A IGREJA QUE EU SONHO
Série: Identidade 2022
Nós estamos no
mês de novembro. No dia 15/11 nossa igreja estará comemorando 66 anos. Sei que
ao longo desses anos vários pastores estiveram à frente desta igreja e de
alguma forma contribuíram de maneiras diferentes para o desenvolvimento
espiritual e estrutural de nossa igreja.
Hoje iniciaremos
a série “Identidade 2022”. Esta série visa apresentarmos o que somos e o que
desejamos ser como Primeira Igreja Batista em Itapevi. O tema de nossa mensagem
é “A Igreja Que Eu Sonho”. Eu quero compartilhar com vocês a igreja que eu,
pastor Cornélio, sonho. Meu desejo é que no final dessa série de mensagens você
possa dizer: “Essa é a igreja que eu sonho”. E juntos possamos trabalhar para
tornar essa igreja uma realidade.
A primeira
afirmação que eu quero fazer a respeito desta igreja é que... A IGREJA QUE EU SONHO É A IGREJA QUE JESUS
SONHA.
Eu não sonho com
uma igreja idealizada pelo meu “ego”. Eu não quero construir uma igreja segundo
o meu coração. Eu fui chamado por Jesus para servir liderando a Sua igreja e, portanto,
cabe a mim e a todo pastor sonhar os sonhos Dele (Jesus) com relação a Sua
igreja.
Como líder eu
devo direcionar e trabalhar para que nossa igreja se torne a igreja dos sonhos
de Jesus. O meu sonho como pastor desta igreja é que nós a Primeira Igreja
Batista em Itapevi sejamos a igreja que Jesus sonha.
Como vive a
igreja que Jesus sonha? Que forma ela tem? Qual sua aparência? O que ela faz?
Como ela se relaciona com o mundo? Como ela se relaciona consigo mesma?
Muitas são as formas que a bíblia nos apresenta para descrevermos a igreja que Jesus sonha. Durante esta série tentarei descrever os sonhos de Jesus para nossa igreja local. Vou compartilhar com vocês os sonhos que Jesus tem colocado em meu coração para nossa igreja.
1 – SERMOS UMA COMUNIDADE
O primeiro sonho
e o maior destes sonhos está revelado em nossa visão como igreja. Eu sonho com
uma igreja que seja uma comunidade, onde todos nós sejamos uma expressão do
amor de Deus para o outro. Isto significa que sejamos fraternos, acolhedores,
amorosos e generosos uns com os outros. Também significa que sejamos pacientes,
conselheiros, ajudadores e consoladores uns dos outros. Significa ainda que
devemos viver nos perdoando mutuamente e nos exortando em amor uns aos outros,
com o fim de mantermos a unidade que Cristo na cruz realizou ao nos atrair
todos, Nele e nos batizar no Seu Espírito.
Jesus orou ao
Pai pedindo por nossa unidade, orou para que fossemos uma comunidade, conforme
lemos em João 17.20-23.
20 "Minha oração não é apenas
por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem
deles, 21 para
que todos sejam um, Pai, como tu estás em
mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu
me enviaste. 22 Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um:
23 eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados
à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste
como igualmente me amaste. (João 17.20-23)
Este texto nos
mostra claramente que o sonho de Jesus é que sejamos uma comunidade, que
vivamos tendo tudo em comum, assim como Ele com o Pai. Portanto viver dividindo
o corpo de Cristo é viver contra Cristo, é ferir sua igreja. Temos que
trabalhar juntos para sermos a comunidade sonhada por Cristo.
O segundo ponto
que eu quero refletir com vocês é: “As marcas da comunidade de Cristo”.
2 – AS MARCAS DA COMUNIDADE DE CRISTO
Acredito
firmemente que a igreja primitiva descrita no livro de Atos em seu início
apresentava as características verdadeiras da comunidade de Cristo e que se
tornaram marcas desta comunidade. Vejamos como esta igreja era descrita em seu
início (Atos 2.41-45).
41 Os que aceitaram a mensagem
foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas. 42 Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à
comunhão, ao partir do pão e às orações. 43 Todos estavam cheios
de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. 44 Todos
os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. 45 Vendendo
suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. (Atos 2.41-45)
Os membros desta
igreja, que já começou com três mil pessoas desconhecidas umas das outras,
nunca se tornaram membros de uma igreja organizada com um rol de membros, nunca
se tornaram membros de uma igreja dirigida por uma diretoria, nunca se
organizaram em torno de um estatuto, mas eles viveram o sonho de Jesus como
igreja. Eles eram uma comunidade de verdade, eles se mantinham unidos e tinham
tudo em comum porque todos se sujeitavam aos ensinos dos apóstolos.
A igreja primitiva era caracterizada pela fidelidade
aos ensinos dos apóstolos. Essa é a primeira marca dessa igreja. Ela não se
sujeitava a nenhuma outra teologia, a nenhuma outra doutrina. Isto significava
que ela se submetia inteiramente aos apóstolos. Eles dirigiam a igreja, pois
foram os primeiros a quem Jesus entregou a autoridade de sua igreja. Nessa
igreja tinha ensino e tinha respeito à autoridade de Cristo na submissão aos
apóstolos. Essa igreja era acima de tudo dirigida pelo Espírito Santo, pelo
Espírito de Cristo.
Essa é uma marca
que eu desejo ver em nossa igreja. Uma igreja submissa aos ensinos dos apóstolos
e não as teologias diversas. As teologias devem ser lidas, avaliadas e
contextualizadas, mas a bíblia sempre será a única regra de fé e prática da
igreja. Eu desejo ver uma igreja que se submete ao seu pastor inteiramente e
assim se submeter a Jesus Cristo inteiramente. Submissão ao pastor produz
comunhão no corpo. Mas essa submissão deve ser feita se ele vive biblicamente e
se ensina corretamente, porque o ensino de Cristo liberta.
A segunda marca desta igreja era a comunhão. Isto está bem
evidente na afirmação de que “todos os que criam mantinham-se unidos e tinham
tudo em comum”. A comunhão era de fato verdadeira ao ponto de venderem suas
propriedades e bens para socorrerem aqueles que tinham necessidades. Isso não
aconteceu porque os apóstolos mandaram, mas foi porque o amor de Deus derramado
nos corações deles ao serem batizados pelo Espírito Santo os levou a essa
experiência.
A comunhão da
igreja primitiva era fruto do amor de Deus que os havia unidos de uma forma que
a dor do outro era sua própria dor. Se o outro estava em luto, todos choravam
com ele. Se outro estava feliz pelo nascimento do filho, todos se alegravam com
ele. Se o outro estava necessitado, todos dividiam o que tinham com ele e assim
todos eram pastoreados, cuidados e supridos em suas necessidades.
Essa é uma marca
que eu desejo ver em nossa igreja. Recentemente alguns irmãos perderam pessoas
muito importantes para elas. Você foi visitá-las? Isso é sentir a dor do outro.
Alguns irmãos tem tido necessidades financeiras? Você tem estendido suas mãos
para elas? Isso é viver comunhão. Outros irmãos podem estar vivendo em pecado.
Você tem ido até elas para orientá-las e abraça-las? Isso é viver comunhão.
Desde o fim da pandemia alguns irmãos deixaram de congregar conosco e talvez
você conheça algumas delas. Você foi visita-las para saber como estão e estimulá-las
a retornarem a comunhão? Isso é comunhão. Na comunhão acontece o pastoreio, na
pratica da mutualidade entre nós.
A terceira marca da igreja primitiva era o partir do
pão. Eles
se reuniam para celebrar a Ceia do Senhor. Neste momento tinha kerigma, tinha a
pregação central da mensagem do evangelho de Cristo. A Ceia do Senhor era tempo
de trazerem a memória o que Jesus havia feito por eles na cruz. Este era um
tempo de adoração comunitária.
A Ceia era o
momento em que todos se viam no mesmo nível, todos pecadores, todos dependentes
da graça de Deus, todos feitos filhos de Deus pelo mesmo caminho, o caminho da
graça. Este caminho foi revelado em Jesus Cristo o autor e consumador de nossa
fé. Ao comerem do pão e beberem do cálice todos estavam dizendo que eram um em
Cristo, que pertenciam ao mesmo corpo. Todos ao participarem da mesa de Cristo
estavam reconhecendo que foram unidos pelo mesmo Espírito, o Espírito de Cristo
Jesus e que já não havia entre eles diferenças de raças, classes sociais, de
ideologias políticas, de cultura, de sexo, de religiões, pois todos os que
creram foram perdoados e tinham Cristo como a referência que os unia e os
tornavam um. Ladrões, assassinos, prostitutas, fofoqueiros, glutões, beberrões,
idólatras, avarentos, pecadores agora santificados pelo sangue de Cristo se
tornavam um.
Essa é uma marca
que eu desejo ver em nossa igreja. O amor de Deus nos abre para recebermos na
mesa do Senhor todo pecador, este é o lugar onde o Kerigma é anunciado; mas
este mesmo amor nos constrange a nos santificarmos e abandonarmos o pecado. Não
podemos permanecer no pecado como Filhos de Deus. Devemos em amor nos
exortarmos com o fim de promovermos salvação de nossos irmãos e não condenação.
A quarta marca da igreja primitiva era as orações. O texto nos diz
que eles se dedicavam a todas as marcas que mencionamos anteriormente e as
orações. Uma igreja só consegue ser a comunidade sonhada por Jesus se ela viver
dedicada às orações. Muitas são as lutas que enfrentamos dentro e fora da
igreja. As orações nos tornam sensíveis para nos perdoarmos uns aos outros,
para ouvirmos a voz do Espírito e não as nossas próprias vozes. As orações nos
deixam sensíveis para abrirmos mão de nós mesmos e de nossas interpretações a
respeito de como deve ser a igreja.
Jesus era
dedicado à oração, pois por meio dela mantinha seu coração puro e cheio de
amor. Acredito que seus diálogos com o Pai renovava seu homem interior
levando-o a viver plenamente o que o Pai desejava. A oração era uma forma de
manter o coração livre do mal que o cercava todos os dias. Se Jesus precisava
orar para renovar seu coração; imagine nós!
Essa é uma marca
que eu desejo também ver em nossa igreja. Hoje temos um ministério de
intercessão que se reúne de forma virtual (on-line) e também se reúnem todos os
primeiros domingos para clamarem por nosso país, pela igreja, pela liderança,
pelos enfermos e outros. Você tem participado desses momentos? Nas
terças-feiras as mulheres se reúnem aqui na igreja e oram por todos estes
motivos também. Nossa igreja tem orado. Não fique de fora.
Orar sozinho é
importante, mas também é importante orarmos juntos. Nossa comunhão é
fortalecida também por meio da oração.
REFLEXÃO FINAL
Desde que assumi
essa igreja em 2018 estou trabalhando determinadamente para ver este sonho de
Jesus realizado em nossa comunidade local, pois sei que àqueles que vivem no
mesmo Espírito, guiados pelo mesmo Espírito, o Espírito de Deus não podem viver
divididos.
Nós queremos ser
uma comunidade, a comunidade do Espírito de Deus, a comunidade de Jesus Cristo.
Este não é o meu sonho, é o sonho de Jesus. Para vivermos este sonho queremos
nos dedicar ao ensino dos apóstolos, a comunhão, ao partir do pão e as orações.
Entendo que para
vivermos este sonho precisamos implantar em nossa igreja a ferramenta chamada
“Grupos Pequenos”. Por meio dos grupos pequenos podemos ser uma comunidade mais
forte. Os “GPs” proporcionam um ótimo lugar para nos dedicarmos ao ensino dos
apóstolos, a comunhão e as orações. Os “GPs” colaboram para o fortalecimento do
ensino, promovem a comunhão e viabilizam a oportunidade para que os irmãos orem
uns pelos outros. Por meio dos “GPs” cada membro pode ser pastoreado de uma
forma mais próxima, mais acolhedora e amorosa.
A igreja que eu
sonho é a igreja que Jesus sonha. Se você se identifica com essa igreja, nos
ajude a sermos uma comunidade onde cada membro seja uma expressão do amor de
Deus onde estiver. Venha ser comunidade conosco. Venha sonhar o sonho Jesus
conosco. Deus te abençoe!
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
06/11/2022
(manhã)
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