A FAMÍLIA DE JESUS CRISTO NA PERSPECTIVA TEOLÓGICA
(Segunda Parte)
Quero iniciar
essa série “Família Como Cristo” apresentando primeiramente a família de Jesus
Cristo, isto é, os membros que compõem sua família. Em segundo lugar quero
analisar com vocês como Cristo se relaciona com eles.
Iremos olhar
para “A Família de Jesus na Perspectiva Teológica” com o fim de compreendermos
de forma correta a família de Jesus Cristo, pois ela nos ajudará a construirmos
conceito corretos sobre família e também a desconstruir conceitos errados a
respeito da família de Jesus que nos foram ensinados ao longo dos anos.
Quem são os
membros da família de Cristo? Quem são seus pais? Quem são seus irmãos?
Hoje pela manhã
respondemos as duas primeiras perguntas. Afirmamos que Jesus, o Filho de Deus,
não foi gerado e nem criado, mas sempre coexistiu com o Pai e com o Espírito
Santo, na pessoa do Deus Triúno. Três pessoas distintas, mas não divididas, que
formam o único Deus existente – o Criador de todo universo, o Deus de Israel.
Portanto sua
verdadeira família não é José e Maria, estes foram os pais do Jesus histórico,
mas a família verdadeira de Jesus é a família divina: Pai, Filho e Espírito
Santo.
Hoje à noite,
quero responder a pergunta: “Jesus tinha irmãos?”.
1 – JESUS TINHA IRMÃOS?
Para que eu possa
responder a esta pergunta preciso fazê-la considerando as duas realidades de
Jesus Cristo: o Jesus histórico nascido da virgem Maria e Jesus o Filho de Deus.
Primeiramente
vou buscar responder a pergunta se o Jesus histórico, o homem, que viveu entre
nós teve irmãos?
1.1 – Jesus Histórico
Jesus tinha
irmãos por parte de Maria e José?
Essa é uma
pergunta que tem levantado muitas discussões no campo teológico. Os católicos
romanos e ortodoxos, assim como alguns luteranos defendem a teoria de que a
virgem Maria, a mãe do Jesus histórico, concebeu Jesus sendo virgem e continuo
virgem em toda sua vida, isto é, nunca se relacionou com José, seu esposo ou
com qualquer outro homem.
Se considerarmos
essa teoria verdadeira, José possivelmente era o homem mais infeliz de seus
dias, pois tinha uma jovem esposa, bonita, a quem ele amava e desejava, pois já
estava com seu casamento agendado, sonhando com a lua de mel. Entretanto este
sonho é interrompido quando um anjo lhe surge e anuncia que sua amada
conceberia milagrosamente uma criança gerada pelo Espírito de Deus. José
aguarda o nascimento do menino conforme a orientação do Anjo. Maria da à luz ao
menino Jesus, e depois disso você acredita que José passou o resto de sua vida
chupando o dedo? Se isso fosse uma verdade a ser considerada, José deve ter
vivido em pecado todos os seus dias desejando o que não poderia ter.
Vejamos o que a
Bíblia nos diz quanto a possibilidade de Jesus ter irmãos e irmãs.
55
Não é este o filho do carpinteiro (José)? O nome de sua mãe não é Maria, e não
são seus irmãos (ἀδελφοὶ -
adelphoi) Tiago, José,
Simão e Judas?
56
Não estão conosco todas as suas irmãs (ἀδελφαὶ - adelphai)? De onde, pois, ele
obteve todas essas coisas?". (Mateus 13.55,56)
A palavra grega ἀδελφοὶ [adelphoi]
significa irmão. Ela antes de qualquer coisa se refere a irmãos gerados pelo
mesmo útero. A palavra “delphys” significa “útero” ou “ventre”. Dessa forma adelphos significa
literalmente, "(os) do mesmo útero". Podemos afirmar que primeiramente
esta palavra se refere a pessoas geradas pelo mesmo pai e pela mesma mãe.
Existe sim a
possibilidade dessa palavra também ser usada para definir um parente muito
próximo ou mesmo um irmão na fé.
Por isso é muito
importante olharmos o contexto histórico da frase para podermos definir a que
tipo de grau de parentesco o texto se refere.
Jesus estava na
sua cidade, na cidade em que crescerá, onde todos o conheciam, conforme nos
descreve o verso anterior deste mesmo capítulo (Mt
13.54).
Portanto fica evidente que todos sabiam de onde ele vinha e quem era sua
família. Quando se referem a José e Maria se referem à filiação de Jesus, da
mesma forma o fazem com relação a seus irmãos. Ao apresentarem o nome de seus
irmãos, estão confirmando a filiação de Jesus. Como uma pergunta retórica, uma
forma de expressão muito comum da cultura judaica: “Não é essa a casa de José e
Maria?”.
46 Falava ainda Jesus à multidão quando sua mãe e seus irmãos (ἀδελφοὶ -
adelphoi) chegaram do lado de fora, querendo falar com ele. (Mateus 12.46)
Jesus falava em algum local próximo de sua
casa. O texto apresenta a mesma palavra grega ἀδελφοὶ [adelphoi]
para indicar que sua mãe e irmãos vierem falar com ele quando ele estava
ensinando a um grupo de pessoas.
O texto é claro
em querer mostrar que se referia a Maria e seus filhos, irmãos de Jesus, pois
neste caso o autor poderia claramente usar a palavra grega anepsios [anepsios] para indicar que se tratava de primos, como desejam
afirmar os que defendem que Jesus não teve irmãos. O fato dos autores bíblicos
trazerem as palavras “mãe” e “irmãos” amarradas uma na outra indica que eles
queriam realçar que eram filhos da mesma mãe.
Mas para fechar
essa discussão quero ler o texto que se encontra no evangelho de Mateus.
25 Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus. (Mateus 1.25)
O texto está
afirmando que José não teve relação com Maria enquanto ela não deu à luz. Já
está subentendido que após ter dado a luz, eles tiveram relações. Vocês querem
algo mais claro do que isso. Depois que Jesus nasceu Maria e José namoraram
muito, fizeram rala-rala, a lua de mel foi concretizada com o consentimento e a
bênção de Deus.
Creio que
podemos afirmar sem dúvida que o Jesus histórico teve irmãos por parte de José
e Maria. Que José não viveu na vontade, no pecado, mas que amou e foi amado por
Maria.
1.2 – Jesus o Filho de Deus
Quando falamos
de Jesus o Filho de Deus estamos propondo olhar para a compreensão de Jesus a
respeito de sua família. Iremos fazer essa analise através de alguns fatos
históricos na vida de Jesus que nos deixa claro que Ele compreendia sua família
além dos limites humanos, da linhagem sanguínea e carnal.
·
Primeiro fato histórico –
Os
pais de Jesus, assim como todos os judeus, iam todos os anos a Jerusalém, em
virtude da festa da Páscoa. Quando Ele chegou aos doze anos, subiram até lá,
segundo o costume da festa. Terminados esses dias, regressaram a casa e o
menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. Pensando que Ele se
encontrava na caravana, brincando possivelmente com as demais crianças. Fizeram
um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e
conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à sua procura.
Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a
ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos quantos o ouviam, estavam estupefatos
(maravilhados) com a sua inteligência e as suas respostas. Ao vê-lo, ficaram
assombrados (perplexos) e sua mãe disse-lhe:
48 "Filho, por que você nos fez isto? Seu pai e
eu estávamos aflitos, à sua procura". 49 Ele perguntou: "Por que vocês estavam me procurando? Não
sabiam que eu devia estar na casa de meu Pai?". 50 Mas eles não compreenderam o que lhes dizia. (Lucas 2.48-50)
Jesus
com doze anos já estava afirmando claramente a que família pertencia. Jesus
tinha consciência de quem era e por que se tornou um homem. Ele sabia que era o
Filho de Deus, contudo Maria e José não entenderam o que ele estava dizendo.
·
Segundo fato histórico –
Jesus
estava falando a uma multidão quando uma pessoa se aproxima dele e lhe informa
que sua mãe e irmãos estavam do lado de fora da casa querendo falar com ele.
Então ele dá uma resposta que demonstra claramente quem são na sua perspectiva aqueles
que fazem parte de sua família. Fica evidente que Jesus compreende sua família
além do fator sanguíneo.
46 Falava ainda Jesus à multidão quando sua mãe e
seus irmãos chegaram do lado de fora, querendo falar com ele. 47 Alguém lhe disse: "Tua mãe e teus irmãos
estão lá fora e querem falar contigo". 48 "Quem é minha mãe, e quem são meus
irmãos?", perguntou ele. 49 E, estendendo a mão para os discípulos, disse: "Aqui
estão minha mãe e meus irmãos! 50 Pois quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é
meu irmão, minha irmã e minha mãe". (Mateus
12.46-50)
Para Jesus sua
família é formada por todos aqueles que fazem a vontade do seu Pai celestial.
Jesus está dizendo que são seus irmãos àqueles que creem nas Palavras do Pai e
a obedecem. Lembro que aqueles que creem no Pai creem no Filho, pois Ele foi
enviado pelo Pai.
·
Terceiro fato histórico
– Parece que no mesmo discurso que citamos anteriormente, um pouco antes da mãe
de Jesus chegar, uma mulher se manifesta entusiasticamente por causa das belas
palavras de Jesus.
27 Quando Jesus dizia estas coisas, uma mulher da
multidão exclamou: "Feliz é a mulher que te deu à luz e te
amamentou". 28 Ele respondeu:
"Antes, felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e lhe
obedecem". (Lucas 11.27,28)
O
fato de Maria ter sido a mãe do Jesus histórico era algo a ser celebrado, contudo
segundo Jesus a verdadeira bem-aventurança consistia em ser um discípulo e não
em ter um grau de parentesco com o Jesus encarnado.
Somente
se é discípulo quando se ouve e obedece a Palavra. A diferença entre fazer
parte da multidão de seguidores e ser discípulo de Jesus é que a multidão segue
com o fim de obterem bênçãos de Deus, mas os discípulos seguem com o fim de
serem iguais a Jesus Cristo.
Aquele
que se torna um discípulo de Jesus se torna mais que um discípulo, se torna um
filho de Deus também, um irmão de Jesus Cristo.
2 – COMO POSSO ME TORNAR
UM FILHO DE DEUS?
Paulo nos revela
na carta aos efésios, que desde antes da criação do mundo Deus Pai já havia nos
predestinado através de Jesus Cristo para sermos seus filhos.
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que
nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. 4 Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. 5 Em amor nos predestinou para sermos adotados
como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, (Efésios 1.3-5)
Deus nos criou,
com o fim de nos ter como filhos. Entretanto o texto diz “adotados como filhos
por meio de Jesus Cristo”. Só nos tornamos filhos de Deus quando nos tornamos
um com Cristo.
O cristianismo
inaugura um novo tipo de relacionamento, que não exclui o parentesco de sangue,
mas vai além, ao oferecer o parentesco espiritual pelo sangue de Jesus.
Há muitos
cristãos, das mais diversas denominações evangélicas, que não estão empenhados
em fazer a vontade de Deus. Esses são aqueles que chamam Jesus de "Senhor”,
mas não fazem sua vontade e consequentemente a vontade do Pai. Parece que estes
se esqueceram da advertência de Jesus para alguns homens que procediam desta
forma, conforme podemos ler em Mateus.
21 "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará
no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos
céus. (Mateus 7.21)
Para muitos, ser
cristão significa apenas uma adesão à igreja. Isso é uma falácia. Ser cristão
implica em adesão a pessoa de Jesus Cristo e não há uma igreja. Como isso é
possível? Essa é uma atitude de fé. Apropriamo-nos, pela fé, de todas as
promessas de Deus para nós por meio de Jesus Cristo. Quando cremos nas palavras
de Jesus, o Espírito Santo de Deus vem habitar em nós e se torna nosso selo e
penhor de salvação. O Espírito Santo que em nós agora habita nos une ao Corpo
de Cristo, nos tornando membros de seu Corpo e de sua Igreja. Uma vez unidos a
Cristo, nos tornamos filhos de Deus, adotados por meio de Jesus Cristo.
REFLEXÃO
FINAL:
Se você hoje
quer se tornar um filho de Deus, quer se unir ao Corpo de Cristo, ser um com
Jesus, você só precisa dar um passo de fé e fazer uma oração a ele.
“Senhor Jesus, venho diante de ti, num
passo de fé, ainda que meus sentimentos duvidem, ainda que eu não consiga
tocar-lhe, venho como estou diante de
ti. Reconheço que sou pecador(a), que em minha vida busquei sempre minhas
vontades e hoje eu lhe peço: perdoa-me Senhor. Toma minha vida em suas mãos,
ensina-me os teus caminhos. Quero lhe servir com todo o meu coração. Faço esta
oração diante de ti, em teu nome Jesus. Amém”.
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
03/05/2019
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