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terça-feira, 16 de maio de 2023

SERMÕES 195 - NÓS, O REINO DE DEUS E O REINO DE SATANÁS

 NÓS, O REINO DE DEUS E O REINO DE SATANÁS

Série: A Natureza do Reino de Deus

 

O tema de nossa mensagem de hoje é: “Nós, O Reino de Deus e o Reino de Satanás”. Durante este mês de Maio estaremos refletindo na série “A Natureza do Reino de Deus”. Quando falamos da natureza do Reino de Deus estamos falando daquilo que caracteriza e que define o reino de Deus.

Eu quero iniciar nossa reflexão de hoje mostrando que a manifestação do reino de Deus se torna presente e visível em nosso mundo quando fazemos escolhas na vida por valores e princípios que são inerentes do reino de Deus, que são características claras e definidoras do reino de Deus.

Todas as vezes que abrimos mão daquilo que nos traz prazer, que desejamos e do que nos é justo com o fim de que os valores e princípios do reino de Deus se manifestem através de nós, Deus se alegra, pois tornamos o seu reino presente entre os homens. Por isso meu primeiro ponto hoje é:

 

1 – ABRINDO MÃO DO QUE ME É PRAZEROSO E JUSTO PARA QUE O REINO DE DEUS SE TORNE PRESENTE EM NOSSO MUNDO

O apóstolo Paulo em Romanos 14.17 define o Reino de Deus da seguinte forma:

17 Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; (Romanos 14.17)

Fica claro para nós que Paulo faz uma distinção entre o que não é e o que é o reino de Deus. Aquilo que não é o reino de Deus neste verso pertence ao mundo dos homens. Paulo neste verso apresenta o mundo dos homens através da comida e da bebida, enquanto o reino de Deus é apresentado como o lugar da justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

O apóstolo faz esta distinção entre o reino de Deus e o mundo dos homens, porque os irmãos da igreja de Roma estavam brigando entre eles por causa da comida. Paulo diz para eles que nenhuma comida é impura, a não ser para aqueles que a considerassem impura. Ele estava dizendo que eles podiam comer de tudo, mas se alguém considerasse que um determinado alimento era impuro, esta pessoa não deveria comer daquele alimento por causa de sua própria consciência.

Contudo, o apóstolo Paulo diz para os que tinham maturidade para comer qualquer alimento que se a alimentação deles estava causando o falecimento espiritual de alguns irmãos, que eles não permitissem que a comida ou a bebida se tornassem um mal entre eles, porque o reino de Deus não é comida e bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.

Paulo estava dizendo aos crentes de Roma e a nós hoje que devemos sempre fazer escolhas por aquilo que promove o reino de Deus, o reino da Luz. Ao escolhermos pela realização de algo que produz morte entre nós, seja ela, física, emocional ou espiritual promovemos o reino das trevas em nosso mundo. Se determinada comida ou bebida promove a morte de alguns irmãos é melhor abrirmos mão destes alimentos e destas bebidas; abrirmos mão do prazer que estes alimentos ou bebidas possam nos oferecer, ainda que nos seja justos comermos e bebermos, desfrutarmos da recompensa de nosso trabalho. Contudo devemos abrir mão com o fim de que o vínculo do Espírito não seja quebrado entre nós, pois isto é agradável a Deus.

Este princípio serve para nossos encontros familiares, nossas assembleias, nossas decisões políticas – tudo que fazemos, devemos fazer com o fim de manifestarmos o reino de Deus por meio de nós, manifestarmos seus valores e princípios, a fim de promovermos o reino de Deus em nosso mundo e não o reino das trevas.

Eu quero fazer uma observação quanto a esta questão do comer e beber. Paulo não diz para deixarmos de comer ou beber por causa dos não crentes, mas por causa dos crentes infantis, chamados por Paulo de fracos na fé, conforme podemos ler em Romanos 15.1.

1 Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. (Romanos 15.1)

Também quero salientar que Paulo se coloca entre os fortes na fé, ele diz: “Nós, os que somos fortes”; isto significa que ele era um dos que comiam determinados alimentos e bebiam vinho, mas que quando na presença de crentes mais fracos, possivelmente se referindo aos mais novos na fé, ele abria mão deste prazer. Não podemos nos esquecer de que Paulo enfrentou Pedro face a face por causa desta questão (Gálatas 2.11,12). Pedro comia com ele na mesa dos gentios. Quando chegaram os judaizantes (judeus convertidos a Cristo), Pedro e outros judeus deixaram a mesa dos gentios e se distanciaram deles, para que os judaizantes não os julgassem como homens que comiam alimentos impuros. Paulo chamou a atenção de Pedro diante todos porque ele não era um novo convertido, mas alguém que já deveria ter maturidade para lidar com esta questão.

Este conflito entre os crentes de Roma proporcionou a Paulo a oportunidade de confrontá-los quanto à verdadeira fonte de prazer deles. O prazer deles estava nos valores temporais deste mundo, como a comida e a bebida ou o prazer deles estava nos valores eternos do reino de Deus, como justiça, paz e alegria no Espírito?

O conflito entre os crentes de Roma para Paulo era um conflito interno entre os valores e prioridades do mundo dos homens versos os valores e prioridades do reino de Deus. Nós hoje também vivemos este conflito interno. “Você vive para agradar a si mesmo ou para agradar a Deus? Você encontra prazer quando se satisfaz ou quando satisfaz a Deus?”

Lembro que para você agradar a Deus, para que Deus encontre prazer por meio de sua vida, é necessário que você escolha pelos valores e princípios de Seu reino com o fim de edificar sua igreja e manter a paz, dessa forma preservar a unidade conquistada por Jesus Cristo na cruz e experimentada por nós por meio do Espírito Santo.

Portanto, se esforce de todo coração para desenvolver em suas ações e falas o abrir mão do que lhe é prazeroso, do que lhe é justo com o fim de tornar o reino de Deus visível por meio de você aos seus irmãos em Cristo, familiares, amigos e também aos seus desafetos, fazendo dessa forma que Deus encontre prazer em sua vida.

Em meio a esse conflito interno de abrirmos mão muitas vezes daquilo que nos dá prazer ou que consideramos justo, com o fim de manifestarmos os valores e princípios do reino de Deus, nos encontramos também em meio a um conflito externo, fora de nós, mas que nos influência grandemente em nossas escolhas. Falo do conflito entre o reino de Deus e o reino de Satanás ou poderíamos dizer o conflito entre o reino da Luz e o reino das Trevas. Este é o nosso segundo ponto de hoje. Nós em meio ao conflito do reino de Deus e de Satanás.

 

2 – NÓS EM MEIO AO CONFLITO DO REINO DE DEUS E DE SATANÁS

Satanás ou Satã é uma palavra transliterada do hebraico que significa adversário. Este foi o nome dado para um anjo, um ser espiritual de luz que desejou ser adorado como Deus, e se colocou na história como um adversário de Deus no mundo dos homens.

Alguns teólogos não acreditam na existência de Satanás como um ser pessoal, mas apenas como um conceito que expressa uma força que conduz o homem para o mal. Contudo a Bíblia trata claramente de Satanás como um ser pessoal capaz de nos influenciar para o mal.

Lemos que Jesus foi tentado pelo diabo, este é o nome grego de Satanás, “diabolôs” que significa popularmente caluniador, acusador.

Portanto podemos afirmar sem dúvida que existe um reino de luz, o reino de Deus e um reino de trevas, o reino de Satanás. Estes dois reinos estão em conflito e influenciam grandemente o nosso mundo, a nossa existência neste mundo como seres humanos. Existem muitos textos na Bíblia que nos mostram a interferência destes dois reinos em nosso mundo, contudo eu vou me deter somente na experiência vivida pelo apóstolo Pedro, quando ele e os demais discípulos foram questionados por Jesus com relação a quem eles pensavam ser ele, Jesus. Vou ler Mateus 16.13-17 e os versos 20-23.

13 Chegando Jesus à região de Cesaréia de Filipe, perguntou aos seus discípulos: "Quem os homens dizem que o Filho do homem é?" 14 Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas". 15 "E vocês?", perguntou ele. "Quem vocês dizem que eu sou?" 16 Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". 17 Respondeu Jesus: "Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus". (Mateus 16.13-17)

 

20 Então advertiu a seus discípulos que não contassem a ninguém que ele era o Cristo. 21 Desde aquele momento Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres da lei, e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia. 22 Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: "Nunca, Senhor! Isso nunca te acontecerá!" 23 Jesus virou-se e disse a Pedro: "Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens". (Mateus 16.20-23)

Eu não vou me deter no contexto em que Pedro viveu esta experiência. Apenas quero mostrar que podemos, como Pedro, sermos fortemente influenciados pelo Espírito de Deus, nos levando a cogitarmos das coisas de Deus e de Seu reino, conforme lemos no verso 17. Da mesma forma podemos, assim como Pedro, sermos fortemente influenciados por Satanás e seus anjos demoníacos, nos levando a cogitarmos das coisas deste mundo terreno, que hoje está sob o domínio do reino das trevas, conforme lemos no verso 23.

A realidade dos dois reinos da luz e das trevas é muito presente em nosso mundo humano. É verdade que no mundo atual em que vivemos, muitas pessoas chamam suas loucuras psicóticas de manifestações espirituais. Há, sem dúvida, em nosso mundo, por conta do pecado muitas doenças mentais que levam o ser humano a ter visões, ouvir vozes e criar realidades paralelas não existentes como se fossem reais, como por exemplo: esquizofrenia, mitomania, transtorno do devaneio excessivo.

Vinte e três milhões de pessoas sobrem de esquizofrenia no mundo. Existem ainda outros transtornos psicóticos: depressão, transtorno bipolar e outros. Para essas doenças mentais existem tratamentos a base de remédios. Penso que muitos homens e mulheres que se dizem espirituais, que estão nos púlpitos de muitas igrejas, intituladas profetas por causa de suas constantes visões ou capacidade de ouvir vozes, são em grande parte portadoras de doenças mentais.

Entretanto acredito na realidade e na interferência do mundo espiritual em nosso mundo físico. O fato de muitos confundirem suas doenças mentais com revelações espirituais, não diminui a realidade de que o mundo espiritual existe e interfere em nosso mundo material. Eu acredito na existência do diabo, de demônios, assim como acredito na existência de Deus e de seus anjos. Eu acredito porque as minhas experiências pessoais me comprovam esta verdade, contudo mais do que as minhas experiências pessoais, uma vez que elas não servem como base para o ensino desta verdade, eu acredito porque a Bíblia me revela esta verdade, fundamentando as minhas experiências pessoais.

Já entrei em ambientes e senti a presença de demônios. Já me deparei com pessoas possessas por demônios. Já vivi a experiência de sair do corpo. Já ouvi a voz de Deus de forma audível e inigualável falando comigo, mas não baseio minha fé em minhas experiências pessoais, baseio minha fé na Palavra de Deus, na Bíblia onde encontro base para avaliar as minhas experiências pessoais.

Segundo a Bíblia, nós nos encontramos em meio ao conflito destes dois reinos espirituais, presentes em nosso mundo, o reino de Deus e o reino de Satanás. Somos chamados por Tiago a resistirmos a Satanás, conforme lemos Tiago 4.7.

7 Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. (Tiago 4.7)

Como resistimos ao diabo? Resistimos ao diabo nos submetendo a Deus. Se nos concentrarmos nas coisas de Deus, acabamos resistindo ao diabo. Se buscarmos em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, colocamos Satanás e seu reino para trás. A influência de Satanás sobre nós é anulada quando focamos nossos olhos em Jesus e em seu reino, isto é, quando nossas escolhas são feitas baseadas nos princípios e valores do reino de Deus.

Resistimos ao diabo quando paramos de dar atenção a ele e nos voltamos a Deus. Não é só parar de dar atenção ao diabo, é preciso se submeter a Deus, pois muitos por não se voltarem a Deus servem ao diabo sem saber. O que estou dizendo é que não temos que procurar o diabo em nós, ficar fazendo mapa espiritual de nossas vidas, de nossa cidade, buscando maldição hereditária para pedirmos perdão, escrevendo inventários de pecados cometidos por nós e por nossos familiares. Não temos que procurar as trevas em nós, pois ao fazermos isso damos as costas para a luz, para o reino de Deus. Procurar na escuridão o seu vínculo com as trevas com a intenção de rompê-lo é caminhar para as trevas e se aprofundar na escuridão, negando a obra que Jesus já realizou na cruz por você. Jesus quebrou toda maldição que estava sobre você. Tão somente creia nessa verdade. Quando duvidar dessa verdade, diga: “Para trás de mim Satanás! Você não pensa nas coisas de Deus”. Na sua frente meu irmão e minha irmã só pode haver luz, pois você pertence ao reino de Deus. Quanto ao seu passado Jesus já te justificou. Não há mais nada que te condene e nem quem possa te acusar.

 

REFLEXÃO FINAL

A Bíblia nos ensina que temos que vigiar e orar, que temos que viver prestando atenção nas influências sobre nós porque as vontades humanas e a inteligência humana não são as únicas que produzem a realidade do mundo em que vivemos, elas não são as únicas que produzem a cultura que nos envolve neste mundo. Existem outras vontades e inteligência que atuam em nosso mundo, que nossos olhos não veem e que nossos ouvidos não ouvem, mas que alcançam nossos espíritos e exercem poder sobre nossas mentes e vontades.

Vivemos em meio ao conflito entre o reino de Deus e o reino de Satanás ou poderíamos dizer que vivemos em meio ao conflito entre o reino da luz e o reino das trevas. As forças espirituais do mal, das trevas influenciam nossas vidas de forma direta tentando nos levar a dar as costas para o reino de Deus, mas também influenciam nossas vidas de forma indireta através de suas ações governamentais, uma vez, que influenciam aqueles que estão revestidos de poder para governar as nações e assim dominam sobre nosso mundo.

Portanto preste atenção para que quando for necessário você esteja apto a dizer: “Para trás Satanás! Você não tem lugar na minha vida, na minha casa, na minha mesa e nem sobre a minha mente, pois sou servo do Deus Vivo, lavado pelo sangue de Jesus”.

Como servo de Jesus você precisa olhar para a luz e escolher viver submisso aos valores e princípios do reino de Deus. Escolha amar ao invés de odiar. Escolha acolher todas as pessoas, amigos e inimigos, ao invés de excluir os desafetos por pensarem diferentes de você. Escolha perdoar os que te feriram ao invés de condená-los a rejeição. Escolha dividir o pão ao invés de ajuntar riquezas neste mundo. Escolha ser gentil com as pessoas de seus relacionamentos ao invés de ser chato e grosso. Escolha ser generoso ao invés de avarento. Escolha ser submisso a Deus e as autoridades por Ele colocadas sobre a sua vida ao invés de resistir a eles, resistindo assim aos valores e princípios de Deus. Escolha resistir ao diabo e aos seus demônios ao invés de se sujeitar aos seus valores e princípios propagados pela cultura emergente de nossos dias. Escolha abrir mão daquilo que lhe dá prazer, daquilo que lhe parece justo com o fim de manter a paz no Corpo de Cristo e assim permitir que Deus encontre prazer em sua vida.

Escolher pelos valores e princípios do reino de Deus é tornar presente o reino de Deus em nosso mundo e em nossa igreja. Escolher pelos valores e princípios do reino das trevas é tornar presente o reino de Satanás em nosso mundo e em nossa igreja. Qual é o reino que você está tornando presente em seu mundo? Qual é o reino que você está tornando visível em nossa igreja? Qual é o reino que as pessoas veem quando se aproximam de você, da luz ou das trevas?

Suas escolhas diárias, da mais simples a mais complexa, determinarão o reino que irá se manifestar por meio de sua vida. Que você possa se esforçar grandemente, se dedicar com toda sua força, abrindo mão do que lhe dá prazer ou daquilo que lhe é justo aos seus olhos, se assim for necessário, para tornar o reino de Deus visível através de sua vida. Deus te abençoe!

 

 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

14/05/2023 (noite)

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