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By Ferramentas Blog

quarta-feira, 29 de junho de 2016

ARTIGOS TEOLÓGICOS 1 - A LIBERDADE

A liberdade.                                                               


O cristianismo convive com alguns impasses teológicos há séculos. Na tentativa de desatar alguns desses nós, teólogos e filósofos se revezam em fóruns, concílios e até em mesas inquisitoriais. Na maioria das vezes o ambiente se torna hostil. Um tema recorrente é a liberdade humana.

Até que ponto há liberdade no universo? Se o universo foi criado pelo Deus do primeiro Fiat, que não pode errar nem permitir que aconteça qualquer coisa que o frustre, por que há perversidade, vícios, chacinas, conspirações maldosas e tanto horror? Os seres humanos são livres para optar entre o bem e o mal ou a liberdade se resume em escolher entre qual tipo de maldade será praticada?

Deus teria criado um mundo já com todas as ações boas e malignas prontas e predeterminadas, para que no fim Ele se afirmasse por sua sabedoria?


A teologia cristã iniciou seu labor sistemático e filosófico sobre a liberdade com Santo Agostinho. Egresso da escola neo-platônica e dos pensamentos do filósofo grego Plotino, sabe-se que Santo Agostinho importou inúmeros conceitos dessas duas escolas filosóficas. Seu papel como teólogo, contribuiu muito para que a fé cristã, oriunda da cosmovisão judaica, se consolidasse no ambiente cultural predominantemente grego. O teólogo e filósofo Agostinho envolveu-se em incontáveis debates, afirmando ou reagindo contra os maniqueístas, donatistas e pelagianos.

Foram seus trabalhos contra os argumentos donatistas e pelagianos que o forçaram a definir cuidadosamente o que ele cria sobre o livre arbítrio.

O donatismo foi um movimento de cisma dentro dos arraiais católicos. Donato, bispo de Cartago (313-347) se baseou nos ensinos de Tertuliano e Cipriano (Pais da igreja), mobilizando os berberes e os sem-terras contra a elite católico romana, proprietária de terras. O donatismo ensinava que o papel desempenhado pelo sacerdote nos sacramentos era substancial e não somente instrumental. Isto é, o padre precisava estar em estado de total pureza e em comunhão plena com a igreja para o sacramento ser válido. Já Agostinho ecoava o pensamento que prevalecia em Roma: a verdadeira autoridade para que o sacramento fosse válido não era do sacerdote e sim da igreja, que ele só representava. Santo Agostinho, que defendera até então o livre-arbítrio (De Libero Arbítrio), mudou sua posição. Ele sentia que precisava conter à força a insubordinação dos donatistas. Will Durant, historiador do século XX, explica o porquê dessa sua mudança radical:

“Sendo a igreja o pai espiritual de todos, devia ela ter o direito de pai para punir o filho desobediente e isso para o próprio bem dele. Parece-lhe preferível que uns poucos donatistas sofressem a que ‘vivessem todos condenados ao inferno por falta de coerção’. Agostinho cria firmemente que somente na fé católica romana havia qualquer possibilidade de uma pessoa ser salva. Ele afirmava que ‘somente a igreja católica é o corpo de Cristo’ e que, se ele é cabeça somente desse corpo, há necessidade de se compelir, forçar, coagir as pessoas a entrarem na fé católica. O raciocínio conclusivo de Agostinho parecia lógico: ‘Se Deus usa de força como usou com Paulo para que ele se convertesse, a igreja como serva de Deus, também poderia usar da coerção para converter pagãos’”.[1][1]

Nesse contexto, Agostinho passou a ensinar que os seres humanos não possuem verdadeira liberdade. E por estarem presos, todo relacionamento entre Deus e os seres humanos acontece por coerção; e que a força e o amor não são incompatíveis.

Em uma carta a Vicentius (2.5), Agostinho afirmou:

“... Leia também que Saulo, depois Paulo, foi compelido pela grande violência com que Cristo o coagiu a conhecer e abraçar a verdade. Você afirma que não há necessidade de coerção para que o homem seja liberto das conseqüências fatais do erro, veja você em exemplos que não podem ser argumentados que Deus também usou de coerção. Ele que nos ama”.

Agostinho também contendeu com o seu mais famoso crítico, Pelágio. Quando Pelágio leu a tese de que é possível haver amor genuíno entre Deus e seus filhos pela coerção, ele procurou refutar os argumentos de Agostinho. Pelágio defendia o livre arbítrio das criaturas humanas e a responsabilidade moral; pregava que ao criar homens e mulheres, Deus não os sujeitou, como as demais criaturas, à lei da natureza, mas deu-lhes o privilégio de cumprir a vontade divina mediante sua própria escolha. Essa possibilidade de escolher livremente o bem, acarretaria a possibilidade de escolher o mal. Parece que ele se excedeu em seus argumentos e chegou a propor que havia a possibilidade de haver conversão e vida cristã sem a ajuda do Espírito Santo. E por esse excesso, Pelágio sofreu execração pública; hoje a igreja o tem como herege e Agostinho permanece santo.

Tanto o monge que deflagrou a Reforma Protestante como o teólogo que mais influenciou sua teologia, eram agostinianos. Martinho Lutero e João Calvino também descriam na liberdade humana. Mas foi João Calvino quem retomou o discurso de Agostinho e lhe deu consistência teológica. Ele acreditava que o universo está pronto (Soberania), os atos de todas as criaturas foram pré-determinados pelo criador na eternidade passada (Providência) e o destino de cada indivíduo, decretado e selado (Predestinação).

Sua clássica definição de predestinação se encontra nas suas Institutas da Religião:

“Chamamos de predestinação ao eterno decreto de Deus, pelo qual ele determinou em si mesmo o que ele quis que todo indivíduo do gênero humano viesse a ser. Porque eles não são criados todos com o mesmo destino, mas a alguns é pré-ordenada a vida eterna e para outros a condenação eterna. Portanto, sendo criada cada pessoa para um ou outro destes fins, dizemos que é predestinada ou para a vida ou para a morte”.[2][2]

A liberdade humana, portanto, não existe dentro destes conceitos. Cada um nasce para cumprir o propósito previamente decretado por Deus. Samuel Falcão, ideólogo do calvinismo brasileiro, tenta solidificar esses argumentos citando B. B. Warfield, outro discípulo do pastor de Genebra:

“Não podemos pensar em Deus senão como um ser que determina tudo o que acontece no mundo, deste mundo que é produto do seu ato criador. Todas as coisas sem exceção estão dispostas por ele, e sua vontade é a última palavra para tudo o que acontece é ele que dirige os passos dos homens, quer eles saibam ou não, quem ergue e derriba; abre e endurece o coração; e cria os pensamentos e intentos verdadeiros do coração”.

Dr. Charles Rodge inspirou os argumentos de Falcão, que acreditava na predestinação como único caminho lógico para o seu conceito de Deus, porque. “a soberania de Deus é exercida: 1) estabelecendo as leis físicas e morais que governam suas criaturas; 2) determinando a natureza e os poderes das diferentes ordens dos seres vivos e designando cada um em sua esfera apropriada; 3) apontando para cada indivíduo sua posição e seu destino; 4) e, também, na disposição de seus favores”. ‘Porventura, não me é lícito fazer o que eu quero do que é meu?’”.

Deve-se admitir que nesse modelo, os raciocínios Agostinianos e Calvinistas são coerentes. Eles contêm uma lógica filosoficamente inquestionável. Resta perguntar se esse é o Deus da Bíblia. O Deus do calvinismo é o mesmo que Jesus revelou aos homens? Existe ainda uma questão que teima não calar: seus argumentos são compatíveis com as Escrituras?

Até que ponto a humanidade deve abrir mão da Liberdade e do Livre Arbítrio como valores? A igreja cristã deveria ser a primeira a defender e justificar a Liberdade como o dom mais precioso e que, acreditar nela, é mais nobre e mais sensato do que enxergar a história presa a um fatalismo histórico ou a desígnios divinos.

A história mostra que os que defendem o determinismo teológico, acabam sendo incoerentes em sua prática religiosa e espiritualidade pessoal. Eles oram, pedem por milagres e fazem missões, acreditando que de alguma forma, Deus fará algum tipo de exceção. Até os mais dogmáticos defensores da predestinação, agem em suas comunidades como se houvesse liberdade no universo.

As pessoas podem até pensar que estão fazendo escolhas, mas na verdade apenas cumprem o que fora decretado por Deus. As escolhas e decisões acabam se tornando meras ilusões e devido a ignorância dos bastidores insondáveis das razões divinas, ninguém pode ter certeza absoluta de haver sido criado para o bem ou para o mal.

No determinismo calvinista, já no primeiro ato criador de Deus, tudo já estava decidido. A queda de Adão, o adultério de Davi, o estupro que acabou com a honra da mocinha, o holocausto de Hitler, o genocídio de Ruanda, o tiro que matou o suicida, o intocável que morre nas calçadas de Calcutá. A constituição genética de todos os seres humanos foi escrita e determinada por Deus e todos já nasceram com suas vidas prontas. Deus, inclusive as contempla como já acontecidas.

A física quântica abalou o determinismo científico, mas não alcançou ainda a teologia. Com a física quântica, provou-se empiricamente que há aleatoriedade no universo. Junto com ela soube-se da incerteza dos fatos futuros. O amanhã deixou de ser uma certeza e passou a uma probabilidade, inclusive imprevisível. A física quântica é um horror para os calvinistas, mas não para o Deus bíblico.

A teologia agostiniana, influenciada enormemente pelo neo platonismo, só concebe Deus segundo os paradigmas gregos. Os conceitos de onipotência e onisciência são definidos, não pelo relato das Escrituras, mas pela mitologia helênica. Assim, todos os mínimos detalhes e partículas do universo, incluindo os seres humanos, só acontecem ou agem debaixo do controle direto, e sempre obedecendo um desígnio prévio. Deus não apenas decretou, como observa o passado, o presente e o futuro de uma só vez. Tudo está pronto. Seria como se ele estivesse, a partir da eternidade, contemplando a história como uma linha já traçada e completada. Para essa teologia, nem mesmo a aleatoriedade do mundo quântico foge do controle divino, pois Deus gerencia cada nano evento. Assim, o destino existe e é imutável. Tudo e todos já nascem presos a ele.

Nessa teologia o determinismo passa a ser concebido como uma verdade inquestionável e os humanos não podem questionar nada, pois Deus não tem satisfações a dar do que ele pré-decretou desde sempre.

Se os teólogos do calvinismo levassem sua doutrina às últimas conseqüências, o que aconteceria? Os desdobramentos seriam nefastos para a história. As pessoas poderiam cruzar os braços e simplesmente aguardar o porvir. Não adiantaria fazer qualquer coisa para evitar o que já foi contemplado como “acontecido” pelo próprio Deus. As escolhas atuais não importam, pois até mesmo a inquietação de querer mudar, já foi determinada anteriormente. Os crimes, as injustiças contribuiriam para um bem maior. Não haveria méritos pois tudo foi causado pela providência. A virtude perderia seu valor. O ímpio nasceria inimputável pois ele não pediu para ser vaso de desonra. Ninguém mereceria o inferno. O justo viria ao mundo programado para o bem e ir para o céu. As pessoas perderiam sua dignidade pois seriam definidos por uma vontade externa e não por suas escolhas.

Há largos indícios na Bíblia que Deus decidiu criar o universo diferentemente. Ele preferiu fazer homens e mulheres à sua imagem para estabelecer relacionamentos de amor - sem coerção. C. S. Lewis argumentou em “O Problema do Sofrimento” que “a liberdade de uma criatura deve significar liberdade de escolha: e escolha implica na existência de coisas a serem escolhidas”. Para Lewis, “o sofrimento [humano] é o preço que teve de ser pago para que a liberdade e o amor existissem em todos”.

Na trama bíblica, a vontade de Deus foi muitas vezes, frustrada pelas ações humanas e seu conselho, sequer aceito.

No grego há duas palavras que expressam a vontade os planos de Deus. Theló – traduzido como “vontade” ou “desejo”; e Bulomai – traduzido por conselho ou plano. Em variados textos essas duas palavras foram usadas para indicar que tanto a vontade como o propósito de Deus foram frustrados pela humanidade:

O Boulomai – conselho ou plano – de Deus rejeitados em:

Lucas 7.30:

“Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho (boulê) de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele”.

Em II Pedro 3.9, lê-se que a vontade última de Deus para que ninguém se perca é frustrada: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco não querendo (boulomai) que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”.

Thelos é o outro vocábulo extensamente usado para mostrar como as ações humanas frustram a vontade divina:

Mateus 23.37:

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis (thelo) eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta seus pintinhos debaixo das asas e tu não quiseste”.

Lucas 12.47.
“E o servo que soube a vontade do seu senhor e não se aprontou nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites”.

Mateus 7.21.
“Nem todo o que me diz Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu pai, que está nos céus”.

João 7.17.
Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ele é de Deus ou se eu falo de mim mesmo”.

Atos 7.51.
“Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvidos; vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como vossos pais”.

Há ainda outros textos que indicam que a vontade de Deus não é cumprida plenamente nem pelos próprios cristãos. Paulo afirma em I Tessalonicenses 4.3 que é da  vontade de Deus que os crentes se santifiquem e se abstenham da prostituição. Obviamente isso não acontece com muita freqüência. O apóstolo voltou a mostrar em I Tessalonicenses 5.17-18, como os crentes podem frustrar Deus, ao aconselhar que dêem graças por tudo, já que esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus. Como nem sempre se observa os crentes sendo gratos, mais uma vez, seu conselho não foi seguido muito de perto.

A lógica calvinista despedaça a responsabilidade humana, engessa a história numa predeterminação remotíssima e rechaça com as ações transformadoras da igreja.

Por que? Devido à lógica de que tudo o que acontece é parte de um grande quebra-cabeças concebido por Deus e que todas as pessoas, boas ou más, somente cumprem os roteiros que receberam de Deus. Calvino, chegou ao cúmulo de afirmar que “Satanás é tão completamente servo do Altíssimo, que ele só age por seu mandamento”.

Esses conceitos calvinistas se parecem com a visão de mundo das Moiras dentro da mitologia grega. As Moiras eram três irmãs que presidiam o movimento das esferas celestes, a harmonia do mundo e a sorte dos mortais. “Elas presidiam o destino (moira, em grego) e dividiam entre si as diversas funções. Cloto (aquela que fia) tece os destinos humanos, Láquesis (que significa sorte) põe o fio no fuso; Átropos (ou seja inflexível) corta impiedosamente o fio que mede a vida de cada mortal. Esse mito, explicita a idéia de que toda ação humana depende dos desígnios divinos.

Os séculos XVII e XVIII foram marcados por muitas doutrinas deterministas. Diversos cientistas consideravam que o universo funcionava como uma enorme máquina que se movia como um relógio. Se tudo está determinado, as pessoas não são livres, pois tudo o que ocorrer no futuro já está definido. O determinismo teológico de Agostinho e Calvino também encontra defensores em outras filosofias atéias. John Watson e B. F. Skinner, psicólogos experimentais do século XX, propuseram que os seres humanos são condicionados, mas pela genética, ambiente e meio social. E que as reações humanas podem ser tão controladas como a dos animais. Eles tornaram o behaviorismo aceito porque preconizaram que tudo o que existe tem uma causa e pode ser explicado pelo princípio da necessidade e não da liberdade. Para os behavioristas, as pessoas não passam de meros átomos e moléculas e a existência de reações químicas e físicas. Os seres humanos se comportam como elos de uma cadeia de eventos que se iniciou desde o alvorecer da consciência.

Será que os seres humanos apenas obedecem a roteiros físicos ou divinos? As decisões são meras conseqüências de condicionamentos genéticos; as contingências sociais e econômicas são determinantes? Até que ponto a cultura aprisiona?

A liberdade no sentido existencial de Kierkergaard ou de Sartre supõe que o que faço (minha existência) não foi determinado pelo que sou (minha essência). Eu crio o que sou e escolho livremente minha senda. Para o existencialismo, se há um roteiro já escrito e decretado e que define à priori a existência, a liberdade é falsa. O teólogo francês Bossouet escreveu no século XVII em seu “Tratado Sobre o Livre Arbítrio” que:

“Por mais que eu procure em mim a razão que me determina, mais sinto que eu não tenho nenhuma senão apenas a minha vontade: sinto aí claramente a minha liberdade, que consiste unicamente em tal escolha. É isto que me faz compreender que sou feito à imagem de Deus”.

As pessoas só são livres de verdade se a existência preceder a essência. Se homens e mulheres são livres, é que eles antes de tudo não são nada. Sartre afirmava que “as pessoas só se tornam aquilo que fazem”.

Deve-se fazer teologia com esses pressupostos. Ninguém nasce para cumprir uma biografia pré-natal, mas para escrevê-la. Não nascemos pecadores como queria Agostinho e nem santos como propôs Rousseau. Nascemos em um mundo que ainda não está pronto e Deus, por sua soberana vontade, escolheu partilhar a construção da história com os seres humanos que para isso foram criados livres. É nisto que todos se assemelham a Deus.

A história não é uma construção divina, mas humana. Esse mandato foi explicitado desde o Éden. O Deus absconditus, que procura se inserir na história não é o deus do deísmo que se ausentou, mas aquele que encarnou em seu Filho para, dentro da própria história, participar com valores, verdades, princípios, perdão, consolo e esperança na construção do porvir.

O silêncio divino não deixa para os seres humanos outra escolha senão descobrirem sua existência. Sem Deus controlando e micro-gerenciando, não há essência já definida. Cada um, por ser livre, poderá construir sua existência.

Cristo não convocou seus discípulos para que tornassem visível o que já estava pronto. Eles receberam chaves para abrir e fechar; suas escolhas mudaram realidades conjunturais e estruturais; eles tinham poder para adiar ou antecipar datas; suas palavras alteraram vidas e povoaram a morada de Deus com muitos filhos.

O futuro depende de como a igreja se comporta na terra. Se defende a justiça, abraça a causa dos marginalizados, abre os olhos dos cegos e perdoa pecados, ela antecipa a chegada do Reino futuro. Se ela se cala, submete e se omite, o mal se alastra e os poderes da morte se instalam.

Zwinglio M. Dias (1975:38) dedicou em seu livro "Discussão sobre a Igreja"  vários parágrafos para essa questão, convocando os crentes a cooperarem na construção de um futuro que não está pronto:

“Deus cede lugar ao homem – A narrativa continua e nos diz que depois de criar o homem criador (à sua imagem e semelhança) e estabelecê-lo como senhor com plenos poderes de sua criação, Deus descansou. O Deus faber deu lugar ao homo faber. No sétimo dia da criação teve início então a história humana. Isto quer dizer simplesmente que Deus cedeu lugar ao homem, permitindo que este, para realizar-se completamente como ser humano, levasse adiante sua obra. Ao fazer isto, Deus declarou a verdadeira natureza das suas relações com suas criaturas: o homem foi criado para ser Seu companheiro na construção do universo e na manutenção da vida”.

Philip J. Hefner em “Dogmática Cristã” (Editora Sinodal, 1990) também afirmou que:

“Ser co-criador significa que o homo sapiens toma parte consciente e responsavelmente na formação do mundo e seu desdobramento em direção a sua consumação final sob Deus. Teilhard de Chardin expressou isto evocativamente em sua máxima de que o ‘homem é a evolução tornada consciente de si mesma’. Qualquer que seja o alcance que concedamos à atividade criativa humana, o destino desta atividade é participar de e aperfeiçoar a substância e alvo da atividade criativa de Deus”.


Término.

Pode-se compreender a Soberania de Deus nos pressupostos calvinistas, mas para isso é necessário anular a liberdade humana. Não há possibilidade dos dois conceitos caminharem juntos. O calvinista faz um exercício tremendo para explicar como é possível Deus amar e ser amado por pessoas que não são livres. Esse conceito de amor pode ter sido construído na história cristã, mas não é o amor expresso por Jesus Cristo e nem vivenciado pelos santos da Bíblia.

Entre os dois modelos, parece mais bíblico optar pela liberdade humana e pelo Deus que podemos chamar de Pai.

 







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