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terça-feira, 4 de junho de 2019

SERMÕES 87 - LIDERANDO A PARTIR DO MODELO PASTORAL DE JESUS: SALVÍFICO (segunda parte)


LIDERANDO A PARTIR DO MODELO PASTORAL DE JESUS: SALVÍFICO
(segunda parte)

Neste mês de Junho estamos refletindo na série: “Liderando Como Cristo”.
Jesus foi e é o maior líder de todos os tempos sem dúvida alguma. Nunca houve alguém com vocação tão suprema, ministério tão eficaz, liderança tão exemplar e legado mais duradouro.
Como líder, ele tinha uma clara consciência de sua pessoa, da sua missão e do seu dever de formar discípulos que dessem continuidade a sua obra. Em seu estado de humilhação Jesus aprendeu a depender do Pai em tudo, desde a escolha de seus discípulos até seu triunfo na cruz. Tudo que Jesus realizou, o fez em oração e submissão à vontade do Pai.
Hoje pela manhã aprendemos que todos nós exercemos liderança, pois todos nós fomos chamados para sermos sal e luz da terra. Vimos também que o modelo de liderança de Jesus é o modelo pastoral. Jesus exerceu sua liderança tendo como referência a figura do pastor de ovelhas.
Lembro que liderar é a arte de exercer poder sobre as demais pessoas. Jesus exerceu sobre as pessoas poder e o fez como um pastor. O poder atribuído a um pastor é um poder-serviço, é um poder voltado para o bem das ovelhas. Isso significa que Jesus exerceu um poder voltado para o bem do outro.
Nossa intenção é aprendermos com Jesus para exercermos a mesma liderança, através do mesmo tipo de exercício de poder sobre todos com quem nos relacionamos. Iremos agora refletir sobre a primeira das características do modelo de liderança pastoral de Jesus. A primeira característica deste modelo de liderança pastoral é que ele é:


1 – SALVÍFICO
O modelo pastoral de Jesus visa assegurar a salvação de toda sua criação, a partir da redenção da raça humana. Jesus promete salvar todo àquele que nele crer. Portanto Jesus exerce um poder Salvífico. Todo o poder do qual ele está revestido, todo poder que emana de Jesus para o homem visa prover salvação para o ser humano. Todo discurso de Jesus aponta o caminho para que o ser humano alcance a salvação. Jesus viveu intensamente sua missão: salvar o mundo do pecado.
João, o apóstolo de Jesus, em seu evangelho descreve uma das metáforas usadas por Jesus para apontar o caminho de salvação para nós.
1 "Eu lhes asseguro que aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2 Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3 O porteiro abre-lhe a porta, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as suas ovelhas pelo nome e as leva para fora. 4 Depois de conduzir para fora todas as suas ovelhas, vai adiante delas, e estas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5 Mas nunca seguirão um estranho; na verdade, fugirão dele, porque não reconhecem a voz de estranhos". 6 Jesus usou essa comparação, mas eles não compreenderam o que lhes estava falando. (João 10.1-6)
Jesus se identifica nesta parábola com a figura da porta e com a do pastor. Mas o que Jesus está dizendo com essa metáfora? Para respondermos esta pergunta precisamos saber para quem ele contou esta parábola. Quem são as pessoas que não a compreenderam?
Jesus havia curado um cego de nascença. Isso causou o maior pandemônio em Jerusalém. Os fariseus se reuniram não para celebrar que o cego de nascença estava vendo, mas para condená-lo porque ele havia sido curado no sábado. Eles insistiam em saber, daquele que fora cego, quem o curou, pois somente o Messias poderia curar um cego de nascença. Esse era um dos milagres reservado somente ao Messias. Entretanto eles não aceitavam que Jesus pudesse ser o Messias, pois ele realizava milagres no sábado, quebrando no entender deles a lei referente ao sábado dada por Deus a Moisés.
Jesus então conta esta parábola e eles não entenderam o que ele estava dizendo.
Primeiramente Jesus está afirmando que ele é a salvação para o povo de Israel, mas também para mim e para você.  
 As ovelhas da parábola estão no aprisco – o aprisco a que Jesus se refere é Israel, mas podemos aplicar também que o aprisco, hoje, se estende ao mundo, uma vez que Jesus estendeu a salvação a todas as nações.
Jesus está dizendo que ele é a porta pela qual suas ovelhas devem passar para que encontrem libertação. Jesus está querendo tirar elas de dentro deste aprisco, deste confinamento de vida.
Israel representava neste momento da história, não uma bênção para o povo de Deus, mas um lugar de cativeiro. Israel usou da Lei de Deus para fazer do povo de Deus escravo. Os líderes religiosos usavam da religião judaica para enriquecimento próprio.
O cego de nascença (representa eu e você) sofria porque estava cercado de homens cegos, de homens que na verdade são tratados por Jesus na parábola como ladrões e assaltantes.
Jesus veio para nos salvar da religião, dos mercenários vestidos de sacerdotes, do pecado, do diabo, da morte, do mundo corrupto que nos cerca, do medo, do juízo, das nossas taras, dos nossos traumas que a vida causou em nós.
Jesus convida, eu e você a passarmos por ele, para entrarmos numa nova dimensão de vida, para que nossos olhos se abram e possamos ver. Eu sou a porta diz Jesus, do outro lado tem uma vida nova para você, uma vida abundante. Passa por mim diz Jesus e você não precisará mais de pastor-guru, não precisará mais de muleta espiritual, pois pior do que andar de muleta física é viver de muleta espiritual. Ande com suas próprias pernas. Passe por mim e vou te ensinar a andar, a orar, a viver a vida sem culpa, sem medo, sem ser objeto de manipulação da massa política, econômica e religiosa.
Como os fariseus, não entenderam o recado Jesus afirmou de novo. Se você também não entendeu o recado de Jesus preste atenção.
7 Então Jesus afirmou de novo: "Digo-lhes a verdade: Eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. 9 Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem. 10 O ladrão vem apenas para furtar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente. (João 10.7-10)
Entrará e sairá. Ao entrarmos em Jesus saímos deste aprisco devastador e maligno; que aprisiona nossas mentes, corações e nosso espírito.
Jesus veio para que você tenha vida abundante, vida plena. É verdade que só viveremos plenamente o mundo ideal quando Jesus voltar e estabelecer definitivamente seu reino entre nós. Entretanto Ele na cruz abriu para você a possibilidade de viver grande parte do céu hoje. O céu é experimentado quando se vive com Jesus. O céu é Jesus. Você pode hoje entrar no céu, pois você pode hoje ter um relacionamento com Jesus e viver a salvação que ele te oferece. Ser livre, verdadeiramente livre, livre de tudo. Passa pela porta hoje. Passa por Jesus agora e venha se alimentar dele, porque ele sacia toda nossa fome e sede de vida.

2 – O PROPÓSITO DESSA LIBERTAÇÃO
Jesus nos libertou com um propósito. Jesus nos chama para passar por ele, com o fim de que o propósito de nossa existência seja novamente restabelecido.
O problema nosso é que nós não sabemos lidar com a liberdade. Jesus nos oferece liberdade plena, contudo preferimos às leis, as regras, as normas, porque sem elas enfiamos o pé na jaca, nos labuzamos no mel.
Deuteronômio seis, verso cinco diz assim:
5 Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. (Deuteronômio 6.5)
Jesus te libertou de tudo para que você possa glorificá-lo de todo seu coração, com todo seu ser, sem medo, sem reprovação e sem culpa. Contudo muitos ao se verem livres se tornam libertinos, escravos do prazer. Tratam a vida como se o sentido de todo o viver é o prazer próprio. Vivem a liberdade conquistada na cruz como o filho pródigo, de forma irresponsável, acreditando que tudo é valido para ser feliz.
Jesus não te libertou para que você se torne escravo da carne, da lascívia, da bebedeira, da glutonaria, da pornografia, da idolatria, das paixões do ventre, mas para que você o glorificasse com todo seu ser.
Jesus viveu o modelo do poder pastoral para salvar toda humanidade, para salvar você, para te fazer livre. Portanto não se torne escravo novamente, não despreze o que Jesus fez na cruz por você. Viva livremente, mas viva para a glória de Deus.

3 – AS IMPLICAÇÕES DO MODELO PASTORAL SALVÍFICO
Quais são as implicações do modelo pastoral salvífico no Estado, nas religiões ditas cristãs e na subjetividade de nosso ser? Como este modelo afetaria nossas vidas se o praticássemos em todas as esferas de nossas vidas? Por exemplo:
·  Estado - “Mais uma barragem da Vale pode se romper a partir deste domingo. Mineradora identificou deformação na Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, que levaria à terceira catástrofe do tipo na região de MG em menos de quatro anos”. (https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/17/politica/1558105006_869151.html - Jornal El País – on-line - 17/05/2019)
Mais uma barragem da Vale está em risco de se romper provocando uma nova catástrofe humana e ambiental em Minas Gerais. Os moradores de Barão de Cocais estão sofrendo sem saber ao certo quando a barragem irá se romper. Deixaram suas casas, estão alojados em casas de parentes, seus negócios estão indo de mal a pior, o comércio da cidade se empobreceu, se não perderem suas casas para o aterramento da Vale, a essa altura irão perder por questões financeiras. As escolas dos filhos estão fechadas. As vidas destes cidadãos pararam, o que significa que eles estão entrando num enorme buraco.
Onde está o Estado agora que eles precisam? O que a Vale está fazendo por eles? Nada! Não fizeram nada por Brumadinho até agora, não fizeram nada por Mariana até hoje.
Se o Estado praticasse o poder pastoral salvífico, ele trabalharia para salvar cada individuo que está no alcance do seu poder. Se o Estado praticasse este modelo de poder pastoral salvífico prestaria socorro à população de Mariana, de Brumadinho e de Barão de Cocais. Daria a população brasileira habitação, uma casa digna de morar; proveria hospitais de primeiro mundo, não deixando as pessoas morrerem por falta de atendimento e remédios; construíram escolas com qualidade, oferecendo oportunidades iguais de aprendizado a todos os cidadãos de nosso país. Um Estado modelado a partir de uma liderança pastoral, de um exercício de poder pastoral trabalharia para salvar o cidadão e não para matá-lo como tem feito.
· As religiões denominadas cristãs – exerceriam sua liderança com o fim de promover a salvação plena de cada ser humano. A salvação física, emocional e espiritual.
o  Não alienando as pessoas da vida, impedindo-as de conviverem com seus amigos, familiares e colegas de trabalho. Proibindo-as de saírem e desfrutarem do que Deus criou como tomar sol na praia, tomar um banho de cachoeira, jogar futebol com os amigos. As religiões promovem eventos e mais eventos, sem fim, preenchendo toda a agenda de seus membros de forma que eles não conseguem viver. Não existe tempo para a família, tempo para passear, tomar sorvete, para rolar na grama com os filhos e cachorros.  
o  Não aprisionando as pessoas a sentimentos de culpa e medo, criando para elas uma imagem de um Deus perverso que se você não der o dízimo ele vai lançar praga na sua casa para devorar tudo o que você tem, que se você falhar em alguma coisa com Ele, ele irá te lançar no inferno para toda eternidade.
o  Não as manipulando e oprimindo-as para fins lucrativos, usando de passagens bíblicas fora de contexto para saquear os recursos financeiros de seus fiéis. Se você não falar em línguas é tratado como membro inferior aos demais membros da igreja, passando a viver com um sentimento de ser menos amado por Deus.
A prática dessas ações é um retorno ao movimento dos religiosos a quem Jesus estava chamando de ladrões e assaltantes. Os fariseus alienavam o povo com suas doutrinas e leis pesadas, aprisionavam os cidadãos através do medo e da culpa, pois se diziam detentores do poder de Deus e dessa forma os manipulavam, oprimindo-os e os colocando a margem da sociedade. Fazendo juízo de cada pessoa.
Uma igreja que não liberta, mas que aliena, aprisiona, manipula e oprime não segue o modelo pastoral de Jesus, não lidera a partir do modelo pastoral construído por Jesus.
· Na Subjetividade – falando do “foro íntimo”, cada um de nós que se diz cristão, um pequeno cristo, deveríamos praticar uma liderança, no dia-a-dia, libertadora. Deveríamos promover cada indivíduo, cada pessoa com quem nos relacionamos à liberdade. Não falo de qualquer liberdade, mas a liberdade conquistada por Jesus Cristo na cruz. Qualquer outra liberdade fora de Jesus não é liberdade; é algo alienador que te tira da realidade e que te entorpece fazendo você acreditar que é livre, seja de ídolo físico ou de uma ideologia.

REFLEXÃO FINAL:
Vou terminar essa mensagem te dando alguns conselhos.
1.      Fuja de todos os líderes que te induz a alienação, ao aprisionamento, que te manipula e te oprime, porque estes exercem um poder praticado pelos ladrões e assaltantes. Eles não passaram pela porta que é Jesus. Não conhecem a Jesus. Não conhecem a nova vida que ele oferece a todos que nele crer. Ore por eles.
2.      Seja líder! Mas seja um líder que exerça o modelo pastoral salvífico que promova a libertação. Promova a libertação de seus filhos, de seus familiares, de seus amigos e colegas de trabalho em Cristo Jesus. Mostre o Jesus libertador para eles. Mostre o Jesus que morreu na cruz e venceu tudo para que nada os escravize. Fale de Jesus.
3.      Se você ainda não passou pela porta que é Jesus, passe hoje, passe agora. Experimente a nova vida que ele tem para você, uma vida vivida no amor e que só tem uma lei – ame. Ame a vida, ame o próximo, ame a Deus e ame a si mesmo. Se você quer experimentar essa vida de amor, passe pela porta que é Jesus. Faça uma oração a ele agora.


Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
02/06/2019

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