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By Ferramentas Blog

quarta-feira, 30 de abril de 2014

MENSAGEM 3 - ALÉM DE MIM MESMO: A ORAÇÃO DO DISCÍPULO 2ª Parte: QUE ESTÁS NOS CÉUS

ALÉM DE MIM MESMO: A ORAÇÃO DO DISCÍPULO
2ª Parte: QUE ESTÁS NOS CÉUS – Lc 11.1-4 / MT 6.9-13

Introdução: Hoje iremos tratar da expressão QUE ESTÁS NOS CÉUS – no grego: ὁ ἐν τοῖς οὐρανοῖς – ho (art. def. nominativo masculino singular - o, isto,...) en (preposição - em. no) tous (art. definido dativo plural masculino) ouranois (substantivo - céu).
Primeiramente gostaria de dizer que esta expressão não se encontra no Evangelho de Lucas, mas aparece no Evangelho de Mateus. Como se trata da mesma oração, resolvi considerar as palavras de Mateus e por isso vamos analisar o que Jesus quis ensinar com a expressão “que estás nos céus”.
A oração de Lucas é apresentada em uma ocasião diferente, posterior a de Mateus. Em Lucas ela é ensinada após o regresso dos setenta, depois da segunda viagem pela Galiléia; ao passo que em Mateus ocorre antes da chamada dos doze, que acontece, alguns meses, antes da nomeação dos setenta.
O que Jesus desejou nos ensinar com a afirmação que o Pai “está no céu”?
É evidente que a afirmação de que nosso Pai está no céu, por Jesus, nos dá direção, nos aponta um local para olharmos, nos apresenta um lugar de referência para que possamos nos encontrar com Deus e conosco mesmos. Contudo, Jesus não está falando de um lugar geográfico dentro do nosso mapa mundi. Céu é todo lugar onde o reinado de Deus é vivenciado.
A realidade que o nosso Pai está no céu, nos ajuda a reconhecermos a natureza e o propósito real de nossa existência - de onde viemos e por que existimos. Esta realidade deve afetar a nossa cosmovisão a respeito da vida. Hoje eu quero destacar três dimensões afetadas por esta verdade que nosso Pai está no céu.

1)      A Dimensão Terrena / Física / Humana / Temporal
2)      A Dimensão Ética (princípios e valores / desapego deste mundo)
3)      A Dimensão Espiritual (Adoração / Céu / Destino final)


1)    A Dimensão Terrena / Humana
O fato de nosso Pai estar no céu, implica que Ele é um Pai que ultrapassa as dimensões terrenas, que me faz olhar além de mim mesmo, dos meus limites. Toda criação é caracterizada pela limitação, pela finitude. Por exemplo: somos limitados em nosso espaço geográfico (não podemos estar em mais de um lugar ao mesmo tempo), somos limitados em nosso conhecimento (não temos a resposta de todas as coisas), somos limitados em nossa capacidade de amar e se relacionar (conseguimos nos relacionar profundamente com no máximo 15 pessoas), somos limitados em nossa capacidade de criar (toda nossa criação surge de algum objeto já existente) e somos limitados em nossa existência (todos nós um dia nos encontraremos com a morte). Só podemos vencer a morte, quando nos rendemos a Jesus Cristo.
Entretanto Deus Pai não está preso a nenhuma de nossas limitações, porque Ele transcende a dimensão terrena. Por que o Pai está no céu sou obrigado a ampliar a minha dimensão terrena, a minha cosmovisão nas diversas áreas da vida. Por exemplo:
     A dimensão familiar nos é ampliada – (Ilustração: na praça com o grupo da Jocum). Dizer que o Pai está no céu é dizer que Deus é Pai de todos, de todas as raças, de todas as classes, de todas as tribos, em fim de todos que reconhecem Seu Filho Jesus como Senhor de suas vidas (Jo 1.12 – Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome).
O   céu onde o Pai habita é morada para todos, pretos e brancos, pardos e amarelos, judeus e gregos, ricos e pobres... não existem mais distinções, não existem mais raças, nem religiões, não existem fronteiras, todos se tornam um: um só povo, uma só raça, filhos de um único Pai. O céu é o lugar onde a unidade das raças, das classes, dos sexos, das ideologias, se tornam reais.
     A dimensão do Reino de Deus nos é ampliada – Somos tendenciosos a pensar que o Reino de Deus se limita a nossa igreja, a nossa casa, a nossa vida, ao espaço que conseguimos visualizar. Entretanto o reino de Deus vai além do que conseguimos ver com nossos olhos. O Reino do Pai não está limitado aos meus limites, ao meu espaço geográfico, o Reino do Pai se estende por toda terra e além da terra, porque nosso Pai... está no céu, e Ele é Senhor dos céus; e do céus governa todo universo e sobre todos os homens (Dt 10:17Pois o SENHOR vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores,...).
Uma vez que o governo de Deus se estende além de nosso mundo, além de nossas políticas sociais e econômicas, Deus não pode ser aprisionado ou comprado pelos homens.
Como Pai que está no céu, Ele não pode ser manipulado pela política governamental dos homens, pelas leis que governam este mundo tenebroso e corrupto. A realidade que o Pai está no céu, nos assegura que nosso Pai sempre nos tratará e julgará de maneira justa, e que no tempo certo Ele julgará os reinos da terra, ao lado de Jesus Cristo, o Rei dos reis, a quem um dia teremos que prestar conta de tudo. Por estar no céu e ser do céu Ele é santo, justo e incorruptível.
A partir da compreensão de que Seu Reino se estende sobre tudo e todos, devemos viver a ética do Reino do Pai que está no céu, independente dos sofrimentos que possamos vir a passar, pois sabemos que tudo está sob seu controle. Um dia Ele implantará definitivamente Seu Reino sobre a Terra e nós os que cremos, em Jesus Cristo, reinaremos com Ele.
     A dimensão do amor é ampliada – (Lc 10.30-37 – a parábola do samaritano). Por meio dessa parábola, Jesus nos ensina que o amor deve ultrapassar todos os preconceitos e todos os conceitos teóricos sobre o mesmo, porque o amor só é real quando se manifesta de maneira prática, concreta. 
Não podemos amar apenas de palavras, mas de fato e verdade. Não devemos amar somente aqueles que nos amam, pois para Deus essa é uma prática que até os ímpios praticam. Deus espera que amemos além de nós mesmos, além de nossos conceitos e preconceitos, além de nossas fronteiras, de nossos círculos de amizades e de irmandade.
A dimensão do amor é ampliada também por conta de nossa filiação celestial, que nos valoriza como pessoa. Ter um Pai no céu significa que somos dignos do amor de Deus, não por nossos méritos pessoais, mas por meio do sangue de Cristo. A valorização do nosso ser não está pautada no que fazemos ou de onde viemos ou ainda sobre o que conquistamos neste mundo, mas no fato de que Deus sempre desejou ter conosco uma relação familiar, Ele decidiu isso, e Jesus tornou isso possível.
O mesmo amor que Deus dedica a mim, Ele oferece a você e a toda pessoa que você possa imaginar. Portanto, eu não tenho o direito de recusar amar o outro, por que o Pai que está no céu convidou o outro para ser meu irmão e por Ele sacrificou o que tinha de melhor, Cristo Jesus. Eu sou chamado a amar além de mim mesmo quando entendo que meu Pai está no céu, porque Seu Filho Jesus se identificou com o menor de todos os homens (Mt 25.34-36 aos da direita disse: benditos de meu Pai – Mt 25.41-43 aos da esquerda disse: afastai-vos de mim”).


Perguntas para reflexão:
        I.            Como você tem lidado com as pessoas de seu relacionamento? Você as vê como objeto do amor de Deus? Você trata todas as pessoas com igualdade? Você está pronto para ampliar seus laços familiares com a grande diversidade de filhos que Deus tem? Peça a Deus que te ajude a amar o rico e o pobre da mesma forma, o branco e o negro com igualdade, o crente e o ímpio tentando ajuda-lo a se aproximarem cada vez mais de Cristo.
     II.            Você tem vivido de forma consciente que o Reino de Deus começa em você, mas se estende muito além de você? Você está disposto a viver a ética do Reino do Pai, mesmo sabendo que ela te levará a sofrer? Ore para que Deus o ajude a permanecer fiel a Ele diante as demandas que este mundo lhe impõe. Que o ajude a viver os princípios de Sua Palavra diante a pressão de nossa sociedade utilitarista, consumista que trata todos como objeto de consumo e quando não como concorrentes que precisam ser vencidos. Que você possa deixar marcas do Reino de Deus onde colocar as plantas dos seus pés.


2)    A Dimensão Ética (princípios e valores / desapego deste mundo)
Uma vez que minha cosmovisão da vida é ampliada pelo olhar que faço através do Pai que está nos céus, meus valores e minhas atitudes precisam acompanhar esta mudança.
O mundo em que vivemos é dominado por uma cultura consumista e utilitarista. A estrutura desta cultura consumista e utilitarista está construída sobre o pensamento de que o propósito principal do homem é ser feliz. Tendo como pressuposto a ideia de que o homem foi criado para ser feliz, a ética pessoal ou social se tornou relativa, isto é, conveniente a situação. A ética muda conforme muda o meu valor de felicidade. Por exemplo: Se eu sou empregado tenho um tipo de ética, se eu me torno o patrão minha ética é outra. Quando vou comprar um carro eu tenho uma ética diferente de quando vou vender um carro. Minha ética se baseia na busca da minha felicidade e todos se tornam instrumentos para alcançar meu alvo.
Entretanto ao olhar para o céu, e ver o Pai, percebo que minha vida não pode estar fundamentada na busca da minha felicidade, mas em honrar o Pai que está no céu.
(Colossenses 1:16Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele).
Meus valores e minha ética não podem mais permanecerem fundamentados nos valores éticos desta cultura, mas fundamentado sobre a realidade da razão da minha existência – existo para glorificar a Deus – e não para ser feliz.
A consciência de que nossas vidas vieram à existência para glorificar a Deus deve nos conduzir a uma decisão interior que afetará toda nossa agenda exterior. Afetará nossa visão sobre nossa profissão, nosso relacionamento familiar, nosso relacionamento com a sociedade e com toda criação. Essa consciência deve ser tão forte em nós ao ponto de sacrificarmos nosso bem estar e nossa felicidade para que as marcas do Pai que está no céu sejam vistas por meio de nossas vidas.

Perguntas para Reflexão:
        I.            Quais são os valores que ditam suas escolhas do dia-a-dia? São os valores de nossa cultura consumista e utilitarista que tem a felicidade como o propósito principal do homem?
     II.            Você vive de forma a abrir mão de sua felicidade para glorificar a Deus?


3)    Dimensão Espiritual (Adoração / Céu / Destino final)
Esta é outra área afetada pelo conhecimento de que Deus, nosso Pai, está no céu.
·         A compreensão sobre a adoração é ampliada – O Pai não pertence a nossa dimensão terrena, portanto não está preso a nenhum dogma, a nenhum credo, a nenhum sistema religioso criado pelos homens. Ele não pode ser manipulado por rituais e nem comprado por dinheiro algum. O que muitas igreja e religiões por ai tentam fazer é conquistar Deus como se pudessem comprá-lo com oferendas e boas obras. Tudo que o homem pode oferecer a Deus é nada, tudo que podemos oferecer a Ele é terreno, é passageiro, é vazio de vida.
            Não podemos nos esquecer que Deus é espírito e importa que o adoremos em espirito. Por isso está escrito que “Deus procura verdadeiros adoradores que O adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23).
Tudo que existe de vida em nosso mundo foi gerado pelo próprio Deus, e é sustentado por Ele mesmo; portanto só podemos oferecer uma coisa a Deus, o nosso ser, mas Deus, só aceita o nosso ser quando é oferecido a Ele de forma integral. Não adianta oferecer pela metade... não se pode viver uma espiritualidade apenas contemplativa, isto é, sem se envolver com a verdade, sem se relacionar com o mundo real, com pessoas reais, a qual Ele criou para Sua glória; da mesma forma não podemos viver uma espiritualidade apenas verdadeira, isto é, em dialogo com o mundo real a nossa volta, vivendo relacionamentos com pessoas reais, praticando boas obras, mas desprovida de um relacionamento pessoal com Deus, de uma busca de Deus por Deus. Somos chamados a uma espiritualidade que ultrapassa os limites terreno. Como disse Paulo (Cl 3.1, 2) - buscai as coisas lá de cima, onde Cristo está assentado, pensais nas coisas celestiais, não nas que são terrenas.
·         Nossa compreensão sobre o céu é ampliada - O céu onde habita Deus Pai a um primeiro momento pode nos parecer infinitamente distante, e devemos nutrir este sentimento porque nos faz percebermos que somos pequenos demais diante do Pai. Que somos frágeis demais diante seu poder e glória. Perceber o céu como um lugar distante nos ajuda a reconhecermos que precisamos de humildade para nos aproximarmos de Deus,  e que esta distância só pode ser superada pela graça manifestada por meio do Filho Jesus, o Deus que se fez carne, e que se tornou o caminho para chegarmos ao Pai (Jo 14.6 – Eu sou o caminho, a verdade e a vida...).
Mas por outro lado quando buscamos o Pai, por meio de Jesus, logo percebemos que o céu é extremamente próximo. Tão próximo que Deus é capaz de ouvir o clamor de cada um de nós. Mesmo que este clamor seja inaudível, mesmo que seja apenas uma lágrima sutil que sai dos nossos olhos, mesmo que este clamor seja um sussurro de dor que emana das áreas mais ocultas do nosso intelecto ou do porão do nosso coração. Deus está tão perto de nós que é capaz de ouvir.
·         A compreensão da vida eterna nos é ampliada - Sem o conhecimento de que Deus é nosso Pai, e de que Ele está no céu, a eternidade nos parece apenas uma realidade abstrata, inexistente, intangível, inalcançável, pois somente quando nos relacionamos com Deus Pai, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, é que a realidade das coisas invisíveis se tornam visíveis a nós. (1 Coríntios 2:14 - Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente). 
A partir deste relacionamento com o Pai que está no céu, vislumbramos nossa terra pátria, e passamos a olhar para a vida eterna não como um conceito, um sonho desejado, mas como uma realidade atingível, por meio da fé em Cristo Jesus.
Ao oramos “Pai nosso, que está no céu” evocamos a morada do nosso Pai, o céu, reconhecemos ser “o céu” a nossa pátria e o nosso destino, porque o Filho desceu do céu para nos fazer subir com Ele por meio de Sua cruz e Sua ressurreição.
Talvez você esteja se perguntando: onde é o céu? A questão sobre o céu que vem à tona, é que o céu não é visto como um mero lugar físico, palpável, mas sim, um lugar onde se alcança a máxima intimidade e proximidade com Deus, onde se vive um relacionamento intenso e profundo com Deus e o seu Filho. Como se tem apropriadamente observado, "Não é no céu que encontramos Deus, mas em Deus que encontramos o céu". Não é nos nossos arredores que o céu se encontra, mas em Deus encontramos o céu.

Perguntas para Reflexão:
        I.            Em que tem se baseado sua relação com Deus? Você o busca a partir de seus interesses próprios ou você o busca pelo prazer de estar com Ele? Sua espiritualidade tem sido vivida somente “pela verdade”, desprovida da adoração, da contemplação, dos valores dos céus? Ou sua espiritualidade tem sido vivida somente “pela espiritualidade contemplativa” que busca o Reino do Pai que está nos céu, mas não dialoga com o mundo real, não pratica o amor as pessoas reais que o cercam? Deus deseja te ajudar a viver uma espiritualidade equilibrada, onde se busca as coisas celestiais, onde se caminha a cada dia tendo o céu como o alvo, mas que vive as dimensões celestiais “aqui e agora”, que faz com que o Reino de Deus se estenda um pouco mais neste mundo dos homens.  
     II.            Você tem vivido como se a eternidade fosse uma realidade para você? Onde está seu coração? Quais são seus grandes sonhos? O que faz com os recursos que possui? O que faz com a influência que possui?
   III.            Você tem se encontrado com Deus e desfrutado do céu com Ele?

Conclusão Final: A oração do discípulo nos faz ir muito além de nós mesmos, ela desconstrói tudo o que entendemos por mundo terreno e espiritual. Ela estilhaça nossa religiosidade, esmaga nossa espiritualidade, nos chamando para vivermos além de nós mesmos. Ela nos convoca para olharmos a partir dos olhos do Pai que está nos céus.
Muitos desejam controlar Deus, se tornarem seus proprietários, aprisioná-los na dimensão de seus dogmas religiosos ou de suas denominações eclesiásticas. Assim como Davi, desejam construir casas terrenas para Deus, esquecendo-se porem que nós, é quem fomos criados por Ele, e não Ele por nós.
A realidade de que nossas vidas só encontram sentido se forem vividas para glorificar a Deus afetará toda nossa agenda de vida. Nosso bem estar, nossa felicidade se torna secundários, uma vez que nossa prioridade é a realização da vontade de Deus, que é o estabelecimento do Seu Reino sobre o mundo dos homens.
O céu é nosso destino final, o nosso local de encontro com Deus em Sua plenitude. Entretanto o céu está reservado somente para àqueles que se renderem totalmente a Cristo Jesus, deixando que Ele seja Senhor de suas vidas. O céu é uma realidade concreta somente para àqueles que ampliarem sua cosmovisão da vida a partir de um relacionamento profundo com o Deus Pai. O céu é morada para àqueles que romperem com esta cultura consumista e utilitarista imposta por nossa sociedade, e viverem na prática do dia-a-dia a ética do Pai que está no céu, que pautarem sua agenda de vida nos valores do Reino de Deus.
  
Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

17/04/2014

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