LIDERANDO A
PARTIR DO MODELO PASTORAL DE JESUS: SALVÍFICO
(segunda parte)
Neste mês de
Junho estamos refletindo na série: “Liderando Como Cristo”.
Jesus foi e é o
maior líder de todos os tempos sem dúvida alguma. Nunca houve alguém com
vocação tão suprema, ministério tão eficaz, liderança tão exemplar e legado
mais duradouro.
Como líder, ele
tinha uma clara consciência de sua pessoa, da sua missão e do seu dever de
formar discípulos que dessem continuidade a sua obra. Em seu estado de
humilhação Jesus aprendeu a depender do Pai em tudo, desde a escolha de seus discípulos
até seu triunfo na cruz. Tudo que Jesus realizou, o fez em oração e submissão à
vontade do Pai.
Hoje pela manhã aprendemos que
todos nós exercemos liderança, pois todos nós fomos chamados para sermos sal e
luz da terra. Vimos também que o modelo de liderança de Jesus é o modelo
pastoral. Jesus exerceu sua liderança tendo como referência a figura do pastor
de ovelhas.
Lembro que liderar é a arte de exercer
poder sobre as demais pessoas. Jesus exerceu sobre as pessoas poder e o fez
como um pastor. O poder atribuído a um pastor é um poder-serviço, é um poder
voltado para o bem das ovelhas. Isso significa que Jesus exerceu um poder
voltado para o bem do outro.
Nossa intenção é
aprendermos com Jesus para exercermos a mesma liderança, através do mesmo tipo
de exercício de poder sobre todos com quem nos relacionamos. Iremos agora
refletir sobre a primeira das características do modelo de liderança pastoral
de Jesus. A primeira característica deste modelo de liderança pastoral é que
ele é:
1 – SALVÍFICO
O modelo pastoral de Jesus visa
assegurar a salvação de toda sua criação, a partir da redenção da raça humana.
Jesus promete salvar todo àquele que nele crer. Portanto Jesus exerce um poder
Salvífico. Todo o poder do qual ele está revestido, todo poder que emana de
Jesus para o homem visa prover salvação para o ser humano. Todo discurso de
Jesus aponta o caminho para que o ser humano alcance a salvação. Jesus viveu
intensamente sua missão: salvar o mundo do pecado.
João, o apóstolo de Jesus, em
seu evangelho descreve uma das metáforas usadas por Jesus para apontar o
caminho de salvação para nós.
1 "Eu lhes asseguro que aquele que não entra no aprisco
das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2 Aquele que entra pela porta é o pastor das
ovelhas. 3 O porteiro abre-lhe a
porta, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as suas ovelhas pelo nome e as
leva para fora. 4 Depois de conduzir
para fora todas as suas ovelhas, vai adiante delas, e estas o seguem, porque
conhecem a sua voz. 5 Mas nunca seguirão um
estranho; na verdade, fugirão dele, porque não reconhecem a voz de
estranhos". 6 Jesus usou essa
comparação, mas eles não compreenderam o que lhes estava falando. (João 10.1-6)
Jesus se identifica nesta parábola
com a figura da porta e com a do pastor. Mas o que Jesus está dizendo com essa
metáfora? Para respondermos esta pergunta precisamos saber para quem ele contou
esta parábola. Quem são as pessoas que não a compreenderam?
Jesus havia curado um cego de
nascença. Isso causou o maior pandemônio em Jerusalém. Os fariseus se reuniram
não para celebrar que o cego de nascença estava vendo, mas para condená-lo
porque ele havia sido curado no sábado. Eles insistiam em saber, daquele que
fora cego, quem o curou, pois somente o Messias poderia curar um cego de
nascença. Esse era um dos milagres reservado somente ao Messias. Entretanto
eles não aceitavam que Jesus pudesse ser o Messias, pois ele realizava milagres
no sábado, quebrando no entender deles a lei referente ao sábado dada por Deus
a Moisés.
Jesus então conta esta parábola
e eles não entenderam o que ele estava dizendo.
Primeiramente Jesus está
afirmando que ele é a salvação para o povo de Israel, mas também para mim e
para você.
As ovelhas da parábola estão no aprisco – o
aprisco a que Jesus se refere é Israel, mas podemos aplicar também que o aprisco,
hoje, se estende ao mundo, uma vez que Jesus estendeu a salvação a todas as
nações.
Jesus está dizendo que ele é a
porta pela qual suas ovelhas devem passar para que encontrem libertação. Jesus
está querendo tirar elas de dentro deste aprisco, deste confinamento de vida.
Israel representava neste
momento da história, não uma bênção para o povo de Deus, mas um lugar de
cativeiro. Israel usou da Lei de Deus para fazer do povo de Deus escravo. Os
líderes religiosos usavam da religião judaica para enriquecimento próprio.
O cego de nascença (representa
eu e você) sofria porque estava cercado de homens cegos, de homens que na
verdade são tratados por Jesus na parábola como ladrões e assaltantes.
Jesus veio para nos salvar da
religião, dos mercenários vestidos de sacerdotes, do pecado, do diabo, da
morte, do mundo corrupto que nos cerca, do medo, do juízo, das nossas taras,
dos nossos traumas que a vida causou em nós.
Jesus convida, eu e você a
passarmos por ele, para entrarmos numa nova dimensão de vida, para que nossos
olhos se abram e possamos ver. Eu sou a porta diz Jesus, do outro lado tem uma vida
nova para você, uma vida abundante. Passa por mim diz Jesus e você não
precisará mais de pastor-guru, não precisará mais de muleta espiritual, pois
pior do que andar de muleta física é viver de muleta espiritual. Ande com suas
próprias pernas. Passe por mim e vou te ensinar a andar, a orar, a viver a vida
sem culpa, sem medo, sem ser objeto de manipulação da massa política, econômica
e religiosa.
Como os fariseus, não
entenderam o recado Jesus afirmou de novo. Se você também não entendeu o recado
de Jesus preste atenção.
7 Então Jesus afirmou de novo: "Digo-lhes a verdade: Eu
sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram
antes de mim eram ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. 9 Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e
encontrará pastagem. 10 O ladrão vem apenas
para furtar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham
plenamente. (João 10.7-10)
Entrará e sairá. Ao entrarmos
em Jesus saímos deste aprisco devastador e maligno; que aprisiona nossas mentes,
corações e nosso espírito.
Jesus veio para que você tenha
vida abundante, vida plena. É verdade que só viveremos plenamente o mundo ideal
quando Jesus voltar e estabelecer definitivamente seu reino entre nós.
Entretanto Ele na cruz abriu para você a possibilidade de viver grande parte do
céu hoje. O céu é experimentado quando se vive com Jesus. O céu é Jesus. Você
pode hoje entrar no céu, pois você pode hoje ter um relacionamento com Jesus e
viver a salvação que ele te oferece. Ser livre, verdadeiramente livre, livre de
tudo. Passa pela porta hoje. Passa por Jesus agora e venha se alimentar dele,
porque ele sacia toda nossa fome e sede de vida.
2 – O PROPÓSITO DESSA LIBERTAÇÃO
Jesus nos libertou com um
propósito. Jesus nos chama para passar por ele, com o fim de que o propósito de
nossa existência seja novamente restabelecido.
O problema nosso é que nós não
sabemos lidar com a liberdade. Jesus nos oferece liberdade plena, contudo
preferimos às leis, as regras, as normas, porque sem elas enfiamos o pé na
jaca, nos labuzamos no mel.
Deuteronômio seis, verso cinco
diz assim:
5 Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu
coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. (Deuteronômio 6.5)
Jesus te libertou de tudo para
que você possa glorificá-lo de todo seu coração, com todo seu ser, sem medo,
sem reprovação e sem culpa. Contudo muitos ao se verem livres se tornam
libertinos, escravos do prazer. Tratam a vida como se o sentido de todo o viver
é o prazer próprio. Vivem a liberdade conquistada na cruz como o filho pródigo,
de forma irresponsável, acreditando que tudo é valido para ser feliz.
Jesus não te libertou para que
você se torne escravo da carne, da lascívia, da bebedeira, da glutonaria, da
pornografia, da idolatria, das paixões do ventre, mas para que você o
glorificasse com todo seu ser.
Jesus viveu o modelo do poder
pastoral para salvar toda humanidade, para salvar você, para te fazer livre.
Portanto não se torne escravo novamente, não despreze o que Jesus fez na cruz
por você. Viva livremente, mas viva para a glória de Deus.
3 – AS IMPLICAÇÕES DO MODELO PASTORAL
SALVÍFICO
Quais são as implicações do
modelo pastoral salvífico no Estado, nas religiões ditas cristãs e na
subjetividade de nosso ser? Como este modelo afetaria nossas vidas se o
praticássemos em todas as esferas de nossas vidas? Por exemplo:
·
Estado - “Mais uma barragem da Vale
pode se romper a partir deste domingo. Mineradora identificou deformação na
Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, que levaria à terceira catástrofe do
tipo na região de MG em menos de quatro anos”. (https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/17/politica/1558105006_869151.html - Jornal El País – on-line - 17/05/2019)
Mais
uma barragem da Vale está em risco de se romper provocando uma nova catástrofe
humana e ambiental em Minas Gerais. Os moradores de Barão de Cocais estão
sofrendo sem saber ao certo quando a barragem irá se romper. Deixaram suas
casas, estão alojados em casas de parentes, seus negócios estão indo de mal a
pior, o comércio da cidade se empobreceu, se não perderem suas casas para o
aterramento da Vale, a essa altura irão perder por questões financeiras. As
escolas dos filhos estão fechadas. As vidas destes cidadãos pararam, o que
significa que eles estão entrando num enorme buraco.
Onde
está o Estado agora que eles precisam? O que a Vale está fazendo por eles?
Nada! Não fizeram nada por Brumadinho até agora, não fizeram nada por Mariana
até hoje.
Se
o Estado praticasse o poder pastoral salvífico, ele trabalharia para salvar cada
individuo que está no alcance do seu poder. Se o Estado praticasse este modelo
de poder pastoral salvífico prestaria socorro à população de Mariana, de
Brumadinho e de Barão de Cocais. Daria a população brasileira habitação, uma
casa digna de morar; proveria hospitais de primeiro mundo, não deixando as
pessoas morrerem por falta de atendimento e remédios; construíram escolas com qualidade,
oferecendo oportunidades iguais de aprendizado a todos os cidadãos de nosso
país. Um Estado modelado a partir de uma liderança pastoral, de um exercício de
poder pastoral trabalharia para salvar o cidadão e não para matá-lo como tem
feito.
·
As religiões denominadas cristãs – exerceriam sua liderança com o fim de
promover a salvação plena de cada ser humano. A salvação física, emocional e
espiritual.
o Não alienando
as pessoas da vida, impedindo-as de conviverem com seus amigos, familiares e
colegas de trabalho. Proibindo-as de saírem e desfrutarem do que Deus criou
como tomar sol na praia, tomar um banho de cachoeira, jogar futebol com os
amigos. As religiões promovem eventos e mais eventos, sem fim, preenchendo toda
a agenda de seus membros de forma que eles não conseguem viver. Não existe
tempo para a família, tempo para passear, tomar sorvete, para rolar na grama
com os filhos e cachorros.
o Não aprisionando
as pessoas a sentimentos de culpa e medo, criando para elas uma imagem de um
Deus perverso que se você não der o dízimo ele vai lançar praga na sua casa
para devorar tudo o que você tem, que se você falhar em alguma coisa com Ele,
ele irá te lançar no inferno para toda eternidade.
o Não as manipulando e oprimindo-as para fins lucrativos, usando de passagens
bíblicas fora de contexto para saquear os recursos financeiros de seus fiéis. Se
você não falar em línguas é tratado como membro inferior aos demais membros da
igreja, passando a viver com um sentimento de ser menos amado por Deus.
A
prática dessas ações é um retorno ao movimento dos religiosos a quem Jesus
estava chamando de ladrões e assaltantes. Os fariseus alienavam o povo com suas
doutrinas e leis pesadas, aprisionavam os cidadãos através do medo e da culpa,
pois se diziam detentores do poder de Deus e dessa forma os manipulavam,
oprimindo-os e os colocando a margem da sociedade. Fazendo juízo de cada
pessoa.
Uma
igreja que não liberta, mas que aliena, aprisiona, manipula e oprime não segue
o modelo pastoral de Jesus, não lidera a partir do modelo pastoral construído
por Jesus.
·
Na Subjetividade – falando do “foro íntimo”, cada um de nós que se diz cristão, um
pequeno cristo, deveríamos praticar uma liderança, no dia-a-dia, libertadora. Deveríamos
promover cada indivíduo, cada pessoa com quem nos relacionamos à liberdade. Não
falo de qualquer liberdade, mas a liberdade conquistada por Jesus Cristo na
cruz. Qualquer outra liberdade fora de Jesus não é liberdade; é algo alienador
que te tira da realidade e que te entorpece fazendo você acreditar que é livre,
seja de ídolo físico ou de uma ideologia.
REFLEXÃO FINAL:
Vou terminar essa mensagem te dando alguns conselhos.
1. Fuja de todos os líderes que te induz a alienação, ao
aprisionamento, que te manipula e te oprime, porque estes exercem um poder
praticado pelos ladrões e assaltantes. Eles não passaram pela porta que é Jesus. Não
conhecem a Jesus. Não conhecem a nova vida que ele oferece a todos que nele
crer. Ore por eles.
2. Seja líder! Mas seja um líder que exerça o modelo pastoral
salvífico que promova a libertação. Promova a libertação de seus filhos, de seus familiares,
de seus amigos e colegas de trabalho em Cristo Jesus. Mostre o Jesus libertador
para eles. Mostre o Jesus que morreu na cruz e venceu tudo para que nada os
escravize. Fale de Jesus.
3. Se você ainda não passou pela porta que é Jesus, passe hoje, passe
agora. Experimente
a nova vida que ele tem para você, uma vida vivida no amor e que só tem uma lei
– ame. Ame a vida, ame o próximo, ame a Deus e ame a si mesmo. Se você quer
experimentar essa vida de amor, passe pela porta que é Jesus. Faça uma oração a
ele agora.
Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
02/06/2019
Nenhum comentário:
Postar um comentário