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terça-feira, 14 de setembro de 2021

SERMÕES 134 - CRESCENDO HARMONIOSAMENTE

 CRESCENDO HARMONIOSAMENTE

Série: Juntos e Misturados

 

Estamos na série “Juntos e Misturados”. O tema de nossa mensagem de hoje é “Crescendo Harmoniosamente”.

A Bíblia é muita clara com relação à expectativa que Deus possui em relação a nós seres humanos. Por exemplo: Ela é clara ao tratar da nossa relação com a natureza. Ela nos ensina que recebemos de Deus a tarefa de cuidarmos e desfrutarmos de forma responsável do planeta em que habitamos. Quando assim o fazemos glorificamos a Deus.

A Bíblia também é clara ao tratar das nossas relações interpessoais. E este será o foco de nossa reflexão de hoje. Não temos como tratarmos em um culto de todas as relações interpessoais que envolvem nossas vidas. Por isso iremos tratar mais especificamente de nossa relação como membros do Corpo de Cristo. O primeiro ponto que eu gostaria de destacar é que a Bíblia nos ensina que servimos uns aos outros quando amamos o outro.

 

1 – SERVIMOS UNS AOS OUTROS QUANDO AMAMOS O OUTRO

Paulo escreve aos Gálatas as seguintes palavras (Gl 5.13,14):

13 Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. 14 Toda a lei se resume num só mandamento: "Ame o seu próximo como a si mesmo". (Gálatas 5.13,14)

Paulo está dizendo que devemos usar de nossa liberdade, que foi conquistada por Jesus Cristo na cruz, para servirmos uns aos outros. A liberdade não deve ser usada para satisfazermos nossas vontades pessoais, para satisfazer nosso ego, mas para servirmos o outro em amor.

Eu sirvo meu irmão quando sacrifico a mim mesmo em amor. Sacrifico minha liberdade para servir o meu próximo. Às vezes terei que sacrificar meu tempo de descanso, de lazer, outras vezes terei que sacrificar meu tempo de trabalho, para oferecer meu apoio ao irmão. Às vezes terei que sacrificar meus desejos pessoais, meus direitos legais em prol da paz, da unidade do Corpo de Cristo.

Paulo está afirmando que no sacrificar da nossa liberdade em prol do outro cumprimos o mandamento “ame o seu próximo como a si mesmo”. Amar sempre envolve atitudes. Amar é sacrificar algo em prol de um bem comum, maior que nossos interesses pessoais.

João descreve em seu evangelho este mesmo ensino de Paulo, ensinado anteriormente por Jesus (Jo 15.16,17):

16 Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome. 17 Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros. (João 15.16,17)

Quando Jesus diz “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros”, ele está se referindo a expectativa de que seus discípulos fossem e dessem frutos e frutos que permanecessem. Quais são os tipos de frutos que permanecem? São os frutos de amor. Eles são resultados do sacrifício de si mesmo, por amor a Cristo, com o fim de que Cristo seja exaltado por meio de sua vida.

A expressão no verso dezesseis “a fim de que” amarra à concessão do Pai a tarefa de darmos fruto que permaneça. Quando você realiza uma atitude sacrificial, você abre mão de seus direitos, de sua vontade, sacrifica algo com o fim de aproximar o outro, por amor a Cristo, e então, você ora com o fim dê que sua atitude de o resultado esperado, Jesus afirma que o Pai lhe concederá este pedido, pois este fruto visa à glorificação do Filho e por isso permanece. Dessa forma você demonstra amor ao seu próximo e assim coopera na edificação da igreja de Cristo.

O segundo ponto que eu gostaria de destacar é que a Bíblia nos ensina que servimos uns aos outros também por meio dos nossos dons.

 

2 – SERVIMOS UNS AOS OUTROS POR MEIO DOS NOSSOS DONS

O apóstolo Pedro escreveu as seguintes palavras (1 Pe 4.10,11):

10 Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas. 11 Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém. (1 Pedro 4.10,11)

O apóstolo afirma que cada um de nós recebeu um dom para servir aos outros. O dom não nos foi dado para nos servirmos. Não podemos usar de nossos dons para obtermos benefícios próprios, para ganharmos dinheiro ou quaisquer outras coisas por meio deles, pois são frutos da graça de Deus.

Pedro também nos ensina que recebemos dons diferentes, habilidades diferentes, mas que igualmente contribuem para o desenvolvimento do Corpo de Cristo e que cada um deve exercer o dom que recebeu, e não o que gostaria de ter.

Uma vez que já sabemos que temos um dom e que devemos servir com ele o nosso próximo, a fim de que o Corpo de Cristo se desenvolva e que também devemos servir sacrificando a nós mesmos por amor a Cristo; eu quero ajudá-lo a compreender a minha participação, como pastor, e a sua participação no desenvolvimento do Corpo de Cristo. Por isso vou me deter mais neste terceiro ponto.

 

3 – COMPREENDENDO NOSSA PARTICIPAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DO CORPO DE CRISTO

Para que possamos compreender nossa participação no desenvolvimento do Corpo de Cristo quero convidá-lo a leitura da carta de Paulo aos Efésios 4.11-16.

Veremos através das palavras do apóstolo Paulo que existe um movimento de vida harmoniosa, gerada pelo Espírito Santo, que produz crescimento no corpo de Cristo, na medida em que cada parte realiza a sua função. Eu vou tentar mostrar para vocês este movimento através de uma análise deste texto verso a verso.

11 E ele (Jesus) designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, (Efésios 4.11)

Paulo ao escrever sua carta à igreja de Éfeso fornece uma lista contendo cinco ministérios. Ele não está preocupado em apresentar uma lista completa de ministérios aos irmãos de Éfeso, mas em apresentar os cinco ministérios que dão sustentação a igreja de Cristo: Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.

Apóstolos – Se refere a homens capacitados divinamente para lançar o fundamento da igreja. Este ministério já não opera mais em nossos dias.

Profetas – Se refere também a homens capacitados divinamente para orientar e corrigir os caminhos da igreja a partir da revelação dada pelos apóstolos. Eles não tinham e não tem ainda hoje o fim de trazer revelações do futuro ou de algo desconhecido.

Evangelistas – Igualmente se refere a homens capacitados divinamente para tornar conhecida a salvação dos homens em Cristo Jesus. Eles abriam e ainda abrem as portas para que as pessoas se tornem membros do Corpo de Cristo.

Pastores – Homens capacitados divinamente para cuidar do desenvolvimento dos membros do corpo de Cristo. Eles promoviam e promovem ainda hoje a união e o serviço dos membros no Corpo de Cristo.

Mestres – Homens capacitados divinamente para tornar acessível a todos os ensinos mais profundos da Bíblia. Tornavam e tornam ainda hoje conhecidos os mistérios já revelados na Bíblia.

A expressão “designou alguns” registra o fato de que nem todos podem exercer tais ministérios, além do mais, essa expressão indica também o fato de que, nessa passagem Paulo não trata esses ministérios como cargos ou departamentos de uma igreja local. Esses ofícios não devem ser tratados como uma função dentro de uma estrutura eclesiástica inorgânica. A expressão “designou alguns” está totalmente ligada a pessoas, significa que dentro do Corpo de Cristo uns receberam autoridade e poder-divino para exercerem oficialmente determinadas funções e outros não.

Para Paulo os ministérios citados aqui em sua epístola aos Efésios não possuem poder porque a instituição lhes conferiu poder, nem porque declararam a si mesmos possuidores desse poder. Estes homens não são empregados da igreja institucional, eles são dons de Cristo para sua Igreja orgânica, viva. O poder que esses ministros possuem provém de Cristo, provém de fonte divina e não humana.

Embora os demais membros do corpo de Cristo sejam detentores da mesma tarefa pastoral, contudo na comunidade estes devem sujeitar-se ao pastor, conforme lemos no livro de Hebreus (Hb 13.7).

Uma vez que Paulo demonstrou que estes homens e seus ministérios foram concedidos à Igreja por Cristo, ele preocupou-se em justificar a razão pela qual Cristo concedeu a esses homens essas funções na Igreja ou no Corpo de Cristo. Efésio 4.12 diz:

12 com o fim de preparar (katartismos) os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, (Efésios 4.12)

Paulo está afirmando que o pastor e os demais ministérios citados foram dados a igreja com um fim – com um propósito - de preparar os santos ou como diz outra versão, aperfeiçoar os santos.

Os santos são os membros da igreja, são vocês que estão me ouvindo. Eu e o pastor Décio estamos aqui para prepará-los, mas este preparo também tem uma finalidade, para que vocês sirvam.  Nós devemos aperfeiçoá-los para que vocês realizem a obra do ministério a qual Cristo concedeu a vocês. Esse serviço de vocês, essa obra realizada por vocês também tem uma finalidade, edificar o Corpo de Cristo. Então como pastores, eu e o Décio preparamos vocês, essa é a nossa tarefa, e vocês realizam o serviço, e assim o corpo de Cristo é edificado.

Como vocês devem servir? Nós falamos de forma resumida no início dessa mensagem.

Como nós pastores os preparamos para realizarem a obra que Cristo deu a vocês? Nós fazemos isso através da pregação, onde ensinamos a Palavra de Deus. O fazemos também através dos aconselhamentos, pelo gerenciamento dos ministérios da igreja, assim os capacitamos para que vocês pastorearem uns aos outros e sejam luz para o mundo.

A palavra preparar ou aperfeiçoar (katartismos) tem que ser destacada nesse texto, pois muitos pastores têm trabalhado apenas para manter os santos como estão. Não buscam aperfeiçoá-los na graça que lhes foi concedida por Deus.

Paulo está dizendo que o pastor não recebeu poder (autoridade) de Cristo para apenas manter o rebanho como está. Para Paulo é indiscutível que o pastor tenha que levar os santos ao aperfeiçoamento, ao desenvolvimento de sua salvação e de seu serviço. Portanto não fiquem bravos conosco pastores quando pedimos um feedback do serviço de vocês, pois é nosso dever ajudá-los a servir melhor para que o corpo cresça harmoniosamente.

Cabe a nós pastores ensiná-los e orientá-los a fim de que vocês cumpram seu papel no mundo como membros do Corpo de Cristo até que alcancem o limite de finalidade descrito pelo apóstolo Paulo no verso seguinte (Ef 4.13).

13 até que (um limite de finalidade) todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. (Efésios 4.13)

O fim do trabalho destes cinco ministérios é promover a maturidade espiritual de todo o Corpo, levando-os a viverem como Cristo. Essa busca pela maturidade tem seu propósito, conforme lemos no próximo verso (Ef 4.14).

14 O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. (Efésios 4.14)

Não há na igreja de Cristo, quem não precise aprender, quem não precise se submeter em amor ao outro. É precisamente no encontro de nossos dons e diferenças, quando todos estão na busca do aperfeiçoamento e buscando servir ao outro, que chegamos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus.

É preciso que todos os membros do corpo se empenhe na promoção da unidade e no serviço. É preciso que todos os irmãos se apresentem com seus dons, sacrificando-se a si mesmo, com o fim de servir ao outro e assim suprir a necessidade espiritual e emocional do outro. Este esforço, este sacrifício promoverá a maturidade de todo o corpo e dessa forma não seremos mais como crianças, levados de um lado para o outro.

 

REFLEXÃO FINAL

Quero concluir com as palavras do apóstolo Paulo (Ef 4.15,16).

15 Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. (Efésios 4.15)

Cresçamos diz Paulo. Ele está falando de desenvolvimento. Está dizendo que você não pode se acomodar no nível espiritual que alcançou. Está dizendo também que você precisa cooperar para o desenvolvimento de seu irmão em Cristo. Cresçamos, fala de um crescimento de todos os membros.

O corpo só crescerá harmoniosamente se todos se apresentarem com seus dons se sujeitando ao pastor da igreja, colocado por Jesus, para aperfeiçoar os membros e assim promover o desenvolvimento do corpo.

16 Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função (na medida que você realiza a sua função). (Efésios 4.15,16)

Se não construirmos a igreja como equipe, onde todos trabalham juntos podemos estar construindo uma igreja toda desajustada, desfigurada. Dessa forma Cristo não é glorificado e os seus membros não são edificados. Um corpo assim terá pouco tempo de vida.

Por outro lado se cada um realizar sua função de acordo com que Cristo lhe deu, se cada um servir no lugar certo, servir com a motivação correta, edificaremos nossa igreja, alcançaremos a maturidade e Cristo será glorificado.

Precisamos crescer harmoniosamente (em paz), juntos (todos crescendo ao mesmo tempo) e misturados (de forma que nossas diferenças se completem contribuindo para o crescimento). Este crescimento só é possível quando servimos uns aos outros em amor e com nossos dons. Precisamos deixar que o Espírito Santo de Deus nos conduza em todo tempo, pois Ele nos fará dar frutos de amor.

 

 

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

12/09/2021

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