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sábado, 23 de abril de 2011

VOCAÇÃO 1 - NOSSA VOCAÇÃO NOS CHAMA A UM COMPROMISSO COM DEUS

NOSSA VOCAÇÃO NOS CHAMA A UM COMPROMISSO COM DEUS
O COMPROMISSO COM DEUS NASCE DA NOSSA VOCAÇÃO
Colossenses 1.15-19


Colossos era uma cidade pertencente à província romana da Ásia, na parte ocidental do que á agora a Turquia Asiática. O local da antiga cidade de Colossos é atualmente desabitada. Nos tempos antigos foi uma importante cidade do reino Lídio e posteriormente do reino de Pérgamo.
Paulo escreveu esta epistola sem dúvida para orientar e defender a igreja de Colossos contra a heresia gnóstica que se infiltrava no meio da igreja.
Os irmãos de Colosso estavam sendo influenciados através do cinema da cidade, dos teatros, das novelas “colossais”, da revista “Caras Colosso” a terem os pensamentos e valores gnosticos como verdadeiros.
Paulo foi habilidoso em conseguir atacar as heresias ao mesmo tempo em que fortalecia os valores da fé cristã.
A crença dos gnósticos em Colossos afirmava:
1 – Que Cristo era apenas uma “emanação de Deus” – um ser angelical. Não viam Cristo como o logos, mas como um entre muitos seres angelicais.
2 – Os seres angelicais eram objetos de adoração e nesse sentido criam que Cristo poderia ser adorado, embora não fosse considerado Deus.
3 – Eles não criam na existência da Trindade, nem Cristo como cabeça da Igreja.
4 – Os gnósticos criam em muitos criadores. Eles compreendiam que os diversos seres angelicais possuíam o poder de criarem. Paulo não nega tal poder, contudo enfatiza que tudo veio de Cristo, ainda que anjos criassem era por meio do poder de Cristo.
5 – Os gnósticos criam que toda matéria é má. Criam que no fim toda matéria deixará de existir. Para eles o desígnio cósmico é destruir a matéria.
6 – Os gnósticos acreditavam que os “aeons”, isto é, os seres angelicais unidos formavam a “plenitude de Deus”.
7 – Os gnósticos pegaram os rituais judaicos e incorporaram em suas crenças, tornando as datas comemorativas em motivos de adoração aos “espírito emanados”. Desvirtuando assim o valor e razão daquelas datas.
As restrições aos alimentos tornaram-se incentivo ao vegetarianismo; e a moderação as bebidas alcoólicas levadas ao extremo exigia abstinência total. O fim disso era sacrificar a matéria. Acreditavam que desta forma estariam destruindo a matéria. 
O ensino gnóstico estava afastando a igreja gradativamente de sua convicção de fé. Aos poucos Cristo se tornava mais um entre muitos seres angelicais e não mais Senhor de suas vidas.
O texto que lemos é uma confrontação direta a estes ensinos e também uma reafirmação de quem é Cristo para nós.
Hoje em dia nossa fé tem sido atacada por diversos ensinos que gradativamente tem roubado de Cristo sua posição como único Deus e Senhor de todas as coisas. Temos assistido diversas coisas e pessoas se tornando objetos de adoração em nossos cultos “evangélicos”. Diante dessa realidade nosso compromisso com Deus e Sua causa tem sido afetado.
Assim como a igreja de Colosso foi afetada pelo pensamento corrente da sociedade de sua época, a igreja de hoje tem sido da mesma forma afetada pelos pensamentos que fluem em nossos dias.
Paulo chama então a igreja de Colosso a repensar quem é Cristo para eles. Tal reflexão deveria traze-los de volta a genuína fé cristã.
Compreender quem é Cristo nos faz refletir em nossa vocação e em nosso compromisso em relação a Deus.

1 – Jesus é a imagem (eikon = imagem) do Deus invisível (v. 15)
Colosso era uma cidade dominada pelo Império Romano. Sua economia girava em torno da moeda romana. Era comum nessa época a moeda ter a efígie (imagem) do imperador. Isso significava que aquela moeda pertencia ao império romano e sua natureza provinha desse império.
Quando Paulo diz que Cristo tinha a imagem do Deus invisível, ele estava dizendo para aquele povo que Cristo pertencia e provinha da mesma natureza que Deus. Se a moeda romana expressava a glória do imperador, Cristo expressava a glória de Deus. Paulo estava afirmando para eles que Jesus Cristo é Deus e não um anjo ou outro ser celestial qualquer.
O Deus invisível, incomunicável, inatingível aos homens, agora se manifestava por meio de Jesus Cristo a eles.
Essa afirmação colocava no chão a crença do gnosticismo. Tal ensino corrigia e exigia da igreja de Colosso uma postura correta diante de Cristo.
Acredito que essa afirmação de que Cristo Jesus é Deus também tem que mexer conosco hoje. Você não pode ter tal conhecimento dessa verdade e não confrontar suas atitudes e posturas diante deste Deus.
A quem você tem adorado? Anjos? Homens? Dinheiro? Poder?
Quem ou que tem direcionado sua vida? A Palavra de Deus? Os pensamentos ventilados pela sociedade? Pela mídia?
Onde estão baseado os seus valores? Onde eles estão fundamentados? Em Cristo? MTV? Novelas? Nas religiões não cristãs?

2 – O primogênito de toda a criação (v. 15)
Na qualidade de “imagem do Deus invisível” Cristo é visto em relação ao que transmite de Deus Pai aos homens. Na qualidade de “primogênito” Cristo é visto na relação direta com a criação.
Paulo não está dizendo que Cristo é um ser criado, uma vez, que ele já afirmou que Jesus é Deus; e Deus se distingue do homem por não ser criado, ser eterno, ser o principio de tudo e o fim de tudo.
O apóstolo Paulo esta aqui fazendo duas afirmações:
PRIMEIRA – ele esta dizendo que Cristo tinha herdado todos os direitos cabíveis ao filho primogênito. Era comum nesse tempo e também para os israelitas que o primogênito recebesse maior honra e maior bênção que os demais filhos. A afirmação era de que Cristo era digno de maior honra do que qualquer outra criatura, seja homens, animais ou seres celestiais.
SEGUNDA – ele estava afirmando que Jesus era desde o principio o modelo de relação que Deus arquitetou ter com a criação. O Cristo encarnado foi o primeiro na forma humana a viver a nova dimensão de vida arquitetada pela Trindade Santíssima desde o ínicio da criação. O primeiro homem que ressuscitou, vencendo a morte para sempre. Sua ressurreição se deu no próprio corpo.
Paulo mais uma vez ataca o pensamento gnostico de que Cristo é menor do que os anjos ou igual aos anjos; e também ataca o pensamento de que a matéria é má e deve ser destruída.
A ressurreição de Jesus em seu corpo carnal provou que o problema não é a matéria em si. O mal não reside na carne propriamente dita, mas no homem espiritual.

3 – “... Tudo foi criado por meio dele e para ele” (v. 16)
Vou me deter um pouco mais neste verso. Creio que o centro de nossa mensagem se encontra nestas palavras do apóstolo Paulo.
Devemos ter em mente que Paulo estava combatendo as heresias gnosticas que se infiltravam na igreja de Colosso. Dentro do pensamento gnóstico toda criação é uma emanação divina. Em outras palavras, para os gnósticos, somos todos parte do divino.
A criação para eles foi acontecendo em escalas. Os primeiros anjos, seres emanados possuíam mais do fluir divino, os anjos de segundo escalão surgiram do que sobrou deste poder; depois esse poder deu origens aos seres humanos, o que sobrou deu origens a outras especies de vida, até que as últimas matérias criadas estariam tão ausentes deste poder que só lhe restaram trevas.
 Algumas criaturas possuem mais ou menos dessa emanação. Dentro dessa perspectiva os gnosticos acreditavam que no fim todos voltariam para Deus o ponto de origem da emanação. Desse pensamento temos a famosa frase: “todos os caminhos levam a Deus”.
Mais uma vez Paulo confronta os ensinos gnosticos afirmando que Cristo criou todas as coisas, elas não surgiram de uma emanação, de uma onda de poder que gradativamente foi dando origem as espécies. Paulo está dizendo que Cristo criou todas as coisas intencionalmente, tudo foi planejado, tudo veio a existir por Sua vontade.
A afirmação de Paulo também acaba com a idéia de a criação ser divina. A criação é distinta do criador; não possui natureza divina. A criação só existe porque o Criador a desejou e porque o Criador a sustenta.
Essas afirmações de Paulo aos irmãos de Colossos de que Cristo é Deus e que todas as coisas vieram a existir por sua vontade e para Ele, exige de seus ouvintes uma reflexão quanto a razão de suas vidas. Paulo aqui desafia a igreja de Colosso a perguntar para si mesma: “porque existo?” Paulo nos desafia através deste texto a refletirmos em nossa vocação. Qual é a nossa vocação? Por que existimos?
Quando falamos de vocação, estamos falando a respeito de algo que nos atrai, que nos inclina e nos dá sentindo de realização. Vocação esta ligada com algo que brota de dentro de nós naturalmente. Vocação é um clamor que brota em nosso homem interior nos conduzindo a realizarmos algo ou alguma coisa. Um grito interior que nos chama para sermos algo.
Somos vocacionados por Deus para algo ou alguma coisa?   “... fomos criados por Ele e para Ele” (Cl 1.16).  Somos vocacionados por Deus primeiramente para sermos dEle. Somos vocacionados para sermos:
·         Sua propriedade exclusiva – isto significa que Deus é Senhor de nossas vidas e que devemos viver para Ele.
·         Seus filhos -  Como filhos de Deus devemos manifestar o caráter o Pai. Como filho devemos ter as mesmas atitudes e valores do Pai.
·         Seus sacerdotes -  Deus ao nos chamar para o exercício do sacerdócio, está nos convocando a sermos mediadores do seu amor aos homens e a interceder diante dEle pelos homens.
·         Seus servos – Deus nos chama para agirmos como Jesus. Vivermos para realizarmos Sua vontade.
·         Sal – Uma das propriedades do sal é de conservação. O sal impede que o alimento apodreça. Nós devemos como sal combater o mal, impedindo seu avanço.
·         Luz – A luz traz claridade que proporciona orientação, direção. Nós somosl a luz para o mundo. Deus nos vocacionou para iluminarmos o caminho dos homens ajudando-os a verem a Cristo.

Nossa vocação primária é direcionada a Deus; portanto podemos dizer que nossa vocação primaria é glorificar a Deus. Todos nós viemos a existir para a glória de Deus, fomos criados para o seu louvor. Por isso o primeiro grande mandamento é “amaras o Senhor teu Deus de todo o seu coração, de toda sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças” (Mc 12.30).
Essa vocação primaria nos chama a um compromisso com Deus. Fomos criados para Ele, portanto, nosso viver deve ser totalmente direcionado a Deus e Sua vontade.
Não conseguiremos cumprir a razão da nossa existência e o primeiro mandamento se não nos dedicarmos a realização desse objetivo.
Assim como estava acontecendo com os irmãos de Colossos que estavam perdendo sua fé devido aos ensinos gnósticos que a sociedade dos colossenses pregavam através de seus jornais, big brother, teatros, etc., muitos hoje estão perdendo sua fé. Permintindo que seu compromisso com Deus e sua vocação que Deus os deus se torne a cada mais fraco por aceitar os ensinos da MTV, de Hollyood, das emissoras de televisão e outros.

CONCLUSÃO: A pergunta que você deve se fazer é: Quem é Cristo para você? Se a sua resposta é que Ele é Deus e Senhor de todas as coisas, então você deve responder a seguinte pergunta: Qual o seu compromisso com Ele? Quanto você tem dado de si mesmo para Deus? 

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

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