TRADUTOR

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
By Ferramentas Blog

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

JUSTIFICAÇÃO 3 - A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

1 – FUNDAMENTOS BÍBLICO-TEOLÓGICOS DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

1.      – É o ato da justiça de Deus aos homens
"Para o AT a ‘justiça’ (tsedeq) não era apenas ações que se conformam a um determinado conjunto de padrões legais absolutos, mas está relacionado com o comportamento, que por sua vez esta ligado com o relacionamento entre Deus e o homem. A justiça de Deus aparece no Seu modo divino de tratar com seu povo."
‘Justiça’ é um conceito de relacionamento. É justo quem cumpriu as exigências colocadas sobre si pelo relacionamento em que se encontra. Não é uma palavra que designa o caráter ético pessoal, mas a fidelidade a um relacionamento.
De todos os escritores do NT Paulo é quem estabelece a conexão mais estreita com AT, ao falar da justiça de Deus, e da justificação dos pecadores, da parte de Deus.
A justiça de Deus que é seu modo de tratar com seu povo Israel, se amplia agora para um novo Israel composto de judeus e gentios, é uma nova humanidade que se forma.
O verbo justificar é dikaioõo" construído sobre a mesma raiz de justo $dikaioj% que significa ‘absolver’, ‘declarar justo’. A justificação é um ato próprio do juiz. O substantivo dikaiosune pode ser traduzido pela palavra ‘justificação’ (Gl 2:21), mas geralmente é traduzido como ‘justiça’.
A idéia principal, em justificação, é a declaração de Deus, o juiz justo, de que o homem que crê em Cristo, embora possa ser pecador, é justo – é visto como sendo justo, porque, em Cristo, ele chegou a um relacionamento justo com Deus.
Para continuarmos nosso estudo vamos invadir um pouco o campo da hamartiologia, isto é, vamos compreender um pouco a doutrina do pecado.


A – Definição de pecado
Vários são os termos usados para designar o pecado. No hebraico os mais comuns são hatta’th, ‘awôn, pesha`, e no grego temos hamartia, hamartema, parabasis, paraptõma, poneria, anomia e adikia. As diferentes formas de expressão mostram os diferentes aspectos que o pecado pode ser contemplado. O pecado pode ser fracasso, erro, transgressão, iniquidade, falta de lei, injustiça, etc. Contudo a definição de pecado não se fecha nos termos bíblicos.
O pecado deve sempre ser visto como ‘orientado contra Deus’. A expressão de Paulo em sua acusação: "o pendor da carne é inimizade contra Deus" (Rm 8:7), expressa bem essa verdade.
Segundo Murray, professor de Teologia Sistemática (Westminster Theological Seminary, Filadélfia), ‘qualquer concepção sobre o pecado que não coloca em primeiro plano a contradição que oferece contra Deus, é um desvio do ensinamento bíblico a respeito.’
John Stott em seu livro ‘A Cruz de Cristo’ diz que cada pecado é uma quebra do que Jesus chamou de o primeiro grande mandamento, não apenas o fracasso de amar a Deus com todo o nosso ser, mas também a recusa ativa de reconhecê-lo e obedecer-lhe como o nosso criador e Senhor.
B – Origem do pecado
O AT não tem muito a dizer a respeito da origem do pecado. Essa opinião é compartilhada pelos teólogos modernos. Para o apóstolo Paulo através da transgressão de um homem, da ofensa de um homem, da desobediência de um homem, deu-se a origem do pecado (Rm 5:12-21).
Para J. Murray o pecado já estava no universo antes mesmo da queda de Adão. Isso é evidente pela presença e pelas alegações do tentador, no jardim do Éden. Murray afirma que Satanás ao seduzir a mulher e o homem dizendo que eles seriam como Deus, conhecedores do bem e do mal fez com que se manifestasse a concupiscência existente dentro do homem. Portanto, a narrativa bíblica lança nossa atenção para esse tipo de concupiscência, como sendo a origem do pecado. O pecado não se origina em ação ao acaso, mas procede do coração e da mente.
C – Suas conseqüências
O pecado de Adão e Eva trouxeram conseqüências a toda a humanidade, não foi um acontecimento isolado.
O pecado trouxe uma mudança da atitude do homem para com Deus. O homem que tinha comunhão com Deus passou a se esconder de Deus. A vergonha e o medo dominaram suas emoções (Gn 2:25; 3:7,10).
Houve também uma alteração na atitude de Deus para com os nossos primeiros pais. Deus reprovou, condenou, amaldiçoou e os expulsou do jardim. Através do pecado surgiu a ira e o desprazer de Deus. É impossível para Deus ser complacente para com o pecado. Deus não pode negar a si próprio.
O pecado trouxe uma catástrofe para toda a raça humana, pois todos os seus descendentes se tornaram solidário no pecado e na iniquidade. Esta catástrofe se estendeu a todo o cosmo (Gn 3:17; Rm 8:20).
A queda do homem faz surgir a morte como penalidade do pecado. A morte atinge o homem no aspecto físico e também no espiritual.
D – Sua imputação
O primeiro pecado de Adão teve uma significação sem igual para a raça humana inteira. Rm 5:12, 14-19; 1 Co 15:22, nestes textos encontramos uma ênfase a única transgressão, daquele único homem mediante o que o pecado, a condenação e a morte vieram reinar sobre a humanidade.
Em sua epistola aos romanos no cap. 5:12 o apóstolo Paulo explica que todos pecaram em Adão. A morte é o salário do pecado (Rm 6:23). Se todos estão condenados pela morte, se todos morrem em Adão (1 Co 15:22), é porque todos pecaram em Adão.
Acredito que agora podemos continuar nosso estudo. Se os seres humanos pecaram, são responsáveis por seus pecados, então são culpados perante Deus.
O apóstolo Paulo em sua epistola aos romanos divide a raça humana em três grupos maiores, e mostra como cada uma conhece algo do seu dever moral, mas decide omitir seu conhecimento a fim de seguir o seu próprio caminho pecaminoso.
No primeiro grupo Paulo nos mostra uma sociedade decadente, depravada, por ter recusado a dar ouvido a sua consciência. Preferiram viver na idolatria do que reconhecer a Deus por meio da sua criação, pois esta revelava o seu poder e a sua gloria. Diante disso Deus os entregou à imoralidade e a comportamento anti-sociais.
O Segundo grupo que Paulo faz menção é a do mundo auto justificado. Estes se justificavam por conhecer a lei de Deus ,no caso dos judeus, ou os gentios que se justificavam pelos seus próprios corações.
O terceiro grupo pertence exclusivamente ao mundo judaico, cujos membros tem orgulho do conhecimento que possuem e da instrução moral que dão a outros. Contudo a mesma lei que ensinam, também desobedecem. Dessa forma a mesma lei que ensinam também os condena, e sua posição privilegiada de povo da aliança não os protegerá do juízo divino (Rm 2:17-3:20).
Paulo ao dividir humanidade nestes três grupos, ele fecha qualquer possibilidade do homem tentar se encontrar inocente diante de Deus. No inicio de sua carta aos romanos aparece ainda que obscuro o tema da solidariedade do pecado de Adão. No cap. 3:20 da carta aos romanos o apóstolo afirma que ‘ninguém será justificado diante Dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado’.
Seja a lei mosaica ou a lei da consciência por elas todos serão condenados.
A partir do cap. 3:21 Paulo muda o seu discurso e passa a falar da presente justificação de pecadores crentes.
Deus imputa a retidão aos injustos e justifica aos ímpios (Rm 3:23-31).
Para o judeu os ímpios merecem a condenação. O juiz nos tempos do VT que absolvesse o mal ou que o justificasse era um mau juiz, seria considerado injusto. Paulo afirma que no próprio ato de justificar o ímpio, Deus se mostrou justo (Rm 3:26). Para os judeus isto era incompreensível. Paulo defende a justificação divina através da expressão "justificado por sua graça" (Rm 3:24), isto é, por seu favor totalmente imerecido.
Visto que não há nenhum justo, nenhum sequer (Rm 3:10), é igualmente certo que ninguém pode declarar-se justo à vista de Deus. Portanto é Deus quem justifica (Rm 8:33). Somente Ele pode faze-lo. Deus o faz livremente, não por causa de nossas obras, mas por causa da sua graça.
A pergunta que se levanta é sobre qual base Deus pode justificar os ímpios, sem comprometer sua própria justiça como juiz?
Pecado é transgressão da lei segundo o apóstolo João ‘todo aquele que pratica pecado também transgride a lei: porque o pecado é a transgressão da lei’ ( 1 Jo 3:4). Deus precisava satisfazer a lei. A lei não podia ser quebrada sem que o infrator sofresse a sua pena. Os pecadores estão presos a penalidade da lei. Não podem simplesmente sair ilesos, pois isso seria passar por cima da lei e seria contra o próprio caráter de Deus. A lei deve ser cumprida, suas exigências pagas e sua dignidade respeitada.
Deus não pode abolir, ignorar ou deliberadamente passar por cima da constituição moral das coisas que estabeleceu.
Embora Deus no seu grande amor deseja redimir os homens, Ele tem que cumprir seu propósito em perfeita fidelidade com sua própria natureza, sem negar sua justiça, em condições totalmente éticas. Deus não age em determinados momentos por apenas um de seus atributos ou de sua personalidade. Deus age sempre em conformidade com todas elas.
Não existe escapatória em termos de Deus simplesmente transigir em sua lei e ignorar a quebra da mesma por parte do homem.
Ao homem não resta nada a fazer, em face de sua culpa ele esta impossibilitado de se salvar ou de se auto justificar, só lhe resta aguardar o julgamento, que é a consequência inevitável do pecado no mundo de Deus.
Diante esta incapacidade de se auto justificar que se manifesta a graça de Deus em Cristo.

2.      – É manifestada em Jesus Cristo
Jesus Cristo é a manifestação da justiça de Deus aos homens.
Louis Berkhof define a justificação como ‘um ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são satisfeitas com vistas ao pecador.’
Cristo nasceu sob a lei (Gl 4:4). Jesus Cristo veio ao mundo para cumprir todas as exigências da lei de Deus, tanto a sua lei moral como a judicial.
Daí a necessidade da cruz, sobre a qual a penalidade da lei foi paga e a sua santidade vindicada, isto é, exigida.
Mediante o seu sangue Ele pagou os pecados da humanidade (Rm 3:25). O NT diz que Deus ‘enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados’ (1 Jo 4:9-10).
Jesus Cristo foi obediente até a morte. Sua vida reta o levou a morte e deu a Jesus Cristo o direito de sofrer a pena das nossas transgressões. Foi a morte de um justo, levando sobre si a maldição da lei (Gl 3:13; Is 53:4-12). Sobre a cruz foram julgados e expiados os pecados do homem.
‘Pois, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação que dá vida’ (Rm 5:18). Dessa maneira os crentes se tornam ‘justiça’ de Deus. Embora Paulo não fale diretamente encontramos neste texto a idéia defendida pela teologia protestante da imputação da justiça de Cristo. Aquele que não conheceu pecado, de uma forma representativa foi feito pecado, para que através Dele os homens fossem feitos justos. Deus para salvar o mundo, a humanidade, se ofereceu a si mesmo como sacrifício.
A carta aos Hebreus (9:15-10:18) retrata o sacrifício de Jesus Cristo como tendo cumprido perfeitamente as "sombras" do Antigo Testamento. Pois Ele se sacrificou a si mesmo (não a animais), de uma vez por todas (não repetidamente), e assim assegurou a purificação de nossa consciência e a restauração da comunhão com o Deus vivo.
Os pensamentos acerca da morte de Cristo levaram o autor sagrado a pensar no "sangue que dá vida". E esse pensamento levou-o a relembrar que até mesmo o primeiro pacto estava associado a sacrifícios cruentos. Essa linha de pensamento, finalmente, leva-o à ampla declaração do vigésimo segundo versículo, o qual diz que, sem remissão de sangue não há perdão de pecados. Por conseguinte, o autor sagrado passa de conceitos sobre o "Novo Testamento" para conceitos sobre o "Antigo Testamento".
É através do Antigo pacto que poderemos compreender o ato sacrificial de Jesus. Sua obra expiatória.
Jesus é o centro da "justificação pela fé". Ele é o substituto que tomou o nosso lugar, levou o nosso pecado, morreu a nossa morte, sofreu a nossa penalidade.
O sacrifício como caminho da salvação foi instituído por Deus e era preciso que o ofertante se identificasse com a oferta. Este caminho tem seu fim em Cristo.
Para compreendermos melhor este caminho vamos analisar cada um destes passos:
A – Instituído por Deus
Quando pensamos em sacrifício na visão do AT, nos lembramos dos carneiros, novilho, ovelhas, dos animais que eram imolados e oferecido a Deus.
O propósito dos sacrifícios, freqüentemente declarado no livro de Levítico, é fazer "expiação". No hebraico "kipper", esse verbo vem do substantivo kopher que significa "resgatar por um substituto".
Os sacrifícios estavam divididos em várias classes.
De particular significado para a Expiação eram as ofertas pelo pecado e pela culpa (Lv 4-5). As mais importantes eram feitas todos os anos, no dia da Expiação. Somente neste dia do ano o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, ultrapassando o véu e durante sua adoração oferecia um sacrifício de sangue como expiação de todos os pecados cometidos pelo povo de Israel (Lv 16). O aspecto principal de todo o sistema era o derramamento de sangue pela morte de uma vítima vicária.
Deus foi o primeiro a sacrificar (Gn 3:21 – Fez o Senhor Deus vestimentas de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu). Embora o texto não nos de maiores informações podemos concluir que estas peles eram de algum animal, que foram sacrificados para servirem de vestimentas para Adão e sua mulher.
Em Gn 22:13 diz que Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. Nesta passagem Abraão estava prestes a sacrificar Isaque seu filho, quando Deus o interrompe e lhe diz para oferecer o carneiro em lugar de seu filho. O carneiro havia sido providenciado por Deus.
No livro de Dt 21:1-9, Moisés determinou que no caso de um assassinato sem solução os anciãos da cidade deveriam declarar sua inocência e oferecer um sacrifício em lugar do assassino.
Podemos ver por meio destas passagens que tal substituição sacrificial foi criada pelo próprio Deus.
Em Lv 17:11 está escrito Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida.
Veja bem Deus disse: "Eu vo-lo tenho dado". Foi Deus quem deu o sangue com esse propósito expiador. Assim, devemos pensar no sistema sacrificial como dado por Deus, instituído por Deus e não dado por homens.
E o NT reconhece essa verdade. O próprio Deus ofereceu seu Filho para que, através de Seu sangue, nós pudéssemos ser purificados. Não que nós tenhamos amado a Deus, mas que Ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (Jo 4:10).
B – O ofertante se identifica com a oferta
Lv 4:3-4 Se o sacerdote pecar ele colocará a mão sobre a cabeça do novilho.
Lv 4:13-15 Se toda a congregação pecar os anciãos da congregação colocaram a mão sobre a cabeça do novilho.
Lv 4:27-29 Se qualquer pessoa pecar virá e colocará a mão sobre a cabeça da oferta pelo pecado.
Ao colocar as mãos sobre o animal, o ofertante certamente se estava identificando com ele e "solenemente" designando "a vitima como estando em seu lugar".
Voltamos novamente para Lv 17:11 Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida".
Este versículo alem de nos mostrar que foi o próprio Deus quem instituiu o sacrifício, também nos ensina que era o sangue que fazia a expiação, por ser ele o símbolo da vida. Então uma vida era sacrificada em favor de outra. De tal forma que a vida sacrificada levava o pecado, assumia a condenação do pecado do outro. Assim o pecador se tornava santo diante de Deus.
Como Deus poderia justificar o homem de uma vez por toda? Quem substituiria o pecado de Adão? Se Jesus foi o nosso substituto como se identificou com o homem?
Segundo a palavra de Deus nós todos estamos em estado de pecado. O apóstolo Paulo em sua epístola aos Romanos diz que "todos pecaram e carecem da glória de Deus".
O que podemos fazer então? Na verdade não podemos fazer nada, pois somos culpados e não podemos senão aguardar o julgamento. Continuamos a sacrificar? O próprio AT reconhece com clareza que os sacrifícios por si mesmos não podiam expiar pecados (Os 6:6; Mq 6:6-8). O Salmo 5l é particularmente expressivo neste sentido: a culpa moral não pode ser apagada mediante sacrifícios (v.16), mas apenas pela graça espontânea de Deus (v.1). E o autor da carta aos Hebreus também esclarece este fato (Hb 9:9ss).
Justamente neste ponto, diante de nossa incapacidade, a Escritura nos orienta em direção á maravilha da graça de Deus em Cristo.
Deus se torna o ofertante, pois oferece o seu Filho para morrer em lugar do homem. E o Filho se identifica com o homem, para poder morrer sua morte. Como homem ele havia "nascido sob a lei" (Gl 4:4) e obedeceu plenamente a todos os mandamentos de Deus (Jo 4:34), até a morte (Fp 2:8). Jesus se identificou com o homem. Esta identificação é expressa por Paulo em Fp 2:7 – antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em figura humana. A idéia da teoria da Kenosis segundo R. Martin (Ph.D., Preletor em Teologia. London Bible College) é que quando Jesus tomou a nossa natureza e apareceu a nossa semelhança sua glória ficou escondida. Ele também assumiu o seu destino como Servo do Senhor, que se humilhou a si mesmo até o ponto de deixar-se sacrificar no calvário. E Em sua morte Ele levou sobre si "a maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar" (Gl 3:13).
C – Finalizada em Cristo
É um erro total supor que Deus age em certa época de acordo com um de seus atributos e em outra de acordo com outro. Ele age em conformidade com todos eles em todos os tempos.
Como poderia Deus salvar a humanidade sendo Ele um Deus de amor, um Deus santo e justo. Era preciso que Deus satisfizesse todo o seu ser.
Segundo o que está escrito em Romanos 5:12 ...Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte...
Deus não poderia amar o homem em toda sua plenitude, pois sendo Deus Santo e Justo, não se misturaria com o pecado. Era preciso que o homem pagasse pelo seu pecado, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6:23).
Assim como o pecado entrou pela desobediência de um só homem a salvação viria pela obediência de só homem.
Era preciso que uma vida fosse sacrificada para levar o pecado da humanidade e assim livrando o homem da lei do pecado.
Em Jo 3:16 esta escrito Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Devemos entender que o Pai e o Filho fizeram tal obra de reconciliação juntos.
Esta escrito no livro de II Co 5:18-19 Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.
Também devemos entender que ao dar seu Filho, Ele estava dando a si mesmo, de tal maneira que era o próprio Juiz que em Santo amor assumiu o papel da vitima inocente, pois na pessoa do seu Filho e por meio Dela, Ele mesmo levou a penalidade que ele próprio infligiu.
Somente Deus, nosso Senhor e criador, poderia colocar-se como nossa segurança, poderia tomar o nosso lugar, poderia sofrer a morte eterna em nosso lugar como conseqüência de nossos pecados de tal modo que ela fosse finalmente sofrida e vencida.
Nos E.U.A. uma certa jovem dirigia seu carro em alta velocidade, então um policial a parou e vendo que ela havia bebido um pouco a levou para o juiz da cidade.
O juiz ficou surpreso ao ver que a jovem era sua filha, mas sendo ele um homem justo, apesar do amor pela filha, teve que penaliza-la.
Ela ficou obrigada a pagar ao governo uma quantia "x" que não me lembro exatamente.
Este juiz ao terminar de ler a sentença, tirou a sua veste de juiz desceu até onde estava a réu, sua filha, tirou sua carteira de bolso e fez um cheque pagando a divida que ele mesmo havia infligido. Na posição de pai, dela ele pagou sua divida. Sendo assim fiel a lei, justo e demonstrando o amor que sentia por sua filha.
Exatamente assim Deus agiu conosco.
Fl 2:7-8 Antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.
Sim Jesus o homem que também é Deus sacrificou-se por nós, morreu a nossa morte, fez-se pecado para que nós nos tornássemos justos (II Co 5:21).
Karl Barth diz "que essa foi a expressão não somente da santidade da justiça divina, mas também do santo amor divino".
O sacrifício tem seu fim na pessoa de Jesus Cristo, ele é consumado na pessoa de Jesus Cristo.
Todo lei sacrificial do Antigo Testamento era sombra do sacrifício superior que Cristo faria por nós.
John Stott diz que "o amor divino triunfou sobre a ira divina mediante o divino auto-sacrifïcio".
Porque o amor divino triunfou não precisamos mais sacrificar, basta-nos crer na obra salvadora de Jesus Cristo.

3.      – É para os que crêem
"Fé $peîi’qw% peitho – ‘convencer’, ‘persuadir’. A raiz peith ( pith, poith) tem o significado básico de ‘confiança’.
Fé $p~stis) pistis - crer (pisteuw% pisteuo, na literatura clássica, pistis significa ‘confiança’ que um homem pode Ter nas pessoas ou nos deuses."
Em sua carta aos romanos o apóstolo Paulo inicia fazendo uma analise da condição dos judeus e dos gentios diante Deus, e chega a seguinte conclusão ‘todos pecaram e carecem da glória de Deus’ (Rm 3: 23). Nos cap. 3 e 4 Paulo faz uma antítese obras versus fé (pisteuw%,, onde se discute o tema do caminho para a justiça.
A aliança que Deus fez com Abraão (Gn 17:10-14) se tornou para os judeus uma prerrogativa, um privilégio. Os judeus acreditavam que a circuncisão ordenada por Deus nesta aliança lhe garantiam a salvação.
Os judaizantes insistiam que não era suficiente que os gentios-cristãos fossem apenas batizados, mas que era necessário serem circuncidados. Os judaizantes tinham a lei de Moisés como uma pré-condição necessária para a salvação.
Visto que os judeus-cristãos tentavam convencer os gentios convertidos ao cristianismo a se circuncidarem e a obedecer a lei de Moisés, pois acreditavam que de outro modo não poderiam ser salvos. Por esta razão Paulo faz a antítese entre a obra e a fé. Este também é um dos motivos que o levou a escrever a epistola a igreja de Gálatas.
Paulo responde a isto dizendo que Abraão não foi justificado pela circuncisão e nem por obra alguma, mas que Abraão ‘recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para ser pai de todos os que crêem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça’ (Rm 4:11). Paulo trata a circuncisão como selo subsequente e externo ao estado de justo que Abraão já possuía como dom de Deus.
Paulo estava dizendo que Abraão foi aceito por Deus por causa de sua fé Nele e não por causa da circuncisão ou de obra alguma. De tal forma os filhos de Abraão não são os que cumprem a lei, mas os que como Abraão tem fé em Deus e consequentemente são justificados por sua graça (Rm 4:24).
‘Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça...’
Paulo demonstra novamente que a justificação só pode ser alcançada mediante a fé. Não se pode alcança-la por meio de obras, pois já não seria pela graça, mas por mérito.
Paulo tentou de todos os modos mostrar que o homem nada podia fazer de absoluto para ajudar alcançar sua salvação. O apóstolo repudiou toda insinuação de que as obras tinha uma contribuição na salvação.
‘Justificados, pois, mediante a fé,...’ (Rm 5:1). A justificação pela fé é o âmago da mensagem paulina.
Para Paulo a fé tinha o sentido de abandonar toda tentativa de alcançar a salvação por méritos. Era aceitar confiante o dom de Deus em Cristo.
Alfredo Borges Teixeira define ‘Justificação é o ato pelo qual Deus imputa ao crente o sacrifício vicário e a justiça vicária de Cristo’. Esta definição não é incorreta, mas não permite uma completa compreensão da justificação no ponto de vista bíblico e por que não dizer paulina. Pois este é um termo especificamente paulino. A definição de Teixeira deixou de fora o perdão e a fé. Embora a palavra imputada pode ser entendida que não a necessidade do homem fazer nada para receber a justificação, ela acaba cometendo o erro de excluir a fé também.
Joaquim Jeremias aproxima-se mais quando diz ‘...Para nos resumir, continua verdade que a justificação é o perdão, nada mais do que o perdão. Mas a justificação equivale ao perdão no sentido mais pleno do termo. Não é um mero esquecimento do passado, mas como penhor, um dom antecipado da salvação total; é uma nova criação pelo Espírito de Deus; é o Cristo tomando posse da vida desde aqui e já aqui.’ Contudo prefiro ficar com a definição que J. Packer da a respeito da justificação no ponto de vista de Paulo.
Para J. Packer a justificação para Paulo significa ‘o ato de Deus que redime os pecados de homens culpados e que os reputa retos, gratuitamente, por Sua graça, mediante a fé em Cristo, à base, não de sua próprias obras, mas do representante obediente à lei, que derramou seu sangue a favor dos mesmos, o Senhor Jesus Cristo.’


AUTOR DESCONHECIDO

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Translate

NOTÍCIAS