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By Ferramentas Blog

terça-feira, 4 de junho de 2013

BÍBLIA 13 - ESTUDOS SOBRE A BÍBLIA

Lição 1 - Tema: A BÍBLIA, SEU ESTUDO E ANÁLISE

Texto Básico: II Tm. 3:16
Texto Devocional: Mt. 22:29
Versículo Chave: Jo. 5:39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim."

INTRODUÇÃO - A Bíblia é um livro maravilhoso. Muitos de nós esquecemos as suas riquezas e o mundo de bênçãos a qual trouxe às nossas vidas.
O mundo antigo ficou, aproximadamente, dois mil e quinhentos anos sem a Bíblia. Houve uma época em que o Senhor Deus não se revelou através das Escrituras. Quando, em sua infinita bondade, Deus queria se revelar aos homens, fazia-o em ocasiões especiais.
Finalmente, Ele nos deu a Bíblia, livro interessante, com assuntos de muita importância para a humanidade. Nela encontramos estabelecidos os princípios soberanos da vontade do Criador para com a criatura. Quando lemos a Bíblia. Sentimos o toque do Espírito Santo em nosso espírito. A Bíblia é um livro de história causando grande admiração. Nossa tarefa inspiradora é estudar este Livro Sagrado com santidade e espírito de reverência para com Deus que limita nossos destinos.

I - TERMINOLOGIA - OS TÍTULOS BÍBLICOS
1. A Bíblia: O significado desta palavra vem do grego (BIBLION), que quer dizer "rolo" ou "livro" (Lc. 4:17), e fala da unidade que há nela, pois é um "livro composto de 66 livros". A palavra grega "Biblion", aparece em Mc. 12:26, e no 2º século as Escrituras já eram conhecidas como "os livros" ou "a Bíblia".
2. Escrituras: Termo usado no Novo Testamento para se referir aos livros sagrados do Antigo Testamento (Mt. 21:42; 22:29; Rm. 1:2). Também no NT. Com referência a outras porções do Antigo Testamento (II Pe. 3:16). É um termo originário do latim - "escribo" - que quer dizer, aquilo que foi escrito. A palavra Escritura esta citada em Mc. 12:40, Lc. 4:21; e Escrituras em Mt. 22:29 e Mc. 12:24.
3. Testamento: O termo testamento vem de uma palavra latim - "Testamentum" - que é correspondente do grego "Diateke", que significa aliança, pacto, testamento, vontade, conserto e contrato. Aparece em Jr. 31:31 a 34; Lc. 22:20; II Co. 3:6 e 14; Hb. 7:22. Antigo e Novo Testamento, referindo-se à Bíblia, só começam a ser usados do segundo século para cá.
4. Palavra de Deus: Este termo é usado para ambos os Testamento em toda sua forma escrita (Mt. 15:06; Jo. 10:35; Hb. 4:12; Lc. 41:28; Mc. 14:13).
5. Outros Nomes: a) As Sagradas Escrituras; b) As Sagradas Letras; (II Tm. 3: 13-16).

II - OS SÍMBOLOS - REPRESENTAM O PODER E O VALOR DA BÍBLIA.
  1. Espelho - Poder revelador (Tg. 1:23-25).
  2. Semente - Poder gerador (Tg. 1:18; I Pe. 1:23; Lc. 8:11).
  3. Água - Poder purificador (Ef. 5:25-27; Sl 119:05, 11; Jr. 15:03: 17:17).
  4. Lâmpada - Poder iluminador (Sl. 119:105; II Pe. 1:19; Pv. 6:23; 4:18).
  5. Espada e Martelo - Poder capacitador - É ela que nos capacita para o trabalho e a luta da vida (Jr 23:29; Lc. 14:25-33).
  6. Ouro e Vestimenta - Poder que enriquece e ornamenta (Sl. 19:10; Ap. 3:17)
  7. Leite, Carne, Pão e Mel - Poder alimentador e nutritivo (Jr. 15:16; I Pe. 2:2; I Co. 3:1-2; Mt. 4:4; Jo. 6:35, 51; Hb. 5:12-14; Sl. 19:10).
III - DE QUE TRATA A BÍBLIA?
A Bíblia sobrepuja todos os demais livros quanto a sua autoridade, literatura e popularidade, muito especialmente pelo fato de revelar a verdade concernente a Deus, Sua Justiça, Seu Amor, como também o pecado do homem e sua salvação.
A Bíblia tem cerca de 40 autores, mas na verdade, acima deles, há um só autor: Deus. Na Bíblia Ele revela Seu caráter, Seu querer, Seus atributos, Suas promessas, e sobretudo o caminho da reconciliação do homem com Ele mesmo.
A Bíblia, em resumo, fala de Jesus Cristo, revelação encarnada de Deus (Cl. 1:15; Hb. 1:2).
O centro do Antigo Testamento é a história de Israel, o centro do Novo Testamento é a Igreja. Em tudo isto, onde está Cristo? Ele aparece prometido e profetizado na história de Israel (Nm. 21:6-9; Êx. 12; Is. 7:14 e 9:06) Nos Evangelhos Ele está vivo, e na Igreja (Epístolas do NT.) Ele está sendo ensinado, vivido e aplicado.

CONCLUSÃO - Em resumo, a autoridade da Bíblia fica provado por:
  1. Seus nomes divinos;
  2. O uso que Jesus fez do Antigo Testamento;
  3. O uso que fizeram dela os apóstolos;
  4. O uso que faz dela o Espírito Santo, falando aos homens ensinando-lhes e preparando-lhes para aceitar a mensagem de salvação;
  5. Sua autoridade para os dias atuais. 
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
1. Os nomes da Bíblia testificam de sua autoridade divina?
2. Cite pelo menos quatro nomes divinos da Bíblia.
3. Os símbolos da Bíblia representam o que para nós?
4. Cite pelo menos três símbolos que mais lhe chama atenção.
5. Qual o autor da Bíblia de maior importância para você?




Lição 2. Tema: AS ATITUDES EM RELAÇÃO A BÍBLIA.
Texto Básico: II Pe. 1: 21
Texto Devocional: Jo. 7: 17
Versículo Chave: "Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e luz para os meu caminho." (Sl. 119: 105)

INTRODUÇÃO - Continuamos nosso estudo sobre este eterno livro - A Palavra de Deus - a Bíblia Sagrada. Ainda que seja considerada apenas uma obra literária, é o mais notável livro que a humanidade tem visto. Ela contém uma série de acontecimentos do mais vivo interesse. Muitos sábios, muitos estudiosos da Teologia (ciência que estuda Deus) tem testemunhado o poder majestoso das Escrituras como instrumento de luz e santidade. A Bíblia é um livro que foi elaborado por homens que "falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (II Pe. 1: 21). Ela revela "o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou." (Jo. 17: 03).
Diante de toda esta certeza de que a Bíblia não somente é, mais contém a Palavra de Deus, encontramos estudiosos que refutam, dentro da sua "sabedoria", o poder e a autoridade da Bíblia. Mas não há como negar. A Bíblia é Deus falando aos homens. Para nosso conhecimento e análise, vejamos algumas atitudes em relação à Bíblia.

I. O QUE PENSA O RACIONALISMO SOBRE A BÍBLIA
a) O que é Racionalismo? É a doutrina que professa a capacidade de a razão humana conhecer e estabelecer a verdade.
1. Qual o pensamento do Racionalismo em relação à Bíblia? Em toda sua forma extra, o racionalismo nega a possibilidade de qualquer revelação sobrenatural da Bíblia Sagrada. Por outro lado, em sua forma moderna, o racionalismo admite a possibilidade de revelação divina. No entanto, para esse pensador moderno, a revelação fica sujeita ao julgamento final da razão humana. A aplicação dessas atitudes caem no vazio, quando nos deparamos com a própria Palavra de Deus, que diz: "Toda Escritura é divinamente inspirada por Deus..." (II Tm. 3: 16); e continua falando e nos ensinando dizendo: "porque nunca jamais, qualquer profecia foi dada por vontade de homens..." (II Pe. 1: 21).
  1. O QUE PENSA O ROMANISMO SOBRE A BÍBLIA
Sustenta o romanismo (tradicionalismo católico), que é a Igreja Romana e não a Bíblia, a autoridade final em matéria do estudo de Deus (Teologia). Esta é uma teoria de uma Igreja inspirada na pessoa de seus chefes, concílios, bispos, papas, e que não pode desviar-se dessa verdade, recebendo, de quando em vez, novas revelações de Deus para o mundo. Diante disto, escreve um certo Padre, chamado Rohden, o seguinte: "Além das Sagradas Escrituras existe a tradição apostólica como fonte de revelação divina, fontes que merecem a mesma fé e o mesmo respeito que aquela", ou seja, a Bíblia.
Vejamos ainda algumas afirmações da Igreja Romana sobre a autoridade de Bíblia.
  1. Cristo e os apóstolos ensinaram oralmente muitas coisas não foram preservadas na Bíblia. Estes ensinos foram guardados por uma igreja inspirada, e constituem regra de fé de tanta força quanto as Escrituras;
  2. A Igreja é a única mestra e intérprete infalível da Bíblia. Havendo conflito entre a Bíblia e os ensinos da Igreja, quem sofre é a Palavra de Deus;
  3. A mensagem da Igreja está na esfera de fé e moralidade, e não de ciência ou história. As suas opiniões não estão sujeitas à correção ou mudança ou crítica. Sabemos porém, que é um erro da Igreja tomar o lugar de autoridade final, reservado tão somente à Bíblia. (Jo 17: 03).
  1. O QUE PENSA O MISTICISMO SOBRE A BÍBLIA
a) O que é Misticismo? (Místico) - É todo aquele que procura pela contemplação espiritual atingir um estado estático de união direta e experimental com a divindade.
  1. O Cristianismo não deixa de ser uma forma de misticismo. Compreende-se por isso a iluminação do Espírito Santo na mente de todos os homens, no sentido de capacitá-los e compreender a revelação que Deus lhes fez (Jo. 16: 13, II Co. 2: 10).
  2. O Misticismo falso ou filosófico, sustenta que a revelação divina não se limita a Bíblia, e que Deus concede as almas devotas verdades adicionais mediante luz interior. Isso é absoluto e tem a mesma autoridade da Bíblia. Esta doutrina difere do racionalismo, porque faz dos sentimentos, e não da razão, o centro e critério das verdades divina.
  1. O QUE PENSAM AS SEITAS SOBRE A BÍBLIA
a) O que é Seita? - A palavra grega que aparece na Bíblia é HÁIRESIS, ou seja, heresia. No seu sentido original significa escola ou modo de pensar e de viver que é seguido por pessoas. O sentido original não é pejorativo, visto que o próprio cristianismo foi denominado de seita no Novo Testamento (At. 26: 05). O termo aparece seis vezes no livro de Atos (5: 17; 15:05; 24:05; 24: 14; 26: 05; 28: 22), uma vez em (I Co. 11: 19), uma vez em (Gl. 5: 20) e uma vez em (II Pe. 2: 01).
(1) Os seguidores das seitas revelam que, tanto a Bíblia quanto os escritos do líder ou fundador, tem a mesma autoridade. Não é verdade!

 CONCLUSÃO - Diante de tudo isto podemos concluir que a Bíblia é:
  1. A Palavra de Deus infalível, em todo seu conteúdo original;
  2. É a única regra de fé e prática;
  3. Não há razão nem conhecimento humano que possam sobrepujar a Palavra de Deus - a Bíblia Sagrada;
  4. Não há outra luz que tenha iluminada os escritores da Bíblia, só o Espírito Santo de Deus;
  5. Nenhuma autoridade foi concedida a Igreja ou aos homens, relativo a formação das verdade bíblicas.
Portanto, o homem na limitação da sua mente e na pobreza da sua linguagem (Rm. 11: 33-36), não poderia, por si próprio, criar tantas mensagens e ensinamentos que a Bíblia nos revela.
A Bíblia é a Palavra de Deus para os homens. É a revelação da sua vontade, seu querer, suas qualidade e tem como objetivo principal a restauração dos homens com Ele mesmo.

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. O Racionalismo admite a possibilidade da revelação divina (na sua forma moderada). Confronte com a Bíblia esta declaração.
  2. O romanismo diz que a única mestra e intérprete da Bíblia é a Igreja. O que diz a Bíblia em II Pe. 1: 21?
  3. A Bíblia e os escritos dos líderes e fundadores das seitas tem a mesma autoridade. Como podemos combater esta heresia? (II Tm. 3: 14-17; Hb. 4: 12).
















Lição 3 - Tema: AS MARAVILHAS DA BÍBLIA
Texto Básico: Êx. 24: 04 e 07
Texto Bíblico: Dt. 31: 22-26 e Js. 1: 08
Versículo Chave: "Assim fala o Senhor, Deus de Israel: Escreve num livro todas as palavras que eu disse." (Jr. 30: 02)

INTRODUÇÃO - O estudo da Bíblia Sagrada, requer de nós, uma enorme concentração nas coisas de Deus. Já sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que sem ela não teríamos os ensinamentos necessários para nosso viver diário. É justamente para satisfazer nossa curiosidade que a Bíblia nos apresenta suas maravilhas. Deus em sua infinita bondade nos proporciona o privilégio de conhecer de perto essas maravilhas.
O Senhor Jesus Cristo nos ensinou que a Palavra de Deus havia chegado aos homens, e que as Escrituras não podem falhar (Jo. 10: 35).
Nesta lição vamos estudar a formação da Bíblia, sua unidade e influência em nossas vidas. O motivo principal porque estudamos detalhadamente a Bíblia, está no fato de ser a revelação especial e autoridade de Deus aos homens.
Sem dúvida, Deus quer fazer de nós profundos conhecedores da Sua Palavra. Conhecer a Bíblia é privilégio de todo crente em Jesus.

I. A FORMAÇÃO DA BÍBLIA
Todo livro tem seu início, sua história, sua composição. A Palavra de Deus como tal (Bíblia) tem a sua história e formação que chamamos de CÂNON.
Cânon é uma palavra grega que significa regra, vara de medir, ou cana. No sentido aplicado, para formação da Bíblia, Cânon refere-se aos livros que conformam com as regras ou padrões da inspiração e autoridade divina. Esta palavra (Cânon) encontra-se em Gl. 6: 16.
A Bíblia foi escrita durante um período de 1600 anos (1500 a.C. - 95 a.D). Ela contém 66 livros escritos por cerca de 40 autores. Cada um desses autores teve seu estilo, sua cultura e suas características peculiares. É bom salientar que esses autores foram inspirados por Deus. Não fizeram psicografia (escrita de um espírito pela mão do médium). No início Deus não precisou da palavra escrita. (Gn. 3: 8-9; Rm. 2: 14-15; Sl. 19: 1-4 e Rm. 1: 19-20).
1. O Material usado para escrever a Bíblia - (a) Para escrever, no início, Moisés e os profetas usaram: cerâmica, pedra, argila, papiro (uma espécie de cana). Isso aconteceu até o 3º século a.D. Usaram ainda: pergaminho, feito de pele de animais (cabras, ovelhas e outros). (b) Foram usados várias espécies de instrumentos para escrever a Bíblia: O cinzel de ferro, para entalhar pedras e cerâmica; Estilete para argila e cera e a Pena (cana com ponta feita de junco) para o pergaminho e papiro. A pena de ave só foi usada depois do 3º século. (c) A tinta usada para escrever, na época inicial d formação bíblica, era uma espécie de mistura de carvão, goma e água. (d) Não havia livros, como tal, na época. A forma era feita em rolos. Colocavam-se as folhas de papiro lado a lado e enrolavam-se em torno de um pau. Em média os rolos tinham o comprimento de 12 metros, mas havia alguns que mediam até 48 metros. Eram escritos de um lado só.
A língua em que foi escrita o Antigo Testamento é o Hebraico, língua do povo de Israel no tempo da independência (antes do cativeiro). O Aramaico, outra língua, era falado pelos povos da Mesopotânea e aparece em alguns trechos do Antigo Testamento: Esdras 4: 08; 6: 18 e 7:12-26; Jeremias 10: 11; Daniel 2: 04 e 7: 28.
O Grego é a língua em que foi escrito o Novo Testamento. O grego do Novo Testamento, foi usado no império romano como a língua comum do mundo civilizado. O termo usado hoje em dia pelo gramáticos, para descrever esta língua é KOINÉ, que significa "COMUM"
  1. A UNIDADE DA BÍBLIA
1. Antigo Testamento - A unidade da Bíblia é algo extraordinário. Não se iguala aos outros livros, pois a sua composição tem os segredos divino da inspiração de Deus aos homens. Os autores sagrados receberam de Deus as revelações e as comunicaram verbalmente, registrando de forma escrita as mensagens para posteridade. (Êx. 17: 14; 24: 04-07; 34: 27-28; Nm. 33: 02; Dt. 31: 22-24; Js. 01:08; I Re. 04: 01-03; I Cr. 29: 29; Is. 30: 08; Jr. 30:02; 36:02-04 e At. 07: 38.)
É necessário que o estudante da Bíblia tenha uma atenção especial para um melhor entendimento da unidade bíblica.
Os primeiros livros reconhecidos como sagrados foram os que compõem a Lei (Ne. 08:01; Sl. 119). Isto aconteceu muito cedo (Js. 01: 07-08).
O segundo grupo de livros foram as Profecias. Elas provaram ser divinas pelo seu fiel cumprimento. Foram consideradas inspiradas e canonizadas (Jr. 36: 06; Zc. 01: 04-06; 07: 07; Dt. 09: 01).
O terceiro grupo de livros aceitos como sagrados foram Escritos (Lc. 24:44).
No livro de Êxodo, capítulo 17 versículo 14, encontramos o registro que Moisés foi o primeiro autor sagrado a receber ordens do Senhor Deus para escrever.
O Antigo Testamento com 39 livros, está distribuído da seguinte maneira:
  1. A Lei: Gênesis, Êxodo, Levitico, Números, Deuteronômio;
  2. Históricos: Josué, Juizes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester;
  3. Poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares;
  4. Proféticos: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Malaquias.
2. Novo Testamento - Joseph Angus, historiador bíblico, nos diz que "primeiramente apareceu os livros isolados em diferentes localidades. Eles foram guardados cuidadosamente pelas Igrejas quando eram de origem apostólica (relativo aos apóstolos), sendo lidos provavelmente com outros livros nas assembléias cristãs". (II Co. 1: 13; I Ts. 5: 27; II Ts. 2: 15; 3: 6-14; Cl. 4: 16).
Os primeiros livros a fazerem parte do Cânon do Novo Testamento foram, provavelmente as Epístolas (Ef. 2:20 e At. 2: 42).
O Novo Testamento com 27 livros, está distribuído da seguinte maneira:
  1. Os Evangelhos ou Biográficos: Mateus, Marcos, Lucas e João;
  2. Livro Histórico: Atos dos Apóstolos;
  3. Cartas Paulinas: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemom;
  4. Cartas Gerais: Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I, II e III João, Judas;
  5. Livro Profético: Apocalipse.
Descobrimos diante de tudo isto que um estudo profundo deste livro maravilhoso chamado Bíblia é de fundamental importância para os alunos da Escola Dominical.

CONCLUSÃO - Concluímos que, a Bíblia, este livro maravilhoso, possui princípio, meio e fim. Ele vai, no dizer do historiador, do Éden (Gn. 02: 08-09) - ao Éden (Ap. 22: 01-02).
A Bíblia é acima de tudo, um livro de vida e esperança. Trata de assuntos interessantes como a criação do mundo, do homem e a redenção desse homem. Todo conteúdo na Bíblia apresentado pode-se resumir da seguinte maneira: ISRAEL - CRISTO - IGREJA.
Muitas coisas Deus falou e fez, mas não mandou escrever. Por exemplo: não temos os livros de Abraão, José, Noé, Jacó, etc., mas o que Ele determinou que fosse escrito assim o fez porque tinha propósitos. (Jo. 20: 31 e 21: 25)

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. O que significa a palavra Cânon?
  2. Cite o nome de três materiais em que foi escrito a Bíblia?
  3. Dê o nome de dois instrumentos que serviram para escrever a Bíblia.
  4. Qual o terceiro grupo de livros sagrados?
  5. Quais foram os primeiros livros a fazerem parte do Cânon do NT?





 Lição 4 - Tema: A REVELAÇÃO BÍBLICA
Texto Básico: Lc. 10: 21; Mt. 11: 25.
Texto Bíblico: I Co. 2: 20
Versículo Chave: "O Espírito do Senhor falou por mim, e a Sua Palavra esteve na minha boca." (II Sm. 23: 02)
INTRODUÇÃO - Para nós, os crentes, que professamos a fé em Jesus Cristo, a Bíblia é, sem sombras de dúvidas a eterna, sublime e autêntica Palavra de Deus. Na Bíblia está o alicerce da nossa fé. Não podemos crer de outra maneira. Ela é o único livro em que podemos confiar. Nela está toda verdade e essência do Deus vivo. Ele no-la revelou, pelo Seu eterno propósito aos homens. Diante da Bíblia nos encontramos com um Deus misterioso, além da nossa capacidade de compreensão. O profeta Isaías, homem de grande discernimento espiritual, descreve Deus assim: "Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, ó Deus de Israel."(Is. 45: 15).
Portanto, o que encontramos na Bíblia é algo extraordinário. Mesmo na fragilidade humana, Deus busca no homem o propósito de se revelar ao próprio homem. No Novo Testamento, Paulo, o servo do Senhor, fala desse Deus misterioso e do "mistério agora revelado" (Cl. 1: 26) por esse Deus.
  1. DEFININDO A PALAVRA REVELAÇÃO
1. O que é Revelação? - Vem de uma palavra grega APOCALIPSIS, que significa (Apocalipse), o ato de descobrir. Portanto, no sentido mais teológico da palavra, revelação é o ato sobrenatural pelo qual Deus comunica aos homens, oralmente ou por escrito, as suas verdades. A ação de descobrir a verdade e a própria verdade descoberta são semelhantemente chamadas revelação (Ef. 03: 03; I Co. 14: 06). Essa idéia da comunicação sobrenatural de Deus é trazida à nossa memória por várias passagens, falando-nos dos mistérios encobertos de Deus, revelados agora através de Cristo Jesus (Rm. 16: 25; Ef. 03: 09; Cl. 01: 26).
Josefh Angus, historiador bíblico, nos diz, que se quisermos definir mais precisamente o que é Revelação, basta dizer o seguinte: "Revelação é a manifestação sobrenatural de Deus na história da humanidade dum modo eterno para um fim especial."
A revelação é a essência da operação especial de Deus, pela qual se manifesta aos homens através da sua vontade e da sua verdade. (Hb. 01: 01-03)
  1. PROVAS DA REVELAÇÃO DIVINA
É razoável crer na existência de uma revelação divina, Essa revelação existe por causa da existência de um Deus pessoal, onipotente, onisciente e onipresente. Admitindo o fato da sabedoria e graça de Deus, é lógico esperar d’Ele um comunicação com o homem, feito sua imagem e semelhança, e do qual Ele é criador e governador.
Deus é um ser incompreensível. O homem não o pode conhecer a sua verdadeira natureza. Só na proporção que Ele se revela, pode o homem conhecê-lo.
  1. As provas de haver uma revelação divina:
(a) Pelos Milagres acontecidos: Definição de Milagres - é um evento patente aos nossos sentidos, produzido com um santo propósito, pela imediata vontade soberana de Deus - As leis normais da natureza são incapazes de explicar tal fenômeno.
O valor dos milagres é evidente na revelação. (1) Os milagres acompanham e atestam naturalmente as novas comunicações de Deus. As grandes épocas de milagres foram contemporâneas de épocas de revelação. Exemplo disso é a época de Moisés. (Êx. 3, sobre a Sarça Ardente; Êx 4, quando Moisés recebe poder para fazer prodígios; Êx. 14, a passagem pelo Mar Vermelho; Êx. 15, quando as águas amargas tornaram-se doces, etc.) (2) Geralmente os milagres comprovam a verdade da doutrina bíblica. Dão certeza da comissão, autoridade e caráter do mensageiro de Deus (Êx. 4: 02-05). A autoridade de Jesus Cristo como Mestre e Senhor de verdades sobrenaturais depende de seus milagres e de sua ressurreição. Notem-se os seus ensinamentos quanto aos seus milagres: Mt. 11: 21-22; Jo. 5: 36; 10: 25-27; 15: 24.
(b) Pela natureza (Rm. 1: 18-21; Sl. 19). Imagine que conhecimento de Deus tinha Adão no jardim do Éden, quando andou em comunhão imediata com Deus (Gn. 3: 18-19; cf. Rm. 8: 19-21). A vastidão da natureza mostra a sua imensidade. A uniformidade da natureza prova a Sua unidade. A regularidade da natureza mostra a Sua imutabilidade. A variedade da natureza mostra a Sua inesgotabilidade. As adaptações da natureza revelam a Sua sabedoria. A felicidade da natureza revela a Sua bondade.
(c) Pela providência e preservação do universo (Rm. 8: 28; At. 14: 15-17; Cl. 1: 17). Os objetos da providência divina são: O Universo - Sl. 103: 19; 104: 14; Mt. 5: 45.- os Irracionais - Sl. 104: 24-28; Mt. 6: 26 - as Nações - Jo. 12: 23; At. 17: 06 - o Homem, seu nascimento e posição na vida - Sl. 139: 15 - os Justos - Sl. 4: 08; 121: 03 - suprir as necessidades do Seu povo - Dt. 08: 03; Fl. 4: 19 - castigo aos ímpios - Sl. 7: 12-13; 11:06. Os elementos da Providência são: (1) Preservação divina: É o trabalho de Deus pelo qual Ele sustém todas as coisas. Deus é independente e soberano, o homem depende d’Ele (Ne. 9: 06; At. 17: 28; Cl. 1: 16-17; Hb. 1: 3-10). (2) Concorrência ou atividade divina: é a forma pela qual Deus coopera com todas as suas criaturas, levando-as a agir com precisão (Gn. 45: 05; 50: 20; Êx. 14: 17; Is. 66:4; Rm. 02: 04). Ele faz reverter o mal em bem (Gn. 50: 20; Sl. 76: 10). (3) Governo divino: é a atividade contínua de Deus, pela qual Ele domina todas as coisas, para que cumpram o propósito de sua existência. Este governo é universal; (Sl. 103: 19; Dn. 4: 34-35) compreendendo também as particularidades, Mt. 10: 29-31, nada pode escapar ao seu governo.
(d) Deus se revela na Encarnação (Hb. 1: 01-03). A Escritura é abundante em falar dessa Encarnação. Como a palavra é a expressão do pensamento, assim Cristo é a expressão do propósito de Deus. Ele é o Verbo de Deus. Ele é a Palavra Viva, como a Bíblia é a Palavra escrita. (Jo. 01: 01-08; I Tm. 3: 16; Mt. 1: 27; Jo. 14: 09-10).
(e) Deus se revela através da Escritura. A revelação escrita é muito mais satisfatória do que a revelação oral. A escrita é mais permanente e mais difícil de ser pervertida. A Bíblia é a parte específica e essencial de toda revelação divina.
A revelação divina é: variada quanto aos temas - doutrinário, devocional, histórico, profético e prático; é parcial, Dt. 29: 29; é completa, quanto ao que foi revelada; é progressiva, Mc. 4: 28. Por progressiva entende-se que cada livro da Bíblia relaciona-se com os livros anteriores e desenvolvem as verdades destes; é redentiva, no seu propósito, II Tm. 3: 15; I Jo. 5: 9-12; é final, Ap. 22: 18-19; Ju. 3; é correta, II Tm. 3: 16.

CONCLUSÃO - Já sabemos que os homens, através dos quais a revelação foi feita são homens especiais, não por suas próprias virtudes, mas, porque são homens santos de Deus, isto é, homens que debaixo da graça de Deus tornaram-se capazes de ser portadores da revelação divina. (II Pe. 1:21).
O que temos na Bíblia é a mensagem do Deus Onipotente que deseja ser conhecido pelo homem, usando para isso a instrumentalidade de homens por Ele mesmo habilitados. (I Co. 2: 9-16).

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Por que o homem, por seu próprio raciocínio, não pode chegar a uma compreensão satisfatória de Deus, sem uma revelação divina?
  2. Cite as provas da revelação divina.
  3. Na revelação através das Escrituras, ela é divina por que?
  4. O valor dos milagres é evidente na revelação. Por que?














Lição 5 - Tema: A INSPIRAÇÃO BÍBLICA
Texto Básico: Jr. 36: 1-2 e 27-32.
Texto Bíblico: Êx. 4: 12-15.
Versículo Chave: "Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça..." (II Tm. 3: 16).

INTRODUÇÃO - Já sabemos, que o motivo supremo e eterno da Bíblia é a revelação de Jesus Cristo - Deus encarnado - como Salvador e Senhor da humanidade.
A autenticidade e valor das Escrituras leva-nos a crer no método divino, usado por Deus, para comunicar suas verdades. "As Escrituras podem, em resumo, ser definidas como a descrição feita por escritores inspirados de uma revelação, ou melhor, de uma série de revelações de Deus ao homem."(Josefh Angus).
Estudaremos, portanto, nesta lição, a Doutrina da Inspiração Bíblica.
O Apóstolo São Paulo ensina que o Espírito Santo supervisionou a obra de tal maneira que o que foi escrito é a Palavra de Deus, porque Deus quis assim. Ele mesmo, Paulo, escrevendo a Timóteo no capítulo 3, versículo 16, ensina que a Palavra Sagrada é "soprada" por Deus, isto é, as Escrituras são produzidas pelo próprio alento divino, como se Ele estivesse falando com Sua boca. Este é o valor que reveste de autoridade a Palavra de Deus. Vejamos, agora, o ensino desta importante doutrina.

I - A DOUTRINA DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA
Antes mesmo de entrar nos detalhes minuciosos da doutrina da inspiração, precisamos defini-la para melhor compreensão.
(1) Definição da Inspiração - Quanto ao que seja inspiração, há diversidade de opiniões. Isso nos leva a tratar o assunto pelo lado negativo, dizendo o que não é, e pelo positivo, definindo inspiração.
  1. Inspiração não é revelação. Já sabemos que esta é o ato sobrenatural, pelo qual Deus descobre a mente dos homens, coisas e aspectos que de outro modo eles não saberiam. Inspiração inclui a idéia de transmissão das verdades reveladas a outras pessoas. Por exemplo: Deus revelou a Abraão verdades que mais tarde foram escritas por Moisés, inspirado por Deus para isso. Portanto, Abraão recebeu de Deus a revelação; Moisés, recebeu a inspiração.
  2. Inspiração não é iluminação. A iluminação é o ato sobrenatural que habilita o homem salvo a compreender as verdades já reveladas, isto é, a Bíblia. O Salmista orou por iluminação, Sl. 119: 18, e Paulo afirma que o Espírito Santo nos foi dado "para que saibamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus: I Co. 2: 12; Jo. 16: 13.
  3. A INSPIRAÇÃO é aquela operação do Espírito Santo, na pessoa particularmente escolhida para ser o veículo dos pensamentos divinos, que garante a transmissão infalível e correta da verdade, que seja ela previamente conhecida ou não.
Diante disso, concluímos que a Revelação trata da origem do descobrimento ou comunicação da verdade; a Iluminação, da compreensão da verdade já revelada, e a Inspiração, da transmissão fiel da verdade. O Apóstolo Paulo, em I Co. 2: 9-13, nos mostra as três idéias: no verso 10 (REVELAÇÃO), no verso 12 (ILUMINAÇÃO), no verso 13 (INSPIRAÇÃO). Concluímos ainda, que elas podem operar juntas ou separadamente. Vejamos alguns exemplos na Bíblia:
  1. Inspiração sem Revelação: Lc. 1: 1-4 e Atos
  2. Inspiração com Revelação: Ap. 1: 1-11.
  3. Inspiração e Revelação sem Iluminação - os profetas: II Pe. 1: 21 e I Pe. 1: 11.
  4. Inspiração e Iluminação: I Co. 2: 12
  5. Revelação sem Inspiração: Êx. 20: 1-22; Ap. 10: 3-4.
  6. Iluminação sem Inspiração - os pregadores modernos: Ef. 2: 20.
II - A NATUREZA DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA
Sabemos que na Inspiração, como em toda obra do Espírito Santo há um elemento profundamente misterioso, o que, aliás, é razoável, pois no outro modo não seria ela o trabalho do Espírito. O Espírito Santo é mistério.
Surgiram algumas teorias que tentaram explicar a dupla autoria das Escrituras, isto é, o modo pelo qual o Espírito Santo trabalhou nos escritores humanos.
1. A teoria da inspiração natural ou dinâmica. Esta defende que a inspiração não é senão um desenvolvimento mais alto da compreensão da verdade, compreensão essa que todos os homens possuem em maior ou menor grau. Ex: Músicos, poetas, escritores de livros religiosos, artistas excepcionais. Segundo esta teoria, os escritores da Bíblia não eram mais do que seres humanos, iguais a Camões, Maomé, etc.
Esta é a teoria mais inferior da inspiração. Enfatiza somente o lado humano, deixando de lado o divino. Se essa fosse a inspiração da Bíblia, seria ela sujeita aos erros humanos. Sem iluminação vinda de fora, o homem erra e leva outros ao erro (I Co 2: 10-11; Nu. 12: 6-8).
2. A teoria da inspiração mecânica ou ditada. Esta teoria sustenta que o Espírito Santo apodera-se das mentes e dos corpos dos escritores da Bíblia, de tal forma que eles se tornaram meros instrumentos passivos, simples escritores, que escreveram tudo o que Ele ditou.
Esta teoria também pode ser refutada, pois não há semelhança entre o estilo de um escritor e outro; há diversidade de interesses; há peculiaridades pessoais; e há distinção entre um autor e outro. (II Pe. 3: 15-16; Rm. 9:1-3; Mt. 27: 37; Mc. 15: 26; Lc. 23: 38).
O Espírito Santo é quem estimula a mente e dirige o homem. Ditar não é inspirar. O homem que dita para um estenografo não o inspira.

III - O ENSINO BÍBLICO QUANTO À INSPIRAÇÃO
A inspiração verbal-plenária é o ensino da Bíblia, e por conseguinte, devemos crer nela.
Entendemos por VERBAL, que as palavras das Sagradas Escrituras foram dadas pelo Espírito Santo aos seus escritores. Mas o Senhor preservou o autor humano, respeitou suas características de estilo e vocabulário.
Entendemos por PLENÁRIA, que a Escritura é plena e igualmente inspiradas em todas as suas partes. É infalível quanto à verdade e final quanto a sua autoridade divina. É a Palavra de Deus. Não só contém, mas é a Palavra de Deus. Isso refuta a idéia de que a Bíblia seja inspirada apenas por parte.
Devemos acrescentar, para melhor compreensão, que esta inefabilidade verbal só se aplica aos manuscritos originais. Não se aplica as múltiplas versões.
O ensino acerca da inspiração, como das demais doutrinas da Bíblia (Justificação, Salvação, Trindade, etc.), é produto da revelação divina. Cabe a nós aceitar, apenas, esse testemunho como ele é dado.
Para provarmos, através da Bíblia, essa inspiração verbal-plenária citamos os seguintes textos: II Tm. 3: 16 e II Pe. 1: 21. Estes dois textos se completam. Um fala do lado divino; e outro do lado humano.
É importante lembrar, que o apóstolo Paulo afirmou: "Toda Escritura divinamente inspirada é também útil..." O Novo Testamento é inspirado e Jesus Cristo sabia que o Antigo Testamento era inspirado (Mt. 22: 43-44; 15:4).

CONCLUSÃO - Concluímos que a Bíblia é, sem sombras de dúvida, a Palavra de Deus. Infalível em toda sua unidade. Está provado que a Bíblia é uma revelação divina inspirada por Deus, e que ela é a autoridade absoluta. Os profetas e escritores sagrados falavam com a convicção de serem portadores absolutos da Palavra de Deus e no intuito evidente de levar aos seu ouvintes a crerem e obedecerem a Deus. As palavras de Jesus, em particular, e todo o Novo Testamento devem ser a nossa mais alta autoridade, a autoridade final. Vejamos algumas razões: Jo. 14:6; 18:37; 1: 4; 7: 16; 8: 28; 14: 10-24; 17: 08; 12: 49-50.

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. De forma resumida, explique o que é Inspiração?
  2. Quais são as três idéias que o apóstolo Paulo apresenta em I Co. 2: 9-13?
  3. Explique a teoria da inspiração natural ou dinâmica.
  4. O que é inspiração verbal?
  5. O que é inspiração plenária?


Lição 6 - Tema: ILUMINAÇÃO E INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
Texto Básico: I Co. 2: 9-16 e Hb. 10: 32.
Texto Bíblico: II Pe. 1: 20-21; II Co. 4: 06; Lc. 1: 1-4 e Ap. 1: 1-20.
Versículo Chave:. "...para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento d’Ele; sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos..." (Ef. 1: 17-18)

INTRODUÇÃO - Em cada forma de crença encontrada nas nações que povoam o nosso planeta, há sempre um livro associado a cada forma de religião. No mundo oriental encontramos o hinduísmo com o seu livro fundamental, o RIG-VEDA; para os maometanos, sua fé está compendiada no ALCORÃO. Mesmo aqui no ocidente, temos o espiritismo, o qual toma como referência as obras assinadas por Alan Kardec, tais como O LIVRO DOS ESPÍRITOS e A GÊNESIS. Os mórmons apoiam sua doutrina no LIVRO DOS MÓRMONS, ao qual atribuem valor de revelação divina.
Para nós, que professamos a fé no Senhor Jesus Cristo, a Bíblia é o Livro. A Palavra de Deus. Santa, revelada, inspirada, iluminada e interpretada pelo Espírito Santo. Nela está alicerçada a nossa eterna crença.
Na Bíblia nos encontramos perante um Deus misterioso, um Deus muito além da nossa capacidade de compreensão. "Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, ó Deus de Israel." É a exclamação de um homem de grande discernimento espiritual, tal como foi Isaías (45:15).
No estudo de hoje, estaremos nos debruçando diante de dois temas muito especiais para o estudante da Bíblia. Iluminação e interpretação.

I - ILUMINAÇÃO BÍBLICA
Sendo este um assunto complexo, basta dizer que Deus deu Seu Espírito para habitar nos salvos, afim de que possam, mediante especial iluminação e ensinamento habilitar-se a compreender a revelação divina - A Bíblia.
Como devemos esperar que o Espírito Santo exerça sua misericordiosa função de iluminar? Será que Ele opera de maneira direta de modo a fazer o homem, por uma intuição sobrenatural, entender o que diz um texto ou uma passagem?
Sua obra na iluminação é diferente. Pode ser assim apresentada: "Pela Sua presença e poder, o Espírito produz no crente um espírito de submissão espiritual e um preparação moral, afim de que as fontes de pensamento e da vontade dele sejam livres de preconceitos e se conservem em atitude receptiva de modo a atender a sugestão do autor divino. Neste caso, o Espírito Santo sincroniza o aparelho transmissor e o aparelho receptor". Faz com que o leitor possa compreender com clareza o que o escritor tinha em mente, quando escreveu o texto.
A necessidade humana de iluminação é patente:
1. Para os Judeus não-salvos (judicialmente cegos), exceto o remanescente crente. Veja: Rm. 11: 25-27; Is. 6: 9-10; Mt. 13: 14-15; Jr. 30: 18-22. Podemos acrescentar ainda, que os não-salvos têm necessidade de ser iluminados: I Co. 2: 14 e II Co. 4: 4. Satanás lançou um véu de obscuridade para que eles não cressem no Evangelho. Esse véu é removido pelo Espírito Santo (Jo. 16: 7-11; 3:3).
2. Para os crentes carnais, que apenas podem receber o leite da Palavra. Há uma necessidade: I Co. 3: 1-2; Hb. 5: 12-14; I Co. 2: 10-12.
Note-se que o Espírito Santo ilumina apenas o que já está revelado, e não adianta coisa alguma além da revelação contida na Escritura.
O Ministério do ensino é do Espírito Santo (Jo. 16: 13-15).
Sabemos, porém, que a Bíblia é a Palavra de Deus. Ela contém a Palavra de Deus, porque foi Deus a fez escrever. Neste sentido é que se diz que toda a Bíblia é a Palavra de Deus. A Bíblia, a palavra humana, é a Palavra de Deus, porque isso é real, eis tudo que podemos dizer. Trata-se de uma realidade que se impõe por si mesma, caso contrário ela não permaneceria.
A Bíblia é uma forma especial da revelação divina; não é meramente um documento que registra uma revelação histórica. (II Pe. 1: 21).

II - INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
A revelação, a inspiração e a iluminação representam o trabalho de Deus, ou seja, a Trindade unida para transmitir ao homem as coisas divinas.
A interpretação é tarefa que compete ao homem, e por isto é sujeita as limitações humanas.
A interpretação tem por finalidade descobrir a idéia que se encontrava na mente do autor quando escreveu o texto em apreço. É um estudo à parte, separadamente. Vejamos algumas regras simples de interpretação bíblica.
1. Princípios de interpretação primária - interpretar histórica e gramaticalmente; de acordo com o contexto imediato e mais amplo. Cada passagem tem muitas aplicações práticas em harmonia com toda Bíblia, comparando Escritura com Escritura. Freqüentemente a passagem tem uma revelação profética.
2. Devemos reconhecer o largo ensinamento da Bíblia, e o especial propósito para o qual Deus no-la revelou. Devemos antes de tudo procurar saber o que o Espírito nos tem a dizer. Isso é primário. Devemos também, inquirir o que o Espírito Santo quer nos ensinar, pessoalmente, através da Escritura. Devemos ainda, inquirir dele quanto à relação dessa passagem para o futuro.
3. Divisões Gerais da Bíblia - (1) A.T. a) Livros históricos - de Gênesis a Ester. b) Livros poéticos - de Jó a Cantares de Salomão. c) Livros Proféticos - de Isaías a Malaquias. (2) N.T. a) Evangelhos - de Mateus a João. b) História da Igreja - Atos dos Apóstolos. c) Epístolas - de Romanos a Judas. d) Profecia - Apocalipse.
4. Alianças Bíblicas - (1) Noética (Gn. 8: 20-22). (2) Abraâmica (Gn. 12: 1-3). (3) Mosaica (Êx. 19: 03 e 40: 38). (4) Palestiniana (Dt. 30). (5) Davídica (II Sm. 7: 5-17). (6) Nova Aliança (Jr. 31:31-34; Mt. 26: 28).
"A tarefa da interpretação é tomar a essência da revelação de Deus e dar-lhe nova expressão ou uma nova forma que seja importante ao homem moderno". (Weldon E. Viertel)
É importante dizer que o Senhor Jesus era notável intérprete das Escrituras. Foi chamado de Mestre várias vezes por seus seguidores ou opositores. Sabia aplicar bem as Escrituras do Antigo Testamento. Diante do Seu exemplo, a tarefa do pregador é saber interpretar fielmente a Bíblia. Se falhar, estará falhando em sua vocação.
A palavra interpretação procede da palavra grega hermeneuin (explicar). A hermenêutica se define como a ciência que lida com a história, os princípios, as leis e os métodos de interpretação.

CONCLUSÃO - Concluimos dizendo que tanto a Iluminação quanto à Interpretação, são coisas de Deus e dos homens. Por que? O Santo Espírito de Deus ilumina os homens, para que se habilitem a compreender as revelações divinas. A Interpretação é humana, porém depende do Espírito de Deus.
A Bíblia é, pois, a revelação e inspiração da verdadeira vida cristão; da verdade adaptada à nossa natureza decaída e cheia de culpa. O uso correto da Bíblia tem, somente, por fim prover à nossa santidade e consolação. O plano de Deus é maravilhoso em relação a revelação bíblica. O apóstolo Paulo diz que a Palavra nos foi dada "para ensinar, admoestar, corrigir e instruir em justiça." (II Tm. 3. 16).
Todo conhecimento pode ser útil, mas o que a Bíblia nos ensina é necessário e insubstituível. Creiam!

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. À luz da Bíblia, interprete Isaías 45: 15.
  2. O que quer dizer espírito de submissão e preparação moral?
  3. Quem lançou o véu de obscuridade na vida do incrédulo, e quem pode removê-lo? Cite textos bíblicos.
  4. Quem ilumina o que já está revelado? Por que?
  5. Cite algumas regras de interpretação bíblica.



Lição 7 - Tema: COMO NOS VEIO A BÍBLIA
Texto Básico: Sl. 119: 97-103.
Texto Bíblico: Sl. 119: 9-16.
Versículo Chave: "Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para o meu caminho." Sl. 119: 105

INTRODUÇÃO - Que é a Bíblia? Para muitos, mesmo crentes em Jesus Cristo, é um desses grandes volumes que figuram nas imensas bibliotecas, chegam a ser sucesso de livraria, mas de cuja a leitura nem se cogita. O crente, porém, cônscio de sua fé, considera-o um livro à parte, o Livro por excelência, diretamente ligado à revelação divina, objeto dessa mesma fé.
O crente aumenta o seu conhecimento de Deus e de Seu plano de salvação mediante um conhecimento da Bíblia. Ainda que Deus seja conhecido através de outras fontes além da Bíblia, Ele revela a Sua vontade para nós, somente à luz do registro bíblico (auto-revelação de Deus).
A Bíblia continua sendo importante para os cristãos porque: (a) explica a origem do homem e propósito da sua existência; (b) fornece orientação para a vida diária dos cristãos; (c) conduz o homem condenado ao Redentor, e o triste e sofredor, ao único Consolador que pode resolver suas necessidades.
É na Bíblia que encontramos respostas para nossas perguntas, alívio no sofrimento, alento na dor. Por isso ela é a Palavra de Deus - Criador, Salvador e Consolador.

I - A CANONIZAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO
Em primeiro lugar é importante lembrar que o processo de canonização do Antigo Testamento é tão obscuro como a origem da própria literatura. Sabemos que na época do Ministério do Senhor Jesus, os judeus reconheciam certos livros como divinamente inspirados e autorizados. Esses livros eram referidos como a Lei, os Profetas e os Escritos. O nosso propósito é trazer à luz o processo pelo qual os escritos bíblicos se tornaram oficialmente conhecidos como Palavra de Deus. Já sabemos o significado da palavra "cânon" (No uso primitivo do cristão, tomou o sentido de "regra de fé").
Canonização significa "ser oficialmente reconhecido como guia ou regra autorizada em matéria de fé ou de prática".
Sabemos que há diferença entre a canonicidade de um livro da Bíblia e sua autoridade. Um livro deve conter autoridade divina, antes de ser qualificado para canonização. O livro não recebeu autoridade porque a Igreja resolveu incluí-lo na lista sagrada, mas porque a mesma reconheceu os livros que deram evidência de conter autoridade divina em virtude de sua inspiração divina.
O processo da origem e desenvolvimento do Cânon do Antigo Testamento envolveu três passos:
  1. Revelação - a manifestação de um conhecimento do Senhor Deus e sua vontade para com o homem;
  2. Inspiração - o registro, sob a liderança do Espírito Santo de Deus, da verdade que Ele tornou conhecida na revelação;
  3. Canonização - o reconhecimento daqueles escritos que contém a divina revelação e que são divinamente inspiração.
O problema que confrontamos é quanto ao modo como os livros das Sagradas Escrituras obtiveram reconhecimento como Cânon sagrado e autorizado.
A Igreja ou seus concílios reconheceram certos livros como Palavra de Deus e, com o passar do tempo, aqueles assim reconhecidos foram colecionados para formar o que hoje chamamos Bíblia.
Para esse reconhecimento a Igreja aplicou testes. (a) Havia o teste da autoridade do escritor. Em relação ao Antigo Testamento, isso significava a autoridade do legislador, ou do profeta, ou do líder em Israel. No caso do Novo Testamento, o livro deveria ter sido escrito ou influenciado por um apóstolo para ser reconhecido. Em outras palavras, deveria ter a assinatura ou a aprovação de um apóstolo; (b) Os próprios livros deveriam dar alguma prova de seu caráter peculiar, inspirado e autorizado por Deus. O seu conteúdo deveria demonstrar-se ao leitor diferente de qualquer outro livro por comunicar a revelação de Deus; e (c) A aprovação das Igrejas quanto à natureza canônica dos livros era importante. Na verdade houve unanimidade entre as primeiras Igrejas quanto aos livros que mereciam confiança entre os inspirados. Houve também, alguns livros bíblicos que foram recusados por uma minoria.
O trabalho do Espírito Santo era, na verdade, o critério pelo qual se determinava qualquer livro ser divinamente inspirado. Sabemos que os Profetas falaram mediante a autorização de Deus, e estavam autorizados a falar em nome de Deus, pelo Espírito Santo.

II - A CANONIZAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO
Não é difícil entender, porque os Evangelhos chegaram a ser reconhecidos como autorizados, visto que eles contém relatos da vida e dos ensinos do Senhor Jesus Cristo.
Depois da morte de Jesus, durante cem anos, ou no período de cem anos, os 27 livros do Novo Testamento foram escritos e colecionados vagarosamente em um só volume. Essa coleção tornou-se reconhecida como autorizada para a fé e a vida da Igreja. Esses livros foram reconhecidos oficialmente em 397 A.D..
Esta valiosa literatura dos cristãos primitivos que expressavam sua fé e dedicação foi preservada pelas congregações em todo Império Romano.
As cartas do apóstolo Paulo figuram entre os escritos mais antigos. As Igrejas recebiam e compartilhavam uma com as outras. O objetivo dessas cartas, era circular entre as Igrejas os ensinos de Jesus (Cl. 4: 16). Na época as cartas eram muito apreciadas, daí, o apóstolo Pedro escrever: "Assim, nosso amado irmão Paulo vos escreveu de acordo com sua sabedoria, falando disto, como o faz em todas as suas cartas." (II Pe. 3: 15b-16a).
Para nossa mentalidade, o processo de canonização parece ter sido lento. Mais foi tudo extraordinário e rápido. Levando-se em consideração que à frente de tudo isso estava Deus, com Seu Espírito, revelando e inspirando santos homens para escrever Sua Palavra.
Além dos 27 livros do Novo Testamento, circulavam outros livros de grande valor dentro da Igreja primitiva. Exemplo disso citamos agora:
  1. I Clemente - Uma carta escrita pelo Pastor de Roma, representando sua Igreja, à Igreja de Corinto, 96 a. D., era grandemente considerada. Dizem que Clemente era um discípulo de Pedro. Era uma carta lida nos cultos públicos da Igreja em Corinto, no ano 170 a. D..
  2. Didache (O Ensino dos 12 Apóstolos) - Era uma coleção de preceitos morais da vida cristã, orientação para o batismo, para a Ceia do Senhor e Instrução para os Ministros. Alguns os consideravam como as Escrituras Sagradas. Foi escrito no ano 120 a. D., freqüentemente citava o Evangelho de Mateus.
  3. A Epístola de Barnabé - Este livro chegou a ser considerado como canônico por Clemente de Alexandria e Orgénes. Foi escrito, provavelmente em Alexandria no ano 130 a. D. Tem alguma relação com o livro de Hebreus.
  4. O Pastor de Hermas - Nome de um cristão de Roma a quem o apóstolo Paulo enviou saudações, conforme registro (Rm. 16: 14).
  5. O Apocalipse de Pedro - Contém duas visões; uma do céu, outra do inferno. Foi escrito por volta de 150 a. D., muito usado na Igreja Grega do Oriente e na Igreja Latina do Ocidente.
Até o século dezesseis ainda existiam dúvidas sobre quais livros do Novo Testamento deveriam ser aceitos como autoridade sólida. O mesmo princípio que orientou a formação do Cânon do Antigo Testamento, foi o mesmo que orientou a formação do Novo Testamento - a inspiração. Alguns fatores foram necessários para isso: (1) A morte dos apóstolos tornou necessária a coleção para que seus escritos pudessem ser preservados e sua autoridade reconhecida. (2) Na época da severa perseguição (302 d. C.), surgiram muitos escritores, evangelhos e epístolas falsas que reivindicavam sua aceitação como genuínas. (3) Aconteceram muitos concílios e exames feito com cuidado, oração e deliberações eles finalmente indicaram quais eram verdadeiros e quais eram falsos, e como resultado temos o Novo Testamento.

CONCLUSÃO - Como podemos ver, a história da formação da Bíblia é maravilhosa. Comparados a ela, todos os outros livros são meros fragmentos. A Bíblia é a grande voz de comando de Deus, fazendo com que os outros livros sejam apenas sussurros de homens falhos.
"A Bíblia contém a mente de Deus, o estado do homem, a ruína dos impenitentes, e a eterna felicidade dos crentes em Cristo. Sua doutrina é santa, seus preceitos obrigatórios, suas histórias verdadeiras, suas decisões imutáveis. Leia-a para ser sábio, creia nela para estar seguro, pratique-a para ser santo. Ela contém luz para dirigí-lo, alimento para sustentá-lo. E o caráter dos cristãos. Cristo é o seu assunto, nosso bem é seu propósito, e a glória de Deus é o seu fim."
Assim, a Palavra de Deus chegou até nós. Livre, desimpedida, autêntica, cheia de autoridade divina. Como uma bússola para nos guiar nos caminhos desta vida.
A cada dia, descobrimos pelos olhos da fé que a Bíblia é a eterna Palavra de Deus. Sem ela não teríamos os Seus ensinamentos.

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Cite a importância da Bíblia para os cristãos.
  2. Canonização, significa o que?
  3. Quais os três passos do desenvolvimento do Cânon do Antigo Testamento?
  4. Quais os três testes que a Igreja e os Concílios fizeram para reconhecer certos livros como a Palavra de Deus?
  5. Os 27 livros do Novo Testamento foram reconhecidos e autorizados, como livros inspirados, a partir de qual ano?
  6. Cite três outros livros, não inspirados, que circularam dentro da Igreja primitiva.


















Lição 8 - Tema: OS LIVROS APÓCRIFOS I e II
Texto Básico: Sl. 119: 33-40
Texto Bíblico: Pv. 7: 1-3 e Jo. 21: 24-25.
Versículo Chave: "E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la." (Jr. 1: 12)

INTRODUÇÃO - Já sabemos que o Cânon é uma palavra que vem do grego, e significa literalmente regra, ou medida, ou vara direita. No seu principal sentido metafórico de regra de fé, aparece a palavra Cânon no Novo Testamento no seguinte texto: "a todos quantos andarem conforme esta regra (kavwv), paz e misericórdia sobre eles". (Gl. 6: 16 e II Co. 10: 13, 15-16).
Para o estudante da Bíblia, é mister saber alguns aspectos da história desses livros que tanta polêmica tem causado no mundo teológico.
No chamado "silêncio profético" (após 400 a. C.), muitos livros históricos e proféticos circulava entre o povo judeu. Alguns eram reconhecidos como sagrados, outros eram os chamados espúrios, e uns poucos eram considerados duvidosos. Para o reconhecimento de um livro, os judeus usavam alguns critérios: (a) Está o conteúdo deste livro em conformidade com a Lei? (b) É fiel historicamente? (c) Foi escrito até o tempo do profeta Malaquias?
Diante de tudo isto, a história conta, que Deus falara até o profeta Malaquias, e depois disto viera o "silêncio profético".
Vejamos então, alguns fatos importantes dessa história:
  1. Datas importantes neste período: (a) No ano 250 a. C. surgiu o grupo dos 70 sábios judeus, na cidade egípcia de Alexandria. Traduziu o Cânon hebraico para o grego, adicionou à Lei e aos Profetas. Isto chamou-se "Septuaginta" (Versão dos Setenta). (b) No anos 90 a. D., no Concílio de Jâmnia, os judeus rejeitaram definitivamente a canonicidade dos livros Apócrifos.
  2. Neste período, claramente, são reconhecidos dois Cânones espalhados pelo mundo: o Judeu e o Grego (Septuaginta). (a) Jerônimo, fez uma tradução para o latim, chamada VULGATA LATINA, o Cânon da Septuaginta - versão universal Católico-Romana. O reformador Martinho Lutero, estudando o hebraico, ficou surpreso por não encontrar os livros Apócrifos. Diante disto, fez uma nova versão para o alemão, do Cânon judaico. (b) Em 1546, no Concílio de Trento, na contra-reforma, a Igreja Católica confirmou o Cânon da Vulgata Latina e encaixou os Apócrifos.
I - TERMINOLOGIA DOS LIVROS APÓCRIFOS
  1. O termo APÓCRIFO, é de origem grega e significa "escondidos", ou "secretos", como aplicados a assuntos que não devam ser revelados ao povo comum, mas só para alguns privilegiados judeus. Quer dizer também, livros que tratam de coisas secretas, misteriosas, ocultas, e também significa "espúrio".
  2. Os Pseudo-Epígrafos, são livros religiosos e apocalípticos, escritos com a pretensão de serem sagrados, no entanto, nem discutidos como tal o foram, sendo por todos - judeus, católicos e protestantes - rejeitados.
Os apócrifos podiam ser lidos para fins morais ou educacionais, mais não eram considerados na mesma conta dos textos autorizados.

II - A COMPOSIÇÃO DO CÂNON HEBRAICO - CATÓLICO E PROTESTANTE DO ANTIGO TESTAMENTO
É importante lembrar, que a ordem de disposição dos livros só tornou-se necessária, à medida que um cânon estabelecido substituiu os rolos, que eram isoladamente estudados.
(a) O cânon hebraico é comporto de 24 livros. Eles estão divididos em três partes: a Lei (Torah), os Profetas (Neblim) e os Escritos (Kethublim). Nesta ordem, houve uma aceitação dos livros como canônicos.
Torah: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
Neblim: Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Os doze (os nossos profetas menores).
Kethublim: Salmos, Provérbios, Jó (poesias), Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester (os cinco rolos).
Observamos ainda, que são chamados "cinco rolos" porque cada um foi escrito em um rolo separado para ser lido nas solenidades das festas judaicas. São eles: Cantares (na Páscoa), Rute (no Pentecostes), Eclesiastes (na Festa dos Tabernáculos), Ester (no Purim), e Lamentações (no aniversário da destruição de Jerusalém).
Daniel, Esdras e Neemias, Crônicas (históricos)
(b) O cânon católico aparece como parte integrante da Septuaginta.
Historicamente os livros do Antigo Testamento estão divididos em quatro grupos: Lei, História, Poesia e Profecia. Aí incluiu-se também o conteúdo canônico hebraico, denominado os Apócrifos, somando-se ao todo, 46 livros:
Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Históricos: Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester e I e II Macabeus.
Proféticos: Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruque, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
É bom lembrar que, em algumas versões antigas, Samuel e Reis são apresentados como I, II, III e IV Reis, e Esdras e Neemias como I e II Esdras.
(c) Quanto ao cânon protestante, já sabemos que o seu conteúdo é o mesmo hebraico, distribuídos em 39 diferentes. A classificação é idêntica ao cânon católico.

III - A COMPOSIÇÃO DOS CHAMADOS LIVROS APÓCRIFOS
Os apócrifos são dados a seguir na sua ordem usual: I e II Esdras, Tobias, Judite, Resto de Ester (10: 04 - 16: 24), Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, Cântico das Três Crianças Sagradas, História de Susana, Bel e o Dragão, Oração de Manassés e I e II Macabeus. Esta ordem não é cronológica.
A maioria destes livros foi escrito em período de perturbação nacional e luta entre a volta do exílio e a destruição de Jerusalém.
Tudo isto refletia a inquietação e o espírito insatisfeito dos judeus, que sonhavam com um estado independente.
Os principais assuntos destes livros mostram a reação judaica contra a opressão, contra a incerteza, e contra a esperança que caracterizavam o período inteiro.
Da lista dos livros apócrifos, três são considerados históricos.
  1. I de Esdras, que corresponde em conteúdo aproximadamente a Esdras e Neemias; o I de Macabeus, que é uma narrativa simples e honesta da revolta de Matatias e seus filhos em 168 a. C., que terminou na derrota dos Sírios e estabelecimento do estado Asmoneu; o II de Macabeus, uma inferior compilação da obra de Josão de Cirene, que completa o conteúdo de I Macabeus.
  2. Tobias, Judite, o Resto de Ester e a História de Susana são contos românticos que ilustra a justiça de Deus em defesa de Seu povo. Bel e o Dragão, adição espúria ao livro de Daniel, pertence a mesma categoria.
  3. A Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico são tratados filosóficos na forma de epigramas, parecido com o livro de Provérbios.
  4. O Cântico das Três Crianças Sagradas e a Oração de Manassés são expressões de devoção para com Deus, e de esperança nas suas promessas.
É bom salientar, para conhecimento do estudante da Bíblia que o estilo e a linguagem destes livros são muito parecidos com a do Antigo Testamento.

IV - ALGUMAS HERESIAS DOS LIVROS APÓCRIFOS
  1. TOBIAS (200 a.C.) - É uma história novelítica sobre a bondade de Tobiel, pai de Tobias, e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael.
Apresenta: a) justificação pelas obras: 4: 7-11; 12:8.
    1. mediação dos santos: 12: 12.
    1. superstições: 6: 5, 7-9, 19.
    2. um anjo engana Tobias e o ensina a mentir: 5: 16-19.
  1. JUDITE (150 a.C.) - História de uma heroína viúva e famosa que salva sua cidade enganando um general inimigo.
  1. BARUQUE (100 a.D.) - Apresenta como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. Porém, é de data muito posterior, quando da 2a.destruição de Jerusalém, no pós-Cristo. Traz entre outras coisas, a intercessão pelos mortos - 3: 4.
  2. ECLESIÁSTICO (180 a. C.) - É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias:
Apresenta: a) justificação pelas obras: 3: 33-34.
    1. trato cruel aos escravos: 33: 26-30; 42:01.
    1. incentiva o ódio aos Samaritanos: 50: 27-28.
  1. SABEDORIA DE SALOMÃO (40 a. D.) - Livro escrito com a finalidade de lutar contra a incredulidade e contra a idolatria do episcurismo.
Apresenta: a) o corpo como prisão da alma: 9: 15.
    1. doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma: 8: 19-20.
    1. salvação pela sabedoria: 9: 19.
  1. I MACABEUS (100 a. C.) - descreve a história de três irmãos da família "Macabeus", que no chamado período interbíblico (400 a.C. - 3 a. D.), lutam contra inimigos dos judeus visando à preservação do seu povo e terra.
  1. II MACABEUS (100 a. C.) - Não é continuação do I Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígio de Judas Macabeu.
Apresenta: a) a oração pelo mortos: 12: 44-46.
    1. culto e missa pelos mortos: 12: 43.
    1. o próprio autor não se julga inspirado: 15: 38-40; 2: 25-27.
    2. intercessão pelos Santos: 7: 28; 15: 14.
  1. ADIÇÕES A DANIEL: Capítulo 13 - A história de Susana - segundo esta lenda, Daniel salva Susana num julgamento fictício baseado em falso testemunhos.
Capítulo 14 - Bel e o Dragão, Contém histórias sobre a necessidade da idolatria.
Capítulo 3: 24-90 - o cântico dos três jovens na fornalha.
NOTA À PARTE - Recordando um pouco a lição anterior relembramos alguns apócrifos do Novo Testamento ali contidos. São os seguintes:
  1. Epístola de Barnabé (70-79 a. D.)
  2. Pastor de Hermas (115-140 a. D)
  3. Didaqué (100-120 a. D.)
  4. Apocalipse de Pedro (150 a. D.)
Depois da formação do Cânon, havia uma grande quantidade de rolos, dificultando assim a consulta às Escrituras. Inventada a imprensa aqueles rolos Sagrados foram condensandos em um só "livro", com páginas contendo 66 livros Sagrados.
Em 1227, Estevão Langton, professor da Universidade de Paris e, posteriormente, Arcebispo de Cantuária, dividiu o conteúdo bíblico em capítulos, e em 1551, Roberto Stephens, dividiu os capítulos em versículos. A primeira versão da Bíblia em português data de 1753, é apenas o Antigo Testamento na versão do Padre João Ferreira de Almeida. A Bíblia toda em português só apareceu em 1819.

CONCLUSÃO - Ao concluírmos esta lição sobre os livros apócrifos, dizemos que: estes livros, ou pedaços de livros, que fazem arte do cânon católico, não são aceitos como sagrados pelos judeus e protestantes, tendo contudo, seu valor histórico.
Na verdade, os livros apócrifos constituem um excesso da Vulgata Latina sobre o Antigo Testamento hebraico.
O artigo sexto da Igreja Anglicana, depois de enumerar os livros canônicos, sendo Esdras e Neemias citados como I e II Esdras, antecede a lista dos apócrifos com a seguinte frase: "E os outros livros (como diz São Jerônimo), a Igreja os lê para exemplo de vida e instrução de costumes, mas não os aplica para estabelecer doutrina alguma."

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Quais os critérios usados pelos judeus para saber se um livro era sagrado ou apócrifo?
  2. Quando surgiu o grupo dos 70 sábios judeus, e qual era a sua cidade de origem?
  3. Cite o ano e o Concílio em que os judeus rejeitaram definitivamente os apócrifos.
  4. Qual o significado da palavra Apócrifo?
  5. Cite quatro livros apócrifos.







 Lição 9 - Tema: A BÍBLIA NA COMUNIDADE CRISTÃ (IGREJA)
Texto Básico: II Reis 22: 3, 23-25; Sl. 122; 118: 26-29; Ef. 3: 7-10.
Texto Bíblico: I Tm. 4: 11-16; Cl. 3: 16; Sl. 78: 1-8.
Versículo Chave: "A Palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração." (Cl. 3: 16)

INTRODUÇÃO - Nas lições anteriores estivemos envolvidos com o estudo específico da Bíblia, no que diz respeito a sua origem, sua natureza, sua composição, seu conteúdo, sua linguagem, etc. Desta lição em diante, estudaremos a Bíblia de um modo mais específico, isto é, de dentro para fora. Seu envolvimento na comunidade eclesiástica - com o homem e com o mundo.
Sabemos que a Bíblia é uma herança da Reforma Protestante. Embora não sejamos filhos da Reforma, contudo, somos gratos por termos herdado daquele movimento a preciosa fortuna - as Sagradas Escrituras.
Será que como Igreja do Senhor Jesus, temos mantido acesa a chama viva da Palavra de Deus? É preciso que reconheçamos a Bíblia, acima de qualquer suspeita, como a verdadeira, eterna e insubstituível Palavra de Deus.
Que lugar ocupa a Bíblia na vida de nossa Igreja? Vejamos:

I - A BÍBLIA É TESTEMUNHA DO SENHOR JESUS NA IGREJA
Quando nos referimos à Igreja, logo nos vem a mente a pessoa bendita do Senhor Jesus Cristo. Quando lemos o Novo Testamento, descobrimos a importância que Jesus dá a Igreja como Sua propriedade. Na Bíblia, encontramos o Senhor Jesus como figura de "esposo" da Igreja; "fundamento" e "cabeça".
Existe na Bíblia, um relacionamento dos mais perfeitos entre Cristo e a Sua Igreja.
  1. A Bíblia apresenta Cristo como o Primeiro. Ele é antes de todas as coisas. Paulo diz em Cl. 1: 15-19, que Cristo é o preeminente em tudo. Ele edificou a Igreja, conforme nos fala em Mt. 16: 18.
  2. A Bíblia apresenta Cristo como esposo da Igreja. Isso demonstra claramente, o senhorio que a Igreja reconhece e aceita a respeito de Cristo. Em Ef. 5: 23-27, 29-30 e 32, encontramos esta figura.
  3. A Bíblia apresenta Cristo como fundamento. Ele é o verdadeiro alicerce na vida espiritual da Igreja. Principal fundamento - o ponto de partida - Ele e seus discípulos (Ef. 2: 20-22). Ele é a pedra angular do nosso edifício (At. 4: 11) Em I Co. 3: 9 é um edifício vivo.
  4. A Bíblia apresenta Cristo como cabeça. Que outro relacionamento poderíamos aceitar, além deste? Cristo é o cabeça da Igreja (o corpo). Em Cl. 1: 18, Ele é a verdadeira cabeça do corpo. Cristo e a Igreja estão ligados como a cabeça ao corpo. Um ser humano é cabeça e corpo. Uma Igreja é Cristo e os crentes batizados.

II - A BÍBLIA É TESTEMUNHA DO LOUVOR NA IGREJA
Cultuar e adorar a Deus sempre foi iniciativa de todo ser humano. No princípio, encontramos a criatura adorando o Criador de diversas formas de culto. Abel adorou a Deus através de sua oferta. "E Deus atentou para a sua oferta" (Gn. 4: 4), Abraão adorou diante do rei de Salém, Melquisedeque - sacerdote do Deus Altíssimo (Gn. 14: 18-20).
O verdadeiro adorador encontra nas Sagradas Escrituras o real motivo para louvar a Deus. No Antigo Testamento encontramos a história do povo de Deus, adorando-O através de oferendas e holocaustos, festas solenes e todo ritual do tabernáculo. O Senhor Jesus nos mostra no Novo Testamento que Ele louvava nas reuniões solenes, como aconteceu na Ceia em Mt. 26: 30. A Bíblia nos ensina a louvar (Salmo 100). Se a Igreja deseja elevar a sua voz em exaltação a Deus, a Bíblia apresenta palavras condizentes para esse louvor: salmos, oração dominical, oração sacerdotal, etc. Encontramos, especificamente, no livro de Salmos, vários exemplos de composições poéticas feitos para o uso do culto. Citamos alguns: 122, 134, 118, 136. Um culto bíblico terá sempre uma Bíblia aberta.

III - A BÍBLIA É O ELEMENTO DE AFIRMAÇÃO NA PREGAÇÃO
Nas Igrejas do Novo Testamento a pregação falada era considerada a continuação da voz profética e, sendo assim, as Igrejas velavam pela sua integridade. Portanto, o púlpito evangélico é o centro da Palavra de Deus.
Nos estudos anteriores, salientamos que Deus se manifestou aos homens de diversas maneiras: através da Palavra escrita (a Bíblia), da Palavra falada (a pregação) e da Palavra Viva (o verbo Encarnado, Cristo - Hb. 1:1). É na pregação que a Igreja escuta a voz de Deus. A Igreja precisa estar atenta ao ouvir uma mensagem. Nem toda eloquencia de um orador é iluminação do Espírito. Precisamos descobrir se a mensagem tem respaldo bíblico, e se há autenticidade em sua apresentação, leia I Jo. 4: 16.
Não esqueçamos de que a Bíblia é fonte de inspiração e edificação da Igreja. Um dos textos escolhidos para esta lição nos relata a reforma moral que realizou o rei Josias (II Re. 22: 2-23:5). Houve a implantação de medida sanadoras que mudou profundamente o quadro religioso do reino de Judá. A Igreja é a guardiã da fé e, deve, através da Palavra, remover o monturo que está atrapalhando a sua edificação espiritual.

CONCLUSÃO - Nos dias atuais, a Igreja do Senhor Jesus, deve estar atenta aos perigos da influência mundana dentro dela. Se atentarmos para as palavras deste Livro, encontraremos rumo certo para proclamar o IDE de Jesus, através do testemunho vivo do Evangelho, realizar a obra social e outras atividades para as quais o Senhor nos enviar. É só reconhecer que a Bíblia tem uma grande influencia na vida da Igreja.

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Quais as figuras apresentadas na Bíblia em relação a Cristo e à Igreja?
  2. Onde encontramos a referência sobre dois homens que adoraram a Deus com suas ofertas?
  3. Como a Igreja pode verificar a legitimidade da pregação?
  4. Que rei realizou uma reforma moral em seu reino?





















Lição 10 - Tema: A BÍBLIA FALA AINDA HOJE
Texto Básico: Lc. 4: 16-18; Is. 58: 1-14.
Texto Bíblico: Is. 5: 18-25; Lc. 4: 16-21; Tg. 2: 1-9
Versículo Chave: "O Senhor te guiará continuamente, e te fartará até em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas as águas nunca faltam." (Is. 58: 11)

INTRODUÇÃO - Continuamos aprendendo neste Livro Bendito chamado a Bíblia Sagrada. Ele tem falado em todas as épocas. No passado, falou poderosamente ao povo de Deus, desde o deserto do Sinai até aos áureos dias da Igreja primitiva. Ele é um Livro atual. Conforta, orienta, guia, esclarece, doutrina, exorta, nos faz conhecedores das verdades divina. Isto basta. Ele é o Livro por excelência.
Muitas vezes, nos deparamos com afirmativas absurdas de que a Bíblia é um "livro do passado"; um "livro que não nos inspira a nada" e, tantas outras declarações insensatas. Nós, os crentes em Jesus Cristo, sabemos do valor deste Livro, da sua Mensagem atual, e sua importância para humanidade. Sabemos que a Bíblia tem algo para nos dizer hoje. Mas, é necessário, que os crentes conheçam profundamente o conteúdo deste Livro para poderem defendê-Lo diante daqueles que querem ofuscar o seu valor. Na verdade, a Bíblia tem atravessado séculos para nos falar hoje.

I - A BÍBLIA NO PASSADO E NO PRESENTE
É evidente, que entre o mundo que a Bíblia descreve e o atual, existe uma grande diferença. Costumes sociais, vida familiar, condições de vida, organização política, estrutura social, etc. Como é grande a diferença entre a nossa época e a dos apóstolos e patriarcas... Contudo, não podemos obscurecer esses fatos importantes. Ao estudarmos a Bíblia, devemos levá-los em consideração. É importante notar, que esse conjunto de aspectos que demarcam a diferença entre o nosso tempo e os tempos da Bíblia constituem o lado externo da realidade subjacente. A essência desses fatos é o homem. O homem permanece através de todas as mutações pelas quais é separado, por que tem passado o mundo. Tomemos como exemplo Abraão: viveu como nômade (cigano); vivia da criação de gado e ovelhas; era reverenciado por sua esposa e servos, os quais o chamavam de "senhor". O que acontece com o mundo atual? Pelo menos, cada um de nós tem residência fixa; exercemos várias atividades quer na indústria ou no comércio; já não vivemos sob regime de servos; as mulheres conquistaram seus direitos e privilégios, que até pouco tempo eram exclusivos do homem. Esta é a realidade da vestimenta mais profunda, ou seja, a identidade do homem Abraão e nós. Mesmo sabendo que haja uma grande distância entre a situação na qual a Bíblia é formada e as condições do homem hodierno, a Mensagem das Escrituras nos alcançou com a mesma energia com que atuou nos nossos antepassados.

 II - A BÍBLIA E O MUNDO EM CRISE
Não devemos ter saudades do passado, mesmo diante da crise que estamos vivendo. Pararmos para fazer certos tipos de comentário, tais como: "antigamente não era assim", que hoje "tudo está perdido", não é a posição correta. Atentemos para as palavras do sábio que diz: "Não digas: por que razão foram os dias passados melhores do que estes? Por que não provém da sabedoria esta pergunta?" (Ec. 7: 10)
Deixemos de lado todo azedume. Mesmo diante das crises vejamos o que diz a Bíblia em nossos dias:
  1. A degradação dos fundamentos da moral e da família: A estabilidade da família está abalada; a moral sexual está sendo posta à prova. O relacionamento entre pais e filhos está em decadência; a autoridade doméstica e integridade dos casais estão indo para o espaço.
Anomalias incríveis estão acontecendo. Há até quem defenda casamento de pessoas do mesmo sexo. Reflexo do mundo em crise.
Será que encontrarmos alguma orientação bíblica para este estado de perplexidade em que vive o mundo? É claro! Para todas essas situações a Palavra de Deus é o guia seguro para os nossos dias. O que o Apóstolo Paulo nos diz. (Rm. 1: 18-32)
  1. As transformações sociais: Com o avanço tecnológico, o mundo tem tido várias transformações. Nesta era das grandes máquinas e evoluídos computadores, a sociedade busca ansiosamente aumentar o desejo pela posse do dinheiro. A corrupção, a desonestidade, a falta de amor ao próximo, tudo isso tem causado crises, revolta social, e até mesmo as guerras. Pois o ser humano continua cético e ambicioso. É esse desejo desenfreado que o Apóstolo Paulo denomina "amor ao dinheiro", responsável pela maioria das crises de revolta social. Como diz o Apóstolo, esse desejo irrefreável "é a raiz de todos os males" (I Tm. 6: 10).
Isso está entranhado dentro da natureza humana. Não é propriedade exclusiva do nosso tempo. Até mesmo os crentes são vítimas desse mal, causando o surgimento de litígios na vida da Igreja. Os textos a seguir não perderam a sua atualidade para os nosso dias. Vejam o que diz a Bíblia em Tg. 2: 1-9 e 5: 1-6.
  1. A ansiedade em nossos dias: No passado, ouvíamos a seguinte expressão: "a vida não causa tensões". Hoje, é comum ouvirmos que a correria e a angústia são filhas do nosso tempo. Por isso o Senhor instruiu aos seus discípulos, falou aos agricultores, pescadores e donas-de-casa do seu tempo (Mt. 6: 25-34). Vejam como a Bíblia é atual. Ela fala ainda hoje, nos propondo advertências para o viver moderno - "Buscai primeiro o Reino de Deus, e a Sua Justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt. 6: 33).
  1. Confusão de idéias: Nos dias atuais são muitas as idéias que surgem diante de nós. Elas vêm de todas as partes, deixando-nos perplexos e às vezes encobrindo da nossa vista o objetivo principal da nossa fé - Jesus Cristo. Precisamos ter cuidado. No passado, o povo israelita, enfrentou duras provas de fé. Para eles, a fonte de dúvida eram as palavras dos advinhos, dos necromantes e daqueles que invocavam a autoridade divina para predições ilusórias. No entanto, Deus não abandonou o povo. A Sua orientação e revelação profética se fizeram presentes. Guiou os povo, caminho a fora, com uma grande coluna de fogo (Êx. 13: 21-22). Nós sempre devemos seguir ao Senhor Deus. Mesmo diante de idéias que pareçam ser verdades - depositemos nossa fé em Jesus Cristo. Para sua ajuda espiritual, leia Isaías 8: 19-20.

CONCLUSÃO - À luz de tudo isso, vemos que a Bíblia é um livro atual. É por estas e outras razões que a única voz de comando que devemos obedecer é a do Senhor Jesus - através da Sua Palavra - a Bíblia. Estamos vivendo a iminência do fim. Os dias atuais são trevosos e de extrema corrupção. Vejam as instruções de Paulo em II Tm. 3: 1-9.
Hoje são muitas as vozes que atestam a aproximação da vinda do Senhor Jesus. A Bíblia fala ainda hoje como falou antigamente. No Antigo Testamento encontramos: Gn. 6:5, 13-21; Am. 4: 12. No Novo Testamento: Mt. 24: 3-25.
A Palavra de Deus permanecerá eternamente (Mt. 24: 35).

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Estamos vivendo uma era diferente dos tempos bíblicos? Explique.
  2. A Bíblia se aplica ao homem em qualquer época?
  3. A Bíblia encerra toda verdade?
  4. Estamos vivendo no mundo em crise. Qual a atitude do crente diante disto?















Lição 11 - Tema: A BÍBLIA FALA DO MESSIAS
Texto Básico: Mt. 16: 13-16; Jo. 1: 1-12; Jo. 6: 35-40.
Texto Bíblico: Mc. 10: 45; Jo. 3: 16; 6: 35-40; I Co. 15: 3-4 e II Co. 5: 17.
Versículo Chave: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo." (II Co. 5: 17)

INTRODUÇÃO - Quando aceitamos a Cristo como Senhor e Salvador, nosso interesse é conhecê-LO; procurar aprender, com detalhes, tudo quanto puder sobre Seu nascimento, Sua vida e a Missão salvífica para o mundo. O mais importante de tudo isto é sabermos que a Bíblia fala sobre o Filho de Deus - Jesus Cristo - o Messias. Nesta lição, conheceremos, um pouco, desse Salvador eterno.

I - A BÍBLIA FALA DE JESUS - O VERBO ENCARNADO DE DEUS
A Bíblia nos apresenta o próprio Deus que, encarnado, habitou entre nós, para nos remir dos nossos pecados (Jo. 1: 1-12). O significado da palavra Verbo quer dizer: Razão - Pensamento - Palavra. Jesus nosso Senhor e Salvador é a razão, o pensamento e o meio de comunicação de Deus. É importante saber que o Senhor Jesus não foi um ser criado, mas é eterno. A Bíblia ensina, em suas belas páginas, que Jesus estava no princípio com Deus e que Ele é Deus. Descobrimos no mesmo texto que Ele se fez carne e habitou entre nós. É importante notar ainda, que Deus O fez homem para fazer-se entendido pelos homens. Desta maneira, pode revelar-se e pode substituí-los para os salvar.
Uma outra expressão interessante da Bíblia sobre o Senhor Jesus Cristo é: Jesus é o Cristo de Deus - certifique-se em Mt. 16: 16. Qual o sentido da palavra Cristo nas Escrituras? É o mesmo que a palavra Messias. Por sua vez, Messias significa "O UNGIDO". Daí, termos a certeza de que Jesus é o ungido de Deus, enviado para realizar a missão de salvar a humanidade.
Outro aspecto importante que a Bíblia nos mostra é que o Senhor Jesus é o verdadeiro Filho de Deus. Mais expressamente encontramos esta verdade no Evangelho de João (3: 16; 5: 17-27; 6: 37-39) e outros.
Quanto a sua natureza, a Bíblia revela que ela não foi somente divina nem somente humana. Quando o Verbo se fez carne (Jo. 1: 14), não perdeu sua natureza de Deus, mas adquiriu a natureza humana, ou seja, de homem. É por esta razão que os Evangelhos nos apresenta um Jesus curando e falando com autoridade de Deus, ao mesmo tempo que sofrendo e morrendo como homem.
Na Bíblia encontramos ainda Jesus como Senhor e Rei. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Filipenses 2: 5-11, dá-nos esta confirmação. O ensinamento bíblico é eficaz quando diz que Jesus tem todo poder no céu e na terra (Mt. 28: 18-20) e que reina para sempre sobre o Universo. Infelizmente, a humanidade não quer aceitar este reinado, mas quando Ele voltar, será estabelecido definitivamente seu domínio (Mt. 25: 31-46).

II - A BÍBLIA FALA DE JESUS - SUA VIDA E OBRA
Podemos descrever a vida terrena do Senhor Jesus em oito fases: nascimento, crescimento, batismo, tentação, ministério, morte, ressurreição e glorificação.
  1. Seu nascimento virginal - foi predito pelo profeta Isaías a quase 700 anos antes do seu nascimento (Is. 7: 14; 9: 1-7). Foi provado, não teve pai humano. Veio por Maria por obra e graça do Espírito: Mt. 1: 18-21. Para analisar melhor este tema, vejamos: Mt. 1: 18-25; Lc. 1: 26 e 2: 20).
  2. Seu crescimento - É um assunto pouco comentado nas Escrituras. Sabemos que no 8º dia, José e Maria O circuncidaram (Lc. 2: 21); com 40 dias foi apresentado no templo (Lc. 2: 22-24); fugiram com Ele para o Egito quando tinha dois anos (Mt. 2: 13-23); aos doze anos visitou o templo em Jerusalém com seus pais (Lc. 2: 39-51). Daí em diante a Bíblia faz um silêncio na vida de Jesus. Sabe-se, no entanto, que crescia "em sabedoria, em estatura, e em graça..." (Lc. 2: 52).
  3. Seu batismo - o seu aparecimento deu-se aos trinta anos de idade. Saiu da Galiléia, onde morava, e foi ter com João, o Batista, para ser batizado. (Lc. 3: 21-22; Mt. 3: 13-17).
  4. A Tentação - A autoridade de Jesus sobre Satanás estava selada. Não adiantou as três investidas satânicas. Jesus o venceu. "E o diabo tremeu..." (Lc. 4: 1-13). Cheio do Espírito Santo o Senhor Jesus começa o seu ministério.
  5. O Seu Ministério - O Ministério do Senhor Jesus compreende o período de suas atividade entre o batismo e a morte na cruz. Durou três anos - que valeram uma eternidade, pela Sua conduta e Seu propósito em morrer pelos nossos pecados (Fl. 2: 5-8). Realizou uma grande obra. Desencadeou uma série de milagres e prodígios pelo Seu poder divino e eterno: Curou cegos, mancos, coxos, aleijados e paralíticos, expulsou demônios e ressuscitou mortos. Os quatro Evangelhos estão repletos de exemplos do Ministério de Jesus. Leiamos para nossa edificação.
  6. Sua morte - Sua morte não foi por acaso, mas voluntária e planejada. Dela, relatou o profeta (Is. 53). Leia ainda: Is. 52: 13-15. Suas palavras creditam Sua missão no mundo (Jo. 10: 17-18). Observamos o que Paulo fala em (I Co. 15: 3-4). Ele não abandonou a sua missão. Foi fiel até o fim (Fl. 2: 8). No jardim Getsêmani sentiu o peso dos nossos pecados (Lc. 22: 39-44).
  7. Sua Ressurreição e Glória - Após ter dado pleno cumprimento à sua missão redentora, Jesus Cristo assume outra vez as prerrogativas de que se havia despojado ao tomar voluntariamente a condição humana. Agora os seus atributos de absoluto senhorio, majestade, poder invencível e glória são patenteados pelo explendor da ressurreição. Arrebenta as ataduras do túmulo, põe a correr os soldados guardiães do sepulcro; com a presença do seu poder irresistível, rompe as cadeias geladas da morte. Vence Satanás, a morte e o pecado. É a sua glorificação eterna e real, nos céus e na terra e debaixo da terra. (Hb. 1: 3; Fl. 2: 10-11).
CONCLUSÃO - Nossa relação com Ele é maravilhosa. Com Ele somos nova criatura (II Co. 5: 17). É necessário, portanto, que nós os crentes em Jesus conheçamos os aspectos importantes desse relacionamento para aperfeiçoar nossa comunhão com Ele.
  1. Somos membros do Seu corpo: (I Co. 12: 27) Cristo é o cabeça da Igreja que é o Seu corpo, e nós os membros.
  2. Somos servos do Senhor Jesus Cristo: (I Pe. 1: 18-19) Fomos resgatados pelo seu sangue na cruz. O crente tem o dever de ser humilde e submisso a Jesus, procurando saber sua vontade para cumpri-la.
  3. Somos discípulos do Senhor Jesus: (Jo. 8: 31). O discípulo precisa aprender com o seu Mestre pelo estudo da Sua Palavra, ouvindo as mensagens, lendo estudos sobre a Bíblia, etc.
  4. Somos co-herdeiros com Jesus Cristo: (Rm. 8: 17). Devemos reconhecer que ocupamos um posição muito gloriosa, e, ao mesmo tempo, que há imensuráveis tesouros espirituais guardados nos céus para todos nós (I Pe. 1: 3-4). Assim sendo, somos irmãos de Cristo, o Rei, o Herdeiro de todo Universo.
  5. Somos Testemunhas de Cristo: (At. 1: 1-8). Logo, como diz o Pastor Zacarias, "Somos o 5º Evangelho". Fomos comissionados para levar as Boas Novas de Salvação a todos os homens. Tomemos como exemplo os apóstolos (At. 4: 19-20). A própria Igreja Primitiva não descuidou um instante desse testemunho. Nas ameaças, perseguições e apedrejamentos, lá estava a Igreja testemunhando de Jesus. Nos dias atuais, precisamos ser mais ousados na comunicação do Evangelho de Jesus. Quando a Palavra de Deus nos fala de Jesus - o Messias é porque deseja que cumpramos cabalmente o Seu Imperativo, até que Ele venha.
(Leia Mateus 28: 19-20)

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Qual o significado da palavra VERBO?
  2. Qual o significado da palavra MESSIAS?
  3. Prove com textos bíblico que Jesus é Filho de Deus.
  4. Em quantas fases podemos descrever a vida terrena de Jesus?
  5. Na nossa relação com Cristo existem aspectos importantes para aperfeiçoar a nossa comunhão com Ele. Cite três.










 Lição 12 - Tema: A BÍBLIA FALA DE DEUS
Texto Básico: Sl. 145: 8-20; Is. 40: 28-31; Jo. 4: 23-24; At. 10: 34; Tg. 1: 16-18 e Ap. 4: 11.
Texto Bíblico: At. 17: 22-29.
Versículo Chave: "Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque Tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas." (Ap.4:11)

INTRODUÇÃO - Existe Deus? Essa tem sido uma pergunta de muita importância para o estudante das Sagradas Escrituras. É necessário compreender-mos que a doutrina de Deus é fundamental para a vida cristã.
Embora Deus esteja sempre agindo e falando, e o homem esteja sempre a buscá-lo, o conhecimento de Deus e de seus propósitos continuam sendo um mistério que exige do homem fé e submissão para ser compreendido. Este conhecimento não é fruto de especulação, mas de revelação. Por isso é bom lembrar - Deus não é um objeto para ser especulado, mas uma pessoa para ser conhecida.
Peçamos a Ele que nos ilumine o coração e a mente para que, alcançando uma compreensão mais profunda do seu caráter, "vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente." (Tito. 2: 12)



I - A NATUREZA DE DEUS
Começamos esta parte de nossa lição com a seguinte pergunta: Quem é Deus? Esta é uma pergunta inquietante que tem sido feita por muitas pessoas. Várias têm sido as respostas neste sentido. Mas, parece que nenhuma delas têm satisfeito ao homem. Li, certa vez, uma definição sobre Deus que diz o seguinte: "Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em Seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade." É preciso, que nós os filhos de Deus, conheçamos o ensino das Sagradas Escrituras sobre a pessoa bendita do eterno Pai dos Céus, a fim de que possamos melhor adorá-lo e servi-lo.
Em uma de suas viagens missionárias, o Apóstolo Paulo foi à capital da Grécia, Atenas, onde esteve no Tribunal dos Gregos - o Areópago. O desejo de Paulo era apresentar suas idéias, anunciar o Evangelho, testemunhar de Jesus de Nazaré. Aquela era uma cidade onde o culto aos deuses estranhos era comum. Cada um deles era patrono de determinado aspecto da vida dos gregos. Havia o deus da guerra, o deus do comércio, o deus da fecundidade, o deus da lavoura, etc. Isso era mais ou menos o que são, para os católicos, os chamados santos padroeiros.
No seu inflamante discurso, Paulo lembrou-se da frase, no livro de Atos (17: 23), que diz: "AO DEUS DESCONHECIDO". Aproveitou o ensejo e apresentou aos gregos o Verdadeiro Deus, O Deus eterno. O Deus Jeová, como sendo aquele Deus que eles não conheciam.
Ali, o Apóstolo fez uma verdadeira dissertação acerca de Deus, seu poder e sabedoria. Ele ensinou que: (a) Deus é infinito - não habita em qualquer lugar (v. 24). Em todos os lugares Deus está. Deus não é limitado a uma casa ou um templo. (b) Deus é o Criador e Senhor de todas as coisas - Devemos obediência a Ele. Deus é soberano, Todo-Poderoso. (c) Deus é auto-suficiente e não precisa de coisa alguma (v. 25). (d) Deus é o autor e sustentador de nossas vidas (vs. 25-28). (e) Deus não pode ser comparado ou representando por figura nenhuma feita por mãos humanas. (v. 29).
Diante de tudo isto, descobrimos ainda, que a Bíblia nos ensina outros importantes aspectos sobre a pessoa bendita de Deus. Muito se pode dizer de um ser tão grande como é Deus. Compreender a Deus em sua plenitude, seria tão difícil como colocar o Oceano num copo.
Além desses ensinos de Paulo sobre Deus, diante dos gregos, convém mencionar outros espalhados pelas Escrituras.
  1. DEUS É ESPÍRITO - (Jo. 4: 24) - Deus é Espírito com personalidade; Ele pensa, sente, e fala; portanto, pode ter comunhão direta com Suas criaturas feitas à Sua imagem e semelhança. Ele não está sujeito às limitações as quais se sujeitam os seres humanos dotados de corpo físico. Deus é uma pessoa real, mas de natureza tão infinita que não se pode aprendê-lo, plenamente, pelo conhecimento humano, nem tão pouco satisfatoriamente descrevê-lo em linguagem humana. (Jo. 1: 18; vide Êx. 33: 20). Ele é insondável, inescrutável (Jó 11: 07).
  2. DEUS É ETERNO - (Êx. 15: 18; Dt. 33: 27; Ne. 5: 5; Sl. 90: 2; Jr. 10: 10; Ap. 4: 8-10). Ele existe desde a eternidade e existirá por toda eternidade. Sendo eterno, Ele é imutável - "o mesmo ontem, hoje e eternamente".
  3. DEUS É O ÚNICO DEUS - Êx. 20: 3; Dt. 4: 35-39; 6: 4; I Sm. 2: 2; II Sm. 7: 22; I Re. 8: 60; II Re. 19: 15; Ne. 9: 6; Is. 44: 6-8; I Tm. 1: 17. - "Ouve ó Israel; Jeová nosso Deus é o único Deus." Era esse um dos fundamentos da religião do Antigo Testamento.
  4. DEUS É ONIPOTENTE - Isso significa duas coisas: (a) Sua liberdade e poder para fazer tudo que esteja em harmonia com a Sua natureza. (Gn. 1: 1; 17: 1; 18: 14; Êx. 15: 7; Dt. 3: 24; 32: 39: Jó. 40: 2; I Cr. 16: 25; Is. 40: 12-15; Ap. 15: 3; 19: 6). (b) Seu controle e sabedoria sobre tudo que existe ou que pode existir. Somente Deus é Todo-Poderoso e até mesmo Satanás nada pode fazer sem Sua eterna permissão. (Veja Jó cap. 1 e 2). Toda a vida é sustentada por Deus. (Hb. 1: 3; At. 17: 25-28; Dn. 5: 3).
  5. DEUS É ONIPRESENTE - Isto quer dizer que o espaço material não o limita em ponto algum. (Gn. 28: 15-16; Dt. 4: 39; Js. 2: 11; Sl. 139: 7: 10; Pr. 15: 3-11; Is. 66: 1; Jr. 23: 23-24; Am. 9: 2-4, 6; At. 7: 48-49; Ef. 1: 23).
Para as Suas criaturas Ele está presente da seguinte maneira:
  1. Em glória, para os santos e anjos O adorarem no céu. (Is. 6: 1-3);
  2. Eficazmente, na ordem natural. (Naum 1: 3);
  3. Providencialmente, nos assuntos relacionados com os homens. (Sl. 66: 7-8);
  4. Atentamente, aqueles que O buscam. (Mt. 18: 19-20 e At. 17: 27);
  5. Judicialmente, as consciências dos ímpios. (Gn. 3: 8; Sl. 68: 1-2). O homem não se deve iludir com o pensamento de que existe um cantinho no mundo onde possa escapar à Lei do Seu Criador;
  6. Corporalmente em Seu Filho. "Deus conosco"- Cl. 2: 9;
  7. Misticamente na Sua Igreja. (Ef. 2: 12-22);
  8. Oficialmente, com Seus obreiros. (Mt. 28: 19-20).
  1. DEUS É ONISCIENTE - Isto é, ele conhece todas as coisas. (Gn. 18: 18-19; II Re. 8: 10-13; I Cr. 28: 9; Sl. 94: 9; 139: 1-16; 147: 4-5; Pr. 15: 3; Hb. 4: 13). O conhecimento de Deus é perfeito. Ele não precisa pesquisar as coisas, nem aprender gradualmente - Seu conhecimento do passado, do presente e do futuro é instantâneo.
  1. DEUS É SÁBIO - Sl. 104: 24; Pr. 3: 19; Jr. 10: 12; Dn. 2: 20-21; Rm. 11: 33; I Co. 1: 24-25, 30; 2: 6-7; Ef. 3: 10; Cl 2: 2-3. A sabedoria de Deus reune a Sua onisciência e Sua onipotência. Deus sempre faz o bem de maneira certa e no tempo certo.
  2. DEUS É SOBERANO - Isto quer dizer, que ele tem o direito de governar e dispor de Suas criaturas como Lhe apraz. (Dn. 4: 35; Mt. 20: 15; Rm. 9: 21). Ele possui esse direito em virtude de Sua infinita superioridade, de Sua posse absoluta sobre todas as coisas. Porque todas as coisas depende somente d’Ele. Desta maneira, tanto é insensatez, como transgressão censurar os Seus caminhos.
II - O DEUS TRINO - A TRINDADE
A Unidade Divina é uma Unidade composta, e que nesta Unidade há realmente três Pessoas distintas, cada uma das quais é a Divindade, e que, no entanto, cada uma está sumamente consciente das outras duas.
Não adoramos três deuses, todos três independentes e de existência própria. Os três cooperam unidos e num mesmo propósito, de maneira que no mesmo sentido da palavra, são "um". O Pai cria, o Filho redime (Salva) e o Espírito Santo consola, santifica e batiza; e, no entanto, em cada uma dessas operações divinas o Criador, mas também o Filho e o Espírito Santo são tidos como cooperadores na mesma obra. O Filho é preeminentemente o Redentor, mas também o Pai e o Espírito Santo são considerados como Pessoas que enviam o Filho a redimir. O Espírito Santo é o Santificador, Consolador e Batizador, mas também o Pai e Filho cooperam nessa obra.
Amados, a Trindade é uma comunhão eterna. Muitas vezes esta Doutrina é mal entendida e mal explicada. Essa doutrina chama-se "Doutrina da Trindade" porque Deus se revelou como Pai, como Filho e como Espírito Santo.
  1. DEUS É O PAI - CRIADOR DE TODAS AS COISAS - São muitas as passagens que falam de Deus como Pai. (Jo. 6: 27). O Pai testificou do Filho (Mt. 3: 17); e o Filho testificou do Pai (Jo. 5: 19). O Filho testificou do Espírito (Jo 14: 26) e mais tarde o Espírito testificou do Filho (Jo 15: 26)
  2. DEUS O FILHO - Para se falar sobre o Filho de Deus basta citar (Jo. 1: 1-14). O Verbo se fez carne e veio habitar entre nós. Ele nos deu a possibilidade da redenção pela morte na cruz do calvário.
  3. DEUS ESPÍRITO SANTO - Ele é chamado também: a) Espírito de Deus - Gn. 1: 2; b) Espírito de Jesus - At. 16: 7; c) Espírito de Verdade - Jo. 16: 13. Ele é o Soberano Deus operando visivelmente no mundo. Ele convence o homem do pecado (Jo. 16: 8-11); Ele é o Espírito Consolador (Jo. 16: 7; 14: 26).
A Doutrina da Trindade é claramente uma doutrina revelada, e não uma doutrina concebida pela razão humana. Tudo vem através da revelação (I Co. 2: 16).
Para melhor compreensão, é importante saber que a palavra Trindade não aparece no Novo Testamento. É uma expressão teológica que apareceu durante o 2º século para descrever a Divindade.

CONCLUSÃO - Há muita coisa para falar sobre Deus, pena que o tempo não nos ajuda. Procuremos, com detalhe, estudar a Bíblia. Nela está Deus e toda Sua bondade revelada. Examinemos, ainda, o Sl. 145: 8, e vejamos o salmista expressar, através de quatro termos, as qualidades do caráter Deus. Deus é bom, e manifesta sua bondade em suas maravilhosas e grandes obras. (vv. 9-13).
  1. Deus é verdadeiro (Tito 1: 2)
  2. Deus é justo (Êxodo 34: 7)
  3. Deus é santo (Apocalipse 15: 4)
  4. Deus é amor (I João 4: 8)
Por ser verdadeiro Deus merece nossa fé. É importante para nosso crescimento espiritual, confiar em Sua Palavra. Por ser justo pune o pecado; por ser santo, quer que sejamos santos, porque habitaremos com Ele; por ser amor, mandou Seu Filho ao mundo para morrer por nós. (João 3: 16).

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Cite o nome do Tribunal dos Gregos onde Paulo discursou.
  2. Cite três nomes dos patronos do povo grego.
  3. Cite quatro temas importantes que Paulo ensinou ao povo grego.
  4. Quais os outros ensinos de Paulo que ele citou no Areópago?
  5. No aspecto da Trindade, cite a função do Pai, Filho e Espírito Santo.






 Lição 13 - Tema: A BÍBLIA FALA AO NOSSO CORAÇÃO
Texto Básico: Dt. 5: 1-6; Sl. 119: 97-104; 78:01.
Texto Bíblico: Dt. 30: 15-20; Sl. 19: 7-9; 119: 9-16, 102-105.
Versículo Chave: "Os teus testemunhos são a minha herança para sempre, pois são eles o gozo do meu coração. Inclino o meu coração a cumprir os teus estatutos, para sempre, até o fim." (Sl. 119: 11-112).

INTRODUÇÃO - Esta lição que hoje estudaremos, traz-nos uma profunda e real convicção de que o Senhor Deus nos concedeu a Sua Palavra, como fonte de autoridade Divina; e que falou ao seu povo no passado e, fala ainda hoje com todos aqueles que abrem seus corações com amor para ouvi-Lo. A vitalidade da Palavra de Deus não está dependente do mundo hodierno e suas complicações. A Bíblia ultrapassa qualquer barreira ou impedimento que venha detê-la. Ela é a Palavra de Deus. Ela falou no passado com a humanidade; Ela fala no presente, ao coração do homem; e continuará apontando o futuro, como a esperança viva daqueles que esperam somente em Deus - como Salvador e Senhor de suas vidas. Portanto, a lição de hoje, mostra-nos o quanto é necessário ouvir a voz de Deus aos nossos corações. É justo e oportuno que hoje, agradeçamos a Deus a dádiva deste Livro, pois o testemunho de tantas pessoas evidenciam o poder de sua influência em suas vidas. Isto nos traz a lembrança e nos faz responsáveis pela incumbência que nos foi delegada de divulgá-lo entre os que nos cercam. Consideremos, portanto, a nossa posição pessoal perante este Livro, através do qual Deus fala, ainda hoje, aos corações. Para nossa convicção de fé, examinemos Salmo 119: 111-112 e 119: 2, 11,33, 34, 80.

I - A BÍBLIA REVELA A PERSONALIDADE DO HOMEM
A personalidade humana é inescrutável. Somente Deus pode sondá-la. Pois, quem melhor pode conhecer o homem do que seu Criador. Nestes dias, quando as filosofias falsas representam de modo errado a natureza humana, é de grande importância que conheçamos a personalidade humana através da vontade de Deus.
Precisamos olhar para dentro de nós mesmos. Daí descobriremos que somos um mistério, um contraste, com reações inexplicáveis e que reunimos em nosso íntimo algo de tanta intensidade que muitas vezes nos arrasta ao desespero. O salmista Davi nos mostra que é preciso buscar a Deus para descobrir os próprios erros. (Salmo 19:12). O apóstolo Paulo traz-nos a lume uma angustiante exclamação em Romanos 7: 24 - "Miserável homem que eu sou!". São sentenças que refletem a angustiante personalidade humana. Outra vez Davi exclama: "... faz-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma" (Sl. 51: 6b).
O homem precisa conhecer a si mesmo. Ele é um ser tri-uno, ou seja, ele tem um tri-unidade humana. Em I Ts. 5: 23 e Hb. 4: 12, o homem, criado por Deus, imagem e semelhança Sua, se compõe de três substâncias - espírito, alma e corpo. O espírito e a alma representam os dois lados da substância não física do homem; ou, em outras palavras, o espírito e a alma representam os dois lados da natureza espiritual. Por estarem tão interligados um ao outro, espírito e alma muitas vezes se confundem. Em Eclesiastes 12: 7 e Apocalipse 6: 9, a substância espiritual do homem se descreve como alma; em outra passagem, como espírito - Tiago 2: 26.
"Sendo o homem espírito, é dotado de capacidade de ter conhecimento de Deus e comunhão com Ele; sendo alma, ele tem conhecimento de si próprio; sendo corpo, tem, através dos sentidos, conhecimento do mundo." (Schofield)
Na vida do ser humano, nada escapa ao exame de Deus. Vejamos Hebreus 4: 13. Deus sempre vem em nosso socorro. Ele desce aos subterrâneos de nosso íntimo. É certo, irmãos, que desse exame feito por Deus em nós, inevitavelmente aparecerá a consciência do pecado. Estará diante de nós um contraste abismal - entre o que somos e o Deus que vê as nossas necessidades em amor.
No entanto, é a Bíblia que nos ensina a ter acesso aos recursos da graça divina e do perdão de Deus pelos quais somos inteiramente sarados. O que diz Davi: "Expurga-me tu dos erros que me são ocultos" (Sl. 19: 12).


II - A BÍBLIA REVELA QUE A "PALAVRA ESTÁ PERTO DE TI"
O apóstolo Paulo nos dá prova cabal de que a Palavra de Deus está bem perto de nós para nos instruir e orientar. Na Epístola aos Romanos 10:8, encontramos esta verdade. O importante aspecto entre o indivíduo e a Bíblia é que ela lhe torna acessível o conhecimento da salvação. Aliás, o centro da Bíblia é o Senhor Jesus Cristo, o eterno e suficiente salvador da humanidade. Muitas vezes, somos incapazes de penetrar e desvendar os mistérios divinos (Dt. 29:29). Contudo, a Bíblia não é um livro de mistérios; no versículo citado o escritor sagrado continua: "... porém as reveladas são para nós e para nossos filhos para sempre."
Existem muitas pessoas que fogem do estudo da Palavra de Deus, avaliando-a como um livro de difícil interpretação. Tudo isso não passa de uma evasiva. Na Bíblia, dentre as muitas coisas, encontramos o rumo certo para nossa salvação. O que necessitamos, na verdade, e está perto dela, como ela está perto de nós.
Num estudo mais profundo em (Dt. 30: 11-14), encontramos esta verdade. Logo mais, o apóstolo Paulo na carta aos Romanos 10: 06 em diante nos discorre sobre o anúncio do evangelho. No primeiro texto, encontramos Moisés se dirigindo aos israelitas advertindo-os. É interessante notar, que em ambos os casos, a Palavra não está suspensa no infinito dos céus, distante de nós, nem submersa nas profundezas dos mares: "ela está junto de ti, na tua boca e no teu coração".
Como resultado de tudo isso, vale salientar que, todo o indivíduo que toma conhecimento de Deus assume um peso enorme de responsabilidade pelo que Deus lhe expõe em Sua Palavra. É justamente esse o ponto em que tanto Moisés como Paulo pretendiam chegar: se a Palavra está perto de nós, se Deus a colocou ao nosso alcance, não podemos desculpar-nos pelo nosso extravio ou ruína (Rm. 10: 15-20).
Portanto, cheguemo-nos com inteira confiança diante da Palavra de Deus, porque ela testifica de Deus (Jo. 5: 39).

III - A BÍBLIA É FONTE PARA MANUTENÇÃO DA NOSSA FÉ.
Nesta época de muita soberba, orgulho e auto-adoração, de cega confiança em si mesmo e de torpe satisfação dos apetites e paixões em que vive o homem, sem estimação pelas coisas do Espírito, parecerá estranho, e fora de lugar, falar de Fé. O homem nunca necessitou tanto do poder da Fé, como nos dias atuais. Porque o mundo hodierno, tem desencaminhado da Fé o homem atual, traspassando sua vida de muitas dores; devido a essa cega confiança em si mesmo, um outro fracasso se desponta, o cinismo moral e o ceticismo nas coisas eternas de Deus. Tudo isso tem causado desorientação e incerteza, falta de fé, levando muitos a destruição. Onde irá parar tudo isto? Quando cessarão as guerras, a miséria e a dor?
É, então, sobretudo de uma palavra de confiança e esperança, de poder e vitória, de soltura e liberdade, que a humanidade, necessita desesperadamente no dia de hoje. É só a fé em Jesus Cristo que a pode dar. "Ele é a nossa paz" (Ef. 2: 14). E mais: "Quem é que vence o mundo senão aquele que crê ser Jesus Cristo o Filho de Deus" (I Jo. 5: 5). E mais: "Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé." (I Jo. 5: 4).
A fé é a manifestação de confiança na obra e nas promessas do Senhor Jesus Cristo.
Desta fé nos falam claramente uma variedade de passagens (Mc. 1: 15; Jo. 1: 12; 11: 25; Gl. 2: 16; Ef. 3: 17-19).
O interesse de Deus pela nossa vida se faz presente através das Escrituras nos transes dolorosos que sobrevêm durante a nossa caminhada neste mundo. Somente pela fé venceremos.
Quando lemos o livro de Hebreus, especialmente o capítulo 11 - A Galeria da Fé - descobrimos o valor que devemos ter ao crermos, pela fé, que Deus existe e cuida de nós. Vejamos ainda o que diz Paulo (Rm. 4: 19-21).

CONCLUSÃO - Diante de tudo isto, entendemos porque a Bíblia fala aos nossos corações.
Tanto nas Escrituras, como na linguagem comum, a palavra "coração" significa o centro absoluto da vida, (Prov. 4: 23) - "Sobre tudo o que deves guardar, guarda o teu CORAÇÃO, porque dele precedem as fontes da vida."
Quando somos gerados, pelas misericórdias de Deus, recebemos o "dom da vida", o centro da vida física - o coração. O coração é a primeira coisa a viver, e seu primeiro movimento é sinal seguro de vida; seu silêncio, é sinal positivo de morte. A Bíblia fala aos nossos corações, porque Deus deseja que o sirvamos com o coração. Vejam alguns textos: Dt. 4: 29; 6: 5; 11: 13; 32: 46; Jz. 5: 16; I Sm. 13: 14; I Re. 3: 12; 8: 61; 15: 14; II Re. 10: 15; I Cr. 16: 10; II Cr. 11: 16; Jó 7: 9; Sl. 19:8; 22: 26; 57: 7; 69: 32; 86: 11; 105: 3; 108: 1; 111: 1; 112: 7; 119: 11; 139: 23; Pv. 14: 30; 15: 13-14; 17: 22; 20: 9; Jr. 11: 20; 24: 7; Ez. 18: 31.
Ainda hoje, a Bíblia fala aos nossos corações. Ouçamos a voz eterna de Deus.

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. De que maneira a Bíblia revela a personalidade humana?
  2. Quais as três substâncias que compõe a tri-unidade humana?
  3. Explique esta tri-unidade, segundo Schofield.
  4. Quando tomamos conhecimento de Deus, através da Bíblia, qual a nossa posição?
  5. Responda em suas palavras - o que é Fé?
APRESENTAÇÃO

Por mais de vinte e seis anos, Deus tem me usado na evangelização das pessoas. Nos pastorados que exerci, sempre dirigi classe de novas crentes, ou catecúmenos, como chamam alguns. Foram tantas as experiências que Deus me inspirou a escrever algo que pudesse ajudar nossa Igreja.
Agora, depois de algum tempo, escrevi estas orientações, que são simples estudos, para discussão em classes da EBD, ou cursos de Obreiros.
São lições simples na área de Bibliologia. O que queremos, na verdade, é que haja um conhecimento preliminar, por parte da Igreja, daquilo que a Bíblia representa e como chegou até nós.
O meu desejo é que muitas vidas sejam edificadas através destas, para a honra e glória de nosso Deus, aquele que nos deu a Bíblia.
Sinceramente em Cristo.

Pr. Moisés Dias da Silva.

DEDICATÓRIA

A minha Igreja, que me incentivou a escrever estas lições.
A minha esposa, Dolores, pelo apoio que tem me dado, para discipular as pessoas.
A minha filha, Virgínia, ao meu genro, Edvaldo, aos netos: Christiane, Moisés e Thiago, futuros obreiros do Senhor.
A todos que tenho o privilégio de ensinar a Palavra de Deus.
TEMÁRIO

  1. A Bíblia - Seu estudo e análise.
  2. As Atitudes em relação à Bíblia.
  3. As maravilhas da Bíblia.
  4. A Revelação Bíblica.
  5. A Inspiração Bíblica.
  6. Iluminação e Interpretação Bíblica.
  7. Como nos veio a Bíblia.
  8. Os livros Apócrifos (I e II).
  9. A Bíblia na Comunidade Cristã (Igreja).
  10. A Bíblia fala ainda hoje.
  11. A Bíblia fala do Messias.
  12. A Bíblia fala de Deus.
  13. A Bíblia fala ao nosso coração.

 Lição 1 - Tema: A BÍBLIA, SEU ESTUDO E ANÁLISE
Texto Básico: II Tm. 3:16
Texto Devocional: Mt. 22:29
Versículo Chave: Jo. 5:39 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim."
INTRODUÇÃO - A Bíblia é um livro maravilhoso. Muitos de nós esquecemos as suas riquezas e o mundo de bênçãos a qual trouxe às nossas vidas.
O mundo antigo ficou, aproximadamente, dois mil e quinhentos anos sem a Bíblia. Houve uma época em que o Senhor Deus não se revelou através das Escrituras. Quando, em sua infinita bondade, Deus queria se revelar aos homens, fazia-o em ocasiões especiais.
Finalmente, Ele nos deu a Bíblia, livro interessante, com assuntos de muita importância para a humanidade. Nela encontramos estabelecidos os princípios soberanos da vontade do Criador para com a criatura. Quando lemos a Bíblia. Sentimos o toque do Espírito Santo em nosso espírito. A Bíblia é um livro de história causando grande admiração. Nossa tarefa inspiradora é estudar este Livro Sagrado com santidade e espírito de reverência para com Deus que limita nossos destinos.
I - TERMINOLOGIA - OS TÍTULOS BÍBLICOS
1. A Bíblia: O significado desta palavra vem do grego (BIBLION), que quer dizer "rolo" ou "livro" (Lc. 4:17), e fala da unidade que há nela, pois é um "livro composto de 66 livros". A palavra grega "Biblion", aparece em Mc. 12:26, e no 2º século as Escrituras já eram conhecidas como "os livros" ou "a Bíblia".
2. Escrituras: Termo usado no Novo Testamento para se referir aos livros sagrados do Antigo Testamento (Mt. 21:42; 22:29; Rm. 1:2). Também no NT. Com referência a outras porções do Antigo Testamento (II Pe. 3:16). É um termo originário do latim - "escribo" - que quer dizer, aquilo que foi escrito. A palavra Escritura esta citada em Mc. 12:40, Lc. 4:21; e Escrituras em Mt. 22:29 e Mc. 12:24.
3. Testamento: O termo testamento vem de uma palavra latim - "Testamentum" - que é correspondente do grego "Diateke", que significa aliança, pacto, testamento, vontade, conserto e contrato. Aparece em Jr. 31:31 a 34; Lc. 22:20; II Co. 3:6 e 14; Hb. 7:22. Antigo e Novo Testamento, referindo-se à Bíblia, só começam a ser usados do segundo século para cá.
4. Palavra de Deus: Este termo é usado para ambos os Testamento em toda sua forma escrita (Mt. 15:06; Jo. 10:35; Hb. 4:12; Lc. 41:28; Mc. 14:13).
5. Outros Nomes: a) As Sagradas Escrituras; b) As Sagradas Letras; (II Tm. 3: 13-16).

II - OS SÍMBOLOS - REPRESENTAM O PODER E O VALOR DA BÍBLIA.
  1. Espelho - Poder revelador (Tg. 1:23-25).
  2. Semente - Poder gerador (Tg. 1:18; I Pe. 1:23; Lc. 8:11).
  3. Água - Poder purificador (Ef. 5:25-27; Sl 119:05, 11; Jr. 15:03: 17:17).
  4. Lâmpada - Poder iluminador (Sl. 119:105; II Pe. 1:19; Pv. 6:23; 4:18).
  5. Espada e Martelo - Poder capacitador - É ela que nos capacita para o trabalho e a luta da vida (Jr 23:29; Lc. 14:25-33).
  6. Ouro e Vestimenta - Poder que enriquece e ornamenta (Sl. 19:10; Ap. 3:17)
  7. Leite, Carne, Pão e Mel - Poder alimentador e nutritivo (Jr. 15:16; I Pe. 2:2; I Co. 3:1-2; Mt. 4:4; Jo. 6:35, 51; Hb. 5:12-14; Sl. 19:10).
III - DE QUE TRATA A BÍBLIA?
A Bíblia sobrepuja todos os demais livros quanto a sua autoridade, literatura e popularidade, muito especialmente pelo fato de revelar a verdade concernente a Deus, Sua Justiça, Seu Amor, como também o pecado do homem e sua salvação.
A Bíblia tem cerca de 40 autores, mas na verdade, acima deles, há um só autor: Deus. Na Bíblia Ele revela Seu caráter, Seu querer, Seus atributos, Suas promessas, e sobretudo o caminho da reconciliação do homem com Ele mesmo.
A Bíblia, em resumo, fala de Jesus Cristo, revelação encarnada de Deus (Cl. 1:15; Hb. 1:2).
O centro do Antigo Testamento é a história de Israel, o centro do Novo Testamento é a Igreja. Em tudo isto, onde está Cristo? Ele aparece prometido e profetizado na história de Israel (Nm. 21:6-9; Êx. 12; Is. 7:14 e 9:06) Nos Evangelhos Ele está vivo, e na Igreja (Epístolas do NT.) Ele está sendo ensinado, vivido e aplicado.
CONCLUSÃO - Em resumo, a autoridade da Bíblia fica provado por:
  1. Seus nomes divinos;
  2. O uso que Jesus fez do Antigo Testamento;
  3. O uso que fizeram dela os apóstolos;
  4. O uso que faz dela o Espírito Santo, falando aos homens ensinando-lhes e preparando-lhes para aceitar a mensagem de salvação;
  5. Sua autoridade para os dias atuais. 
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
1. Os nomes da Bíblia testificam de sua autoridade divina?
2. Cite pelo menos quatro nomes divinos da Bíblia.
3. Os símbolos da Bíblia representam o que para nós?
4. Cite pelo menos três símbolos que mais lhe chama atenção.
5. Qual o autor da Bíblia de maior importância para você?
Lição 2. Tema: AS ATITUDES EM RELAÇÃO A BÍBLIA.
Texto Básico: II Pe. 1: 21
Texto Devocional: Jo. 7: 17
Versículo Chave: "Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e luz para os meu caminho." (Sl. 119: 105)
INTRODUÇÃO - Continuamos nosso estudo sobre este eterno livro - A Palavra de Deus - a Bíblia Sagrada. Ainda que seja considerada apenas uma obra literária, é o mais notável livro que a humanidade tem visto. Ela contém uma série de acontecimentos do mais vivo interesse. Muitos sábios, muitos estudiosos da Teologia (ciência que estuda Deus) tem testemunhado o poder majestoso das Escrituras como instrumento de luz e santidade. A Bíblia é um livro que foi elaborado por homens que "falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (II Pe. 1: 21). Ela revela "o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou." (Jo. 17: 03).
Diante de toda esta certeza de que a Bíblia não somente é, mais contém a Palavra de Deus, encontramos estudiosos que refutam, dentro da sua "sabedoria", o poder e a autoridade da Bíblia. Mas não há como negar. A Bíblia é Deus falando aos homens. Para nosso conhecimento e análise, vejamos algumas atitudes em relação à Bíblia.

I. O QUE PENSA O RACIONALISMO SOBRE A BÍBLIA
a) O que é Racionalismo? É a doutrina que professa a capacidade de a razão humana conhecer e estabelecer a verdade.
1. Qual o pensamento do Racionalismo em relação à Bíblia? Em toda sua forma extra, o racionalismo nega a possibilidade de qualquer revelação sobrenatural da Bíblia Sagrada. Por outro lado, em sua forma moderna, o racionalismo admite a possibilidade de revelação divina. No entanto, para esse pensador moderno, a revelação fica sujeita ao julgamento final da razão humana. A aplicação dessas atitudes caem no vazio, quando nos deparamos com a própria Palavra de Deus, que diz: "Toda Escritura é divinamente inspirada por Deus..." (II Tm. 3: 16); e continua falando e nos ensinando dizendo: "porque nunca jamais, qualquer profecia foi dada por vontade de homens..." (II Pe. 1: 21).
  1. O QUE PENSA O ROMANISMO SOBRE A BÍBLIA
Sustenta o romanismo (tradicionalismo católico), que é a Igreja Romana e não a Bíblia, a autoridade final em matéria do estudo de Deus (Teologia). Esta é uma teoria de uma Igreja inspirada na pessoa de seus chefes, concílios, bispos, papas, e que não pode desviar-se dessa verdade, recebendo, de quando em vez, novas revelações de Deus para o mundo. Diante disto, escreve um certo Padre, chamado Rohden, o seguinte: "Além das Sagradas Escrituras existe a tradição apostólica como fonte de revelação divina, fontes que merecem a mesma fé e o mesmo respeito que aquela", ou seja, a Bíblia.
Vejamos ainda algumas afirmações da Igreja Romana sobre a autoridade de Bíblia.
  1. Cristo e os apóstolos ensinaram oralmente muitas coisas não foram preservadas na Bíblia. Estes ensinos foram guardados por uma igreja inspirada, e constituem regra de fé de tanta força quanto as Escrituras;
  2. A Igreja é a única mestra e intérprete infalível da Bíblia. Havendo conflito entre a Bíblia e os ensinos da Igreja, quem sofre é a Palavra de Deus;
  3. A mensagem da Igreja está na esfera de fé e moralidade, e não de ciência ou história. As suas opiniões não estão sujeitas à correção ou mudança ou crítica. Sabemos porém, que é um erro da Igreja tomar o lugar de autoridade final, reservado tão somente à Bíblia. (Jo 17: 03).
  1. O QUE PENSA O MISTICISMO SOBRE A BÍBLIA
a) O que é Misticismo? (Místico) - É todo aquele que procura pela contemplação espiritual atingir um estado estático de união direta e experimental com a divindade.
  1. O Cristianismo não deixa de ser uma forma de misticismo. Compreende-se por isso a iluminação do Espírito Santo na mente de todos os homens, no sentido de capacitá-los e compreender a revelação que Deus lhes fez (Jo. 16: 13, II Co. 2: 10).
  2. O Misticismo falso ou filosófico, sustenta que a revelação divina não se limita a Bíblia, e que Deus concede as almas devotas verdades adicionais mediante luz interior. Isso é absoluto e tem a mesma autoridade da Bíblia. Esta doutrina difere do racionalismo, porque faz dos sentimentos, e não da razão, o centro e critério das verdades divina.
  1. O QUE PENSAM AS SEITAS SOBRE A BÍBLIA
a) O que é Seita? - A palavra grega que aparece na Bíblia é HÁIRESIS, ou seja, heresia. No seu sentido original significa escola ou modo de pensar e de viver que é seguido por pessoas. O sentido original não é pejorativo, visto que o próprio cristianismo foi denominado de seita no Novo Testamento (At. 26: 05). O termo aparece seis vezes no livro de Atos (5: 17; 15:05; 24:05; 24: 14; 26: 05; 28: 22), uma vez em (I Co. 11: 19), uma vez em (Gl. 5: 20) e uma vez em (II Pe. 2: 01).
(1) Os seguidores das seitas revelam que, tanto a Bíblia quanto os escritos do líder ou fundador, tem a mesma autoridade. Não é verdade!
 CONCLUSÃO - Diante de tudo isto podemos concluir que a Bíblia é:
  1. A Palavra de Deus infalível, em todo seu conteúdo original;
  2. É a única regra de fé e prática;
  3. Não há razão nem conhecimento humano que possam sobrepujar a Palavra de Deus - a Bíblia Sagrada;
  4. Não há outra luz que tenha iluminada os escritores da Bíblia, só o Espírito Santo de Deus;
  5. Nenhuma autoridade foi concedida a Igreja ou aos homens, relativo a formação das verdade bíblicas.
Portanto, o homem na limitação da sua mente e na pobreza da sua linguagem (Rm. 11: 33-36), não poderia, por si próprio, criar tantas mensagens e ensinamentos que a Bíblia nos revela.
A Bíblia é a Palavra de Deus para os homens. É a revelação da sua vontade, seu querer, suas qualidade e tem como objetivo principal a restauração dos homens com Ele mesmo.
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. O Racionalismo admite a possibilidade da revelação divina (na sua forma moderada). Confronte com a Bíblia esta declaração.
  2. O romanismo diz que a única mestra e intérprete da Bíblia é a Igreja. O que diz a Bíblia em II Pe. 1: 21?
  3. A Bíblia e os escritos dos líderes e fundadores das seitas tem a mesma autoridade. Como podemos combater esta heresia? (II Tm. 3: 14-17; Hb. 4: 12).
















Lição 3 - Tema: AS MARAVILHAS DA BÍBLIA
Texto Básico: Êx. 24: 04 e 07
Texto Bíblico: Dt. 31: 22-26 e Js. 1: 08
Versículo Chave: "Assim fala o Senhor, Deus de Israel: Escreve num livro todas as palavras que eu disse." (Jr. 30: 02)
INTRODUÇÃO - O estudo da Bíblia Sagrada, requer de nós, uma enorme concentração nas coisas de Deus. Já sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que sem ela não teríamos os ensinamentos necessários para nosso viver diário. É justamente para satisfazer nossa curiosidade que a Bíblia nos apresenta suas maravilhas. Deus em sua infinita bondade nos proporciona o privilégio de conhecer de perto essas maravilhas.
O Senhor Jesus Cristo nos ensinou que a Palavra de Deus havia chegado aos homens, e que as Escrituras não podem falhar (Jo. 10: 35).
Nesta lição vamos estudar a formação da Bíblia, sua unidade e influência em nossas vidas. O motivo principal porque estudamos detalhadamente a Bíblia, está no fato de ser a revelação especial e autoridade de Deus aos homens.
Sem dúvida, Deus quer fazer de nós profundos conhecedores da Sua Palavra. Conhecer a Bíblia é privilégio de todo crente em Jesus.
 I. A FORMAÇÃO DA BÍBLIA
Todo livro tem seu início, sua história, sua composição. A Palavra de Deus como tal (Bíblia) tem a sua história e formação que chamamos de CÂNON.
Cânon é uma palavra grega que significa regra, vara de medir, ou cana. No sentido aplicado, para formação da Bíblia, Cânon refere-se aos livros que conformam com as regras ou padrões da inspiração e autoridade divina. Esta palavra (Cânon) encontra-se em Gl. 6: 16.
A Bíblia foi escrita durante um período de 1600 anos (1500 a.C. - 95 a.D). Ela contém 66 livros escritos por cerca de 40 autores. Cada um desses autores teve seu estilo, sua cultura e suas características peculiares. É bom salientar que esses autores foram inspirados por Deus. Não fizeram psicografia (escrita de um espírito pela mão do médium). No início Deus não precisou da palavra escrita. (Gn. 3: 8-9; Rm. 2: 14-15; Sl. 19: 1-4 e Rm. 1: 19-20).
1. O Material usado para escrever a Bíblia - (a) Para escrever, no início, Moisés e os profetas usaram: cerâmica, pedra, argila, papiro (uma espécie de cana). Isso aconteceu até o 3º século a.D. Usaram ainda: pergaminho, feito de pele de animais (cabras, ovelhas e outros). (b) Foram usados várias espécies de instrumentos para escrever a Bíblia: O cinzel de ferro, para entalhar pedras e cerâmica; Estilete para argila e cera e a Pena (cana com ponta feita de junco) para o pergaminho e papiro. A pena de ave só foi usada depois do 3º século. (c) A tinta usada para escrever, na época inicial d formação bíblica, era uma espécie de mistura de carvão, goma e água. (d) Não havia livros, como tal, na época. A forma era feita em rolos. Colocavam-se as folhas de papiro lado a lado e enrolavam-se em torno de um pau. Em média os rolos tinham o comprimento de 12 metros, mas havia alguns que mediam até 48 metros. Eram escritos de um lado só.
A língua em que foi escrita o Antigo Testamento é o Hebraico, língua do povo de Israel no tempo da independência (antes do cativeiro). O Aramaico, outra língua, era falado pelos povos da Mesopotânea e aparece em alguns trechos do Antigo Testamento: Esdras 4: 08; 6: 18 e 7:12-26; Jeremias 10: 11; Daniel 2: 04 e 7: 28.
O Grego é a língua em que foi escrito o Novo Testamento. O grego do Novo Testamento, foi usado no império romano como a língua comum do mundo civilizado. O termo usado hoje em dia pelo gramáticos, para descrever esta língua é KOINÉ, que significa "COMUM"
  1. A UNIDADE DA BÍBLIA
1. Antigo Testamento - A unidade da Bíblia é algo extraordinário. Não se iguala aos outros livros, pois a sua composição tem os segredos divino da inspiração de Deus aos homens. Os autores sagrados receberam de Deus as revelações e as comunicaram verbalmente, registrando de forma escrita as mensagens para posteridade. (Êx. 17: 14; 24: 04-07; 34: 27-28; Nm. 33: 02; Dt. 31: 22-24; Js. 01:08; I Re. 04: 01-03; I Cr. 29: 29; Is. 30: 08; Jr. 30:02; 36:02-04 e At. 07: 38.)
É necessário que o estudante da Bíblia tenha uma atenção especial para um melhor entendimento da unidade bíblica.
Os primeiros livros reconhecidos como sagrados foram os que compõem a Lei (Ne. 08:01; Sl. 119). Isto aconteceu muito cedo (Js. 01: 07-08).
O segundo grupo de livros foram as Profecias. Elas provaram ser divinas pelo seu fiel cumprimento. Foram consideradas inspiradas e canonizadas (Jr. 36: 06; Zc. 01: 04-06; 07: 07; Dt. 09: 01).
O terceiro grupo de livros aceitos como sagrados foram Escritos (Lc. 24:44).
No livro de Êxodo, capítulo 17 versículo 14, encontramos o registro que Moisés foi o primeiro autor sagrado a receber ordens do Senhor Deus para escrever.
O Antigo Testamento com 39 livros, está distribuído da seguinte maneira:
  1. A Lei: Gênesis, Êxodo, Levitico, Números, Deuteronômio;
  2. Históricos: Josué, Juizes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester;
  3. Poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares;
  4. Proféticos: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Malaquias.
2. Novo Testamento - Joseph Angus, historiador bíblico, nos diz que "primeiramente apareceu os livros isolados em diferentes localidades. Eles foram guardados cuidadosamente pelas Igrejas quando eram de origem apostólica (relativo aos apóstolos), sendo lidos provavelmente com outros livros nas assembléias cristãs". (II Co. 1: 13; I Ts. 5: 27; II Ts. 2: 15; 3: 6-14; Cl. 4: 16).
Os primeiros livros a fazerem parte do Cânon do Novo Testamento foram, provavelmente as Epístolas (Ef. 2:20 e At. 2: 42).
O Novo Testamento com 27 livros, está distribuído da seguinte maneira:
  1. Os Evangelhos ou Biográficos: Mateus, Marcos, Lucas e João;
  2. Livro Histórico: Atos dos Apóstolos;
  3. Cartas Paulinas: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemom;
  4. Cartas Gerais: Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I, II e III João, Judas;
  5. Livro Profético: Apocalipse.
Descobrimos diante de tudo isto que um estudo profundo deste livro maravilhoso chamado Bíblia é de fundamental importância para os alunos da Escola Dominical.
CONCLUSÃO - Concluímos que, a Bíblia, este livro maravilhoso, possui princípio, meio e fim. Ele vai, no dizer do historiador, do Éden (Gn. 02: 08-09) - ao Éden (Ap. 22: 01-02).
A Bíblia é acima de tudo, um livro de vida e esperança. Trata de assuntos interessantes como a criação do mundo, do homem e a redenção desse homem. Todo conteúdo na Bíblia apresentado pode-se resumir da seguinte maneira: ISRAEL - CRISTO - IGREJA.
Muitas coisas Deus falou e fez, mas não mandou escrever. Por exemplo: não temos os livros de Abraão, José, Noé, Jacó, etc., mas o que Ele determinou que fosse escrito assim o fez porque tinha propósitos. (Jo. 20: 31 e 21: 25)
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. O que significa a palavra Cânon?
  2. Cite o nome de três materiais em que foi escrito a Bíblia?
  3. Dê o nome de dois instrumentos que serviram para escrever a Bíblia.
  4. Qual o terceiro grupo de livros sagrados?
  5. Quais foram os primeiros livros a fazerem parte do Cânon do NT?





 Lição 4 - Tema: A REVELAÇÃO BÍBLICA
Texto Básico: Lc. 10: 21; Mt. 11: 25.
Texto Bíblico: I Co. 2: 20
Versículo Chave: "O Espírito do Senhor falou por mim, e a Sua Palavra esteve na minha boca." (II Sm. 23: 02)
INTRODUÇÃO - Para nós, os crentes, que professamos a fé em Jesus Cristo, a Bíblia é, sem sombras de dúvidas a eterna, sublime e autêntica Palavra de Deus. Na Bíblia está o alicerce da nossa fé. Não podemos crer de outra maneira. Ela é o único livro em que podemos confiar. Nela está toda verdade e essência do Deus vivo. Ele no-la revelou, pelo Seu eterno propósito aos homens. Diante da Bíblia nos encontramos com um Deus misterioso, além da nossa capacidade de compreensão. O profeta Isaías, homem de grande discernimento espiritual, descreve Deus assim: "Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, ó Deus de Israel."(Is. 45: 15).
Portanto, o que encontramos na Bíblia é algo extraordinário. Mesmo na fragilidade humana, Deus busca no homem o propósito de se revelar ao próprio homem. No Novo Testamento, Paulo, o servo do Senhor, fala desse Deus misterioso e do "mistério agora revelado" (Cl. 1: 26) por esse Deus.
  1. DEFININDO A PALAVRA REVELAÇÃO
1. O que é Revelação? - Vem de uma palavra grega APOCALIPSIS, que significa (Apocalipse), o ato de descobrir. Portanto, no sentido mais teológico da palavra, revelação é o ato sobrenatural pelo qual Deus comunica aos homens, oralmente ou por escrito, as suas verdades. A ação de descobrir a verdade e a própria verdade descoberta são semelhantemente chamadas revelação (Ef. 03: 03; I Co. 14: 06). Essa idéia da comunicação sobrenatural de Deus é trazida à nossa memória por várias passagens, falando-nos dos mistérios encobertos de Deus, revelados agora através de Cristo Jesus (Rm. 16: 25; Ef. 03: 09; Cl. 01: 26).
Josefh Angus, historiador bíblico, nos diz, que se quisermos definir mais precisamente o que é Revelação, basta dizer o seguinte: "Revelação é a manifestação sobrenatural de Deus na história da humanidade dum modo eterno para um fim especial."
A revelação é a essência da operação especial de Deus, pela qual se manifesta aos homens através da sua vontade e da sua verdade. (Hb. 01: 01-03)
  1. PROVAS DA REVELAÇÃO DIVINA
É razoável crer na existência de uma revelação divina, Essa revelação existe por causa da existência de um Deus pessoal, onipotente, onisciente e onipresente. Admitindo o fato da sabedoria e graça de Deus, é lógico esperar d’Ele um comunicação com o homem, feito sua imagem e semelhança, e do qual Ele é criador e governador.
Deus é um ser incompreensível. O homem não o pode conhecer a sua verdadeira natureza. Só na proporção que Ele se revela, pode o homem conhecê-lo.
  1. As provas de haver uma revelação divina:
(a) Pelos Milagres acontecidos: Definição de Milagres - é um evento patente aos nossos sentidos, produzido com um santo propósito, pela imediata vontade soberana de Deus - As leis normais da natureza são incapazes de explicar tal fenômeno.
O valor dos milagres é evidente na revelação. (1) Os milagres acompanham e atestam naturalmente as novas comunicações de Deus. As grandes épocas de milagres foram contemporâneas de épocas de revelação. Exemplo disso é a época de Moisés. (Êx. 3, sobre a Sarça Ardente; Êx 4, quando Moisés recebe poder para fazer prodígios; Êx. 14, a passagem pelo Mar Vermelho; Êx. 15, quando as águas amargas tornaram-se doces, etc.) (2) Geralmente os milagres comprovam a verdade da doutrina bíblica. Dão certeza da comissão, autoridade e caráter do mensageiro de Deus (Êx. 4: 02-05). A autoridade de Jesus Cristo como Mestre e Senhor de verdades sobrenaturais depende de seus milagres e de sua ressurreição. Notem-se os seus ensinamentos quanto aos seus milagres: Mt. 11: 21-22; Jo. 5: 36; 10: 25-27; 15: 24.
(b) Pela natureza (Rm. 1: 18-21; Sl. 19). Imagine que conhecimento de Deus tinha Adão no jardim do Éden, quando andou em comunhão imediata com Deus (Gn. 3: 18-19; cf. Rm. 8: 19-21). A vastidão da natureza mostra a sua imensidade. A uniformidade da natureza prova a Sua unidade. A regularidade da natureza mostra a Sua imutabilidade. A variedade da natureza mostra a Sua inesgotabilidade. As adaptações da natureza revelam a Sua sabedoria. A felicidade da natureza revela a Sua bondade.
(c) Pela providência e preservação do universo (Rm. 8: 28; At. 14: 15-17; Cl. 1: 17). Os objetos da providência divina são: O Universo - Sl. 103: 19; 104: 14; Mt. 5: 45.- os Irracionais - Sl. 104: 24-28; Mt. 6: 26 - as Nações - Jo. 12: 23; At. 17: 06 - o Homem, seu nascimento e posição na vida - Sl. 139: 15 - os Justos - Sl. 4: 08; 121: 03 - suprir as necessidades do Seu povo - Dt. 08: 03; Fl. 4: 19 - castigo aos ímpios - Sl. 7: 12-13; 11:06. Os elementos da Providência são: (1) Preservação divina: É o trabalho de Deus pelo qual Ele sustém todas as coisas. Deus é independente e soberano, o homem depende d’Ele (Ne. 9: 06; At. 17: 28; Cl. 1: 16-17; Hb. 1: 3-10). (2) Concorrência ou atividade divina: é a forma pela qual Deus coopera com todas as suas criaturas, levando-as a agir com precisão (Gn. 45: 05; 50: 20; Êx. 14: 17; Is. 66:4; Rm. 02: 04). Ele faz reverter o mal em bem (Gn. 50: 20; Sl. 76: 10). (3) Governo divino: é a atividade contínua de Deus, pela qual Ele domina todas as coisas, para que cumpram o propósito de sua existência. Este governo é universal; (Sl. 103: 19; Dn. 4: 34-35) compreendendo também as particularidades, Mt. 10: 29-31, nada pode escapar ao seu governo.
(d) Deus se revela na Encarnação (Hb. 1: 01-03). A Escritura é abundante em falar dessa Encarnação. Como a palavra é a expressão do pensamento, assim Cristo é a expressão do propósito de Deus. Ele é o Verbo de Deus. Ele é a Palavra Viva, como a Bíblia é a Palavra escrita. (Jo. 01: 01-08; I Tm. 3: 16; Mt. 1: 27; Jo. 14: 09-10).
(e) Deus se revela através da Escritura. A revelação escrita é muito mais satisfatória do que a revelação oral. A escrita é mais permanente e mais difícil de ser pervertida. A Bíblia é a parte específica e essencial de toda revelação divina.
A revelação divina é: variada quanto aos temas - doutrinário, devocional, histórico, profético e prático; é parcial, Dt. 29: 29; é completa, quanto ao que foi revelada; é progressiva, Mc. 4: 28. Por progressiva entende-se que cada livro da Bíblia relaciona-se com os livros anteriores e desenvolvem as verdades destes; é redentiva, no seu propósito, II Tm. 3: 15; I Jo. 5: 9-12; é final, Ap. 22: 18-19; Ju. 3; é correta, II Tm. 3: 16.
CONCLUSÃO - Já sabemos que os homens, através dos quais a revelação foi feita são homens especiais, não por suas próprias virtudes, mas, porque são homens santos de Deus, isto é, homens que debaixo da graça de Deus tornaram-se capazes de ser portadores da revelação divina. (II Pe. 1:21).
O que temos na Bíblia é a mensagem do Deus Onipotente que deseja ser conhecido pelo homem, usando para isso a instrumentalidade de homens por Ele mesmo habilitados. (I Co. 2: 9-16).
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Por que o homem, por seu próprio raciocínio, não pode chegar a uma compreensão satisfatória de Deus, sem uma revelação divina?
  2. Cite as provas da revelação divina.
  3. Na revelação através das Escrituras, ela é divina por que?
  4. O valor dos milagres é evidente na revelação. Por que?














Lição 5 - Tema: A INSPIRAÇÃO BÍBLICA
Texto Básico: Jr. 36: 1-2 e 27-32.
Texto Bíblico: Êx. 4: 12-15.
Versículo Chave: "Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça..." (II Tm. 3: 16).
INTRODUÇÃO - Já sabemos, que o motivo supremo e eterno da Bíblia é a revelação de Jesus Cristo - Deus encarnado - como Salvador e Senhor da humanidade.
A autenticidade e valor das Escrituras leva-nos a crer no método divino, usado por Deus, para comunicar suas verdades. "As Escrituras podem, em resumo, ser definidas como a descrição feita por escritores inspirados de uma revelação, ou melhor, de uma série de revelações de Deus ao homem."(Josefh Angus).
Estudaremos, portanto, nesta lição, a Doutrina da Inspiração Bíblica.
O Apóstolo São Paulo ensina que o Espírito Santo supervisionou a obra de tal maneira que o que foi escrito é a Palavra de Deus, porque Deus quis assim. Ele mesmo, Paulo, escrevendo a Timóteo no capítulo 3, versículo 16, ensina que a Palavra Sagrada é "soprada" por Deus, isto é, as Escrituras são produzidas pelo próprio alento divino, como se Ele estivesse falando com Sua boca. Este é o valor que reveste de autoridade a Palavra de Deus. Vejamos, agora, o ensino desta importante doutrina.
I - A DOUTRINA DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA
Antes mesmo de entrar nos detalhes minuciosos da doutrina da inspiração, precisamos defini-la para melhor compreensão.
(1) Definição da Inspiração - Quanto ao que seja inspiração, há diversidade de opiniões. Isso nos leva a tratar o assunto pelo lado negativo, dizendo o que não é, e pelo positivo, definindo inspiração.
  1. Inspiração não é revelação. Já sabemos que esta é o ato sobrenatural, pelo qual Deus descobre a mente dos homens, coisas e aspectos que de outro modo eles não saberiam. Inspiração inclui a idéia de transmissão das verdades reveladas a outras pessoas. Por exemplo: Deus revelou a Abraão verdades que mais tarde foram escritas por Moisés, inspirado por Deus para isso. Portanto, Abraão recebeu de Deus a revelação; Moisés, recebeu a inspiração.
  2. Inspiração não é iluminação. A iluminação é o ato sobrenatural que habilita o homem salvo a compreender as verdades já reveladas, isto é, a Bíblia. O Salmista orou por iluminação, Sl. 119: 18, e Paulo afirma que o Espírito Santo nos foi dado "para que saibamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus: I Co. 2: 12; Jo. 16: 13.
  3. A INSPIRAÇÃO é aquela operação do Espírito Santo, na pessoa particularmente escolhida para ser o veículo dos pensamentos divinos, que garante a transmissão infalível e correta da verdade, que seja ela previamente conhecida ou não.
Diante disso, concluímos que a Revelação trata da origem do descobrimento ou comunicação da verdade; a Iluminação, da compreensão da verdade já revelada, e a Inspiração, da transmissão fiel da verdade. O Apóstolo Paulo, em I Co. 2: 9-13, nos mostra as três idéias: no verso 10 (REVELAÇÃO), no verso 12 (ILUMINAÇÃO), no verso 13 (INSPIRAÇÃO). Concluímos ainda, que elas podem operar juntas ou separadamente. Vejamos alguns exemplos na Bíblia:
  1. Inspiração sem Revelação: Lc. 1: 1-4 e Atos
  2. Inspiração com Revelação: Ap. 1: 1-11.
  3. Inspiração e Revelação sem Iluminação - os profetas: II Pe. 1: 21 e I Pe. 1: 11.
  4. Inspiração e Iluminação: I Co. 2: 12
  5. Revelação sem Inspiração: Êx. 20: 1-22; Ap. 10: 3-4.
  6. Iluminação sem Inspiração - os pregadores modernos: Ef. 2: 20.
II - A NATUREZA DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA
Sabemos que na Inspiração, como em toda obra do Espírito Santo há um elemento profundamente misterioso, o que, aliás, é razoável, pois no outro modo não seria ela o trabalho do Espírito. O Espírito Santo é mistério.
Surgiram algumas teorias que tentaram explicar a dupla autoria das Escrituras, isto é, o modo pelo qual o Espírito Santo trabalhou nos escritores humanos.
1. A teoria da inspiração natural ou dinâmica. Esta defende que a inspiração não é senão um desenvolvimento mais alto da compreensão da verdade, compreensão essa que todos os homens possuem em maior ou menor grau. Ex: Músicos, poetas, escritores de livros religiosos, artistas excepcionais. Segundo esta teoria, os escritores da Bíblia não eram mais do que seres humanos, iguais a Camões, Maomé, etc.
Esta é a teoria mais inferior da inspiração. Enfatiza somente o lado humano, deixando de lado o divino. Se essa fosse a inspiração da Bíblia, seria ela sujeita aos erros humanos. Sem iluminação vinda de fora, o homem erra e leva outros ao erro (I Co 2: 10-11; Nu. 12: 6-8).
2. A teoria da inspiração mecânica ou ditada. Esta teoria sustenta que o Espírito Santo apodera-se das mentes e dos corpos dos escritores da Bíblia, de tal forma que eles se tornaram meros instrumentos passivos, simples escritores, que escreveram tudo o que Ele ditou.
Esta teoria também pode ser refutada, pois não há semelhança entre o estilo de um escritor e outro; há diversidade de interesses; há peculiaridades pessoais; e há distinção entre um autor e outro. (II Pe. 3: 15-16; Rm. 9:1-3; Mt. 27: 37; Mc. 15: 26; Lc. 23: 38).
O Espírito Santo é quem estimula a mente e dirige o homem. Ditar não é inspirar. O homem que dita para um estenografo não o inspira.

III - O ENSINO BÍBLICO QUANTO À INSPIRAÇÃO
A inspiração verbal-plenária é o ensino da Bíblia, e por conseguinte, devemos crer nela.
Entendemos por VERBAL, que as palavras das Sagradas Escrituras foram dadas pelo Espírito Santo aos seus escritores. Mas o Senhor preservou o autor humano, respeitou suas características de estilo e vocabulário.
Entendemos por PLENÁRIA, que a Escritura é plena e igualmente inspiradas em todas as suas partes. É infalível quanto à verdade e final quanto a sua autoridade divina. É a Palavra de Deus. Não só contém, mas é a Palavra de Deus. Isso refuta a idéia de que a Bíblia seja inspirada apenas por parte.
Devemos acrescentar, para melhor compreensão, que esta inefabilidade verbal só se aplica aos manuscritos originais. Não se aplica as múltiplas versões.
O ensino acerca da inspiração, como das demais doutrinas da Bíblia (Justificação, Salvação, Trindade, etc.), é produto da revelação divina. Cabe a nós aceitar, apenas, esse testemunho como ele é dado.
Para provarmos, através da Bíblia, essa inspiração verbal-plenária citamos os seguintes textos: II Tm. 3: 16 e II Pe. 1: 21. Estes dois textos se completam. Um fala do lado divino; e outro do lado humano.
É importante lembrar, que o apóstolo Paulo afirmou: "Toda Escritura divinamente inspirada é também útil..." O Novo Testamento é inspirado e Jesus Cristo sabia que o Antigo Testamento era inspirado (Mt. 22: 43-44; 15:4).

CONCLUSÃO - Concluímos que a Bíblia é, sem sombras de dúvida, a Palavra de Deus. Infalível em toda sua unidade. Está provado que a Bíblia é uma revelação divina inspirada por Deus, e que ela é a autoridade absoluta. Os profetas e escritores sagrados falavam com a convicção de serem portadores absolutos da Palavra de Deus e no intuito evidente de levar aos seu ouvintes a crerem e obedecerem a Deus. As palavras de Jesus, em particular, e todo o Novo Testamento devem ser a nossa mais alta autoridade, a autoridade final. Vejamos algumas razões: Jo. 14:6; 18:37; 1: 4; 7: 16; 8: 28; 14: 10-24; 17: 08; 12: 49-50.
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. De forma resumida, explique o que é Inspiração?
  2. Quais são as três idéias que o apóstolo Paulo apresenta em I Co. 2: 9-13?
  3. Explique a teoria da inspiração natural ou dinâmica.
  4. O que é inspiração verbal?
  5. O que é inspiração plenária?


Lição 6 - Tema: ILUMINAÇÃO E INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
Texto Básico: I Co. 2: 9-16 e Hb. 10: 32.
Texto Bíblico: II Pe. 1: 20-21; II Co. 4: 06; Lc. 1: 1-4 e Ap. 1: 1-20.
Versículo Chave:. "...para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento d’Ele; sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos..." (Ef. 1: 17-18)
INTRODUÇÃO - Em cada forma de crença encontrada nas nações que povoam o nosso planeta, há sempre um livro associado a cada forma de religião. No mundo oriental encontramos o hinduísmo com o seu livro fundamental, o RIG-VEDA; para os maometanos, sua fé está compendiada no ALCORÃO. Mesmo aqui no ocidente, temos o espiritismo, o qual toma como referência as obras assinadas por Alan Kardec, tais como O LIVRO DOS ESPÍRITOS e A GÊNESIS. Os mórmons apoiam sua doutrina no LIVRO DOS MÓRMONS, ao qual atribuem valor de revelação divina.
Para nós, que professamos a fé no Senhor Jesus Cristo, a Bíblia é o Livro. A Palavra de Deus. Santa, revelada, inspirada, iluminada e interpretada pelo Espírito Santo. Nela está alicerçada a nossa eterna crença.
Na Bíblia nos encontramos perante um Deus misterioso, um Deus muito além da nossa capacidade de compreensão. "Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, ó Deus de Israel." É a exclamação de um homem de grande discernimento espiritual, tal como foi Isaías (45:15).
No estudo de hoje, estaremos nos debruçando diante de dois temas muito especiais para o estudante da Bíblia. Iluminação e interpretação.
I - ILUMINAÇÃO BÍBLICA
Sendo este um assunto complexo, basta dizer que Deus deu Seu Espírito para habitar nos salvos, afim de que possam, mediante especial iluminação e ensinamento habilitar-se a compreender a revelação divina - A Bíblia.
Como devemos esperar que o Espírito Santo exerça sua misericordiosa função de iluminar? Será que Ele opera de maneira direta de modo a fazer o homem, por uma intuição sobrenatural, entender o que diz um texto ou uma passagem?
Sua obra na iluminação é diferente. Pode ser assim apresentada: "Pela Sua presença e poder, o Espírito produz no crente um espírito de submissão espiritual e um preparação moral, afim de que as fontes de pensamento e da vontade dele sejam livres de preconceitos e se conservem em atitude receptiva de modo a atender a sugestão do autor divino. Neste caso, o Espírito Santo sincroniza o aparelho transmissor e o aparelho receptor". Faz com que o leitor possa compreender com clareza o que o escritor tinha em mente, quando escreveu o texto.
A necessidade humana de iluminação é patente:
1. Para os Judeus não-salvos (judicialmente cegos), exceto o remanescente crente. Veja: Rm. 11: 25-27; Is. 6: 9-10; Mt. 13: 14-15; Jr. 30: 18-22. Podemos acrescentar ainda, que os não-salvos têm necessidade de ser iluminados: I Co. 2: 14 e II Co. 4: 4. Satanás lançou um véu de obscuridade para que eles não cressem no Evangelho. Esse véu é removido pelo Espírito Santo (Jo. 16: 7-11; 3:3).
2. Para os crentes carnais, que apenas podem receber o leite da Palavra. Há uma necessidade: I Co. 3: 1-2; Hb. 5: 12-14; I Co. 2: 10-12.
Note-se que o Espírito Santo ilumina apenas o que já está revelado, e não adianta coisa alguma além da revelação contida na Escritura.
O Ministério do ensino é do Espírito Santo (Jo. 16: 13-15).
Sabemos, porém, que a Bíblia é a Palavra de Deus. Ela contém a Palavra de Deus, porque foi Deus a fez escrever. Neste sentido é que se diz que toda a Bíblia é a Palavra de Deus. A Bíblia, a palavra humana, é a Palavra de Deus, porque isso é real, eis tudo que podemos dizer. Trata-se de uma realidade que se impõe por si mesma, caso contrário ela não permaneceria.
A Bíblia é uma forma especial da revelação divina; não é meramente um documento que registra uma revelação histórica. (II Pe. 1: 21).

II - INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
A revelação, a inspiração e a iluminação representam o trabalho de Deus, ou seja, a Trindade unida para transmitir ao homem as coisas divinas.
A interpretação é tarefa que compete ao homem, e por isto é sujeita as limitações humanas.
A interpretação tem por finalidade descobrir a idéia que se encontrava na mente do autor quando escreveu o texto em apreço. É um estudo à parte, separadamente. Vejamos algumas regras simples de interpretação bíblica.
1. Princípios de interpretação primária - interpretar histórica e gramaticalmente; de acordo com o contexto imediato e mais amplo. Cada passagem tem muitas aplicações práticas em harmonia com toda Bíblia, comparando Escritura com Escritura. Freqüentemente a passagem tem uma revelação profética.
2. Devemos reconhecer o largo ensinamento da Bíblia, e o especial propósito para o qual Deus no-la revelou. Devemos antes de tudo procurar saber o que o Espírito nos tem a dizer. Isso é primário. Devemos também, inquirir o que o Espírito Santo quer nos ensinar, pessoalmente, através da Escritura. Devemos ainda, inquirir dele quanto à relação dessa passagem para o futuro.
3. Divisões Gerais da Bíblia - (1) A.T. a) Livros históricos - de Gênesis a Ester. b) Livros poéticos - de Jó a Cantares de Salomão. c) Livros Proféticos - de Isaías a Malaquias. (2) N.T. a) Evangelhos - de Mateus a João. b) História da Igreja - Atos dos Apóstolos. c) Epístolas - de Romanos a Judas. d) Profecia - Apocalipse.
4. Alianças Bíblicas - (1) Noética (Gn. 8: 20-22). (2) Abraâmica (Gn. 12: 1-3). (3) Mosaica (Êx. 19: 03 e 40: 38). (4) Palestiniana (Dt. 30). (5) Davídica (II Sm. 7: 5-17). (6) Nova Aliança (Jr. 31:31-34; Mt. 26: 28).
"A tarefa da interpretação é tomar a essência da revelação de Deus e dar-lhe nova expressão ou uma nova forma que seja importante ao homem moderno". (Weldon E. Viertel)
É importante dizer que o Senhor Jesus era notável intérprete das Escrituras. Foi chamado de Mestre várias vezes por seus seguidores ou opositores. Sabia aplicar bem as Escrituras do Antigo Testamento. Diante do Seu exemplo, a tarefa do pregador é saber interpretar fielmente a Bíblia. Se falhar, estará falhando em sua vocação.
A palavra interpretação procede da palavra grega hermeneuin (explicar). A hermenêutica se define como a ciência que lida com a história, os princípios, as leis e os métodos de interpretação.
CONCLUSÃO - Concluimos dizendo que tanto a Iluminação quanto à Interpretação, são coisas de Deus e dos homens. Por que? O Santo Espírito de Deus ilumina os homens, para que se habilitem a compreender as revelações divinas. A Interpretação é humana, porém depende do Espírito de Deus.
A Bíblia é, pois, a revelação e inspiração da verdadeira vida cristão; da verdade adaptada à nossa natureza decaída e cheia de culpa. O uso correto da Bíblia tem, somente, por fim prover à nossa santidade e consolação. O plano de Deus é maravilhoso em relação a revelação bíblica. O apóstolo Paulo diz que a Palavra nos foi dada "para ensinar, admoestar, corrigir e instruir em justiça." (II Tm. 3. 16).
Todo conhecimento pode ser útil, mas o que a Bíblia nos ensina é necessário e insubstituível. Creiam!
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. À luz da Bíblia, interprete Isaías 45: 15.
  2. O que quer dizer espírito de submissão e preparação moral?
  3. Quem lançou o véu de obscuridade na vida do incrédulo, e quem pode removê-lo? Cite textos bíblicos.
  4. Quem ilumina o que já está revelado? Por que?
  5. Cite algumas regras de interpretação bíblica.



Lição 7 - Tema: COMO NOS VEIO A BÍBLIA
Texto Básico: Sl. 119: 97-103.
Texto Bíblico: Sl. 119: 9-16.
Versículo Chave: "Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para o meu caminho." Sl. 119: 105
INTRODUÇÃO - Que é a Bíblia? Para muitos, mesmo crentes em Jesus Cristo, é um desses grandes volumes que figuram nas imensas bibliotecas, chegam a ser sucesso de livraria, mas de cuja a leitura nem se cogita. O crente, porém, cônscio de sua fé, considera-o um livro à parte, o Livro por excelência, diretamente ligado à revelação divina, objeto dessa mesma fé.
O crente aumenta o seu conhecimento de Deus e de Seu plano de salvação mediante um conhecimento da Bíblia. Ainda que Deus seja conhecido através de outras fontes além da Bíblia, Ele revela a Sua vontade para nós, somente à luz do registro bíblico (auto-revelação de Deus).
A Bíblia continua sendo importante para os cristãos porque: (a) explica a origem do homem e propósito da sua existência; (b) fornece orientação para a vida diária dos cristãos; (c) conduz o homem condenado ao Redentor, e o triste e sofredor, ao único Consolador que pode resolver suas necessidades.
É na Bíblia que encontramos respostas para nossas perguntas, alívio no sofrimento, alento na dor. Por isso ela é a Palavra de Deus - Criador, Salvador e Consolador.
I - A CANONIZAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO
Em primeiro lugar é importante lembrar que o processo de canonização do Antigo Testamento é tão obscuro como a origem da própria literatura. Sabemos que na época do Ministério do Senhor Jesus, os judeus reconheciam certos livros como divinamente inspirados e autorizados. Esses livros eram referidos como a Lei, os Profetas e os Escritos. O nosso propósito é trazer à luz o processo pelo qual os escritos bíblicos se tornaram oficialmente conhecidos como Palavra de Deus. Já sabemos o significado da palavra "cânon" (No uso primitivo do cristão, tomou o sentido de "regra de fé").
Canonização significa "ser oficialmente reconhecido como guia ou regra autorizada em matéria de fé ou de prática".
Sabemos que há diferença entre a canonicidade de um livro da Bíblia e sua autoridade. Um livro deve conter autoridade divina, antes de ser qualificado para canonização. O livro não recebeu autoridade porque a Igreja resolveu incluí-lo na lista sagrada, mas porque a mesma reconheceu os livros que deram evidência de conter autoridade divina em virtude de sua inspiração divina.
O processo da origem e desenvolvimento do Cânon do Antigo Testamento envolveu três passos:
  1. Revelação - a manifestação de um conhecimento do Senhor Deus e sua vontade para com o homem;
  2. Inspiração - o registro, sob a liderança do Espírito Santo de Deus, da verdade que Ele tornou conhecida na revelação;
  3. Canonização - o reconhecimento daqueles escritos que contém a divina revelação e que são divinamente inspiração.
O problema que confrontamos é quanto ao modo como os livros das Sagradas Escrituras obtiveram reconhecimento como Cânon sagrado e autorizado.
A Igreja ou seus concílios reconheceram certos livros como Palavra de Deus e, com o passar do tempo, aqueles assim reconhecidos foram colecionados para formar o que hoje chamamos Bíblia.
Para esse reconhecimento a Igreja aplicou testes. (a) Havia o teste da autoridade do escritor. Em relação ao Antigo Testamento, isso significava a autoridade do legislador, ou do profeta, ou do líder em Israel. No caso do Novo Testamento, o livro deveria ter sido escrito ou influenciado por um apóstolo para ser reconhecido. Em outras palavras, deveria ter a assinatura ou a aprovação de um apóstolo; (b) Os próprios livros deveriam dar alguma prova de seu caráter peculiar, inspirado e autorizado por Deus. O seu conteúdo deveria demonstrar-se ao leitor diferente de qualquer outro livro por comunicar a revelação de Deus; e (c) A aprovação das Igrejas quanto à natureza canônica dos livros era importante. Na verdade houve unanimidade entre as primeiras Igrejas quanto aos livros que mereciam confiança entre os inspirados. Houve também, alguns livros bíblicos que foram recusados por uma minoria.
O trabalho do Espírito Santo era, na verdade, o critério pelo qual se determinava qualquer livro ser divinamente inspirado. Sabemos que os Profetas falaram mediante a autorização de Deus, e estavam autorizados a falar em nome de Deus, pelo Espírito Santo.
II - A CANONIZAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO
Não é difícil entender, porque os Evangelhos chegaram a ser reconhecidos como autorizados, visto que eles contém relatos da vida e dos ensinos do Senhor Jesus Cristo.
Depois da morte de Jesus, durante cem anos, ou no período de cem anos, os 27 livros do Novo Testamento foram escritos e colecionados vagarosamente em um só volume. Essa coleção tornou-se reconhecida como autorizada para a fé e a vida da Igreja. Esses livros foram reconhecidos oficialmente em 397 A.D..
Esta valiosa literatura dos cristãos primitivos que expressavam sua fé e dedicação foi preservada pelas congregações em todo Império Romano.
As cartas do apóstolo Paulo figuram entre os escritos mais antigos. As Igrejas recebiam e compartilhavam uma com as outras. O objetivo dessas cartas, era circular entre as Igrejas os ensinos de Jesus (Cl. 4: 16). Na época as cartas eram muito apreciadas, daí, o apóstolo Pedro escrever: "Assim, nosso amado irmão Paulo vos escreveu de acordo com sua sabedoria, falando disto, como o faz em todas as suas cartas." (II Pe. 3: 15b-16a).
Para nossa mentalidade, o processo de canonização parece ter sido lento. Mais foi tudo extraordinário e rápido. Levando-se em consideração que à frente de tudo isso estava Deus, com Seu Espírito, revelando e inspirando santos homens para escrever Sua Palavra.
Além dos 27 livros do Novo Testamento, circulavam outros livros de grande valor dentro da Igreja primitiva. Exemplo disso citamos agora:
  1. I Clemente - Uma carta escrita pelo Pastor de Roma, representando sua Igreja, à Igreja de Corinto, 96 a. D., era grandemente considerada. Dizem que Clemente era um discípulo de Pedro. Era uma carta lida nos cultos públicos da Igreja em Corinto, no ano 170 a. D..
  2. Didache (O Ensino dos 12 Apóstolos) - Era uma coleção de preceitos morais da vida cristã, orientação para o batismo, para a Ceia do Senhor e Instrução para os Ministros. Alguns os consideravam como as Escrituras Sagradas. Foi escrito no ano 120 a. D., freqüentemente citava o Evangelho de Mateus.
  3. A Epístola de Barnabé - Este livro chegou a ser considerado como canônico por Clemente de Alexandria e Orgénes. Foi escrito, provavelmente em Alexandria no ano 130 a. D. Tem alguma relação com o livro de Hebreus.
  4. O Pastor de Hermas - Nome de um cristão de Roma a quem o apóstolo Paulo enviou saudações, conforme registro (Rm. 16: 14).
  5. O Apocalipse de Pedro - Contém duas visões; uma do céu, outra do inferno. Foi escrito por volta de 150 a. D., muito usado na Igreja Grega do Oriente e na Igreja Latina do Ocidente.
Até o século dezesseis ainda existiam dúvidas sobre quais livros do Novo Testamento deveriam ser aceitos como autoridade sólida. O mesmo princípio que orientou a formação do Cânon do Antigo Testamento, foi o mesmo que orientou a formação do Novo Testamento - a inspiração. Alguns fatores foram necessários para isso: (1) A morte dos apóstolos tornou necessária a coleção para que seus escritos pudessem ser preservados e sua autoridade reconhecida. (2) Na época da severa perseguição (302 d. C.), surgiram muitos escritores, evangelhos e epístolas falsas que reivindicavam sua aceitação como genuínas. (3) Aconteceram muitos concílios e exames feito com cuidado, oração e deliberações eles finalmente indicaram quais eram verdadeiros e quais eram falsos, e como resultado temos o Novo Testamento.
CONCLUSÃO - Como podemos ver, a história da formação da Bíblia é maravilhosa. Comparados a ela, todos os outros livros são meros fragmentos. A Bíblia é a grande voz de comando de Deus, fazendo com que os outros livros sejam apenas sussurros de homens falhos.
"A Bíblia contém a mente de Deus, o estado do homem, a ruína dos impenitentes, e a eterna felicidade dos crentes em Cristo. Sua doutrina é santa, seus preceitos obrigatórios, suas histórias verdadeiras, suas decisões imutáveis. Leia-a para ser sábio, creia nela para estar seguro, pratique-a para ser santo. Ela contém luz para dirigí-lo, alimento para sustentá-lo. E o caráter dos cristãos. Cristo é o seu assunto, nosso bem é seu propósito, e a glória de Deus é o seu fim."
Assim, a Palavra de Deus chegou até nós. Livre, desimpedida, autêntica, cheia de autoridade divina. Como uma bússola para nos guiar nos caminhos desta vida.
A cada dia, descobrimos pelos olhos da fé que a Bíblia é a eterna Palavra de Deus. Sem ela não teríamos os Seus ensinamentos.
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Cite a importância da Bíblia para os cristãos.
  2. Canonização, significa o que?
  3. Quais os três passos do desenvolvimento do Cânon do Antigo Testamento?
  4. Quais os três testes que a Igreja e os Concílios fizeram para reconhecer certos livros como a Palavra de Deus?
  5. Os 27 livros do Novo Testamento foram reconhecidos e autorizados, como livros inspirados, a partir de qual ano?
  6. Cite três outros livros, não inspirados, que circularam dentro da Igreja primitiva.


















Lição 8 - Tema: OS LIVROS APÓCRIFOS I e II
Texto Básico: Sl. 119: 33-40
Texto Bíblico: Pv. 7: 1-3 e Jo. 21: 24-25.
Versículo Chave: "E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la." (Jr. 1: 12)
INTRODUÇÃO - Já sabemos que o Cânon é uma palavra que vem do grego, e significa literalmente regra, ou medida, ou vara direita. No seu principal sentido metafórico de regra de fé, aparece a palavra Cânon no Novo Testamento no seguinte texto: "a todos quantos andarem conforme esta regra (kavwv), paz e misericórdia sobre eles". (Gl. 6: 16 e II Co. 10: 13, 15-16).
Para o estudante da Bíblia, é mister saber alguns aspectos da história desses livros que tanta polêmica tem causado no mundo teológico.
No chamado "silêncio profético" (após 400 a. C.), muitos livros históricos e proféticos circulava entre o povo judeu. Alguns eram reconhecidos como sagrados, outros eram os chamados espúrios, e uns poucos eram considerados duvidosos. Para o reconhecimento de um livro, os judeus usavam alguns critérios: (a) Está o conteúdo deste livro em conformidade com a Lei? (b) É fiel historicamente? (c) Foi escrito até o tempo do profeta Malaquias?
Diante de tudo isto, a história conta, que Deus falara até o profeta Malaquias, e depois disto viera o "silêncio profético".
Vejamos então, alguns fatos importantes dessa história:
  1. Datas importantes neste período: (a) No ano 250 a. C. surgiu o grupo dos 70 sábios judeus, na cidade egípcia de Alexandria. Traduziu o Cânon hebraico para o grego, adicionou à Lei e aos Profetas. Isto chamou-se "Septuaginta" (Versão dos Setenta). (b) No anos 90 a. D., no Concílio de Jâmnia, os judeus rejeitaram definitivamente a canonicidade dos livros Apócrifos.
  2. Neste período, claramente, são reconhecidos dois Cânones espalhados pelo mundo: o Judeu e o Grego (Septuaginta). (a) Jerônimo, fez uma tradução para o latim, chamada VULGATA LATINA, o Cânon da Septuaginta - versão universal Católico-Romana. O reformador Martinho Lutero, estudando o hebraico, ficou surpreso por não encontrar os livros Apócrifos. Diante disto, fez uma nova versão para o alemão, do Cânon judaico. (b) Em 1546, no Concílio de Trento, na contra-reforma, a Igreja Católica confirmou o Cânon da Vulgata Latina e encaixou os Apócrifos.
I - TERMINOLOGIA DOS LIVROS APÓCRIFOS
  1. O termo APÓCRIFO, é de origem grega e significa "escondidos", ou "secretos", como aplicados a assuntos que não devam ser revelados ao povo comum, mas só para alguns privilegiados judeus. Quer dizer também, livros que tratam de coisas secretas, misteriosas, ocultas, e também significa "espúrio".
  2. Os Pseudo-Epígrafos, são livros religiosos e apocalípticos, escritos com a pretensão de serem sagrados, no entanto, nem discutidos como tal o foram, sendo por todos - judeus, católicos e protestantes - rejeitados.
Os apócrifos podiam ser lidos para fins morais ou educacionais, mais não eram considerados na mesma conta dos textos autorizados.
II - A COMPOSIÇÃO DO CÂNON HEBRAICO - CATÓLICO E PROTESTANTE DO ANTIGO TESTAMENTO
É importante lembrar, que a ordem de disposição dos livros só tornou-se necessária, à medida que um cânon estabelecido substituiu os rolos, que eram isoladamente estudados.
(a) O cânon hebraico é comporto de 24 livros. Eles estão divididos em três partes: a Lei (Torah), os Profetas (Neblim) e os Escritos (Kethublim). Nesta ordem, houve uma aceitação dos livros como canônicos.
Torah: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
Neblim: Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Os doze (os nossos profetas menores).
Kethublim: Salmos, Provérbios, Jó (poesias), Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester (os cinco rolos).
Observamos ainda, que são chamados "cinco rolos" porque cada um foi escrito em um rolo separado para ser lido nas solenidades das festas judaicas. São eles: Cantares (na Páscoa), Rute (no Pentecostes), Eclesiastes (na Festa dos Tabernáculos), Ester (no Purim), e Lamentações (no aniversário da destruição de Jerusalém).
Daniel, Esdras e Neemias, Crônicas (históricos)
(b) O cânon católico aparece como parte integrante da Septuaginta.
Historicamente os livros do Antigo Testamento estão divididos em quatro grupos: Lei, História, Poesia e Profecia. Aí incluiu-se também o conteúdo canônico hebraico, denominado os Apócrifos, somando-se ao todo, 46 livros:
Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Históricos: Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester e I e II Macabeus.
Proféticos: Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruque, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
É bom lembrar que, em algumas versões antigas, Samuel e Reis são apresentados como I, II, III e IV Reis, e Esdras e Neemias como I e II Esdras.
(c) Quanto ao cânon protestante, já sabemos que o seu conteúdo é o mesmo hebraico, distribuídos em 39 diferentes. A classificação é idêntica ao cânon católico.
III - A COMPOSIÇÃO DOS CHAMADOS LIVROS APÓCRIFOS
Os apócrifos são dados a seguir na sua ordem usual: I e II Esdras, Tobias, Judite, Resto de Ester (10: 04 - 16: 24), Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, Cântico das Três Crianças Sagradas, História de Susana, Bel e o Dragão, Oração de Manassés e I e II Macabeus. Esta ordem não é cronológica.
A maioria destes livros foi escrito em período de perturbação nacional e luta entre a volta do exílio e a destruição de Jerusalém.
Tudo isto refletia a inquietação e o espírito insatisfeito dos judeus, que sonhavam com um estado independente.
Os principais assuntos destes livros mostram a reação judaica contra a opressão, contra a incerteza, e contra a esperança que caracterizavam o período inteiro.
Da lista dos livros apócrifos, três são considerados históricos.
  1. I de Esdras, que corresponde em conteúdo aproximadamente a Esdras e Neemias; o I de Macabeus, que é uma narrativa simples e honesta da revolta de Matatias e seus filhos em 168 a. C., que terminou na derrota dos Sírios e estabelecimento do estado Asmoneu; o II de Macabeus, uma inferior compilação da obra de Josão de Cirene, que completa o conteúdo de I Macabeus.
  2. Tobias, Judite, o Resto de Ester e a História de Susana são contos românticos que ilustra a justiça de Deus em defesa de Seu povo. Bel e o Dragão, adição espúria ao livro de Daniel, pertence a mesma categoria.
  3. A Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico são tratados filosóficos na forma de epigramas, parecido com o livro de Provérbios.
  4. O Cântico das Três Crianças Sagradas e a Oração de Manassés são expressões de devoção para com Deus, e de esperança nas suas promessas.
É bom salientar, para conhecimento do estudante da Bíblia que o estilo e a linguagem destes livros são muito parecidos com a do Antigo Testamento.
IV - ALGUMAS HERESIAS DOS LIVROS APÓCRIFOS
  1. TOBIAS (200 a.C.) - É uma história novelítica sobre a bondade de Tobiel, pai de Tobias, e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael.
Apresenta: a) justificação pelas obras: 4: 7-11; 12:8.
    1. mediação dos santos: 12: 12.
    1. superstições: 6: 5, 7-9, 19.
    2. um anjo engana Tobias e o ensina a mentir: 5: 16-19.
  1. JUDITE (150 a.C.) - História de uma heroína viúva e famosa que salva sua cidade enganando um general inimigo.
  1. BARUQUE (100 a.D.) - Apresenta como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. Porém, é de data muito posterior, quando da 2a.destruição de Jerusalém, no pós-Cristo. Traz entre outras coisas, a intercessão pelos mortos - 3: 4.
  2. ECLESIÁSTICO (180 a. C.) - É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias:
Apresenta: a) justificação pelas obras: 3: 33-34.
    1. trato cruel aos escravos: 33: 26-30; 42:01.
    1. incentiva o ódio aos Samaritanos: 50: 27-28.
  1. SABEDORIA DE SALOMÃO (40 a. D.) - Livro escrito com a finalidade de lutar contra a incredulidade e contra a idolatria do episcurismo.
Apresenta: a) o corpo como prisão da alma: 9: 15.
    1. doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma: 8: 19-20.
    1. salvação pela sabedoria: 9: 19.
  1. I MACABEUS (100 a. C.) - descreve a história de três irmãos da família "Macabeus", que no chamado período interbíblico (400 a.C. - 3 a. D.), lutam contra inimigos dos judeus visando à preservação do seu povo e terra.
  1. II MACABEUS (100 a. C.) - Não é continuação do I Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígio de Judas Macabeu.
Apresenta: a) a oração pelo mortos: 12: 44-46.
    1. culto e missa pelos mortos: 12: 43.
    1. o próprio autor não se julga inspirado: 15: 38-40; 2: 25-27.
    2. intercessão pelos Santos: 7: 28; 15: 14.
  1. ADIÇÕES A DANIEL: Capítulo 13 - A história de Susana - segundo esta lenda, Daniel salva Susana num julgamento fictício baseado em falso testemunhos.
Capítulo 14 - Bel e o Dragão, Contém histórias sobre a necessidade da idolatria.
Capítulo 3: 24-90 - o cântico dos três jovens na fornalha.
NOTA À PARTE - Recordando um pouco a lição anterior relembramos alguns apócrifos do Novo Testamento ali contidos. São os seguintes:
  1. Epístola de Barnabé (70-79 a. D.)
  2. Pastor de Hermas (115-140 a. D)
  3. Didaqué (100-120 a. D.)
  4. Apocalipse de Pedro (150 a. D.)
Depois da formação do Cânon, havia uma grande quantidade de rolos, dificultando assim a consulta às Escrituras. Inventada a imprensa aqueles rolos Sagrados foram condensandos em um só "livro", com páginas contendo 66 livros Sagrados.
Em 1227, Estevão Langton, professor da Universidade de Paris e, posteriormente, Arcebispo de Cantuária, dividiu o conteúdo bíblico em capítulos, e em 1551, Roberto Stephens, dividiu os capítulos em versículos. A primeira versão da Bíblia em português data de 1753, é apenas o Antigo Testamento na versão do Padre João Ferreira de Almeida. A Bíblia toda em português só apareceu em 1819.
CONCLUSÃO - Ao concluírmos esta lição sobre os livros apócrifos, dizemos que: estes livros, ou pedaços de livros, que fazem arte do cânon católico, não são aceitos como sagrados pelos judeus e protestantes, tendo contudo, seu valor histórico.
Na verdade, os livros apócrifos constituem um excesso da Vulgata Latina sobre o Antigo Testamento hebraico.
O artigo sexto da Igreja Anglicana, depois de enumerar os livros canônicos, sendo Esdras e Neemias citados como I e II Esdras, antecede a lista dos apócrifos com a seguinte frase: "E os outros livros (como diz São Jerônimo), a Igreja os lê para exemplo de vida e instrução de costumes, mas não os aplica para estabelecer doutrina alguma."
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Quais os critérios usados pelos judeus para saber se um livro era sagrado ou apócrifo?
  2. Quando surgiu o grupo dos 70 sábios judeus, e qual era a sua cidade de origem?
  3. Cite o ano e o Concílio em que os judeus rejeitaram definitivamente os apócrifos.
  4. Qual o significado da palavra Apócrifo?
  5. Cite quatro livros apócrifos.







 Lição 9 - Tema: A BÍBLIA NA COMUNIDADE CRISTÃ (IGREJA)
Texto Básico: II Reis 22: 3, 23-25; Sl. 122; 118: 26-29; Ef. 3: 7-10.
Texto Bíblico: I Tm. 4: 11-16; Cl. 3: 16; Sl. 78: 1-8.
Versículo Chave: "A Palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração." (Cl. 3: 16)
INTRODUÇÃO - Nas lições anteriores estivemos envolvidos com o estudo específico da Bíblia, no que diz respeito a sua origem, sua natureza, sua composição, seu conteúdo, sua linguagem, etc. Desta lição em diante, estudaremos a Bíblia de um modo mais específico, isto é, de dentro para fora. Seu envolvimento na comunidade eclesiástica - com o homem e com o mundo.
Sabemos que a Bíblia é uma herança da Reforma Protestante. Embora não sejamos filhos da Reforma, contudo, somos gratos por termos herdado daquele movimento a preciosa fortuna - as Sagradas Escrituras.
Será que como Igreja do Senhor Jesus, temos mantido acesa a chama viva da Palavra de Deus? É preciso que reconheçamos a Bíblia, acima de qualquer suspeita, como a verdadeira, eterna e insubstituível Palavra de Deus.
Que lugar ocupa a Bíblia na vida de nossa Igreja? Vejamos:
I - A BÍBLIA É TESTEMUNHA DO SENHOR JESUS NA IGREJA
Quando nos referimos à Igreja, logo nos vem a mente a pessoa bendita do Senhor Jesus Cristo. Quando lemos o Novo Testamento, descobrimos a importância que Jesus dá a Igreja como Sua propriedade. Na Bíblia, encontramos o Senhor Jesus como figura de "esposo" da Igreja; "fundamento" e "cabeça".
Existe na Bíblia, um relacionamento dos mais perfeitos entre Cristo e a Sua Igreja.
  1. A Bíblia apresenta Cristo como o Primeiro. Ele é antes de todas as coisas. Paulo diz em Cl. 1: 15-19, que Cristo é o preeminente em tudo. Ele edificou a Igreja, conforme nos fala em Mt. 16: 18.
  2. A Bíblia apresenta Cristo como esposo da Igreja. Isso demonstra claramente, o senhorio que a Igreja reconhece e aceita a respeito de Cristo. Em Ef. 5: 23-27, 29-30 e 32, encontramos esta figura.
  3. A Bíblia apresenta Cristo como fundamento. Ele é o verdadeiro alicerce na vida espiritual da Igreja. Principal fundamento - o ponto de partida - Ele e seus discípulos (Ef. 2: 20-22). Ele é a pedra angular do nosso edifício (At. 4: 11) Em I Co. 3: 9 é um edifício vivo.
  4. A Bíblia apresenta Cristo como cabeça. Que outro relacionamento poderíamos aceitar, além deste? Cristo é o cabeça da Igreja (o corpo). Em Cl. 1: 18, Ele é a verdadeira cabeça do corpo. Cristo e a Igreja estão ligados como a cabeça ao corpo. Um ser humano é cabeça e corpo. Uma Igreja é Cristo e os crentes batizados.
II - A BÍBLIA É TESTEMUNHA DO LOUVOR NA IGREJA
Cultuar e adorar a Deus sempre foi iniciativa de todo ser humano. No princípio, encontramos a criatura adorando o Criador de diversas formas de culto. Abel adorou a Deus através de sua oferta. "E Deus atentou para a sua oferta" (Gn. 4: 4), Abraão adorou diante do rei de Salém, Melquisedeque - sacerdote do Deus Altíssimo (Gn. 14: 18-20).
O verdadeiro adorador encontra nas Sagradas Escrituras o real motivo para louvar a Deus. No Antigo Testamento encontramos a história do povo de Deus, adorando-O através de oferendas e holocaustos, festas solenes e todo ritual do tabernáculo. O Senhor Jesus nos mostra no Novo Testamento que Ele louvava nas reuniões solenes, como aconteceu na Ceia em Mt. 26: 30. A Bíblia nos ensina a louvar (Salmo 100). Se a Igreja deseja elevar a sua voz em exaltação a Deus, a Bíblia apresenta palavras condizentes para esse louvor: salmos, oração dominical, oração sacerdotal, etc. Encontramos, especificamente, no livro de Salmos, vários exemplos de composições poéticas feitos para o uso do culto. Citamos alguns: 122, 134, 118, 136. Um culto bíblico terá sempre uma Bíblia aberta.

III - A BÍBLIA É O ELEMENTO DE AFIRMAÇÃO NA PREGAÇÃO
Nas Igrejas do Novo Testamento a pregação falada era considerada a continuação da voz profética e, sendo assim, as Igrejas velavam pela sua integridade. Portanto, o púlpito evangélico é o centro da Palavra de Deus.
Nos estudos anteriores, salientamos que Deus se manifestou aos homens de diversas maneiras: através da Palavra escrita (a Bíblia), da Palavra falada (a pregação) e da Palavra Viva (o verbo Encarnado, Cristo - Hb. 1:1). É na pregação que a Igreja escuta a voz de Deus. A Igreja precisa estar atenta ao ouvir uma mensagem. Nem toda eloquencia de um orador é iluminação do Espírito. Precisamos descobrir se a mensagem tem respaldo bíblico, e se há autenticidade em sua apresentação, leia I Jo. 4: 16.
Não esqueçamos de que a Bíblia é fonte de inspiração e edificação da Igreja. Um dos textos escolhidos para esta lição nos relata a reforma moral que realizou o rei Josias (II Re. 22: 2-23:5). Houve a implantação de medida sanadoras que mudou profundamente o quadro religioso do reino de Judá. A Igreja é a guardiã da fé e, deve, através da Palavra, remover o monturo que está atrapalhando a sua edificação espiritual.
CONCLUSÃO - Nos dias atuais, a Igreja do Senhor Jesus, deve estar atenta aos perigos da influência mundana dentro dela. Se atentarmos para as palavras deste Livro, encontraremos rumo certo para proclamar o IDE de Jesus, através do testemunho vivo do Evangelho, realizar a obra social e outras atividades para as quais o Senhor nos enviar. É só reconhecer que a Bíblia tem uma grande influencia na vida da Igreja.

PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Quais as figuras apresentadas na Bíblia em relação a Cristo e à Igreja?
  2. Onde encontramos a referência sobre dois homens que adoraram a Deus com suas ofertas?
  3. Como a Igreja pode verificar a legitimidade da pregação?
  4. Que rei realizou uma reforma moral em seu reino?





















Lição 10 - Tema: A BÍBLIA FALA AINDA HOJE
Texto Básico: Lc. 4: 16-18; Is. 58: 1-14.
Texto Bíblico: Is. 5: 18-25; Lc. 4: 16-21; Tg. 2: 1-9
Versículo Chave: "O Senhor te guiará continuamente, e te fartará até em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas as águas nunca faltam." (Is. 58: 11)
INTRODUÇÃO - Continuamos aprendendo neste Livro Bendito chamado a Bíblia Sagrada. Ele tem falado em todas as épocas. No passado, falou poderosamente ao povo de Deus, desde o deserto do Sinai até aos áureos dias da Igreja primitiva. Ele é um Livro atual. Conforta, orienta, guia, esclarece, doutrina, exorta, nos faz conhecedores das verdades divina. Isto basta. Ele é o Livro por excelência.
Muitas vezes, nos deparamos com afirmativas absurdas de que a Bíblia é um "livro do passado"; um "livro que não nos inspira a nada" e, tantas outras declarações insensatas. Nós, os crentes em Jesus Cristo, sabemos do valor deste Livro, da sua Mensagem atual, e sua importância para humanidade. Sabemos que a Bíblia tem algo para nos dizer hoje. Mas, é necessário, que os crentes conheçam profundamente o conteúdo deste Livro para poderem defendê-Lo diante daqueles que querem ofuscar o seu valor. Na verdade, a Bíblia tem atravessado séculos para nos falar hoje.
I - A BÍBLIA NO PASSADO E NO PRESENTE
É evidente, que entre o mundo que a Bíblia descreve e o atual, existe uma grande diferença. Costumes sociais, vida familiar, condições de vida, organização política, estrutura social, etc. Como é grande a diferença entre a nossa época e a dos apóstolos e patriarcas... Contudo, não podemos obscurecer esses fatos importantes. Ao estudarmos a Bíblia, devemos levá-los em consideração. É importante notar, que esse conjunto de aspectos que demarcam a diferença entre o nosso tempo e os tempos da Bíblia constituem o lado externo da realidade subjacente. A essência desses fatos é o homem. O homem permanece através de todas as mutações pelas quais é separado, por que tem passado o mundo. Tomemos como exemplo Abraão: viveu como nômade (cigano); vivia da criação de gado e ovelhas; era reverenciado por sua esposa e servos, os quais o chamavam de "senhor". O que acontece com o mundo atual? Pelo menos, cada um de nós tem residência fixa; exercemos várias atividades quer na indústria ou no comércio; já não vivemos sob regime de servos; as mulheres conquistaram seus direitos e privilégios, que até pouco tempo eram exclusivos do homem. Esta é a realidade da vestimenta mais profunda, ou seja, a identidade do homem Abraão e nós. Mesmo sabendo que haja uma grande distância entre a situação na qual a Bíblia é formada e as condições do homem hodierno, a Mensagem das Escrituras nos alcançou com a mesma energia com que atuou nos nossos antepassados.
 II - A BÍBLIA E O MUNDO EM CRISE
Não devemos ter saudades do passado, mesmo diante da crise que estamos vivendo. Pararmos para fazer certos tipos de comentário, tais como: "antigamente não era assim", que hoje "tudo está perdido", não é a posição correta. Atentemos para as palavras do sábio que diz: "Não digas: por que razão foram os dias passados melhores do que estes? Por que não provém da sabedoria esta pergunta?" (Ec. 7: 10)
Deixemos de lado todo azedume. Mesmo diante das crises vejamos o que diz a Bíblia em nossos dias:
  1. A degradação dos fundamentos da moral e da família: A estabilidade da família está abalada; a moral sexual está sendo posta à prova. O relacionamento entre pais e filhos está em decadência; a autoridade doméstica e integridade dos casais estão indo para o espaço.
Anomalias incríveis estão acontecendo. Há até quem defenda casamento de pessoas do mesmo sexo. Reflexo do mundo em crise.
Será que encontrarmos alguma orientação bíblica para este estado de perplexidade em que vive o mundo? É claro! Para todas essas situações a Palavra de Deus é o guia seguro para os nossos dias. O que o Apóstolo Paulo nos diz. (Rm. 1: 18-32)
  1. As transformações sociais: Com o avanço tecnológico, o mundo tem tido várias transformações. Nesta era das grandes máquinas e evoluídos computadores, a sociedade busca ansiosamente aumentar o desejo pela posse do dinheiro. A corrupção, a desonestidade, a falta de amor ao próximo, tudo isso tem causado crises, revolta social, e até mesmo as guerras. Pois o ser humano continua cético e ambicioso. É esse desejo desenfreado que o Apóstolo Paulo denomina "amor ao dinheiro", responsável pela maioria das crises de revolta social. Como diz o Apóstolo, esse desejo irrefreável "é a raiz de todos os males" (I Tm. 6: 10).
Isso está entranhado dentro da natureza humana. Não é propriedade exclusiva do nosso tempo. Até mesmo os crentes são vítimas desse mal, causando o surgimento de litígios na vida da Igreja. Os textos a seguir não perderam a sua atualidade para os nosso dias. Vejam o que diz a Bíblia em Tg. 2: 1-9 e 5: 1-6.
  1. A ansiedade em nossos dias: No passado, ouvíamos a seguinte expressão: "a vida não causa tensões". Hoje, é comum ouvirmos que a correria e a angústia são filhas do nosso tempo. Por isso o Senhor instruiu aos seus discípulos, falou aos agricultores, pescadores e donas-de-casa do seu tempo (Mt. 6: 25-34). Vejam como a Bíblia é atual. Ela fala ainda hoje, nos propondo advertências para o viver moderno - "Buscai primeiro o Reino de Deus, e a Sua Justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt. 6: 33).
  1. Confusão de idéias: Nos dias atuais são muitas as idéias que surgem diante de nós. Elas vêm de todas as partes, deixando-nos perplexos e às vezes encobrindo da nossa vista o objetivo principal da nossa fé - Jesus Cristo. Precisamos ter cuidado. No passado, o povo israelita, enfrentou duras provas de fé. Para eles, a fonte de dúvida eram as palavras dos advinhos, dos necromantes e daqueles que invocavam a autoridade divina para predições ilusórias. No entanto, Deus não abandonou o povo. A Sua orientação e revelação profética se fizeram presentes. Guiou os povo, caminho a fora, com uma grande coluna de fogo (Êx. 13: 21-22). Nós sempre devemos seguir ao Senhor Deus. Mesmo diante de idéias que pareçam ser verdades - depositemos nossa fé em Jesus Cristo. Para sua ajuda espiritual, leia Isaías 8: 19-20.
CONCLUSÃO - À luz de tudo isso, vemos que a Bíblia é um livro atual. É por estas e outras razões que a única voz de comando que devemos obedecer é a do Senhor Jesus - através da Sua Palavra - a Bíblia. Estamos vivendo a iminência do fim. Os dias atuais são trevosos e de extrema corrupção. Vejam as instruções de Paulo em II Tm. 3: 1-9.
Hoje são muitas as vozes que atestam a aproximação da vinda do Senhor Jesus. A Bíblia fala ainda hoje como falou antigamente. No Antigo Testamento encontramos: Gn. 6:5, 13-21; Am. 4: 12. No Novo Testamento: Mt. 24: 3-25.
A Palavra de Deus permanecerá eternamente (Mt. 24: 35).
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Estamos vivendo uma era diferente dos tempos bíblicos? Explique.
  2. A Bíblia se aplica ao homem em qualquer época?
  3. A Bíblia encerra toda verdade?
  4. Estamos vivendo no mundo em crise. Qual a atitude do crente diante disto?















Lição 11 - Tema: A BÍBLIA FALA DO MESSIAS
Texto Básico: Mt. 16: 13-16; Jo. 1: 1-12; Jo. 6: 35-40.
Texto Bíblico: Mc. 10: 45; Jo. 3: 16; 6: 35-40; I Co. 15: 3-4 e II Co. 5: 17.
Versículo Chave: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo." (II Co. 5: 17)
INTRODUÇÃO - Quando aceitamos a Cristo como Senhor e Salvador, nosso interesse é conhecê-LO; procurar aprender, com detalhes, tudo quanto puder sobre Seu nascimento, Sua vida e a Missão salvífica para o mundo. O mais importante de tudo isto é sabermos que a Bíblia fala sobre o Filho de Deus - Jesus Cristo - o Messias. Nesta lição, conheceremos, um pouco, desse Salvador eterno.
I - A BÍBLIA FALA DE JESUS - O VERBO ENCARNADO DE DEUS
A Bíblia nos apresenta o próprio Deus que, encarnado, habitou entre nós, para nos remir dos nossos pecados (Jo. 1: 1-12). O significado da palavra Verbo quer dizer: Razão - Pensamento - Palavra. Jesus nosso Senhor e Salvador é a razão, o pensamento e o meio de comunicação de Deus. É importante saber que o Senhor Jesus não foi um ser criado, mas é eterno. A Bíblia ensina, em suas belas páginas, que Jesus estava no princípio com Deus e que Ele é Deus. Descobrimos no mesmo texto que Ele se fez carne e habitou entre nós. É importante notar ainda, que Deus O fez homem para fazer-se entendido pelos homens. Desta maneira, pode revelar-se e pode substituí-los para os salvar.
Uma outra expressão interessante da Bíblia sobre o Senhor Jesus Cristo é: Jesus é o Cristo de Deus - certifique-se em Mt. 16: 16. Qual o sentido da palavra Cristo nas Escrituras? É o mesmo que a palavra Messias. Por sua vez, Messias significa "O UNGIDO". Daí, termos a certeza de que Jesus é o ungido de Deus, enviado para realizar a missão de salvar a humanidade.
Outro aspecto importante que a Bíblia nos mostra é que o Senhor Jesus é o verdadeiro Filho de Deus. Mais expressamente encontramos esta verdade no Evangelho de João (3: 16; 5: 17-27; 6: 37-39) e outros.
Quanto a sua natureza, a Bíblia revela que ela não foi somente divina nem somente humana. Quando o Verbo se fez carne (Jo. 1: 14), não perdeu sua natureza de Deus, mas adquiriu a natureza humana, ou seja, de homem. É por esta razão que os Evangelhos nos apresenta um Jesus curando e falando com autoridade de Deus, ao mesmo tempo que sofrendo e morrendo como homem.
Na Bíblia encontramos ainda Jesus como Senhor e Rei. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Filipenses 2: 5-11, dá-nos esta confirmação. O ensinamento bíblico é eficaz quando diz que Jesus tem todo poder no céu e na terra (Mt. 28: 18-20) e que reina para sempre sobre o Universo. Infelizmente, a humanidade não quer aceitar este reinado, mas quando Ele voltar, será estabelecido definitivamente seu domínio (Mt. 25: 31-46).

II - A BÍBLIA FALA DE JESUS - SUA VIDA E OBRA
Podemos descrever a vida terrena do Senhor Jesus em oito fases: nascimento, crescimento, batismo, tentação, ministério, morte, ressurreição e glorificação.
  1. Seu nascimento virginal - foi predito pelo profeta Isaías a quase 700 anos antes do seu nascimento (Is. 7: 14; 9: 1-7). Foi provado, não teve pai humano. Veio por Maria por obra e graça do Espírito: Mt. 1: 18-21. Para analisar melhor este tema, vejamos: Mt. 1: 18-25; Lc. 1: 26 e 2: 20).
  2. Seu crescimento - É um assunto pouco comentado nas Escrituras. Sabemos que no 8º dia, José e Maria O circuncidaram (Lc. 2: 21); com 40 dias foi apresentado no templo (Lc. 2: 22-24); fugiram com Ele para o Egito quando tinha dois anos (Mt. 2: 13-23); aos doze anos visitou o templo em Jerusalém com seus pais (Lc. 2: 39-51). Daí em diante a Bíblia faz um silêncio na vida de Jesus. Sabe-se, no entanto, que crescia "em sabedoria, em estatura, e em graça..." (Lc. 2: 52).
  3. Seu batismo - o seu aparecimento deu-se aos trinta anos de idade. Saiu da Galiléia, onde morava, e foi ter com João, o Batista, para ser batizado. (Lc. 3: 21-22; Mt. 3: 13-17).
  4. A Tentação - A autoridade de Jesus sobre Satanás estava selada. Não adiantou as três investidas satânicas. Jesus o venceu. "E o diabo tremeu..." (Lc. 4: 1-13). Cheio do Espírito Santo o Senhor Jesus começa o seu ministério.
  5. O Seu Ministério - O Ministério do Senhor Jesus compreende o período de suas atividade entre o batismo e a morte na cruz. Durou três anos - que valeram uma eternidade, pela Sua conduta e Seu propósito em morrer pelos nossos pecados (Fl. 2: 5-8). Realizou uma grande obra. Desencadeou uma série de milagres e prodígios pelo Seu poder divino e eterno: Curou cegos, mancos, coxos, aleijados e paralíticos, expulsou demônios e ressuscitou mortos. Os quatro Evangelhos estão repletos de exemplos do Ministério de Jesus. Leiamos para nossa edificação.
  6. Sua morte - Sua morte não foi por acaso, mas voluntária e planejada. Dela, relatou o profeta (Is. 53). Leia ainda: Is. 52: 13-15. Suas palavras creditam Sua missão no mundo (Jo. 10: 17-18). Observamos o que Paulo fala em (I Co. 15: 3-4). Ele não abandonou a sua missão. Foi fiel até o fim (Fl. 2: 8). No jardim Getsêmani sentiu o peso dos nossos pecados (Lc. 22: 39-44).
  7. Sua Ressurreição e Glória - Após ter dado pleno cumprimento à sua missão redentora, Jesus Cristo assume outra vez as prerrogativas de que se havia despojado ao tomar voluntariamente a condição humana. Agora os seus atributos de absoluto senhorio, majestade, poder invencível e glória são patenteados pelo explendor da ressurreição. Arrebenta as ataduras do túmulo, põe a correr os soldados guardiães do sepulcro; com a presença do seu poder irresistível, rompe as cadeias geladas da morte. Vence Satanás, a morte e o pecado. É a sua glorificação eterna e real, nos céus e na terra e debaixo da terra. (Hb. 1: 3; Fl. 2: 10-11).
CONCLUSÃO - Nossa relação com Ele é maravilhosa. Com Ele somos nova criatura (II Co. 5: 17). É necessário, portanto, que nós os crentes em Jesus conheçamos os aspectos importantes desse relacionamento para aperfeiçoar nossa comunhão com Ele.
  1. Somos membros do Seu corpo: (I Co. 12: 27) Cristo é o cabeça da Igreja que é o Seu corpo, e nós os membros.
  2. Somos servos do Senhor Jesus Cristo: (I Pe. 1: 18-19) Fomos resgatados pelo seu sangue na cruz. O crente tem o dever de ser humilde e submisso a Jesus, procurando saber sua vontade para cumpri-la.
  3. Somos discípulos do Senhor Jesus: (Jo. 8: 31). O discípulo precisa aprender com o seu Mestre pelo estudo da Sua Palavra, ouvindo as mensagens, lendo estudos sobre a Bíblia, etc.
  4. Somos co-herdeiros com Jesus Cristo: (Rm. 8: 17). Devemos reconhecer que ocupamos um posição muito gloriosa, e, ao mesmo tempo, que há imensuráveis tesouros espirituais guardados nos céus para todos nós (I Pe. 1: 3-4). Assim sendo, somos irmãos de Cristo, o Rei, o Herdeiro de todo Universo.
  5. Somos Testemunhas de Cristo: (At. 1: 1-8). Logo, como diz o Pastor Zacarias, "Somos o 5º Evangelho". Fomos comissionados para levar as Boas Novas de Salvação a todos os homens. Tomemos como exemplo os apóstolos (At. 4: 19-20). A própria Igreja Primitiva não descuidou um instante desse testemunho. Nas ameaças, perseguições e apedrejamentos, lá estava a Igreja testemunhando de Jesus. Nos dias atuais, precisamos ser mais ousados na comunicação do Evangelho de Jesus. Quando a Palavra de Deus nos fala de Jesus - o Messias é porque deseja que cumpramos cabalmente o Seu Imperativo, até que Ele venha.
(Leia Mateus 28: 19-20)
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Qual o significado da palavra VERBO?
  2. Qual o significado da palavra MESSIAS?
  3. Prove com textos bíblico que Jesus é Filho de Deus.
  4. Em quantas fases podemos descrever a vida terrena de Jesus?
  5. Na nossa relação com Cristo existem aspectos importantes para aperfeiçoar a nossa comunhão com Ele. Cite três.










 Lição 12 - Tema: A BÍBLIA FALA DE DEUS
Texto Básico: Sl. 145: 8-20; Is. 40: 28-31; Jo. 4: 23-24; At. 10: 34; Tg. 1: 16-18 e Ap. 4: 11.
Texto Bíblico: At. 17: 22-29.
Versículo Chave: "Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque Tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas." (Ap.4:11)
INTRODUÇÃO - Existe Deus? Essa tem sido uma pergunta de muita importância para o estudante das Sagradas Escrituras. É necessário compreender-mos que a doutrina de Deus é fundamental para a vida cristã.
Embora Deus esteja sempre agindo e falando, e o homem esteja sempre a buscá-lo, o conhecimento de Deus e de seus propósitos continuam sendo um mistério que exige do homem fé e submissão para ser compreendido. Este conhecimento não é fruto de especulação, mas de revelação. Por isso é bom lembrar - Deus não é um objeto para ser especulado, mas uma pessoa para ser conhecida.
Peçamos a Ele que nos ilumine o coração e a mente para que, alcançando uma compreensão mais profunda do seu caráter, "vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente." (Tito. 2: 12)



I - A NATUREZA DE DEUS
Começamos esta parte de nossa lição com a seguinte pergunta: Quem é Deus? Esta é uma pergunta inquietante que tem sido feita por muitas pessoas. Várias têm sido as respostas neste sentido. Mas, parece que nenhuma delas têm satisfeito ao homem. Li, certa vez, uma definição sobre Deus que diz o seguinte: "Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em Seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade." É preciso, que nós os filhos de Deus, conheçamos o ensino das Sagradas Escrituras sobre a pessoa bendita do eterno Pai dos Céus, a fim de que possamos melhor adorá-lo e servi-lo.
Em uma de suas viagens missionárias, o Apóstolo Paulo foi à capital da Grécia, Atenas, onde esteve no Tribunal dos Gregos - o Areópago. O desejo de Paulo era apresentar suas idéias, anunciar o Evangelho, testemunhar de Jesus de Nazaré. Aquela era uma cidade onde o culto aos deuses estranhos era comum. Cada um deles era patrono de determinado aspecto da vida dos gregos. Havia o deus da guerra, o deus do comércio, o deus da fecundidade, o deus da lavoura, etc. Isso era mais ou menos o que são, para os católicos, os chamados santos padroeiros.
No seu inflamante discurso, Paulo lembrou-se da frase, no livro de Atos (17: 23), que diz: "AO DEUS DESCONHECIDO". Aproveitou o ensejo e apresentou aos gregos o Verdadeiro Deus, O Deus eterno. O Deus Jeová, como sendo aquele Deus que eles não conheciam.
Ali, o Apóstolo fez uma verdadeira dissertação acerca de Deus, seu poder e sabedoria. Ele ensinou que: (a) Deus é infinito - não habita em qualquer lugar (v. 24). Em todos os lugares Deus está. Deus não é limitado a uma casa ou um templo. (b) Deus é o Criador e Senhor de todas as coisas - Devemos obediência a Ele. Deus é soberano, Todo-Poderoso. (c) Deus é auto-suficiente e não precisa de coisa alguma (v. 25). (d) Deus é o autor e sustentador de nossas vidas (vs. 25-28). (e) Deus não pode ser comparado ou representando por figura nenhuma feita por mãos humanas. (v. 29).
Diante de tudo isto, descobrimos ainda, que a Bíblia nos ensina outros importantes aspectos sobre a pessoa bendita de Deus. Muito se pode dizer de um ser tão grande como é Deus. Compreender a Deus em sua plenitude, seria tão difícil como colocar o Oceano num copo.
Além desses ensinos de Paulo sobre Deus, diante dos gregos, convém mencionar outros espalhados pelas Escrituras.
  1. DEUS É ESPÍRITO - (Jo. 4: 24) - Deus é Espírito com personalidade; Ele pensa, sente, e fala; portanto, pode ter comunhão direta com Suas criaturas feitas à Sua imagem e semelhança. Ele não está sujeito às limitações as quais se sujeitam os seres humanos dotados de corpo físico. Deus é uma pessoa real, mas de natureza tão infinita que não se pode aprendê-lo, plenamente, pelo conhecimento humano, nem tão pouco satisfatoriamente descrevê-lo em linguagem humana. (Jo. 1: 18; vide Êx. 33: 20). Ele é insondável, inescrutável (Jó 11: 07).
  2. DEUS É ETERNO - (Êx. 15: 18; Dt. 33: 27; Ne. 5: 5; Sl. 90: 2; Jr. 10: 10; Ap. 4: 8-10). Ele existe desde a eternidade e existirá por toda eternidade. Sendo eterno, Ele é imutável - "o mesmo ontem, hoje e eternamente".
  3. DEUS É O ÚNICO DEUS - Êx. 20: 3; Dt. 4: 35-39; 6: 4; I Sm. 2: 2; II Sm. 7: 22; I Re. 8: 60; II Re. 19: 15; Ne. 9: 6; Is. 44: 6-8; I Tm. 1: 17. - "Ouve ó Israel; Jeová nosso Deus é o único Deus." Era esse um dos fundamentos da religião do Antigo Testamento.
  4. DEUS É ONIPOTENTE - Isso significa duas coisas: (a) Sua liberdade e poder para fazer tudo que esteja em harmonia com a Sua natureza. (Gn. 1: 1; 17: 1; 18: 14; Êx. 15: 7; Dt. 3: 24; 32: 39: Jó. 40: 2; I Cr. 16: 25; Is. 40: 12-15; Ap. 15: 3; 19: 6). (b) Seu controle e sabedoria sobre tudo que existe ou que pode existir. Somente Deus é Todo-Poderoso e até mesmo Satanás nada pode fazer sem Sua eterna permissão. (Veja Jó cap. 1 e 2). Toda a vida é sustentada por Deus. (Hb. 1: 3; At. 17: 25-28; Dn. 5: 3).
  5. DEUS É ONIPRESENTE - Isto quer dizer que o espaço material não o limita em ponto algum. (Gn. 28: 15-16; Dt. 4: 39; Js. 2: 11; Sl. 139: 7: 10; Pr. 15: 3-11; Is. 66: 1; Jr. 23: 23-24; Am. 9: 2-4, 6; At. 7: 48-49; Ef. 1: 23).
Para as Suas criaturas Ele está presente da seguinte maneira:
  1. Em glória, para os santos e anjos O adorarem no céu. (Is. 6: 1-3);
  2. Eficazmente, na ordem natural. (Naum 1: 3);
  3. Providencialmente, nos assuntos relacionados com os homens. (Sl. 66: 7-8);
  4. Atentamente, aqueles que O buscam. (Mt. 18: 19-20 e At. 17: 27);
  5. Judicialmente, as consciências dos ímpios. (Gn. 3: 8; Sl. 68: 1-2). O homem não se deve iludir com o pensamento de que existe um cantinho no mundo onde possa escapar à Lei do Seu Criador;
  6. Corporalmente em Seu Filho. "Deus conosco"- Cl. 2: 9;
  7. Misticamente na Sua Igreja. (Ef. 2: 12-22);
  8. Oficialmente, com Seus obreiros. (Mt. 28: 19-20).
  1. DEUS É ONISCIENTE - Isto é, ele conhece todas as coisas. (Gn. 18: 18-19; II Re. 8: 10-13; I Cr. 28: 9; Sl. 94: 9; 139: 1-16; 147: 4-5; Pr. 15: 3; Hb. 4: 13). O conhecimento de Deus é perfeito. Ele não precisa pesquisar as coisas, nem aprender gradualmente - Seu conhecimento do passado, do presente e do futuro é instantâneo.
  1. DEUS É SÁBIO - Sl. 104: 24; Pr. 3: 19; Jr. 10: 12; Dn. 2: 20-21; Rm. 11: 33; I Co. 1: 24-25, 30; 2: 6-7; Ef. 3: 10; Cl 2: 2-3. A sabedoria de Deus reune a Sua onisciência e Sua onipotência. Deus sempre faz o bem de maneira certa e no tempo certo.
  2. DEUS É SOBERANO - Isto quer dizer, que ele tem o direito de governar e dispor de Suas criaturas como Lhe apraz. (Dn. 4: 35; Mt. 20: 15; Rm. 9: 21). Ele possui esse direito em virtude de Sua infinita superioridade, de Sua posse absoluta sobre todas as coisas. Porque todas as coisas depende somente d’Ele. Desta maneira, tanto é insensatez, como transgressão censurar os Seus caminhos.
II - O DEUS TRINO - A TRINDADE
A Unidade Divina é uma Unidade composta, e que nesta Unidade há realmente três Pessoas distintas, cada uma das quais é a Divindade, e que, no entanto, cada uma está sumamente consciente das outras duas.
Não adoramos três deuses, todos três independentes e de existência própria. Os três cooperam unidos e num mesmo propósito, de maneira que no mesmo sentido da palavra, são "um". O Pai cria, o Filho redime (Salva) e o Espírito Santo consola, santifica e batiza; e, no entanto, em cada uma dessas operações divinas o Criador, mas também o Filho e o Espírito Santo são tidos como cooperadores na mesma obra. O Filho é preeminentemente o Redentor, mas também o Pai e o Espírito Santo são considerados como Pessoas que enviam o Filho a redimir. O Espírito Santo é o Santificador, Consolador e Batizador, mas também o Pai e Filho cooperam nessa obra.
Amados, a Trindade é uma comunhão eterna. Muitas vezes esta Doutrina é mal entendida e mal explicada. Essa doutrina chama-se "Doutrina da Trindade" porque Deus se revelou como Pai, como Filho e como Espírito Santo.
  1. DEUS É O PAI - CRIADOR DE TODAS AS COISAS - São muitas as passagens que falam de Deus como Pai. (Jo. 6: 27). O Pai testificou do Filho (Mt. 3: 17); e o Filho testificou do Pai (Jo. 5: 19). O Filho testificou do Espírito (Jo 14: 26) e mais tarde o Espírito testificou do Filho (Jo 15: 26)
  2. DEUS O FILHO - Para se falar sobre o Filho de Deus basta citar (Jo. 1: 1-14). O Verbo se fez carne e veio habitar entre nós. Ele nos deu a possibilidade da redenção pela morte na cruz do calvário.
  3. DEUS ESPÍRITO SANTO - Ele é chamado também: a) Espírito de Deus - Gn. 1: 2; b) Espírito de Jesus - At. 16: 7; c) Espírito de Verdade - Jo. 16: 13. Ele é o Soberano Deus operando visivelmente no mundo. Ele convence o homem do pecado (Jo. 16: 8-11); Ele é o Espírito Consolador (Jo. 16: 7; 14: 26).
A Doutrina da Trindade é claramente uma doutrina revelada, e não uma doutrina concebida pela razão humana. Tudo vem através da revelação (I Co. 2: 16).
Para melhor compreensão, é importante saber que a palavra Trindade não aparece no Novo Testamento. É uma expressão teológica que apareceu durante o 2º século para descrever a Divindade.
CONCLUSÃO - Há muita coisa para falar sobre Deus, pena que o tempo não nos ajuda. Procuremos, com detalhe, estudar a Bíblia. Nela está Deus e toda Sua bondade revelada. Examinemos, ainda, o Sl. 145: 8, e vejamos o salmista expressar, através de quatro termos, as qualidades do caráter Deus. Deus é bom, e manifesta sua bondade em suas maravilhosas e grandes obras. (vv. 9-13).
  1. Deus é verdadeiro (Tito 1: 2)
  2. Deus é justo (Êxodo 34: 7)
  3. Deus é santo (Apocalipse 15: 4)
  4. Deus é amor (I João 4: 8)
Por ser verdadeiro Deus merece nossa fé. É importante para nosso crescimento espiritual, confiar em Sua Palavra. Por ser justo pune o pecado; por ser santo, quer que sejamos santos, porque habitaremos com Ele; por ser amor, mandou Seu Filho ao mundo para morrer por nós. (João 3: 16).
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. Cite o nome do Tribunal dos Gregos onde Paulo discursou.
  2. Cite três nomes dos patronos do povo grego.
  3. Cite quatro temas importantes que Paulo ensinou ao povo grego.
  4. Quais os outros ensinos de Paulo que ele citou no Areópago?
  5. No aspecto da Trindade, cite a função do Pai, Filho e Espírito Santo.






 Lição 13 - Tema: A BÍBLIA FALA AO NOSSO CORAÇÃO
Texto Básico: Dt. 5: 1-6; Sl. 119: 97-104; 78:01.
Texto Bíblico: Dt. 30: 15-20; Sl. 19: 7-9; 119: 9-16, 102-105.
Versículo Chave: "Os teus testemunhos são a minha herança para sempre, pois são eles o gozo do meu coração. Inclino o meu coração a cumprir os teus estatutos, para sempre, até o fim." (Sl. 119: 11-112).
INTRODUÇÃO - Esta lição que hoje estudaremos, traz-nos uma profunda e real convicção de que o Senhor Deus nos concedeu a Sua Palavra, como fonte de autoridade Divina; e que falou ao seu povo no passado e, fala ainda hoje com todos aqueles que abrem seus corações com amor para ouvi-Lo. A vitalidade da Palavra de Deus não está dependente do mundo hodierno e suas complicações. A Bíblia ultrapassa qualquer barreira ou impedimento que venha detê-la. Ela é a Palavra de Deus. Ela falou no passado com a humanidade; Ela fala no presente, ao coração do homem; e continuará apontando o futuro, como a esperança viva daqueles que esperam somente em Deus - como Salvador e Senhor de suas vidas. Portanto, a lição de hoje, mostra-nos o quanto é necessário ouvir a voz de Deus aos nossos corações. É justo e oportuno que hoje, agradeçamos a Deus a dádiva deste Livro, pois o testemunho de tantas pessoas evidenciam o poder de sua influência em suas vidas. Isto nos traz a lembrança e nos faz responsáveis pela incumbência que nos foi delegada de divulgá-lo entre os que nos cercam. Consideremos, portanto, a nossa posição pessoal perante este Livro, através do qual Deus fala, ainda hoje, aos corações. Para nossa convicção de fé, examinemos Salmo 119: 111-112 e 119: 2, 11,33, 34, 80.
I - A BÍBLIA REVELA A PERSONALIDADE DO HOMEM
A personalidade humana é inescrutável. Somente Deus pode sondá-la. Pois, quem melhor pode conhecer o homem do que seu Criador. Nestes dias, quando as filosofias falsas representam de modo errado a natureza humana, é de grande importância que conheçamos a personalidade humana através da vontade de Deus.
Precisamos olhar para dentro de nós mesmos. Daí descobriremos que somos um mistério, um contraste, com reações inexplicáveis e que reunimos em nosso íntimo algo de tanta intensidade que muitas vezes nos arrasta ao desespero. O salmista Davi nos mostra que é preciso buscar a Deus para descobrir os próprios erros. (Salmo 19:12). O apóstolo Paulo traz-nos a lume uma angustiante exclamação em Romanos 7: 24 - "Miserável homem que eu sou!". São sentenças que refletem a angustiante personalidade humana. Outra vez Davi exclama: "... faz-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma" (Sl. 51: 6b).
O homem precisa conhecer a si mesmo. Ele é um ser tri-uno, ou seja, ele tem um tri-unidade humana. Em I Ts. 5: 23 e Hb. 4: 12, o homem, criado por Deus, imagem e semelhança Sua, se compõe de três substâncias - espírito, alma e corpo. O espírito e a alma representam os dois lados da substância não física do homem; ou, em outras palavras, o espírito e a alma representam os dois lados da natureza espiritual. Por estarem tão interligados um ao outro, espírito e alma muitas vezes se confundem. Em Eclesiastes 12: 7 e Apocalipse 6: 9, a substância espiritual do homem se descreve como alma; em outra passagem, como espírito - Tiago 2: 26.
"Sendo o homem espírito, é dotado de capacidade de ter conhecimento de Deus e comunhão com Ele; sendo alma, ele tem conhecimento de si próprio; sendo corpo, tem, através dos sentidos, conhecimento do mundo." (Schofield)
Na vida do ser humano, nada escapa ao exame de Deus. Vejamos Hebreus 4: 13. Deus sempre vem em nosso socorro. Ele desce aos subterrâneos de nosso íntimo. É certo, irmãos, que desse exame feito por Deus em nós, inevitavelmente aparecerá a consciência do pecado. Estará diante de nós um contraste abismal - entre o que somos e o Deus que vê as nossas necessidades em amor.
No entanto, é a Bíblia que nos ensina a ter acesso aos recursos da graça divina e do perdão de Deus pelos quais somos inteiramente sarados. O que diz Davi: "Expurga-me tu dos erros que me são ocultos" (Sl. 19: 12).


II - A BÍBLIA REVELA QUE A "PALAVRA ESTÁ PERTO DE TI"
O apóstolo Paulo nos dá prova cabal de que a Palavra de Deus está bem perto de nós para nos instruir e orientar. Na Epístola aos Romanos 10:8, encontramos esta verdade. O importante aspecto entre o indivíduo e a Bíblia é que ela lhe torna acessível o conhecimento da salvação. Aliás, o centro da Bíblia é o Senhor Jesus Cristo, o eterno e suficiente salvador da humanidade. Muitas vezes, somos incapazes de penetrar e desvendar os mistérios divinos (Dt. 29:29). Contudo, a Bíblia não é um livro de mistérios; no versículo citado o escritor sagrado continua: "... porém as reveladas são para nós e para nossos filhos para sempre."
Existem muitas pessoas que fogem do estudo da Palavra de Deus, avaliando-a como um livro de difícil interpretação. Tudo isso não passa de uma evasiva. Na Bíblia, dentre as muitas coisas, encontramos o rumo certo para nossa salvação. O que necessitamos, na verdade, e está perto dela, como ela está perto de nós.
Num estudo mais profundo em (Dt. 30: 11-14), encontramos esta verdade. Logo mais, o apóstolo Paulo na carta aos Romanos 10: 06 em diante nos discorre sobre o anúncio do evangelho. No primeiro texto, encontramos Moisés se dirigindo aos israelitas advertindo-os. É interessante notar, que em ambos os casos, a Palavra não está suspensa no infinito dos céus, distante de nós, nem submersa nas profundezas dos mares: "ela está junto de ti, na tua boca e no teu coração".
Como resultado de tudo isso, vale salientar que, todo o indivíduo que toma conhecimento de Deus assume um peso enorme de responsabilidade pelo que Deus lhe expõe em Sua Palavra. É justamente esse o ponto em que tanto Moisés como Paulo pretendiam chegar: se a Palavra está perto de nós, se Deus a colocou ao nosso alcance, não podemos desculpar-nos pelo nosso extravio ou ruína (Rm. 10: 15-20).
Portanto, cheguemo-nos com inteira confiança diante da Palavra de Deus, porque ela testifica de Deus (Jo. 5: 39).
III - A BÍBLIA É FONTE PARA MANUTENÇÃO DA NOSSA FÉ.
Nesta época de muita soberba, orgulho e auto-adoração, de cega confiança em si mesmo e de torpe satisfação dos apetites e paixões em que vive o homem, sem estimação pelas coisas do Espírito, parecerá estranho, e fora de lugar, falar de Fé. O homem nunca necessitou tanto do poder da Fé, como nos dias atuais. Porque o mundo hodierno, tem desencaminhado da Fé o homem atual, traspassando sua vida de muitas dores; devido a essa cega confiança em si mesmo, um outro fracasso se desponta, o cinismo moral e o ceticismo nas coisas eternas de Deus. Tudo isso tem causado desorientação e incerteza, falta de fé, levando muitos a destruição. Onde irá parar tudo isto? Quando cessarão as guerras, a miséria e a dor?
É, então, sobretudo de uma palavra de confiança e esperança, de poder e vitória, de soltura e liberdade, que a humanidade, necessita desesperadamente no dia de hoje. É só a fé em Jesus Cristo que a pode dar. "Ele é a nossa paz" (Ef. 2: 14). E mais: "Quem é que vence o mundo senão aquele que crê ser Jesus Cristo o Filho de Deus" (I Jo. 5: 5). E mais: "Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé." (I Jo. 5: 4).
A fé é a manifestação de confiança na obra e nas promessas do Senhor Jesus Cristo.
Desta fé nos falam claramente uma variedade de passagens (Mc. 1: 15; Jo. 1: 12; 11: 25; Gl. 2: 16; Ef. 3: 17-19).
O interesse de Deus pela nossa vida se faz presente através das Escrituras nos transes dolorosos que sobrevêm durante a nossa caminhada neste mundo. Somente pela fé venceremos.
Quando lemos o livro de Hebreus, especialmente o capítulo 11 - A Galeria da Fé - descobrimos o valor que devemos ter ao crermos, pela fé, que Deus existe e cuida de nós. Vejamos ainda o que diz Paulo (Rm. 4: 19-21).
CONCLUSÃO - Diante de tudo isto, entendemos porque a Bíblia fala aos nossos corações.
Tanto nas Escrituras, como na linguagem comum, a palavra "coração" significa o centro absoluto da vida, (Prov. 4: 23) - "Sobre tudo o que deves guardar, guarda o teu CORAÇÃO, porque dele precedem as fontes da vida."
Quando somos gerados, pelas misericórdias de Deus, recebemos o "dom da vida", o centro da vida física - o coração. O coração é a primeira coisa a viver, e seu primeiro movimento é sinal seguro de vida; seu silêncio, é sinal positivo de morte. A Bíblia fala aos nossos corações, porque Deus deseja que o sirvamos com o coração. Vejam alguns textos: Dt. 4: 29; 6: 5; 11: 13; 32: 46; Jz. 5: 16; I Sm. 13: 14; I Re. 3: 12; 8: 61; 15: 14; II Re. 10: 15; I Cr. 16: 10; II Cr. 11: 16; Jó 7: 9; Sl. 19:8; 22: 26; 57: 7; 69: 32; 86: 11; 105: 3; 108: 1; 111: 1; 112: 7; 119: 11; 139: 23; Pv. 14: 30; 15: 13-14; 17: 22; 20: 9; Jr. 11: 20; 24: 7; Ez. 18: 31.
Ainda hoje, a Bíblia fala aos nossos corações. Ouçamos a voz eterna de Deus.
PARA REFLEXÃO EM CLASSE
  1. De que maneira a Bíblia revela a personalidade humana?
  2. Quais as três substâncias que compõe a tri-unidade humana?
  3. Explique esta tri-unidade, segundo Schofield.
  4. Quando tomamos conhecimento de Deus, através da Bíblia, qual a nossa posição?
  5. Responda em suas palavras - o que é Fé?
APRESENTAÇÃO

Por mais de vinte e seis anos, Deus tem me usado na evangelização das pessoas. Nos pastorados que exerci, sempre dirigi classe de novas crentes, ou catecúmenos, como chamam alguns. Foram tantas as experiências que Deus me inspirou a escrever algo que pudesse ajudar nossa Igreja.
Agora, depois de algum tempo, escrevi estas orientações, que são simples estudos, para discussão em classes da EBD, ou cursos de Obreiros.
São lições simples na área de Bibliologia. O que queremos, na verdade, é que haja um conhecimento preliminar, por parte da Igreja, daquilo que a Bíblia representa e como chegou até nós.
O meu desejo é que muitas vidas sejam edificadas através destas, para a honra e glória de nosso Deus, aquele que nos deu a Bíblia.
Sinceramente em Cristo.

Pr. Moisés Dias da Silva.

DEDICATÓRIA

A minha Igreja, que me incentivou a escrever estas lições.
A minha esposa, Dolores, pelo apoio que tem me dado, para discipular as pessoas.
A minha filha, Virgínia, ao meu genro, Edvaldo, aos netos: Christiane, Moisés e Thiago, futuros obreiros do Senhor.
A todos que tenho o privilégio de ensinar a Palavra de Deus.
TEMÁRIO

  1. A Bíblia - Seu estudo e análise.
  2. As Atitudes em relação à Bíblia.
  3. As maravilhas da Bíblia.
  4. A Revelação Bíblica.
  5. A Inspiração Bíblica.
  6. Iluminação e Interpretação Bíblica.
  7. Como nos veio a Bíblia.
  8. Os livros Apócrifos (I e II).
  9. A Bíblia na Comunidade Cristã (Igreja).
  10. A Bíblia fala ainda hoje.
  11. A Bíblia fala do Messias.
  12. A Bíblia fala de Deus.
  13. A Bíblia fala ao nosso coração.

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