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quarta-feira, 12 de abril de 2023

SERMÕES 192 - JESUS: O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS (1 parte)

 JESUS: O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS (1 parte)

Série: É Chegado o Reino de Deus

 

Neste mês de Abril estamos refletindo na série “É Chegado o Reino de Deus”. O tema de hoje é: “Jesus: O Amor Extravagante de Deus”. A palavra extravagante significa “fora do comum” ou “que se afasta do senso comum”.

Nos últimos domingos refletimos que Jesus era e é a manifestação do amor de Deus entre nós. Hoje veremos em Jesus que este amor de Deus é extravagante, fora do comum, tão intenso e grande que rompe todas as fronteiras para nos alcançar.

No terceiro capítulo de João encontramos Jesus conversando com Nicodemos, um fariseu (um grupo religioso que era muito devoto as Escrituras do A.T.), um homem revestido de autoridade e membro do sinédrio. O sinédrio era uma assembleia judia, formada por anciões que exerciam poderes políticos, religiosos e legislativos nos dias de Jesus. Os membros do sinédrio julgavam as diversas causas apresentadas pelo povo. Neste encontro com Nicodemos, Jesus manifestou o amor extravagante de Deus rompendo com as fronteiras da religião judaica. Portanto nosso primeiro ponto de hoje é:

 

1 – JESUS O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS QUE ROMPE AS FRONTEIRAS DA RELIGIÃO

1 Havia um fariseu chamado Nicodemos, uma autoridade entre os judeus. 2 Ele veio a Jesus, à noite, e disse: "Mestre, sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os sinais miraculosos que estás fazendo, se Deus não estiver com ele".  3 Em resposta, Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo". (João 3.1-3)

Quando Jesus diz para Nicodemos que para ver o Reino de Deus é necessário nascer de novo, ele estava rompendo as fronteiras da religião judaica e de todas as religiões que se fundamentam em um conjunto de cerimonias e rituais. As religiões criam caminhos para que possamos viver uma espiritualidade que nos leve aos céus, ao lugar sagrado onde Deus está, mas ao criar estes caminhos ela acaba por matar a espiritualidade, pois tira dela sua essência: a liberdade. A verdadeira espiritualidade é fruto da liberdade vivida no Espírito Santo de Deus.

O apóstolo Paulo escrevendo aos irmãos da região da Galácia (Ásia Menor) diz as seguintes palavras (Gálatas 5.1)

1 Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. (Gálatas 5.1)

O jugo de escravidão que Paulo está mencionando era o jugo imposto pela religião construída sob a Lei de Moisés. A orientação dele é que os crentes permanecessem firmes na liberdade que Cristo havia conquistado para eles.

Jesus não disse a Nicodemos que para ver o Reino de Deus era necessário cumprir toda a Lei de Moisés, mas disse que era necessário nascer de novo. Isto significa que a verdadeira espiritualidade não é fruto de nossas obras, mas da obra do Espírito de Deus em nós.

Os fariseus acreditavam que seriam salvos se cumprissem todos os mandamentos de Deus entregues por Moisés. Eles estudavam arduamente a Lei com o fim de conseguir cumpri-las e assim alcançarem a salvação. A salvação para eles era fruto de mérito e não da graça de Deus. Contudo Jesus estava dizendo a Nicodemos que a salvação era fruto da graça de Deus, de uma transformação interior e não fruto de obras exteriores.

As religiões podem e devem nos oferecer caminhos para externarmos uma vida de condutas morais perfeitas, mas a guarda destes caminhos não podem nos salvar, pois somente aquele que crê no Filho de Deus, Jesus Cristo, como seu salvador tem seus pecados perdoados e recebe de Jesus, no momento em que creu o batismo com o Espírito Santo. Ao receber o batismo com o Espírito Santo de Deus aquele que estava morto no pecado, nasce para a vida eterna. Este é o nascer de novo que Jesus disse a Nicodemos. Este nascer de novo não é produzido pela obediência aos mandamentos, pelo viver de uma conduta moral perfeita, mas pela compreensão de que somos pecadores por natureza e que merecemos a condenação eterna, mas que em Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus nossos pecados foram pagos e pela fé, mediante a graça de Deus, somos salvos. Não por meio das obras para que ninguém se glorie.

A espiritualidade passa a ser vivida como fruto desta nova vida, ela é vivida na relação voluntária do nosso ser como resposta a este amor extravagante de Deus por nós pecadores. Eu passo a fazer ou não fazer algo por amor a Deus e ao meu próximo, pois o meu amor a Deus só é concretizado no amor ao próximo. Oro por amor a Deus, oferto por amor a Deus, visito o enfermo por amor a Deus e ao meu próximo, não cometo adultério por amor a Deus e ao meu próximo. Em fim, como disse Paulo, qualquer coisa que eu faça ou deixe de fazer se não estiver fundamentado no amor não tem valor algum. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não for fundamentado no amor, nada disso me valerá (1 Coríntios 13.3). 

Jesus é o amor extravagante de Deus que rompe as fronteiras das religiões nos levando a vivermos a liberdade do Espírito que se reflete numa espiritualidade fundamentada no amor. As nossas condutas morais passam a serem pautadas pelo amor. A vida na comunidade cristã é para ser vivida fundamentada no amor e não em uma obediência fria a um conjunto de normas morais e regras organizacionais. O amor é a essência de toda a Lei de Deus. Tudo se resume no amor. Se a nossa espiritualidade não está fundamentada no amor, mas nas regras comportamentais, no medo ou no sentimento de culpa, o que vivemos é religiosidade.

Viver o amor é se dispor a sofrer para que a paz e a unidade do Espírito entre nós não seja quebrada. O amor nos leva a abrirmos mão da justiça própria, do orgulho, dos nossos interesses pessoais para que a paz e unidade do Espírito sejam mantidas entre nós. O amor me leva a desejar o bem do outro mais do que desejo para mim. O amor nos capacita a buscarmos reconciliação com o outro quando falhamos com ele, a perdoarmos o outro quando somos feridos por ele. O amor tem que ser a lei maior que rege nosso viver e os nossos encontros como corpo de Cristo.

Acredito que Nicodemos era um homem atormentado pela religião. Sua busca por Jesus à noite, certamente era porque não desejava ser visto por seus colegas religiosos – o que já demonstra que ele vivia aprisionado pelo que os outros pensariam dele. Possivelmente ele era alguém que desejava viver dentro dos padrões de Deus, os fariseus eram muito religiosos e faziam de tudo para serem reconhecidos como homens santos. Entretanto Nicodemos por mais que buscasse cumprir a Lei de Moisés não conseguia descansar sua alma na certeza de que Deus se agradava de seu viver. A obediência às regras comportamentais e cerimoniais não promovia uma relação saudável com Deus. Muito possivelmente ele se sentia cada vez mais culpado diante de Deus, pois nunca conseguia ser perfeito. 

Jesus ao ver que Nicodemos o considerava alguém enviado da parte de Deus, ele foi direto ao ponto central de sua dor. Era preciso que Nicodemos se libertasse da religião e do jugo que havia sido imposto sobre ele. Era preciso que Ele nascesse de novo para conhecer o amor extravagante de Deus por Ele. Deus não estava em busca de homens perfeitos, mas de homens e mulheres que O amem através de seu Filho Jesus Cristo e que desejem viver com Ele uma unidade baseada em uma relação de amor e liberdade.

No quarto capítulo de João, Jesus decide passar por Samaria de propósito, com o fim de se encontrar com uma mulher samaritana. Neste encontro Jesus manifestou o amor extravagante de Deus rompendo com as fronteiras étnicas e culturais de seus dias. Portanto nosso segundo ponto é:

 

2 – JESUS O AMOR EXTRAVAGANTE DE DEUS QUE ROMPE AS FRONTEIRAS ÉTNICAS E CULTURAIS

4 Era-lhe necessário passar por Samaria. 5 Assim, chegou a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José. 6 Havia ali o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isto se deu por volta do meio-dia. 7 Nisso veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: "Dê-me um pouco de água". 8 (Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.) 9 A mulher samaritana lhe perguntou: "Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?" (Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos.) (João 4.4-9)

Os samaritanos eram assim chamados por serem habitantes da cidade de Samaria. Após a morte do rei Salomão, a nação de Israel foi dividida em dois reinos. Eram eles: o Reino do Norte, chamado também de Israel, sendo a cidade de Samaria sua capital; e o Reino do Sul, chamado também de Judá, sendo sua capital em Jerusalém.

Com o passar dos anos todo o povo do Reino do Norte passou a ser chamado de Samaritanos. Mais do que apenas definir a origem de seus descendentes, o termo samaritano passou a designar um grupo religioso que guardavam a Lei de Moisés, mas que tinham introduzido em seus cultos práticas pagãs. Eles advogavam que o Monte Gerizim era o autêntico local de adoração instituído por Deus, e não o Monte Sião em Jerusalém.

Depois de muito tempo de idolatria, o reino de Israel (a terra dos samaritanos) foi conquistado pelo rei da Assíria. Muitos israelitas foram deportados para outras partes do império assírio e pessoas de outras nações conquistadas pelos assírios foram colocadas em Samaria (2 Reis 17:23-24). Essa ação por parte dos assírios promoveu uma mistura racial entre os israelitas que permaneceram em Israel e os novos habitantes que chegaram a Israel.

Nos dias de Jesus os samaritanos eram rejeitados e tidos como inimigos pelos judeus devido à impureza de sua raça, pois eram frutos de uma mistura de raças, e também, devido às crenças pagãs que eles inseriram na fé judaica promovendo um sincretismo religioso.

Diante essa realidade dos samaritanos os judeus nos dias de Jesus, evitavam todo contato com os samaritanos, eles os consideravam impuros. Jesus escandalizou até mesmo os seus discípulos ao sentar-se a beira do poço e puxar conversa com aquela mulher samaritana.   

Jesus manifestou o amor extravagante de Deus por aquela mulher rompendo as fronteiras étnicas e culturais de seus dias. O amor não pode ser contido pela religião, não pode ser contido pelos conceitos raciais e culturais ditados pelos homens. O amor nos lança ao outro, não importa quem seja o outro, suas crenças, sua raça, seus costumes culturais, sua ideologia política ou quais as suas posições diante os diversos discursos de nossos dias. O amor nos faz romper com todas estas coisas em busca de tornar Deus acessível ao outro.

Aquela mulher samaritana possivelmente colocou a opinião da sociedade de seus dias como fonte para avaliar o seu valor. Ela precisava dos “likes” dos demais samaritanos para se sentir amada. Ela já tinha tido cinco maridos. O texto não diz para nós qual a razão deles terem se divorciado dela. (Ela não é tratada como viúva – o que nos leva a pensar que ela era divorciada). Podemos afirmar que não foi ela quem tomou à iniciativa de se divorciar de seus maridos, uma vez que isto não era aceito na cultura de seus dias. Somente o homem podia pedir a anulação do casamento.

Nos dias de Jesus, muitos homens se divorciavam e abandonavam suas mulheres. Eles faziam isso, porque Moisés havia criado a carta de divórcio. Uma vez divorciado, eles e elas podiam se casar novamente (Deuteronômio 24.1-3). Acredito que essa mulher tenha sido abandonada por seus maridos. Sua angústia e vergonha de si mesmo era tão forte que ela ia buscar água em um horário de intenso calor e que ninguém se arriscava a ir buscar água. Ela não desejava ser encontrada. Essa mulher possivelmente estava vivendo apenas esperando que a vida se acabasse. Sua condição de dor e tristeza por cinco casamentos frustrados a levou a viver com um homem sem se importar com sua condição social e espiritual. Ela se uniu a este homem muito provavelmente para simplesmente ter o sustento de cada dia até que a morte chegasse.

Jesus o amor extravagante de Deus rompe com as fronteiras raciais, culturais de seus dias para oferecer a essa mulher água viva. Ele vai ao encontro dessa alma ferida, cansada de ser rejeitada, abandonada pelos homens para dizer a ela que Ele tinha a água viva que saciaria a sede de sua alma. A sede que esta alma ansiava era o desejo de ser amada, de ser aceita, valorizada pelas pessoas. Cada vez que ela era rejeitada por um homem, ela não conseguia deixar de se envolver com outro homem, possivelmente buscando aceitação e a validação da sociedade para seu viver. Ela buscava através de seus casamentos aceitação. Assim como foi com Nicodemos, Jesus vai direto ao ponto central do problema daquela mulher, quando Ele pede para ela chamar o seu marido. Jesus sabia que sua alma tinha uma carência e por isso lhe ofereceu uma água que mataria essa sede para sempre. Ele estava oferecendo a ela vida eterna, vida na comunhão do Espírito de Deus, vida essa que é fundamentada no amor. O amor que ela buscava alcançar só Deus poderia lhe dar. A validação que ela precisava como ser humano não era da sociedade de seus dias, mas a validação interna do Espírito de Deus. Essa validação interna do Espírito de Deus proveria paz eterna a sua alma.

 

REFLEXÃO FINAL

(convidar a banda para subir ao palco)

Eu quero encerrar essa mensagem orando por você que se sente amarrado pelos dogmas religiosos, que apesar de todos seus esforços para viver a santidade, continua se sentindo distante de Deus. Quero orar por você que como Nicodemos sente medo do julgamento dos outros a respeito de sua espiritualidade e que vive tentando esconder o sentimento de culpa, medo e frustração por não conseguir se relacionar com Deus com liberdade, como gostaria.

Jesus te ama de forma extravagante e quer romper as fronteiras religiosas que aprisionaram sua alma. Ele quer te levar a experiência da vida no Espírito, da liberdade conquistada por Ele na cruz. Ele quer que você viva com ele na sua comunidade, a comunidade do amor. Ele não busca em você perfeição, ele busca apenas um coração rendido ao seu amor oferecido na cruz do Calvário. A perfeição Ele produzirá em você a partir da relação de amor construída com você.

Eu quero orar por você também que assim como a mulher samaritana se sente rejeitada, desvalorizada porque se tornou dependente da aceitação de seus pais, de seu cônjuge, de seus filhos, de seus amigos, de seus irmãos da igreja, de seu chefe ou dos “likes” das redes sociais.

Jesus quer hoje, através do seu extravagante amor por você romper as fronteiras raciais, culturais que te tornaram dependente da aceitação das pessoas ao seu redor. Ele vem ao seu encontro neste lugar improvável, casa de gentios, para curar sua alma ferida, cansada do desprezo das pessoas. Ele te oferece água viva para beber. Sua alma se inundará de paz.

Se você foi tocado por Deus durante esta mensagem levante e venha até o altar, eu quero orar por você. Venha à frente enquanto a banda toca uma música.

 

 

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

23/04/2023 (noite)

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