COLOSSENSES E A ÉTICA DO REINO DE DEUS
Série: A Ética do Reino de Deus
Durante
este mês de Agosto estamos refletindo na série “A Ética do Reino de Deus”. O
nosso tema de hoje é “Colossenses e a Ética do Reino de Deus”. Eu gostaria de
começar esta série de mensagens relembrando nossa definição sobre ética.
Primeiro ponto: O que é ética.
1 – O QUE É ÉTICA?
A palavra
“ética” é de origem grega, ethos. A palavra ética significa maneiras, hábito,
comportamento, modo de ser, caráter. Quando dizemos “aquela pessoa não é
ética”, estamos dizendo que ela não tem boas maneiras, que não tem caráter, é
destituída de valores morais, que seu modo de ser transgride os padrões morais
estabelecidos pela sociedade.
Ø
Podemos definir a ética como o conjunto de regras e valores
que fundamentam o comportamento moral de um grupo ou de um indivíduo.
Esse conjunto de regras e valores morais definem quais
atitudes são consideradas certas ou erradas. Portanto quando falamos da ética
do Reino de Deus estamos falando do conjunto de regras e valores morais que
definem quais atitudes são consideradas certas ou erradas aos olhos de Deus.
Hoje eu quero motivar vocês a viverem a vida tendo a ética do Reino de Deus como bússola diante os desafios e infortúnios que o mundo possa apresentar a vocês. Para nossa reflexão quero convidá-los a leitura da carta do apóstolo Paulo escrita aos Colossenses 3.1-25. Entretanto antes da leitura do texto quero apresentar o contexto histórico da cidade de Colossos e da carta escrita pelo apóstolo Paulo aos colossenses.
2 – CONTEXTO HISTÓRICO E
RELIGIOSO DA CIDADE
A
cidade de Colossos ficava no vale do rio Lico, um afluente do rio Meandro, na
parte sul da antiga Frígia. Hoje seria na região oeste da Turquia. A cidade
fazia parte da estrada comercial para Éfeso. Era um importante centro da
indústria têxtil nos dias de Paulo.
Quando
Paulo escreveu aos cristãos que moravam em Colossos, a população da cidade
consistia principalmente de colonos indígenas frígios, gregos e judeus que
haviam sido levados por Antíoco III no começo do século II a.C., ele os
trouxera da Babilônia e os estabeleceu na Lídia e na Frígia. Este encontro de
povos, culturas e religiões diferentes colaboraram para um sincretismo
religioso na cidade de Colossos.
Neste
período florescia ali o culto a Cibele (Hera-Atargatis), a grande deusa-mãe da
Ásia. Este culto era originalmente um rito a natureza, vinculado com costumes
da fertilidade, e levava seus adoradores à alegria e a êxtases excessivos.
Outros deuses também eram adorados em Colossos.
3 – CONTEXTO DA CARTA DE
PAULO
Paulo
escreveu esta carta enquanto se encontrava preso, possivelmente no primeiro
período de sua prisão em Roma. Neste período seu discípulo, Epafras o visita e
relata a respeito do testemunho da igreja de Colossos e das heresias que
estavam surgindo na igreja. O apóstolo decidiu escrever a igreja com a intenção
de alertar os irmãos com relação aos ensinos heréticos que ameaçavam a fé dos mesmos.
Paulo
diz que estes ensinos tinham “aparência de sabedoria” e que estavam sustentados
em filosofias vãs, fundamentadas nas tradições humanas e nos princípios
elementares deste mundo e não em Cristo. Essas vãs filosofias induziam os
crentes a um erro teológico e também a uma prática errada da fé. Elas
apresentavam o pensamento gnóstico.
O
erro teológico estava no conceito de que a plenitude de Deus se encontrava
distribuída nas diversas emanações de seu ser. Portanto acreditavam que deveriam
venerar essas diversas emanações divinas como os “espíritos elementares da natureza”,
os anjos, os deuses menores que habitam as estrelas. Segundo este pensamento
estas emanações divinas regiam a vida dos homens e tinham o poder da entrada no
reino divino. Jesus Cristo era uma destas emanações divina. Este erro teológico
diminuía Cristo e retirava dele a exclusividade como o único caminho da
salvação.
O
apostolo Paulo trata de refutar estes erros teológicos nos dois primeiros
capítulos de sua carta (a doutrina do “pleroma”, da plenitude). Ele conclui
esta defesa de Jesus com as seguintes palavras (Colossense 2.8-10).
8 Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e
enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios
elementares deste mundo, e não em Cristo. 9 Pois em Cristo habita corporalmente toda a
plenitude da divindade, 10 e, por estarem
nele, que é o Cabeça de todo poder e autoridade, vocês receberam a plenitude. (Colossenses 2.8-10)
Paulo depois afirma que toda dívida que pesava
contra nós foi cancela na cruz e que Deus em Cristo perdoou todos os nossos pecados.
Ele aponta que Jesus é o único salvador.
Como
dissemos anteriormente as vãs filosofias não só induziam a uma teologia errada,
mas também a uma prática errada da fé levando os irmãos colossenses ao
ascetismo e a abnegação. O ascetismo é a pratica de ritos disciplinares como
abstenção de alimentos, flagelos, guarda de dias e outros tipos de
mortificações da carne. A abnegação é uma simulação de humildade, dando a
aparência de uma santidade superior. Possivelmente fruto da união do
gnosticismo com o judaísmo.
Paulo
busca corrigir estes erros práticos também, conforme podemos ler em Colossenses
2.16-18.
16 Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou
bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas
novas ou dos dias de sábado. 17 Estas coisas são
sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo. 18 Não permitam que ninguém que tenha prazer numa
falsa humildade e na adoração de anjos os impeça de alcançar o prêmio. Tal
pessoa conta detalhadamente suas visões, e sua mente carnal a torna orgulhosa.
(Colossenses 2:16-18)
Após
ter refutado e corrigido a teologia e a prática de culto da igreja de Colossos,
o apóstolo Paulo conclui sua carta exortando-os para uma prática cristã
concreta na vida e nas diversas relações sociais.
4 – A ÉTICA DO REINO DE
DEUS COMO FUNDAMENTO PARA A VIDA
O
apóstolo descreve nos dois últimos capítulos um conjunto de regras e
comportamentos morais que deviam ser praticados por eles na vida. Ele os leva a
olharem para Cristo, para o céu, com o fim de trazê-los para um cristianismo
que não fica olhando para o invisível, para o transcendental de forma
contemplativa e mística. Paulo os convoca a partir do momento em que eles se
veem em Cristo, a tornar a experiência com Cristo em realidade concreta no
tempo presente; a trazerem através de suas atitudes, os valores e princípios do
Reino de Deus para o mundo presente (Colossenses 3 e 4).
1 Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que
são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. 2 Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas
coisas terrenas. 3 Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. 4 Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então
vocês também serão manifestados com ele em glória. (Nestes
quatro primeiros versos Paulo os faz olhar para Cristo no céu. Nos próximos
versos o apóstolo os exorta a abandonarem tudo que pertence ao homem terreno,
uma vez que eles estão com Cristo no céu.) 5 Assim, façam morrer tudo o que pertence à
natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e
a ganância, que é idolatria. 6 É por causa dessas
coisas que vem a ira de Deus sobre os que vivem na desobediência, 7 as quais vocês praticaram no passado, quando costumavam
viver nelas. 8 Mas agora, abandonem todas estas coisas:
ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar. 9 Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do
velho homem com suas práticas 10 e se revestiram
do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. (Nos
versos seguintes o apóstolo irá exortá-los a prática de atitudes que tornem a
experiência com Cristo em realidade concreta no dia a dia da vida. A ética do
Reino de Deus deve ser manifestada nas condutas deles.) 11 Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu,
circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e
está em todos (todos devem se ver como iguais. Não há raça superior. Que
afirmação forte: “Cristo está em todos”. Portanto diante destas palavras eu
firo a ética do Reino de Deus quando trato qualquer ser humano com desprezo,
com arrogância, com soberba.). 12 Portanto, como povo escolhido de
Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade,
mansidão e paciência. 13 Suportem-se uns aos
outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o
Senhor lhes perdoou. 14 Acima de tudo, porém,
revistam-se do amor, que é o elo perfeito. 15
Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram
chamados a viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. 16 Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo;
ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos,
hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seus corações. 17 Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação,
façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai. (Até
aqui o apóstolo falou de forma generalizada. Sua exortação era para todos. A
partir do verso dezoito ele passa a falar para determinados grupos de pessoas.
Sua fala é mais especifica, buscando corrigir comportamentos de determinados
grupos sociais.) 18 Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como convém a
quem está no Senhor. 19 Maridos, amem suas
mulheres e não as tratem com amargura. 20
Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor. 21 Pais, não irritem seus filhos, para que eles não se
desanimem. 22 Escravos, obedeçam em tudo a seus
senhores terrenos, não somente para agradar os homens quando eles estão
observando, mas com sinceridade de coração, pelo fato de vocês temerem ao
Senhor. 23 Tudo o que fizerem, façam de todo o
coração, como para o Senhor, e não para os homens, 24 sabendo
que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que
vocês estão servindo. (Paulo diz para os escravos, os empregados que fossem fiéis
aos seus senhores, patrões trabalhando não só quando são observados, mas
servindo a eles como que estivessem servindo ao próprio Senhor Jesus. E que
focassem na recompensa que receberão do Senhor Jesus e não no que o homem
pudesse oferecer a eles.) 25 Quem cometer injustiça receberá de volta injustiça,
e não haverá exceção para ninguém. (Este versículo é tanto
para o empregado como para o patrão. Se os servos, empregados cometessem
injustiça com seus patrões seriam cobrados por Deus, da mesma forma que os
patrões também serão cobrados se cometerem injustiça com seus empregados) (Colossenses
3:1-25)
1 Senhores, dêem aos seus escravos o que é justo e direito, sabendo que
vocês também têm um Senhor no céu. 2 Dediquem-se
à oração, estejam alertas e sejam agradecidos. 3
Ao mesmo tempo, orem também por nós, para que Deus abra uma porta para a nossa
mensagem, a fim de que possamos proclamar o mistério de Cristo, pelo qual estou
preso. 4 Orem para que eu possa manifestá-lo
abertamente, como me cumpre fazê-lo. 5 Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo
todas as oportunidades. 6 O seu falar seja sempre agradável e
temperado com sal, para que saibam como responder a cada um. (Colossenses 4:1-6)
REFLEXÃO FINAL
Vivemos num
mundo onde imoralidade é sinônimo de moralidade, onde mentiroso é sinônimo de
sábio, onde malandro é sinônimo de esperteza, ser virgem é sinônimo de bobo. Vivemos
em mundo onde tudo está virado de cabeça para baixo, onde a ética que
regulamenta os comportamentos morais é imoral.
Nós somos
bombardeados constantemente pelas diversas mídias com heresias de todos os
tipos. Os falsos pastores se multiplicaram através da internet. As redes
sociais se transformaram em campo de batalha entre pastores e denominações. Existe
uma disputa religiosa no mundo virtual para ver quem tem a verdade. Qual é a
melhor igreja? Qual pastor tem mais visualizações?
A igreja de
Colossos também vivia em meio à imoralidade, a mentira, lutando contra as
heresias gnósticas que estavam surgindo entre eles. Entretanto em meio aos
infortúnios da vida o apóstolo Paulo os desafia a viverem a ética do Reino de
Deus, a tornarem a experiência com Cristo uma realidade nos desafios diários da
vida e nas relações sociais.
Da mesma forma o
desafio do apóstolo Paulo se estende a nós hoje. Que possamos viver a ética do
Reino de Deus no dia a dia de nossas vidas. Que tornemos a nossa experiência
com Cristo uma realidade concreta nas diversas atividades diárias de nossas
vidas e em nossas relações sociais e familiares. Estabeleça a Palavra de Deus como fundamento
da verdade para você e para sua casa. Deus te abençoe!
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
13/08/2023
(noite)
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