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By Ferramentas Blog

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

HISTÓRIA DA IGREJA 8 - GALILEU E A INQUISIÇÃO


Galileu e a Inquisição

Após quatro sessões de interrogatório, que duraram três meses, Galileu foi considerado "veementemente suspeito de heresia" pelo Tribunal do Santo Ofício. As acusações contra ele eram três: ter traído o compromisso, assumido em 1616, de abandonar a doutrina de Copérnico e de não mais ensiná-la de nenhuma maneira; ter afirmado o valor científico dessa doutrina, não se limitando a tratá-la hipoteticamente; e considerar essa doutrina como verdadeira e a ela aderir em seu foro íntimo , apesar de estar condenada pelo Santo Ofício. 
Assim, Galileu Galilei renegava sua certeza profunda de que a Terra não estava imóvel, no centro do mundo, no dia 22 de junho de 1633, utilizando as palavras "Abjuro, maldigo e detesto os citados erros e heresias." 
O Diálogo foi proibido e Galileu condenado à prisão perpétua. Além disso deveria declamar, uma vez por semana, durante três anos, os sete salmos da penitência. Foi obrigado, ainda a ler a fórmula de abjuração, em que renegava o sistema copernicano e prometia denunciar ao Santo Ofício "qualquer herege ou quem quer que seja suspeito de heresia". 
Entretanto, ao contrário da versão amplamente difundida mais tarde, o tratamento dispensado a Galileu foi excepcionalmente brando para os padrões da Inquisição. Durante todo o processo, ao contrário da prática então adotada, ele não ficou preso um dia sequer, não foi torturado, nem lhe foram mostrados os instrumentos de tortura. A pena de prisão ordinária foi comutada em prisão domiciliar no mesmo dia pelo papa e até a ordem de recitar os salmos pôde ser transferida para a filha de Galileu, que era freira. Não há termos de comparação entre esse processo e o de Giordano Bruno, o primeiro filósofo a afirmar a infinitude do Universo. Giordano permaneceu sete anos nas masmorras do Santo Ofício, foi barbaramente torturado e, ao final, queimado vivo numa praça de Roma, no ano de 1600. 


A Igreja agora aceita as idéias que condenou em Galileu; mas por que silenciou tanto tempo sobre o erro cometido? 
A humilhante condenação de Galileu foi uma tentativa desesperada da Igreja para salvar o sistema cosmológico geocêntrico. Esse método era uma peça-chave da escolástica, a grande síntese entre a filosofia de Aristóteles (século IV a.C.) e a doutrina cristã, que dominou o pensamento europeu durante toda a Baixa Idade Média (séculos XI a XIV). 
Sua condenação pela Igreja provocou décadas de silêncio e temor. Descartes, amedrontado, recusou-se a publicar seu tratado O Mundo, que só veio a luz em 1664, catorze anos depois de sua morte. O argumento da força vencera, momentaneamente, a força dos argumentos. 
O processo de Galileu permaneceu arquivado por nada menos de 350 anos. Só depois da extraordinária renovação representada pelo Concílio Vaticano II é que o papa João Paulo II autorizou o reexame do caso. 
Para isso, foi criada uma comissão de alto nível, constituida de religiosos e leigos, da qual fazem parte dois brasileiros, o biofísico carioca Carlos Chagas Filho, presidente da Pontifícia Academia de Ciência, e o físico mineiro Francisco Magalhães Gomes, um dos maiores conhecedores de história da ciência no país. 
Durante séculos, o caso Galileu foi um obstáculo nas relações da comunidade científica com a igreja. Esta não podia, porém, sob pena de um grande desgaste à sua autoridade, admitir abertamente seu erro cometido. Era preciso agir com se tudo aquilo não tivesse acontecido: esconder os fatos sob o pó dos arquivos. 
O confronto de Galileu com a igreja foi, essencialmente, uma luta em terreno cosmológico, entre o modelo heliocêntrico e o geocêntrico. Desenvolveu-se em duas etapas (1616 - 1633) e terminou com a derrota tática do cientista; mas, em termos estratégicos, a posição da igreja era insustentável. 
Galileu adota o sistema de Copérnico onde a Terra não era imóvel e movia-se em torno do Sol numa órbita circular. 
Fatos que levaram Galileu à condenação 
» A famosa Carta a Cristina de Lorena fornece aos inimigos de Galileu o pretexto que procuravam para denunciá-lo à Inquisição. A carta continha um manifesto a favor da liberdade de pensamento, contra os argumentos de autoridade. Na carta Galileu fala dos argumentos que foram usados contra ele que saem de textos Bíblicos, os quais, diz ele que não tem fundamento científico, coisas que ele apresenta. Durante quase um ano circularam cópias da carta, muitas vezes adulteradas, trechos retirados do contexto e boatos alarmistas. 
» Com a morte do Papa Paulo V (que era totalmente a favor do geocentrismo) e a eleição, em 1623, do Cardeal Maffeo Barberini para ocupar seu (coroado como Urbano VIII), Galileu resolveu lançar seu contra-ataque aos seu opositores, escrevendo seu novo tratado, O Ensaiador, uma apologia disfarçada do sistema copernicano. No entanto cometeu dois erros, onde afirmava que os cometas não passavam de ilusões de óptica, provocada pela reflexão da luz solar sobre emanações que se elevavam nos altos estratos da atmosfera. Contradizendo à interpretação de Aristóteles ao fenômeno; e em segundo lugar foi de se indispor desnecessariamente com os astrônomos jesuítas na polêmica sobre os cometas. O que fez com que perdesse o apoio deles.
» Ao escrever O Diálogo, constituído por três personagens : Salviati, que sustenta as idéias do próprio Galileu; Simplício, um simplório defensor das idéias de Aristóteles e Ptolomeu; e Sagredo, um homem prático, porém culto, que deveria desempenhar o papel de intermediador, Galileu fica numa situação delicada, pois o Papa Urbano VIII havia se reconhecido na figura do ingênuo Simplício, que utilizava algumas expressões e argumentos empregados pelo próprio Urbano em suas conversas com Galileu. 
A sua condenação
O Diálogo foi proibido e Galileu condenado à prisão ordinária, durante o tempo que coubesse ao Santo Ofício, e a declamar, uma vez por semana, durante três anos, os sete Salmos da penitência. Foi obrigado, ainda, a ler a fórmula de abjuração, em que renegava o sistema copernicano e prometia denunciar ao Santo Ofício "qualquer herege ou quem quer que seja suspeito de heresia". Ele foi processado sob "veemente suspeita de heresia", embora seja bem possível que alguns dos documentos usados como provas contra ele, no inquérito de 1616, tenham sido "forjados". Diz-se que, no final, Galileu murmurou "Eppur si muove" - "Ainda assim, ela se move" - referindo-se à Terra movendo-se em torno do Sol. 
Galileu ficou arrasado com a prisão perpétua. Mas o papa, logo depois, comutou-a em prisão domiciliar. Em dezembro de 1633, Galileu voltou para Villa Arcetri, nas colinas de Florença. Lá ele escreveu sua maior obra, Discusos e demonstrações matemáticas acerca de duas novas ciências, que teve de ser contrabandeadada por causa da proibição de suas obras. Galileu trabalhava com seus alunos Vicenzo Viviani e Evangelista Torricelli, que mais tarde se tornaram físicos de renome. Sua casa e os jardins foram sua "prisão" até o fim de sua vida. 
A absolvição
Ao longo dos anos, num processo muito discreto, a Igreja procurou, passo a passo, corrigir o seu erro. Um passo decisivo foi dado por Leão XIII, em 1893, com a encíclica Providentissimus Deus, que retorna o procedimento adotado por Galileu em matéria de exegese da Bíblia, e o último passo foi dado por João Paulo II. E a força da realidade se impôs. 


AUTOR DESCONHECIDO

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