa é a história de uma teocracia, sendo, portanto, no sentido mais elevado, a história dos tratos de Deus com Seu povo, enquanto Ele os guia para o cumprimento de Seus grandes propósitos. Os 38 anos são uma interrupção dos objetivos e representam assim um intervalo na história. A geração que excomungou a si própria em Cades não teve mais herança em Israel.
Agora, era preciso que morressem e que uma nova geração os substituísse, antes que a história da teocracia pudesse ser retomada. A interrupção em Cades e os 38 anos de adiamento podem muito bem representar para nós a interrupção mais grave no Calvário e o atual longo período de espera na história de Israel, durante o qual Deus está chamando para Si um povo espiritual em Cristo, sem discriminação de nacionalidade (Rm 9-11 e Ef 2-3).

A "Rebelião de Coré"
Os capítulos 16 a 18 formam um todo. No 16 lemos sobre a "rebelião de Coré", que na verdade representou um ataque contra a liderança de Moisés e o sacerdócio arônico. Mais de quinze mil morrem no castigo de terremoto, fogo e praga. A seguir no capítulo 17, vemos a vara de Arão florescer e a nova confirmação divina do sacerdócio arônico. Depois disso, no capítulo 18, temos a reafirmação divina do sacerdócio arônico, feita ao próprio Arão. Encontramos nesses três capítulos a defesa, testemunho e confirmação do sacerdócio arônico.
Note que no cap. 16:1 que o rebelde Coré era filho de Coate. Os coatitas tinham os serviços mais seletos entre os levitas. Eles carregavam as coisas mais sagradas do tabernáculo. A apostasia muitas vezes surge dentre os próprios lideres da religião. Os seus incensários foram guardados como uma advertência (v. 38,39).
A rebelião é atribuída a Coré, porque ele foi o chefe religioso dela. Parece ter possuído influência suficiente para juntar em volta de si um grande número de homens influentes – "maiorais, chamados ao ajuntamento varões de nome". Em suma era uma rebelião formidável e muito séria.
É sempre um momento muito critico na história de uma assembléia quando o espírito de deslealdade se manifesta; porque, se não for reprimido de um modo justo, é certo seguirem-se as mais desastrosas conseqüências. Em todas as assembléias há elementos capazes de serem seduzidos, e basta que se levante um espírito rebelde e dominador para os pôr em movimento e atear em chama devoradora o fogo que tem estado latente e oculto. Satanás não usará qualquer homem para esta obra, ele usará alguém que seja manhoso, hábil e enérgico – um homem de força moral – que tenha influência sobre o ânimo dos seus semelhantes e uma vontade de ferro para prosseguir com seus projetos. Sem duvida Satanás incute muito de tudo isso nos que usa nos empreendimentos diabólicos.
Tais homens sabem, em primeiro lugar, como excitar as paixões dos povos; e, em segundo lugar, como as manejar, depois de agitadas. O seu meio mais poderoso – a alavanca com que podem eficientemente levantar as massas – é a questão dos seus direitos e da sua liberdade. Se podem ser bem sucedidos em persuadir o povo de que é privado da sua liberdade, e que os seus direitos são infringidos, estão seguros de reunir ao redor deles um número de espíritos inquietos, e de causar danos graves.
Assim foi no caso de Coré e seus colaboradores. Procuraram dar a entender que Moisés e Arão agiam como senhores sobre os seus irmãos opondo-se aos seus direitos e privilégios como membros de uma santa congregação, na qual, segundo o seu parecer, todos estavam a um mesmo nível e tinham, tanto uns como os outros, o mesmo direito de estar ativos (v.3). Nos versos de 8-11, fica evidente que Coré estava insatisfeito com seu trabalho, pois foi ele possuído pela inveja e ambição de tal forma que planejou tomar o lugar de Arão; e para isso colocou o povo contra Moisés e Arão.
Mas, por outro lado, se Deus põe um homem em eminência – se o qualifica para a obra – se o enche e adapta um vaso para um serviço especial, se designa a um homem a sua posição, então de que serve qualquer contender com o dom divino e com a nomeação divina? Na verdade nada pode ser mais absurdo.
Portanto Coré e a sua companhia estavam em desavença com Deus e não com Moisés e Arão. Este haviam sido chamados por Deus para ocupar uma certa posição e cumprir uma determinada obra, e "desgraçados" deles se tivessem recusado! Não foram eles que tinham aspirado a essa posição; haviam sido ordenados por Deus. Isto devia ter resolvido a questão.
De fato, o assunto é tão simples quanto possível. Deus tem conferido a alguém a sua posição e a sua obra a fazer? Quem o duvidará? Pois bem, que cada qual reconheça o seu lugar e o ocupe – que saiba qual é a sua obra e a faça. É a coisa mais absurda que há no mundo alguém tentar ocupar a posição ou fazer a obra de outrem. Coré tinha a sua obra; Moisés tinha a sua também. Porque havia um de invejar o outro?

Para pensarmos "????" Coré aspirava o cargo de sacerdote, se rebelando contra o sacerdote escolhido por Deus. É conveniente compreender este fato na vida de Coré. Não é geralmente compreendido; e por isso tem sido causa de que seja acusado, hoje em dia, do mesmo mal todo aquele que busca exercer qualquer dom que lhe haja sido concedido pela Cabeça da Igreja. Porém um momento de calma reflexão sobre o assunto à luz das Escrituras será suficiente para mostrar como é destituída de fundamento tal acusação. Tome-se por exemplo um homem a quem Cristo tem dado, de uma maneira clara, o dom de um evangelista. Devemos considera-lo culpado do pecado de Coré, porque, em prosseguimento da missão e do dom divino, ele vai pregar o evangelho? O dom divino e a chamada divina não são suficientes? Atua como rebelde quando prega o evangelho? E não é igualmente claro que ainda que um homem tivesse tudo que pudesse possuir e não tivesse um dom outorgado pela Cabeça da Igreja não era de modo algum ministro?

Nm 16:4-7 – Nunca vale a pena contender com pessoas turbulentas e descontentes; é muito melhor deixá-las nas mãos do Senhor; porque a sua controvérsia é na realidade com Deus. Se Deus coloca um homem em determinada posição e lhe dá um determinado trabalho a fazer, e os seus semelhantes pensam que é próprio contender com ele por causa de ele fazer a obra que Deus lhe deu, e de ocupar essa posição, então a sua dissensão é com Deus, que sabe como resolvê-la, e segundo o Seu próprio modo.
Moisés coloca deste modo a questão simplesmente entre o Senhor e os rebeldes (vv. 28-30). Pode apelar para Deus e deixar tudo nas Suas mãos. Este é o verdadeiro segredo do poder moral. Um homem que não procura nada para si mesmo, que não tem outro fim ou objetivo senão a glória divina, pode esperar confiadamente o desfecho de todas as coisas. Mas para isto os seus olhos devem ser simples, o seu coração íntegro e o propósito puro. De nada servirá aparentar ou assumir qualquer coisa. Se Deus vai julgar, descobrirá certamente todas as pretensões e simulações.
Que tristeza é descobrir que nada pode curar o homem de seu coração maligno (vv. 41-50). Depois de tudo o que aconteceu a Coré, o povo continuou rebelde. Para que o homem possa se salvar deste mal somente nascendo de novo.

Capítulo 20
O fim da peregrinação. Neste capítulo encontramos agrupados a morte de Miriã, o pecado de Moisés e a morte de Arão.
Arão que era representante do sacerdócio, não podia levar Israel ao descanso prometido; nem Miriã, que representava os profetas; nem Moisés, representante da lei. Isto ficou reservado para Josué, que de maneira singular foi um tipo de nosso Salvador e Comandante celestial, o Senhor Jesus Cristo.

A NOVA GERAÇÃO (21-36)
(De Cades às Planícies de Moabe)
            A triste espera terminou. Uma nova manhã se levantou. A antiga geração já não existe. Uma nova geração surgiu. Arão se foi, e Eleazar é nomeado sumo sacerdote. Moisés deverá partir em breve, e Josué irá substituí-lo como líder. Chegou a hora de uma nova partida. Israel deve seguir para as planícies de Moabe e preparar-se novamente para entrar na terra prometida. Nesta divisão final de Números temos: A nova jornada (21-25); O novo censo (26,27); As novas instruções (28-36).
1)    A nova jornada (21-25)
A viagem para as planícies de Moabe levaria de quatro a cinco meses. A viagem prolongou-se muito porque o povo de Edom não permitiu que Israel cortasse caminho pelo seu território (Nm 20:14-22; 21:4).
Durante a peregrinação Israel estava fora da vontade de Deus e suas orações não eram respondidas e se tornavam alvos fáceis nas mãos dos inimigos (Dt 1:44).
Agora, porém, ao retomar a verdadeira história de Israel, os privilégios da aliança tornam-se de novo atuantes (Nm 21:3). Israel clama e o Senhor ouve. Anote a grande lição aqui. Quando abandonamos a vontade de Deus para nós, o poder real da oração fica suspenso; mas se continuarmos em sintonia com essa vontade, nada pode prevalecer contra nós. Fora da vontade divina somos cegos peregrinos. Dentro dela somos peregrinos militantes com um claro objetivo.
A seguir nos versos de 4-9 do capítulo 21 temos o episódio ligado à serpente de bronze. Vamos tratar aqui das principais analogias sugeridas pela serpente de bronze. Note, na narrativa, pecado (v.5), sofrimento (v.6), súplica (v.7), salvação (vv. 8,9). Esta ordem é sempre aplicável à experiência. Note ainda que a murmuração era dupla – sobre o caminho e sobre o mana. Sua direção era igualmente dupla – "contra Deus e contra Moisés". Seu castigo foi duplo – sofrimento e morte. A salvação era dupla – na serpente e através de um olhar. Os homens se queixam hoje do mesmo modo contra o caminho (vontade) de Deus e contra o Pão vivo que Ele proveu em Cristo. Hoje, o pecado enche o mundo de sofrimento e dor, e hoje igualmente a salvação se acha em Cristo pelo olhar de fé.
Agora, nos capítulos 22 a 24, um dos personagens mais estranhos da Bíblia aparece em cena – Balaão. Na verdade, esses três capítulos não fazem parte da narrativa como se conclui pelo fato de o capítulo 21 ligar-se diretamente ao 25. O ponto alto a notar aqui é que mesmo os estratagemas mais astuciosos do maligno contra Israel são superados agora que a nação marcha mais uma vez segundo a vontade do Senhor. Balaão, que tenta amaldiçoar, é obrigado abençoar.
Lamentavelmente, porém, o próprio povo se desvia e comete o erro amaldiçoado. O capítulo 25 – um capítulo terrível – começa: "Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do Senhor se acendeu contra Israel". Em 31:16 ficamos sabendo que, embora Balaão não tivesse podido amaldiçoar os filhos de Israel, ele evidentemente tinha aconselhado as mulheres de Moabe e Midiã a assediá-los. Os filhos de Israel caíram facilmente na armadilha preparada por elas.  O restante deste capítulo é uma leitura triste. Vinte e quatro mil morrem da praga que os acometeu como castigo. Quanta tragédia depois do recente registro de vitórias! Como foi trágica essa idolatria e obscenidade por parte de um povo abençoado com ensinos tão sublimes e com tão elevado vocação. Esses capítulos de Números nos ensinam que certamente não basta termos uma lei ou ideal exterior, por mais puro e elevado que possa ser. O que precisamos é de uma transformação interior para esmagar a perversidade de nossa natureza decaída!
Balaão, o profeta mercenário (22-25)
Três problemas surgem na pessoa deste profeta híbrido (composto de elementos de origem diversa) – seu conhecimento do Deus verdadeiro, seu caráter enigmático, seu estranho dom profético.
Como justificar seu conhecimento do Deus verdadeiro? Acreditamos que ele seja uma das muitas evidencias de uma revelação de Deus original e pura que se tornou pervertida e obscurecida com o passar do tempo, quando a raça humana se dispersou pela terra. Números 22:5 conta que Balaão era de Petor, e Deuteronômio 23:4 diz que Petor ficava na Mesopotâmia, o berço da raça humana.
Homens como Balaão, que provavelmente tinham um direito hereditário à sua posição de vidente, permaneceram puramente monoteísta em sua crença e em seu coração, invocavam apenas o Deus de toda a terra, o Deus de Abraão e de Naor, de Melquisedeque e de Jó.
O que dizer porém do caráter de Balaão? Ele é um paradoxo vivo – um profeta verdadeiro e falso ao mesmo tempo. É verdadeiro por conhecer o Deus verdadeiro, ter Nele um fé real, tratar realmente com Ele e Dele receber comunicações reais, transmitindo Suas mensagens igualmente verdadeiras. Todavia, é um falso profeta por recorrer também a artes mágicas, sendo chamado de adivinho (Js 13:22), e corromper seu estranho dom profético em troca de proventos materiais.
E as profecias de Balaão? Acreditamos que, embora os demais pronunciamentos e feitos de Balaão estivessem longe de ser inspirados, suas profecias sobre Israel foram divinamente inspiradas. Lemos em Nm 23:5 "Então o Senhor pôs a palavra na boca de Balaão, e disse:....". Em Nm 24:2 lemos ainda "... veio sobre ele o Espírito de Deus".
Como podia, porém, o Espírito Santo descer sobre um homem de mente dividida como Balaão? Esse é um problema que muitos enfrentam ainda hoje nas igrejas.
Devemos observar as três referencias a Balaão no Novo Testamento. Em 2 Pe 2:15 lemos sobre o "caminho de Balaão". O "caminho de Balaão" é aplicação de um dom espiritual com fins lucrativos, é o símbolo dado a cobiça daquele que se aluga para fazer serviços religiosos buscando lucro pessoal. Em Judas 11 encontramos o "erro de Balaão". O "erro de Balaão" foi que na busca de lucro próprio deixou os conselhos de Deus. Em Ap. 2:14 é mencionada a "doutrina de Balaão", esta doutrina é o conselho de arruinar com sedução um povo que não podia ser amaldiçoado com autorização (Nm 31:16).

2)    O novo censo (26,27)
3)    As novas instruções (28-36)
O Castigo Contra Midiã (31)
            O capítulo 31 contém a ordem para a guerra contra Midiã. A mente se revolta diante do relato. A dificuldade moral envolvida no ataque de Israel contra os cananeus, aprovado por Deus, aparece aqui em sua forma mais grave. O que dizer a respeito?
            Entendemos que a chave está na palavra "vinga". A ordem de Deus é: Vinga os filhos de Israel dos midianitas""(v.2). Moisés transmite a ordem desta forma: "Vinga o Senhor de Midiã".
            A guerra contra Midiã não foi apenas uma vingança humana: foi uma retribuição divina. Ela tinha a finalidade de "vingar os filhos de Israel", porque os midianitas haviam injuriado Israel de forma deliberada, astuciosa e grave, sem provocação. Ela tinha o propósito de "vingar o Senhor", porque ao induzir Israel a cometer idolatria licenciosa, eles haviam deliberadamente (aconselhados por Balaão) atacado o Deus santo de Israel. Deixemos então bem claro que Midiã mereceu o castigo que lhe foi aplicado.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE DEUTERONÔMIO

1.    Título
. Os hebreus deram-lhe o nome de "Elleh haddevarim" ou "Haddeb-harim", usando as primeiras palavras do livro: "São estas as palavras", ou "Devarim" (palavras).
. A Septuaginta chamou-o de "Deuteronômio", que significa "Segunda Lei" ou repetição da lei, nome que também a Vulgata Latina adotou. Nosso título "Deuteronômio", é oriundo do grego deuteros (segundo) e nomos (lei). A história e legislação dos primeiros livros são recapitulados, mas só como base para as palavras de advertência agora registradas. Deuteronômio não dá uma nova lei, mas explica aquela que já foi dada.

2.    Autor
. Até época bem recente, críticos documentários afirmavam que esse livro havia sido escrito no tempo de Josias (621 a.C.). Esta teoria, porém, foi posta de lado em razão do pouco acordo quanto à data ou ao autor do livro.
. A autoria de Moisés tem forte confirmação, tanto no próprio livro como em outros. À semelhança da maioria dos escritores bíblicos, Moisés escreveu na terceira pessoa, referindo-se a si próprio trinta e oito vezes neste livro. Pouco antes da sua morte, declarou que tinha escrito esta lei antes de entregá-la aos sacerdotes (Dt 31:9, 24-26).
. O último capítulo sobre a morte de Moisés é um apêndice escrito mais tarde, talvez por Josué, Eleazar ou Samuel.
. As informações discordantes da lei em Êxodo e Deuteronômio não negam a autoria de Moisés, antes confirmam-na. Enquanto um pseudo-Moisés não se desviaria de Êxodo, o próprio Moisés dificilmente apenas repetiria o original. As diferenças são devido a novas circunstâncias que precisavam dessa posterior elaboração do código sinaíta para as novas condições de Canaã.

3.    Data em que foi escrito
. 1405 a.C. – Moisés especificou a data de 1 de fevereiro de 1405 a.C., quando reuniu o povo para este conjunto final de mensagem (Dt 1:3).
. Como a morte de Moisés ocorreu trinta dias mais tarde, a pronunciação e a escrita destas mensagens ocorreram muito próximas uma da outra (34:8).



4.    Circunstâncias
. Quanto à posição geográfica, Israel estava perto das margens do Jordão, todos ansiosos pela nova aventura em Canaã. Tendo conquistado enorme área da Transjordânia quase sem perdas humanas sob a direção do Senhor, estavam prontos para o desafio de Canaã.
. Quanto a religião, o novo Israel era, de muitas maneiras, diferente da primeira geração que saiu do Egito. Não tinha conhecido a idolatria daquele país, e estivera sob a liderança de Moisés por quarenta anos no deserto. O povo conhecera o poder e a vitória como resultados da confiança que depositaram no Senhor quando em batalha. Todavia, eram ainda propensos ao farisaísmo e à idolatria como ocorreu no caso de Midiã (Nm 25), e havia muitos problemas familiares e sociais esperando por solução. Tendo aprendido a guerrear, precisavam ser lembrados da santidade da vida inocente, e de como deveriam viver em Canaã.

5.    Objetivo do livro de Deuteronômio
. O objetivo de Moisés ao escrever o livro ao pronunciar os discursos era o de preparar a nova geração de Israel para viver em Canaã mediante uma reafirmação da Lei Sinaíta. Uma vez que a lei original era um tanto breve e direcionada, Moisés expressa aqui a parte fundamental da lei em forma de sermão, estendendo-se nos princípios básicos e falando em tom exortativo.

6.    Um livro de transição
. Ele evidencia isso de quatro maneiras:
a)    Primeira, marca a transição para uma nova geração (fim da velha geração).
b)    Segunda, marca a transição para uma nova possessão (da peregrinação no deserto para a ocupação nacional de Canaã).
c)    Terceira, marca a transição para uma nova experiência, uma nova vida (de tendas móvel para casas permanentes).
d)    Quarta, marca a transição para uma nova revelação de Deus – a revelação do Seu amor (de Gn a Nm o amor de Deus jamais é mencionado; mas aqui em Dt, lemos as belíssimas palavras: "Porquanto amou teus pais, e escolheu a sua descendência depois deles" (Dt 4:37; 7:7,8; 10:15; 23:5).

7.    Sua estrutura
. Na primeira parte (1-11), que olha para trás, temos retrospecção e reflexão; na segunda parte (12-34), temos previsão e admoestação.


I – OLHANDO PARA TRÁS (1-11) - (Retrospectivos)
     Recapitulação do caminho desde o Sinai (1-3)
     Recapitulação da Lei do Sinai (4-11)

II – OLHANDO PARA A FRENTE (12-34) - (Prospectivos)
      Regras e advertências finais a Israel, antes da entrada na herança terrena (12-30)
      Palavras e atos finais de Moisés, antes de entrar na herança celestial (31-34)

8.    A mensagem central
. A mensagem central de Deuteronômio é a fidelidade divina. Em ambas as partes do livro isto é destacado – nos tratos graciosos, sábios e justos de Deus com a nação no passado e em Suas promessas renovadas à nação com respeito ao futuro. Apesar das terríveis perversidades de Israel no passado, o Senhor sempre foi e sempre será fiel às Suas promessas, Seus propósitos e Seu povo. Esta é a mensagem central de Deuteronômio; e como ela traz consolo em dias como os de hoje, quando as coisas parecem às vezes fugir completamente ao nosso controle!
. Não podemos ler Deuteronômio sem pensar nas palavras de Paulo em 1 Co 1:8,9 "...o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor".

Em vista de Deuteronômio ser composto praticamente de um discurso; poderemos entender melhor o livro de Deuteronômio selecionando e notando claramente os vários pronunciamentos básicos nele contidos, sobre os quais são edificados todos os outros ensinamentos.

1 – O fato básico
O fato básico por trás de tudo (juntamente com o qual está o mandamento básico da lei) é aquele declarado em Dt 6:4,5: "Ouve Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força."
O próprio Senhor Jesus nos disse que este é o pronunciamento fundamental e o "primeiro mandamento" da lei (Mc 12:29,30).
É bom ser exato quanto às palavras desta declaração essencial, já que os unitaristas se apropriam dela como seu principal argumento contra a doutrina ortodoxa de que Deus é trino. "Ora" dizem eles, "nada podia ser mais claro: Deus é uma unidade e não uma pluralidade; Ele é um e não três; pois Deuteronômio 6:4 diz: "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor".
Todavia, um exame mais detalhado deste versículo mostra que, em vez de apoiá-los, ele na verdade refuta seu argumento. O original hebraico aqui é justamente uma declaração solene de que o Senhor é uma pluralidade numa unidade. A palavra traduzida como "nosso Deus" é elohenu, palavra composta pelo plural elohim (deuses) seguido pelo sufixo possessivo da primeira pessoa do plural, tornando-se elohenu, isto é, "nossos deuses". Então, isto é o que afirma o grande pronunciamento a Israel: "Ouve, Israel, Jeová nossos Deuses, Jeová é um."
A fim de esclarecer ainda melhor o assunto, o termo hebraico traduzido por "único" (echad), interpretado com exatidão, expressa "um" no sentido coletivo. Isto é, ele não representa uma unidade absoluta, mas composta, como a indicada na expressão "um cacho de uvas". O termo hebraico equivalente a "um" no sentido de unidade absoluta e yacheed; e esta palavra jamais é usada para expressar a unidade da Divindade.
A frase transmite com clareza a idéia de que Deus é uma pluralidade na unidade. Esta afirmação da unidade de Deus é igualmente oposta ao unitarismo, politeísmo e panteísmo. O Deus de Israel, o Deus único e verdadeiro, é um só, indivisível e transcendente, o Único absoluto e infinito, de quem tudo depende, a quem todos devem finalmente obedecer, o único e verdadeiro objeto de adoração da criatura. 

2     – A verdade básica
A verdade básica estabelecida em Deuteronômio é aquela expressa em Dt 6:23: "E dali nos tirou, para nos levar, e nos dar a terra que sob juramento prometeu a nossos pais."
Esta é uma afirmação tríplice da verdade. Em primeiro lugar, trata-se de um fato – "dali nos tirou". Em segundo lugar, há o propósito por trás do fato – "para nos levar". Em terceiro, temos a razão por trás do fato e do propósito – "prometeu a nossos pais". Quanto ao fato – "dali nos tirou" – vemos nele o poder de Deus; pois os tirou com "mão poderosa". No que se refere ao propósito – "para nos levar" – vemos a graça de Deus; pois era para levá-los a uma terra "que mana leite e mel". Com referência a razão – prometeu a nossos pais – vislumbramos a fidelidade de Deus; Ele foi fiel à Sua aliança.
"Dali nos tirou" Que riqueza de significado essas palavras tinham para Israel! Não mais se ouviria o estalo do chicote do guarda de escravos! Não mais a ameaça cruel do impiedoso capataz! Nunca mais a servidão rigorosa, o tacão de aço, a escravidão amarga, a tirania e vergonha do Egito! Tudo isto acabou!
As palavras assumem um significado ainda maior quando aplicadas aos cristãos. De que Egito Deus nos livrou em Cristo! Ele nos tirou da condenação do pecado, Ele nos livrou da servidão do pecado (Rm 8:1,2). O que mais diremos? Ele nos salvou das acusações de nossas consciências despertadas, do afastamento de Deus no coração, da escuridão e morte espirituais, do medo paralisante do futuro.
Mas Ele "dali nos tirou, para nos levar". Além de um Egito deixado para trás, existe uma Canaã adiante, com suas vides e figueiras, suas uvas e romãs, suas colinas e ribeiros, suas oliveiras e cedros, seu leite, mel, milho e vinho – uma Canaã fértil, fragrante, produtiva, banhada de sol! Será que podemos pensar na Canaã terrena sem nos lembrar da Canaã espiritual, que é nossa em Cristo? Nos ensinamentos de tipos das Escrituras, Canaã não simboliza apenas o céu (como em muitos de nossos hinos), mas também uma experiência de santidade e plenitude espiritual acessível aos cristãos aqui e agora, nesta vida presente.
"... prometeu a nossos pais" – este é o ponto-chave da questão. Deus jamais deixa de cumprir Sua palavra. Apesar das revoltas no deserto e da crise em Cades, Ele continua fiel à Sua aliança graciosa – (2 Tm 2:13). A Canaã a que Deus nos chama seria aquela, aparentemente impossível, estabelecida em 1 Ts 5:23: "O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo"? Santificação completa – parece demais "subir e possuir a terra" imediatamente? Leia então o versículo seguinte: "Fiel é o que vos chama, o qual também o fará"! Aquilo que não conseguimos por esforço próprio podemos obter em Cristo.

3     – A exigência básica
A exigência básica feita por Deus a Israel, em Deuteronômio, é a encontrada em Dt 10:12, 13: "Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas o Senhor teu Deus, andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardardes os mandamentos do Senhor, e os seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem?"
"Agora, Israel..." Essa palavra "agora" enfoca verdadeiramente a importância de Deuteronômio. Este é distintivamente o livro do "agora". O povo havia recapitulado a fidelidade de Deus em Seus maravilhosos tratos com Israel desde a época em que Ele entrara em aliança com Abraão. E agora o que fazer? O que é exigido deles ao entrarem agora na Canaã prometida? Apenas isto: "... que temas o Senhor teu Deus, andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma".
Este é o requisito básico, a obrigação que abrange todas as demais – obediência, obediência com amor, fluindo da gratidão consciente pela aliança e comunhão com este Deus glorioso e fiel. O Senhor deve ser obedecido por causa (1) do que Ele fez por eles; (2) do que Ele é em Si mesmo; (3) da perfeição da Sua lei (Dt 4:7,8).
Dizemos que este é o requisito básico encontrado aqui; e será que se exige menos de nós hoje? Absolutamente, não. Em vista de nossos privilégios superiores em Cristo, os quais o Israel terreno jamais conheceu, temos obrigação ainda maior de obedecer, no espírito de amor e reverência santa (Jo 14:21-23). Que nosso deleite supremo seja ouvir suas ordens e obedecer a elas!

4     – A promessa básica
É importante compreender que Israel entrou em Canaã sob as condições estabelecidas na aliança do Sinai. Seus preceitos, termos e questões são repetidos à nova geração de Israel neste livro de Deuteronômio. Os privilégios e responsabilidades correspondentes da aliança do Sinai eram tais que as sanções mais solenes foram atreladas a ela, e os castigos mais duros foram prescritos para o caso de Israel violá-la por desobediência. O castigo extremo prenunciado tanto em Levítico 26 como em Deuteronômio 28 é a dispersão de Israel e a desolação de Canaã (veja Lv 26:32, 33; Dt 28: 63-68).
O que devemos compreender aqui, porém, é que a aliança do Sinai não foi a última palavra entre Deus e Israel; ela não representa o fim dos tratos de Deus dentro da aliança com o Seu povo escolhido. Existe uma outra relação de aliança que fica fora e vai além da aliança do Sinai, uma aliança que não termina: a aliança abrâmica. Esta é a razão pela qual, apesar das falhas de Israel, a relação de aliança de Deus com Israel continua. É altamente significativo que em cada caso onde o castigo extremo para a violação da aliança é mencionado, a saber, a dispersão de Israel e a desolação de Canaã, há uma referência imediata à aliança abrâmica, mostrando que, mesmo após a aliança do Sinai ter-se esgotado com seu último castigo sendo infligido a Israel, Deus pode (e irá) continuar abençoando a nação com base na aliança abrâmica anterior e superior. Veja Lv 26:33, 42; Dt 4:27-31; Dt 30:20.

Moisés

O grande líder e legislador por meio de quem Deus tirou os hebreus para fora do Egito, que os constituiu como nação para servi-Lo, e que os levou às fronteiras da terra prometida aos seus antepassados.
Em Êx 2:10 é dito que "Esta lhe chamou Moisés, e disse: Porque das águas o tirei. A maioria dos interpretes identifica a palavra esta com a filha de faraó, e isso tem levados muitos a suporem uma origem egípcia para o nome de Moisés, em egípcio Ms, "criança" ou "nascido" sendo a melhor possibilidade. Não obstante alguns identificam o antecedente de "esta" com a mãe de Moisés, e, isto significaria, que a própria mãe de Moisés é quem deu seu nome. Moisés (Mõsheh – raiz mãshâ "retirar"), tal como se encontra, é um particípio ativo que significa "alguém que retira", e pode ser uma elipse de alguma frase mais longa. 
Moisés pertencia a tribo de Levi, ao clã de Coate, e a casa e família de Anrão (Êx 6:16 e segs.)
Para salvar seu bebê do edito faraônico que ordenava a destruição de todas as crianças recém-nascidas do sexo masculino entre os hebreus, a mãe de Moisés o pôs numa cestinha de juncos ou de papiro recoberta de piche, entre as canas que havia à beira do Nilo, e ordenou que sua irmã, Miriã, vigiasse. Pouco depois a filha de faraó veio com suas criadas a fim de banhar-se no rio, encontrou a criança, e se encheu de compaixão por ela. Miriã discretamente se ofereceu para encontrar uma ama para o bebê (de fato sua mãe) e assim a vida de Moisés foi poupada. Ao ser desmamado foi entregue a sua mãe adotiva, a princesa egípcia (Êx 2:1-10). Sobre sua juventude nada se fala, mas é muito provável que um jovem em sua posição, no período do Novo Reino, criado nos círculos palacianos, não podia deixar de ter recebido um treinamento básico substancial naquela "ciência dos egípcios" que Estevão lhe credita (At 7:22).
O líder
Na qualidade de líder de seu povo, Moisés estava não apenas tecnicamente equipado, mediante sua educação e treinamento egípcios, mas igualmente era, num nível muito mais fundamental, um líder supremo por ser tão aconchegado servidor de seu Deus, mediante a fé (Hb 11:23-29; At 7:23-37).
Grande, realmente, era a mansidão e longanimidade de Moisés, que em meio a rebeldia do povo a Deus e a sua pessoa, a rebeldia de sua própria família (Êx 32:1 e segs.), ele intercedia constantemente a favor de Israel, que pecava (Nm 14:13 e segs.; Nm 16:46) e pleiteava perante Israel que fosse fiel a seu Deus que a libertara. A maravilha disso tudo não é que Moisés tenha pecado apenas uma vez (Nm 20:10 e segs.), mas que ele não se tivesse desesperado perante aquele povo "rebelde de dura cerviz" e perante tanta sobre carga não tenha falhado muitos outras vezes. Que ele era um homem de fé duradoura no Deus invisível (Hb 11:27b) e portanto, zeloso pela honra do nome de Deus (Nm 14:13 e segs.) são as únicas coisas que podem explicar suas realizações.
Moisés e Cristo – um paralelo
Preservados na infância: Êx 2:2-10; Mt 2:14-15.
Contenderam com mestres maus: Êx 7:11; Mt 4:1.
Jejuaram quarenta dias: Êx 34:28; Mt 4:2.
Controlaram o mar: Êx 14:21; Mt 8:26.
Alimentaram uma multidão: Êx 16:15; Mt 14:20,21.
Tiveram rostos resplandecentes: Êx 34:35; Mt 17:2.
Suportaram murmurações: Êx 15:24; Mc 7:2.
Desacreditados no lar: Nm 12:1; Jo 7:5.
Intercederam: Êx 32:32; Jo 17: 9.
Tiveram setenta ajudantes: Nm 11:16,17; Lc 10:1.
Estabeleceram uma ceia comemorativa: Êx 12:14; Lc 22:19.
Reapareceram depois da morte: Mt 17:3; At 1:3.





*** Esta obra é na verdade uma montagem de citações e textos extraídos dos diversos livros que foram consultados. Não me preocupei aqui em fazer ligações de uma frase a outra, me preocupei apenas em colocar as informações disponíveis aos leitores.


     


                                                                                       Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

Bibliografia


HALLEY, Henry H. Manual Bíblico. São Paulo: Edições Vida Nova, 1993
MILNE, Bruce. Estudando As Doutrinas Da Bíblia. São Paulo: ABU Editora, 1995
TIDWELL, J. B. Visão Panorâmica Da Bíblia. São Paulo: Ed. vida Nova, 1997
RYRIE, Charles C. A Bíblia Anotada. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1991
ELLISEN, Stanley A. Conheça Melhor O Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1993
CRABTREE, A. R. Teologia Do Velho Testamento. Rio de Janeiro: JUERP, 1991
BAXTER, J. Sidlow. Examinai As Escrituras. São Paulo: Soc. Religiosa Ed. Vida Nova, 1992 Vol. 1
THOMPSON, J. A. Criação/ DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário Da Bíblia. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1991 Vol. 1
MACKINTOSH, C. H. Estudos Sobre O Livro Do Êxodo. Lisboa (Portugal): Editorial Buenas Nuevas, 1978
MACKINTOSH, C. H. Estudos Sobre O Livro De Números. Lisboa (Portugal): Editorial Buenas Nuevas, 1978
ALMEIDA, Abraão de. O Tabernáculo e a Igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 1985
THOMPSON, R. J. Sacrifício e oferta/ DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário Da Bíblia. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1991 Vol. 2
HARISSON, R. K. Levítico Introdução e Comentário. São Paulo: Série Cultura Bíblica, 1991
SANTOS, J. F. O Culto no Antigo Testamento. São Paulo: Soc. Religiosa Ed. Vida Nova, 1992


[1] Mesopotâmia – "He mese ton Patomon" literalmente "Entre Rios". Conhecida também como Crescente Fértil.
            Limites – Existe algumas divergências de autores, alguns delimitam da seguinte maneira. É a vasta região do oeste margeada pelos rios Tigre e Eufrates, que se estende desde os montes da Armênia ao Norte até o Golfo Pérsico do sul de cerca de um milhão e meio de quilômetros quadrados. Modernamente essa região é ocupada pelos seguintes países: Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Síria a ocidente; Turquia ao sul em cuja proximidades estão os emirados Árabes Unidos. Porém este estudo, entendemos a Mesopotâmia a região situada entre os rios Tigre e Eufrates.
[2]BAXTER, J. Sidlow. Examinai As Escrituras. São Paulo: Soc. Religiosa Ed. Vida Nova, 1992 – pag. 43 Vol. 1
[3] Idem nota nº 2  
[4] HALLEY, Henry H. Manual Bíblico. São Paulo: Edições Vida Nova, 1993 – pag. 73
[5] Babel, Hb. Porta ou  portão de Deus. A primeira cidade mencionada depois do dilúvio, edificada na planície de Sinear. Foi a sede do governo de Ninrode (Gn 10:8-10). Babel se torna sinônimo de algazarra, confusão; porque ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra.
[6] BAXTER, J. Sidlow. Examinai As Escrituras. São Paulo: Soc. Religiosa Ed. Vida Nova, 1992 pags 45 e 46 Vol. 1
[7] BAXTER, J. Sidlow. Examinai As Escrituras. São Paulo: Soc. Religiosa Ed. Vida Nova, 1992 Vol. 1 pags. 93-97
[8] "O populacho" – Era uma multidão de pessoas (Êx 12:38) que havia se unidos aos israelitas quando estes saíram do Egito. Havia alguns semitas e também alguns egípcios.

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