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By Ferramentas Blog

quinta-feira, 2 de junho de 2016

APOSTILA 23 - APOSTILA DE APOLOGÉTICA

TEOLOGIA SISTEMÁTICA
APOSTILA APOLOGÉTICA
Professor: Cornélio Póvoa de Oliveira
www.semeandoabiblia.blogspot.com

DATA
AULA Nº
APOLOGÉTICA

1
·             Definição
·             Base Bíblica Para a Apologética
·             Base Contextual Para a Apologética

2
·             Por que a teologia é importante para a apologética?
·             Características Que Um Apologista Deve Possuir

3
·             Vídeo: Quem precisa de apologética - William Lane Craig

4
·             Visão Histórica da Apologética
·             Apologetas

5
·             Escolas Históricas

6
·             Ateísmo: Deus Existe?

7
·             O Sofrimento e o Mal

8
·             Comunismo

9
·             Mudança de Sexo: Uma Análise Científica e Teológica

10
·             Aborto

11
·             Extras Terrestres, Existem?

12
·             Homossexualidade

13
·             O Passo de Fé: do Assentimento ao Compromisso


·             Discussão de Artigos Apresentado em aula

Resenha
CRAIG, William Lane. Apologética contemporânea: A veracidade da fé cristã, SP, Vida Nova, 2010.

Bibliografia:
CRAIG, William Lane. Apologética contemporânea: A veracidade da fé cristã, SP, Vida Nova, 2010.
CRAIG, W.L. Apologética para questões difíceis da vida, SP, Vida Nova, 2010.
CRAIG, W.L. Em Guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova, 2004.
FERNANDES, Robson T. Apologética: arte de defender a fé  
FRAME, John M. Apologética para a glória de Deus, SP, Cultura Cristã, 2010.
LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples, Editora Wmf Martins Fontes, 2009.
McGRATH, Alister. Apologética cristã no século XXI, São Paulo, Vida, 2008.
McGRATH, Alister. Apologética pura e simples, SP, Vida Nova, 2012.
PLATINGA, Alvin. Deus a liberdade e o mal, Sp, Vida Nova, 2012.
SCHAEFFER, F. O Deus que se revela. São Paulo: Cultura cristã, 2002.
TIL, Cornelius Van. Apologética cristã, SP, Cultura Cristã, 2010.
__________. Por que creio em Deus?, Brasília, Monergismo, 2012.
__________. A morte da razão. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
Vídeo: Deus Existe? William Craig
Vídeo: Quem Precisa de Apologética? William Craig
Vídeo: Homossexualismo (Drauzio Varella – youtube)
Vídeo: Entenda Melhor a Homossexualidade (youtube)



PROGRAMA DO CURSO DE APOLOGÉTICA

1. EMENTAS:
Ementa 1: Demonstrar como a Apologética serve como meio de construção, defesa, e aplicação do sistema de pensamento cristão às grandes correntes culturais e filosóficas da humanidade.

Ementa 2: Desenvolver argumentações em prol da cosmovisão cristã ante os principais ataques à fé cristã.

2. PROBLEMA GERAL:
2.1 - O que é apologética cristã?
2.2 - Quais as suas bases?
2.3 - Quais as implicações da fé para a apologética?
2.4 - Quais são as barreiras intelectuais para a fé cristã?

3. OBJETIVO GERAL:
Primeiro: Introduzir o aluno à teoria e prática da apologética reformada no cumprimento de 1 Pedro 3: 15.

Segundo: Examinar e formular as abordagens da apologética tendo em vista os desafios do atual contexto.

4. METODOLOGIA
4.1 - Aulas expositivas com recursos audiovisuais.
4.2 - Aulas debates
4.3 - Leitura complementar




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1 – Definição (Apologia)))
A palavra "apologética" vem do grego "apologia", e significa "uma defesa verbal".
O termo é utilizado 8 (oito) vezes no Novo Testamento: At 22:1; 25:16; 1 Co 9:3; 2 Co 7:11; Fl 1:7,17; 2 Tm 4:16; 1 Pe 3:15.
A Apologética é a parte da Teologia que se encarrega de apresentar uma defesa da Bíblia contra toda e qualquer contestação que possa surgir por parte de qualquer pessoa. Nessa defesa pode-se incluir as ciências como: Arqueologia, Paleontologia, Biologia, Filosofia, Matemática, Física, Química...

A Apologética pode ser feita de forma Ofensiva e Defensiva.
·      A apologética Ofensiva é a que busca aqueles que se opõem a doutrina bíblica e lhes questiona, através de perguntas e problemas propostos, bem como apresenta soluções.
·      A apologética Defensiva é aquela que apresenta respostas àqueles que vêm em busca do debate.

A apologética pode, ainda, ser: Evidencial ou Pressuposicional.
·      A apologética evidencial é aquela que apresenta evidências para o que é afirmado na Escritura Sagrada, como: Profecias cumpridas, Manuscritos bíblicos, Comprovações históricas etc.
·      A apologética Pressuposicional é aquela que aborda as argumentações
levantadas pelos que discordam do ensino bíblico.

Acreditamos que a boa apologética é aquela que consegue englobar todas essas áreas de conhecimento de acordo com as necessidades, aplicando-as apropriadamente, com mansidão, temor e amor por aqueles que estão vivendo no engano.
É preciso entender que a finalidade da apologética não é apenas mostrar o erro dos céticos e hereges, mas trazê-los para a Luz de Cristo para que assim sejam salvos.

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2 – Bases Bíblicas Para a Apologética
A apologética, arte de se defender a fé, não é uma ferramenta exclusiva daquele que deseja desenvolver um ministério voltado para a defesa da fé. Não! A apologética é uma obrigação de todo crente que professa uma fé genuína em Jesus Cristo.

2.1 – Judas
O penúltimo livro da Bíblia, que é uma das menores cartas do Novo Testamento, escrita por Judas, oferece-nos suficientes sub­sídios que bem explica a necessidade e urgência do Curso de Apologética Cristã.

(3) Amados, quando empregava toda diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.
(4) Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação os quais desde muito foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo (Jd 3, 4).

Vivemos em um momento onde falsos ensinos tentam se infiltrar em nosso meio a pretexto de modernidade e estratégia evangelística, todavia, sabemos que, es­tão infectados com vírus da falsa doutrina, que conduz à confusão, desgaste e finalmente, à perdição.
A exemplo dos gnósticos da época dos apóstolos primitivos que perturbavam a Igreja com seus ensinos, entre eles que a salvação que é pela graça, permitia a pessoa viver desordenadamente, que o mal estava na carne e não no espírito.
Eles ensinavam e faziam questão que suas doutrinas fossem acatadas no seio da Igreja, tal era o ardor com que defendiam seus argumentos antibíblicos que Judas desafiou seus leitores a partirem para a "ba­talha da fé", com a mesma veemência, inflamada pelo zelo do Espí­rito.
Foi assim que a mensagem desta epístola veio para refutar o erro que sutilmente levava as igrejas gentílicas, sob a desculpa de livre graça de Deus, a tolerarem concupiscências, imoralidades pagãs e todos os ensinamentos que lançavam dúvidas sobre a graça de Deus, manifestada entre nós.

2.2 – Paulo
Com uma visão bem apurada, o apóstolo Paulo também denunciou abertamente a atuação dos homens que se infiltravam na igreja com o fim de distorcerem a verdade de Deus.

Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutri­nas de demônios (1 Timóteo 4.1).

E apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela
(Tito 1.9).

O apóstolo Paulo por várias vezes realizou apologias. Vejamos:
E, tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? (At 17.19).

De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam (At 17.17).

Ele discutia todos os sábados na sinagoga, e persuadia a judeus e gregos (At 18.4).

E eles chegaram a Éfeso, onde Paulo os deixou; e tendo entrado na sinagoga, discutia com os judeus (At 18.19).

Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano (At 19.9).

2.3 – Pedro
E estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós (1Pe 3.15).

2.4 – Em Que Circunstâncias os Apóstolos Faziam Defesas da Fé?
·      Quando eram confrontados por Judaizantes.
·      Quando a doutrina ensinada era distorcida.
·      Quando precisavam comprovar relatos milagrosos como a ressurreição de
Cristo.
·      Quando precisavam demonstrar que o novo regime implantado por Cristo era
superior ao antigo regime (o regime da lei)
·      Para responderem a seguinte questão: "Porque você é cristão?"

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3 – Bases Contextuais Para a Apologética Em Nossos Dias
Vivemos em um período onde a intelectualidade tem sido relegada por muitos. Pensar tem sido algo desprezado uma vez que nossa sociedade pluralista não admite verdades absolutas. Então porque estudar na busca da verdade se no final tudo é relativo, assim pensam muitos.
Diante deste quadro a educação deixou de ser vista como um meio para buscar a verdade e se tornou uma ferramenta para adquirir o conhecimento necessário para enriquecer e alcançar poder e fama.
Como se porta o cristão diante este mundo pluralista? O cristianismo possui uma mensagem altamente relevante para esse mundo pós-moderno, onde a relatividade produz pessoas cada vez mais voláteis. O cristão possuí o conhecimento da verdade, portanto não pode ter apatia pela verdade. A verdade que o cristão possui o convoca a se posicionar diante uma sociedade que afirma não haver verdade. Este não pode se esconder, assim como deve ser tolerante com aquele que não conhece a verdade.
Contudo a igreja de Jesus parece ter se escondido do mundo. Não ouvimos falar em grandes teólogos, filósofos, sociólogos, etc. nos grandes meios acadêmicos. Essa falta de homens e mulheres cristãos nos meios acadêmicos tem colaborado para a construção de uma sociedade descrente da verdade e distante dos princípios de Deus.
Se desejamos influenciar toda sociedade, ao nosso redor, precisamos entrar nos meios acadêmicos, nas escolas e universidades, pois necessitamos construir uma cosmovisão bíblica que alcance toda sociedade, para que nosso evangelho seja relevante e penetrante na mesma.
Diante deste fato nossa tarefa como cristão consiste tanto na evangelização para salvar a alma, mas também numa evangelização com o fim de salvar a mente, isto é, levar pessoas a se converterem espiritualmente e intelectualmente.
Por que isso é importante? Porque o evangelho nunca é ouvido no isolamento. Ele será sempre ouvido a partir do pano de fundo do ambiente cultural em que nós vivemos.
Quanto mais nos distanciamos do mundo intelectual, acadêmico, mais difícil se tornará o trabalho de evangelização. Precisamos invadir o mundo com inteligência e ousadia. Precisamos sair de nossos guetos, de nossa subcultura evangélica. Publicamos livros para evangélicos, pregamos para evangélicos, ajudamos evangélicos, visitamos evangélicos, vivemos dentro das igrejas (templos) nosso cristianismo.
Somos desafiados a defender nossa fé diante uma sociedade pluralista, que busca uma razão bem fundamentada para crer. Ao mesmo tempo somos desafiados a responder sobre nossa fé a uma variedade de seitas e falsas doutrinas que surgiram e continuam surgindo através de diversas teologias distorcidas.
Precisamos responder a diversas perguntas que a sociedade nos faz hoje: Qual o modelo bíblico de família? Homens e mulheres qual seu papel na família? Pode o ser humano escolher o sexo que deseja ter? Como devemos lidar com os refugiados? Qual o papel do homem na sociedade e na família? Clonagem humana é licito? Qual a responsabilidade do homem com a criação? De onde veio o homem? Como o mundo se formou? Como surgiu o mal? O marxismo e a bíblia? O feminismo e a bíblia? Por que Deus não responde algumas orações se, Jesus, promete nos dar tudo o que pedirmos em seu nome?
Muitos pais assistem seus filhos perderem a fé porque não encontram na igreja e nem em seus líderes respostas às suas perguntas.
Através da apologética esperamos despertar o interesse na busca de respostas bem fundamentadas na Palavra de Deus com o fim de trazer as pessoas ao caminho certo de Deus.
A apologética cristã eficaz tem como objetivo localizar os melhores pontos para a construção de pontes entre o Evangelho e os incrédulos, com a convicção de que Deus já lançou os fundamentos para essas pontes[1].
“Uma fé infantil é uma fé não refletida, imatura, e tal fé não nos é recomendada. Pelo contrário, Paulo diz: “não sejais como crianças no entendimento. Quanto ao mal, contudo, sede como criancinhas, mas adultos quanto ao entendimento (1 Co 14.20)”[2].

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4 – Por que a teologia é importante para a apologética?
Razões porque a teologia é essencial para a boa apologética:
·      Fornece uma série de crenças e doutrinas que contribuem para detectar as fragilidades de outras cosmovisões e identificar os pontos fortes da proclamação cristã;
·      Fornece uma estrutura analítica para lidar com qualquer problema que tiver a mão, produzindo assim uma mensagem cristã orientada-ao-receptor. A análise teológica identifica as possibilidades apologéticas, os pontos de contato.

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5 – Características Que Um Apologista Deve Possuir
“Diante do exposto, entendemos que é essencial abandonar a mentira e realizar um esforço pra sempre se falar a verdade. Por essa razão o debate entre os ensinos religiosos deve ser incentivado, para que se possa analisar os ensinos a luz da verdade, todavia, esses debates têm que seguir certos padrões de realização para que possam ter um fim proveitoso.
Em primeiro lugar, é necessário possuir o domínio próprio, para que não haja desrespeitos, tendo sempre em mente o compromisso com a verdadeira justiça e santidade, ou seja, a separação do pecado para que se realize tudo com retidão.
Em segundo lugar, deve ser dedicado ao estudo das Escrituras para poder responder a altura àqueles que questionam acerca de nossa fé. Muitas pessoas tem se deixado levar pelo engodo das seitas, e por isso precisamos desprender um esforço para que sempre sejam realizados atos de bondade, com a finalidade de auxiliar aqueles que precisam.
Em terceiro lugar, é necessário falar a verdade sem imposições, manipulações, agressões e desprezos. Devemos fazer todas as coisas que estão ao nosso alcance para ajudar na edificação do outros, contudo, ajudar na edificação não significa massagear egos, e muito menos concordar com os erros para sermos aceitos e agradáveis.
Talvez, por causa da falta dessas características muitas pessoas têm se posicionado contra os debates que envolvem o tema religiões. Provavelmente pela falta de domínio próprio daqueles que participam dessas discussões.
Encontramos, diferentemente do que muitos afirmam o respaldo bíblico para a realização de tais ações, pois entendemos que a exemplo do apóstolo Paulo o crente deve estar perfeitamente habilitado para toda boa obra, bem como para responder aos questionamentos que nos são lançados, e para isso deve-se dedicar bastante tempo para o estudo e para a oração particular.
A Bíblia nos orienta que devemos nos afastar daquelas pessoas que só procuram debates como pretextos de brigas e confusões:

Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles (Rm 16:17).

O apóstolo Paulo é um dos maiores exemplos de um crente que buscava ser instrumento de Deus para resgate de vidas. Ele estava todos os dias nas praças das cidades para debater com os filósofos, no areópago, nos auditórios... e todos os sábados nas sinagogas para debater com os judeus acerca das Escrituras”[3].

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6 – Visão Histórica da Apologética
Deve-se entender desde o princípio que a apologética necessariamente envolve o investigador na filosofia, seja ela formal e erudita ou popular e individualista. Assim é que, quando alguém começa a apresentar um argumento baseado em raciocínio, já está falando como um filósofo; quer queira quer não.
Podemos dizer que ao fazer apologia o individuo está fazendo filosofia. A filosofia busca respostas para diversas perguntas, levando o homem a refletir sobre diversos temas. A apologia busca responder a diversas perguntas sobre relacionadas a fé, levando os cristãos a refletirem sobre diversos temas. Quanto mais uma pessoa distanciar-se da filosofia, menos valor dará à apologética, como uma atividade legitima para os cristãos.



6.1 - Tertuliano
Tertuliano conhecia a filosofia, e usava argumentos filosóficos contra os filósofos incrédulos. Portanto, ele era um filósofo que argumentava contra a filosofia.
Ele supunha que a filosofia é produto da mente pagã, e consequentemente, inútil para defender a fé cristã. Isso equivale a ignorar: a base bíblica da apologética e que não há razão pela qual não possa haver uma atividade filosófica cristã.
Se a razão vem da parte de Deus, e se alguém a usa de maneira sistemática, já estará agindo como um filósofo, utilizando-se de um dom divinamente outorgado. Podemos evitar os abusos. Houve pais latinos, como Arnóbio, Lactâncio e outros que seguiram a idéia de Tertuliano.

6.2 – Os Pais da Igreja Alexandrinos
Clemente, Orígenes, etc. Usavam proposital e habilidosamente a filosofia platônica[4] e estóica[5] para dar à fé cristã uma expressão filosófica. A filosofia pode aguçar os conceitos teológicos. Qualquer pessoa que tenha estudado Filosofia pode usá-la para definir, aclarar e aprimorar seus conhecimentos teológicos. Um teólogo que tenha estudado filosofia pode tornar-se um melhor teólogo.

6.3 – Agostinho (354-430 d.C.)
Este ensinava que a filosofia é uma criada útil que pode ser empregada em favor da fé religiosa, esclarecendo-a e defendendo-a.
Agostinho de Hipona, conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e filosofia ocidental.
Ele era o bispo de Hipona, uma cidade na província romana da África. Escrevendo na era patrística, ele é amplamente considerado como sendo o mais importante dos Padres da Igreja no ocidente. Suas obras-primas são "A Cidade de Deus" e "Confissões", ambas ainda muito estudadas atualmente.

6.4 – Tomás de Aquino (1225-1274 d.C.)
Tomás de Aquino foi um apologista refinado. Sua obra Summa contra Gentiles[6] defendeu a fé cristã contra a maneira materialista e não-espiritual como certos filósofos árabes (como Averróis), utilizavam a filosofia de Aristóteles. A apologética de Tomás de Aquino foi tão bem-sucedida que se transformou em uma força dominante durante séculos, na Igreja ocidental.

6.5 – Apologetas Modernos
Os ataques desfechados por deístas e racionalistas contra a fé cristã produziram apologetas modernos como;
·      Joseph Butler (1692-1752 d.C.) – Bispo da Igreja anglicana. Sua famosa obra, Analogia da Religião, é uma obra apologética.
·      Karl Barth (1886-11968 d.C.) – Karl Barth[7] e sua escola (início e meados do século XX) tomaram uma posição negativa em relação à apologética, argumentando que tal atividade reflete uma espécie de “falta de fé”, porquanto a fé não requereria defesa, por não estar alicerçada sobre a razão humana e a filosofia. Porém, ao expressar-se assim, Barth fazia a apologia de seu ponto de vista particular do conhecimento e da fé. Muitas pessoas, outrossim, não tinham certeza se a fé de Barth era adequada, ou representasse qualquer acúmulo considerável de verdade, pelo que se tornou necessária toda a forma de atividade apologética para esclarecer as coisas.
·      Rudolf Bultmann[8] (1884-1976 d.C.) – Resolveu redefinir a kerigma (pregação) do Novo Testamento, erigindo uma apologética elaborada a fim de levar avante o seu propósito. Alguns pensam que ele chegou a ponto de querer satisfazer todas as categorias do pensamento moderno, assim debilitando a mensagem que vem mediante a revelação, ao admitir dúvidas demais e ao promover revisões evidentemente desnecessárias.

Quando a Igreja enfrenta os ataques dos ateus, dos agnósticos, dos empiristas radicais, dos positivistas, dos relativistas, então torna-se mister que a apologética continue sendo considerada um ramo da teologia cristã. Nunca é bastante dizer “fé somente”, porque a própria fé é definida por uma atividade apologética, consciente ou inconscientemente.

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7 – Apologetas
O termo é usado para falar sobre aqueles pais da igreja cujas obras tiveram o intuito de defender a fé e a Igreja cristã contra os ataques. Esses ataques eram lançados pelo judaísmo, pelo paganismo, pelo estado, e também pela filosofia grega de várias escolas. Como é óbvio, muitos cristãos subsequentes e contemporâneos podem ser chamados de apologetas. Mas, quando usamos as palavras “os apologetas”, estas indicam os primeiros pais da Igreja que se atarefaram nessa atividade.

·     - Temos a pregação de Pedro, proveniente do século II d.C., de autor desconhecido, que defendeu o cristianismo diante do judaísmo e do paganismo. Teve larga distribuição e tornou-se parte do livro de Aristides (que descrevemos abaixo). Nesse livro, os crentes são denominados “terceira raça”. Mas foram preservados apenas alguns fragmentos.

·     - Mais ou menos da mesma época, temos o livro chamado Quadratus, escrito em defesa do cristianismo contra os abusos do estado romano. Foi apresentado ao imperador Adriano, na esperança de obter melhor tratamento para os cristãos, por parte das autoridades romanas. O livro foi escrito em Atenas, cerca de 125 d.C. Apenas uma sentença do mesmo foi preservada para nós.

·     - Aristides defendeu o cristianismo contra o paganismo. Ele era ateniense e escreveu em cerca de 147 d.C. Sua apologia foi endereçada ao imperador Antônio. A “raça” cristã é ali chamada de raça superior e digna de tratamento humanitário. A obra desapareceu, excetuando uma tradução siríaca e uma reprodução livre, no grego, no romance medieval de Barlaã e Joasafe. A obra ataca as formas de adoração entre os caldeus, os gregos, os egípcios e os judeus, exaltando o cristianismo acima dessas formas, tanto quanto à própria adoração quanto à moral.

·     - Justino Mártir. Sua apologia (escrita cerca de 150 d.C.) foi endereçada a Adriano e a Marco Aurélio. Tomava a posição de que a filosofia grega, apesar de útil, era incompleta, e que esse produto não terminado é aperfeiçoado e suplantado em Cristo e Sua revelação. Para Justino, o cristianismo era a verdadeira filosofia. A filosofia grega era encarada sob a mesma luz que a lei judaica - precursora de algo superior.

·     - Aristo, meados do século II d.C., de Pela, na Peréia, escreveu um livro que não chegou até nós, mas que, de acordo com Orígenes, mostrava que as profecias judaicas cumpriram-se em Jesus. Justino fez uso dessa apologia em sua obra.

·      - Atenágoras, fins do século II d.C., escreveu contra o paganismo, o estado romano e a filosofia grega. Endereçou seu livro a Marco Aurélio, esperando poder melhorar o tratamento conferido aos cristãos. Essa obra incluía argumentos em prol da ressurreição dos mortos.

·     - Taciano, discípulo de Justino Mártir, exibiu considerável antagonismo contra a filosofia grega, em seus argumentos em prol da superioridade do cristianismo.

·      - Teófilo de Antioquia, que escreveu um pouco mais tarde, seguiu o caminho trilhado por Taciano.

·     - Minúcio Félix (fins do século II ou começo do século III d.C.), em contraste com Taciano, procurou demonstrar que os cristãos são os melhores filósofos; quando os filósofos são bons, parecem-se mais com os cristãos.

·          - Tertuliano (falecido no século III d.C.) atacou a filosofia com argumentos filosóficos, e os filósofos nunca o perdoaram por esse motivo. Ele atacou a substância e o espírito da filosofia grega, bem como o gnosticismo e o paganismo em geral. Considerava a filosofia produto da mente pagã, julgando-a inútil como apoio à fé. Exaltava a fé na revelação, mas falhou quando não percebeu que a fé e a filosofia devem ser sujeitas à pesquisa da razão, a fim de que o falso seja separado do verdadeiro, e que o verdadeiro seja mais bem compreendido.

·          - Irineu, bem como seu discípulo, Hipólito, defendeu o cristianismo contra os gnósticos, muito poderosos na sua época. Sua obra principal nessa linha foi Contra as Heresias (cerca de 180 d.C.). O original grego se perdeu, excetuando fragmentos, preservados nos escritos de Hipólito, Eusébio e Epifânio. Todavia, a obra foi preservada inteira em uma tradução latina. Trata-se da mais completa declaração acerca das fantasias gnósticas. Sua exposição pode ser chamada de primeira exposição sistemática das crenças cristãs. Irineu foi um dos mais influentes cristãos da Igreja antenicena.

·          - Arnóbio (300 d.C.) tinha a filosofia e a razão humana em baixo conceito. Atacou a idéia platônica da preexistência da alma e defendeu o criacionismo (ver o artigo a respeito). Sua obra principal é Adversus Gentes.

·          - Lactâncio e Eusébio de Cesárea (III e IV séculos da era cristã) deram continuação à tradição apologética, exaltando o cristianismo em face do paganismo e do judaísmo. Eusébio foi um origenista da segunda geração, decidido aderente da teologia filosófica do Logos, embora tivesse várias ideias não-ortodoxas acerca da divindade de Cristo. Sua principal contribuição é a sua História Eclesiástica. Suas obras apologéticas, embora de menor valor, encontraram lugar na história literária cristã. (B C E EP P).

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8 – Escolas Históricas
No decurso da história cristã, a apologética tem adotado vários estilos. Poderíamos dividi-los em duas classes gerais: a subjetiva e a objetiva.

8.1 – A Escola Subjetiva
Esta inclui grandes pensadores tais como: Lutero, Pascal, Lessing, Kierkgaard, Brunner e Barth. Geralmente expressam a dúvida de que o descrente possa ser “levado a crer através de argumentos”. Ressaltam a experiência pessoal impar da graça, o encontro interior e subjetivo com Deus. Tais pensadores raramente têm reverente temor da sabedoria humana. Mas, pelo contrário, de modo geral rejeitam a filosofia tradicional e a lógica clássica e ressaltam o transracional e o paradoxal. Pouco lhes importa a teologia natural e as provas teístas, principalmente porque sentem que o pecado cegou de tal maneira os olhos do homem que o seu raciocínio não pode funcionar de modo apropriado. Segundo a metáfora de Lutero, a razão é uma meretriz.
Pensadores da escola subjetiva apreciam fortemente o problema da averiguação. Lessing falou em nome de muitos deles quando ressaltou que “as verdades acidentais da história nunca poderão se tornar à prova de verdades necessárias da razão”. O problema de se passar de fatos contingentes (isto é, possivelmente falsos) da história para a certeza religiosa interior profunda tem sido chamado “o fosso de Lessing”.
Kierkegaard queixou-se de que a verdade histórica é incomparável a uma decisão eterna, apaixonada. A passagem da história para a certeza religiosa é um “salto” de uma dimensão para outro tipo de realidade. Disse que toda a apologética tem a simples intenção de tornar plausível o cristianismo. Mas tais provas são vãs porque “defender alguma coisa sempre é desacreditá-la”.
Mesmo assim, apesar de todo o seu anti-intelectualíssimo, Kierkegaard ainda tinha um tipo de apologética para o cristianismo, defesa esta que foi desenvolvida por estranho que pareça do próprio absurdo da afirmação cristã.
O próprio fato de que alguma pessoa ter crido que Deus apareceu na terra na figura humilde de um homem é tão estarrecedor que fornece uma ocasião para outras pessoas compartilharem da fé. Nenhum outro movimento já sugeriu que baseamos a felicidade dos seres humanos no seu relacionamento com um evento que ocorreu na história. Kierkegaard acha, portanto, que semelhante idéia “não subiu ao coração de homem algum”.
Até mesmo Pascal que desconsiderava as provas metafísicas da existência da Deus e preferia as “razões do coração”, chegou por fim, a fazer uma defesa interessante da fé cristã. Nas suas “Pensées” recomendou a religião bíblica por ter ela um conceito profundo da natureza do homem. A maioria das religiões e filosofias ou ratifica o orgulho estulto do homem, ou o condena ao desespero. Somente o cristianismo estabelece a verdadeira grandeza do homem através da doutrina da imagem de Deus, ao passo que, ao mesmo tempo, explica suas presentes tendências malignas através da doutrina da queda.
E somos informados de que, a despeito do Nein; enérgico proferido por ele, há uma apologética adormecida debaixo de milhões de palavras na obra Church Dogmatics (“Dogmática Eclesiástica”) de Karl Barth.


8.2 – A Escola Objetiva
Esta coloca o problema da averiguação claramente no âmbito dos fatos objetivos. Enfatiza as realidades externas, as provas teístas, os milagres, as profecias, a Bíblia e a pessoa de Jesus Cristo. Existe, no entanto, uma distinção crucial entre duas escolas dentro do campo objetivista.

8.2.1 – A Escola da Teologia Natural
Entre todos os grupos, este adota a visão mais animada da razão humana. Inclui pensadores tais como Tomás de Aquino, Joseph Butler. F. R. Tennant, e William Paley. Por trás de todos estes pensadores há uma tradição empírica na filosofia que remonta até Aristóteles. Tais pensadores crêem no pecado original, mas raras vezes questionam a competência básica da razão na filosofia. É possível que o raciocínio tenha sido enfraquecido pela queda, mas, por certo, não foi gravemente aleijado.
Aquino procurava pontos de concordância entre a filosofia e a religião, insistindo em que a existência de Deus podia ser demonstrada pela razão, mas que também era revelada nas Escrituras. Empregava nas suas provas da existência de Deus, três versões do argumento cosmológico e o argumento teleológico.
Na sua Analogy of Religion (“Analogia da Religião”) [1736], Butler usou a abordagem tomista básica, mas a diluiu um pouco com sua ênfase na probabilidade.,“o próprio guia da vida”. Desta maneira, desenvolveu uma epistemologia muito próxima da atitude pragmática do cientista. Butler argumentou que a clareza geométrica tem pouco lugar nas esferas da moral e da religião. Se alguém ficar ofendido pela ênfase dada à probabilidade, que simplesmente reflita no fato de que a maior parte da vida é baseada nela. O homem raramente lida com verdades absolutas e demonstrativas.
Apologistas desta escola sempre têm uma abordagem ingênua e simplista às evidências a favor do cristianismo. Acham que uma apresentação simples e direta dos fatos (milagres, profecias) bastará para persuadir o descrente.

8.2.2 – A Escola da Revelação
Esta inclui gigantes da fé, tais como Agostinho, Calvino, Abraão Kuyper e E. J. Carnell. Estes pensadores geralmente reconhecem que as evidências objetivas (os milagres, as provas da existência de Deus, as profecias) são importantes na tarefa apologética, mas insistem em que o homem não-regenerado não pode ser convertido meramente pelo fato de ser exposto às provas, porque o pecado enfraqueceu gravemente o raciocínio humano. Será necessário um ato especial do Espírito Santo para permitir que as evidências sejam eficazes.
Não se deve tirar desta idéia a conclusão de que a escola da revelação considera sem valor as evidências externas. Pelo contrário, a obra do Espírito pressupõe a Bíblia e o Jesus Cristo histórico, ambos externos. Embora a fé seja, em grande medida, algo criado pelo Espírito Santo, permanece a verdade de que não se pode tê-la à parte dos fatos. Resumindo: o Espírito Santo é a causa suficiente da fé, ao passo que os fatos são uma causa necessária da fé.
A escola da revelação, portanto, extrai sua percepção tanto da escola subjetiva quanto da escola da teologia natural. Da primeira, adquirem uma desconfiança da razão não regenerada, e da segunda, uma apreciação apropriada do papel dos fatos na fé cristã. Conforme disse Lutero: “Antes da fé e do conhecimento de Deus, a razão é trevas, mas nos crentes é um instrumento excelente. Assim como todos os dons e os instrumentos da natureza são maus nos ímpios, assim também são bons nos crentes”.
Por estranho que pareça, as duas escolas objetivistas usam o mesmo corpo de evidências quando praticam a apologética, simplesmente têm diferenças de opiniões sobre como e quando as provas convencem o descrente. No decurso dos séculos, apologistas cristãos da escola objetivista têm usado um vasto material:

            1) Provas teístas: os argumentos ontológico, cosmológico, teleológico e moral.
            2) Profecias do A.T.: predições a respeito do Messias judeu cumpridas em Cristo, tais como Is 9.6; Mq 5.1-3; e Zc 9.9-10.
            3) Milagres bíblicos: sinais do poder de Deus que ocorrem em agrupamentos grandes nas Escrituras, sendo que os dois maiores se centralizam no Êxodo e na vinda de Cristo.
            4) A pessoa de Cristo: a personalidade e caráter incomparáveis de Cristo, ilustrados por Seu amor e solicitude por pessoas de todos os tipos, especialmente os proscritos.
            5) Os ensinos de Cristo: a doutrina sem igual, os belos ditos e parábolas de Jesus.
            6) A ressurreição de Cristo: o maior milagre das Escrituras, o alicerce de todo o edifício da apologética.
            7) A história da cristandade: a influência benigna da fé cristã sobre a raça humana.

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9 – ATEÍSMO: Deus Existe?
O ateísmo é um movimento que tem crescido nas últimas décadas, segundo o IBGE. Tal movimento se divide em ateus práticos (não apresentam nenhum tipo de religiosidade), ateus teóricos (se preparam filosoficamente), e os ateus militantes (propagam a “fé” ateia).
A afirmação de que não existem evidências científicas para se provar a existência de Deus, tem se tornado o argumento mais freqüente dos ateus, porém, esses deveriam saber que, semelhantemente, não existem provas científicas para a não existência de Deus.
Todas as evidências científicas apontam para a existência de um Criador. Por isso, tantos cientistas na atualidade têm abandonado o ateísmo para se converterem a Cristo e adotarem o Criacionismo.
Vamos responder a pergunta Deus existe considerando a teoria dos Pontos de Contato, de Alister Mc Grath. Para isso partiremos do pondo de contato de nossa identidade e potencial como seres humanos. Vejamos como a teoria do ponto de contato pode ser aplicada.
Primeiramente verificaremos que existe uma ponte deixada por Deus na criação. Todo ser humano sente necessidade por Deus, embora alguns relutem em afirmar que Ele não existe.

9.1. Uma sensação de desejo não satisfeito (Primeiro ponto de contato).
Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também colocou no coração do homem o desejo profundo pela eternidade; contudo, o ser humano não consegue perceber completamente o que Deus realizou (Ec 3.11).
Deus deixou no homem um buraco a ser preenchido. Este buraco somente Deus pode preenchê-lo.
Por sermos imagem e semelhança de Deus, temos uma capacidade ou uma necessidade interna de nos relacionarmos com Deus.

Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? (Salmos 42:1-2).

Buscar a plenitude nesse relacionamento significa a realização pessoal. Deixar de construir esse relacionamento significa falhar como ser humano. Por sermos pecadores, não podemos satisfazer esse desejo por nossa própria conta. O pecado faz com que busquemos as coisas criadas para a nossa realização plena, como substitutas de Deus. No entanto, elas não satisfazem. A satisfação deve vir por algo pessoal, mas que é transcendente ao homem. Mesmo no céu, na companhia de outros seres humanos, eles não lhe dariam a satisfação plena. Ainda faltaria algo. Esse algo é Deus.
O Trabalho do Apologista: a) Interpretar o sentimento vago de insatisfação pessoal como um anseio por Deus; b) Conduzir as pessoas à experiência com Deus.

Ilustrações: A fome e a sede apontam para a existência da comida e da bebida suficientes para a satisfação daqueles desejos. O desejo sexual aponta para a existência do relacionamento conjugal para satisfazê-lo. Notamos esses paralelos no Sl 42:1-2. Do mesmo modo, a fome por Deus aponta para a existência de Deus. Negar a necessidade de Deus é o mesmo que negar a fome ou a sede. Mas o homem pode morrer de fome e sede, num barco a deriva no meio do oceano. O homem pode amar uma mulher, mas nunca conquistá-la, e morrer solteiro. O ser humano pode também desejar a presença de Deus, mas nunca obtê-la.

9.2 – A Racionalidade Humana na Busca Por Deus (Segundo ponto de contato).
Há uma correspondência entre a racionalidade presente em nossa mente e a racionalidade ou ordenamento que observamos no universo. Tal consideração aponta para a ideia de um mesmo Criador ter projetado tanto o mundo quanto a mente humana.
As 5 Vias de Tomás de Aquino (século XIII) são argumentos que procuram mostrar que a fé [cristã] em Deus é totalmente coerente com o mundo tal como o conhecemos. Uma forma de Aquino demonstrar que a razão, embora não prove a existência de Deus, ela aponta para Deus.
1ª via – parte dos sentidos: O mundo é dinâmico. Para cada movimento existe um movedor, que por sua vez teve um movedor anterior. O movedor não-movido, único e primeiro, que desencadeou todas os outros movimentos é Deus.
Consideremos aqui movimento toda e qualquer transformação, mutação ou mudança. Conseguimos perceber no mundo o movimento de algumas coisas, sendo esta premissa facilmente constatável pela nossa sensibilidade.
2ª via – causa eficiente: O mundo é resultado de vários efeitos, produzidos pelas suas causas eficientes, e cuja causa primária é Deus, que é a Causa não-causada. Causa eficiente tem por definição algo produzir outro algo – e no mundo conseguimos observar uma ordem de causas eficientes e seus efeitos como bem aponta a premissa.
3ª via – contigência: Os seres existentes no mundo são contingentes, ou seja, a existência não é necessariamente obrigatória, mas que são efeitos de uma causa obrigatória ou um ser necessário, que é Deus.
No mundo podemos constatar as coisas contingentes, pois elas poderiam ser ou não ser/existir ou não existir. Computadores por exemplo não existiam no passado, mas agora existem. O ser humano pode facilmente estar dentro da categoria dos contingentes: uma hora existimos e numa outra hora não mais. Se toda sorte de coisa é contingente, então em algum momento essas deixarão de existir. Devido ao absurdo dessa consideração, é preciso de alguma coisa que seja necessária para dar origem aos contingentes.
4ª via – graus de perfeição: Os valores humanos, como verdade, bondade e dignidade são apenas reflexos de algo ou alguém que possua esses valores em si mesmo. Esta quarta via fala sobre a existência de um ser máximo na qual todos os seres presentes no mundo participam no mesmo com Ele em diferentes graus de perfeição. 
5ª via – do finalismo (finalidade): O mundo aparenta ter sido projetado de forma inteligente e visando determinados propósitos. Esse ordenamento natural deve ser atribuído a Deus.
Tomás de Aquino conclui que é racional crer em Deus. É a razão como ponto de contato importante para o Evangelho. Com o pecado, a racionalidade foi corrompida, fazendo com que o homem aceite exclusivamente a razão para a compreensão do mundo, sem admitir a transcendência.

9.3 – A Moralidade Humana (Terceiro ponto de contato)
A maioria das pessoas tem um senso de obrigação moral ou pelo menos a consciência da necessidade de algum tipo de acordo em torno da questão moral. Percebemos nos argumentos do cotidiano que existe a consciência de um padrão moral. Ex.: “Esse lugar é meu, eu cheguei primeiro”; “Você gostaria que alguém fizesse o mesmo a você?”; “Deixe-o em paz, ele não está incomodando você”.
As discussões existem exatamente porque há um determinado tipo de acordo sobre o que é certo e errado. O “dilema de Eutífon[9]”, com o seu argumento de que Deus é totalmente irrelevante para a ética, pode ser resolvido com a doutrina cristã da criação, que nos mostra que a natureza humana traz consigo o selo moral da divindade.
Obs.: Corresponde a 4ª via de Tomás de Aquino – graus de perfeição

9.4 – Consciência de finitude e de mortalidade (Quarto ponto de contato)
O homem não consegue escapar da angústia pela certeza de que vai morrer. O desejo de ser imortal serve como ponte para Deus e para a doutrina da redenção. A angústia então revela a nossa situação como seres decaídos e a possibilidade de redenção.
Obs.: Corresponde a 3ª via de Tomás de Aquino – contigência

9.5 – Angústia existencial e alienação (Quinto ponto de contato)
O tipo de angústia pela ameaça de ser perder no oceano da impessoalidade, de não se realizar ou não se destacar na existência. Essa angústia pode ser aliviada pelo encontro com o Deus da Bíblia.
            Obs.: Corresponde a 5ª via de Tomás de Aquino – do finalismo

9.6 – O ordenamento do mundo (Sexto ponto de contato)
O universo possui um equilíbrio intrincado, necessário à sua formação e existência, que lança os fundamentos da fé cristã em Deus.
Obs.: Corresponde a 1ª via de Tomás de Aquino – parte dos sentidos

9.7 – Profecias Bíblicas (Sétimo ponto de contato)
A Bíblia possui 985 profecias que alguns julgam se tratar de “coincidências”, das quais 573 estão no Antigo Testamento e 412 no Novo Testamento.
Dessas 985 “coincidências” mais de 500 já aconteceram, por “coincidência” exatamente como estavam escritas, “coincidentemente” cumprindo datas, locais, contextos e personagens.
Quando Jesus Cristo estava pregado numa cruz por causa dos pecados da humanidade, 30 “coincidências” aconteceram num período de 6 horas – das 09:00h às 15:00h.

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10 – O Sofrimento e o Mal
(FERNANDES, Robson T. Apologética: arte de defender a fé – pgs. 8-10)

Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas (Is 45:7).

Precisamos reconhecer que é difícil aceitar que existe um Deus todo-poderoso e todo-amoroso, e que permite tanta dor e sofrimento no mundo.
Se Deus é bom, por que Ele criou o mal ou permitiu a existência do mal?
Se Deus é bom, por que Ele permite que exista o sofrimento?
Essas são algumas das perguntas muito freqüentes que são feitas com relação ao problema do mal. Muitos questionam a atitude de Deus com relação a Sua criação.
Temos aqui dois problemas:
1.    Problema do mal intelectual – diz respeito a como dar uma explicação racional de Deus e do mal. Neste ponto estamos na alçada do filósofo.
2.    Problema emocional causado pelo mal – diz respeito a como confortar ou consolar aqueles que estão sofrendo. Neste ponto estamos na alçada do conselheiro.

William Lane Craig, em seu livro Apologética Para Questões Difíceis da Vida, apresenta quatro doutrinas cristãs que demonstra que Deus e o mal podem existir simultaneamente, isto é, um não anula a existência do outro.  São as seguintes:

·      O propósito principal da vida não é a felicidade, mas o conhecimento de Deus – Por causa do alvo supremo de Deus para a humanidade ser o nosso conhecimento o mal pode ser apenas um instrumento para conhecermos melhor a Deus.
·      A raça humana está no estado de rebelião contra Deus e seu propósito – Em vez de se submeterem a Deus e adorá-lo, as pessoas se rebelam contra Deus e seguem seus próprios caminhos. Assim, veem-se alienados de Deus, moralmente culpados diante dele, andando na escuridão espiritual, buscando falsos deuses e dessa forma se ferindo e ferindo o mundo onde vivem.
·      O proposito de Deus não está restrito a esta vida, mas se derrama além da sepultura para a vida eterna – De acordo com o cristianismo, esta vida é apenas o vestíbulo apertado e estreito se abrindo para o grande salão da eternidade de Deus.
·      O conhecimento de Deus é um bem incomensurável – isto significa dizer que todo o sofrimento possível neste mundo, não é nada quando se conhece a Deus verdadeiramente. Tudo se torna insignificante e temporário.

As quatro doutrinas de William Lane Craig nos apresentam respostas para compreendermos e lidarmos melhor com mal que nos aflige, entretanto não responde a pergunta: por que o mal veio a existir?
Em primeiro lugar precisamos entender que o mal é a ausência de Deus – Deus é amor. Partindo desse ponto podemos compreender que ao afastar-se de Deus, o homem irá trilhar exatamente o caminho da maldade, já que a Bíblia nos diz que “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só”. (Rm 3:12)
O texto de Rm 3:12 é claro ao afirmar que por desviar-se de Deus o homem passou a não fazer o bem, ou seja, passou a fazer o mal. O mal é a ausência de Deus.
Então, por que Deus plantou uma árvore do conhecimento do bem e do mal, no jardim do Éden?
Ora, a Bíblia nos diz que Deus fez o homem completo e em estado de perfeição moral, intelectual e espiritual. Nesse estado de perfeição, Adão tinha uma capacidade mental tão elevada que foi capaz de nomear todos os seres existentes sem repetir um só nome (G 2:19). Adão tinha o estado de perfeição espiritual porque podia falar com Deus (G1:28,29,2:15,16,19,3:8). Adão tinha o estado de perfeição moral porque Deus lhe conscientizou que poderia comer de todos os frutos do jardim, exceto daquele da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão tinha perfeição moral porque Deus lhe deu ao faze-lo semelhante (Gn 1:26).
Com tudo isso, entendemos que Deus deu ao Adão perfeito a capacidade de escolher entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Deus deu a Adão a capacidade de escolha.
Por que, então, Deus não evitou que Adão caísse? Por que Deus criou a possibilidade da queda de Adão? Deus fez Adão cair?
Em primeiro lugar, Deus não evitou que Adão caísse porque Adão tinha condições para não cair. Deus lhe deu todas as condições necessárias. Adão foi feito perfeito. Deus, ainda, avisou a Adão sobre o perigo e sobre as conseqüências que sucederiam a desobediência. Portanto, Deus não foi mal, pois avisou e conscientizou.
Em segundo lugar, Deus não criou a possibilidade de queda de Adão. Deus deu a Adão a opção de escolha. A capacidade de decisão. Portanto, Deus foi justo.
Penso que é importante entendermos que Deus não pode ser acusado de nada, pois Ele é perfeito. Devemos lembrar do caso de Jó, em que Satanás tenta acusar Deus de favorecer Seu servo. Satanás disse:

Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra (Jó 1:10).

Em outras palavras, o inimigo estava acusando Deus de ter favorecido a Jó sem lhe dar opção de escolha. Com isso, Deus permite que satanás invista contra Jó. Deus não pode ser acusado. Deus deu opção para Adão, a opção de fazer o certo e o errado e conscientizou-lhe das conseqüências. Deus foi justo.
Em terceiro lugar, Deus não fez Adão cair. Satanás foi quem tentou a mulher e esta, por sua vez, tentou o homem. O homem escolheu cair, ele não foi feito para a queda. A Bíblia nos orienta que o inferno foi criado para o diabo e seus anjos, e não para o homem (Mt 25:41). Esse não era o desejo de Deus, mas Ele permitiu que isso acontecesse, porque deu o direito de escolha para Adão. Deus não fez acontecer, Ele permitiu que acontecesse, o que é bastante diferente. Deus não foi negligente nem maquiavélico, Ele foi reto ao fazer a coisa certa e bondoso ao perdoar Adão pela sua queda, proporcionando-lhe salvação e redenção.
Então, quando Adão caiu o mal já existia?
Sim! O mal já existia.
Então, quem fez o mal?
Vejamos o que a Bíblia nos diz:
Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas (Is 45:7)
Deus criou todas as coisas? Por que Deus criou o mal?
Em primeiro lugar, o mal é a ausência de Deus, portanto ao afastar-se de Deus o mal dominará. Precisamos entender este texto dentro do contexto de sua época e da compreensão de sua época. O texto não está dizendo que Deus criou um ser maligno o mal como uma força “jedai”.
Isaías 45:7, a princípio, parece contradizer 1 João 4:8, 16, Tiago 1:13, etc. Mas, quando entendemos o significado da palavra hebraica para “mal” empregada no texto, o aparente problema fica resolvido. Vou lhe ajudar:
A palavra hebraica para designar mal no verso é ‘ra e significa: “mal moral” e também “males como inundações, terremotos, tempestades de granizo”.
Nesse contexto, ao compararmos com Isaías 47:11, vemos o termo “mal” se refere à “desolação” e às “calamidades” que Deus permitiria vir sobre os babilônicos por não terem se arrependido dos pecados deles! Leiamos Isaías 47:11:
“Pelo que sobre ti virá o mal que por encantamentos não saberás conjurar; tal calamidade cairá sobre ti, da qual por expiação não te poderás livrar; porque sobre ti, de repente, virá tamanha desolação, como não imaginavas.” (Grifo acrescentado).
Em fim, o que o texto está dizendo é que Deus é aquele que traz juízo, isto é visto como “mal” pelos homens.
Em segundo lugar, ao criar os anjos Deus os dotou da capacidade de escolha. Tanto é que 1/3 dos anjos escolheram se rebelar contra Deus. Podemos dizer que Deus é criador do mal quando fez seres com capacidade de escolha, com livre arbítrio, pois deu a eles a liberdade de errarem, desta forma permitiu que o mal viesse a existir, embora não tenha criado o mal.
Em terceiro lugar permitir que o mal viesse a existir, faz parte da característica de Deus de agir com retidão. É a soberania de Deus. Deus não desejava que ninguém o adorasse por obrigação, e muito menos de forma mecânica. Ele deseja a adoração voluntária. Voluntariamente satanás desejou se rebelar contra Deus, ele não foi impelido a isso. Foi uma ação voluntária.
Em quarto lugar, Deus já sabia que isso iria acontecer, pois Ele é onisciente.
Se Ele já sabia que isso iria acontecer, porque não fez algo a respeito?
E quem foi que disse que Ele não fez?
Deus, de antemão, já deu Seu filho unigênito, Jesus, para perdoar os pecados dos homens (1Pe 1:19-20).
Por que, então, Deus permite a dor, o sofrimento etc.?
Essas coisas são conseqüências da queda de Adão, pois Deus disse: “...maldita é a terra por causa de ti” (Gn 3:17b).
Creio que se a humanidade tivesse se arrependido a situação seria diferente, porém não foi isso que aconteceu.
No restante, estamos pagando por nossas próprias ações. Curiosamente, o ser humano sempre tem o desejo de pecar mas nunca responder por suas ações. Pecamos e nos queixamos quando sofremos as conseqüências.
Deus cria o mal como forma de aplicar a Sua justiça pelos pecados do homem.
“Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão” (Dt 32:39).
“Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te” (Ap 3:19).
É necessário entender que para toda ação corresponde uma reação de igual força e intensidade, como nos diz física. O fato é que essa lei é bíblica. Vejamos: “Por isso todos os que te devoram serão devorados; e todos os teus adversários irão, todos eles, para o cativeiro; e os que te roubam serão roubados, e a todos os que te despojam entregarei ao saque” (Jr 30:16)
“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6:12)
Deus cria o mal para servir de espada contra o pecado.
O dilúvio foi a espada de Deus contra o homem corrompido pelo pecado (Gn 6); Sodoma e Gomorra (Gn 19:24), 185 mil mortos pelo anjo do Senhor (2Rs 19:35), Coré, Datã e Abirão (Nm 16:21-33)...
O homem se queixa pela existência do mal, todavia, se esquece que o mal só entra em ação quando este se afasta de Deus. Se o homem não se afastasse de Deus o mal não lhe tocaria. Se queremos nos queixar de alguma coisa, deveria ser dos nossos próprios pecados.
“De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lm 3:39)
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6:7)

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11 – Comunismo
(FERNANDES, Robson T. Apologética: arte de defender a fé – pgs. 13-20)

Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui (João 18:36).

Jesus Cristo deixa seu ensino, nessa passagem, esclarecendo que o seu reino não é deste mundo. Isto nos traz a idéia central que a idéia que precisa permear na cabeça de um genuíno cristão é buscar transformar vidas e não a sociedade através da adoção de ideologias políticas.
O Socialismo, segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa é:

Doutrina que prega a primazia dos interesses da sociedade sobre os dos indivíduos, e defende a substituição da livre-iniciativa pela ação coordenada da coletividade na produção de bens e na repartição da renda.

O Comunismo, segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa é:

Sistema social, político e econômico desenvolvido teoricamente por Karl Marx (v. marxismo), e proposto pelos partidos comunistas como etapa posterior ao socialismo.

O comunismo é um assunto que por natureza é antagônico aos ensinos de Cristo. Por que antagônico?
Martin Luther king estabelece três razões pelas quais os dois pensamentos são inconciliáveis. Vejamos:
·           O Comunismo se baseia numa visão materialista e humanista da história e da vida. Segundo a teoria comunista, não é a inteligência nem o espírito que decidem do universo, mas apenas a matéria; esta filosofia é declaradamente secularista e ateísta. Para ela, Deus é um simples mito criado pela imaginação; a religião, um produto do medo e da ignorância; e a Igreja, uma invenção dos governantes para controlarem as massas. O Comunismo, tal como o Humanismo, mantém, além disto, a grande ilusão de que o homem pode salvar-se sozinho, sem a ajuda de qualquer poder divino, e iniciar uma nova sociedade.
· O Comunismo assenta num relativismo ético e não aceita absolutos morais estabelecidos. O bem ou o mal são relativos aos métodos mais eficientes para o desenvolvimento da luta de classes. O Comunismo emprega a terrível filosofia de que os fins justificam os meios. Apregoa pateticamente a teoria duma sociedade sem classes, mas, infelizmente, os métodos que emprega para realizar esse nobre intento são quase sempre ignóbeis. A mentira, a violência, o assassinato e a tortura são considerados meios justificáveis para realizar esse objetivo milenário. Será isto uma acusação falsa?
Escutai as palavras de Lenine, o verdadeiro estrategista da teoria comunista: “Devemos estar prontos à empregar o ardil, a fraude, a ilegalidade e a verdade encoberta ou incompleta”.
A História moderna tem passado por muitas noites de agonia e por muitos dias de terror por causa desta opinião ter sido tomada a sério por muitos dos seus discípulos.
·           O Comunismo atribui o máximo valor ao Estado; o homem é feito para o Estado, em vez do Estado para o homem. Poderão objetar que o Estado, na teoria comunista é uma “realidade intermediária” que “desaparece” quando emergir a sociedade sem classes. Em teoria, isto é verdade; mas também é verdade que, enquanto o Estado se mantém, é ele a finalidade. O homem é o meio para esse fim e não possui quaisquer direitos inalienáveis; os únicos que possui derivam ou são-lhe conferidos pelo Estado. A nascente das liberdades secou sob um tal regime. Restringe-se no homem a liberdade da imprensa e da associação, a liberdade de voto e a liberdade de ouvir ou de ler. Arte, religião, educação, música ou ciência, tudo depende do Estado, e o homem é apenas o servo dedicado do Estado onipotente.

Por essas razões podemos afirmar a incompatibilidade entre o cristianismo e o comunismo.
Como cristãos precisamos entender que não existem sistemas políticos ou sociais que sejam perfeitos. Quaisquer métodos de governo que o ser humano - por natureza falho e caído – criar, possuirão falhas, porém, se alguém se denomina cristão terá que concordar com os ensinos bíblicos, que declaram de forma clara que o único meio de governo sem erros é a Teocracia, e esta será estabelecida segundo o texto de Isaías 65 ou em Apocalipse 19:15.
R. J. Rummel define o marxismo da seguinte maneira:

De todas as religiões, seculares ou não, o marxismo é de longe a mais sangrenta — mais sangrenta do que a Inquisição Católica, as várias cruzadas católicas e a Guerra dos Trinta Anos entre católicos e protestantes. Na prática, o marxismo significa terrorismo sanguinário, expurgos mortais, campos letais de prisioneiros e trabalhos forçados assassinos, deportações fatais, fomes provocadas por homens, execuções extrajudiciais e julgamentos “teatrais”, descarado genocídio e assassinatos em massa.

Em se tratando de comunismo, basta observar o resultado prático social de países que o adotaram na tentativa de resolver seus problemas. Podemos afirmar com a mais absoluta certeza que o resultado foi catastrófico.
Luís Dufaur escreveu acerca do Livro Negro do Comunismo, dizendo o seguinte:

O Livro Negro do Comunismo, há pouco editado no Brasil, pôs em foco a magnitude dos crimes gerados por esses erros. Desde que foi publicado na França, em 1997, ele suscita apaixonadas polêmicas. Numerosos simpatizantes do comunismo saíram da moita em defesa do partido. No Parlamento francês, o Primeiro-ministro socialista Lionel Jospin correu em socorro de seus aliados do Partido Comunista, denunciados por deputados da direita com base no referido Livro Negro. Apareceu até um volume criticando essa obra, ironicamente intitulado Livro Negro do Capitalismo, aliás tão pífio que a revista “Veja” o qualificou de “obra idiota e estapafúrdia”. O Livro Negro do Comunismo foi escrito por esquerdistas. O coordenador da equipe é Stéphane Courtois, diretor da revista Communisme e diretor de investigações do prestigioso Centre National de la Recherche Scientifique de Paris. Ele vem do maoísmo e se define como anarquista. Os títulos e obras dos demais colaboradores ocupam algumas páginas. Por sua vez, a Rússia abriu-lhes arquivos até então zelosamente fechados.

Ou seja, os dados apresentados nesse livro foram apresentados por um comunista e têm como fonte os documentos oficiais de países reconhecidamente comunistas, como Rússia.
Alguns desses dados oficiais e reconhecidamente atestados apresentam os seguintes números de mortes causadas por perseguições geradas pelo comunismo: 20 milhões de mortos na antiga URSS, 65 milhões de mortos na China, 1 milhão de mortos no Vietnã, 2 milhões de mortos na Coréia do Norte, 2 milhões de mortos no Cambodja, 1 milhão de mortos no Leste-Europeu, 250 mil de mortos na América Latina, 1,7 milhão de mortos na África e 1,5 milhão de mortos no Afeganistão.
No total podemos catalogar algo entre 100 e 110 milhões de mortos, vítimas de perseguição comunista. Podemos denominar de um verdadeiro genocídio, pior até que aquele realizado pelo nazismo durante a segunda guerra mundial, que foi de 25 milhões de mortos.
A perseguição, tortura e morte realizada pelo comunismo se aplica a toda e qualquer pessoa que se oponha a seus ditames.
É bem sabido que muitos realizaram perseguições, torturas e mortes em nome do cristianismo, também. Todavia, precisamos entender que essas práticas nunca, jamais, representaram o ensino de Jesus Cristo. Essas práticas realizadas em nome do cristianismo são feitas por pessoas e grupos que não representam a Bíblia em sua essência. O próprio Jesus recusou se apresentar como um anarquista, agitador político, libertador social e muito menos como um perseguidor, torturador ou assassino. Antes, ele foi assassinado, e antes disso, foi perseguido porque recusou-se engajar-se me movimentos políticos e apresentar-se como libertador social. Jesus apresentou-se como o libertador de almas, o salvador de vidas!
A denominada “Santa Inquisição”, que não teve absolutamente nada de santa, foi fruto de uma perseguição católica travada contra qualquer um que discordasse de seus preceitos, inclusive crentes que desafiaram o poder do catolicismo ao insistirem em ler a Bíblia e se contrapor aos dogmas antibíblicos do catolicismo.
No site http://solascriptura-tt.org podemos encontrar uma lista de locais e datas que nos revelam alguns números da Inquisição.
No livro “Congregacional de Relatórios” encontramos o Juramento dos Jesuítas, que na página 3262 nos diz o seguinte:

“Prometo ensinar a guerra lenta e secreta contra os protestantes e maçons... queimar vivo esses hereges, usar o veneno, o punhal ou a corda de estrangulamento...farei arrancar o estômago e o ventre de suas mulheres e esmagarei a cabeça de seus filhos contra a parede, a fim de aniquilar a raça!...Se eu for perjuro, as milícias do papa poderão cortar meus braços e minhas pernas, degolar-me, cortando minha garganta de orelha a orelha, abrir minha barriga e queimá-la com enxofre, etc.! – Assino meu nome com a ponta deste punhal molhado no meu próprio sangue."

A história registrou que só na Idade Média, anos 500 a 1700, os papas e a Igreja católica romana assassinaram cerca de 50 milhões de cristãos não católicos. Uma média de 40 mil por ano! (Rastro de Sangue, Carról, pág. 26).
Diante dessas informações afirmamos categoricamente que isto nunca, jamais, representou a instrução da Bíblia Sagrada e muito menos os ensinos de Jesus Cristo! Entretanto, com o comunismo é totalmente diferente, porque os assassinatos e mortes causadas pelo dito sistema realizou tais crimes por ordem e instrução de seus fundadores. Vejamos o que Lenine, estrategista da Teoria Comunista, tem a nos dizer:

“Devemos estar prontos à empregar o ardil, a fraude, a ilegalidade e a verdade encoberta ou incompleta”

De acordo com a agência católica Zenit, em 02/09/1999, o comunismo matou de fome cerca de 3,5 milhões de pessoas na Coréia do Norte.
O Jornal do Brasil, em 30/10/99, noticiou que na China, 65 milhões de pessoas foram mortas e na Rússia 20 milhões. Que o Comunismo é responsável pela morte de aproximadamente 100 milhões de pessoas, e que a Comissão sobre Repressão do governo russo concluiu que os bolchevistas mataram pelo menos 43 milhões de pessoas entre 1917 e 1953.

Para o “práxis” marxista, “os fins justificam os meios”; pode-se lançar mão da violência, da corrupção, do roubo, da falsidade e da morte para se implantar o comunismo; tudo é válido... é por isso que o comunismo matou cerca de 100 milhões de pessoas no século XX, e foi o maior fracasso do mesmo século.

Além de tudo isso, algumas informações adicionais do site da Frente Universitária Lepanto podem ser apresentadas, com base no Livro Negro do Comunismo. Vejamos:
Na Rússia – como em geral nos países que caem nas garras do comunismo -- tudo começou pela Reforma Agrária. Em 29 de abril de 1918, Lenine decretou “uma batalha cruel e sem perdão contra esses pequenos proprietários de terra”. Os bolchevistas passaram a desarmá-los e a lhes confiscar o grão. Quem resistia era torturado ou espancado até a morte. Roubavam-lhes até a roupa interior de inverno e os sapatos, ateavam fogo nas saias das mulheres para que dissessem onde estavam sementes, ouro, armas e objetos escondidos. As violações praticadas então pelos comunistas foram sem conta.
Tendo confiscado o alimento, o governo reduziu o povo pela fome. Só comia quem possuísse o cartão de racionamento distribuído pelo partido... Havia seis categorias de estômagos excomungados. Os burgueses, os contra-revolucionários, os proprietários rurais, os comerciantes, os ex-militares, os ex-policiais foram condenados ao desaparecimento.
A fome prostrou a população. Em 1922 não havia mais revoltas, apenas multidões apáticas implorando uma migalha e morrendo como moscas. Foi o início da primeira grande fome que ceifou 5 milhões de vidas.
Surgiu o canibalismo. Os comunistas deitaram a mão nos bens da igreja cismática (dita ortodoxa), majoritária na Rússia. O confisco ocorreu com profanações e carnavais anti-religiosos. Após sucessivas ondas aniquiladoras, pouquíssimos templos permaneceram abertos. Os “Popes” (chefes da igreja cismática) transformados em agentes do Partido.
Stalin completou a estatização do campo decretando o extermínio imediato de 60 mil chacareiros e o exílio da grande maioria para campos de concentração da Sibéria... Em poucos dias, a meta de 60 mil assassinatos foi superada. Em menos de dois anos foram deportados 1.800.000 proprietários e familiares.
Crianças famintas lotavam as ruas. As que ainda não haviam inchado foram conduzidas a um galpão, onde agonizaram aproximadamente 8 mil crianças. As outras foram despejadas num local longínquo para morrerem sem serem vistas. Esta fase final da Reforma Agrária provocou 6 milhões de mortes.
A mortandade causada pelo Grande Expurgo atingiu mais de 6 milhões de pessoas...
Durante a II Guerra Mundial, o comunismo russo dizimou as minorias étnicas. Mais de 80% dos 2 milhões de descendentes de alemães que moravam na URSS foram expurgados como espiões e colaboradores do inimigo. Várias outras etnias foram supressas.
A China de Mao-Tsé-Tung seguiu as pegadas da Rússia com aspectos surpreendentes. Assim que se apossava de uma região, o comunismo chinês empreendia a Reforma Agrária. Mas antes de eliminar os proprietários, desmoralizava-os o quanto podia. Eles eram por exemplo submetidos ao “comício da acidez”: os parentes e empregados deviam acusá-los das piores infâmias até que “entregassem os pontos”, sendo então executados pelos presentes. Um proprietário teve que puxar um arado sob as chibatadas de colonos, até perecer. Chegou-se a obrigar membros da família de um fazendeiro a comer pedaços da carne dele, na sua presença, ainda vivo! A Reforma Agrária chinesa extinguiu de 2 a 5 milhões de vidas, sem contar aqueles que nunca voltaram entre os 4 a 6 milhões enviados aos campos de concentração.

O marxismo tem servido de base para o pensamento ateísta, todavia, seria muito bom que todo comunista, bem como todo ateu lembrasse de uma frase pouco conhecida de Karl Marx:

"Perdi o céu, e o sei com certeza. Minha alma, outrora bela a Deus, Está agora destinada ao inferno." (Marx. Karl)

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12 – Mudança de Sexo: Uma Análise Científica e Teológica
(FERNANDES, Robson T. Apologética: arte de defender a fé – pgs. 21-22)

Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos ... Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si ... E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm (Romanos 1:21,22,24,28).

Encontramos no sistema público de saúde brasileiro um verdadeiro caos e descaso absurdo com a população brasileira. Em uma pesquisa publicada pelo IBGE, constatou-se que seis cidades brasileiras não possuem nem um posto de saúde, sequer. Nenhum estabelecimento de saúde! Menos de 30% dos aparelhos de raio x está na rede pública, cerca de, apenas, 4,5% das instituições que não fazem internações possuem esses aparelhos. Enquanto deveria haver cerca de 3 leitos para cada 1000 habitantes no Brasil, existem apenas 2,4. Um portador de AIDS tem dificuldades até para fazer um exame de sangue.
Todavia, na quinta-feira, dia 5 de junho de 2008, o então ministro da saúde, José Gomes Temporão, anunciou que o sistema público de saúde no Brasil irá realizar, gratuitamente, as chamadas cirurgias para mudança de sexo:

“MUDANÇA DE SEXO: O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, decidiu dar mais atenção à população GLBT (Gays, lésbicas, bissexuais e trânsgeneros). Ele definiu que, ainda, neste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a fazer gratuitamente cirurgias para mudança de sexo. Outra novidade: os médicos terão de tratar os pacientes pelo nome que eles preferirem, independentemente do que constar na carteira de identidade. Com isso, homens poderão ser chamados por nomes femininos, e vive-versa” (Revista Veja. 05 mar 08, edição 2050).

A finalidade da Igreja de Jesus Cristo não é realizar mudanças sociais. Para isso Deus instituiu as autoridades seculares. Porém, não acredito que a Igreja deva se calar diante de tal aprovação de pecado em nosso meio, já que o texto de 1 timóteo 3:15 nos diz que a igreja é a coluna e firmeza da verdade.
Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.
Não podemos compactuar com tal grau de insensatez e pecado. O texto de Romanos é claro ao afirmar que tal atitude é fruto de se dar as costas para Deus, e por isso tais homens se tornaram indesculpáveis.
A rebeldia humana é tão grande que chega ao ponto de apresentar o pecado de maneira tal, que aqueles que lhe dão crédito passam a defendê-lo como se fosse o caminho correto para uma sociedade desenvolvida e moderna, contudo, não passa de vã filosofia, fruto de mentes vazias e alienadas de Deus. Até as nomenclaturas utilizadas são erradas.
Não há como mudar de sexo!
Os homens e as mulheres são diferentes em sua anatomia, em sua sexualidade, na sua área psicológica, no seu campo emocional e na sua estrutura bioquímica.
Pode-se até mudar a genitália, mas não se muda o sexo, a sexualidade!
Charles Colson afirmou, acertadamente, que todas as vezes que a ciência é utilizada para finalidades bizarras e antiéticas como essa, está prestando um desserviço à sociedade e, acima de tudo, à vida.
Homens e mulheres são seres distintos e diferentes. Mesmo que se realize uma cirurgia de “mudança de sexo”, vaginoplastia, ainda assim, o sujeito continuará com o DNA masculino. Mesmo que faça a “Cirurgia de Redesignação Sexual” (SRS) de Homem para Mulher (MtF), continuará com a programação genética masculina. Ele está tentando lutar contra aquilo que o seu criador, Deus, estabeleceu.
Tal indivíduo jamais terá tpm (tensão pré-menstrual)! Jamais terá picos hormonais que influenciam o temperamento! Jamais irá menstruar! Jamais irá sofrer com cólicas menstruais. Jamais irá ovular! Jamais irá engravidar! Jamais irá amamentar! Jamais saberá o que é ser mãe!
O indivíduo continuará com a sua psicologia masculina.
Podemos observar as diferenças psicológicas entre homens e mulheres:
·           Os homens são mais rápidos no raciocínio matemático e espacial, já as mulheres são melhores com as palavras.
·           Os homens são mais frios, já as mulheres são mais emotivas.
·           Os homens são mais objetivos, já as mulheres preferem o mais complexo.
·           Os homens não gostam de se prender a um relacionamento, já as mulheres buscam uma relação duradoura.
·           Os homens procuram não se ligar sentimentalmente, já as mulheres procuram estabelecer laços sentimentais.
·           Os homens buscam passar mais tempo com os amigos, já as mulheres buscam passar mais tempo com o companheiro.
·           Os homens não demonstram afetividade em público, já as mulheres procuram mostrar o que sentem.

Se isso não for suficiente, podemos observar as diferenças biológicas:
Homens e mulheres possuem hormônios sexuais específicos, e genes responsáveis especificamente por diferenças de comportamento, afirma uma nova pesquisa realizada na universidade Yale, nos EUA, pela Dra. Jennifer Quinn.

Segundo o Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto:
·      No lobo temporal masculino existem algumas áreas do cortex que são maiores nos homens do que nas mulheres, possuindo mais neurônios.
·      Existem diferenças acentuadas nas características neuroquímicas dos dois sexos.
·      O cérebro do homem é mais assimétrico (dando-lhes maior aptidão musical), e as mulheres têm os hemisférios mais ligados (dando-lhes a capacidade de realizar tarefas diferentes simultaneamente).
·      O cérebro masculino é mais pesado que o feminino.
·      O corpo do homem é mais pesado.

Faça-se o que fizer, diga-se o que quiser, argumente-se o que desejar. A verdade nunca mudará! Deus sempre condenou tal prática. E mais, a condenação não veio a penas para aqueles que praticam tal ato, mas também para aqueles não praticam mas apoiam.
Os quais, conhecendo a justiça de Deus, não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem (Romanos 1:32).
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13 – Aborto
(FERNANDES, Robson T. Apologética: arte de defender a fé – pgs.23-25)

Aborto é a interrupção da gravidez com a morte do feto ou da criança.
Em meio aos vários argumentos favoráveis e contrários ao aborto, há duas questões centrais que vão determinar todos eles:
·      Os seres humanos possuem valor moral intrínseco?
·      O feto em desenvolvimento é um ser humano?
Com relação à primeira pergunta precisamos esclarecer que alguma coisa tem valor intrínseco se ela é um fim em si mesmo, em vez de ser um meio para algum fim. Por exemplo, o dinheiro não tem valor intrínseco em si mesmo ou de si mesmo. Ao contrário, ele tem valor extrínseco à medida que ele é um meio útil de comércio para os seres humanos. Desse modo, torna-se valioso para nós em virtude dos fins que ele nos ajuda a alcançar.
As pessoas não são valiosas meramente como meio para algum fim; antes, as pessoas são fins em si mesmas.
Á segunda pergunta que devemos fazer: É o feto em desenvolvimento um ser humano?  O início da vida quando se dá?
Uma das maiores discussões da atualidade diz respeito ao início da vida. Essa discussão é fruto da tentativa de se defender a prática do aborto.
O aborto é a morte espontânea ou provocada da criança no ventre materno, antes do seu nascimento.
Há abortos espontâneos, isto é, que acontecem por motivos naturais, independentes da vontade humana. Na maioria dos casos são originados por doenças da mãe ou deficiências do próprio bebê. Há. Ainda, os abortos provocados, que são aqueles intencionalmente produzidos.
Segundo William Lane Craig:

“O óvulo humano fertilizado é praticamente uma explosão de vida. Dezoito dias após a concepção, o coração começa a se formar, e três dias depois já começa a bater. Nessa fase da gravidez, a maioria das mulheres ainda nem sabe que está gravida. E a grande maioria dos abortos acontece neste estágio. Isso significa que virtualmente todo aborto interrompe o batimento de um coração – de um coração humano”[10].

Ao falarmos de aborto gostaria de deixar claro que este assunto não é uma questão religiosa. A primeira questão que levantamos é filosófica: os seres humanos possuem um valor moral intrínseco? A segunda questão é científica e médica: o feto em desenvolvimento é um ser humano?
Entretanto a grande maioria dos oponentes ao aborto parecem ser cristãos, isso se deve por razões bíblicas.
Primeiramente porque para o cristão o ser humano foi feito à imagem de Deus – portanto tem um valor intrínseco, isto responde a primeira pergunta. O segundo grande mandamento é que nós deveríamos amar o nosso próximo, e este é um mandamento universal que se estende a todo ser humano.
De acordo com a Bíblia, o aborto é classificado como assassinato.
No Antigo Testamento, encontramos a expressão: Não matarás (Êx 20:13). Na verdade esse termo tem origem no hebraico e sua tradução fiel e literal é: Não assassinarás.
A proibição bíblica do assassinato baseia-se especificamente no fato de que o homem é criado à imagem de Deus (Gn 9.6).
No Novo Testamento, encontramos a seguinte orientação: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo (Mt 5:21).
Na lei brasileira encontramos os seguintes amparos à proteção da vida no útero materno:
Artigo 5º da Constituição Brasileira: (“cláusulas pétreas”)
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida...”

Código Civil Brasileiro (artigo 2º):
“A personalidade civil da pessoa começa com o nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”.
Código Penal Brasileiro:
Pena de 01 (um) a 10 (dez) anos de prisão para quem atentar contra a vida do EMBRIÃO.

Acordos internacionais sobre Direitos Humanos:
Pacto de São José da Costa Rica, artigo 4º:
“Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”

O Pacto de São José da Costa Rica entrou para o Ordenamento Jurídico Brasileiro através do Decreto 678/1992.
A discussão sobre o assunto se prolonga no campo da ciência, e muitos têm exposto as suas opiniões sobre o momento exato em que se pode se considerar o ser como um ser vivo. Portanto, precisamos escutar alguns especialistas no assuntos. Na verdade, como o assunto se trata da mais fundamental importância é melhor escutarmos os melhores especialistas no assunto. Seja na medicina, como no direito, e por último a Bíblia, a Sagrada Palavra de Deus.

Karl Ernest Von Baer (pai da embriologia moderna):
“a vida humana começa na concepção”, isto é, no momento em que o espermatozóide entra em contato com o óvulo, fato que ocorre já nas primeiras horas após a relação sexual.

Ives Gandra Martins (um dos maiores juristas brasileiros):
“o aborto é homicídio de seres humanos concebidos”

Cláudio Fonteles (Subprocurador-geral da República), baseado em Lílian Eça (especialista em biologia molecular):
“Está demonstrado claramente que na fecundação já existe a vida humana. Porque ele [o embrião] se autodinamiza, ele se autoprograma, ele se movimenta. O útero materno é só o ninho, é só para onde ele vai. E também foi demonstrado que desde o momento da fecundação há um diálogo entre o feto e a mãe, traduzido em troca de proteínas”,

Dra Elizabeth Kipman Cerqueira (médica ginecologista; especialista em Logoterapia e Logoteoria aplicada à Educação; integrante da Comissão de Ética e Coordenadora do Depto. de Bioética do Hospital São Francisco):
“Os tratados de Medicina continuam afirmando que o início da vida humana acontece no momento da união do óvulo e do espermatozóide”

Peter Singer (filósofo e professor, defensor do “direito ao aborto”):
“Eu não tenho dúvida de que a vida começa na concepção”. (ALIÁS Estado de S.P, 23/01/2005 J3)

Lenize Aparecida Martins professora-adjunta do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília
“No primeiro momento, na fecundação, já estão definidas as características únicas de um indivíduo.Todas as suas características genéticas estão reunidas, portanto, o embrião já é um indivíduo, sem cópia igual”

Robert Spalmann (professor emérito de filosofia da Universidade de Maunchen):
"a primeira célula que surge da fecundação é viva, já é vida. É a fecundação que permite que o desenvolvimento do indivíduo seja disparado"

Curiosamente, muitos têm lutado para defender as tartarugas marinhas através do projeto TAMAR, porém outros tantos têm lutado na defesa do aborto. Me perece que a inversão de valores tem levado o homem a valorizar mais a vida animal do que a sua própria.
Com respeito à segunda pergunta a Bíblia em diversas passagens nos ensina que aquele que está no seio materno já é uma vida, porque Deus assim concedeu, possui espírito, muitas vezes é escolhido pelo próprio Deus e possui sensações.

Antes que te formasses no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei (Jer.1:5)

Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” [ora, para ser em iniqüidade, tinha que ter espírito] (Salmo 51:5)

O Senhor me chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome;... O Senhor me formou desde o ventre para seu servo... (Isaías 49:1,5)

Pois Tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Os Teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no Teu livro foram escritos todos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles (Sl 139:13)

E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel. E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo. E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre (Lucas 1:39-42)

            Quando nós cristãos tentamos influenciar a política pública sobre essa questão, nós deveríamos ser sábios em não basear o nosso argumento em bases bíblicas – que em nossa cultura não tem nenhuma força para os não cristãos que rejeitam a Bíblia -, mas em bases humanitárias gerais que apelam a todas as pessoas.

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14 – Extras Terrestres, Existem?
(FERNANDES, Robson T. Apologética: arte de defender a fé – pgs. 31-35)

A ideia da existência de vida fora do planeta Terra tem sido cada vez mais abraçada pelo ser humano, basta observar os grandes números de filmes atuais que abordam esta temática. Mas será que existe vida em outro planeta?
Esse questionamento já deve ter passado na mente da maioria das pessoas, pois o universo é muito vasto, e muitos argumentam sobre a suposta exclusividade da Terra, ao ser o único planeta a possuir vida.
Para discorrermos sobre essa questão precisamos de algumas informações acerca do universo. A Física nos ensina muitas coisas, porém a Bíblia também nos fala muito acerca do assunto.
O universo visível é apenas uma fração do universo real e verdadeiro. Chamamos de universo visível a porção do universo que é visualizada com a tecnologia que dispomos.
As Galáxias são enormes aglomerações de estrelas, que podem ser enumeradas desde vários milhões a vários trilhões.
Os Superaglomerados são aglomerados de aglomerados de galáxias.
Com essas informações, podemos saber, até o momento, que existem aproximadamente 270.000 superaglomerados, 500 milhões de grupos de galáxias, 10 bilhões de galáxias consideradas grandes, 100 bilhões de galáxias consideradas como anãs e 2.000 bilhões de bilhões de estrelas. Agora, é preciso salientar que esses números dizem respeito a apenas ao universo visível, e este é apenas uma fração do universo real e verdadeiro.
Na nossa galáxia existem 8 planetas, já que Plutão foi reduzido em sua nomenclatura à planetóide.
Em uma galáxia como a nossa existem aproximadamente 200 bilhões de estrelas, e o número aproximado de planetas no universo visível é de aproximadamente 10.000.000.000.000.000.
Podemos entender, então, que estamos lidando com números exorbitantes.
Aliada a essas informações surgem, os filmes de Steven Spielberg, George Lucas e outros, que mostram de forma muito bem elaborada com os superefeitos hollywoodianos a existência de vida extraterrena. Filmes como: Perdidos no Espaço, Jornada nas Estrelas, Guerra nas Estrelas, E.T. o Extraterrestre, Independence Day, Guerra dos Mundos, Invasores, Arquivo X, Intruders, MIB, etc.
Esses filmes têm produzido uma verdadeira febre extraterrestre e uma enorme divulgação da mensagem de existência de vida alienígena no mundo inteiro, como se essa fossa a verdade.
Ainda, somadas aos fatores citados anteriormente temos o surgimento de supostos especialistas que têm aparecido em meio a sociedade fazendo especulações e afirmações nas quais não conseguem apresentar provas convincentes, mas apenas “relatos” de que algo estranho aconteceu. Esses são os relatos de avistamentos, abduções, contatos etc.
É importante sabermos que algo diferente vem acontecendo há bastante tempo. Algo que a grande maioria das pessoas não consegue explicar, e por isso se refugiam na afirmação da existência de vida alienígena. Essas ocorrências são realmente diferente, mas não desconhecidas.
Todavia, diante de todas as informações citadas anteriormente, em nenhum período da história da humanidade houve contatos com extraterrestres verdadeiros.
A Academia Francesa de Ciências, desde 1900, oferece o prêmio de 100.000 Francos para quem provar a existência de vida fora da Terra. São 105 anos, e até agora nada!
O Programa SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence – Busca de Inteligência Extraterrestre), o maior programa já criado na história da humanidade, já teve milhões gastos em vão na tentativa de localizar vida fora da Terra.
Nesse debate é preciso entender que uma grande quantidade de galáxias e um número extraordinário de planetas não é suficiente para se defender a existência de vida exraterrena. Outras condições importantíssimas são necessárias. É preciso que o suposto planeta possua:
·      Distância certa do sol (aquecimento ideal, fotossíntese, evaporação
de água);
·      Água potável suficiente;
·      Vegetação suficiente (reciclagem do ar);
·      Vida animal...

Dos planetas conhecidos, apenas um poderia ter as condições de possível vida, contudo, está 20 vezes mais próximo de seu sol do que a Terra.

A lua de Júpiter – Europa – possui gelo, e não há vida.
Nenhum planeta conhecido possui vegetação.
Nenhum planeta conhecido possui vida animal

Outros grandes problemas surgiriam nessa idéia de vida extraterrena e o contato com a Terra.
A Estrela mais próxima (Próxima Centauri) está a 40,7 trilhões de quilômetros. Seriam necessários 4,3 anos para chegar lá se pudéssemos viajar na velocidade da luz. Porém, não viajamos na velocidade da luz! Se fossemos para Próxima Centauri na mesma velocidade que o homem gastou para ir à Lua, seriam necessários 870.000 anos para chegar lá. Se viajássemos numa velocidade de apenas 10% da velocidade da luz, precisaríamos de 43 anos, apenas para chegar em Próxima Centauri.
Daí podemos começar a entender a dificuldade mínima de se viajar no espaço.
É preciso compreender, ainda, que existem partículas no espaço, e estas impossibilitam as viagens nessas supostas grandes velocidades vistas nos filmes de cinema. Existem, aproximadamente, 100.000 átomos de hidrogênio por m3, 100.000 partículas de silicato por Km3, de 0.1g etc. Viajando em grandes velocidades a nave seria totalmente destruída por essas partículas, que funcionariam como verdadeiros projeteis, isto é, balas.
Agora, algo importante para se pensar: Se os supostos ET’s tem uma tecnologia tão avançada para viajar no espaço, por que é que constantemente encontramos certos “relatos” de naves alienígenas explodindo na Terra? Se têm tal tecnologia não deveriam explodir com tanta facilidade, como vemos nos relatos apresentados pelos grupos ufológicos!
O material alienígena, que sempre é apresentado pelos ufólogos, são os mesmo já conhecidos aqui na Terra, como: prata, ferro, alumínio e magnésio. Nenhum material desconhecido tem sido apresentado. Portanto, sabemos que esse material não oferece a proteção necessária pra essas supostas viagens intergalácticas.
Algumas informações, ainda, são necessárias, para entendermos o assunto.
A Revista Alemã Focus afirmou que "90% das notícias de OVNIs são consideradas disparates, mas um resto de dez por cento é suficiente para o surgimento de muitas especulações."
Gerald Eberlein (sociólogo) disse que "Pesquisas revelaram que pessoas que não têm vínculos com igrejas mas afirmam ser religiosas, reagem de maneira especialmente forte à possível vida de extraterrestres. Para elas, a ufologia é uma espécie de religião substituta."
O Dr. Werner Gitt (diretor do "Instituto Nacional de Tecnologia Física" na Alemanha) afirmou que “no início de agosto de 1996, pesquisadores da NASA anunciaram ter descoberto formas rudimentares de vida em um meteorito que supostamente procedia de Marte. Estas ligas orgânicas também poderiam ser bolinhas de lama petrificada, ressaltam. Uma prova de "vida", na verdade, não existia! Mas de qualquer forma a pedra de quase dois quilos, achada na Antártida, reaqueceu a febre marciana mundial: nos próximos anos, americanos, europeus, japoneses e russos planejam cerca de 20 projetos e pretendem enviar sondas até o planeta vizinho Marte, distante 78 milhões de quilômetros.
Ray Stilli (cineasta britânico) publicou um filme que mostraria a suposta autopsia de um extraterrestre. O filme teria sido rodado, hipoteticamente, em 1947. O programa Fantástico exibiu partes do filme, que hoje já se sabe, é uma fraude. Todavia, o filme foi exibido no Congresso Mundial de OVNIS, em Düsseldorf (Alemanha).
Eu (FERNANDES, Robson T), particularmente, não acredito em coincidências. Ao pesquisar sobre o assunto podemos mostrar, facilmente, 37 características atribuídas aos ET’s que os tornam idênticos aos demônios, citados na Sagrada Escritura. Vejamos:

1. São:
·      Mentirosos (2Cor 11:14-15; Ap 20:8)
·      Enganadores (Gn 3:1-13)
·      Hostis (Jz 9:23)
·      Maus (Jo 8:44; Ap 12:12)

2. Negam:
·      Verdades da Bíblia (Gl 1:8; 1 Tm 4:1-5)
·      Trindade (Mt 3:16-17; 1 Jo 5:7)
·      Deidade de Cristo (1 Jo 4:1-3)
·      Existência do Deus da Bíblia (Ex 7:10,11,21,22; 8:7)
·      Autoridade e inerrância da Bíblia (Gl 1:8-9)
·      Sacrifício vicário de Cristo (1 Jo 4: 2-3)
·      Jesus Cristo como o único caminho para Deus (1 Jo 14: 6)
·      Julgamento de Deus (At 13:10)
·      Existência do céu e do inferno (Lc 16:19-31, 12:5; Ap 1:18 )

3. Promovem:
·      Curas ou cirurgias sobrenaturais (Mt 24:24; Ap 13:3)
·      Reencarnação e metafísica (Hb 9:27)
·      Regressão hipnótica (2Co 4:4; Lc 8:30; 11:24-26)
·      Filosofia evolucionária (Rm 1:25)
·      Psicografia (Mt 8:28; Jo 13:27; Lc 22:21)
·      Predições do futuro (At 16:16; Mt 4:8)
·      Estados de transe e perda da consciência (Lc 8:30, 9:39, 11:24-26)
·      Sensação de formigamento ou de "luzes", antes de contato (2 Co 11:14)
·      Ensino da Percepção extra-sensorial (PES) (1Rs 13:18; At 23:98)
·      Suposta comunicação com os mortos (Dt 18:10,11)
·      Telecinesia (movimento de objetos à distância) (Ap 18:23)
·      Projeção Astral (Lc 2:9, 14,15)
·      Abduções (Gn 6:1-4)

4. Possuem:

·      Poderes sobrenaturais ou mediúnicos (Ap 9:1-11; Mt 12:22)
·      Cheiro pútrido ou como de enxofre queimando (Ap 9:17)
·      Habilidade sobrenatural de compor música (Ap 18:22)
·      Raio luminoso emanando do espírito (2 Co 11:14)
·      Gama de criaturas estranhas, monstros, duendes, anões, fantasmas ... (Mt 8:30-32; )
·      Fogos misteriosos (Ap 13:13; Jó 1:16-18)
·      Grande velocidade (Jó 4:15)

5. Causam:
·      Grande quantidade de insanidade (Lc 8:26-35)
·      Mortes (Ap 9:14)
·      Males físicos (Lc 13:11-17; Jó 2:7; Mt 9:32-3)
·      Estranho ruído antes das teleportações (Jó 1:7; Ap 8:6-8)

Portanto, podemos deduzir, diante de tantas evidências claras que estamos tratando de demônios, que procuram enganar a sociedade com suas mentiras que visam desviar o ser humano do foco bíblico.
Então, o que nos diz a Bíblia? Ela nos diz o seguinte:

Disse: O filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor? (At 13:10).

Amados, não creiais a todo o espírito, mas PROVAI SE OS ESPÍRITOS SÃO DE DEUS, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo (1Jo 4:1).

Mas o Espírito expressamente diz que NOS ÚLTIMOS TEMPOS APOSTATARÃO ALGUNS DA FÉ, DANDO OUVIDOS A ESPÍRITOS ENGANADORES, E A DOUTRINAS DE DEMÓNIOS (1Tm 4:1).

Porque A REBELIÃO É COMO O PECADO DE FEITIÇARIA, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei (1Sm 15:23).

Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. E não é maravilha, porque O PRÓPRIO SATANÁS SE TRANSFIGURA EM ANJO DE LUZ (2Co 11:3,14).

Qual é a finalidade das estrelas e planetas?
Leia o Salmo 19 e verá a finalidade das galáxias, planetas e tudo mais que foi criado!
Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez (Gn 1:14-15).

Deus poderia ter criado vida inteligente em outros planetas. Ele é poderoso par isso e para muito mais, mas, Ele não o fez!
A Bíblia nos declara de forma maravilhosa e impressionante que apenas na Terra é que Deus colocou vida, e vida inteligente.
·      Foi para a Terra que Deus voltou Seus olhos e não para outro planeta.
·      Foi para a Terra que Deus mandou o paraíso, e não para outro planeta.
·      Foi para a Terra que Satanás veio, e não para outro planeta.
·      Foi para a Terra Jesus Cristo veio, e não para outro planeta.
·      Foi em forma de homem que Jesus Cristo veio, e não em forma de ET.
·      Foi na Terra que Satanás foi derrotado, e não em outro planeta.
·      É na Terra que Jesus Cristo estabelecerá Seu Reino milenar, e não em outro planeta.
·      É daqui, da Terra, que Jesus irá governar todo o Universo. Daqui!!! E não de outro planeta.

A Bíblia declara:
...de fazer convergir nele [Cristo]... todas as cousas, tanto as do céu como as da terra (Ef 1.7,10).

Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra... (Fl 2.10).

...havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as cousas, quer sobre a terra, quer nos céus (Cl 1.20).

...pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção... ao se cumprirem os tempos, (Cristo) se manifestou uma vez por todas, para aniquilar pelo sacrifício de si mesmo o pecado... Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus... Porque com uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados... Já não há oferta pelo pecado (Hb 9.12,26,10.12,14,18).

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15. Homossexualidade
(CRAIG, W.L. Apologética para questões difíceis da vida, SP, Vida Nova, 2010)

Uma das questões mais difíceis e importantes que a igreja enfrenta hoje é a questão da homossexualidade como um estilo de vida alternativo. A igreja não pode se esquivar dessa questão.
Os cristãos que rejeitam a legitimidade do estilo de vida homossexual são geralmente taxados de homofóbicos, intolerantes, e até mesmo de odiosos. Por causa disso, a questão do homossexualismo tem provocado uma grande intimidação, ao ponto de algumas igrejas terem aprovado o estilo de vida homossexual e até mesmo aceitado aqueles que o praticam para serem seus ministros.
“Assim, quem somos nós para dizer que esses cristãos aparentemente sinceros estão errados”?
Tal questionamento suscita uma pergunta ainda mais profunda, que precisa ser respondida antes de tudo: o certo e o errado realmente existem? Qual é a base para dizer que o certo e o errado existem e que há uma diferença entre eles?
Tradicionalmente, a resposta tem sido que a base dos valores morais está em Deus. Esse é o entendimento cristão de certo e errado. Há realmente um criador, Deus, que fez o mundo e nos permitiu conhece-lo. A moralidade está baseada em Deus, e assim o certo e o errado tem existência real e não são afetados por opiniões humanas.
Hoje, em nosso mundo pós-moderno, muitas pessoas encaram o certo e o errado não como uma questão de fato, mas de gosto. Elas escolhem o que é certo e errado baseado naquilo que lhes dá prazer ou felicidade. Contudo valores morais não podem ser determinados pelo prazer. Gosto de brócolis ou não, isso é uma questão subjetiva, de fórum intimo, mas matar, roubar, enganar, mentir, trair, etc., não são questões subjetivas de fórum intimo, não são questões de gostar ou não, são fatos reais e valores morais que não podem ser relativizados.
Na ausência de Deus tudo se torna relativo. O certo e o errado se tornam cultural. Sem Deus quem pode dizer que os valores de uma cultura são melhores do que o da outra? Se não existir Deus, se não existir um legislador divino, então não existe lei moral. Se não existe lei moral, então o certo e o errado não tem existência real.
Assim se Deus não existir, o certo e o errado também não existem. Vale qualquer coisa, inclusive a homossexualidade. Logo, um dos melhores modos de defender a legitimidade do estilo de vida homossexual é se tornar um ateu.
Uma que se considere a existência de Deus, então tem que se considerar a lei moral dada por Deus. Dessa forma podemos devolver a pergunta: “Quem são vocês para dizer que a homossexualidade é certa”? Se Deus existe, Ele é quem determina o que é certo e errado.
A Bíblia condena a prática homossexual e não a tendência homossexual. Essa é uma distinção importante. A tendência homossexual é um estado ou uma orientação; uma pessoa que tem uma orientação homossexual pode jamais vir a expressá-la na prática. Em contrapartida, uma pessoa pode praticar atos homossexuais mesmo tendo uma orientação heterossexual. O que a Bíblia condena é a prática, e não a orientação homossexual em si. Essa ideia de alguém ser homossexual por orientação é característica da psicologia moderna e pode ter sido desconhecida das pessoas no mundo antigo. O que elas conheciam eram as práticas sexuais, e é isso o que a Bíblia condena.
Ora, isso tem inúmeras implicações. No final das contas, pouco importa o debate para saber se a tendência homossexual é algo com qual o ser humano nasce ou é fruto do ambiente em que a pessoa foi criada. O mais importante não é saber como você adquiriu sua orientação sexual, mas o que você faz com ela.
O simples fato de você ter uma predisposição genética para alguma prática não significa que tal prática seja moralmente correta. A título de exemplo, alguns pesquisadores suspeitam que pode haver um gene que predispõe algumas pessoas ao alcoolismo. Isso significa que é correto para alguém, com tal predisposição, sair e beber o quanto quiser e se tornar um alcoólatra? Obviamente não!
Textos bíblicos que condenam a prática da homossexualidade:
·      Levítico 18.22 – é abominação para um homem deitar-se com outro homem como se fosse uma mulher. Em Levítico 20.13 a pena de morte é prescrita em Israel aqueles que cometerem tal ato.
·      Romanos 1.24-28
·      1 Coríntios 6.9-10
·      1 Timóteo 1.10

ARTIGO:
O termo homossexualismo refere-se à atividade sexual praticada entre pessoas do mesmo sexo. Especialistas concordam acerca do significado de “comportamento homossexual”, mas têm dificuldades em chegar a uma definição clara do que é ser homossexual. Alguns descrevem o homossexual com base na prática do homossexualismo, enquanto outros o fazem considerando a atração preferencial por pessoas do mesmo sexo. Uma pessoa pode sentir desejos homossexuais intensos sem nunca praticar o homossexualismo, enquanto há quem opte pela atividade mesmo quando a preferência é fortemente dirigida para o sexo oposto. Neste último caso, circunstâncias como a influência do alcoolismo ou confinamento em prisões podem precipitar a ocorrência de experiências homossexuais. O termo bissexual refere-se a indivíduos que praticam atividades tanto homo quanto heterossexuais, podendo haver predominância de uma dessas práticas.
Independentemente do como se conceitue homossexualidade, não há uma forma precisa de determinar sua prevalência. Alguns poucos estudos indicam que cerca de 4 a 5 % da população branca masculina conservam-se exclusivamente homossexual após a adolescência, enquanto entre 10 e 20 % mantêm relações regularmente com indivíduos de ambos os sexos. Pesquisas desenvolvidas com militares na Segunda Guerra Mundial revelaram que 1% dos homens em serviço eram homossexuais, estimando-se que idêntico percentual constituía-se de casos não detectados, isto é, 2% no total. Seja como for, as estatísticas revelam que o homossexualismo é pouco comum. 
A história registra a homossexualidade em muitas civilizações antigas. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos mencionam essa prática e são fortemente explícitos em proibi-las. Algumas civilizações — por exemplo, os antigos gregos — aparentemente aceitavam a prática do homossexualismo com pouca ou nenhuma desaprovação. Ainda que a maioria das culturas em nossos dias lide com essa questão, em certos grupos sociais não se encontraram nem sequer indícios de homossexualismo. 
A causa da homossexualidade não está claramente identificada. As diversas teorias podem ser agrupadas em razão de apontar para um dos dois grupos gerais de causas: genéticas e psicogênicas. 
O primeiro grupo, de causas “genéticas”, postula que um indivíduo pode herdar a predisposição para a homossexualidade. As teorias reunidas nesse grupo apontam para evidências obtidas em estudos com gêmeos, os quais revelam que a incidência de homossexualismo entre gêmeos idênticos é expressivamente maior do que em gêmeos não-idênticos. 
Já o segundo grupo de teorias, chamado “psicogênico”, afirma que a identidade sexual é determinada pelo ambiente familiar e outros fatores do meio em que uma pessoa vive. Neste caso, as teorias apontam para a existência de denominadores comuns entre famílias de diversos homossexuais. 
Pesquisas recentes indicam que as famílias mais propensas a gerar um rapaz homossexual são aquelas em que a mãe é muito íntima do filho, possessiva e dominante, enquanto o pai é desligado e hostil. São mães com tendência ao puritanismo, sexualmente frígidas e determinadas a desenvolver uma espécie de aliança com o filho contra o pai, a quem ela humilha. O filho torna-se excessivamente submisso à mãe, volta-se a ela em busca de proteção e fica ao seu lado em disputas contra o pai. Pais de homossexuais são freqüentemente distantes, não demonstrando entusiasmo ou afeição, e criticam os filhos. Sua tendência é menosprezar e humilhar o filho, dedicando-lhe muito pouco de seu tempo. O filho reage com medo, aversão e falta de respeito. Alguns estudiosos consideram que a relação entre pai e filho parece ser mais decisiva na formação da identidade sexual do jovem do que o relacionamento deste com sua mãe. Tais pesquisadores chegam a afirmar não ser possível uma criança se tornar homossexual se seu pai for carinhoso e amoroso.
Em alguns homossexuais é o medo do sexo oposto que parece ser o fator dominante, não a atração profunda por alguém do mesmo sexo. Uma vez resolvido esse medo com terapia, a heterossexualidade prevalece. Estudos recentes têm demonstrado, ainda, que a sedução por outros homossexuais — especialmente outros rapazes — não parece ser um fator relevante. 
A chamada “homossexualidade latente” refere-se a conflitos emocionais similares aos da forma “aparente”, mas sem consciência do fato ou sem expressão pública dos conflitos.
Lesbianismo é o termo que se aplica à homossexualidade feminina. Como no caso do homossexualismo masculino, sua prevalência é desconhecida. Também neste caso a questão familiar desempenha um papel muito importante. Pesquisas demonstram que muitas mães de mulheres lésbicas tendem a ser hostis e competitivas com suas filhas, sendo muito ligadas aos filhos homens e ao pai. Além disso, os pais de mulheres homossexuais raramente desempenham um papel dominante na família e dificilmente mostram-se afeiçoados às filhas. 
Tanto homens quanto mulheres homossexuais tendem ao isolamento e mostram dificuldade em fazer amizades, mesmo quando crianças. Na adolescência e na idade adulta eles raramente marcam encontros. A maioria dos homossexuais torna-se consciente de sua homossexualidade antes dos dezesseis anos — alguns até antes dos dez anos. Eles costumam optar pela vida em cidades grandes para aí formar seus próprios grupos sociais com regras, modo de vestir e linguagem próprios. Recentemente, tem-se observado o surgimento de organizações para melhorar a imagem do homossexual, as quais costumam negar que o homossexualismo seja um distúrbio ou anormalidade. 
Leigos freqüentemente questionam se a homossexualidade deveria ser considerada uma doença ou um pecado. Uma coisa não exclui a outra. Pessoas cuja fé se baseia na Bíblia não podem duvidar que as claras proibições do comportamento homossexual façam dessa prática uma transgressão da lei divina. Por outro lado, há que se considerar a preponderância de opiniões de especialistas a apontar o homossexualismo como uma forma de psicopatologia que requer intervenção médica. 
Muitos, em nossa sociedade moderna, negam a condição patológica do homossexualismo, recusam-se a considerar a existência de implicações de ordem moral e vêem a prática homossexual apenas como uma forma de expressão diferente do padrão de comportamento sexual da maioria da população. Assim, tais pessoas não apenas desencorajam a busca por ajuda como contribuem para que o homossexual se conforme com uma vida cada vez mais isolada e frustrante, independente de quão permissiva e condescendente nossa sociedade se torne. 
Outra questão bastante levantada diz respeito à atitude da igreja em relação a homossexuais. Tais indivíduos se deparam com ouvidos insensíveis e portas fechadas na comunidade cristã. Essa reação intensifica os sentimentos de angústia e de solidão profunda, o completo desânimo que os assusta e, com freqüência, leva ao suicídio. Cristo, enquanto se opunha vigorosamente à doença e ao pecado, buscava doentes e pecadores com compreensão e misericórdia. A igreja erra quando se permite fazer menos. 
A grande cobertura que a mídia faz do homossexualismo, resultado da recente atividade de organizações de homossexuais, tem tornado a homossexualidade mais aceitável como tópico de discussão. Dessa forma, a igreja sem dúvida tomará consciência do problema acontecendo com alguns de seus membros. Isto não deve surpreender, pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar, o sentimento de solidão, a necessidade de contato humano e a imagem de si próprio como um desajustado levam o homossexual a ver a comunidade cristã como um refúgio e uma possível fonte de conforto. A outra razão está na frieza e rejeição, comuns no ambiente familiar, provocando ânsia por uma figura de pai amoroso, cálido e compassivo. É fácil entender como o cristianismo pode ser atraente, especialmente para suprir esta necessidade emocional. 
Várias formas de psicoterapia têm sido usadas no tratamento de homossexuais, com diferentes níveis de sucesso. Como em qualquer tratamento psicoterápico, os resultados dependem de fatores múltiplos, com ênfase na motivação do paciente. Pessoas homossexuais tendem a ser desmotivadas, o que seja talvez um dos maiores desafios para o terapeuta. A experiência clínica tem mostrado que a motivação para mudar e a consciência do erro são essenciais para aumentar significativamente a expectativa de um tratamento bem-sucedido.

Nota 
* Traduzido, com permissão de Baker Academic, uma divisão da Baker Publishing Group (
www.BakerPublishingGroup.com), por Raquel Monteiro Cordeiro de Azeredo.

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16. O Passo de Fé: do Assentimento ao Compromisso
(McGRATH, Alister. Apologética cristã no século XXI, São Paulo, Vida, 2008)

Como a apologética trabalha para levar o indivíduo da aceitação do Evangelho à fé viva em Deus? Antes disto precisamos entender a natureza da fé em si.

16.1. A Natureza da Fé
Vamos identificar as semelhanças e diferenças do emprego cristão e do emprego cotidiano da palavra fé (104), ao mesmo tempo em que relacionamos esses três componentes da fé com a apologética (110). Os 2 primeiros tópicos possui paralelos na linguagem cotidiana, mas o terceiro não.

·      Fé refere-se à crença de que certas coisas são verdadeiras. Crêr em Deus pode significar a crença na existência de Deus (104). A fé no sentido cotidiano pode significar simplesmente que certas coisas são verdadeiras (105). A apologética tem como objetivo persuadir as pessoas de que o cristianismo é verdadeiro (110), de que há um Deus a ser encontrado (111).

·      Fé é confiança. Por exemplo, crêr nas promessas de Deus é confiar nessas promessas. A fé é a nossa resposta de confiança em Deus. Posso dizer que tenho fé em um amigo, ou num piloto de avião, ou num partido político, no sentido de que confio neles (105). A apologética procura criar um clima de confiabilidade, em que Deus seja visto como digno de fé e de confiança, de que vale a pena encontra-lo. Os recursos da apologética nesse ponto são limitados porque a garantia da confiabilidade divina está na experiência pessoal daqueles depositam nele sua confiança (110).

·      Fé significa apropriar-se das promessas de Deus, recebendo aquilo que ele tem a nos oferecer. Os 2 primeiros estágios preparam o caminho para o terceiro. Ilustração do frasco de penicilina (106-107). Os benefícios concedidos por Cristo tornam-se nossos pelo terceiro tipo de fé. É a resposta do fiel à aliança de casamento estabelecida com Cristo. A alma cristã pode se jactar e se gloriar naquilo que Cristo possui, pois também a pertence (106-108). Esta terceira fé precisa ser suprida e explicada pelo apologista na linguagem cotidiana (109). A apologética nesse último nível não pode fazer nada mais além de apontar a entrada, como João Batista fez com Cristo (110-111).

16.2. A apologética não cria a fé.
A apologética cria apenas um clima intelectual imaginativo favorável à fé. A apologética não pode se tornar a mestra da igreja (109). Somente Deus pode criar a fé justificadora (110).

16.3. As limitações da apologética
As limitações podem ser ilustradas com o evidencialismo histórico, que além do evento em si, existe a necessidade de interpretar o evento de maneira correta, de se estabelecer o significado histórico (111-114). O apologista deve estabelecer um vínculo entre os fatos históricos e a fé cristã (114). O passo de fé terá que ser dado e o próximo tópico nos mostrará como fazê-lo.

16.4. O ponto de contato como ponto de partida
Como se dá a transição da cosmovisão secular para a cosmovisão cristã? Temos pelo menos três abordagens fundamentais (116-118):
A abordagem clássica: fundamenta-se na idéia de que o cristianismo é parte de uma racionalidade universal. O cristão se insere no âmbito de uma cosmovisão racional. Exemplo dessa tradição: Tomás de Aquino.
Abordagem pressuposicionalista: enfatiza uma total descontinuidade entre a concepção secular e a concepção cristã da racionalidade. O cristianismo não se conforma com a racionalidade secular. Não há ponto de contato entre as racionalidades cristã e secular.
Abordagem criativa: baseada na idéia do ponto de contato. Sustenta que as racionalidades secular e cristã se entrelaçam em alguns pontos.
Contudo, a referida transição requer um passo de fé.

16.5. A Decisão de crer
A decisão de crer é uma confiança de que as promessas do Evangelho são reais e de que um dia comprovaremos tal realidade (120). O apologista não pode ir além de dizer ao descrente que ele deve escolher crêr em Cristo, pois não existe uma opção melhor. A tarefa da apologética se encerra aqui e começa a da teologia (121).

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Primeiro Artigo

A identificação de falsos profetas

Os falsos profetas existem desde o tempo do Antigo Testamento, como agentes que procuram contrapor os profetas legítimos. São chamados também de falsos apóstolos e de obreiros fraudulentos. Como agentes de Satanás, conseguem transfigurar-se “em ministros da justiça” (2Coríntios 11.15) e vivem da aparência. Muitas vezes têm o apoio da população (Lcas 6.26), outros são até conselheiros de governantes. Trata-se de líderes religiosos encarregados pelo Príncipe das Trevas para desencaminhar o povo da verdade. Seus descendentes ainda estão por aí, mas como identificá-los?
Quando alguém se posicionava como profeta de Deus em Israel, o povo ficava atento à sua palavra, pois o não cumprimento dela era prova de que Deus não o enviou e o tal era tido pela população como falso profeta. Esse era o teste estabelecido na Lei de Moisés, em Deuteronômio 18.20-22. Ainda hoje, ele é usado como instrumento aferidor para identificar a procedência espiritual de um profeta. Com base nesse modelo, os apologistas costumam considerar a Sociedade Torre de Vigia, organização das Testemunhas de Jeová, como uma organização de falsos profetas, pois seus dirigentes reivindicam a mesma autoridade dos profetas e apóstolos da Bíblia, falam em nome de Jeová.
Todavia, essa não é a única maneira de se identificar um falso profeta, porque, às vezes, é possível que entre muitas previsões alguma coisa venha a se cumprir. As “profecias” de Nostradamus, por exemplo, são tão vagas que seus exegetas aplicam-nas a praticamente todos os acontecimentos de repercussão internacional.
Os falsos profetas sempre usam o sobrenatural como recurso para atrair as pessoas. O teste de Deuteronômio 18.20-22 só é decisivo quando a palavra não se cumprir. Se o profeta passar no teste, será necessário investigar o seu conteúdo doutrinário. O simples fato de uma profecia ou previsão cumprir-se ou mesmo de uma operação de maravilhas ocorrer não é reconhecer a legitimidade de um profeta. Daí a necessidade dos avisos solenes ao povo de Deus contra as suas ciladas. Jesus advertiu os seus discípulos dizendo que eles “vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mateus 7.15).
As Escrituras ensinam que Deus pode provar seu povo, permitindo a manifestação do sobrenatural de fontes estranhas. É até possível, às vezes, o cumprimento das palavras ou profecias deles, mas sob a permissão de Deus (Deuteronômio 13.2). Jesus advertiu, no sermão profético, que o Anticristo virá fazendo sinais, prodígios e maravilhas. No Livro de Apocalipse, lemos que a besta será adorada e admirada por todos os moradores da terra por causa dos seus sinais sobrenaturais. Portanto, não é somente o cumprimento de uma palavra ou uma operação de maravilhas que vai autenticar um profeta.
Nem sempre é possível distinguir o produto falso do verdadeiro apenas pela embalagem, mas pelo seu conteúdo. Assim, ensinou Jesus que eles serão identificados pelos frutos, ou seja, pelo conteúdo, e não pela aparência. É, pois, necessário compreender o que ele estava dizendo com a expressão: “Por seus frutos os conhecereis”. Será que Jesus falava de uma vida piedosa lá muitos piedosos e, em sua ignorância, apesar da honestidade e boa conduta, são adeptos de religiões falsas e de seitas sectárias. Os frutos de que Jesus Tala estão ligados ao conteúdo dos ensinos.
A chave principal descobrir a procedência espiritual de um profeta é saber qual a sua posição teológica. Como a Bíblia é vista por ele, qual o seu pensamento em relação à Pessoa de Jesus, se realmente crê na humanidade e divindade de Cristo e se crê que Ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou corporalmente dentre os mortos. O que ensina sobre a Trindade? E sobre a salvação? E sobre o pecado e a Igreja? Mesmo assim, convém fazer uma investigação criteriosa, pois os falsos profetas são peritos na arte do disfarce, usam os mesmos termos cristãos, mas com sentido diferente.
O movimento patrocinador do jornal Árvore da Vida, por exemplo, usa constantemente o termo “trindade” em sua literatura, mas são unicistas. O seu conceito de trindade destoa daquele expresso no Credo de Atanásio.
A Adivinha de Filipos falava a verdade quando declarou abertamente que Paulo e Silas eram servos do Deus Altíssimo e anunciavam aos homens a salvação, mas a que salvação aquele espírito se referia? Atualmente, esses agentes usam a mesma perícia. Quando os mórmons afirmam ser Jesus o Filho de Deus, não estão pregando a mesma mensagem cristã que pregamos, pois, segundo eles, “como o homem é, Deus foi; como Deus é o homem poderá vir a ser”. Em sua doutrina, Deus é um homem exaltado. Assim, ensinam que Jesus não foi gerado pelo Espírito Santo.
As Testemunhas de Jeová usam com frequência o termo “ressurreição”, mas o seu conceito destoa da ortodoxia cristã. Ensinam que Jeová vai recriar a pessoa, com a mesma aparência e característica, um clone. Rejeitam a ideia de levantar dentre os mortos, como sugere o próprio termo próprio termo grego. Por isso negam a ressurreição de Jesus, afirmam que Jeová clonou Jesus. Assim, o corpo da ressurreição não foi o mesmo que foi sepultado.
Os falsos profetas são personagens que se apresentam como enviados de Deus, mas profetizam falsamente e introduzem, sorrateiramente, heresias de perdição (2Pedro 2.1-3). Os cristãos devem levar esse assunto a sério, pois quem realmente experimentou o poder de Deus na vida não pode ser levado por impostores. Deus permite o sobrenatural de fontes estranhas. O cristão, porém, não deve ir atrás do sobrenatural e nem de vantagens, mas ficar na Palavra.
Pr. Esequias Soares – Líder da AD em Jundiai (SP); Teólogo-apologista – Membro da Comissão de Apologia da CPAD.

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Segundo Artigo

Os Desafios da Apologética Contemporânea
Nos dias atuais há uma necessidade urgente de líderes cristãos que estejam comprometidos com o discernimento da verdade, à defesa da fé e à proteção do rebanho de Deus. Essa obra nem sempre é fácil, nem agradável, mas é sempre necessária. Os cristãos devem identificar e fazer oposição ao erro doutrinário e espiritual por uma razão principal: porque Deus nos comissiona para esta obra. Já no primeiro século, na época do Novo Testamento, o Corpo de Cristo foi atacado por seitas e falsos mestres, e as epístolas nos dão repetidos avisos acerca de impostores espirituais. A epístola de Judas, nos versículos 3 e 4, exorta-nos a batalhar diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos, pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação. A fé cristã já tinha seus inimigos.
O apóstolo Paulo, em Atos 20.28-31, avisou aos bispos de Éfeso que os inimigos do evangelho surgiriam tanto de fora da Igreja – “entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” - quanto até mesmo de dentro dela – “dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles”. Na segunda epístola aos Coríntios, Paulo menciona que a Igreja não é invulnerável ao erro (11.3-4; 13-15). Igualmente Pedro, em sua segunda epístola, exorta seus leitores a se acautelarem, pois falsos mestres, introduzindo heresias destruidoras, surgiriam no seu meio (2.1-22; 3.15-17).
Embora o termo tenha sido ultimamente popularizado por várias instituições de pesquisas religiosas, ainda assim a conceituação correta permanece restrita apenas aos círculos acadêmicos teológicos. Faz-se necessário resgatar o seu verdadeiro sentido, para uma correta conceituação. O que é apologética? Para que serve? Onde empregá-la? Antes de adentrarmos à definição propriamente dita, precisamos averiguar o que NÃO significa apologética.[1]
1.      Apologética não é a crítica pela crítica.
2.      Apologética não é intolerância religiosa.
3.      Apologia não é ataque puro e simples.
Portanto, vamos a Etimologia: A palavra apologética vem da palavra grega apologeisthai, que significa “uma defesa verbal.” É usada oito vezes no Novo Testamento: At. 22.1;25.8; 25.16; ICo. 9.3; IICo. 7.11; Fp. 1.7,16; II Tm. 4.16.
Por sua vez, o dicionário “Aurélio século XXI”, define apologia como: “Discurso para justificar, defender ou louvar.” Essa palavra aparece em I Pedro 3.15 com o sentido de dar razão, responder, justificar: “antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. Apologética é a defesa do Cristianismo em sua inteireza, sua essência, ou, de uma forma ou outra é a defesa de seus elementos de pressuposições contra seus usurpadores, atuais ou possíveis, de forma a se defender de algum ataque em particular.
Apologia significa resposta ou pergunta ao juiz de um tribunal, da parte do acusado. A apologia de Sócrates, por exemplo, respondia aos que o acusavam. Da mesma maneira, o cristianismo teve que se expressar em forma de respostas a certas acusações particulares. Os apologistas foram os que se entregaram a essa tarefa sistematicamente.[2] Enquanto a apologia trata-se de simplesmente justificar ou defender a fé, a apologética ultrapassa este senso comum e procura por meio de processos racionais e sistemáticos, apoiada em outras ciências, defender cientificamente o Cristianismo. A Apologética perpassa por diversas áreas tais como: teologia, filosofia, biologia, arqueologia, história, antropologia, matemática e linguística. Nestas áreas ela pode estudar lógica, manuscritos, línguas originais da Bíblia, teoria da evolução etc. A apologética é processual e sempre está em via de transformações e aperfeiçoamentos. Como Conceito: É a habilidade de responder fundamentado com provas adequadas e sólidas à fé cristã perante os ataques das filosofias seculares e crenças religiosas.
O cristianismo é uma religião exclusivista e como tal é inevitável que surja conflitos com as demais crenças, filosofias e ideologias. Neste choque de crenças a apologética se torna indispensável ao cristão. Ela nasce forçosamente como uma resposta ao ataque contra o Cristianismo. William L. Craig afirma que a Apologética cristã pode ser definida como um ramo da teologia Cristã que procura apresentar uma garantia racional das alegações de verdade do Cristianismo.
A Apologética atinge dois públicos básicos, o crente e o não crente. E se divide em dois tipos de abordagens, negativo e positivo.
1.      a) Quanto ao crente. A apologética contribui para o fortalecimento dos crentes de pelo menos dois modos. Em primeiro lugar, lhes dá confiança de que a fé deles é verdadeira e razoável promovendo assim um encorajamento para uma vida de fé sempre em busca da compreensão. Em segundo lugar, a apologética pode atuar até mesmo em algumas estruturas seculares que envolvem nossas próprias vidas, nos auxiliando a enfrentar as diversas indagações a que tais estruturas nos submetem bem como nos libertando para uma cosmovisão compatível com o cristianismo. A apologética procura consolidar a fé do crente fundamentando suas convicções religiosas mediante a explanação lógica e sólida, tranquilizando sua consciência, iluminando seu coração e limpando sua mente. É a dimensão pastoral da apologética.
2.      b) Quanto ao não crente. Nesta categoria estão incluídos os vários tipos de sujeitos que rejeitam a fé cristã de uma forma ou de outra: os indiferentes, os incrédulos, os agnósticos, os ateus e os anticristãos. Para esta categoria, a apologética serve como instrumento de convencimento e demonstração. Evidenciando as razões lógicas do sistema doutrinário cristão, tanto sua coesão interna bem como as evidências externas, levando-os à reflexão do Cristianismo como única religião revelada. Tais evidências servem para convencê-los da inutilidade de seu raciocínio materialista, da falácia de sua lógica humanista e do logro de sua incredulidade, levando seus pensamentos cativos à obediência de Cristo. A apologética pode ajudar a remover os obstáculos da fé e assim ajudar os incrédulos a abraçar o evangelho. Certamente que nesta atividade o próprio Espírito Santo está envolvido nos ajudando a empregar tais evidências para o convencimento da proclamação do evangelho atraindo assim muitas almas para Cristo.
3.      a)Apologética negativa. Segundo sua concepção do assunto, na apologética negativa, o objetivo principal é produzir respostas aos inúmeros desafios da fé religiosa, ou seja, esta vertente apologética visa remover os obstáculos enfrentados pela convicção de nossa crença. Nesta abordagem estratégica o apologista recebeu argumentos ofensivos à sua convicção religiosa e, por conseguinte, expõe argumentos defensivos.
4.      b) Apologética positiva.Na apologética positiva, o apologista tem a iniciativa e apresenta argumentos contundentes que amparam sua convicção religiosa e conseqüentemente (às vezes até involuntariamente) se opõe às demais convicções de fé. Nesta abordagem estratégica o apologista trabalha demonstrando evidências que comprovam a sua crença e, ao contrário, da abordagem negativa, não depende de um ponto doutrinário pré-estabelecido para iniciar sua tarefa. Observamos, portanto, duas atitudes comportamentais distintas, embora convergentes ao mesmo objetivo.[3]
Embasamento bíblico
Apologética não é uma opção deixada ao crente para que decida, sem qualquer implicação, se quer ou não realizá-la. Igualmente, também não é uma recente característica ou tendência da fé cristã contemporânea. Mais propriamente, a apologética figura como um elemento essencial da Bíblia. Cerca de 90% de todo o Novo Testamento foi escrito com finalidade apologética. Grande parte das epístolas aludem a questões que perpassam à essa temática. Há vários versículos no Novo Testamento que permitem um correto embasamento bíblico para o ministério apologético. São eles:
“Antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pe. 3.15)
“…estes por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho” (Fp. 1.16)
“Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos” (Jd. 1.3)
“…retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes” (Tt. 1.9)
Um Contraponto – O Testemunho Do Espírito Santo
Embora seja verdade que a apologética é indispensável a um ministério cristão bem sucedido há, no entanto, de ser esclarecido que a apologética se torna desnecessária para que a fé cristã seja garantida. Quanto a isso o filósofo cristão Willian Craig nos adverte que:
Os argumentos e evidências apologéticas não são necessários para que a crença cristã seja garantida para qualquer pessoa. A fé em Cristo pode ser imediatamente fundamentada no testemunho interior do Espírito Santo (Rm. 8.14-16; 1 Jo. 2.27). Se o testemunho do Espírito Santo na vida de uma pessoa é suficientemente poderoso (como deve ser), então isso irá simplesmente se sobrepor à qualquer objeções dirigidas à crença Cristã, dessa forma removendo a necessidade de apologética defensiva. Um crente não instruído o suficiente para refutar argumentos anti-Cristãos está garantido em sua crença se baseando apenas no testemunho interno do Espírito mesmo quando confrontado com tais objeções não refutadas. Mesmo quando uma pessoa é confrontada com o que é, para ela, objeções irrespondíveis ao teísmo Cristão ela ainda assim, devido à obra do Espírito Santo, está dentro de seus direitos epistêmicos – digo mais, sob obrigação epistêmica – de crer em Deus. Visto que crenças pautadas no testemunho objetivo e verídico do Espírito são parte das invalidáveis considerações da razão, a fé do crente é garantida mesmo se não tiver nenhuma noção de argumentos apologéticos (como é o caso da maioria dos Cristãos hoje e da história da Igreja).
Francis Schaeffer vai mais adiante e argumenta que a apologética não deve ser usada como um conjunto de regras fixas e impessoais, mas que a explanação da fé deve estar sujeita à direção do Espírito Santo e à consciência da individualidade de cada pessoa.
Mas não se segue daí que a apologética Cristã seja, portanto, inútil ou não tenha nenhum beneficio em garantir a fé Cristã.
O Dr. John Warwick Montgomery, apologeta cristão de grande proeminência, destaca que a apologética não pode substituir a fé e muito menos suplantar a ação do Espírito Santo, entretanto, ela atua como um instrumento indispensável que elucida as verdades bíblicas, ajudando a preservá-las. Ao mesmo tempo em que a Bíblia nos ordena a pregar a palavra a tempo e fora de tempo, também nos ensina a redarguir, repreender e exortar com toda longanimidade e doutrina (IITm 4.2). E por que devemos proceder assim? O versículo seguinte responde: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” (IITm 4.3).
Tipos de Apologética
Há uma variedade de estilos e escolas de apologética Cristã. Os principais tipos de apologética Cristã que abordaremos incluem: apologética evidencialista, apologética pressuposicional, apologética clássica, apologética histórica e apologética experimental. Fora estas ainda temos apologética filosófica, apologética profética, apologética doutrinal, apologética bíblica, apologética moral, e apologética científica. Vejamos as principais:
Apologética clássica – este tipo de abordagem trabalha com o principal pressuposto teológico, isto é, a existência de Deus. É essa linha apologética que vai explorar os argumentos comprobatórios da existência divina. Os principais argumentos são:
a.) Cosmológico: uma vez que cada coisa existente no Universo, deve ter uma causa, deve haver um Deus, que é a última causa de tudo.
b.) Teleológico: existe um objetivo, um propósito para a criação do Universo e do ser humano.
c.) Ontológico: Deus é maior do que todos os seres concebidos porque existe na mente do homem um conhecimento básico da existência de Deus. Os teólogos que se destacaram como apologistas clássicos foram: Agostinho, Anselmo de Cantuária e Tomás de Aquino.
Apologética evidencial – Como já podemos inferir do próprio nome, esta linha apologética procura defender as doutrinas teológicas ressaltando as evidências que as envolvem, tais como: a infalibilidade da Bíblia, a veracidade da divindade de Cristo e sua ressurreição, entre outras. Um estudioso que representa bem esta classe de apologistas em nossos dias é Josh McDowell, autor do livro (um best seller) Evidências que exigem um veredicto.
Apologética histórica – Esta classe de apologética enfatiza as evidências históricas. Seus representantes acreditam que a existência de Deus pode ser provada com base apenas na evidência histórica, porém, isso não significa que não utilizem outros argumentos. Geralmente, o fundamento deste tipo de abordagem são os documentos do Novo Testamento e a confiabilidade de suas testemunhas. Podemos encontrar teólogos expoentes da apologética histórica nos primórdios da igreja, como Justino Mártir e Tertuliano.
Apologética experimental – Este tipo de apologética, geralmente, é apresentada por fiéis que arrogam para si experiências religiosas pessoais e, às vezes, exclusivas. Assim, alguns apologistas rejeitam este tipo de abordagem por seu caráter excessivamente místico e alegam que tais experiências são comprobatórias apenas para os que nelas crêem ou delas compartilham. Em suma, a apologética experimental se apóia na experiência cristã como evidência do cristianismo e está relacionada à teologia do leigo; ou seja, à teologia que não é acadêmica, mas popular.
Um ponto negativo desta abordagem é que ela se apresenta de forma um tanto quanto subjetiva. Ou seja, é difícil sentenciá-la como verdade ou fraude. O seu ponto positivo, porém, é que a nossa crença precisa, de fato, ser vivida, experimentada, do contrário não passará de teoria.
Apologética pressuposicional – Esta abordagem é chamada assim porque parte de uma pressuposição para construir sua defesa… O pressuposicionalismo pode ser assim classificado:
a.) Revelacional: todo o entendimento da verdade parte da pressuposição da revelação de Deus e da legitimidade da Bíblia em expor esta revelação.
b.) Racional: a pressuposição básica gira em torno da coerência do argumento. Se o cristianismo arroga para si a posição de única verdade, então isso implica em dizer e provar que todos os demais sistemas são falsos.
c.) Prático: a pressuposição aqui é a de que somente as verdades cristãs podem ser vividas.
Os teólogos que se destacaram como apologistas pressuposicionalistas foram: Cornelius Van Till e John Carnell.
Dentro do contexto da Apologética Contemporânea e tendo em vista a necessidade dos nossos jovens nas universidades, existem alguns argumentos e evidências que são importantes a favor da existência de Deus. Vamos a eles.
Argumento Cosmológico – Deus provê a melhor explicação para a origem do universo.
O argumento cosmológico vem em uma variedade de formas. Mas aqui iremos abordar dois tipos, o argumento cosmológico da contingência e o argumento cosmológico Kalam. O argumento cosmológico da contingência é simples e famoso e é apresentado da seguinte forma: 1 – Tudo o que existe tem uma explicação de sua existência, ou na necessidade de sua própria natureza ou em uma causa externa; 2 – Se o universo tem uma explicação de sua própria existência, essa explicação é Deus; 3 – O universo existe; 4 – Portanto, o universo tem uma explicação de sua existência (de 1 e 3); 5 – Portanto, a explicação da existência do universo é Deus (de 2 e 4). (CRAIG, 2010).
Considere a primeira premissa. De acordo com a premissa 1 existem dois tipos de coisas: que existem necessariamente e coisas que são produzidas por uma causa externa. Aquilo que existe necessariamente existem por sua própria natureza. É impossível a elas não existir. Elas não são causadas por outra coisa, elas existem necessariamente. Por contraste, as coisas que são trazidas a existência por alguma coisa não existem necessariamente. Elas existem contingencialmente. Elas existem porque algo as produziu. Objetos físicos, pessoas, planetas e galáxias pertencem a esta categoria. A premissa 1 afirma que todas as coisas que existem podem ser explicadas de uma dessas duas formas.
E a premissa 2? Embora a premissa 2 possa parecer um pouco controversa, o que é realmente estranho para o ateu é que a premissa 2 é logicamente equivalente a resposta típica do ateu ao argumento da contingência. Mas pense, duas afirmações são logicamente equivalentes, se é impossível para uma ser verdade e a outra falsa. Elas permanecem ou caem juntas. Os ateus sempre atacam a premissa 2 da seguinte maneira: (A) Se o ateísmo é verdade, o universo não tem nenhuma explicação de sua existência; (Porém, na explicação do ateísmo, o universo é a realidade última e existe apenas como um fato bruto. Mas isso é logicamente equivalente a dizer o que está a seguir) (B) Se o universo tem uma explicação de sua existência, então o ateísmo é falso. Você não pode afirmar (A) e negar (B). Mas (B) é virtualmente sinônimo com a premissa 2 (pode comparar as duas). Então dizendo que, dado o ateísmo, o universo não tem nenhuma explicação, o ateu está implicitamente admitindo a premissa 2: se o universo tem uma explicação, então Deus existe. Somando a isso, pense sobre o que o universo é: toda a realidade do espaço-tempo, incluindo toda a matéria e energia. Segue-se que se o universo tem uma causa de sua existência, essa causa deve ser um ser não físico, imaterial, além do espaço-tempo. Existem apenas dois tipos de realidades que cabem nesta descrição: ou objetos abstratos como números ou uma mente incorpórea, Deus. Esse argumento prova a existência do Criador do universo que é não-causado, está fora do espaço, é atemporal, e imaterial.
O argumento cosmológico Kalam baseado no inicio do universo é uma versão diferente do argumento cosmológico. Este nome é dado em homenagem aos pensadores mulçumanos medievais (Kalam é a palavra árabe para teologia). O argumento ocorre assim: 1. Tudo o que passa a existir tem uma causa; 2. O universo passou a existir; 3. Portanto, o universo tem uma causa. Mais uma vez chegamos a conclusão de que o universo tem uma causa, então podemos analisar que propriedades essa causa deve ter e atribuir o seu significado teológico. Novamente, o argumento é logicamente rígido. Então a única questão é se as duas premissas são mais plausíveis do que sua negação. A premissa 1 obviamente parece ser verdadeira, pelo menos mais do que sua negação. Primeiro, ela está enraizada na verdade necessária que algo não pode vir sem causa do nada. Dizer que algo pode vir causado do nada é pior do que mágica. A segunda premissa pode ser apoiada tanto por argumentos filosóficos quanto por evidência científica. O argumento filosófico objetiva mostrar que não pode ter um regresso infinito dos eventos passados. Em outras palavras, a série de eventos devem ser finitas e deve ter tido um inicio. Alguns destes argumentos tentam mostrar que é impossível para um número infinito de coisas existir; portanto, um número infinito de eventos passados não pode existir. Outros tentam mostrar que uma série realmente infinita de eventos passados nunca poderia decorrer; desde que a série de eventos passados, obviamente decorridos, o número de eventos passados deve ser finito. A evidência científica para a premissa 2 está baseada na expansão do universo e nas propriedades termodinâmicas do universo. De acordo com o modelo do Big Bang da origem do universo, o espaço físico e o tempo, junto com toda a matéria e energia no universo passou a existir em um ponto no passado 13.7 bilhões de anos atrás.
O que faz o Big Bang tão maravilhoso é o que ele representa a origem do universo literalmente do nada. Como o Físico P. C. W. Davies explica, “O surgimento do universo, como discutido na ciência moderna…não é apenas uma questão de impor algum tipo de organização…sobre um estado prévio incoerente, mas literalmente o surgimento de todas as coisas físicas do nada”. Claro, coomólogos propuseram teorias alternativas através dos anos tentando evitar este inicio absoluto, entretanto nenhuma dessas teorias tem convencido a comunidade científica como mais plausível do que a teoria do Big Bang. Por exemplo, três astrofísicos famosos, Arvind Borde, Alan Guth, e Alexander Vilenkin disseram em 2003 que qualquer universo que está em um estado cósmico de expansão não pode ser eterno no passado, mas deve ter tido um começo absoluto. Ninguém mais pode se esconder atrás da possibilidade de um universo eterno, não há escapatória, eles tem que encarar o problema de um começo cósmico, disse Vilenkin. Somando-se a evidência baseada na expansão do universo, temos a evidência termodinâmica a favor do inicio do universo. A Segunda Lei da Termodinâmica prevê que em um número finito de tempo o universo entrará em atrito e se diluirá em um estado frio, negro e sem vida. Mas se o universo existiu por um tempo infinito no passado o universo deveria estar agora em uma condição desolada. Segue-se tão logicamente das duas premissas que o universo tem uma causa. O proeminente filósofo ateu Daniel Dennett concorda que o universo tem uma causa, mas ele acha que a causa do universo é o próprio universo. Isso mesmo, ele acha que o universo criou a si mesmo! (CRAIG, 2010).
Outro astrofísico, Quentin Smith, disse que se o universo foi criado, foi criado do nada, por nada e para nada! (CRAIG & SMITH, 2003). Então, quais as propriedades que a causa do universo possui? Como a causa do espaço-tempo, deve existir fora do tempo e do espaço. Esta causa transcendente deve ser imutável e imaterial porque tudo o que é atemporal deve também ser imutável e tudo o que é imutável deve ser não físico e imaterial desde que as coisas materiais estão constantemente mudando em níveis molecular e atômico. Como a primeira causa criou com planejamento e criou seres pessoais, ele deve ser uma mente incorpórea. Todas estas características são relacionadas no Deus revelado na Bíblia.
Dadas as evidências científicas que nós temos sobre o nosso universo e suas origens, e reforçado por argumentos apresentados por filósofos por séculos, é altamente provável que o universo teve um inicio absoluto. Desde que o universo, como todas as demais coisas, não poderiam meramente passado a existir sem uma causa, deve existir uma realidade transcendente além do tempo e do espaço que trouxe o universo a existência. Esta entidade deve ser enormemente poderosa. Somente uma mente transcendente e incorpórea se encaixa adequadamente com esta descrição, como vimos acima. Para piorar a questão do Evolucionismo e do Ateísmo como um todo, vamos analisar a cronologia das descobertas científicas da Origem do Universo. Até 1917, os ateus pensavam que o Universo era necessário e a matéria era eterna. Quais as implicações desses pensamentos? Se isso fosse verdade, Deus não existe. Mas em 1917, Albert Einstein formulou a sua famosa Teoria da Relatividade. Quais as implicações das descobertas de Einstein? O universo teve origem em um passado finito. Implicações? Deus existe! Ele descobriu o evento que os ateus denominaram de Big Bang. Vejamos mais ou menos como foi:[4]
1 – 1917 – Einstein formula a Teoria da Relatividade; Mas ela precisava ser confirmada por outras observações científicas. Por exemplo, para que o universo tivesse sido criado, o Universo teria que estar em expansão. O flash de luz de quando o universo surgiu deveria ser encontrado. Todas as estrelas e galáxias deveriam poder ser rastreadas até o ponto de onde elas surgiram.
2 – 1919 – O Astrônomo inglês Arthur Eddington, um ateu, fazendo um experimento durante um eclipse solar, confirma que a Teoria de Einstein era verdadeira. Ele ficou tão frustrado com a descoberta, por causa das implicações que disse: ―”Eu preferiria ter encontrado um verdadeiro buraco”.[5]
3 – 1927 – O Astrônomo holandês William de Sitter descobriu que o Universo está em expansão;[6]
4 – 1929 – O próprio Albert Einstein vai até o Observatório no Monte Wilson e vê pelo telescópio o universo em expansão. Ele ficou tão impactado com essa observação que proferiu a sua famosa frase: ―”Quero saber como Deus criou o universo”;
5 – 1965 – Os cientistas Arno Penzias e Robert Wilson dos laboratórios Bell, fazendo um experimento, descobriram uma luz avermelhada sendo captada pelas antenas. Eles subiram nos telhados, limparam os dejetos de pombos e quando voltaram, aquele brilho avermelhado vinha de todos os lados do Universo. Eles haviam “tropeçado” na maior descoberta científica do século 19. Eles descobriram a luz de quando o Universo foi criado; Quando eles foram receber o prêmio Nobel de Física, eles leram o Salmo 19.1.
6 – 1989 – A Nasa lança um satélite de 200 milhões de dólares, chamado de COBE – Cosmic Background Explorer. Tentando rastrear a semente de cada estrela e galáxia no universo.
7 – 1992 – George Smoot, líder da pesquisa com o COBE, divulgou as descobertas do satélite. Ele disse que era possível rastrear cada estrela ou galáxia até o ponto de onde eles surgiram. Ele ficou tão impactado com a descoberta, que disse: ―Se você é religioso é como estar olhando para Deus […] são marcas mecânicas da criação do universo ou impressões digitais do Criador. Detalhe, George Smoot é ateu.
Um dos principais detalhes destas descobertas científicas era que antes dessa criação, não existia exatamente nada. Nem tempo, espaço ou matéria. O que diz o livro de Gênesis 1.1? ―No principio [tempo], criou Deus os céus [espaço] e a terra [matéria].A evidência científica confirma o que a Bíblia já afirmava a milhares de anos atrás.Como as coisas são engraçadas.
Argumento Teleológico – Deus provê a melhor explicação para o ajuste fino do universo.
A física contemporânea tem estabelecido que o universo é milimetricamente ajustado para a existência de vida interativa e inteligente. Ou seja, para que vida inteligente e interativa exista, as constantes e as quantidades fundamentais da natureza devem estar em uma faixa incompreensivelmente estreita para permitir a vida. Existem três explicações rivais a este ajuste fino extraordinário: necessidade física, acaso ou design. Os dois primeiros são altamente implausíveis, dadas as constantes e quantidades fundamentais independentes das leis da natureza e as manobras desesperadas necessárias para salvar a hipótese do acaso. Isto deixa o design como a melhor explicação. David Wood afirma que existem duas versões principais do Argumento do Design: (1) o Argumento da Sintonia Fina, e (2) o Argumento da Complexidade Biológica. Os Físicos estão bem conscientes do fato de que as constantes no nosso universo parecem tão bem ajustadas para a vida. Se a força gravitacional, a força nuclear fraca, a força nuclear forte e a força eletromagnética fossem alterados mesmo levemente, os seres humanos não existiriam. Desde que não existe nenhuma explicação naturalista em porque estes valores deveriam estar exatamente corretos para a vida, a sintonia fina do cosmos fornece uma forte evidência de um projeto inteligente. Um cosmos ajustado de maneira primorosa para a vida, no entanto, não nos fornece a vida. Passos adicionais são requeridos para alcançar células vivas, organismos multicelulares, ecossistemas completos e especialmente seres conscientes, auto reflexivos. A complexidade de até mesmo o mais básico organismo vivo (deixe somente a complexidade de vida mais avançada) é evidência adicional de um projeto inteligente (apud DEMBSKI & LICONA, 2010, p. 41).
Craig afirmou, quando debateu com Flew em 1998, que durante os últimos trinta anos os cientistas têm descoberto que a existência de vida inteligente depende de um balanço delicado e complexo das condições iniciais dadas unicamente no próprio Big Bang. Nós agora sabemos que universos onde a vida é impossível são vastamente mais prováveis do que qualquer universo onde a vida é possível, como o nosso. Qual é mais provável? Bem, a resposta é que as chances de existência de um universo onde a vida é possível são tão infinitesimais quanto incompreensíveis e incalculáveis (CRAIG, apud WALLACE 2003, p. 22). Craig, quando debatia com Flew, também destacou sobre as constantes da física. Os dados que ele trás são reveladores:
Por exemplo, Stephen Hawking estimou que se a taxa de expansão do universo, um segundo após o Big Bang tivesse sido menoraté mesmo em uma parte de cem mil milhões de milhões, o universo teria entrado em colapso dentro de uma bola de fogo ardente.
P.C.W. Davies calculou que as probabilidades contra as condições iniciais serem adequadas para a formação posterior das estrelas (sem as quais os planetas não existiriam) é o número 1 seguido de um mil bilhões de bilhões de zeros no mínimo.
Frank Tipler e John Barrow também estimaram que uma mudança na força da gravidade ou na força fraca por apenas uma parte em 10100 teria impedido a permissão da vida no universo.
Existem cerca de 50 quantidades e constantes como estas, presentes no Big Bang que deveriam ser finamente sintonizadas para que a vida fosse possível no universo. E não é somente cada quantidade que deve ser finamente ajustada. As proporções delas ligadas umas com as outras também devem ser extraordinariamente ajustadas (CRAIG, apud WALLACE 2003, p. 24).
Estes dados são incrivelmente relevantes e apontam, sem sombra de dúvidas, para o Designer do Universo. Como afirmou o biólogo Jonathan Wells “Como todas as outras teorias científicas, a evolução Darwiniana deve ser continuamente comparada com a evidência. […] Se ela não se encaixa com a evidência, ela deve ser reavaliada ou abandonada – do contrário isso não é ciência, mas mito” (STROBEL, 2004, p. 277.). Strobel escreveu, “Para abraçar o Darwinismo, a pessoa deve crer que:
·         O nada produz tudo
·         A não vida produz vida
·         Aleatoriedade produz ajuste fino
·         Caos produz informação
·         Inconsciência produz consciência
·         Irracional produz a razão.
E ele arremata “Baseado nisto, eu fui forçado a concluir que o Darwinismo requereria um salto cego de fé, coisa que eu não estava querendo fazer” (STROBEL, 2004, p. 277).
Argumento Moral – Deus provê a melhor explicação dos valores e obrigações morais objetivas
Mesmo os ateus reconhecem que algumas coisas, por exemplo, o Holocausto, são objetivamente más. Mas, se o ateísmo é verdadeiro, que bases existem para a objetividade dos valores morais que nós afirmamos? Evolução? Condicionamento Social? Estes fatores podem, na melhor das hipóteses, produzir em nós sentimentos subjetivos que existem valores e obrigações morais objetivas, mas eles não fazem nada para prover a base para estes sentimentos. Se a evolução humana tomou um caminho diferente, um conjunto de sentimentos morais muito diferentes pode ter evoluído. Em contraste, o próprio Deus serve como o paradigma de bondade e seus mandamentos constituem nossas obrigações morais. Assim, o teísmo provê a melhor explicação das obrigações e valores morais objetivos.
Se Deus não existe, então, valores morais objetivos não existem. Muitos teístas e ateístas concordam semelhantemente nesse ponto. Por exemplo, Russel observou:
A ética surge da pressão da comunidade sobre o individuo. O homem…nem sempre sente instintivamente os princípios que são aplicados pelo seu grupo. O grupo, ansioso que o individuo agisse em seu benefício, inventou vários dispositivos para fazer os interesses do individuo alinharem-se com os do grupo. Um desses…é a moralidade.
Michael Ruse, um filósofo da ciência na Universidade de Guelph, concorda. Ele explica:
Moralidade é uma adaptação biológica, não menos do que as mãos, os pés e os dentes…considerados como uma racionalidade justificável, um conjunto de declarações sobre alguma coisa objetiva, [ética] é ilusória. Eu aprecio quando alguém diz ‘ame seu próximo como a si mesmo’; eles acham que estão se referindo sobre e além de si mesmos…não obstante,….tal referência é verdadeiramente sem fundamento. Moralidade é apenas uma ajuda à sobrevivência e reprodução…e qualquer significado mais profundo é ilusório…
Friedrich Nietzsche, o grande ateu do século dezenove que proclamou a morte de Deus, entendeu que isso significava a destruição de todo o significado e valor da vida. Eu acho que Friedrich Nietzsche estava certo. Mas nós temos que ser muito cuidadosos aqui. A questão aqui não é: “Nós devemos crer em Deus a fim de viver vidas morais?”. Eu não estou dizendo que nós devemos. Nem essa é a questão: “Nós podemos reconhecer valores morais objetivos sem crer em Deus?”.
Eu acho que nós podemos. Ao invés, a questão é: “Se Deus não existe, valores morais objetivos existem?”.Como Russell e Ruse, eu não vejo qualquer razão para achar que na ausência de Deus, a moralidade do grupo, evoluída do homo sapiens é objetiva. Depois de tudo, se não existe nenhum Deus, então, o que há de tão especial nos seres humanos? Eles são somente subprodutos acidentais da natureza, os quais evoluíram relativamente a pouco tempo a partir de um grão de poeira infinitesimal, perdidos em algum lugar em um universo hostil e sem sentido, e condenados a perecer coletivamente e individualmente em um futuro relativamente próximo. Na visão ateísta, como vimos, algumas ações – por exemplo, estupro – podem não ser socialmente vantajosas e então, no curso do desenvolvimento humano, tornaram-se um tabu. Mas isso não prova absolutamente nada no sentido de que o estupro é realmente errado. Na visão ateísta, não há nada realmente errado no fato de você estuprar alguém. Assim, sem Deus não existe nenhum certo ou errado absoluto que se impõe em nossa consciência. Mas o problema é que valores morais absolutos existem e, no fundo, eu acho que todos nós sabemos disso (WALLACE 2003).
Segundo alguns ateus famosos, aqui estão algumas conseqüências necessárias do ateísmo.Deus não existe; não existe nada, apenas o mundo físico (Dan Barker – Protestsignatthe Washington State Capital). Os seres humanos não são nada, apenas máquinas que geraram o DNA (Richard Dawkins – The God Delusion). A moralidade está baseada em um consenso dos seres humanos (Gordon Stein – “The Great Debate: Does God Exist?”). Se isso é verdade, então seria impossível considerar as coisas como absolutos morais, leis da lógica ou a dignidade humana; três coisas que todos entendemos ser indisputáveis (CÓLON, 2010). Antes de prosseguir, é bom destacar o que significa padrões objetivos de moralidade. Craig, quando debateu com o ateu Stephen Law, trouxe uma definição do que significa o termo, ele disse: “Por valores morais objetivos, eu quero dizer os valores que são válidos e obrigatórios quer as pessoas creiam neles ou não. Muitos teístas e ateus concordam que se Deus não existe, então, os valores e as obrigações morais não são objetivas neste sentido” (CRAIG & LAW, 2011). Considere o argumento seguinte fornecido por David Wood:
1.      Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem.
2.      Valores morais objetivos existem.
3.      Portanto, Deus existe. (apud DEMBSKI & LICONA, 2010, p. 41).
Uma das pessoas que defendia que os valores eram estabelecidos unicamente pelo homem foi o filósofo humanista Paul Kurtz. Quando Craig debateu com ele com o tema Is Goodness Without God Good Enough? [a tradução livre ficaria assim: a bondade sem Deus é boa o suficiente?]. Paul Kurtz, apesar de ateu, defende os valores morais a parte de Deus e defende uma singularidade especial nos seres humanos também a parte de Deus, apesar de defender que o homem não é nada! Craig percebeu a falha do argumento dele na sua fala:
Em um livro recente, ele [Kurtz] utilmente distingue três visões em resposta a estas questões. O Teísmo mantém que os valores morais são fundamentados em Deus. O Humanismo mantém que os valores morais são fundamentados nos seres humanos. E o Nihilismo mantém que os valores morais não têm absolutamente nenhum fundamento e, portanto são, por fim, ilusórios e não comprometedores. Esta análise é instrutiva porque nos ajuda a ver que o Dr. Kurtz está engajado em uma luta em dois fronts: de um lado contra o teísta e de outro lado contra o niilista. Isto é importante porque nos ajuda a ver que o humanismo não é uma posição sem concorrentes. Isto é, se o teísta está errado, isto não quer dizer que o humanista está certo. Porque se Deus não existe, talvez o niilista esteja certo. A fim de conduzir este caso, o Dr. Kurtz deve vencer a ambos, o teísta e o niilista. Em particular, ele deve mostrar que na ausência de Deus, o niilismo não seria verdade (CRAIG, apud KING & GARCIA, 2009, p. 29).
Ora, se Deus não existe não existem valores morais objetivos. Afirmar que o homem criou regras não as torna objetivas. Afirmar que valores são produtos da evolução para a preservação da espécie não torna os valores objetivos. Todos os seres vivos tem mecanismos de defesa inatos que os leva a luta pela sobrevivência, e isso também não torna os valores objetivos. Estes mecanismos não tornam os valores no mundo animal objetivos. Se o ateu não aceita a objetividade dos valores ele terá que abraçar o Niilismo. Vamos analisar o problema do mal.
O Problema do Mal a Luz do Ateísmo
1.      Stephen Evans descreve o Problema do Mal com as seguintes palavras: “Dificuldade colocada pela existência do mal (tanto o mal moral e o mal natural) em um mundo criado por um Deus que é ao mesmo tempo completamente bom e todo-poderoso. Alguns ateus argumentam que, se tal Deus existisse, não haveria mal, uma vez que Deus iria tanto querer eliminar o mal e seria capaz de fazê-lo. Um argumento que o mal é logicamente incompatível com a realidade de Deus constitui a forma lógica ou dedutiva do problema. Um argumento que o mal faz a existência de Deus improvável ou menos provável é chamado de evidencial ou forma probabilística do problema. As respostas para o problema incluem teodicéias que tentam explicar por que Deus permite o mal, geralmente, especificando um bem maior que o mal faz possível, e defesas, que argumentam que é razoável acreditar que Deus é justificado em permitir o mal, mesmo se não sabemos quais são suas razões” (2002, p. 42). Mas o ateu tem o direito de reivindicar o problema do mal? O mal é incompatível com a existência de Deus?
Embora[7] seja comum pensar que apenas os teístas tem que explicar a existência do mal, a verdade é que cada visão de mundo tem a mesma obrigação. Religiões panteístas orientais tentam contornar o problema, negando que o mal existe. O mal é uma ilusão, eles dizem (e de acordo com eles, você também!). Os teístas dizem que mal é real e tentam explicar como o mal e Deus podem coexistir. Os ateus tendem a ficar no meio. De um lado eles estão alegando que não há bem, o mal ou a justiça, porque só as coisas materiais existem – nós somos apenas máquinas moleculares materiais “dançando ao som da música” do nosso DNA (como o próprio Dawkins colocou). Por outro lado eles estão indignados com as grandes injustiças e o mal feito por pessoas religiosas em nome de Deus [neste exemplo, os islâmicos].
Bem, os ateus não podem ter as duas coisas. Ou o mal existe ou não. Se ele não existir, então os ateus devem parar de reclamar sobre as coisas “más” que as pessoas religiosas têm feito, porque eles não têm realmente feito nada. Eles estavam apenas “dançando ao som da música” de seu DNA. Afinal de contas, se o ateísmo é verdadeiro, todos os comportamentos são apenas uma questão de preferência. Por outro lado, se o mal realmente existe, então os ateus têm um problema ainda maior. A existência do mal, na verdade, estabelece a existência de Deus. Para explicar por que, precisamos voltar para Agostinho, que intrigado com o seguinte argumento:
1.      Deus criou todas as coisas.
2.      O mal é uma coisa.
3.      Portanto, Deus criou o mal.
Como poderia um Deus bom criar o mal? Se essas duas primeiras premissas são verdadeiras, Ele criou, e este é um problema para Deus. Então, Deus não deve ser bom afinal de tudo. Mas então Agostinho percebeu que a segunda premissa não é verdadeira. Enquanto o mal é real, ele não é uma “coisa”. O mal não existe por si só. Ele só existe como uma falta ou uma deficiência em uma coisa boa.
O mal é como a ferrugem em um carro: Se você tirar toda a ferrugem do carro, você tem um carro melhor; se você tirar o carro da ferrugem, você não tem nada. Ou você poderia dizer que o mal é como um corte em seu dedo: Se tirar o corte do seu dedo, você tem um dedo melhor; se você tirar o dedo do corte, você não tem nada. Em outras palavras, o mal só faz sentido no contexto do bem. É por isso que com frequência descrevemos o mal como negações de coisas boas. Nós dizemos que alguém é imoral, injusto, desleal, desonesto, etc.
Nós poderíamos colocar desta forma: As sombras provam a luz do sol. Pode haver sol sem sombras, mas não pode haver sombras sem luz do sol. Em outras palavras, pode haver o bem sem o mal, mas não pode haver mal sem bem.
Assim, o mal não pode existir a menos que o bem exista. Mas o bem não pode existir a menos que Deus exista. Em outras palavras, não pode haver nenhum mal objetivo a não ser que haja o bem objetivo, e não pode haver nenhum bem objetivo a não ser que Deus exista. Se o mal é real – como as notícias recentes da França claramente revelam – então Deus existe. O melhor que o mal pode fazer é mostrar que há um demônio lá fora, mas não pode refutar Deus.
C.S. Lewis era um ateu que pensava que o mal refutava Deus. Mais tarde, ele percebeu que ele estava roubando de Deus, a fim de discutir com ele. Ele escreveu: “[Como ateu] meu argumento contra Deus era que o universo parecia tão cruel e injusto. Mas como eu tive essa ideia de justo e injusto? Um homem não chama uma linha torta, a menos que ele tem alguma ideia de uma linha reta. Com o que eu estava comparando este universo quando eu o chamei de injusto?” (TUREK, 2014, p. 115). Ravi Zacharias chegou a mesma conclusão com a seguinte lógica, quando conversava com um ateu:
Quando o senhor afirma que existe o mal, não está admitindo que existe o bem? Quando o senhor aceita a existência da bondade, está declarando uma lei moral com base na qual diferencia o bem do mal. Mas quando o senhor admite uma lei moral, deve reconhecer que há um legislador moral. Isso, porém, o senhor está tentando desaprovar, não provar. Pois, se não existe legislador moral, não existe lei moral. Se não existe lei moral. Se não existe lei moral, não existe o bem. Se não existe o bem, não existe o mal. Qual é então a sua pergunta? (ZACHARIAS, 1997, p. 237).
Apesar de toda discussão em torno do problema do mal no mundo entre cristãos e suas diferenças sobre o assunto, o ateu não pode ter razões justificáveis de afirmar que a existência do mal é incompatível com a existência de Deus. Não por algo dentro da doutrina cristã, mas pela própria visão de mundo ateísta.
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REFERÊNCIAS
CÓLONBrian. Atheism: A Falsified Hypothesis. Disponível em: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-atheism-falsified-hypothesis-by.html, acesso em 01/01/2015
CRAIG, William Lane. A Veracidade da Fé Cristã (H. U. Fuchs, trad.). São Paulo: Edições Vida Nova, 2004.
CRAIG, William Lane. The New Atheism and Five Arguments for God. 2010. Disponível em: http://www.reasonablefaith.org/the-new-atheism-and-five-arguments-for-god#ixzz3QAelIaUc, acesso: 28/01/2015
CRAIG, William Lane; LAW, Stephen. Does God Exist? The Craig-Law debate (2011). Disponível em: http://www.reasonablefaith.org/does-god-exist-the-craig-law-debate, acesso em 01/01/2015
CRAIG, William Lane; SMITH, Quentin. Does God Exist? Disponível em http://www.reasonablefaith.org/does-god-exist-the-craig-smith-debate-2003, acesso em 01/01/2015
D’SOUZA, Dinesh. A Verdade sobre o Cristianismo: Por que a religião criada por Jesus é moderna, fascinante e inquestionável; [tradução Valéria Lamim Delgado Fernandes]. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2008

DEMBSKI, William A; LICONA, Michael R (Ed.). Evidence for God: 50 Arguments for Faith from the Bible, History, Philosophy and Science. Grand Rapids, MI: Baker Books, 2010.
EVANS, C. Stephen. Pocket Dictionary of Apologetics & Philosophy of Religion. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2002.
GEISLER, Norman L. Enciclopédia de Apologética (L. Noronha, trad.). São Paulo: Editora Vida, 2002.
GEISLER, Norman L; TUREK, Frank. Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu (E. Justino, trad.). São Paulo: Editora Vida, 2006.
KING, Nathan L.; GARCIA, Robert K. (Eds.). Is Goodness without God Good Enough?: A Debate on Faith, Secularism, and Ethics. Lanham, Maryland: Rowman & Littlefield Publishers, 2009
MARTINEZ, João Flávio. Curso de Apologética Aplicada. São Paulo: Centro Apologético Cristão de Pesquisas, 2014.
STROBEL, Lee. The Case For A Creator: A Journalist Investigates Scientific Evidence That Points Toward God. Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 2004
TUREK, Frank. Stealing from God: Why atheists need God to make their case. Colorado Springs, CO: NavPress, 2014
WALLACE, Stan W (ed.). Does God Exist? The Craig-Flew Debate. Burlington, USA: Ashgate Publishing, 2003
ZACHARIAS, Ravi. Pode o Homem Viver sem Deus? São Paulo: Mundo Cristão, 1997
Autor: Por Walson Sales
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[1] Parte deste trecho da pesquisa sobre Apologética foi retirado e adaptado do Curso de Apologética Aplicada ministrado pelo Pastor João Flávio Martinez, Presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas – CACP. Salvo indicação em contrário demonstrado por citação.
[2] Nota importante: Apesar dos termos apologia e apologética serem semanticamente similares são, entretanto, diferentes. Entendemos que o termo apologética reporta a uma ciência da apologia. É a ciência que estabelece a verdade do Cristianismo como uma religião absoluta.
[3] A apologética é um campo amplo e pode ser dividida em tipos. William Lane Craig as apresenta como ofensiva (de afirmação) e defensiva (de negação) e as subdivide em duas categorias: teologia natural e evidências cristãs. Que envolve tais assuntos: argumento ontológico, cosmológico, teleológico e moral. Ainda podem ser utilizados os seguintes argumentos: profecias bíblicas, as afirmações radicais de Cristo sobre si mesmo e a credibilidade dos evangelhos (2004, p. 15). Geisler as divide em 5 os tipos de sistemas apologéticos: apologética clássica, evidencial, experimental, histórica e pressuposicional (2002, p. 61-64).
[4]Todos os itens numerados foram retirados de Geisler&Turek (2006) comentados e ampliados pelo autor.
[5] Mas depois, o grande astrônomo inglês, Arthur Eddington, declarou que se o universo puder ser comparado a um relógio, o fato de que o tempo no relógio está constantemente passando leva a conclusão de que houve um momento em que se deu corda no relógio (apud D’SOUZA 2008, p. 139).Depois ele finalmente admitiu a veracidade do Big Bang, reconheceu que “o começo parece apresentar dificuldades insuperáveis a menos que concordemos em olhar para ele como algo francamente sobrenatural” (Ibdem, p. 147).
[6] No final da década de 1920, o astrônomo Edwin Hubble, olhando do telescópio de dois metros e meio do Observatório do Monte Wilson, na Califórnia, observou através do redshift (em termos simples, o desvio para o vermelho) da nebulosa distante que as galáxias estavam se afastando rapidamente uma das outras. O número de estrelas envolvidas nessa dispersão galáctica sugeria um universo espantosamente vasto, muito maior do que qualquer pessoa havia imaginado. Algumas galáxias estavam a milhões de anos-luz de distancia […] Hubble notou que planetas e galáxias inteiras estavam se afastando uns dos outros em velocidades fantásticas. Além disso, parecia que o próprio universo estava ficando maior. O universo não estava se expandindo para o espaço de fundo, porque o universo já contém todo o espaço que existe. Por incrível que pareça, o próprio espaço estava se expandindo junto com o universo (D’SOUZA 2008, p. 140).
[7] A partir daqui citarei de forma parafrásica o livro do Frank Turek (2014), ora denominado (TUREK 2014, p. 115) pela pujança e força no argumento, salvo indicação em contrário mencionado por citação.






[1] Alister Mc Grath chama estas pontes de “ponto de contato”. Para ele a apologética fundamenta-se nas doutrinas da criação e da redenção. Deus criou o mundo. Devemos verificar as marcas da criação, os sinais de transcendência, sobretudo na vida humana, que dão testemunho do Criador (cf Romanos 1- 2). Admite-se que há uma memória no homem a respeito da conexão entre o empírico e o ideal, bem como insinuações de sua restauração por meio da salvação. Cabe ao apologista mostrar que o evangelho cristão é coerente com esses pontos de contato (21). Como estas concepções podem ser usadas na apologética? (McGRATH, Alister. Apologética cristã no século XXI).
[2] CRAIG, W.L. Apologética para questões difíceis da vida, SP, Vida Nova, 2010 – pg. 28.
[3] FERNANDES, Robson T. Apologética: arte de defender a fé – pgs. 6 e 7.
[4] Platão foi um dos principais filósofos gregos da Antiguidade. Ele nasceu em Atenas, por volta de 427/28 a.C., foi seguidor de Sócrates e mestre de Aristóteles.
Em Platão a filosofia ganha contornos e objetivos morais, apresentando assim soluções para os dilemas existenciais. Esta práxis, porém, assume no intelecto a forma especulativa, ou seja, para se atingir a meta principal do pensamento filosófico, é preciso obter o aprendizado científico. O âmbito da filosofia, para Platão, se amplia, se estende a tudo que existe. Segundo o filósofo, o homem vivencia duas espécies de realidade – a inteligível e a sensível. A primeira (inteligível) se refere à vida concreta, duradoura, não submetida a mudanças. A outra (sensível) está ligada ao universo das percepções, de tudo que toca os sentidos, um real que sofre mutações e que reproduz neste plano efêmero as realidades permanentes da esfera inteligível. Este conceito é concebido como Teoria das Ideias ou Teoria das Formas.
Segundo Platão, o espírito humano se encontra temporariamente aprisionado no corpo material, no que ele considera a ‘caverna’ onde o ser se isola da verdadeira realidade, vivendo nas sombras, à espera de um dia entrar em contato concreto com a luz externa. Assim, a matéria é adversária da alma, os sentidos se contrapõem à mente, a paixão se opõe à razão. Para ele, tudo nasce, se desenvolve e morre. O Homem deve, porém, transcender este estado, tornar-se livre do corpo e então ser capaz de admirar a esfera inteligível, seu objetivo maior. O ser é irresistivelmente atraído de volta para este universo original através do que Platão chama de amor nostálgico, o famoso eros platônico.
Platão desenvolveu conceitos os mais diversos, transitando da metafísica para a política, destas para a teoria do conhecimento, abrangendo as principais esferas dos interesses humanos.
De uma maneira geral, os elementos centrais do pensamento platônico são:
·       A desconfiança dos sentidos - A doutrina das ideias, onde os objetos do conhecimento se distinguem das coisas naturais;
·       A confiança absoluta no poder da razão - A superioridade da sabedoria sobre o saber, uma espécie de objetivo político para a filosofia;
·       A necessidade da existência do mundo ideal para fazer possível a verdadeira ciência - A Dialética, enquanto procedimento científico;
·      A necessidade da purificação e do amor para a aquisição da verdade filosófica.

[5] O estoicismo (do grego Στωικισμός) é uma escola de filosofia helenística fundada em Atenas por Zenão de Cício no início do século III a.C. O estoicismo afirma que todo o universo é corpóreo e governado por um Logos divino (noção que os estoicos tomam de Heráclito de Éfeso e desenvolvem). A alma está identificada com esse princípio divino como parte de um todo ao qual pertence. Esse logos (ou razão universal) ordena todas as coisas: tudo surge a partir dele e de acordo com ele, graças a ele o mundo é um kosmos (termo grego que significa "harmonia" – de onde se deriva a palavra cosmético).
O estoicismo propõe viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo ao ser. O homem sábio obedece à lei natural, reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo, assim, manter a serenidade perante tanto as tragédias quanto as coisas boas. A partir disso, surgem duas consequências éticas. Primeiro, deve-se "viver conforme a natureza", e sendo a natureza essencialmente o logos essa máxima é prescrição para se viver de acordo com a razão. Segundo, sendo a razão aquilo por meio do que o homem torna-se livre e feliz, o homem sábio não apreende o seu verdadeiro bem nos objetos externos, mas usando estes objetos através de uma sabedoria pela qual não se deixa escravizar pelas paixões e pelas coisas externas.
O estoicismo ensina o desenvolvimento do autocontrole e da firmeza como um meio de superar emoções destrutivas. A ética estoica defende uma perspectiva determinista. um estoico de virtude, por sua vez, alteraria a sua vontade para se adequar ao mundo e permanecer, nas palavras de Epicteto, "doente e ainda feliz, em perigo e ainda assim feliz, morrendo e ainda assim feliz, no exílio e feliz, na desgraça e feliz".

[6] Filósofo e teólogo italiano. A sua obra marca uma etapa fundamental na escolástica. É ele que prossegue e conclui o trabalho de Alberto Magno. Monge dominicano ficou conhecido como o «doutor angélico». Em 1879, as suas obras foram reconhecidas como sendo a base da teologia católica. A filosofia de  Tomás de Aquino é conhecida como tomismo.
Na Suma Contra os Gentios, São Tomás de Aquino explica que há três modos pelos quais o homem pode conhecer às coisas divinas:
·       mediante a luz natural da razão e pelas criaturas
·       a verdade divina que excede o intelecto humano, desce até nós pela revelação
·       a mente humana é elevada à perfeita intuição das coisas reveladas.

[7] Karl Barth nasceu em Basel, Suiça, no dia 10 de maio de 1886. Barth foi um teólogo de confissão calvinista. Filho de pais religiosos, educado em meio a pastores conservadores.
Conhecida como teologia dialética ou teologia da crise, a obra de Barth é um vigoroso protesto contra o chamado neoprotestantismo, que predominou no século XIX e até a primeira guerra mundial. É também um restabelecimento das afirmações básicas da Reforma do século XVI.
A teologia de Barth está sistematizada principalmente em Die Christliche Dogmatik (A dogmática cristã)

[8] Um dos teólogos mais influentes do século XX, Rudolf Bultmann (1884-1976) se destacou com seus escritos históricos e interpretativos sobre o Novo Testamento. Ele foi, durante muitos anos, catedrático da Universidade de Marburg, na Alemanha.
Segundo Bultmann, a tarefa da teologia é a de descobrir um “conceptualismo”, cujos termos pudessem aproximar a mensagem do Novo Testamento a cosmovisão moderna. Em correspondência pessoal, ele sempre afirmou sua intenção proclamar uma mensagem contextualizada, ele se referiu certa vez a uma senhora que retornou à Igreja, depois de muito tempo afastada, por causa da leitura de um de seus livros.
Apoiando-se num esquema interpretativo existencialista, bastante influenciado pôr Martin Heidegger, seu colega na Universidade de Marburg, Bultmann passou sua vida lendo o Novo Testamento, como se fosse um documento heideggeriano, e se valendo de métodos histórico-críticos para eliminar do texto os elementos resistentes ao sistema filosófico existencialista.
Ele se propõe para a teologia a tarefa de desmitologizar a proclamação cristã, descobrindo a verdade que está inserida na concepção mítica do universo do Novo Testamento. A preocupação de Bultmann não era a eliminação dos mitos, pelo contrário, ele procurou uma reinterpretação da linguagem mitológica da Bíblia.
O alvo de Bultmann ao interpretar os mitos bíblicos era ressaltar a natureza da fé. Nesta ênfase à fé, manteve-se firme nas tradições de Paulo e de Lutero.
Bultmann crê que o Novo Testamento contém a Kerigma [5] salvadora de Cristo. A desmitologização consite em desnudar o mito do Novo Testamento e descobrir a Kerigma original.

[9] O dilema de Eutífron é apresentado por Platão no diálogo Eutífron, no qual Sócrates pergunta a Eutífron: "Então, a piedade (τὸ ὅσιον) é amada pelos deuses, porque é piedade, ou é piedade, porque é amada pelos deuses?"
[10] CRAIG, W.L. Apologética para questões difíceis da vida, SP, Vida Nova, 2010 – pg.127.

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