CONHECENDO NOSSA VISÃO
Série: Identidade 2021
Todo ano no mês
de novembro nos dedicamos a essa série “Identidade” com o fim de firmarmos
nossa identidade como Batistas e como a Primeira Igreja Batista de Itapevi.
Existem
características que nos identificam como Batistas e também possuímos
características peculiares a nossa igreja local. Precisamos trazer
constantemente a nossa memória o que nos caracteriza e nos une como igreja
Batista e também trazer a nossa memória o que Jesus Cristo deseja realizar
através de nós, como igreja em Itapevi. Hoje iremos falar de nossa visão.
O primeiro ponto que quero destacar é a importância de se ter uma visão.
1 – A IMPORTÂNCIA DE SE TER UMA VISÃO
A visão é aquilo que torna palpável nossos sonhos e que
determina nossas ações. Ela aponta para nós onde queremos chegar e ser. Abraão
viveu essa experiência ao lado de Deus. Depois de ter se separado de Ló seu
sobrinho, Deus lhe deu uma visão a respeito da promessa que lhe havia feito,
conforme lemos em Gênesis 13.14-17.
14 Disse o Senhor a Abrão, depois
que Ló separou-se dele: "De onde você está, olhe para o Norte, para o Sul,
para o Leste e para o Oeste:
15 Toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para
sempre. 16 Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da
terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua
descendência. 17 Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a
outro, porque eu a darei a você". (Gênesis
13.14-17)
Deus estava
plantando no coração de Abraão sua própria visão. Essa visão plantada no
coração dele passou a ser o seu objetivo de vida. Abraão viveu pela fé
peregrinando na terra prometida. Ele percorreu toda a terra de alto a baixo, de
um lado a outro, tomando posse em seu coração da promessa de Deus. Ele viveu
movido pela visão que Deus plantou em seu coração.
Em nosso último
encontro eu falei que Deus havia deixado claro em meu coração que deveríamos
ser uma igreja com a cidade. Uma vez definido o que Deus esperava de nós em
relação a nossa cidade passei a perguntar a Deus: “Qual a visão que o Senhor
deseja que a cidade tenha de nós?” em outras palavras “Qual a visão que o
Senhor quer para nossa igreja?”
Eu precisava
saber de Deus como deveríamos marcar a cidade com a nossa presença? Como
deveríamos ser conhecidos por nossa cidade? A resposta a esta pergunta
definiria a nossa visão, porque a visão é construída com o fim de nos levar ao
que desejamos ser.
A visão está sempre
nos fazendo lembrar o porquê nos reunimos aqui todos os domingos. Nós
poderíamos cultuar a Deus em nossas casas. Mas nós temos um propósito de existência
como igreja na cidade de Itapevi. A pergunta
“Qual a visão que o Senhor deseja para nós como igreja?” também é importante,
pois a resposta dela define qual o tipo de construção iremos realizar. Uma
igreja de um piso? Uma igreja de dois pisos? Uma igreja com jardins? Uma igreja
aconchegante? Uma igreja moderna? A visão nos aponta onde queremos chegar e
como queremos ser vistos. A partir dessa compreensão nossas estruturas físicas
e orgânicas devem ser construídas para atender nossa visão. Todos os
ministérios de nossa igreja devem olhar para nossa visão e tê-la como alvo a
ser alcançado. Cada membro de nossa igreja deve buscar viver nossa visão, pois
somente assim a tornaremos real. Mas qual é a nossa visão?
2 – NOSSA VISÃO
Acredito que alguns entre nós já sabe qual é a nossa visão. Eu ficaria
muito triste em saber que nossos líderes de ministérios não a tenham gravado em
seus corações, pois ela deve nortear nossas ações. Se você ainda não guardou em
seu coração, faça isso hoje, faça agora. Vejamos nossa declaração de visão.
Ø Nossa Visão: Ser uma comunidade onde cada membro seja uma expressão do amor
de Deus onde estiver.
Nossa visão não foi algo que nasceu do meu coração ou que surgiu do nada,
do acaso. Não! Ela me foi dada após muito tempo de oração. Estas palavras, a
visão de Deus para nossa igreja, foi sendo plantada por Deus ao longo de um
período de oração. Deus foi construindo em meu coração o que Ele desejava
realizar em nossa igreja antes que eu conhecesse a igreja. Acredito que Deus
fez isso para que eu não fosse influenciado pela própria igreja ou por meus
sentimentos em relação à igreja.
Em nossa visão nós temos duas ênfases claras do que desejamos ser, que
dão a nós a direção de como desejamos ser conhecidos. A primeira é que
desejamos ser uma comunidade e a segunda sermos uma expressão do amor de Deus.
Portanto nós queremos invadir a cidade e sermos invadidos pela cidade deixando
para eles a marca de que somos uma comunidade e uma expressão do amor de Deus
para eles. Diante disso quero definir o que significa sermos uma comunidade
cristã e sermos uma expressão do amor de Deus. Primeiro vamos ver o que
significa sermos uma comunidade cristã.
3 –
DEFININDO “COMUNIDADE CRISTÔ
5 assim também em Cristo nós, que
somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a
todos os outros. (Romanos 12.5)
O que nos difere das demais comunidades existentes é que na
comunidade cristã somos inseridos no Corpo de Cristo, pelo poder do Espírito
Santo de Deus que opera em nós. Ao sermos inseridos no Corpo de Cristo nos
tornamos todos “um” em Cristo Jesus.
Nós não só temos algo em comum – por exemplo: missão, visão,
ideais, fé, realizações, valores e princípios – como nos tornamos comuns uns
aos outros, pois pertencemos ao mesmo corpo. A vida que nos sustenta e nos
dirige é a mesma, é a vida do Espírito de Cristo.
Portanto a nossa comunhão é espiritual. Ela foi realizada na
cruz por Jesus Cristo. Contudo só viveremos essa comunhão e a tornaremos
visível para o mundo, quando vivermos em comunidade aqui neste tempo presente. E
por outro lado, só podemos afirmar que somos uma comunidade quando vivermos em
comunhão, isto é, só se vive a comunidade quando se vive compartilhando de sua
vida, de seus dons e de seus recursos com aqueles que são comuns a você.
Na comunidade o pão é nosso, o Pai é nosso. Nossa vida se
entrelaça umas com as outras. A sua vida continua no outro, assim como a vida
do outro se estende em você. Sua oração é pelo bem comum de todos, não mais por
si próprio ou por seu grupinho. Sua felicidade é alcançada quando todos ao seu
redor vivem com dignidade.
Nossa união não é apenas ideológica ou de interesse pessoal,
ela é espiritual. Ela se inicia ao renunciarmos o controle de nossas vidas e
nos rendermos ao Senhorio de Jesus Cristo e se completa no derramar do Espírito
Santo em nós. Dessa forma somos imersos no Corpo de Cristo e participamos da
mesma vida, a vida de Cristo.
Veremos agora o
que significa sermos expressão do amor de Deus. Vou gastar mais tempo neste
ponto, uma vez que durante todo este ano falamos do viver juntos.
4 – DEFININDO “EXPRESSÃO DO AMOR DE DEUS”
A bênção
apostólica é uma das formas convencionais dos pastores, padres e outros líderes
sacerdotais se despedirem do povo de Deus. Essa bênção se encontra na segunda
carta do apóstolo Paulo a igreja de Corinto. Paulo terminou sua carta se
despedindo com essa bênção, conforme podemos ler 2 Coríntios 13.14.
14 A graça do Senhor Jesus Cristo,
o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês. (2 Coríntios 13.14)
Embora tenhamos
o costume de nos despedirmos com esta bênção pouco refletimos sobre ela. Hoje
eu quero fazer uma reflexão baseado nessa bênção, porque o nosso desejo de
sermos uma expressão do amor de Deus tem tudo haver com o viver debaixo dessa
bênção.
Três palavras se
destacam na bênção apostólica: graça, amor e comunhão.
A palavra graça
pode neste contexto estar se referindo a salvação, capacitação, sustentação,
proteção ou aos dons, pois todas estas coisas são dadas a nós como manifestação
da graça de Deus.
A graça de nosso
Senhor Jesus Cristo foi manifestada a nós porque o Pai nos amou de tal maneira
que entregou seu Filho, Jesus, para morrer a nossa morte e termos por meio dele
a vida eterna. Essa graça manifestada por Jesus Cristo, por causa do amor do
Pai, nos permitiu vivermos em plena comunhão com o Espírito Santo.
Portanto se a
graça é resultado do amor do Pai por nós e se nós como igreja desejamos ser uma
expressão do amor do Pai, precisamos fundamentar nossas vidas na graça. O amor de
Deus se torna real e visível quando somos graciosos. O amor é real por meio da
graça.
A graça e o amor
se misturam e se confundem, mas elas devem ser a plataforma que regem nossas
vidas, porque é a plataforma pela qual Deus lê a vida. Deus lê a história pela
lente da graça e do amor. Deus se move na história pela graça e pelo amor. A
graça e o amor precisam ditar nossas escolhas na vida, nossas ações e nossos
sonhos. O resultado da manifestação dessa graça e desse amor é que vidas se
conectarão com Deus por meio de Jesus Cristo e conosco através do Espírito
Santo.
Mas como
manifestamos essa graça de nosso Senhor Jesus na prática? Vencendo o mundo,
falo do sistema que governa o nosso mundo. Venceremos o mundo quando deixarmos
de sermos capitalistas, socialistas, comunistas, monarquistas e nos tornamos
agentes da graça de Deus, embaixadores do Reino de Deus. Quando o dinheiro e o
poder não mais serem a plataforma que determine nossas relações sociais. Quando
entendermos que o segundo lugar, o terceiro lugar também tem valor. Quem disse
que o segundo e o terceiro lugar não tem valor? Quem disse que a medalha de
prata não tem valor? O sistema impôs isso a nós, e nós aceitamos. O Rubinho
Barrichello até hoje é motivo de chacota porque dirigia para ajudar seu
companheiro a vencer. Por quê? Porque nossa sociedade valoriza somente o
primeiro lugar. Ele dirigia uma Ferrari e ganhava muito bem, mas é zombado
porque não era o primeiro.
Venceremos o
mundo através da graça quando deixarmos de olhar para o nosso vizinho como um
concorrente e o vermos como parceiro de vida. Concorremos por emprego, por vaga
de estudo, por comida. Somos criados para sermos competitivos. Você precisa
merecer para obter algo. Vivemos numa sociedade meritocrática.
Venceremos o
mundo através da graça quando olharmos para o outro ser humano e o vermos como
continuidade de nossas próprias vidas. Quando compreendermos que todas as
profissões merecem salários dignos. Quando começarmos a nos importar com a
geração futura não destruindo mais os recursos que um dia eles precisarão para
sua sobrevivência. Quando deixarmos de vivermos a vida baseada em
produtividade. Quando deixarmos de darmos valor às pessoas baseadas em seus
conhecimentos humanos. Quando deixarmos de levarmos uns aos outros a
julgamentos. Quando passarmos a resolvermos nossas questões baseados na graça e
no amor não mais sobre a plataforma dinheiro, poder ou mérito.
REFLEXÃO FINAL
Ø
Vídeo – Pessoas
pegando comida no lixo
Por que pessoas
estão comendo comida do lixo? Por que seres humanos criados a imagem de Deus,
nossos irmãos brasileiros estão comendo comida do lixo? Porque nosso mundo não
é regido pela graça, mas pelo poder, pelo dinheiro, pela meritocracia. Não nos
tratamos pela graça e pelo amor.
Em nossa
sociedade só come quem trabalha e produz. Só pode ter saúde e moradia quem
trabalha e produz. A justiça só alcança aqueles que podem pagar por ela.
Aqueles que de alguma forma a merecem.
A graça deve ser
a chave de leitura para reescrevermos o mundo e a nossa história. Ela não é
somente para alcançarmos o céu. Jesus nos ensinou isso das mais diversas
formas.
Ele nos ensinou
essa verdade através da parábola do filho pródigo (Lucas 15.11-32). O filho mais novo gastou toda sua herança de
forma irresponsável e imoral. Contudo ao retornar para a casa do Pai, ele é
recebido de braços aberto e incluído na herança novamente do Pai. Ele não
merecia, mas foi contado entre os justos, porque o Reino de Deus é graça e amor;
não é baseado em méritos, não é regido pela plataforma do poder ou dinheiro. O
filho mais velho achou injusto porque estava olhando a vida através da lente da
meritocracia.
Por que cidades
que tem UTIs não querem receber doentes de cidades que não possuem. Porque eles
afirmam que não é justo, pois suas UTIs são para aqueles que pagaram os
impostos, ou seja, para aqueles que fizeram por merecer. Mas é justo deixarmos
pessoas morrerem porque não pagaram impostos? Na leitura de Deus não é justo
porque Deus lê a história através da lente da graça e do amor.
A justiça dos
homens desconsidera a graça e o amor. Jesus ensinou essa verdade também por
meio da parábola do senhor que contratou vários trabalhadores ao longo do dia e
pagou a todos o mesmo valor. Logo pela manhã ele contratou alguns homens que
trabalharam até o final do dia, até às 18h. Por volta do meio do dia ele
contratou outros homens que trabalharam até às 18h também. Quando já estava
encerrando o dia de trabalho, por volta das 17 h ele contratou mais alguns
homens que não haviam conseguido trabalho e estes trabalharam 1h somente, pois
também trabalharam até às 18 h. Ao encerrar o dia de trabalho todos foram
receber suas horas de trabalho, contudo o senhor que os havia contratado pagou
o mesmo valor a todos os homens. Eles julgaram ser injusto o pagamento dado
pelo senhor, pois estavam olhando a história e a vida de cada um pela lente da
produtividade e da meritocracia. Mas Jesus olha a história e a vida com as
lentes da graça e do amor.
Se desejamos ser
uma igreja que expresse o amor de Deus precisamos olhar a história e a vida de
cada ser humano pela lente da graça e do amor. Precisamos nos libertar da
cultura que o mundo imprimiu em nós. Precisamos nos libertar da justiça que o
mundo imprimiu em nós. Precisamos abandonar a plataforma da meritocracia, da
produtividade, do poder, do dinheiro e começarmos a ler a história e
compreendermos a vida a partir da ótica divina da graça e do amor.
Eu te convido para juntos sermos uma comunidade onde cada membro seja uma
expressão do amor de Deus onde estiver. Deus te abençoe!
14 A graça do Senhor Jesus Cristo,
o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês. (2 Coríntios 13.14)
Pr. Cornélio Póvoa
de Oliveira
14/11/2021
(manhã)
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