TRADUTOR

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
By Ferramentas Blog

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

ESTUDOS 22 - A DOUTRINA DA IGREJA CRISTÃ EXAMINADA À LUZ DA PALAVRA

A doutrina da Igreja Cristã examinada à luz da Palavra

Rev. Cristóvão R. Nobre
 
Introdução
Dizemos aqui "doutrina da Igreja cristã", de um modo geral, e entende-se tanto a doutrina da Igreja Católica Romana como a de todas as Igrejas reformadas ou Evangélicas, também chamadas de "protestantes".
Se são tomadas aqui em conjunto, é porque essas Igrejas, por mais diferentes que pareçam umas das outras, têm os mesmos pontos fundamentais em suas doutrinas, compartilhando das mesmas idéias sobre a Trindade Divina como uma trindade de pessoas, sobre a justificação, sobre a transferência do merecimento de Cristo ao pecador e sobre vários outros dogmas secundários.
Os aspectos essenciais dessas crenças serão examinados aqui, um a um, e comparados com ensinamentos claros das Escrituras Santas. Tomaremos, em primeiro lugar, a idéia cristã sobre a Trindade.

Capítulo 1 - A crença cristã é que existem três pessoas Divinas na Trindade
Segundo a teologia do todo o cristianismo, há três pessoas Divinas distintas que constituem a "Santíssima Trindade": uma é pessoa do Pai, outra a pessoa do Filho e outra a pessoa do Espírito Santo. Acredita-se que cada uma dessas pessoas é Divina, cada uma delas é em si mesma Deus. Como são três pessoas e são distintas entre si, tem-se aí, como conseqüência inegável, a fé em três deuses: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo..
Uma tal crença em três pessoas Divinas ou três deuses é ensinada dos púlpitos das Igrejas e das cátedras dos seminários como tendo origem e base na Bíblia. Para o confirmar, são aludidas inúmeras passagens do Antigo e Novo Testamentos, as quais, aparentemente, ensinam semelhante idéia. Mas essa fé em três deuses, além de ser contra o senso comum, é inteiramente estranha às Sagradas Escrituras. E sendo assim, é, portanto, uma heresia, a qual cumpre expor e combater, o que procuraremos fazer neste artigo.
Cumpre-nos ressaltar que o intuito da exposição dessa heresia cristã não é o de ofender pessoas que professem tal crença. Muito pelo contrário, procuramos ajudá-las a compreender que esse é um erro de interpretação da Palavra de Deus. Esse erro tornou a fé cristã numa persuasão obscura a respeito de uma Trindade incompreensível, porquanto não se compreende como três podem ser um. Assim, o que o Senhor prometeu ser ensinamento claro e aberto, tornou-se em mistério impenetrável, introduzindo o erro sobre todos os demais pontos doutrinais. Nosso sincero desejo é que o cristão liberte sua mente dessa heresia e adquira a noção justa sobre Deus como é uma Única Pessoa, o Senhor Jesus Cristo, conforme nos ensinam as Escrituras Santas.


O Concílio de Nicéia, origem da crença em três deuses
A crença na trindade de pessoas Divinas não teve origem na Bíblia, mas no Concílio ou Sínodo de Nicéia, o primeiro concílio ecumênico da história, do qual participaram 318 bispos, no ano 325 da era cristã.
Leiamos um relato histórico desse evento: "Quanto ao que concerne a este Sínodo de Nicéia, o Imperador Constantino, o Grande, por persuasão de Alexandre, bispo de Alexandria, o reuniu em seu palácio de Nicéia, cidade da Bitínia, depois de ter convocado todos os bispos da Ásia, da África e da Europa, para combater e condenar, de acordo com a Escritura Santa, a heresia de Arius, um padre de Alexandria que negava a Divindade de Jesus Cristo (...)
"Os bispos convocados concluíram que houve de toda a eternidade três Pessoas Divinas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, conforme se pode ver principalmente pelos dois Credos, chamados Credo de Nicéia e Credo de Atanásio. No Credo de Nicéia lê-se:
'Creio em um único Deus e Pai Onipotente, que fez o Céu e a Terra; e em um único Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, unigênito do Pai, nascido antes de todos os séculos, Deus de Deus, consubstancial com o Pai, que desceu dos Céus, e foi encarnado do Espírito Santo pela Virgem Maria; e no Espírito Santo, Senhor e Vivificante, que procede do Pai e do Filho, que é adorado e glorificado com o Pai e o Filho'.
"No Credo de Atanásio estão estas palavras:
'A Fé católica [universal] é que veneramos um único Deus na Trindade, e a Trindade na Unidade, sem confundir as Pessoas e sem separar a substância' (...)
'Outra é a Pessoa do Pai, outra a Pessoa do Filho, e outra a Pessoa do Espírito Santo' (...)
'O Pai é Deus e Senhor, o Filho é Deus e Senhor, e o Espírito Santo é Deus e Senhor' (...)
'Mas, assim como somos forçados pela verdade cristã a confessar cada Pessoa Deus e Senhor em particular, do mesmo modo somos impedidos pela religião católica [universal] de dizer três Deuses ou três Senhores".
"Quer dizer que é permitido confessar três Deuses e três Senhores, mas que é proibido dizer, e isso porque a religião proíbe um, enquanto a verdade dita o outro.
"Este Credo de Atanásio foi composto imediatamente depois de efetuado o Concílio de Nicéia, por um ou vários dos que tinham assistido a esse Concílio, e foi também aceito como ecumênico ou católico. Por isso, é evidente que então foi decretado que se deve reconhecer três pessoas Divinas de toda eternidade, e que, ainda que cada Pessoa em particular seja Deus por ela mesma; não obstante é preciso dizer, não três Deuses nem três Senhores, mas Um Só" (Verdadeira Religião Cristã 632, Exposição Sumária 31).
"Uma trindade de pessoas Divinas, isto é, trindade de Deuses, é contrária à razão esclarecida. Pois "qual é o homem, com uma razão sã, que pode ouvir que três Deuses criaram o mundo, ou pode ouvir dizer que a criação e a conservação, a redenção e a salvação, a reforma e a regeneração, são obras de três Deuses, e não de um só Deus? E, reciprocamente, qual é o homem, com uma razão sã, que não queira ouvir dizer que o Deus que nos criou também nos resgatou, nos regenera e nos salva?" (2)

A Igreja reformada conservou o credo formulado em Nicéia
Quando veio a época da Reforma, os principais líderes (Lutero, Melancton e Calvino), embora tenham combatido muitos pontos doutrinais e práticas da religião de Roma, não examinaram, entretanto, esse dogma niceano, e o mantiveram como base de sua fé. Assim, a mesma crença em três deuses existe em todas as Igrejas derivadas da Reforma, a saber, todas as Igrejas evangélicas de hoje.
É em conseqüência disso que toda a teologia de todas as religiões cristãs de hoje se funda na concepção de três deuses. Por causa da unanimidade de crença sobre Deus é que todo o cristianismo compartilha a mesma doutrina sobre a justificação, o principal de todos os doutrinais cristãos.
Segundo a doutrina da justificação, Deus Pai estava encolerizado com a raça humana, que se desviara de Suas leis. Mas, para que toda a raça não fosse condenada a castigo eterno, o Deus Filho ofereceu-Se em sacrifício ao Deus Pai para, com o derramamento de Seu sangue, resgatar e salvar os homens. Mediante esse gesto, Deus Pai consentiu que o Deus Filho viesse ao mundo e fosse imolado, aplacando, com sangue, a ira Divina do Pai.
Também se crê que o Espírito Santo é dado por Deus Pai a fim de eleger aqueles que podem ser alcançados por essa graça do preço pago no sacrifício da cruz.
Por causa desse sacrifício do Filho, toda criatura humana tem de se reportar a Deus sempre lembrando-O de que o preço já foi pago pelo Filho, e por isso, nas orações, ajuntam sempre o emblema desse ato, na frase "Em nome de Jesus", senha para que se tenha acesso ao favor de Deus Pai, sem a qual Ele não atende.
Quando ouvimos toda essa doutrina, chamada de "plano da salvação", não há como não entrar em nossas mentes a idéia de três pessoas Divinas bem destacadas uma da outra, tão distintas entre si que uma chega a ser mais misericordiosa que a outra, e essa mais severa e menos paciente que aquela.
Assim, confirma-se que não há somente um, mas três deuses no pensamento e na fé cristã. E todo o "plano" da salvação está estruturado na idéia de três seres diferentes e Divinos.

A doutrina da Igreja Cristã examinada à luz da Palavra

Capítulo 2 - Por que uma Trindade de pessoas Divinas parece ter base na Bíblia
Nas Escrituras Santas encontramos, em toda parte, ensinamentos que nos levam a concluir que existe uma só Pessoa Divina, com uma só natureza e essência. Há muitas passagens que dizem que não pode haver mais de um Deus, portanto mais de uma Pessoa Divina. Destacaremos aqui apenas algumas dessas passagens, para ilustração:
"Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim" (Êxodo 20:2,3).
"Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é Um SENHOR" (Deuteronômio 6:4).
"Porventura não sou Eu, o Senhor? Pois não há outro Deus senão Eu; Deus justo e Salvador não há além de Mim. Olhai para Mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque Eu sou Deus, e não há outro" (Isa. 45: 21,22).
"Todavia, Eu sou o Senhor teu Deus desde a terra do Egito; portanto não reconhecerás outro deus além de Mim, porque não há Salvador senão Eu" (Oséias 13:4).
"Assim diz o Senhor, Rei de Israel, e seu Redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e Eu sou o último, e fora de Mim não há Deus" (Isaías 44:6).
"Porque o teu Criador é o teu marido; o SENHOR dos Exércitos é o Seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; que é chamado o Deus de toda a terra" (Isaías 54:5).
"E o SENHOR será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o SENHOR, e um será o Seu nome" (Zacarias 14:9).
As passagens citadas aqui se encontram no Antigo Testamento, onde o Senhor é chamado Deus e JEHOVAH, nome pelo qual Se deu a conhecer a Moisés. No Novo Testamento existem, semelhantemente, muitas passagens que, como estas acima, ensinam a verdade quanto à absoluta unidade de Deus. Entretanto, no Novo Testamento também se observa que há outras tantas passagens que parecem ensinar algo diferente, ou seja, que existe mais de um ser Divino, mais de uma pessoa Divina. E o que mais nos leva a essa idéia é a constatação dos seguintes fatos:
a) aparece um outro nome, JESUS CRISTO;
b) e também um terceiro nome, Consolador ou Espírito Santo;
c) existe, no Novo Testamento, uma relação bem definida entre um PAI, um FILHO e um ESPÍRITO SANTO;
d) além disso, Jesus mesmo faz referência, muitas vezes, a Seu Pai como Alguém maior do que Ele.
Tomemos algumas passagens como exemplos que parecem confirmar a existência de uma trindade de pessoas:.
"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mateus 28:19).
"E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se Lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo" (Mateus 3:16,17).
"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre" (João 14:16).
Ensinamentos dessa natureza, do Novo Testamento, introduzem em nossa mente a idéia de duas ou três pessoas. Acresce que, quando recebemos essa idéia das três, lembramo-nos de passagens que, no Antigo Testamento, tinham previsto essa "divisão" quando falaram de um Enviado ou Messias, o Ungido de Deus que viria ao mundo para salvar.
Diante desses fatos, chegamos à conclusão de que a existência de mais de uma pessoa, duas ou três, "parece" estar confirmada pela Bíblia, em particular pelo Novo Testamento. Dissemos "parece", porque não podemos nos esquecer que das muitas outras passagens que ensinam outra coisa, isto é, uma só pessoa Divina.
Vemos, então, que são dois grupos distintos de ensinamentos aparentemente incoerentes. Mas como estão na Bíblia, não podem ser incoerentes entre si, precisando ser entendidos de modo que sejam conciliados. 
A Trindade de pessoas é uma interpretação equivocada
Mas a crença numa Trindade de pessoas, além de não ter tido origem na Bíblia, é contra a Bíblia.
Em todas as passagens de passagens que falam de "dois", Pai e Filho, ou três, incluindo o Espírito Santo, nunca se lê o numeral "dois" e "três". Mesmo que dois e até três nomes sejam mencionados, sempre se diz que são um ou se converge para um. Por exemplo, em João 10:30, quando Jesus diz: "Eu e o Pai somos um".
Por conseguinte, ainda que haja referência a nomes diversos no Novo Testamento, a afirmação de Jesus é que Ele e o Pai são Um. E Se Jesus disse isso, nada nos autoriza a dizer que Ele e o Pai são dois ou três. Ele disse: "Somos Um", somente um.
Com um pouco de isenção de mente e de boa fé, chega-se logo à constatação de que a decisão do Concílio de Nicéia foi uma extrapolação do ensinamento da Palavra de Deus, visto que em parte alguma da Palavra se ensina que Jesus e o Pai são dois, ou que um é uma pessoa e outro é outra, ou que sejam duas ou três pessoas distintas, sendo cada uma delas Divina por si.
O que os participantes do Concílio de Nicéia tinham a fazer, a fim de repelir a negação de Araiu, era procurar entender, com a iluminação do Senhor, como é que Jesus e o Pai podem Um só, uma única Pessoa Divina, pois é unicamente isso que Ele afirma.

Existe uma Trindade Divina, não de pessoas, mas de atributos de Deus
 Se há inúmeras passagens do Novo Testamento que ensinam sobre uma Trindade Divina é porque, de fato, ela existe. Este é um ponto sobre o qual não pode haver dúvida. Sendo assim, não queremos negar aqui a Trindade, absolutamente, mas queremos, sim, confrontar aquela dedução erroneamente elaborada em Nicéia, de uma Trindade composta por pessoas. Para isso, procuraremos examinar a Bíblia, à parte da influência da decisão de Nicéia, e conhecer com simplicidade, por meio de passagens claras, como é essa Trindade Divina e como pode ser corretamente compreendida.
Como premissa para nossa análise, tomemos o que Jesus disse a respeito de algum numeral. Ele disse: "Eu e o Pai somos um".
Seja este o nosso único ponto de partida. São citados dois nomes (Eu e Pai), mas que fazem um, ou como Ele mesmo disse: "Crede-Me que Eu estou no Pai e o Pai em Mim".
Se tomarmos estas afirmações como base, estaremos permanecendo exclusivamente dentro do contexto bíblico e essas verdades se tornam ponto-chave para compreendermos toda a questão. Examinemos, então, todas as outras passagens à luz dessa afirmação de Jesus, e veremos como tudo o mais se torna claro e perfeitamente compreensível.
Para entender como o Pai pode estar no Filho, e ambos fazerem Um, a primeira coisa que devemos fazer é remover da nossa mente a idéia de que eles sejam pessoas separadas, porque não é possível uma pessoa ser outra ou estar na outra. Duas pessoas não ocupam o mesmo espaço, muito menos três.
O Pai, que está em Jesus, deve ser, portanto, alguma coisa que não seja outra pessoa. E o que se enquadra melhor neste requisito é a alma. A alma está no corpo e o corpo está na alma, e os dois fazem uma única pessoa, uma só personalidade.
Nossa alma e nosso corpo são Um, são a nossa pessoa. Quem nos vê, vê a nossa alma, porque a alma se manifesta pela face, pelos olhos, pelos sentimentos visíveis no corpo. O corpo é habitação da alma e a alma dá a vida ao corpo, sem serem no entanto dois, mas um único ser, um único indivíduo, uma única pessoa.
Quando lemos que o Pai está em Jesus, podemos compreender perfeitamente que o Pai, JEHOVAH, é a Alma nEle. O Corpo, ou Filho, é o aspecto da Alma, o Humano material de que Ela Se revestiu para vir ao mundo.
Essa maneira de se pensar em Deus faz a luz se expandir em nossas mentes, e o "mistério da Santíssima Trindade" começa a se dissipar, como a escuridão da noite se dissipa quando brilha a aurora. Esse modo de pensar está em perfeita conformidade com o conceito da Unidade de Deus e não exclui nem contradiz qualquer outro ensinamento, porque todas as passagens da Bíblia ficam compreensíveis e coerentes.
Por exemplo, quando o Senhor diz que o Pai é maior do que Ele (João 10:29 e 14:28) é porque a Alma é superior ao Corpo, pois é a alma que dá vida e governa as ações do corpo. Quando Ele disse que Seu Corpo era um Templo (João 10:19,21), estava Se referindo à morada da Alma Divina em Seu Humano. E assim, por diante. Em suma, todas as passagens em que Jesus aparentemente Se refere a duas pessoas, Ele e Seu Pai, podem ser entendidas segundo essa concepção de corpo e alma, sem que haja necessidade de se ignorar todas as passagens que dizem haver um só Deus.
É somente assim que podemos entender como, no Antigo Testamento, JEHOVAH disse: "Eu sou o primeiro, e Eu sou o último, e fora de Mim não há Deus" (Isaías 44:6), e, no Novo Testamento, Jesus disse: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último" (Apoc. 1:11). E visto que não podem existir dois que sejam "primeiros" e "últimos", confirma-se aí que Se trata da mesma e única Pessoa, mesmo que sob outro nome. Aliás, nem chega a ser outro nome, porque "Jesus" é a forma grega de "JEHOSHUA", que quer dizer: "JEHOVAH salvou". De fato, Jesus é o mesmo JEHOVAH quando veio ao mundo para salvar, como Ele prometera no Antigo Testamento:
"E naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na Sua salvação gozaremos e nos alegraremos" (Isaías 25:9).

Capítulo 3 - O conhecimento a respeito de Deus é progressivo 
Em vários livros da Bíblia encontramos referência a um progresso que deve existir no conhecimento acerca de Deus e das coisas Divinas. Citaremos alguns:
"Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra". (Oséias 6:3)
"Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal. Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus". (Heb. 5:12-14, 6:1).
É certo que, assim como todas as coisas do universo criado progridem e acontecem numa sucessão lógica da ordem, a mente humana também tem seu processo de crescimento. A nossa percepção a respeito de todas as coisas é, no começo, obscura, inadequada e imprecisa, mas aumenta e se desenvolve. O conhecimento, seja da própria experiência, seja do ensino, só é adquirido por etapas ou graus, cada vez mais abrangentes e mais profundos, e isso na proporção do interesse e da percepção do indivíduo.
Os pensamentos acerca de Deus, que são os pensamentos da fé, estão sujeitos a esse mesmo processo, razão pela qual Jesus Se referiu à fé como a um grão de mostarda, o qual, semeado, cresce e se torna árvore.
Uma outra razão por que existe o progresso da consciência das coisas Divinas tem a ver com o livre-arbítrio. Para realmente entender, é necessário que a pessoa veja, examine e tire conclusões por si mesma. As matérias da fé vêm pela audição dos ensinamentos da revelação Divina, mas para que a pessoa faça deles sua fé, é necessário que torne as idéias apreendidas como suas próprias. Se não forem refletidos e transformados em princípios racionais por convicção própria, as matérias apreendidas permanecerão apenas como fatos decorados da memória.
Paulo tinha percepção desse crescimento progressos nas coisas espirituais, razão por que assim Se dirigiu aos Coríntios:
"E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis." (...) "Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido (I Cor. 3:1,2; 13:11).
E Pedro também o disse:
"Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo" (I Pedro 2:2).
Isto ficou claro também pelas palavras do próprio Senhor Jesus aos Seus discípulos, pois disse que eles também estavam sujeitos a esse processo e que iriam progredir no conhecimento da verdade:
"Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" (...) "Disse-vos isto por parábolas; chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai". (João 16:12,13, 25).
Finalmente, podemos ver uma ilustração desse progresso da fé no relato da cura do cego de Betsaida, que primeiro enxergou homens como árvores e, depois, viu distintamente ao longe.
"E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa. E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam. Depois disto, tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos, e fez olhar para cima: e ele ficou restaurado, e viu cada homem claramente" (Marcos 8:22-25).
Ora, considerando que há uma necessária progressão no conhecimento acerca das coisas Divinas, é de se esperar que, no começo, a idéia que o homem tem de Deus não deixe de ser um tanto vaga, devendo porém, até se chegar a "toda a verdade", a se conhecer "abertamente acerca do Pai".
Quando entendemos que existe essa progressão, podemos também compreender que a idéia de uma Trindade de Pessoas faz parte dessa progressão, da gradual abertura de nossa visão de Deus, mas ainda não é a idéia definitiva e mais adequada. E, como existe a progressão, não podemos nos deter nessa idéia, sob pena de ficarmos estagnados nas coisas espirituais, presos aos "rudimentos" de que falou o autor da carta aos Hebreus.
A fé em Deus, a compreensão de Quem Ele é, de Sua essência, vem da Palavra, mas cada um deve examiná-la a fim de tirar dali sua fé própria e viva em Deus. É como a água que está na fonte, mas cada um deve ir até e beber por si mesmo, a fim de saciar a sede. Ou como a semente, que precisa cair em solo fértil para germinar, crescer e dar frutos. Tudo o que a pessoa concebe a respeito de Deus só se torna da fé se a pessoa mesma quiser recebê-lo com afeição de aprender a verdade pela verdade. Quando ela está nessa pesquisa, Deus pode esclarecê-la, influir em seu entendimento, e fazê-la com que perceba nitidamente o que é verdadeiro.
É o Senhor quem, de fato, nos abre os olhos da fé, para que enxerguemos a Verdade (Mateus 16:17), mas Ele só pode fazer isso na proporção que a pessoa busca e no tempo adequado, em que a mente está preparada para receber.
A fim de respeitar esse progresso, o Senhor só Se deu a conhecer aos poucos. Se tivesse anunciado Sua condição Divina desde o começo, Ele estaria passando por cima das etapas normais de desenvolvimento da fé na mente de Seus seguidores. Estaria lhes impondo uma crença para a qual eles não tinham ainda recebido sustentação nas verdades ouvidas e vistas. Ele estaria, assim, violando o processo gradual e positivo de aprendizagem e absorção da fé pelo próprio indivíduo.
As pessoas acreditaram em Deus porque tiveram razões próprias para crê-lo. Podemos ver alguma coisa disso nessas passagens:
"A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade. Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo? (João 4:17-19, 28, 29).
A fé da samaritana em que Jesus era Profeta e Cristo era porque Jesus lhe revelara assuntos de sua vida.
E em outra passagem:
"Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo" (João 6:14).
E Nicodemos chegou à mesma conclusão:
"Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não for com ele" (João 3:2).
João, quando estava preso, teve dúvidas quanto ao caráter messiânico de Jesus. Por isso, enviou-Lhe alguns discípulos com a pergunta:
"És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. (Mateus 11:3-5).
Jesus poderia ter respondido: "Eu sou o Cristo", mas preferiu mostrar os sinais para que João retornasse por si mesmo à fé que tivera antes. João podia, assim, crer no Senhor por causa das obras Divinas que Ele fazia (João 14:11).
Mas havia, ainda, outra razão por que Jesus não declarou logo, desde o início, Sua condição de Filho de Deus e o próprio Deus. Era porque, quanto ao Humano, Ele estava em lutas e tentações a fim de fazer aquele Humano Divino, glorificando-O para Sua morada. Sua Alma era a Vida, desde a eternidade, mas o Humano estava se tornando a Vida gradativamente, fazendo-Se Deus à medida que era unido à Alma e divinizado. Por isso, de certa forma, Seu Humano ainda não era plenamente Deus (plenamente glorificado) até à Ressurreição.
Convinha que Ele padecesse as tentações, pois era por meio delas que Se faria a união entre o Filho e o Pai, o Humano e o Divino. Por isso Ele disse: "Convém que eu vá [que o Humano seja glorificado, unido ao Pai]...".


Capítulo 4 - A progressão do conhecimento de Deus no tempo do Novo Testamento
Os que viriam a ser os discípulos e os primeiros cristãos, bem como os fariseus e o povo judeu, no começo do ministério público de Jesus estavam em completa ignorância quanto ao Seu caráter Divino. Analisando os conceitos que eles tiveram sobre o Senhor, podemos perceber essa progressão em andamento, elevando-se gradualmente ou, no caso dos que O rejeitaram, degenerando-Se em negação e ódio. Mas a progressão, o desenvolvimento da idéia de Deus, para o bem ou para o mal, era constante.
No que se segue, faremos uma síntese dessa progressão com diversas pessoas ou grupo de pessoas. Nosso objetivo, com isso, é levar o amigo leitor a refletir quanto a essa mesma progressão na Igreja cristã de hoje: até que ponto ela chegou no conhecimento de Deus? será que parou? retrocedeu? É nosso desejo contribuir para que o Senhor mesmo o ilumine nessas respostas.
Lendo o Novo Testamento e fazendo uma compilação dos diversos conceitos que foram formulados sobre Jesus, podemos classificá-los da seguinte maneira:
  

Graus do conhecimento:
Como Ele foi chamado:
Ocorrência nos Evangelhos:
-
Desconhecido pelo povo

-Ignorado
-Período anterior ao Seu ministério público
1o. nível de conhecimento
Um homem comum
O "carpinteiro", pelos da Sua pátria
"filho de Maria"
"filho de José"
"Jesus de Nazaré, filho de José", por Felipe
"homem", pelos judeus que O queriam apedrejar
Mc. 6:3; Lc. 4:22
Mc 6:3
Lucas 3:23
João 1:45
João 10:33
2o. nível de conhecimento
Um Rabi, Mestre
"Rabi", por André e Natanael, os demais discípulos e por Nicodemos
"Rabi, Rabi", por Judas
"Mestre", por escribas e fariseus; doutores da lei, muitos do povo e os discípulos
João 1:38; 1:49; 3:2, 26; 4:31, 6:25; 9:2, 11:8
Mt. 26:25, 49, Mc 14:45
Mt 8:19; 10:24, 12:38; 17:24; 22:16; 22:24 etc.
3o. nível de conhecimento
O Filho de Davi, herdeiro real
"Filho de Davi", por vários cegos, pela multidão, pela mulher cananéia, pela multidão à entrada triunfal em Jerusalém;
Mt. 9:27; 13:23; 15:22; 21:9; Mc.10:47, Lc. 18:39
4o. nível de conhecimento
Um Profeta
"Profeta", pelo povo
"Profeta de Nazaré", pela multidão
"Elias", "como um dos profetas", pelo povo
"um grande Profeta", pelo povo
"um profeta antigo ressuscitado", pelo povo
"homem profeta", pelos discípulos de Emaús
"O Profeta", pelos que ouviram a voz dos céus
"profeta", pelo cego curado e pela samaritana
"Jeremias e João", pelo povo
Mt 14:5; 21:46; Jo. 6:14
Mt. 21:11
Mc. 6:15
Lc 7:16
Lc. 9:8
Lc 24:19
Jo. 7:40
Jo. 9:17; 4:19
Mt 6:14
5o. nível de conhecimento
O Messias
O Cristo
O Salvador
"Cristo, Filho do Deus vivo", por Pedro
- pelos anjos
- pelos demônios
"Cristo de Deus", por Pedro
-"Messias"
- pela mulher samaritana e outros samaritanos
"Cristo, Salvador do mundo", pelos samaritanos
Mt. 16:16; Mc. 8:29
Lc. 2:11
Lc. 4:41
Lc. 9:20; Jo. 6:69
Jo. 1:41
Jo. 4:29
Jo. 4:42
6o. nível de conhecimento
O Filho de Deus
"Filho de Deus", pelos demônios e espíritos imundos
- pelos discípulos no barco, pelo centurião romano
- pelo anjo Gabriel
- por João Batista
- por Natanael
- por Marta
"Filho do Deus vivo", por Pedro
Mt. 4:3,6; 8:29; Mc. 3:11; Lc. 4:41
Mt. 14:33; 27:54; Mc. 15:39
Lc. 1:35;
Jo. 1:34;
Jo. 1:49
Jo. 11:27
Mt. 16:16
7o. nível de conhecimento
O próprio DEUS
"Senhor meu e Deus meu", por Tomé
"É o verdadeiro Deus, e a vida eterna", por João
"Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade", por Paulo
"Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo", por Judas
Jo. 20:28; I Jo. 5:20;
Col. 2:9;
Judas 3,4
Algumas observações:
Praticamente não havia dificuldade alguma em se aceitar que Jesus era Mestre e Rabi. Enquanto era considerado assim, as disputas eram somente quanto às opiniões que Ele tinha sobre as diversas questões que Lhe eram apresentadas. A maioria, se não todas as pessoas, facilmente consideraram-No Mestre e Rabi. Este reconhecimento, diga-se de passagem, podia envolver o nível anterior, ou seja, que Ele continuava sendo um homem normal, um carpinteiro de Nazaré e filho de José. Portanto, os escribas, fariseus e doutores da lei O chamavam de "Mestre" e "Rabi" porque, possivelmente, tinham como certo que Jesus não passava de um homem comum (vide João 10:33) e, depois, um impostor e agitador.
Os problemas e disputas surgem quando se começa a considerar Jesus como Profeta (nível 4) e, ainda mais, quando passa a ser visto como o Cristo e Messias (nível 5).
Um mestre, "rabi" e um profeta poderiam ser meramente humanos, mas o Messias já teria algo de Divino, mesmo que, como se esperava, o Messias ou Cristo fosse um homem comum, descendente de Davi (Mateus 22:42, Marcos 12:35 e Lucas 20:41); assim os escribas ensinavam, pelo que Jesus procurou mostrar que estavam errados, visto que o Messias não poderia ter um homem (Davi) como Pai (Mateus 22:43-46).
Mas, como possivelmente os judeus continuaram na expectativa de um Messias terreno, por isso eles aclamaram Jesus como o "filho de Davi", "que vinha em nome do Senhor" (Mateus 21:9), um rei terreno que fosse sacudir o domínio romano para lhes restaurar a antiga glória da nação judaica. O povo, de um modo geral, seguindo o ensinamento e a concepção dos escribas, chegou somente até esse nível de concepção sobre o Senhor: um Messias humano, filho de Davi, herdeiro legítimo do trono. E foi, muito possivelmente, porque o Senhor lhes frustrou essa expectativa, que eles, cinco dias depois dessa ruidosa aclamação triunfal, bradaram que Pilatos O crucificasse. Além disso, os judeus tinham determinado que, se alguém confessasse ser o Cristo, fosse expulso da sinagoga (João 9:22).
Todos os ataques que Jesus sofreu dos infernos foram dúvidas quanto a Ele ser o Filho de Deus. Para aceitá-lo como tal, era necessário reconhecer Sua concepção Divina, e que Ele não era, de modo algum, o filho de José, mas de Deus, ao Qual deveriam, por conseguinte, se sujeitar.
Desde as primeiras tentações relatadas, no deserto, até à última, já na cruz, Ele foi rudemente agredido por causa de Seu caráter Divino:
"E, chegando-se a Ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães". (Mateus 4:3
"E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo"; (Mateus 4:6
"E os que passavam blasfemavam dele, meneando as cabeças, dizendo..."Se és Filho de Deus, desce da cruz". (Mateus 27:39, 40
Os demônios que Ele expulsou confessavam desde o início que Ele era o Filho de Deus (Mateus 8:29, Marcos 3:11; 5:7; João 6:69) e o Cristo, mas isso faziam não porque quisessem exaltar a Divindade do Senhor. Ao contrário, os demônios percebiam que o processo de aceitação da Divindade de Jesus pelos fiéis devia ser gradual, à medida do amadurecimento dessa fé e em conformidade com as conclusões a que cada um chegasse, ouvindo-Lhe as palavras, vendo os Seus milagres e, sobretudo, rejeitando a doutrina dos fariseus. Diante disso, os demônios e espíritos imundos quiseram atropelar esse processo, precipitando a exposição de uma verdade para a qual o povo ainda não estava preparado. Realmente, os espíritos imundos pretendia lançar o Senhor contra os fariseus e o próprio povo, escandalizando-os por meio de uma verdade dita fora de hora. Os demônios sabiam em que ponto haveria a maior dissensão quanto ao caráter de Jesus, e queriam o quanto antes antecipar os acontecimentos e impedir a obra Divina. Por isso Jesus ordenava sempre que eles se calassem, quando os expulsava.
A despeito de toda adversidade, alguns fiéis seguidores prosseguiram em seu conhecimento de Jesus e foram além de O reconheceram como Profeta, Messias e Cristo, Salvador do mundo. Reconheceram-No como Filho de Deus. Destacam-se, dentre esses, a mulher samaritana e os seus concidadãos que, talvez por não estarem sob a influência e a ameaça dos fariseus judaicos, puderam, em pouquíssimo tempo, ter seus olhos abertos para essa verdade, saindo da ignorância até a aceitação integral de que Ele era o Cristo, Salvador do mundo.
"Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. (..) Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo. (...) Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo? E muitos mais creram nEle, por causa da Sua palavra. E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo (João 4: 19-42, p).
Além dos discípulos e das mulheres que O seguiram, outros, que também chegaram à concepção de que Jesus era filho de Deus foram o centurião romano e os que com ele vigiavam a crucificação, talvez porque, como os samaritanos, não estivessem sob a influência das idéias preconcebidas da doutrina rançosa dos fariseus:
"E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus" (Mateus 27:54, Marcos 15:39).
Também foi assim com os discípulos, o que se pode ver especialmente por Felipe e Natanael. No começo, tiveram Jesus como Rabi e Profeta e, mais tarde, Cristo e Filho de Deus (Mateus 14:33, João 1:49, Mateus 16:16).
Nota-se que, em todos as falas registradas nos Evangelhos, eles chamaram Jesus de "Rabi" e "Mestre" mais no começo de Seu ministério e, à certa altura, provavelmente em meados desse período, praticamente deixaram de chamá-Lo assim. Judas, no entanto, sempre o chamou de Rabi até o fim, talvez porque realmente duvidasse do caráter Divino de Jesus e, por causa disso, não hesitou em entregá-Lo aos sacerdotes (vide Mt 26:25, 49; Mc. 14:45).
Mas os discípulos não pararam, porém, ali. Havia a promessa de que, quando viesse o Consolador, este os guiaria a toda verdade, falando-lhes abertamente a respeito de Deus. (João 16:13, 25) Isto se cumpriu, para eles, logo após a ressurreição de Jesus, pois naqueles dias alcançaram finalmente à concepção sublime de que Jesus, o "Homem profeta, poderoso em obras" que andara entre eles, era o PRÓPRIO DEUS!
O primeiro que declarou isso foi Tomé. Quando ressurgiu, na tarde daquele domingo, Jesus estava agora no Humano glorificado. Ele tinha ido para o Pai, isto é, Seu Humano agora estava unido plenamente à Alma eterna, o Humano tomado no mundo estava unido a JEHOVAH, a vida mesma. Jesus era "Immanuel", que quer dizer: "Deus conosco". Ele assim Se apresentou aos discípulos segunda vez, no Corpo glorificado.
"Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!" (João 20:27,28).
É muito importante notar que Jesus não repreendeu a Tomé por tê-Lo chamado de Deus! Ele o faria prontamente, se assim fosse o caso. Jesus não aceitaria ser chamado Deus e igual ao Pai se Ele mesmo não fosse Deus e o Pai. Assim, ao invés de corrigir Tomé, Ele o censurou por ter sido tardio em compreender essa verdade irrefutável.
João, o discípulo que na última ceia se reclinara sobre o Seu seio Divino, no seu Evangelho registrou também essa verdade dizendo que Deus, que era a Palavra, tinha-Se feito Carne e habitara no meio deles! Mais tarde, na sua Epístola, reafirmou que Jesus Cristo era o verdadeiro Deus e a vida eterna (I João 5:20).
Judas, em sua breve epístola, fez a seguinte referência:
"Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo" (3,4)
E Paulo(Colossenses, 2:8,9): resumiu essa verdade dizendo que Jesus Cristo "habita corporalmente toda a plenitude da Divindade".
Após a Sua ressurreição e completa glorificação, a completa união das essências Humana e Divina, o Senhor falou aos discípulos como Um só Deus, o todo poderoso:
"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra". (Mateus 28:18).
Alguém, pensando pela idéia cristã de hoje, poderia ser levado a interpretar essa afirmação dizendo que Deus, o Pai, transferiu à pessoa do Filho todo o poder. Porém, se assim fosse, a outra suposta pessoa Divina ficaria reduzida a nada. O que Jesus dizia, aqui, era simplesmente que, naquele Humano, de que Ele Se revestira no mundo, estava o todo o poder de salvar, porque ali estava a Alma Divina, habitando aquele Humano como num Templo preparado e purificado.
E após a ascensão do Senhor aos céus, não havia mais dúvida de que Ele era Deus, visível, revelado, perfeitamente compreensível. Por isso, quando Jesus lhes ordenou que batizassem a todos os que cressem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28:19), eles saíram batizando... em nome de Jesus (Atos 2:38). Eles não estavam desobedecendo à sublime ordem. Era somente porque o "Nome" do Pai, do Filho e do Espírito Santo é "Jesus", pois que Ele mesmo é Pai quanto à função de nos criar, Filho, quanto ao Humano, que nasceu da Alma, e Espírito Santo pela operação atual em nossas mentes e corações.
Quando nomes diferentes são dados a uma mesma pessoa, isto pode trazer alguma confusão a quem não a conhece, mas a pessoa em questão não deixa de ser ela mesma e muito menos se torna em duas, por ter sido chamada de outro modo. Temos um exemplo disso no conhecido versículo de Isaías 9:6, que sintetiza os vários nomes de um mesmo Deus:
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Isaías 9:6).
Só aqui, sete nomes, sete atributos distintos para um só Deus: "Menino", "Filho", "Maravilhoso", "Conselheiro", "Deus Forte", "Pai" e "Príncipe". O "Menino" é o mesmo "Deus forte", que é também "Pai" e "Filho", ao mesmo tempo.

Capítulo 5 - A Igreja cristã primitiva cria numa única pessoa Divina, o Senhor Jesus Cristo
Que os discípulos e apóstolos tenham chegado à concepção de que Jesus Cristo era o próprio Deus vindo ao mundo, isto se vê pelo que foi escrito por João, Judas, Paulo e outros, conforme aludido acima. Por estas e outras passagens, que serão ainda citadas na seqüência, conclui-se que não havia dúvida alguma, para eles, quanto à Divindade de Jesus Cristo.
Mas quando eles saíram para ensinar a nova fé cristã, eles anunciaram a fé em Jesus Cristo como Filho de Deus, porque este era como o ponto de partida. Com efeito, quando Pedro confessou que Jesus era o Filho do Deus vivo, Jesus lhe disse: "Sobre esta pedra (a fé, e não Pedro) edificarei a minha Igreja". (Mateus 16:18)
A Igreja cristã teve início desse ponto, e para isso os evangelhos foram escritos, como se lê:
"Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (João 20:31).
Mas esta fé é somente a pedra angular, que é fundamento e esquadro para toda a construção que se tem de erguer erguida. Essa pedra, a fé inicial que Jesus é o Filho de Deus, foi rejeitada pelos judeus e feita pedra de tropeço (Mt 21:42-44).
Pelas cartas apostólicas e pelo livro do Apocalipse, vemos o desenvolvimento dessa fé na Igreja, porque então Jesus é apresentado como o Único Deus, ainda que com outros nomes:
"Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, Que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Smirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia. E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pós sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno. (Apoc. 1:10-18).
Aquele que João tinha diante de si, Que lhe disse duas vezes que era o "Primeiro e o Último" era o Humano agora glorificado do Senhor, Jesus Cristo, cuja Alma era o Divino Ser, JEHOVAH, o mesmo que havia dito, na antigüidade, que era o Primeiro e o Último, a primeira e única pessoa de Deus. E Ele mandou que João desse essa mensagem a todas as Igrejas, representadas pelas sete igrejas nomeadas da Ásia, para que se atestasse Sua Divindade e Unidade.
Os apóstolos falavam, evidentemente, no Filho, no Pai e no Espírito Santo, mas não com referência a pessoas separadas. De fato, eles nunca mencionaram uma trindade de pessoas, porque sabiam que a Trindade era de atributos específicos de um mesmo Deus. É nesses atributos Divinos de uma Única Pessoa, que se deve pensar, quando se fala em Pai, Filho e Espírito Santo, para que a crença em Deus seja íntegra. A imagem de "Pai", "Filho" e "Espírito Santo" são alegorias, formas pelas quais se podia entender o aspecto Criador, Redentor e Regenerador de Deus, ou, Sua Alma, Seu Humano e Sua Operação nos nossos corações e mentes.
Ficará mais fácil compreender a Trindade em Jesus Cristo se pensarmos no que ocorre conosco. Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus e por isso uma trindade também em nós: temos nossa alma (o aspecto invisível, superior e imortal), temos o corpo (o aspecto visível, inferior e mortal) e temos a nossa ação, nossa personalidade e tudo o mais que resulta da união entre o corpo e a alma.
Os judeus, a quem Paulo escreveu, criam no atributo Divino chamado Pai, mas não aceitavam que o Ser Divino tinha vindo num revestimento natural, chamado Filho, para efetuar a redenção. A manifestação de Deus em carne é a concepção "Filho", que eles não quiseram aceitar.
A Igreja primitiva adorava assim o Senhor Jesus Cristo, manifestação do Deus eterno, Deus que Se fizera Homem, numa única pessoa, na fé simples e clara da Palavra. E foi exatamente porque a Igreja assim acreditava que Arius começou a atacá-la, dizendo que Jesus não podia ser Deus, pois, segundo ele, se O fosse, o mundo teria sido destruído quando Ele morreu na cruz.
Arius estava negando a Divindade de Jesus e Sua Unidade pessoal com o Pai. Os bispos reunidos em Nicéia poderiam tê-lo rebatido com ensinamentos das Escrituras de que, em Jesus, quem padeceu a cruz e morreu foi o Filho do Homem, o aspecto Humano de Sua Divindade, tendo ressuscitado no terceiro dia, e que, quanto à Sua Alma, Ele era e sempre será Deus eterno e imortal, e por isso ressuscitou Seu Humano, Jesus Cristo.
Mas a oposição à Divindade do Senhor já havia começado no tempo mesmo dos apóstolos, pelo que foi necessário que o outro Judas escrevesse a seguinte admoestação:
"Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo. (Judas, 3,4).
E também de Paulo:
"Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Colossenses, 2:8,9)

Capítulo 6 - A razão de haver a aparência de Trindade de pessoas na Bíblia
É um fato incontestável que a Bíblia, como se falou acima, traz uma quantidade considerável de passagens que dão a idéia de que existe uma trindade de pessoas. Além das passagens mais conhecidas e das que foram trazidas acima, tomemos como exemplo as seguintes:
"Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus" (Marcos 16:19)
"Desde agora o Filho do homem se assentará à direita do poder de Deus" (Lucas 22:69).
"E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus" (Atos 7:56).
"Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo" (João 16:32)
Além de outras semelhantes, nas quais se constata que a idéia de pessoas Divinas é, de fato, muito marcante. Se fôssemos levar em conta somente passagens dessa espécie, não haveria outra conclusão sensata a não ser afirmar que existem, sim, duas ou mais pessoas Divinas. No entanto, como já se falou anteriormente, a Bíblia tem também o outro grupo de passagens que ensinam claramente a unidade de Deus. Várias dessas passagens já foram citadas também anteriormente e por isso não serão repetidas aqui.
E é por causa desse outro grupo de passagens aparentemente antagônicas que não podemos concluir quanto a trindade. E, como sabemos que na Palavra de Deus não há enganos, o que nos resta a fazer é procurar conciliar os dois grupos, que é o que temos procurado fazer aqui ao adotarmos o conceito de "atributos" e não de "pessoas", porque esse conceito pode conciliar perfeitamente esses dois grupos heterogêneos de ensinamentos e abre-nos a porta para a compreensão do que se chama de mistério Divino.
Mas voltemos às passagens há pouco citadas. Se Deus é uma só Pessoa, e se foi Ele mesmo que veio ao mundo revestido do Humano, então, qual a razão de haver na Bíblia as passagens que dão a entender diferentemente, isto é, a trindade de pessoas?
Existiram várias razões para isso:
Primeira. No Antigo Testamento, como já se falou acima, Deus JEHOVAH havia feito a promessa de que Ele enviaria um Salvador. Mas disse também, em várias ocasiões, que o Salvador seria Ele mesmo, já que não existe outro Deus e outro Salvador:
"Porventura não sou Eu, o Senhor? Pois não há outro Deus senão Eu; Deus justo e Salvador não há além de Mim. Olhai para Mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque Eu sou Deus, e não há outro". (Isa. 45: 21,22).
"Todavia, Eu sou o Senhor teu Deus desde a terra do Egito; portanto não reconhecerás outro deus além de Mim, porque não há Salvador senão Eu" (Oséias 13:4).
Por conseguinte, o Messias, Salvador, que nasceria de uma virgem como Menino e Filho, seria, ao mesmo tempo, o Pai e Deus:
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Isaías 9:6).
Por isso, quando chegou o tempo da redenção, Ele cumpriu a Sua promessa, e fez gerar para Si um corpo em Maria, ao qual chamou Filho:
"E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus". (Lucas 1:35).
Aquele corpo, o aspecto Humano visível de Deus, passou a ser como uma vestimenta, uma morada ou um Templo para o Altíssimo, o mesmo Divino Ser, chamado JEHOVAH. Se não fosse por esse revestimento Humano, pelo qual adaptou e conformou Sua presença, a raça humana não poderia suportar Sua presença.
Mas, para que não houvesse dúvida de que Deus estava presente com os homens por meio daquele Humano, por isso Ele também disse:
"Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um Filho, e chamará o seu nome Emanuel" (Isaías 7:14).
Profecia que foi dita estar cumprida no Novo Testamento:
"Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco" (Mateus 1:22, 23).
"Emanuel" ou "Imanuel" como Mateus explica, vem do hebraico "im" (com) + "an[ar]nu" (nós) + El (Deus). "Deus conosco" ou "Deus presente conosco". Ainda que o nome do Menino viesse a ser efetivamente outro, Jesus, o significado "Imanuel" era realidade: Ele era Deus presente conosco. Foi essa idéia sublime que João nos relatou mais tarde quando disse que Deus Se fez Carne e habitou entre nós.
Ocorre que, mesmo sendo Deus quanto ao íntimo, ou a Alma, o Humano tinha, no começo, as limitações de um homem, ou hereditariedades humanas provenientes de Maria. Por causa desse aspecto, Ele, quanto ao Humano, chamado Filho, pôs-Se em contato com a raça humana e suas imperfeições, lutou contra elas e as venceu. Embora tivesse a fragilidade humana e lutado contra os males, nunca se contaminou jamais com os males, pelo que era a expressão da Inocência mesma. Aliás, foi por Sua inocência que, quanto ao Humano, Ele foi chamado Cordeiro de Deus.
Havia, portanto, dois níveis de consciência no Senhor: do Ser Infinito, JEHOVAH, na Sua mente interna, Sua alma, e do Humano frágil, sofredor, chamado Filho do homem, em sua mente externa. O aspecto externo dEle, Filho, tinha perfeita noção de Sua inferioridade em relação à Sua Alma, e por isso Ele Se dirigia a esta parte de Sua personalidade com humildade.
Naquele Humano havia momentos de dúvidas, receios e aflições que O fizeram suar gotas de sangue no momento de maior angústia (Lucas 22:44), mas Ele sabia que tinha de Se sujeitar aos desígnios que Se propusera em Sua Alma, a saber, de levar a luta contra os infernos até o fim, triunfar sobre eles e assim redimir a raça humana.
Mas havia também, naquele Humano, momentos de exaltação, contentamento e comunhão íntima com Sua Alma, ocasiões em que Ele falava a partir da Alma, como já unida ao Seu Humano. Esse processo de união do Corpo à Alma, do Filho ao Pai, foi comparável à tarefa de purificação do templo que Ele realizou, expulsando dali os ladrões. Foi um ato real mas também simbólico, porque o mesmo processo acontecia também no Templo do Seu corpo, visto que expulsava gradativamente as insinuações infernais que O queriam contaminar. Vide, a respeito dessas tentações, Mateus 4:10, 16:23, Marcos 1:13 etc.
Como esse processo de glorificação ou de Divinização do Humano (Filho), pela Sua união progressiva com a Alma Divina (Pai), por isso lemos:
"Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei" (João 12:28).
A glorificação era, como se percebe, uma alternação de estados de sofrimento e glória, humilhação e exaltação, luta e vitória. A morte na cruz foi a última tentação do Filho, o inevitável cálice amargo que possibilitou a completa remoção de toda a Sua fragilidade Humana, e Sua ressurreição foi a completa vitória sobre os infernos e os males de toda a raça humana. Por isso Ele ressurgiu no Humano glorificado, no Qual a presença da Alma era plena. Por meio de todo esse árduo processo, o Humano era agora Templo reedificado de Deus (João 2:21). Por isso, estava agora revestido de todo o poder que provém de Sua Alma, e por isso era o Todo-Poderoso também quanto ao Seu Humano (Mt 28:18). Assim foi que o Filho foi dito estar à direita de Deus, pois a "direita" representa o poder (Mt 26:24, Lc 22:69).
Esta explicação nos leva, por conseqüência lógica, à segunda razão pela qual existe na Palavra de Deus a aparência de duas ou mais pessoas, como se segue. Porque, quando compreendemos dessa maneira o desenvolvimento da glorificação do Humano do Senhor, chegamos à conclusão que são coisas não profundas e inatingíveis, mas um pouco complexas, sim, ligeiramente acima do que a reflexão humana comum está habituada. Portanto, somos convidados a fazer a seguinte reflexão: De que maneira todas essas coisas poderiam ser escritas no Evangelho, a não ser da forma como estão ali? Se Ele, ao Se revelar como Filho, já foi difamado e rejeitado pela mente incrédula de nossa raça, se já tivemos dificuldade de aceitá-Lo como Messias e Salvador, o que seria de nossa miserável crença se Ele Se manifestasse de uma vez como Deus? Poucos suportaram revelação tão grandiosa. Os discípulos, que viveram com Ele cada dia por quase três anos, só compreenderam isso com dificuldade. E quanto a nós?
Então, perguntamos: Como Deus poderia nos instruir a respeito de Seus aspectos Divino e Humano, a não ser assim, deixando que, aos poucos, pudéssemos nos acostumar com a idéia de que Ele era Filho de Deus, de algum modo Divino?
Como poderia Ele nos levar a idéia de atributos ou níveis de Sua mente, se usar tipos figurativos de pessoas? Lembremo-nos de que a Palavra de Deus foi dada para a raça humana de mentalidades diversas, de todos os tempos, desde Moisés até os judeus, os cristãos primitivos, o homem de hoje e para todo o futuro. Como poderia Deus falar de Sua Vinda, Suas lutas e vitórias, da Redenção e glorificação de Seu Humano, sem usar um simbolismo que fosse compreensível por todos os homens de todas as igrejas e de todas as épocas? Somente por meio de tipos simbólicos simples, como alegorias, que podem ser desvendadas à medida que a mentalidade humana amadurece.
Não se espera que os judeus creiam em Sua Divindade, eles que não creram nEle sequer como Messias e Filho de Deus, e pegaram em pedras para apedrejá-Lo quando entenderam o que Ele lhes dizia:
"Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, Eu sou. (...) Eu e o Pai somos Um. (...) Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo" (João 8:58, 10:30,33).
O que Jesus disse "Eu sou", os judeus entenderam muito bem, e por isso queriam apedrejá-Lo: porque "Eu sou" é o Nome pelo qual JEHOVAH Se deu a conhecer a Abrahão. Entenderam-no e disseram: "Te fazes Deus a ti mesmo".
Espera-se, porém, dos cristãos, que crêem na Sua Palavra, que Ele é Um com o Pai, Imanuel, o Primeiro e o Último, sim, espera-se que os cristãos de hoje cheguem à compreensão plena de Quem Ele é, Deus, e que a Trindade está nEle, e que não há três, mas uma Única Pessoa, o Senhor Deus Jesus [JEHOSHUAH}Cristo, que é o Nome glorificado do Deus eterno.
Porque - e esta é a razão vital - enquanto nós, cristãos, ignorarmos tão grandiosa verdade, estaremos apegados à decisão do concílio herético de Nicéia e nos afastando da crença da Igreja cristã primitiva, sua fase de integridade. O Concílio de Nicéia fez o cristianismo retroceder da visão dos apóstolos, da Divindade de Jesus, para a visão que tiveram anteriormente à ressurreição, com perigo de retroceder ainda mais, porque corrói o cristianismo a idéias cada vez mais materialistas e blasfemas de Jesus como um grande Mestre apenas, um Espírito iluminado, o filho de Maria.
Se ignorarmos que Jesus é Deus, estaremos condenados ao erro, porque Ele disse:
"Se não crerdes que Eu sou, morrereis em vossos pecados" (João 8:24).
Existe, ainda, uma terceira razão pela qual muitas passagens da Palavra nos evocam a idéia de pessoas.
Sabemos que foi dito na Bíblia que Deus é amor (I João 4:8). E quando esteva no mundo, como Filho, Ele disse que era a Verdade (João 14:6). Estas são, pois, as duas essências de Deus: Amor e Verdade. Mas não um amor qualquer e uma verdade qualquer, mas o Divino Amor e a Divina Verdade.
Temos aqui uma relação em que Deus (a Alma Divina, chamada Pai) é o Divino Amor, e o Jesus (o Humano, chamado Filho) é a Divina Verdade, e por ela podemos entender ainda melhor o aspecto da Trindade que há em Jesus Cristo: o Amor é o que está sempre no íntimo; a Verdade, a exteriorização ou manifestação desse Amor; e o que resulta daí é a ação, a operação. Eis aqui, portanto, uma outra maneira de se descrever a "Trindade" Divina: o Divino Amor, a Divina Verdade (ou Sabedoria) e a Divina Operação: Pai, Filho e Espírito Santo.
Conosco, também, existe uma imagem dessa Trindade, pois as coisas do amor (nossa vontade, nosso querer) são mais íntimas; as coisas relativas à verdade (nosso entendimento, nossa compreensão ou nossa idéia do que, pelo menos, nos parece ser a verdade) são relativamente mais externas; e da união de nosso querer com nosso entendimento, resulta nossa ação, nossa atividade, nossos usos. Nosso querer é "pai" em relação ao nosso entendimento, porque a vontade de aprender gera a inteligência.
A mesma relação existe entre o calor e a luz. O calor gera a luz e a luz é a manifestação do calor. O Pai é como o Sol e o Filho a Luz que procede para o mundo (João 8:12).
Esta relação entre o Divino Amor e a Divina Verdade sempre existiu em Deus, mesmo antes de Ele ter-Se revestido do Corpo natural. Antes de vir ao mundo, o Humano já estava em Deus e era Deus, conforme ele disse:
"E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse" (João 17:5),
e também:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (João 1:1).
Mas o aspecto Humano de Deus não era ainda revestido do corpo material, e não teria sido necessário que Ele tivesse tal, se a raça humana não tivesse se distanciado dEle.
Esta era a Trindade que existiu sempre em Deus: a Essência Divina, do Amor, a Essência Humana, da Verdade, e a Operação que procedia daí.
Quando, porém, Ele veio ao mundo, Sua Essência Humana apenas Se revestiu dos elementos finitos e materiais tomados do mundo, a fim de efetuar, por meio desses elementos, a obra de redenção, e depois os Divinizou, pelo que a Essência Humana de Deus passou a ter um Natural que antes não tinha. Foi nesse Divino Humano no Natural que Ele apareceu aos discípulos, dizendo:
"Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" (Lucas 24:39).
E foi a Esse Humano, Natural e Divino ao mesmo tempo, que Tomé chamou "Deus".
Se pensarmos dessa forma na Trindade Divina, poderemos entender corretamente todas as passagens das Escrituras Santas sem dificuldade, sem termos de deixar de lado qualquer uma, pois todas elas estarão em harmonia.
Tomemos como exemplo um dos versículos mais conhecidos da Bíblia, João 3:16:
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".
Entendemos: A Essência Divina teve tão grande amor pela raça humana, que deu Sua Essência Humana, única...".
A Essência Divina enviou a Essência Humana, porque o Alma age sempre por meio do Corpo, e o amor se dá a conhecer sempre por meio de uma expressão da verdade.


Capítulo 7 - O Espírito Santo
 Visto que, como acabamos verificar, a Trindade Divina não é uma trindade de pessoas, podemos facilmente compreender que o terceiro aspecto, chamado Espírito Santo, é o que resulta dos dois aspectos anteriores, o que procede dali. Assim, da união entre o Pai e o Filho, resulta o Espírito, a atuação de Deus, que é a voz de Deus na consciência humana. Da união entre o Amor e a Verdade resulta o uso. Da união entre vontade e entendimento resulta a ação. Da união entre Calor e Luz resulta o influxo de vida que dá toda frutificação e germinação dos seres criados.

As traduções infiéis como pontos de apoio de heresias
Quando a Igreja Cristã, representada pelos bispos do Concílio de Nicéia, se reuniu para combater a pregação de Arius, os pontos formulados foram tirados de seu próprio entendimento e não de passagens claras da letra da Palavra de Deus. Daí terem caído em tal heresia sobre uma trindade de pessoas Divinas, porque o próprio exame cuidadoso da Palavra, sob os auspícios do Senhor, poderia lhes levar a ver a luz.
Se fosse hoje, porém, esse exame já não seria tão fácil, porque os tradutores da Bíblia no mundo cristã, de uma maneira geral, tendem a inserir ou excluir coisas aparentemente insignificantes, no intuito claro de confirmar a fé em três deuses. O que ocorre freqüentemente é que, quando um tradutor se depara com uma passagem que claramente ensina a Divindade de Jesus Cristo e a Unidade de Deus, eles inserem uma palavra, e introduzem, assim, a idéia de três, porque, para eles, não faz sentido que Jesus seja o próprio Deus. Com isso, tradutores incautos ou tendenciosos ajuntaram, consciente ou inconscientemente, sua contribuição para que a heresia se firmasse e se espalhasse.
Exemplos disso vão ser trazidos na seqüência:
Na saudação dos apóstolos, em suas cartas, encontramos, na atual versão da Bíblia em português, de João Ferreira de Almeida:
"Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo" (2 Coríntios 1:2).
Ora, essa divisão, da parte de Deus e da [parte] do Senhor Jesus Cristo introduz duas "partes" como sendo duas origens diferentes da graça e da paz, e, conseqüentemente, a divisão em pessoas. Cada uma dessas supostas pessoas aqui, Deus e Jesus Cristo, estaria enviando sua graça e sua paz aos coríntios.
Já o texto grego realmente diz:
"Graça a vós e paz, de Deus nosso Pai e Senhor Jesus Cristo".
O que dá uma idéia completamente diferente, pois se vê claramente que a graça e a paz vem de "Deus nosso Pai e Senhor Jesus Cristo", ou seja "Deus", "Pai" e "Senhor" sendo qualidades da mesma e única Pessoa, Jesus Cristo. No entanto, como isso não "fazia sentido", o tradutor separou as qualidades em pessoas distintas, dando assim mais uma confirmação à doutrina cristã atual e, ainda mais, fazendo crer que Paulo também pensava como hoje se pensa.
A tradução inglesa "King James" da Bíblia ainda tem o escrúpulo de grafar o segundo "da" em itálico, para mostrar que a segunda origem (segunda pessoa) foi inserida, mas no português, nem isso.
A mesma coisa acontece na saudação aos romanos (Romanos 1:7), na primeira epístola aos coríntios (I Cor. 1:3), aos gálatas (Gál. 1:3), aos efésios (Ef. 1:2), aos filipenses (Fil. 1:2) e assim por diante.
Esta mudança no texto parece insignificante, mas é suficiente para confirmar a idéia falsa, estranha ao pensamento dos apóstolos. E quando se parte do princípio errôneo de que Paulo pensava numa trindade de pessoas, todas as outras coisas que ele escreve ficam prejudicadas por esse erro.
Por exemplo, quando ele escreveu a Timóteo:
"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (I Tim. 2:5),
a tendência desse pensamento é concluir que uma pessoa está distante, Deus, e outra pessoa está mais próxima, no meio, Jesus Cristo, para ligar os homens a Deus. Mas estas palavras de Paulo podem (e devem) ser entendidas assim, a saber, que só existe um meio pelo qual o Único Deus Se manifesta aos homens, pelo Seu Humano, Jesus Cristo, assim como alguém só pode ser conhecido se se conhecer sua aparência humana e nunca sua alma separada do corpo.
E por que dissemos que essas palavras "devem" ser entendidas assim: porque só essa interpretação se harmoniza com outras coisas que Paulo disse a respeito da unidade de Deus, como por exemplo, quando diz que em Jesus Cristo "habita corporalmente toda a plenitude da Divindade". (Col. 2:9). Se "toda a plenitude" da Divindade habita corporalmente em Jesus, não há como se imaginar outra divindade, ou outra parte dela, fora de Jesus Cristo, porque está, TODA e CORPORALMENTE nEle. Por isso mesmo o Senhor disse:
"Ninguém vem ao Pai senão por Mim" (João 14:6) e "Quem vê a Mim, vê o Pai" (14: 9).
Outros problemas com relação a traduções inadequadas e tendenciosas poderiam ser citados aqui, mas deixaremos de fazê-lo porque o assunto se estenderiam por demais e, além disso, seria lançar dúvida nas versões da Bíblia que temos, as quais, exceto por essas singularidades que interessam somente aos estudiosos, são úteis para nos dar a conhecer a Palavra de Deus.

O ensinamento real da Escritura Santa, sobre Deus
Há um só Deus, em Quem está a Divina trindade, e o Senhor Deus Jesus Cristo é este Deus.
"Uma verdade certa e constante é que Deus é Um, e a Sua Essência é indivisível, e que há uma Trindade. Portanto, porque Deus é um e a Sua Essência é indivisível, segue-se que Deus é uma só Pessoa. E porque Ele é uma Pessoa, a Trindade está nessa Pessoa. Que esta Pessoa seja o Senhor Jesus Cristo, é claro por estas palavras:
"Ele mesmo foi concebido de Deus Pai (Lucas 1:34,35) e assim Ele é Deus quanto à Alma e a Vida mesma. E por conseguinte, como Ele mesmo o disse,
"o Pai e Ele são Um" (João 10:30).
"Ele mesmo está no Pai e o Pai está nEle" (João 14:10,11).
"quem O vê e O conhece vê e conhece o Pai (João 14:7,9).
"Ninguém vê e conhece o Pai, senão Ele, que está no seio do Pai" (João 1:18).
"Tudo o que pertence ao Pai é dEle" (João 3:35, 16:15).
"Ele é o Caminho, e a Verdade, e a Vida, e ninguém vem ao Pai senão por Ele" (João 14:6).
E também:
"Ele tem o poder sobre toda a carne"(João 17:2).
"Ele tem todo o poder no céu e na terra" (Mat. 28:18).
Destas palavras, segue-se que Ele é o Deus do céu e da terra.

Conclusão
Como se procurou demonstrar, a Igreja cristã atual, tanto a Católica quanto as Evangélicas, em sua concepção sobre Deus, seguem a decisão do Concílio de Nicéia, de uma trindade de pessoas divinas separadas. Em conseqüência, a Igreja cristã atual, em relação à Igreja cristã primitiva, regrediu no conhecimento de Deus, desviou-se da fé simples da Escritura Santa e, por esse fato, erra também em relação a todos os outros pontos doutrinais. O cristão de hoje se deixou iludir pelos perigos acerca dos quais os apóstolos Paulo e Judas alertaram, há muito, em suas epístolas:
"Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo. (Judas, 3,4).
"Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Colossenses, 2:8,9).
O Senhor Deus Jesus Cristo fez a promessa verdadeira de que, quando Ele visse como o Consolador, Ele nos guiaria a toda verdade e esse ensinamento O glorificaria, isto é, faria que Seu Humano fosse reconhecido como Deus (João 16:13,14).
Nós, da Igreja Nova Jerusalém, professamos que temos recebido do Espírito do Senhor, em Sua Palavra, através da revelação da Verdade, os ensinamento que exaltam o Seu Nome, o nome do Senhor Jesus Cristo e o glorificam como o Único Deus, de eternidade Criador, no tempo Redentor, e de eternidade Regenerador, Ele mesmo sendo o Pai, o Filho e o Espírito Santo na mesma Pessoa Divina.
Assim, a doutrina da verdade genuína da Palavra, que se perdeu em Nicéia foi-nos novamente dada pela misericórdia de Deus nosso Pai, o Senhor Jesus Cristo.
, para os cristãos foi reencontrada, como a dracma perdida, e para os pagãos e incrédulos, pode ser alcançada como a pérola de grande valor.
A Igreja cristã atual, ainda que desviada da fé da Igreja cristã apostólica primitiva, tem, no entanto, a fé em Jesus Cristo como Filho de Deus. Mas ela não deve se deter aí, perdida na obscuridade do que considera o mistério acerca da Trindade. Antes, deve examinar as Escrituras, suplicando os auspícios do Senhor e com isenção de idéias preconcebidas, para nelas reencontrarem o que lhes falta, tal qual a mulher diligente que varreu sua casa até encontrar a sua dracma perdida. E aqueles que nunca se iniciaram na fé cristã, sejam gentios, sejam os incrédulos, podem nela achar a pérola de grande preço, a verdade de o Senhor Jesus Cristo é o Próprio Deus que veio ao mundo para nos redimir e que Ele salva a todos os que nEle crêem.
Somente com essa fé, a verdadeira Igreja cristã, a igreja espiritual, chamada "Noiva do Cordeiro", a Igreja que não tem fronteiras e nem denominação, pode ser implantada nos corações de todos.
A missão das sociedades religiosas da "Nova Jerusalém" é restaurar ao mundo essa visão salvadora, de que "o Senhor Deus Jesus Cristo reina", de acordo com o que foi ordenado no Apocalipse 10:11:
"Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis".





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Translate

NOTÍCIAS