JESUS: O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS (2 parte)
Série: É Chegado o Reino de Deus
Hoje vou
continuar minha reflexão no Evangelho de João e finalizar a série “É Chegado o
Reino de Deus”. O tema de nossa mensagem é: “Jesus: O Amor Extravagante de Deus
(2 parte)”. Estou continuando a mensagem de nosso último encontro. Lembro a
todos que a palavra extravagante significa “fora do comum” ou “que se afasta do
senso comum”.
Em nosso último
encontro vimos que Jesus manifestou e continua manifestando entre nós o amor
extravagante de Deus, um amor fora do comum, tão intenso e grande que rompe
todas as fronteiras sociais, culturais, financeiras, religiosas, políticas,
geográficas, ideológicas, filosóficas e também de gêneros para nos alcançar. Afirmamos
no último domingo que Jesus o amor extravagante de Deus rompeu as fronteiras das
religiões e as fronteiras étnicas e culturais com o fim de nos acolher com seu
amor.
No quinto capítulo de João, uma multidão de pessoas doentes e inválidas: cegos, mancos e paralíticos, se aglomeravam próximo de um tanque chamado Betesda, localizado na cidade de Jerusalém. Eles acreditavam em uma lenda de que às vezes descia do céu um anjo do Senhor e agitava as águas deste tanque e aquele que entrasse primeiro no tanque era curado. Jesus o amor extravagante de Deus invade este ambiente de superstições, de lendas, de crendices onde o profano parece santo. Este é o nosso primeiro ponto de hoje:
1 – JESUS O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS QUE INVADE
O MUNDO DAS SUPERSTIÇÕES E DAS CRENDICES
1 Algum tempo depois, Jesus subiu
a Jerusalém para uma festa dos judeus. 2 Há em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, um tanque
que, em aramaico, é chamado Betesda, tendo cinco entradas em volta. 3 Ali
costumava ficar grande número de pessoas doentes e inválidas: cegos, mancos e
paralíticos. Eles esperavam um movimento nas águas.
4 De
vez em quando descia um anjo do Senhor e agitava as águas. O primeiro que
entrasse no tanque, depois de agitada as águas, era curado de qualquer doença
que tivesse. 5 Um dos que estavam ali era paralítico fazia trinta e
oito anos. (João 5.1-5)
Betesda
significa “casa de misericórdia”. Este tanque simbolizava um lugar de esperança
para aqueles que se encontravam enfermos, tomados por doenças incuráveis.
Diziam naqueles dias que de vez em quando um anjo descia dos céus e agitava as
águas e quem tocasse nelas primeiro era curado de sua doença.
Os historiadores
e teólogos dizem que essa história do anjo agitar as águas era uma lenda que
cercava aquele tanque. Ninguém sabe dizer se realmente pessoas foram curadas
após as águas serem agitadas por algum anjo ou agitadas por fortes ventos.
Possivelmente o
movimento que acontecia ao redor deste tanque é como os movimentos que vemos em
nossas igrejas contemporâneas, onde muitos afirmam serem curados, mas poucos
realmente ao serem confrontados por exames médicos recebem o diagnóstico de
cura. Há muito barulho nestes lugares, mas pouca verdade.
Imagina o
tumulto quando uma corrente de vento passava sobre as águas e ela era agitada e
logo as pessoas caiam no tanque e começam a gritar que foram curadas. Ninguém
sabia quem realmente tinha sido curado. Muitas vezes o desejo pela cura era tão
intenso que mesmo sem saber se realmente foram curadas diziam que estavam
curadas. Assim como em muitas das igrejas ditas evangélicas de nossos dias.
Os pregadores
destas igrejas milagreiras levam as pessoas a um êxtase emocional durante suas
orações e pregações provocando em seus ouvintes um estado que eles nem sabem
mais o que sentem realmente e estimulados a uma atitude de fé declaram naquele
momento de êxtase que estão curados, mas quando elas chegam em suas casas, quando
a adrenalina abaixa, o êxtase se vai, elas percebem que ainda estão enfermas. Acredito
que algumas pessoas realmente são curadas, mas poucas são as pessoas que
verdadeiramente são curadas nestes cultos da fé.
Este movimento
de pessoas que diziam ser curadas acabava por alimentar a esperança em muitos
outros que não haviam recebido sua cura e por isso havia tanta gente naquele
tanque. Todas aquelas pessoas tinham uma esperança de serem curadas. Entre estas muitas pessoas havia ali um homem
paralitico há trinta e oito anos. Não sabemos há quanto tempo ele frequentava
aquele local. Certamente ele era levado ali por parentes ou amigos e lá o
deixavam na esperança de que fosse curado.
Aquele era o
ambiente da magia, da água milagrosa, da superstição, onde a esperança era
depositada nas águas daquele tanque. Sem dúvida era um ambiente profano, mas
com aparência de santo. Profano porque Deus não era a razão e a esperança
daquele encontro de doentes e enfermos junto ao tanque. Contudo possuía uma
aparência de um lugar santo porque os que iam ao tanque de Betesda iam movidos
pela fé e pela esperança de serem curados.
Muitas pessoas em
nossos dias, como nos dias de Jesus, se dirigem as igrejas movidas pelas
superstições gospel e não por que desejam viver uma relação verdadeira com
Deus. O que as movem é o desejo pela proteção, cura e prosperidade. Muitas
carregam cruzes, vivem nas romarias, amarram fitas nos pulsos, carregam terço,
bebem água ungida, compram amuletos que os pastores vendem – tudo isso é o
tanque de Betesda de nossos dias. Ainda há outros que invocam espíritos
estranhos, tomam passe, fazem oferendas a espíritos, vivem neste ambiente
mágico das superstições e das forças do além. Tem crente que diz confiar em
Deus, mas não passa debaixo da escada, bate na madeira quando diz algo ruim, se
levar um susto grita nossa Senhora. Pessoas que dizem ser crentes em Jesus, mas
vivem flertando com o ambiente profano da magia, da superstição, buscando
orientações até mesmos de espíritos desencarnados e se tornando alvos fáceis de
manipulação para Satanás.
Contudo Jesus o
amor extravagante de Deus invade este ambiente profano, da magia, da
superstição para oferecer a nós salvação. O amor de Deus é poderoso, é intenso
demais para ser contido dentro do espaço sagrado normatizado pelos homens.
Jesus manifesta o amor extravagante de nosso Deus por aquele homem paralitico
quando entra neste lugar de magia, de superstições, onde os seres espirituais
influenciam a fé e a esperança dos homens, sim, Jesus entra neste meio profano para
oferecer ao paralítico a oportunidade de ser curado.
Quando Jesus
invade este lugar de magia e de superstição a cura pode acontecer. Pessoas são
curadas por causa da misericórdia de Deus e não porque realizaram alguma obra
para alcançar esta graça, nem porque a oração do pastor é poderosa ou porque os
seres espirituais a quem invocaram eram poderosos. Pessoas são curadas nestes
lugares porque Jesus é o amor extravagante que invade estes espaços profanos e
faz com que o sagrado se manifeste no meio do improvável.
Nestes lugares
profanos onde Deus é refém das lendas e das superstições, Jesus invade com seu
amor extravagante e torna o amor do Pai acessível aos homens com o fim de
libertá-los das correntes da enfermidade sejam elas físicas ou da alma, que
tornam suas vidas sofridas e sujeitas às manipulações dos homens e de seres
espirituais caídos. Contudo Jesus não invade estes lugares somente para curar o
corpo ou a alma, ele invade estes lugares com o fim de libertar os homens da
superstição e da magia, conforme lemos em João 5.13,14.
13 O homem que fora curado não
tinha ideia de quem era ele, pois Jesus havia desaparecido no meio da multidão. 14 Mais tarde Jesus o encontrou no templo e lhe disse:
"Olhe, você está curado. Não volte a pecar,
para que algo pior não lhe aconteça". (João 5.13,14)
Muito
provavelmente o homem curado por Jesus foi ao Templo para que pudesse ser
reconhecido como um homem puro pelos líderes religiosos e agradecer a Deus pelo
milagre ocorrido em sua vida.
Jesus o encontra
no Templo e diz para aquele homem não voltar a pecar, para que algo pior não
lhe viesse a acontecer. Alguns comentaristas acreditam que estas palavras de
Jesus apontam para a realidade daquele homem ter ficado paralítico por causa de
algum pecado cometido por ele durante sua vida. O texto não diz que pecado é
este. Contudo para estes comentaristas a pratica novamente daquele pecado que o
tornou paralítico o levaria a uma situação pior do que viveu ao longo de seus
38 anos como paralítico.
Eu, Cornélio
acredito que Jesus estava dizendo para ele não voltar ao pecado em que estava
vivendo, se referindo ao erro de colocar sua fé em superstições, em magias, em
contos de homens. Ele estava curado! Não precisava mais viver prisioneiro
daquela fé doentia e que o afastava de viver uma relação verdadeira com Deus.
Entendo que o pior que lhe poderia acontecer, referido por Jesus, o alcançaria
se ele continuasse depositando sua fé em magias e superstições, este pior era
perder a comunhão com Deus e consequentemente a vida eterna.
No capítulo sete
do Evangelho de João, nos dias da festa dos Tabernáculos, Jesus vai a Jerusalém
secretamente, sem a presença de seus discípulos, pois ele não queria chamar a
atenção das pessoas e dos religiosos de plantão que viviam lhe perseguindo. Aproveitando
esta ocasião de festa ele foi ao Templo, e este é o nosso segundo ponto de
hoje.
2 – JESUS O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS QUE INVADE
OS TEMPLOS
Lemos em João
7.14-16 que Jesus subiu ao templo.
14 Quando a festa (festa dos Tabernáculos) estava na metade, Jesus subiu ao templo e começou a ensinar. 15 Os judeus ficaram admirados e perguntaram: "Como
foi que este homem adquiriu tanta instrução, sem ter estudado?" 16 Jesus
respondeu: "O meu ensino não é de mim mesmo. Vem daquele que me enviou".
(João 7.14-16)
Jesus é o amor
extravagante que também invade este espaço físico que chamamos de Templo. Este
lugar que delimitamos como casa de Deus, casa de oração. Embora Deus não possa
ser contido neste lugar, pois o amor de Deus é extravagante e poderoso demais
para ser retido por qualquer construção humana, Jesus invade este lugar com o
seu amor. Ele se faz presente também dentro dos Templos físicos construídos pelos
homens.
O Templo em
Jerusalém era frequentado por todos os tipos de pessoas. Os pecadores e
publicanos lá estavam para apresentar suas ofertas pelo pecado e fazer suas
orações. Os religiosos também estavam lá possivelmente até com maior frequência
que as demais pessoas, pois desejavam serem vistos como espirituais. Os
sacerdotes lá estavam para cumprirem os rituais exigidos pela Lei de Moisés e
receberem os dízimos que lhes eram de direito. Havia também oportunistas que
viam nas ofertas sacrificiais à oportunidade de fazerem bons negócios, de se
enriquecerem por meio da fé. As mulheres lá estavam também, embora elas
tivessem acesso somente ao pátio externo do Templo.
Da mesma forma
nossas igrejas locais, físicas (isto inclui a nossa igreja) são frequentadas
por todos os tipos de pessoas. Temos aqui pecadores que vêm em busca de
reconciliação com Deus, temos religiosos que vêm com a intenção de serem
vistos, temos crentes carnais que buscam por meio da igreja se realizarem
pessoalmente através de cargos e títulos, temos sacerdotes que estão apenas
cumprindo suas obrigações com o fim de receberem seus pagamentos no final do
mês, temos também muitos oportunistas se declarando apóstolos, bispos,
missionários, cantores gospel com o fim de se enriquecerem por meio da fé.
Estes homens transformaram a fé em negócio. Mas não podemos deixar de dizer que
também temos muitas pessoas sinceras e maduras, líderes e pastores sinceros e
maduros em suas expressões de adoração a Jesus Cristo.
No Templo de
Jerusalém, nos dias de Jesus, não era permitida a entrada de pessoas que
apresentassem qualquer tipo de enfermidade: cegos, coxos, surdos, leprosos,
pessoas com hemorragias e outras enfermidades, elas eram consideradas pelos
judeus como impuras e malditas. A má compreensão da Lei de Moisés por parte dos
judeus condenou estas pessoas à exclusão social e religiosa. Contudo Jesus com
seu amor extravagante rompe com as fronteiras do Templo físico para ir ao
encontro também das pessoas que foram excluídas daquele ambiente de adoração e
de encontros com Deus. Vimos durante esta série de mensagens que ele, o Deus
encarnado, foi ao encontro da mulher samaritana, do paralítico no tanque de
Betesda, em João 9 ele vai ao encontro de um cego de nascença. Jesus é este
amor que se move livremente por toda sua criação, um amor que não pode ser
contido, um amor fora do comum, extravagante.
O Templo de
Jerusalém e a Lei de Moisés eram sombras do que haveria de ser revelado por
Deus através de Jesus Cristo. A não permissão da entrada dos enfermos no Templo
de Jerusalém era para que todos aprendessem que Deus é perfeito e que Nele não
existe impureza alguma. Essa proibição era temporária e com um fim pedagógico. Contudo
Deus nunca desejou que os enfermos e doentes fossem excluídos de seu reino e
tratados sem amor, conforme você pode ler em Levítico 19.14.
Em meio a toda
esta loucura que é o templo físico, não estou falando da igreja espiritual, mas
da igreja construída por mãos humanas, onde nos ajuntamos com todo tipo de
pessoas, algumas maduras outras infantis, algumas bondosas outras maldosas,
algumas crentes outras mundanas, algumas sábias outras tolas, algumas generosas
outras avarentas, algumas espirituais outras religiosas, algumas piedosas
outras desumanas,... mesmo em meio a esta confusão toda, Jesus invade nossas
igrejas e manifesta seu amor extravagante em nosso meio. Ele está aqui entre
nós fazendo isso agora! Por isso não deixe de vir à igreja porque o amor de
Cristo é maior do que nós e seu amor sobressai em meio as nossas falhas e
confusões.
REFLEXÃO FINAL
Eu quero encerrar
essa mensagem de hoje lembrando a você que assim como aquele paralítico que se
encontrava no tanque de Betesda, há muitas pessoas vivendo uma fé fundamentada
nas crendices, magias, superstições, esperando que anjos ou demônios vestidos
de vestes sacerdotais possam prover para eles curas e milagres. Há muitas
pessoas que estão confiando suas almas a espíritos desencarnados, que na
verdade não passam de demônios. Há muitas pessoas que estão colocando sua fé em
uma fita do Senhor do Bonfim, na água ungida ou benzida, como se Deus não fosse
capaz de realizar curas e milagres sem a necessidade destas pessoas ou destes
objetos mágicos. Se você é uma dessas pessoas, abandone esta fé e inicie um
relacionamento pessoal com Jesus, sem crendices, um relacionamento maduro de
confiança em sua pessoa, sem mediações de homens ou anjos, pois Jesus quer se
relacionar com você pessoalmente e diretamente.
Jesus nos
ensinou ao ir, ao encontro daquele paralítico no tanque de Betesda que
precisamos amar de forma extravagante estas pessoas que depositam sua fé em
crendices, que vivem na dependência de homens ou anjos. O amor de Deus em nós precisa
nos levar a invadir este mundo de superstições, magias, crendices, com o fim de
mostrarmos a elas que Deus as ama e que elas não precisam recorrer a estas
coisas para viver um relacionamento com Deus. Elas precisam de um amigo, não
para levá-las ao tanque, mas para fazê-las enxergar Jesus além do tanque.
Contudo Jesus
não somente invadiu o mundo das crendices, superstições e magias, como também
ele andava no Templo em Jerusalém. Jesus invadiu aquele ambiente religioso onde
havia todo tipo de pessoas, com as mais diferentes razões de lá estarem.
Algumas corretas, outras totalmente erradas.
Ao invadir
aquele ambiente religioso de grandes confusões teológicas, ideológicas,
motivacionais e sentimentais, Jesus estava nos ensinando que o seu amor
extravagante não tem fronteira alguma e supera quaisquer obstáculos para
alcançar o que está perdido.
O templo, a
igreja física, ainda é este lugar de grandes confusões, onde os egos dominam, o
poder oprime, onde o joio e o trigo se misturam, mas no meio de tudo isso,
Jesus te chama para manifestar seu amor extravagante a todos que nela entram,
com o fim de que através de você elas possam conhecer o amor de Deus. Que você
possa ser a expressão do amor de Deus para aqueles que fazem parte de nossa
igreja a PIB de Itapevi.
Se você tem
frequentado esta igreja, cheia de confusões como todas as outras igrejas, e em
meio as nossas confusões você não tem experimentado neste lugar o amor
extravagante de Jesus por você, só me resta pedir perdão a você porque isto
significa que eu tenho falhado com você, que a pessoa que está sentada ao seu
lado, a sua frente, atrás tem falhado com você.
Você que se diz
cristão, convertido e batizado precisa manifestar as pessoas o amor
extravagante de Jesus. Você é responsável para que o seu próximo possa conhecer
o amor de Deus. Você tem que ser como Jesus neste mundo, invadindo com o amor
de Deus o mundo das crendices, superstições e magias, mas também se como Jesus
manifestando o amor de Deus na igreja para todos que nela entrar e nela
permanecer. Deus te abençoe com seu amor extravagante.
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
07/05/2023
(noite)
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