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terça-feira, 16 de novembro de 2021

SERMÕES 141 - CONHECENDO NOSSA VISÃO

 CONHECENDO NOSSA VISÃO

Série: Identidade 2021

 

Todo ano no mês de novembro nos dedicamos a essa série “Identidade” com o fim de firmarmos nossa identidade como Batistas e como a Primeira Igreja Batista de Itapevi.

Existem características que nos identificam como Batistas e também possuímos características peculiares a nossa igreja local. Precisamos trazer constantemente a nossa memória o que nos caracteriza e nos une como igreja Batista e também trazer a nossa memória o que Jesus Cristo deseja realizar através de nós, como igreja em Itapevi. Hoje iremos falar de nossa visão.

O primeiro ponto que quero destacar é a importância de se ter uma visão.

 

1 – A IMPORTÂNCIA DE SE TER UMA VISÃO

A visão é aquilo que torna palpável nossos sonhos e que determina nossas ações. Ela aponta para nós onde queremos chegar e ser. Abraão viveu essa experiência ao lado de Deus. Depois de ter se separado de Ló seu sobrinho, Deus lhe deu uma visão a respeito da promessa que lhe havia feito, conforme lemos em Gênesis 13.14-17.

14 Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló separou-se dele: "De onde você está, olhe para o Norte, para o Sul, para o Leste e para o Oeste: 15 Toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre. 16 Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência. 17 Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você". (Gênesis 13.14-17)

Deus estava plantando no coração de Abraão sua própria visão. Essa visão plantada no coração dele passou a ser o seu objetivo de vida. Abraão viveu pela fé peregrinando na terra prometida. Ele percorreu toda a terra de alto a baixo, de um lado a outro, tomando posse em seu coração da promessa de Deus. Ele viveu movido pela visão que Deus plantou em seu coração.

Em nosso último encontro eu falei que Deus havia deixado claro em meu coração que deveríamos ser uma igreja com a cidade. Uma vez definido o que Deus esperava de nós em relação a nossa cidade passei a perguntar a Deus: “Qual a visão que o Senhor deseja que a cidade tenha de nós?” em outras palavras “Qual a visão que o Senhor quer para nossa igreja?”

Eu precisava saber de Deus como deveríamos marcar a cidade com a nossa presença? Como deveríamos ser conhecidos por nossa cidade? A resposta a esta pergunta definiria a nossa visão, porque a visão é construída com o fim de nos levar ao que desejamos ser.

A visão está sempre nos fazendo lembrar o porquê nos reunimos aqui todos os domingos. Nós poderíamos cultuar a Deus em nossas casas. Mas nós temos um propósito de existência como igreja na cidade de Itapevi.  A pergunta “Qual a visão que o Senhor deseja para nós como igreja?” também é importante, pois a resposta dela define qual o tipo de construção iremos realizar. Uma igreja de um piso? Uma igreja de dois pisos? Uma igreja com jardins? Uma igreja aconchegante? Uma igreja moderna? A visão nos aponta onde queremos chegar e como queremos ser vistos. A partir dessa compreensão nossas estruturas físicas e orgânicas devem ser construídas para atender nossa visão. Todos os ministérios de nossa igreja devem olhar para nossa visão e tê-la como alvo a ser alcançado. Cada membro de nossa igreja deve buscar viver nossa visão, pois somente assim a tornaremos real. Mas qual é a nossa visão?

 

2 – NOSSA VISÃO

Acredito que alguns entre nós já sabe qual é a nossa visão. Eu ficaria muito triste em saber que nossos líderes de ministérios não a tenham gravado em seus corações, pois ela deve nortear nossas ações. Se você ainda não guardou em seu coração, faça isso hoje, faça agora. Vejamos nossa declaração de visão.

 

Ø  Nossa Visão: Ser uma comunidade onde cada membro seja uma expressão do amor de Deus onde estiver.

 

Nossa visão não foi algo que nasceu do meu coração ou que surgiu do nada, do acaso. Não! Ela me foi dada após muito tempo de oração. Estas palavras, a visão de Deus para nossa igreja, foi sendo plantada por Deus ao longo de um período de oração. Deus foi construindo em meu coração o que Ele desejava realizar em nossa igreja antes que eu conhecesse a igreja. Acredito que Deus fez isso para que eu não fosse influenciado pela própria igreja ou por meus sentimentos em relação à igreja.

Em nossa visão nós temos duas ênfases claras do que desejamos ser, que dão a nós a direção de como desejamos ser conhecidos. A primeira é que desejamos ser uma comunidade e a segunda sermos uma expressão do amor de Deus. Portanto nós queremos invadir a cidade e sermos invadidos pela cidade deixando para eles a marca de que somos uma comunidade e uma expressão do amor de Deus para eles. Diante disso quero definir o que significa sermos uma comunidade cristã e sermos uma expressão do amor de Deus. Primeiro vamos ver o que significa sermos uma comunidade cristã.

 

3 – DEFININDO “COMUNIDADE CRISTÔ

5 assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. (Romanos 12.5)

O que nos difere das demais comunidades existentes é que na comunidade cristã somos inseridos no Corpo de Cristo, pelo poder do Espírito Santo de Deus que opera em nós. Ao sermos inseridos no Corpo de Cristo nos tornamos todos “um” em Cristo Jesus.

Nós não só temos algo em comum – por exemplo: missão, visão, ideais, fé, realizações, valores e princípios – como nos tornamos comuns uns aos outros, pois pertencemos ao mesmo corpo. A vida que nos sustenta e nos dirige é a mesma, é a vida do Espírito de Cristo.

Portanto a nossa comunhão é espiritual. Ela foi realizada na cruz por Jesus Cristo. Contudo só viveremos essa comunhão e a tornaremos visível para o mundo, quando vivermos em comunidade aqui neste tempo presente. E por outro lado, só podemos afirmar que somos uma comunidade quando vivermos em comunhão, isto é, só se vive a comunidade quando se vive compartilhando de sua vida, de seus dons e de seus recursos com aqueles que são comuns a você.

Na comunidade o pão é nosso, o Pai é nosso. Nossa vida se entrelaça umas com as outras. A sua vida continua no outro, assim como a vida do outro se estende em você. Sua oração é pelo bem comum de todos, não mais por si próprio ou por seu grupinho. Sua felicidade é alcançada quando todos ao seu redor vivem com dignidade. 

Nossa união não é apenas ideológica ou de interesse pessoal, ela é espiritual. Ela se inicia ao renunciarmos o controle de nossas vidas e nos rendermos ao Senhorio de Jesus Cristo e se completa no derramar do Espírito Santo em nós. Dessa forma somos imersos no Corpo de Cristo e participamos da mesma vida, a vida de Cristo.  

Veremos agora o que significa sermos expressão do amor de Deus. Vou gastar mais tempo neste ponto, uma vez que durante todo este ano falamos do viver juntos.

 

4 – DEFININDO “EXPRESSÃO DO AMOR DE DEUS”

A bênção apostólica é uma das formas convencionais dos pastores, padres e outros líderes sacerdotais se despedirem do povo de Deus. Essa bênção se encontra na segunda carta do apóstolo Paulo a igreja de Corinto. Paulo terminou sua carta se despedindo com essa bênção, conforme podemos ler 2 Coríntios 13.14.

14 A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês. (2 Coríntios 13.14)

Embora tenhamos o costume de nos despedirmos com esta bênção pouco refletimos sobre ela. Hoje eu quero fazer uma reflexão baseado nessa bênção, porque o nosso desejo de sermos uma expressão do amor de Deus tem tudo haver com o viver debaixo dessa bênção.

Três palavras se destacam na bênção apostólica: graça, amor e comunhão.

A palavra graça pode neste contexto estar se referindo a salvação, capacitação, sustentação, proteção ou aos dons, pois todas estas coisas são dadas a nós como manifestação da graça de Deus.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo foi manifestada a nós porque o Pai nos amou de tal maneira que entregou seu Filho, Jesus, para morrer a nossa morte e termos por meio dele a vida eterna. Essa graça manifestada por Jesus Cristo, por causa do amor do Pai, nos permitiu vivermos em plena comunhão com o Espírito Santo.

Portanto se a graça é resultado do amor do Pai por nós e se nós como igreja desejamos ser uma expressão do amor do Pai, precisamos fundamentar nossas vidas na graça. O amor de Deus se torna real e visível quando somos graciosos. O amor é real por meio da graça.

A graça e o amor se misturam e se confundem, mas elas devem ser a plataforma que regem nossas vidas, porque é a plataforma pela qual Deus lê a vida. Deus lê a história pela lente da graça e do amor. Deus se move na história pela graça e pelo amor. A graça e o amor precisam ditar nossas escolhas na vida, nossas ações e nossos sonhos. O resultado da manifestação dessa graça e desse amor é que vidas se conectarão com Deus por meio de Jesus Cristo e conosco através do Espírito Santo.

Mas como manifestamos essa graça de nosso Senhor Jesus na prática? Vencendo o mundo, falo do sistema que governa o nosso mundo. Venceremos o mundo quando deixarmos de sermos capitalistas, socialistas, comunistas, monarquistas e nos tornamos agentes da graça de Deus, embaixadores do Reino de Deus. Quando o dinheiro e o poder não mais serem a plataforma que determine nossas relações sociais. Quando entendermos que o segundo lugar, o terceiro lugar também tem valor. Quem disse que o segundo e o terceiro lugar não tem valor? Quem disse que a medalha de prata não tem valor? O sistema impôs isso a nós, e nós aceitamos. O Rubinho Barrichello até hoje é motivo de chacota porque dirigia para ajudar seu companheiro a vencer. Por quê? Porque nossa sociedade valoriza somente o primeiro lugar. Ele dirigia uma Ferrari e ganhava muito bem, mas é zombado porque não era o primeiro.

Venceremos o mundo através da graça quando deixarmos de olhar para o nosso vizinho como um concorrente e o vermos como parceiro de vida. Concorremos por emprego, por vaga de estudo, por comida. Somos criados para sermos competitivos. Você precisa merecer para obter algo. Vivemos numa sociedade meritocrática.

Venceremos o mundo através da graça quando olharmos para o outro ser humano e o vermos como continuidade de nossas próprias vidas. Quando compreendermos que todas as profissões merecem salários dignos. Quando começarmos a nos importar com a geração futura não destruindo mais os recursos que um dia eles precisarão para sua sobrevivência. Quando deixarmos de vivermos a vida baseada em produtividade. Quando deixarmos de darmos valor às pessoas baseadas em seus conhecimentos humanos. Quando deixarmos de levarmos uns aos outros a julgamentos. Quando passarmos a resolvermos nossas questões baseados na graça e no amor não mais sobre a plataforma dinheiro, poder ou mérito.

 

REFLEXÃO FINAL

Ø Vídeo – Pessoas pegando comida no lixo

Por que pessoas estão comendo comida do lixo? Por que seres humanos criados a imagem de Deus, nossos irmãos brasileiros estão comendo comida do lixo? Porque nosso mundo não é regido pela graça, mas pelo poder, pelo dinheiro, pela meritocracia. Não nos tratamos pela graça e pelo amor.

Em nossa sociedade só come quem trabalha e produz. Só pode ter saúde e moradia quem trabalha e produz. A justiça só alcança aqueles que podem pagar por ela. Aqueles que de alguma forma a merecem.

A graça deve ser a chave de leitura para reescrevermos o mundo e a nossa história. Ela não é somente para alcançarmos o céu. Jesus nos ensinou isso das mais diversas formas.

Ele nos ensinou essa verdade através da parábola do filho pródigo (Lucas 15.11-32). O filho mais novo gastou toda sua herança de forma irresponsável e imoral. Contudo ao retornar para a casa do Pai, ele é recebido de braços aberto e incluído na herança novamente do Pai. Ele não merecia, mas foi contado entre os justos, porque o Reino de Deus é graça e amor; não é baseado em méritos, não é regido pela plataforma do poder ou dinheiro. O filho mais velho achou injusto porque estava olhando a vida através da lente da meritocracia.

Por que cidades que tem UTIs não querem receber doentes de cidades que não possuem. Porque eles afirmam que não é justo, pois suas UTIs são para aqueles que pagaram os impostos, ou seja, para aqueles que fizeram por merecer. Mas é justo deixarmos pessoas morrerem porque não pagaram impostos? Na leitura de Deus não é justo porque Deus lê a história através da lente da graça e do amor.

A justiça dos homens desconsidera a graça e o amor. Jesus ensinou essa verdade também por meio da parábola do senhor que contratou vários trabalhadores ao longo do dia e pagou a todos o mesmo valor. Logo pela manhã ele contratou alguns homens que trabalharam até o final do dia, até às 18h. Por volta do meio do dia ele contratou outros homens que trabalharam até às 18h também. Quando já estava encerrando o dia de trabalho, por volta das 17 h ele contratou mais alguns homens que não haviam conseguido trabalho e estes trabalharam 1h somente, pois também trabalharam até às 18 h. Ao encerrar o dia de trabalho todos foram receber suas horas de trabalho, contudo o senhor que os havia contratado pagou o mesmo valor a todos os homens. Eles julgaram ser injusto o pagamento dado pelo senhor, pois estavam olhando a história e a vida de cada um pela lente da produtividade e da meritocracia. Mas Jesus olha a história e a vida com as lentes da graça e do amor.

Se desejamos ser uma igreja que expresse o amor de Deus precisamos olhar a história e a vida de cada ser humano pela lente da graça e do amor. Precisamos nos libertar da cultura que o mundo imprimiu em nós. Precisamos nos libertar da justiça que o mundo imprimiu em nós. Precisamos abandonar a plataforma da meritocracia, da produtividade, do poder, do dinheiro e começarmos a ler a história e compreendermos a vida a partir da ótica divina da graça e do amor.

Eu te convido para juntos sermos uma comunidade onde cada membro seja uma expressão do amor de Deus onde estiver. Deus te abençoe!

14 A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês. (2 Coríntios 13.14)

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

14/11/2021 (manhã)

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