JESUS: O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS (1 parte)
Série: É Chegado o Reino de Deus
Neste mês de
Abril estamos refletindo na série “É Chegado o Reino de Deus”. O tema de hoje
é: “Jesus: O Amor Extravagante de Deus”. A palavra extravagante significa “fora
do comum” ou “que se afasta do senso comum”.
Nos últimos
domingos refletimos que Jesus era e é a manifestação do amor de Deus entre nós.
Hoje veremos em Jesus que este amor de Deus é extravagante, fora do comum, tão intenso
e grande que rompe todas as fronteiras para nos alcançar.
No terceiro capítulo de João encontramos Jesus conversando com Nicodemos, um fariseu (um grupo religioso que era muito devoto as Escrituras do A.T.), um homem revestido de autoridade e membro do sinédrio. O sinédrio era uma assembleia judia, formada por anciões que exerciam poderes políticos, religiosos e legislativos nos dias de Jesus. Os membros do sinédrio julgavam as diversas causas apresentadas pelo povo. Neste encontro com Nicodemos, Jesus manifestou o amor extravagante de Deus rompendo com as fronteiras da religião judaica. Portanto nosso primeiro ponto de hoje é:
1 – JESUS O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS QUE ROMPE
AS FRONTEIRAS DA RELIGIÃO
1 Havia um fariseu chamado Nicodemos, uma autoridade
entre os judeus. 2 Ele veio a Jesus, à noite, e disse: "Mestre,
sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os sinais
miraculosos que estás fazendo, se Deus não estiver com ele". 3 Em resposta, Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade:
Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo". (João 3.1-3)
Quando Jesus diz
para Nicodemos que para ver o Reino de Deus é necessário nascer de novo, ele
estava rompendo as fronteiras da religião judaica e de todas as religiões que
se fundamentam em um conjunto de cerimonias e rituais. As religiões criam
caminhos para que possamos viver uma espiritualidade que nos leve aos céus, ao
lugar sagrado onde Deus está, mas ao criar estes caminhos ela acaba por matar a
espiritualidade, pois tira dela sua essência: a liberdade. A verdadeira
espiritualidade é fruto da liberdade vivida no Espírito Santo de Deus.
O apóstolo Paulo
escrevendo aos irmãos da região da Galácia (Ásia Menor) diz as seguintes
palavras (Gálatas 5.1)
1 Foi para a liberdade que Cristo nos
libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um
jugo de escravidão. (Gálatas 5.1)
O jugo de
escravidão que Paulo está mencionando era o jugo imposto pela religião
construída sob a Lei de Moisés. A orientação dele é que os crentes permanecessem
firmes na liberdade que Cristo havia conquistado para eles.
Jesus não disse
a Nicodemos que para ver o Reino de Deus era necessário cumprir toda a Lei de
Moisés, mas disse que era necessário nascer de novo. Isto significa que a
verdadeira espiritualidade não é fruto de nossas obras, mas da obra do Espírito
de Deus em nós.
Os fariseus
acreditavam que seriam salvos se cumprissem todos os mandamentos de Deus
entregues por Moisés. Eles estudavam arduamente a Lei com o fim de conseguir
cumpri-las e assim alcançarem a salvação. A salvação para eles era fruto de
mérito e não da graça de Deus. Contudo Jesus estava dizendo a Nicodemos que a
salvação era fruto da graça de Deus, de uma transformação interior e não fruto
de obras exteriores.
As religiões
podem e devem nos oferecer caminhos para externarmos uma vida de condutas
morais perfeitas, mas a guarda destes caminhos não podem nos salvar, pois
somente aquele que crê no Filho de Deus, Jesus Cristo, como seu salvador tem
seus pecados perdoados e recebe de Jesus, no momento em que creu o batismo com
o Espírito Santo. Ao receber o batismo com o Espírito Santo de Deus aquele que
estava morto no pecado, nasce para a vida eterna. Este é o nascer de novo que
Jesus disse a Nicodemos. Este nascer de novo não é produzido pela obediência
aos mandamentos, pelo viver de uma conduta moral perfeita, mas pela compreensão
de que somos pecadores por natureza e que merecemos a condenação eterna, mas
que em Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus nossos pecados foram pagos e pela fé,
mediante a graça de Deus, somos salvos. Não por meio das obras para que ninguém
se glorie.
A
espiritualidade passa a ser vivida como fruto desta nova vida, ela é vivida na
relação voluntária do nosso ser como resposta a este amor extravagante de Deus
por nós pecadores. Eu passo a fazer ou não fazer algo por amor a Deus e ao meu
próximo, pois o meu amor a Deus só é concretizado no amor ao próximo. Oro por
amor a Deus, oferto por amor a Deus, visito o enfermo por amor a Deus e ao meu
próximo, não cometo adultério por amor a Deus e ao meu próximo. Em fim, como
disse Paulo, qualquer coisa que eu faça ou deixe de fazer se não estiver
fundamentado no amor não tem valor algum. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que
possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não for fundamentado no
amor, nada disso me valerá (1 Coríntios 13.3).
Jesus é o amor
extravagante de Deus que rompe as fronteiras das religiões nos levando a
vivermos a liberdade do Espírito que se reflete numa espiritualidade
fundamentada no amor. As nossas condutas morais passam a serem pautadas pelo
amor. A vida na comunidade cristã é para ser vivida fundamentada no amor e não
em uma obediência fria a um conjunto de normas morais e regras organizacionais.
O amor é a essência de toda a Lei de Deus. Tudo se resume no amor. Se a nossa
espiritualidade não está fundamentada no amor, mas nas regras comportamentais,
no medo ou no sentimento de culpa, o que vivemos é religiosidade.
Viver o amor é
se dispor a sofrer para que a paz e a unidade do Espírito entre nós não seja
quebrada. O amor nos leva a abrirmos mão da justiça própria, do orgulho, dos
nossos interesses pessoais para que a paz e unidade do Espírito sejam mantidas
entre nós. O amor me leva a desejar o bem do outro mais do que desejo para mim.
O amor nos capacita a buscarmos reconciliação com o outro quando falhamos com
ele, a perdoarmos o outro quando somos feridos por ele. O amor tem que ser a lei
maior que rege nosso viver e os nossos encontros como corpo de Cristo.
Acredito que
Nicodemos era um homem atormentado pela religião. Sua busca por Jesus à noite,
certamente era porque não desejava ser visto por seus colegas religiosos – o
que já demonstra que ele vivia aprisionado pelo que os outros pensariam dele.
Possivelmente ele era alguém que desejava viver dentro dos padrões de Deus, os
fariseus eram muito religiosos e faziam de tudo para serem reconhecidos como
homens santos. Entretanto Nicodemos por mais que buscasse cumprir a Lei de
Moisés não conseguia descansar sua alma na certeza de que Deus se agradava de
seu viver. A obediência às regras comportamentais e cerimoniais não promovia
uma relação saudável com Deus. Muito possivelmente ele se sentia cada vez mais
culpado diante de Deus, pois nunca conseguia ser perfeito.
Jesus ao ver que
Nicodemos o considerava alguém enviado da parte de Deus, ele foi direto ao
ponto central de sua dor. Era preciso que Nicodemos se libertasse da religião e
do jugo que havia sido imposto sobre ele. Era preciso que Ele nascesse de novo
para conhecer o amor extravagante de Deus por Ele. Deus não estava em busca de
homens perfeitos, mas de homens e mulheres que O amem através de seu Filho
Jesus Cristo e que desejem viver com Ele uma unidade baseada em uma relação de
amor e liberdade.
No quarto capítulo
de João, Jesus decide passar por Samaria de propósito, com o fim de se
encontrar com uma mulher samaritana. Neste encontro Jesus manifestou o amor extravagante
de Deus rompendo com as fronteiras étnicas e culturais de seus dias. Portanto
nosso segundo ponto é:
2 – JESUS O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS QUE ROMPE
AS FRONTEIRAS ÉTNICAS E CULTURAIS
4 Era-lhe necessário passar por
Samaria. 5 Assim, chegou a uma
cidade de Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho
José. 6 Havia ali o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem,
sentou-se à beira do poço. Isto se deu por volta do meio-dia. 7 Nisso
veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: "Dê-me um pouco de
água". 8 (Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar
comida.) 9 A mulher samaritana lhe perguntou:
"Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para
beber?" (Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos.) (João 4.4-9)
Os samaritanos eram assim chamados por serem
habitantes da cidade de Samaria. Após a morte do rei
Salomão, a nação de Israel foi dividida em dois reinos. Eram eles: o Reino do
Norte, chamado também de Israel, sendo a cidade de Samaria sua capital; e o
Reino do Sul, chamado também de Judá, sendo sua capital em Jerusalém.
Com
o passar dos anos todo o povo do Reino do Norte passou a ser chamado de
Samaritanos. Mais do que apenas definir a origem de seus descendentes, o termo
samaritano passou a designar um
grupo religioso que guardavam a Lei de Moisés, mas que tinham introduzido em
seus cultos práticas pagãs. Eles
advogavam que o Monte Gerizim era o autêntico local de adoração instituído por
Deus, e não o Monte Sião em Jerusalém.
Depois
de muito tempo de idolatria, o reino de Israel (a terra dos samaritanos) foi
conquistado pelo rei da Assíria. Muitos israelitas foram deportados para outras
partes do império assírio e pessoas de outras nações conquistadas pelos
assírios foram colocadas em Samaria (2 Reis 17:23-24).
Essa ação por parte dos assírios promoveu uma mistura racial entre os
israelitas que permaneceram em Israel e os novos habitantes que chegaram a
Israel.
Nos dias de Jesus os samaritanos eram rejeitados e
tidos como inimigos pelos judeus devido à impureza de sua raça, pois eram
frutos de uma mistura de raças, e também, devido às crenças pagãs que eles inseriram
na fé judaica promovendo um sincretismo religioso.
Diante essa realidade dos samaritanos os judeus nos
dias de Jesus, evitavam todo contato com os samaritanos, eles os consideravam
impuros. Jesus
escandalizou até mesmo os seus discípulos ao sentar-se a beira do poço e puxar
conversa com aquela mulher samaritana.
Jesus
manifestou o amor extravagante de Deus por aquela mulher rompendo as fronteiras
étnicas e culturais de seus dias. O amor não pode ser contido pela religião,
não pode ser contido pelos conceitos raciais e culturais ditados pelos homens.
O amor nos lança ao outro, não importa quem seja o outro, suas crenças, sua
raça, seus costumes culturais, sua ideologia política ou quais as suas posições
diante os diversos discursos de nossos dias. O amor nos faz romper com todas
estas coisas em busca de tornar Deus acessível ao outro.
Aquela mulher samaritana
possivelmente colocou a opinião da sociedade de seus dias como fonte para avaliar
o seu valor. Ela precisava dos “likes” dos demais samaritanos para se sentir
amada. Ela já tinha tido cinco maridos. O texto não diz para nós qual a razão
deles terem se divorciado dela. (Ela não é tratada como viúva – o que nos leva
a pensar que ela era divorciada). Podemos afirmar que não foi ela quem tomou à
iniciativa de se divorciar de seus maridos, uma vez que isto não era aceito na
cultura de seus dias. Somente o homem podia pedir a anulação do casamento.
Nos dias de
Jesus, muitos homens se divorciavam e abandonavam suas mulheres. Eles faziam
isso, porque Moisés havia criado a carta de divórcio. Uma vez divorciado, eles
e elas podiam se casar novamente (Deuteronômio 24.1-3). Acredito que essa
mulher tenha sido abandonada por seus maridos. Sua angústia e vergonha de si
mesmo era tão forte que ela ia buscar água em um horário de intenso calor e que
ninguém se arriscava a ir buscar água. Ela não desejava ser encontrada. Essa
mulher possivelmente estava vivendo apenas esperando que a vida se acabasse.
Sua condição de dor e tristeza por cinco casamentos frustrados a levou a viver
com um homem sem se importar com sua condição social e espiritual. Ela se uniu
a este homem muito provavelmente para simplesmente ter o sustento de cada dia
até que a morte chegasse.
Jesus o amor
extravagante de Deus rompe com as fronteiras raciais, culturais de seus dias
para oferecer a essa mulher água viva. Ele vai ao encontro dessa alma ferida,
cansada de ser rejeitada, abandonada pelos homens para dizer a ela que Ele tinha
a água viva que saciaria a sede de sua alma. A sede que esta alma ansiava era o
desejo de ser amada, de ser aceita, valorizada pelas pessoas. Cada vez que ela
era rejeitada por um homem, ela não conseguia deixar de se envolver com outro
homem, possivelmente buscando aceitação e a validação da sociedade para seu
viver. Ela buscava através de seus casamentos aceitação. Assim como foi com Nicodemos,
Jesus vai direto ao ponto central do problema daquela mulher, quando Ele pede
para ela chamar o seu marido. Jesus sabia que sua alma tinha uma carência e por
isso lhe ofereceu uma água que mataria essa sede para sempre. Ele estava
oferecendo a ela vida eterna, vida na comunhão do Espírito de Deus, vida essa
que é fundamentada no amor. O amor que ela buscava alcançar só Deus poderia lhe
dar. A validação que ela precisava como ser humano não era da sociedade de seus
dias, mas a validação interna do Espírito de Deus. Essa validação interna do
Espírito de Deus proveria paz eterna a sua alma.
REFLEXÃO FINAL
(convidar a
banda para subir ao palco)
Eu quero
encerrar essa mensagem orando por você que se sente amarrado pelos dogmas
religiosos, que apesar de todos seus esforços para viver a santidade, continua
se sentindo distante de Deus. Quero orar por você que como Nicodemos sente medo
do julgamento dos outros a respeito de sua espiritualidade e que vive tentando
esconder o sentimento de culpa, medo e frustração por não conseguir se
relacionar com Deus com liberdade, como gostaria.
Jesus te ama de
forma extravagante e quer romper as fronteiras religiosas que aprisionaram sua
alma. Ele quer te levar a experiência da vida no Espírito, da liberdade
conquistada por Ele na cruz. Ele quer que você viva com ele na sua comunidade,
a comunidade do amor. Ele não busca em você perfeição, ele busca apenas um
coração rendido ao seu amor oferecido na cruz do Calvário. A perfeição Ele
produzirá em você a partir da relação de amor construída com você.
Eu quero orar
por você também que assim como a mulher samaritana se sente rejeitada,
desvalorizada porque se tornou dependente da aceitação de seus pais, de seu
cônjuge, de seus filhos, de seus amigos, de seus irmãos da igreja, de seu chefe
ou dos “likes” das redes sociais.
Jesus quer hoje,
através do seu extravagante amor por você romper as fronteiras raciais,
culturais que te tornaram dependente da aceitação das pessoas ao seu redor. Ele
vem ao seu encontro neste lugar improvável, casa de gentios, para curar sua
alma ferida, cansada do desprezo das pessoas. Ele te oferece água viva para
beber. Sua alma se inundará de paz.
Se você foi
tocado por Deus durante esta mensagem levante e venha até o altar, eu quero orar
por você. Venha à frente enquanto a banda toca uma música.
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
23/04/2023 (noite)
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