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By Ferramentas Blog

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

REFLEXÃO 139 - A CRISE NA GALILÉIA

A Crise na Galiléia


Quando Cristo proibiu o povo de O proclamar rei, reconheceu haver chegado a um ponto decisivo em Sua história. Multidões que hoje O desejavam exaltar ao trono, dEle se desviariam amanhã. A decepção de suas ambições egoístas, transformar-lhes-ia o amor em ódio, e os louvores em maldições. Sabendo isso embora, nenhuma medida tomou para evitar a crise. Desde o princípio, não acenara a Seus seguidores com nenhuma esperança de recompensas terrestres. A um que viera desejando ser Seu discípulo, dissera: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” Mat. 8:20. Se os homens pudessem haver obtido Cristo e o mundo, multidões Lhe haveriam oferecido seu apoio; tal serviço, porém, não poderia Ele aceitar. Dos que agora se achavam ligados a Ele, muitos havia que tinham sido atraídos pela esperança de um reino terrestre. Estes deveriam ser desenganados. O ensino profundamente espiritual no milagre dos pães não fora compreendido. Deveria ser tornado claro. E essa nova revelação traria consigo mais rigorosa prova.


O milagre dos pães foi divulgado por toda parte, e no dia seguinte, bem cedo, o povo afluía a Betsaida para ver a Jesus. Vinham em grande número, por terra e por mar. Os que O deixaram na noite anterior, voltavam esperando encontrá-Lo ainda ali; pois não houvera nenhum barco em que tivesse podido atravessar para o outro lado. Suas buscas, porém, foram infrutíferas, e muitos regressaram a Cafarnaum, buscando-O sempre.
Entretanto, chegara Ele a Genesaré, após um dia de ausência. Logo que se soube de Sua chegada, “correndo toda terra em redor, começaram a trazer em leitos, aonde quer que sabiam que Ele estava, os que se achavam enfermos”. Mar. 6:55. Algum tempo depois foi Ele à sinagoga, e aí O acharam os que vieram de Betsaida. Ouviram dos discípulos como atravessara o mar. A fúria da tempestade, as muitas horas de infrutíferos esforços remando contra ventos adversos, o aparecimento de Cristo andando sobre as águas, os temores despertados, Suas palavras de tranqüilização, a aventura de Pedro e as conseqüências da mesma, bem como a súbita cessação da tempestade e o aportar do barco, tudo foi fielmente narrado à maravilhada multidão. Não contentes com isso, muitos ainda se reuniram em torno de Jesus indagando: “Rabi, quando chegaste aqui?” Esperavam receber, de Seus próprios lábios, uma segunda narração do milagre.
Jesus não lhes satisfez a curiosidade. Disse tristemente: “Na verdade vos digo que Me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.” Não O buscavam por nenhum motivo digno; mas, como foram alimentados com os pães, esperavam receber ainda bênçãos temporais unindo-se a Ele. O Senhor lhes ordenou: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna.” Não busqueis meramente benefícios materiais. Não seja vosso primeiro esforço o prover o necessário à vida atual, mas buscai o alimento espiritual, isto é, a sabedoria que permanece para a vida eterna. Isso apenas o Filho de Deus pode dar; “porque a Este o Pai, Deus, O selou”.
Por um momento, despertou-se o interesse dos ouvintes. Exclamaram: “Que faremos, para executarmos as obras de Deus?” Tinham estado a realizar muitas e enfadonhas obras, a fim de se recomendar perante Deus; e estavam prontos a ouvir qualquer nova observância pela qual pudessem obter maior mérito. Sua pergunta significativa: Que faremos para merecer o Céu? Qual o preço que nos é exigido para alcançar a vida por vir?
“Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais nAquele que Ele enviou.” O preço do Céu é Jesus. O caminho para o Céu é a fé no “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João 1:29.
Mas o povo não queria receber esta declaração de divina verdade. Jesus fizera a própria obra que a profecia predissera que o Messias havia de fazer; mas eles não testemunharam o que suas esperanças egoístas imaginaram como a Sua obra. Cristo, na verdade, alimentara um dia a multidão com os pães de cevada; nos dias de Moisés, porém, Israel fora por quarenta anos sustentado com maná, e do Messias muito maiores eram as bênçãos esperadas. Seus corações descontentes indagavam porque, se Jesus podia realizar tão assombrosas obras como as que tinham presenciado, não podia dar saúde, força e riqueza a todo o Seu povo, libertá-lo de seus opressores, e exaltá-lo ao poder e à honra. O fato de Ele pretender ser o Enviado de Deus, e todavia recusar ser rei de Israel, era um mistério que não podiam penetrar. Sua recusa foi mal-interpretada. Muitos concluíram que não ousava afirmar Seus direitos, porque Ele próprio duvidava do divino caráter de Sua missão. Abriram assim o coração à incredulidade, e a semente que Satanás lançara deu fruto segundo sua espécie em mal-entendido e deserção.
Então, meio zombeteiramente, um rabi perguntou: “Que sinal pois fazes Tu, para que o vejamos, e creiamos em Ti? Que operas Tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do Céu.”
Os judeus honravam a Moisés como doador do maná, rendendo louvor ao instrumento e perdendo de vista Aquele por quem a obra fora operada. Seus pais tinham murmurado contra Moisés, e posto em dúvida e negado sua missão divina. Agora, no mesmo espírito, os filhos rejeitaram Aquele que lhes apresentava a mensagem de Deus. “Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do Céu; mas Meu Pai vos dá o verdadeiro pão do Céu.” O doador do maná ali estava entre eles. Fora o próprio Cristo que conduzira os hebreus através do deserto, e os alimentara diariamente com o pão do Céu. Esse alimento era uma figura do verdadeiro pão do Céu. O Espírito insuflador de vida, brotando da infinita plenitude de Deus, eis o verdadeiro maná. Jesus disse: “O pão de Deus é aquele que desce do Céu e dá vida ao mundo.”
Pensando ainda que era à comida temporal que Jesus Se referia, alguns dos ouvintes exclamaram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão.” Jesus falou então abertamente: “Eu sou o pão da vida.”
A figura empregada por Cristo era familiar aos judeus. Moisés, por inspiração do Espírito Santo, dissera: “O homem não viverá só de pão, mas … de tudo o que sai da boca do Senhor.” E o profeta Jeremias escrevera: “Achando-se as Tuas palavras, logo as comi, e a Tua palavra foi para mim o gozo do meu coração.” Deut. 8:3; Jer. 15:16. Os próprios rabinos costumavam dizer que o comer do pão, em seu sentido espiritual, era o estudo da lei e a prática das boas obras; e dizia-se muitas vezes que, na vinda do Messias, todo o Israel seria alimentado. O ensino dos profetas tornava clara a profunda lição espiritual no milagre dos pães. Essa lição estava Cristo procurando patentear aos Seus ouvintes na sinagoga. Houvessem entendido as Escrituras, e teriam compreendido Suas palavras quando disse: “Eu sou o pão da vida.” Apenas na véspera a grande multidão, faminta e cansada, se alimentara do pão por Ele dado. Como daquele pão tinham recebido força física e refrigério, assim poderiam receber de Cristo vigor espiritual para a vida eterna. “Aquele que vem a Mim não terá fome, e quem crê em Mim nunca terá sede.” Mas acrescentou: “Vós Me vistes, e contudo não credes.”
Tinham visto Cristo pelo testemunho do Espírito Santo, pela revelação de Deus a sua alma. As vivas evidências de Seu poder estiveram perante eles dia após dia; mas pediam ainda outro sinal. Houvesse este sido dado, e permaneceriam tão incrédulos como antes. Se não se convenciam pelo que tinham visto e ouvido, inútil seria mandar-lhes mais obras maravilhosas. A incredulidade encontrará sempre desculpa para a dúvida, e raciocinará negativamente sobre a mais positiva prova.

Novamente apelou Cristo para aqueles corações obstinados. “O que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” Todo aquele que O recebesse com fé, disse Ele, havia de ter a vida eterna. Nenhum se podia perder. Não havia necessidade de os fariseus e os saduceus discutirem quanto à vida futura. Não mais precisariam os homens prantear, em desesperado desgosto, a morte dos queridos. “E a vontade dAquele que Me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nEle, tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.”

Mas os guias do povo se ofenderam, e “diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como pois diz Ele: Desci do Céu?” Procuravam suscitar preconceito, referindo-se escarnecedoramente à humilde origem de Jesus. Com desdém aludiam a Sua vida como operário galileu, e a Sua família como sendo pobre e humilde. As pretensões desse iletrado Carpinteiro, diziam, eram indignas de atenção. E, em razão de Seu misterioso nascimento, insinuavam que era de duvidosa paternidade, apresentando assim as circunstâncias humanas desse nascimento como uma mancha em Sua história.
Jesus não tentava explicar o mistério de Seu nascimento. Não respondeu às perguntas quanto a ter descido do Céu, como não dera resposta quanto à travessia que fizera do mar. Não chamava a atenção para os milagres que Lhe assinalavam a vida. Tornara-Se, voluntariamente, de nenhuma reputação, e tomara sobre Si a forma de servo. Suas palavras e ações, porém, revelavam-Lhe o caráter. Todos cujo coração se abria à divina iluminação, reconheceriam nEle “o unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. João 1:14.
O preconceito dos fariseus ia mais fundo do que o pareciam indicar suas perguntas; tinha suas raízes na perversidade do coração deles. Toda palavra ou ato de Jesus lhes despertava antagonismo; pois o espírito que nutriam não poderia encontrar nEle nenhum eco.
“Ninguém pode vir a Mim, se o Pai que Me enviou o não trouxer; e Eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo Aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a Mim.” Ninguém virá jamais a Cristo, senão os que correspondem à atração do amor do Pai. Mas Deus está atraindo todos os corações para Si, e unicamente os que Lhe resistem aos apelos se recusam a vir a Cristo.
Com as palavras: “Serão todos ensinados por Deus”, Jesus referia-Se à profecia de Isaías: “E todos os seus filhos serão discípulos do Senhor; e a paz dos teus filhos será abundante.” Isa. 54:13. Essa passagem aplicavam os judeus a si mesmos. Vangloriavam-se de que Deus era seu Mestre. Mas Jesus mostrou quão vã era esta pretensão; pois disse: “Todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a Mim.” Só por meio de Cristo podiam obter um conhecimento do Pai. A humanidade não resistiria à visão de Sua glória. Os que tinham aprendido de Deus, haviam estado escutando a voz de Seu Filho, e em Jesus de Nazaré reconheceriam Aquele que, através da Natureza e da revelação, dera a conhecer o Pai.
“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em Mim tem a vida eterna.” Por intermédio do amado João, que escutou essas palavras, o Espírito Santo declarou às igrejas: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida.” I João 5:11 e 12. E Jesus disse: “Eu o ressuscitarei no último dia.” Cristo tornou-Se uma mesma carne conosco, a fim de nos podermos tornar um espírito com Ele. É em virtude dessa união que havemos de ressurgir do sepulcro – não somente como manifestação do poder de Cristo, mas porque, mediante a fé, Sua vida se tornou nossa. Os que vêem a Cristo em Seu verdadeiro caráter, e O recebem no coração, têm vida eterna. É por meio do Espírito que Cristo habita em nós; e o Espírito de Deus, recebido no coração pela fé, é o princípio da vida eterna.
O povo chamara a atenção de Cristo para o maná que seus pais comeram no deserto, como se o proporcionar aquele alimento fosse um maior milagre do que o que fora realizado por Jesus; mas Ele mostra-lhes quão insignificante era aquele dom em comparação com as bênçãos que lhes viera conceder. O maná só podia manter a existência terrena; não impedia a aproximação da morte, nem garantia a imortalidade; mas o pão do Céu nutria a alma para a vida eterna. O Salvador disse: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do Céu; para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre.” A esta figura acrescenta Cristo outra. Somente morrendo, podia Ele comunicar vida aos homens, e nas palavras que seguem, aponta Sua morte como o meio de salvação. Diz Ele: “E o pão que Eu der é a Minha carne, que Eu darei pela vida do mundo.”
Os judeus estavam para celebrar a páscoa em Jerusalém, em comemoração da noite da libertação de Israel, quando o anjo destruidor feriu os lares egípcios. No cordeiro pascoal Deus desejava que vissem o Cordeiro de Deus, e mediante o símbolo recebessem Aquele que Se deu a Si mesmo pela vida do mundo. Mas os judeus tinham chegado a dar toda a importância ao símbolo, enquanto passavam por alto sua significação. Não discerniam o corpo do Senhor. A mesma verdade simbolizada na cerimônia pascoal, foi ensinada nas palavras de Cristo. Mas ficaram ainda por perceber.
Então os rabinos exclamaram, irados: “Como nos pode dar Este a Sua carne a comer?” Fingiram compreender-Lhe as palavras no mesmo sentido literal que lhes dera Nicodemos quando perguntara: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” João 3:4. Compreendiam, até certo ponto, o que Jesus queria dizer, mas não estavam dispostos a reconhecê-Lo. Torcendo-Lhe as palavras, esperavam indispor o povo contra Ele. Cristo não suavizou Sua simbólica representação. Reiterou a verdade em linguagem ainda mais vigorosa: “Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Porque a Minha carne verdadeiramente é comida, e o Meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele.”
Comer a carne e beber o sangue de Cristo é recebê-Lo como Salvador pessoal, crendo que Ele perdoa nossos pecados, e nEle estamos completos. É contemplando o Seu amor, detendo-nos sobre ele, sorvendo-o, que nos havemos de tornar participantes de Sua natureza. O que a comida é para o corpo, deve ser Cristo para a alma. O alimento não nos aproveita se o não ingerimos; a menos que se torne parte de nosso corpo. Da mesma maneira Cristo fica sem valor para nós, se O não conhecemos como Salvador pessoal. Um conhecimento teórico não nos fará bem nenhum. Precisamos alimentar-nos dEle, recebê-Lo no coração, de modo que Sua vida se torne nossa vida. Seu amor, Sua graça, devem ser assimilados.
Mesmo essas figuras, porém, deixam de apresentar o privilégio da relação do crente para com Cristo. Jesus disse: “Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, assim, quem de Mim se alimenta, também viverá por Mim.” Como o Filho de Deus vivia pela fé no Pai, assim devemos nós viver pela fé em Cristo. Tão plenamente estava Cristo submetido à vontade de Deus, que unicamente o Pai aparecia em Sua vida. Embora tentado em todos os pontos como nós, manteve-Se diante do mundo imaculado do mal que O rodeava. Assim também nós devemos vencer como Cristo venceu.
Sois seguidor de Cristo? Então tudo quanto se acha escrito a respeito da vida espiritual está escrito para vós, e pode ser alcançado mediante vossa união com Cristo. Esmorece o vosso zelo? Esfria o primeiro amor? Aceitai novamente o oferecido amor de Cristo. Comei-Lhe da carne, bebei-Lhe do sangue e vos tornareis um com o Pai e com o Filho.
Os incrédulos judeus recusaram ver nas palavras do Salvador qualquer significação que não fosse a mais literal. Pela lei cerimonial, eram proibidos de provar sangue, e deram agora à linguagem de Cristo o sentido de um sacrilégio, disputando entre si sobre Suas expressões. Muitos, mesmo dos discípulos, disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?”
O Salvador respondeu-lhes: “Isto vos escandaliza? Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que Eu vos disse são Espírito e vida.”
A vida de Cristo, que dá vida ao mundo, acha-se em Sua palavra. Era por Sua palavra que Cristo curava a moléstia e expulsava os demônios; por Sua palavra acalmava o mar, e ressuscitava os mortos; e o povo dava testemunho de que Sua palavra tinha poder. Ele falava a palavra de Deus, como o fizera por intermédio de todos os profetas e instruidores do Antigo Testamento. Toda a Bíblia é uma manifestação de Cristo, e o Salvador desejava fixar a fé de Seus seguidores na palavra. Quando Sua presença visível fosse retirada, a palavra devia ser sua fonte de poder. Como seu Mestre, deviam viver “de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Mat. 4:4.
Como a vida física se mantém pela comida, assim é a espiritual mantida pela Palavra de Deus. E toda alma deve receber, por si própria, vida da Palavra de Deus. Como temos de comer por nós mesmos a fim de receber nutrição, assim devemos receber a palavra por nós mesmos. Não a haveremos de obter simplesmente por meio de outra pessoa. Cumpre-nos estudar cuidadosamente a Bíblia, pedindo a Deus o auxílio do Espírito Santo, para que possamos compreender a Palavra. Devemos tomar um versículo, e concentrar a mente na tarefa de averiguar o pensamento nele posto por Deus para nós. Convém demorar-se sobre esse pensamento até que nos apoderemos dele, e saibamos “o que diz o Senhor”.
Em Suas promessas e advertências, Jesus Se dirige a mim. Tanto amou Deus ao mundo, que deu o Seu Filho unigênito, para que eu, crendo, não pereça, mas tenha a vida eterna. As experiências relatadas na Palavra de Deus devem ser minhas experiências. Oração e promessa, preceitos e advertências, pertencem-me. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim.” Gál. 2:20. À medida que a fé assim recebe e assimila os princípios da verdade, tornam-se eles parte do próprio ser, e a força motriz da vida. A palavra de Deus, recebida na alma, molda os pensamentos, e entra no desenvolvimento do caráter.
Olhando sempre a Jesus com os olhos da fé, seremos fortalecidos. Deus fará as mais preciosas revelações a Seu povo faminto e sequioso. Verificarão que Cristo é um Salvador pessoal. Ao alimentarem-se de Sua palavra, acharão que ela é espírito e vida. A palavra destrói a natureza carnal, terrena, e comunica nova vida em Cristo Jesus. O Espírito Santo vem ter com a alma como Consolador. Pela transformadora influência de Sua graça, a imagem de Deus se reproduz no discípulo; torna-se uma nova criatura. O amor toma o lugar do ódio, e o coração adquire a semelhança divina. É isto que significa viver “de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Isto é comer o Pão que desce do Céu.
Cristo declarara uma sagrada e eterna verdade com respeito às relações entre Ele e Seus seguidores. Conhecia o caráter dos que se diziam Seus discípulos, e Suas palavras provavam-lhes a fé. Declarou que deviam crer e agir segundo Seus ensinos. Todos quantos O recebessem haviam de participar de Sua natureza, e ser amoldados ao caráter dEle. Isso envolvia a renúncia de suas acariciadas ambições. Exigia completa entrega de si mesmos a Jesus. Eram chamados ao sacrifício, à mansidão e humildade de coração. Deviam andar na estreita vereda trilhada pelo Homem do Calvário, se queriam compartilhar do dom da vida e da glória do Céu.
A prova era demasiado grande. Diminuiu o entusiasmo dos que O tinham querido arrebatar para fazer rei. Este discurso na sinagoga, diziam, abrira-lhes os olhos. Agora estavam desenganados. Em seu espírito, as palavras dEle eram uma positiva confissão de que não era o Messias e nenhuma recompensa terrestre poderia provir de se unirem a Ele. Haviam saudado o poder que possuía de operar milagres; estavam ansiosos de ser libertados de doenças e sofrimentos; não se poderiam, porém, concordar com Sua vida de abnegação. Não se importavam com o misterioso reino espiritual de que falava. O insincero, o egoísta que O tinha buscado, não mais O desejou. Se não consagrava Seu poder e influência a obter sua libertação dos romanos, não queriam ter nada com Ele.
Jesus lhes disse francamente: “Há alguns de vós que não crêem”; acrescentando: “Por isso Eu vos disse que ninguém pode vir a Mim, se por Meu Pai lhe não for concedido.” Desejava fazê-los compreender que, se não eram atraídos para Ele, era porque seu coração não estava aberto ao Espírito Santo. “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” I Cor. 2:14. É pela fé que a alma contempla a glória de Jesus. Esta glória está oculta até que, por meio do Espírito Santo, a fé é ateada na alma.
Em vista da pública reprovação de sua incredulidade, esses discípulos ficaram ainda mais alienados de Jesus. Sentiram-se grandemente desgostosos, e desejando ferir o Salvador e agradar à malevolência dos fariseus, voltaram-Lhe as costas, deixando-O desdenhosamente. Tinham feito sua escolha – tomaram a forma sem o espírito, o invólucro sem o grão. Sua decisão nunca mais foi revogada; pois não mais andaram com Jesus.
“Em Sua mão tem a pá, e limpará a Sua eira, e recolherá no celeiro o Seu trigo.” Mat. 3:12. Este foi um dos períodos de expurgação. Pelas palavras da verdade, estava a palha sendo separada do trigo. Como eles fossem demasiado vãos e justos aos próprios olhos para receber reprovação, demasiado amantes do mundo para aceitar uma vida de humilhação, muitos se desviaram de Jesus. Muitos estão ainda a fazer o mesmo. Almas são hoje provadas como o foram aqueles discípulos na sinagoga de Cafarnaum. Quando a verdade impressiona o coração, vêem que sua vida não se acha em harmonia com a vontade divina. Vêem a necessidade de inteira mudança em si mesmos; não estão, porém, dispostos a empreender a obra de renúncia. Zangam-se, portanto, quando são descobertos os seus pecados. Retiram-se ofendidos, da mesma maneira que os discípulos de Jesus se afastaram, murmurando: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?”
O louvor e a lisonja lhes seria agradável ao ouvido; a verdade, porém, é mal recebida; não a podem ouvir. Quando as turbas seguem, e as multidões são alimentadas, e se ouvem os gritos de triunfo, sua voz eleva-se em louvor; mas quando o Espírito de Deus lhes revela o pecado, e os convida a deixá-lo, volvem as costas à verdade e não mais andam com Jesus.
Ao desviarem-se de Cristo aqueles discípulos descontentes, espírito diverso deles se apoderou. Não podiam ver nada de atraente nAquele que antes tanto lhes interessava. Procuraram os Seus inimigos, pois estavam em harmonia com o espírito e obra deles. Interpretaram mal Suas palavras, falsificaram-Lhe as declarações e impugnaram-Lhe os motivos. Apoiavam a própria atitude aproveitando tudo que pudesse ser voltado contra Ele; e tal indignação foi suscitada por essas falsas informações, que Sua vida ficou em perigo.
De pronto essas notícias se divulgaram – que segundo Sua própria confissão, Jesus de Nazaré não era o Messias. E assim a corrente popular voltou-se contra Ele na Galiléia da mesma maneira que, no ano anterior, se voltara na Judéia. Ai de Israel Rejeitaram seu Salvador, porque anelavam um conquistador que lhes proporcionasse poder temporal. Queriam a comida que perece, e não a que permanece para a vida eterna.
Condoído, viu Jesus os que haviam sido Seus discípulos afastarem-se dEle, a Vida e a Luz dos homens. A consciência de que Sua compaixão não era apreciada, nem Seu amor reconhecido, de que Sua misericórdia era desprezada e rejeitada Sua salvação, enchia-O de inexprimível dor. Foram acontecimentos como esses que O tornaram um Varão de dores, experimentado nos trabalhos.
Sem tentar opor-Se aos que partiam, Jesus volveu-Se para os doze, e disse: “Quereis vós também retirar-vos?”
Pedro replicou: “Senhor, para quem iremos nós?” “Tu tens as palavras da vida eterna”, acrescentou. “E nós temos crido e conhecido que Tu és o Cristo, o Filho de Deus.”
“Para quem iremos nós?” Os mestres de Israel eram escravos do formalismo. Os fariseus e saduceus andavam em contínuas disputas. Deixar Jesus era cair entre discutidores obstinados de ritos e cerimônias, e ambiciosos que buscavam a própria glória. Os discípulos haviam encontrado mais paz e alegria desde que tinham aceitado a Cristo, do que em toda a sua vida anterior. Como voltariam para os que haviam desdenhado e perseguido o Amigo dos pecadores? Por muito tempo aguardaram o Messias; agora Ele viera, e não se podiam afastar de Sua presença para ir àqueles que estavam procurando tirar-Lhe a vida, e os tinham perseguido por se tornarem seguidores Seus.
“Para quem iremos nós?” Não dos ensinos de Cristo, de Suas lições de amor e misericórdia, para as trevas de incredulidade, a perversidade do mundo. Ao passo que o Salvador era abandonado por muitos que Lhe haviam testemunhado as maravilhosas obras, Pedro exprimia a fé dos discípulos – “Tu és o Cristo”. O próprio pensamento de perder esta âncora de sua alma, enchia-os de temor e pesar. Ser privado de um Salvador, era andar flutuando em negro e tormentoso mar.
Muitas das palavras e atos de Jesus parecem misteriosos a mentes finitas; mas cada palavra e ato Seu tinha definido propósito na obra de nossa redenção; cada um era calculado a produzir seus próprios resultados. Se fôssemos capazes de entender-Lhe os desígnios, todos pareceriam importantes, completos, e em harmonia com Sua missão.
Conquanto não possamos compreender agora as obras e caminhos de Deus, é-nos possível discernir-Lhe o grande amor, o qual se acha à base de todo o Seu trato com os homens. Aquele que vive próximo a Jesus compreenderá muito do mistério da piedade. Reconhecerá a misericórdia que dá a repreensão, que prova o caráter e traz à luz o desígnio do coração.
Quando Jesus apresentou a probante verdade que deu lugar a tantos discípulos Seus voltarem atrás, sabia qual o resultado de Suas palavras; tinha, porém, um desígnio misericordioso a cumprir. Previu que, na hora da tentação, cada um de Seus amados discípulos seria rigorosamente provado. Sua agonia no Getsêmani, Seu traimento e crucifixão, seriam para eles transes por demais probantes. Se não houvessem sido anteriormente provados, muitos que eram atuados por motivos meramente egoístas, estariam ligados com eles. Quando seu Senhor fosse condenado na sala do tribunal; quando a multidão que O saudara como rei O apupasse e injuriasse; quando a escarnecedora turba clamasse: “Crucifica-O!” – quando suas terrenas ambições fossem decepcionadas, esses interesseiros, renunciando a sua fidelidade a Jesus, teriam ocasionado aos discípulos mais amarga e opressiva dor, em acréscimo ao pesar e decepção sofridos com a ruína de suas mais caras esperanças. Naquela hora de trevas, o exemplo dos que dEle se desviassem poderia arrastar a outros com eles. Mas Jesus provocou essa crise quando, pela Sua presença, ainda poderia fortalecer a fé de Seus verdadeiros seguidores.
Compassivo Redentor que, conhecendo plenamente a condenação que O aguardava, aplainava ternamente o caminho aos discípulos, preparando-os para a prova de sua vida e fortalecendo-os para a provação final!


AUTOR DESCONHECIDO

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