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By Ferramentas Blog

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

ESTUDOS 80 - A IMPORTÂNCIA DO CONCEITO DE REINO

A IMPORTÂNCIA DO CONCEITO DE REINO

          Todos nós fomos formados num contexto religioso em que a palavra Igreja é muito mais familiar do que a palavra “Reino” e, no geral não há boa compreensão por parte dos crentes sobre o que é o Reino de Deus e o que é a Igreja. Pretendemos neste trabalho trazer alguma luz, sobre este assunto, esperando que além de melhor compreensão, traga aos leitores algum benefício prático. Estamos cientes de que será apenas um vislumbre desse assunto que é tão vasto, profundo e desafiador; contudo julgamos que isto possa constituir a base para se construir sobre ela um esquema de doutrina de suma importância prática para nossa vida cristã.

          Pretendemos que em nossa abordagem fique claro que Igreja e Reino de Deus não são a mesma coisa e que Deus e a Igreja estão trabalhando para formar o Reino e que no céu não haverá Igreja, haverá Reino.
          Vamos tratar do assunto na forma de perguntas e respostas, para facilitar a exposição e a própria compreensão da matéria. Vamos primeiramente desenvolver a idéia de Reino para depois então contrastar com a idéia de Igreja e a conseqüente aplicação prática do assunto.


1. Desde Quando Existe o Reino de Deus?

        Desde que Deus criou o mundo, Ele é Rei sobre tudo e sobre todos. Na narrativa da criação, em Gênesis 1 e 2, fica claro que Deus criou todas as coisas, inclusive o homem para submeter ao Seu domínio. Ao criar o homem deu-lhe três mandatos que ele teria de obedecer para ser eternamente feliz: um mandato cultural (Gên. 1:26; 2:15 e 20); um mandato social (1:28; 2:18, 21-23 e um mandato espiritual (2:16-17). Deus dominava sobre o homem e o homem dominava sobre a criação (2:28) como um vice-gerente de Deus na terra e tudo funcionava em perfeita harmonia. Deus como Rei de toda criação provia de alimento o homem e os animais (Gên. 1:29-30). O Reino funcionava em perfeita ordem.
2. O Que Aconteceu Após a Queda?

          Após a desobediência dos nossos primeiros pais e o conseqüente pecado, foi quebrada a harmonia desse Reino. O que vemos daqui em diante é uma raça humana prejudicada cultural, social e espiritualmente. A palavra “queda” define bem esta nova situação.
          Deus ainda é o Rei como sempre será Rei, mas a raça humana, ou seja os servos do reino estão afetados pelo pecado, foram atingidos pela queda e portanto estão sem condições de cumprir, pelo menos de forma correta, os mandatos estabelecidos no início.
3. Que Atitude Deus Tomou Diante Desse Quadro?

          Em Gênesis 3:15, em cima das ruínas do desmoronamento do Reino, Deus faz uma promessa de restauração, prometendo um Restaurador. Aquele que viria esmagar a cabeça de Satanás, autor do pecado e iniciador de um reino de trevas, pecado e desobediência. Um dia todo este domínio pecaminoso estará sujeito ao Restaurador, ou seja: debaixo dos pés do Senhor Jesus Cristo. A partir da promessa, começaram as providências para a chegada desse reino restaurado.
4. O Que Cristo Veio Restaurar?

          O Restaurador veio não só para restaurar o homem mas toda a criação, todo o reino atingido pelo pecado. A terra foi amaldiçoada com o pecado (Gn 3:17-18); os animais sofrem as conseqüências do pecado (Os 4:3). Paulo disse em Romanos 8:22 que “toda a criação geme”, aguardando a restauração. Em Colossenses 1:20 Paulo fala que Cristo veio para reconciliar com Ele mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus. No livro de Apocalipse, que retrata o fim da obra restauradora de Cristo, está expresso: “eis que faço nova todas as coisas” (Ap 21:5). Em I Coríntios 15, onde Paulo está falando das coisas do fim, no verso 24, diz: “depois virá o fim, quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai e quando houver aniquilado todo império, toda potestade e força (do mal)". Portanto, o Reino dos céus, que é o Reino de Jesus, não compreende só pessoas mas todas as coisas. Ele é o Restaurador de tudo.
5. Por Que os Evangelhos Falam Tanto em Reino?
          Os Evangelhos empregam por mais de cem vezes a palavra “reino”, isso porque eles registram a chegada de Cristo em cumprimento das promessas; e a chegada de Cristo aqui foi descrita por João Batista e pelo próprio Cristo como a chegada do Reino de Deus (Mt 3:2; 4:17). Com a vinda de Cristo e Sua obra, e a obra dos apóstolos, implantou-se o Reino que está em desenvolvimento até à consumação dos séculos.
          Jesus ilustrou o crescimento do reino com as diversas parábolas quando sempre ensinava: “O Reino dos céus (ou de Deus) é semelhante...”. Na oração Dominical Ele nos ensinou a orar pedindo entre outras coisas: “venha o teu reino”. Em Mateus 6, no Sermão do Monte, Ele nos ensinou que a nossa preocupação deve ser com o reino de Deus, quando disse: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas”.

          Interessante que em Mateus 6, Jesus falou do Reino de modo abrangente, mostrando que Deus cuida de homens, animais e plantas.

          O Evangelho que nos foi deixado é chamado o “Evangelho do Reino” (Mt 4: 23; 4:35; 24:14); esta mensagem restauradora é a “Palavra do Reino” (Mt 13:19). Os que são de Cristo, os quais foram alcançados pelo Evangelho do reino, são chamados “filhos do reino” (Mt 13). Para Jesus, o importante para o pecador é que ele entre no Reino de Deus, pela porta da regeneração, do novo nascimento: “Se alguém não nascer de novo não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3:4). A ênfase dos Evangelhos é que preguemos o “Evangelho do Reino”, para a entrada de pecadores arrependidos e regenerados no “Reino de Deus”.
6. Por Que os Evangelhos Falam Tão Pouco de Igreja?          Os quatro Evangelhos só se referem à Igreja em duas oportunidades (Mt 16:18 e 18:17).
          A primeira referência é à promessa de Jesus de edificar a Igreja, no futuro: “Edificarei a minha Igreja”. O Reino estava presente mas a Igreja ainda não. Após a morte e ressurreição de Cristo e a vinda do Espírito Santo, o Reino haveria de crescer muito. Jesus disse a Pedro no mesmo texto onde fez a promessa de edificar a Igreja: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus...” (Mt 16:19). E foi no dia de pentecostes, em Atos 2, que Pedro usou essas chaves, e quase três mil pessoas entraram para o Reino, através do arrependimento e da Fé em Cristo.

          Usando as chaves pela segunda vez, pregação da palavra, em Atos 3, por ocasião da cura do coxo, diz-nos Lucas que o número dos discípulos chegou a quase cinco mil (At 4:4). Até então ainda não havia aparecido a palavra "Igreja" em Atos. Ela vai aparecer pela primeira vez em Atos 5:11, por ocasião da disciplina aplicada sobre Ananias e Safira. A partir daí, até Apocalipse 3, é citada a palavra por mais de cem vezes. No contexto do crescimento do Reino, pela entrada de milhares e milhares de pessoas, é que surgiu a Igreja ou as igrejas.
7.O Que É a Igreja?

          Na maioria das vezes a palavra aparece no singular “Igreja”, referindo-se a um grupo de crentes em determinada cidade, ou aparece no plural “igrejas”, referindo-se a diversos grupos de crentes em certas regiões. Neste contexto, Igreja é a forma visível do Reino; é a sua estrutura organizacional e administrativa. As igrejas são grupos organizados de servos do Reino a serviço do Reino. Ainda hoje chamamos de “Igreja” um determinado número de crentes estruturados sobre certos princípios. Um grupo que tenha seu pastor, seus presbíteros e seus diáconos, para a sua administração.

          Portanto, as igrejas e as denominações se organizam para o serviço do Reino. Neste sentido as igrejas podem ser chamadas de “as agentes do Reino de Deus”. Foi Jesus quem criou esta estrutura orgânica do seu Reino aqui na terra. Neste sentido nós não servimos à Igreja, servimos ao Reino e para tanto nos organizamos em Igreja.
          Em Atos 19: 8; 20:25; 28:23 e 31 Lucas diz que Paulo “pregava o Reino”... Também é interessante que nas Escrituras somos chamados de “servos”; isto porque o Reino tem “servos”; e a Igreja tem “membros”. Ainda deve ser observado que no contexto da vinda de Cristo, do arrebatamento e do futuro eterno do povo de Deus, não aparece a palavra Igreja. Em Apocalipse, a palavra "Igreja" só aparece até o capítulo 3, falando de igrejas locais; depois só torna a aparecer no capítulo 22, verso16, referindo-se ainda às igrejas locais.

          No céu não terá Igreja; a estrutura orgânica do reino desaparecerá. No céu terá o Reino eterno de Deus e de seu Filho Jesus Cristo (Ap 11:15). Como Jesus dirá na Sua vinda: “vinde benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25:34).

          O Reino de Deus foi entregue a Cristo; Ele é o Rei e será Rei para todo sempre; todo poder foi dado a Ele nos céus e na terra (Mt 28:18 e Dn 7:14); Ele é rei sobre os crentes, sobre os Seus servos que entraram em Seu Reino e fazem a Sua vontade, exercerá juízo e condenará todos os ímpios. Um dia Ele entregará novamente o Reino restaurado ao Pai (I Cor 15:24 e Ap 11:15).
8. Qual a Importância da Idéia de Reino?

          Desenvolver esta idéia é muito importante, pois julgamos que uma grande maioria dos crentes só se preocupa em atender algumas exigências para se manterem como membros de uma Igreja e nada fazem a favor do Reino. Outros se esforçam muito quando o esforço visa fortalecer à estrutura local de sua Igreja e pouco ou quase nada fazem a favor do Reino. Devemos nos lembrar que a Igreja não é um fim em si mesma; nós não trabalhamos, em primeira mão para o crescimento da Igreja e sim para o crescimento do Reino. Embora o crescimento seja recíproco porque o Reino crescendo, cresce também a Igreja e sua estrutura. Uma Igreja deve cuidar bem de sua estrutura e de sua organização, visando melhor trabalhar a favor do Reino dos céus.
          Neste ponto de vista os irmãos reformados da Holanda têm nos dado grandes lições. Para eles, enviar verbas para a obra missionária da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil, como o fizeram há poucos anos, é ajudar o Reino de Deus a crescer no Brasil.

          Esta visão do Reino tira-nos dos limites das quatro paredes de nossos templos, eleva os nossos olhos além da estrutura orgânica de nossas igrejas para uma obra muito mais ampla e para desafios muito maiores. Devemos nos lembrar que antes de sermos membros da Igreja, somos servos do reino; servir a Igreja e não servir o Reino é estar fora dos propósitos do Rei Jesus. Não pode haver bons membros da Igreja sendo maus servos do Reino. Se formos bons servos do Reino, certamente seremos também bons membros da Igreja. Quantos crentes que desagradam da Igreja e deixam de trabalhar e de contribuir; estes são maus membros e maus servos.

          Sejamos bons membros e bons servos. Assim poderemos orar: “Venha o teu Reino”; assim teremos motivação para “buscar primeiro o Reino de Deus” antes de qualquer outra preocupação.

          Irmãos, “vamos nós trabalhar, somos servos de Deus”. Amém!!!

Rev. Edival José Vieira

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