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By Ferramentas Blog

terça-feira, 15 de novembro de 2016

APOSTILA 24 - APOSTILA DE HERMENÊUTICA 1

APOSTILA DE HERMENÊUTICA
Professor: Cornélio Póvoa de Oliveira
www.semeandoabiblia.blogspot.com


DATA
AULA
HERMENÊUTICA
04/08
1
Apresentação
·         Conhecendo os alunos
·         1. Objetivos
·         2. Introdução
18/08

2
·         3. Definições
·         4. Origem
·         5. Hermenêutica Bíblica
·         6. Divisões da Hermenêutica Bíblica
25/08
3
·         7. A Necessidade da Hermenêutica
·         8. Características Necessárias Para Estudar as Escrituras
01/09
4
·         9. Pressuposições Gerais da Hermenêutica
·         10. Fatores Que Influenciam o Processo de Interpretação Bíblica
·         10.1 As Diversas Posições Sobre a Bíblia
08/09
5
·         10. Fatores Que Influenciam o Processo de Interpretação Bíblica
·         10.2 As Diversas Teologias Formuladas a Partir da Bíblia
·         10.3 As Diversas Teorias Formadas a Partir da Bíblia
15/09
6
·         11. Métodos da Hermenêutica
·         11.1 Método Analítico
·         Estudo do texto de 1 Timóteo 2 (alunos)
22/09
7
·         1ª PROVA HERMENÊUTICA 1
29/09

·         Estudo do texto de 1 Timóteo 2 (alunos e professor)
06/10

·         11. Métodos da Hermenêutica
·           11.2 Método Sintético
·           11.3 Método Temático
·           11.4 Método Biográfico -  Estudo de um personagem bíblico (livre)
13/10

·         12. Exegese
·           Exercícios de exegese: Lucas 13:18-21
20/10

·         13. Figuras Retóricas
27/10

·         13. Figuras Retóricas
03/11

·         14. Regras Fundamentais de Interpretação
10/11

·          
17/11

·         2ª PROVA HERMENÊUTICA 1
24/11

·         2ª PROVA PANORAMA ANT. TESTAMENTO


·         Recuperação





Bibliografia:  OSBORNE, Grant R. Espiral hermenêutica: A uma nova abordagem à interpretação bíblica; Editora Vida, São Paulo,



AULA 1

Ø  Dinâmica com o fim de conhecer os alunos

1 – OBJETIVOS
·         1.1. Nossa proposta com este estudo é levar os nossos alunos do Curso de Teologia e aos estudantes da Bíblia em geral a melhor interpretação da Bíblia possível.
·         1.2. Nosso alvo é alcançar tanto a intelectualidade como a espiritualidade do aluno, convidando-o à pesquisa, expondo a matéria de uma maneira simples e inteligível.


2 – INTRODUÇÃO
Os homens se diferem entre si economicamente, sexualmente, fisicamente, intelectualmente, historicamente, psicologicamente, espiritualmente, eticamente, politicamente, etc., e esse fato, naturalmente, faz com que eles distanciem mentalmente uns dos outros na capacidade intelectual, no gosto estético, na qualidade moral e etc. Todas estas diferenças provocam divergências de interpretação de textos, de fatos e acontecimentos gerais. Apesar destas divergências entre os homens, Deus tem um plano para os mesmos e este está revelado na Bíblia Sagrada. Este plano de Deus traça um mesmo caminho para reunir uma grande família em Cristo Jesus, com a unificação dos povos sem distinção de cor, raça, sexo, nacionalidades, condições social e econômica. (Gl 3.28; Cl 3.11). Diante deste quadro a aplicação da hermenêutica se torna imprescindível a unificação do conhecimento do Plano da Salvação para com todos os homens da terra.

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AULA 2

3 – DEFINIÇÕES
Hermenêutica é a ciência e arte de interpretar textos. 
A hermenêutica é a ciência que estabelece os princípios, leis e métodos de interpretação. Em sua abrangência trata da teoria da interpretação de sinais, símbolos e leis de uma cultura.
·         Hermenêutica é considerada ciência porque ela tem normas, ou regras, e essas podem ser classificadas num sistema ordenado.
·         Hermenêutica é considerada arte porque a comunicação é flexível e, portanto, uma aplicação mecânica e rígida das regras, às vezes, distorcerá o verdadeiro sentido de uma comunicação.
·         Hermenêutica é um ato de caráter espiritual, quando se trata da interpretação da Bíblia, pois deve ser realizada na dependência do Espírito Santo.
·         Exige-se do bom intérprete que ele aprenda as regras da hermenêutica bem como a arte de aplicá-las e que tenha uma vida piedosa.

Interpretar um texto implica em duas vertentes:
·         É tornar o autor bíblico contemporâneo do leitor (nós), aproximando-nos à compreensão da mesma época do autor.
·         É comentá-lo de forma a alcançar a capacidade de compreensão das pessoas a quem se deseja comunicar a sua mensagem. 

Ao interpretar devemos partir de três perguntas básicas:
·        O que o texto diz ou qual seu significado? (exegese);
·        O ele diz para mim ou qual seu significado para mim? (devocional);
·        Como compartilhar com você o que o texto diz ou seu significado para nós? (homilética).


4 – ORIGEM
A palavra HERMENÊUTICA é derivada do termo grego HERMENEUTIKE e o primeiro homem a empregá-la como termo técnico foi o filósofo Platão.
Uma das primeiras ciências que o pregador deve conhecer é certamente a hermenêutica. Porém, quantos pregadores há que nem de nome a conhecem! Que é, pois, a hermenêutica? "A arte de interpretar textos", responde o dicionário. Porém a hermenêutica (do grego hermenevein, interpretar), da qual nos ocuparemos, forma parte da Teologia exegética, ou seja, a que trata da reta inteligência e interpretação das Escrituras bíblicas.


5 – HERMENÊUTICA BÍBLICA
Esta é uma disciplina do curso de teologia da mais alta importância por ser o ponto de convergência de todo conhecimento bíblico, teológico e geral. Todo conhecimento será importante no momento da exegese.
Através das regras da Hermenêutica, o estudante é capaz de organizar, compreender, comentar e aplicar o material bibliográfico à sua disposição.
A hermenêutica é importante porque capacita a pessoa a se movimentar do texto para o contexto, para que o significado inspirado por Deus na Bíblia fale hoje com uma relevância tão nova e dinâmica quanto em seu ambiente original. Além disso, pregadores ou professores devem anunciar a Palavra de Deus em vez de suas opiniões religiosas repletas de subjetividade. Só uma hermenêutica bem definida pode manter alguém atrelado ao texto.


6 – DIVISÕES DA HERMENÊUTICA BÍBLICA
A Hermenêutica Bíblica pode ser divida em geral e especial.
·         Hermenêutica Geral cuida das regras gerais de interpretação da Bíblia, se aplica à interpretação de qualquer obra escrita. Aqui olhamos para o contexto mais amplo dentro do qual uma passagem se encontra. Por exemplo: Imagine que você ouça alguém mencionar a palavra “certo”. O que a pessoa está dizendo? Certo porque não houve erro algum na tarefa que fez; certo porque estava convencida do que o outro disse; certo conforme o que havia sido acordado anteriormente. O contexto histórico e lógico nos ajudam a compreender o contexto fornecendo os alicerces para a interpretação do texto.
o   Contexto histórico nos apresenta a autoria, data, a quem é dirigido e seu propósito.
o   Contexto lógico é o mapeamento do livro e da passagem que está sendo lida. Lembro que um verso deve ser lido no contexto de seu paragrafo.
·         Hermenêutica Especial cuida das formas especiais de interpretação, como: símbolos, tipos, figuras de linguagem e profecias. Esta forma de interpretação se aplica a determinados tipos de produção literais tais como: Leis, histórias, profecias, poesias, etc.

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AULA 3

7 – A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA
A necessidade se dá pela razão que mencionamos em nossa introdução, isto é, pela diversidade de diferença que existe de um homem para outro e podemos ainda acrescentar a razão primária da necessidade da hermenêutica que é o pecado.  Dessa forma podemos dizer que a necessidade da hermenêutica se faz:
·         Por causa do pecado que obscureceu o entendimento do homem e exerce influência perniciosa em sua mente e torna necessário o esforço especial para evitar erros (2Pd 3.16 e Dt 7.10).
·         Por causa do bloqueio histórico. Há um abismo histórico que nos separa dos escritores bíblicos e das culturas primitivas. Precisamos transpor este bloqueio, se quisermos compreender o significado da revelação. A antipatia de Jonas pelos ninivitas, por exemplo assume maior significado, quando compreendermos os motivos históricos, que fizeram Jonas desprezar os ninivitas.
·         Por causa do bloqueio cultural. O bloqueio Cultural. Cada um de nós vê a realidade, através de olhos condicionados pela cultura. O conjunto de valores culturais, científicos e ideológicos de uma cultura é o que chamamos de cosmovisão.
A cosmovisão da cultura bíblica é diferente em muitos pontos da cultura atual. Para entendermos algumas passagens da Bíblia precisamos compreender, a cosmovisão das culturas bíblicas. Como entender, por exemplo, I Coríntios 14:34? Será que está recomendação se aplica nos mesmos termos aos dias de hoje? Como, era a visão primitiva do universo? Como eram os relacionamentos sociais? A forma de se vestir? De Comercializar? De se educar?
·         Por causa do bloqueio linguístico. A Bíblia foi escrita em hebraico, aramaico e grego — três línguas que possuem estruturas e expressões idiomáticas muito diferentes da nossa própria língua. Estamos habituados a escrever e pensar com frases em nossa língua na sequência sujeito, verbo, predicado. Esta forma de raciocínio e escrita não existe nas línguas primitivas. No grego, não existe a sequência sujeito, verbo, predicado. Existem ainda diferenças nas estruturas verbais, na forma de se organizar as frases, etc... A língua é um grande obstáculo para a interpretação bíblica.
Precisamos considerar também que, as línguas evoluem. O português de hoje, possui expressões irreconhecíveis para o português do século XV. E vice versa. A língua é dinâmica e constitue-se como um obstáculo a ser vencido na interpretação das escrituras.
·         Por causa do bloqueio filosófico. Cada cultura tem uma forma específica de teorizar a realidade, o sagrado, o divino, etc... É importante nós compreendermos a filosofia de cada cultura para que possamos entender parte de seus comportamentos sociais e religiosos. A filosofia de uma cultura influencia profundamente seus comportamentos, sociais, políticos, econômicos e religiosos.
8 – CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS PARA ESTUDAR AS ESCRITURAS
Assim como para apreciar devidamente a poesia se necessita possuir um sentido especial para o belo e poético, e para o estudo da filosofia é necessário um espírito filosófico, assim é da maior importância uma disposição especial para o estudo proveitoso da Sagrada Escritura.
A Bíblia é um livro singular. Em suas páginas encontramos riquezas de conhecimentos de teologia, psicologia, história, geografia, sociologia, antropologia, biologia, etc.
Não existe outro livro que, como a Bíblia, tenha sido escrito no decorrer de aproximadamente 1500 anos, por cerca de quarenta escritores, em três continentes diferentes, em meio ao calor do deserto e no frescor de um palácio, em tempo de guerra e em tempo de paz. Seus escritores variam de homens simples do povo a grandes sábios e doutores.
Por tudo isso e muito mais, se fazem necessárias, além do conhecimento hermenêutico, qualidades vocacionais e espirituais ao intérprete da Palavra de Deus.

·         Necessita de fé
Está escrito: “Sem fé é impossível agradar a Deus, por que é necessário que aquele que Dele se aproxima, creia que Ele existe e que é galardoador dos que o buscam.”(Hb 11.6). Aquele que ainda não tem fé não está apto para interpretar a Palavra de um Deus em quem não crê, no entanto, deve lê-la e ouvi-la para adquirir fé, como também está escrito: “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.”(Rm 10.17). 
·         Necessita comunhão com Deus
Deus disse ao profeta: “Clama a mim e responder-te-ei e te mostrarei coisas grandes e ocultas que ainda não sabes.”(Jr 33.3). Quem pretende entender a Revelação Escrita de Deus deve viver em constante oração, louvor e meditação em sua Palavra.
·         Necessita de um espírito dócil.
Isto significa ausência de obstinação e teimosia diante da revelação divina. É preciso receber a Palavra de Deus com mansidão (Tg 1.21).
·         Necessita de um espírito amante da verdade.
Um coração desejoso de conhecer a verdade (Jo 3.19-21).
·         Necessita de um espírito paciente.
Como o garimpeiro que cava e revolve a terra, buscando com diligência o metal precioso, da mesma maneira o estudioso das Escrituras deve pacientemente, buscar as revelações que Deus propôs e que em algumas partes é bastante profunda e de difícil interpretação.
·         Necessita gosto pela leitura e escrita 
Na lida exegética é preciso ler muito. Pessoas que não têm prazer na leitura enfrentarão sérias dificuldades para interpretar textos.
Também não se admite num interpretador de textos a preguiça de escrever. Tudo o que se faz deve ser anotado, sob pena de ter que se fazer de novo. A memória falha, mas a escrita não.
·         Necessita senso de organização
Terá sem dúvida maior sucesso na interpretação quem for organizado. O arquivamento de anotações, ou o backup de um arquivo, pode livrar o estudante de um duplo trabalho. Manter os livros de pesquisa organizados e em local próprio facilita sua consulta quando necessário. Arquive suas anotações por assunto. Isso vai ser muito útil quando precisar delas novamente.
Uma tarefa grande deverá sempre ser realizada em etapas para evitar o desânimo. As tarefas mais fáceis devem ser concretizadas primeiro, a menos que uma outra ordem seja inevitável.

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AULA 4

9. PRESSUPOSIÇÕES GERAIS DA HERMENÊUTICA
9.1- O que é uma pressuposição?
O filósofo Hilton Japiassu[1] define o termo da seguinte forma: "Algo que se toma como previamente estabelecido, como base ou ponto de partida para um raciocínio ou argumento". Uma pressuposição não é demonstrada por meios de argumentos, é apenas aceita.

9.2 – Toda Ciência tem pressuposições
Quais as principais pressuposições da hermenêutica?
·         Pressuposição I: A BÍBLIA TEM AUTORIDADE ESPIRITUAL E NORMATIVA 
A Bíblia tem um inerente senso de autoridade que se vê no constante uso da expressão “diz o Senhor”, no Antigo Testamento, e na aura de uma autoridade apostólica divinamente conferida no Novo Testamento.
Quanto mais nos afastamos do significado pretendido da Palavra, mais aumenta o descompasso com a autoridade.
Fontes autoridade existentes:
Ø  A fonte das Instituições e Tradições Cristãs (Igreja).
Ø  A fonte da Razão (conhecimento teológico e filosófico).
Ø  A fonte das Experiências (pessoal, empírico)
Ø  A fonte Bíblica

·         Pressuposição II: A Bíblia é inspirada
Cada escritor se expressa de formas distintas, com diferentes ênfases e diversas figuras de linguagem. Por exemplo, João usa a linguagem do “novo nascimento” para expressar o conceito da conversão, enquanto Paulo prefere a linguagem da adoção. Paulo dá destaque a fé que pode levar a conversão, enquanto Tiago destaca as obras que demonstram a fé.
Qual o método da inspiração?
Ø  Inspiração mecânica ou teoria do ditado verbal[2]
Ø  Inspiração de conceitos ou ideias[3]
Ø  Inspiração plena e verbal[4]
Ø  Inspiração parcial[5]

·         Pressuposição III: Há muitas questões tratadas na Bíblia, que são explicadas e provadas pela fé, e não por via racional.
Exemplo: A existência de Deus, a dual natureza de Cristo, a Trindade, os milagres, o método da criação, previsões proféticas..., etc...

·         Pressuposição IV: É necessário influência espiritual para uma correta compreensão das escrituras. Cremos há uma influência do Espírito Santo no ato da interpretação dos textos bíblicos.
Todo leitor traz consigo um conjunto de “pré-conhecimentos”, isto é, crenças e ideias que compõem a herança de seus antecedentes e da comunidade que lhe serve de paradigma. Raramente lemos a Bíblia em busca da verdade: o que mais acontece é querermos harmonizá-la com nosso sistema de crenças e ver seu significado sob a perspectiva de nosso sistema teológico preconcebido.
  

10 – FATORES NO CAMPO RELIGIOSO QUE INFLUENCIAM O PROCESSO DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
A pergunta fundamental feita na análise teológica é: Como essa passagem se enquadra no padrão total da revelação de Deus? Antes de respondermos a esta pergunta, devemos Ter uma compreensão do padrão da história da revelação.
Há, neste momento uma necessidade de conhecimento dos conceitos de graça, lei, salvação e o ministério do Espírito Santo.
"O ministro também deve compreender e explicar um texto teológicamente. Não somente deve estar inteirado do que esse texto está dizendo em primeiro plano, mas também da teologia que elucida o texto."
Isto significa que o pregador deve conhecer as tradições, a filosofia, a maneira de pensar, a "Cosmovisão", as ideias acerca de Deus e da religião na época em que aquela mensagem foi escrita.
As divisões naturais incluem as grandes doutrinas a serem estudadas na análise teológica: A Doutrina da Criação; a Doutrina de Deus; a Doutrina do Homem e do Pecado; a Doutrina da Salvação.
É preciso ter este conhecimento para não se deixar levar cegamente por livros, comentários e outros materiais que não estão isento do pensar teológico do autor.
O quanto sabemos, o primeiro intérprete da Palavra de Deus foi o diabo, dando à palavra divina um sentido que ela não tinha, falseando astutamente a verdade. Mais tarde, o mesmo inimigo, falseia o sentido da Palavra escrita, truncando-a, isto é, citando a parte que lhe convinha e omitindo a outra.
Vamos olhar rapidamente para alguns destes fatores que influenciam a interpretação bíblica de um texto.

10.1 – As Diversas POSIÇÕES SOBRE a Bíblia
A – O Modernismo Teológico[6]
·         Os teólogos modernistas acreditam que a Bíblia contêm a palavra de Deus.
·         Algumas partes são inspiradas e outras não.
·         É um ponto de vista perigoso, pois é arriscado julgar determinadas partes como inspiradas e outras não.

BA Teologia Liberal[7]
·         Os liberais não creêm na doutrina da inspiração sobrenatural. Transformam inspiração em um processo natural retirando dela o caráter sobrenatural.
·         Acreditam que os autores relataram ideias culturais primitivas sobre Deus.

C – A Posição Néo-ortodoxa[8]
·         Os néo-ortodoxos creêm que a Bíblia torna-se palavra de Deus.
·         A Bíblia torna-se a palavra de Deus quando os indivíduos a leêm e as palavras adquirem para eles significado pessoal, existencial, ou quando há um encontro pessoal entre Deus e o Homem.
·         Portanto, Deus se revela na Bíblia nos encontros pessoais; não porém, de maneira preposicional, isto é, nas frases e citações bíblicas.

D – A posição Ortodoxa[9]
·         A bíblia é a palavra de Deus.
·         A posição ortodoxa é que Deus operou por meio das personalidades dos
·         escritores bíblicos de tal modo que, sem suspender seus estilos pessoais de interpretação ou liberdade, o que eles produziram foi literalmente, "soprado por Deus“, ou palavra de Deus.
·         II Tm 3:16 afirma: "Toda escritura é divinamente inspirada por Deus...". A palavra grega para o termo "inspirada" é theopneustos. Estamos falando aqui de uma inspiração de caráter sobrenatural, em que Deus guia os autores bíblicos de tal modo que seus escritos trazem o selo da inspiração divina.
·         Outro fato a destacar é que "toda escritura é divinamente inspirada...", e não apenas partes, como alguns defendem. Se admitimos tal possibilidade então abrimos uma lacuna perigosa: Como julgar se uma determinada passagem bíblica é inspirada ou não? Ou como saber se estamos diante de uma passagem inspirada?
·         Portanto, a inspiração Bíblica, segundo o ponto de vista ortodoxo, abrange toda a revelação bíblica.

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AULA 5

10.2 – As Diversas TEOLOGIAS FORMULADAS a Partir da Bíblia
A – Teologia Luterana
·         Duas verdades presentes em toda Bíblia: a lei e o evangelho.
·         A Lei é vista como manifestação do ódio ao pecado, trazendo juízo e a ira de Deus.
·         O Evangelho é visto  como manifestação da graça, amor e salvação de Deus.
·         Segundo esse critério, passagens do V.T. como Gn.7:1 são consideradas “evangelho” enquanto Mt.22:37 “Lei”.
·         A posição luterana acentua a “continuidade” no sentido de que a Lei e a Graça (Evangelho) continuam presentes desde o início da história humana.
·         Assim, Lei e Graça não são duas épocas, mas partes integrantes do seu
relacionamento com o homem.

B – A Teologia Calvinista
O termo Calvinismo é dado ao sistema teológico da Reforma protestante, exposto e defendido por João Calvino (1509-1564). Seu sistema de interpretação bíblica pode ser resumido em cinco pontos, conhecidos como "os 5 pontos do Calvinismo" (TULIP em inglês):

1.    Depravação total: Todos os homens nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais;
2.    Eleição incondicional: Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos um grande número de pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé prevista neles;
3.    Expiação limitada: Jesus Cristo morreu na cruz para pagar o preço do resgate somente dos eleitos;
4.    Graça Irresistível: A Graça de Deus é irresistível para os eleitos, isto é, o Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles;
5.    Perseverança dos Santos: Todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e chegar ao céu. Nenhum perderá a salvação.

C – A Teologia Arminista
O Arminianismo é o sistema de Teologia formulado por Jacobus Arminius (1560-1609), teólogo da Igreja holandesa, que resolveu refutar o sistema de Calvino. Armínio apresentou seu sistema em 5 pontos:
1.    Capacidade humana, Livre-arbítrio: Todos os homens embora sejam pecadores, ainda são livres para aceitar ou recusar a salvação que Deus oferece;
2.    Eleição condicional: Deus elegeu os homens que ele previu que teriam fé em Cristo;
3.    Expiação ilimitada: Cristo morreu por todos os homens e não somente pelos eleitos;
4.    Graça resistível: Os homens podem resistir à Graça de Deus para não serem salvos;
5.    Decair da Graça: Homens salvos podem perder a salvação caso não perseverem na fé até o fim.

O sistema teológico de Armínio foi derrotado no Sínodo de Dort em 1619 na Holanda, por ser considerado anti-bíblico. Por incrível que possa parecer, hoje o Arminianismo é o sistema teológico adotado pela maior parte das igrejas evangélicas. As seitas e o Catolicismo Romano também rejeitam o Calvinismo.

D – Teologia da Libertação
Teologia da Libertação é uma corrente teológica cristã nascida na América Latina, depois do Concílio Vaticano II e daConferência de Medellín (Colômbia, 1968), que parte da premissa de que o Evangelho exige a opção preferencial pelos pobres[1] e de especificar que a teologia, para concretar essa opção, deve usar também as ciências humanas e sociais.
É considerada como um movimento supradenominacional, apartidário e inclusivista de teologia política, que engloba várias correntes de pensamento que interpretam os ensinamentos de Jesus Cristo em termos de uma libertação de injustas condições econômicas, políticas ou sociais. Ela foi descrita, pelos seus proponentes como reinterpretação analítica e antropológica da fé cristã, em vista dos problemas sociais, mas, seus oponentes a descrevem como marxismo, relativismo e materialismo cristianizado.
A maior parte dos teólogos da libertação é favorável ao ecumenismo e à inculturação da .
Alguns teólogos:  padre peruano Gustavo Gutiérrez e o brasileiro Leonardo Boff.

E – Teologia da Prosperidade
Teologia da prosperidade (também conhecida como Evangelho da prosperidade) é uma doutrina religiosa cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a , o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel. Baseada em interpretações não-tradicionais da Bíblia, geralmente com ênfase no Livro de Malaquias, a doutrina interpreta a Bíblia como um contrato entre Deus e os humanos; se os humanos tiverem fé em Deus, Ele irá cumprir suas promessas de segurança e prosperidade. Reconhecer tais promessas como verdadeiras é percebido como um ato de fé, o que Deus irá honrar.
Seus defensores ensinam que a doutrina é um aspecto do caminho à dominação cristã da sociedade, argumentando que a promessa divina de dominação sobre as Tribos de Israel se aplica aos cristãos de hoje. A doutrina enfatiza a importância do empoderamentopessoal, propondo que é da vontade de Deus ver seu povo feliz. A expiação (reconciliação com Deus) é interpretada de forma a incluir o alívio das doenças e da pobreza, que são vistas como maldições a serem quebradas pela fé. Acredita-se atingir isso através da visualização e da confissão positiva, o que é geralmente professado em termos contratuais e mecânicos.
  
10.3 – As Diversas TEORIAS FORMADAS a Partir da Bíblia
A – Teoria Dispensacionalista[10]
O dispensacionalismo é uma doutrina teológica e escatológica cristã que afirma que a segunda vinda de Jesus Cristo será um acontecimento no mundo físico, envolvendo o arrebatamento e um período de sete anos de tribulação, após o qual ocorrerá a batalha do Armagedon e o estabelecimento do reino de Deus na Terra.
A teologia dispensacionalista acredita que há dois povos distintos de Deus: Israel e a Igreja. Os dispensacionalistas acreditam que a salvação foi sempre pela fé (Em Deus no Velho Testamento; especificamente em Deus o Filho no Novo Testamento). Os dispensacionalistas afirmam que a Igreja não substituiu Israel no programa de Deus e que as promessas do Velho Testamento a Israel não foram transferidas para a Igreja. Eles creem que as promessas que Deus fez a Israel no Velho Testamento serão cumpridas no período de 1000 anos de que fala Apocalipse 20. Eles creem que da mesma forma que Deus concentra sua atenção na igreja nesta era, Ele novamente, no futuro, concentrará Sua atenção em Israel (Romanos 9-11). A maioria dos Dispensacionalistas são contra acordos de paz, pois segundo eles, só adiaria o inevitável que é a volta de Jesus.

O que é uma Dispensação?
Período em que o homem é provado com respeito à alguma revelação de Deus
·      Processo:
o   Deus dá ao homem um conjunto específico de responsabilidades ou padrão de obediência;
o   O homem não consegue viver à altura desse conjunto de responsabilidades;
o   Deus reage com misericórdia concedendo um novo conjunto de responsabilidades – uma nova dispensação.

 As principais dispensações identificadas pelos dispensacionalistas:
Os dispensacionalistas acreditam que há uma série de dispensações cronologicamente sucessivas, mas variam nas ordens desses eventos.

Ordem dos capítulos
Esquemas
Gênesis 1-3
Gênesis 3-8
Gênesis 9-11
Gênesis 12
a Êxodo 19
Êxodo 20 a
Atos 1
Atos 2 a
Apocalipse 20
Apocalipse 20:4-6
Apocalipse 20-22
7 ou 8 esquema de
dispensação
Inocência
ou Edênico
Consciência
ou Antediluviano
Governo Humano
Patriarcal
ou Promessa
Mosaico
ou Lei
Graça
ou Igreja
Reino Milenal
Estado Eterno
ou Final
4 esquema de
dispensação
Patriarcal
Mosaico
Eclesial
Sionista
3 esquema de
dispensação
(minimalista)
Lei
Graça
Reino

Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência consciência, governo humano, patriarcal e lei, e estaríamos vivendo a dispensação da graça que dará lugar a milenial. Dois grandes eventos marcarão o fim desta dispensação: o arrebatamento da igreja e a volta visível de Jesus para inaugurar o milênio.

B – Modelo Epigenético[11]
• Compara a revelação divina ao crescimento de uma planta: Uma árvore pequenininha é uma árvore perfeita, mas ainda pequena, imatura e frágil.
• Assim, os conceitos de Deus, de Cristo, da salvação e da natureza do homem crescem à medida que a revelação de Deus progride.

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AULA 6

11 – MÉTODOS DA HERMENÊUTICA
Método é a maneira ordenada de fazer alguma coisa. É um procedimento seguido passo a passo com o objetivo de alcançar um resultado.
Durante séculos os eruditos religiosos procuraram todos os métodos possíveis para desvendar os tesouros da Bíblia e arquitetar meios de descobrir os seus segredos.

11.1 – Método Analítico
É o método utilizado nos estudos pormenorizados com anotações de detalhes, por insignificantes que pareçam com a finalidade de descrevê-los e estudá-los em todas as suas formas. Os passos básicos deste método são:
A.   Observação – É o passo que nos leva a extrair do texto o que realmente descreve os fatos, levando também em conta a importância das declarações e o contexto;
B.   Interpretação – É o passo que nos leva a buscar a explicação e o significado (tanto para o autor quanto para o leitor) para entender a mensagem central do texto lido. A interpretação deverá ser conduzida dentro do contexto textual e histórico com oração e dependência total do Espírito Santo, analisando o significado das palavras e frases chaves, avaliando os fatos, investigando os pontos difíceis ou incertos, resumindo a mensagem do autor a seus leitores originais e fazer a contextualização (trazer a mensagem a nossa época ou ao nosso contexto);
C.   Correlação – É o passo que nos leva a comparar narrativas ou mensagem de um fato escrito por vários autores, em épocas distintas em que cada um narra o fato, em ângulos não coincidentes como por exemplo a mesma narrativa descrita em Mc 10.46 e Lc 18.35, onde o primeiro descreve "saindo de Jericó" e o segundo "chegando em Jericó";
D.   Aplicação – É o passo que nos leva a buscar mudanças de atitudes e de ações em função da verdade descoberta. É a resposta através da ação prática daquilo que se aprendeu.
Um exemplo de aplicação é o de pedir perdão e reconciliar-se com alguém ou mesmo o de adoração à Deus.

Exercício: 1 Timóteo 2 e 3 (dividir a sala em dois grupos e cada um trabalhará o método analítico de um capítulo).


11.2 – Método Sintético (Procura o tema que amarra todo livro)
É o método utilizado nos estudos que abordam cada livro como uma unidade inteira e procura o seu sentido como um todo, de forma global (é a busca de sintetizar o que leu em uma palavra). Neste caso determina-se as ênfases principais do livro ou seja, as palavras repetidas em todo o livro, mesmo em sinônimo e com isto a palavra-chave desenvolve o tema do livro estudado. Outra maneira de determinar a ênfase ou característica de um livro é observar o espaço dedicado a certo assunto. Como por exemplo, o capítulo 11 da Epístola aos Hebreus enfatiza a fé e em todos os demais capítulos ela enfatiza a palavra SUPERIOR. (De acordo com a versão Almeida Revista e Atualizada – ARA).
SUPERIOR:
A.   Aos anjos – 1.4; f) Ao sacrifício – 9.23; l) Ao sacerdócio – 5 a 7;
B.   A aliança – 7.22; g) Ao patrimônio – 10.34;
C.   A bênção – 7.7.; h) A ressurreição – 11.35;
D.   A esperança – 7.19; i) A pátria – 11.16;
E.   A promessa – 8.6; j) A Moisés – 3.1 a 4;

11.3 – Método Temático (Busca no livro o tema desejado)
É o método utilizado para estudar um livro com um assunto específico, ou seja, no estudo do livro terá um tema específico definido (a leitura de um livro a partir de um tema). Como exemplo temos a FÉ:
A.   Salvadora – Ef. 2.8;                 D. Grande – Mt 15.21 a 28;
B.   Comum – Tt 1.4; Jd 3;             E. Vencedora – I Jo 5.4;
C.   Pequena – Mt 14.28 a 31;        F. Crescente – II Ts 1.3.

11.4 – Método Biográfico de Estudo da Bíblia (Estuda a vida de um personagem)
Esta espécie de estudo bíblico é divertida, pois você tem a oportunidade de sondar o caráter das pessoas que o Espírito Santo colocou na Bíblia, e de aprender de suas vidas (Escolhe um personagem bíblico para estudar).
Sobre alguns personagens bíblicos muito foi escrito. Quando você estuda pessoas como Jesus, Abraão e Moisés, pode precisar restringir o estudo a áreas como, "A vida de Jesus como nos é revelada no Evangelho de João", "Moisés durante o Êxodo", ou "Que diz o Novo Testamento sobre Abraão". Lute sempre para manter os seus estudos bíblicos em tamanho manejável.

Estudo Biográfico Básico.
PASSO UM – Escolha a pessoa que você quer estudar e estabeleça os limites do estudo (por exemplo, "Vida de Davi, antes de tornar-se rei"). Usando uma concordância ou um índice enciclopédico, localize as referências que têm relação com a pessoa do estudo. Leia as várias vezes e faça resumo de cada uma delas.
1. Observações – Anote todo e qualquer pormenor que notar sobre essa pessoa. Quem era? O que fazia? Onde morava? Quando viveu? Por que fez o que fez? Como levou a efeito? Anote minúcias sobre ela e seu caráter.
2. Dificuldades – Escreva o que você não entende acerca dessa pessoa e de acontecimentos de sua vida.
3. Aplicações possíveis – Anote várias destas durante o transcurso do seu estudo, e escreva um "A" na margem. Ao concluir o seu estudo, você voltará a estas aplicações possíveis e escolherá aquela que o Espírito Santo destacar.
PASSO DOIS – Com divisão em parágrafos, escreva um breve esboço da vida da pessoa. Inclua os acontecimentos e características importantes, declarando os fatos, sem interpretação. Quando possível, mantenha o material em ordem cronológica.

Estudo Biográfico Avançado.
Os seguintes passos podem ser acrescentados quando você achar que o ajudarão em seus estudos biográficos. São facultativos e só devem ser incluídos progressivamente, à medida que você ganhe confiança e prática.
Trace o fundo histórico da pessoa. Use um dicionário bíblico para ampliar este passo somente quando necessário. As seguintes
perguntas haverão de estimular o seu pensamento.
1. Quando viveu a pessoa? Quais eram as condições políticas, sociais, religiosas e econômicas da sua época?
2. Onde a pessoa nasceu? Quem foram seus pais? Houve alguma coisa de incomum em torno do seu nascimento e da sua infância?
3. Qual a sua vocação? Era mestre, agricultor, ou tinha alguma outra ocupação? Isto influenciou o seu ministério posterior? Como?
4. Quem foi seu cônjuge? Tiveram filhos? Como eram eles? Ajudaram ou estorvaram a sua vida e o seu ministério?
5. Faça um gráfico das viagens da pessoa. Aonde ela foi? Por que? Que fez?
6. Como a pessoa morreu? Houve alguma coisa extraordinária em sua vida?

11.5 – Método de Estudo Indutivo.
A.   O método indutivo se baseia na convicção de que o Espírito Santo ilumina a quem examina as escrituras com sinceridade, e que a maior parte da Bíblia não é tão complicada que quem saiba ler não possa entendê-la. Os Judeus da Bereia foram elogiados por examinarem cada dia as escrituras "se estas coisas eram assim". (At 17.10,11)
B.   É óbvio que obras literárias tem "partes" que se formam no "todo". Existe uma ordem crescente de partes, de unidades simples e complexas, até se formarem na obra completa.
C.   A unidade literária menor, que o Estudo Bíblico Indutivo (EBI) emprega, é a palavra. Organizam-se palavras em frases, frases em períodos, períodos em parágrafos, parágrafos em seções, seções em divisões, e por fim, a obra completa.
PALAVRA – Unidade menor;
FRASES – Reunião de palavras que formam um sentido completo;
PERÍODO – Reunião de frases ou orações que formam sentido completo;
PARÁGRAFOS – Um discurso ou capítulo que forma sentido completo, e que usualmente se inicia com mudança de linha.
SEÇÃO – Parte de um todo, divisão ou subdivisão de uma obra, tratado, estudo.

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12 – EXEGESE
Exegese é o estudo cuidadoso e sistemático de um texto para comentários, visando o esclarecimento ou interpretação do mesmo. É o estudo objetivando subsidiar o passo da interpretação do método analítico da hermenêutica. Este estudo é desenvolvido sob as indagações de um contexto histórico e literário.

Segundo o Dicionário Teológico: Exegese: do Grego: ek + egnomai = ek + egéomai à penso, interpreto, arranco para fora do texto. É a prática da hermenêutica sagrada que busca a real interpretação dos textos que formam o Antigo e o Novo Testamento. Vale-se, pois, do conhecimento das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), da confrontação dos diversos textos bíblicos e das técnicas aplicadas na linguística e na filosofia.

É a disciplina que aplica métodos e técnicas que ajudam na compreensão do texto.
Do ponto de vista etimológico hermenêutica e exegese são sinônimos, mas hoje os especialistas costumam fazer a seguinte diferença: Hermenêutica é a ciência das normas que permitem descobrir e explicar o verdadeiro sentido do texto, enquanto a exegese é a arte de aplicar essas normas.

12.1 – Pré-requisitos para uma boa exegese
A.   Tenha uma vida afinada com o Espírito Santo, pois Ele é o melhor interprete da Bíblia – (Jo 16.13; 14.26; I Cor 2.9 e 10; I Jo 2.20 e 27);
B.   Vá você mesmo diretamente ao texto não permitindo que alguém pense por você, evitando assim a dependência de outra pessoa para que você desenvolva ao máximo o seu potencial próprio.
C.   Procure o significado de cada palavra dentro do seu contexto. Deve ser tomado conforme o sentido da frase nas Escrituras, porque as palavras variam muito em suas significações. Aqui você deve fazer uma analise léxico-sintática[12].

12.2 – Aplicação da exegese.
A aplicação da exegese é realizada a partir das indagações básicas sobre o contexto e o conteúdo do texto em exame.
A.   Texto – O capítulo, parágrafo ou porção bíblica que encerra uma idéia completa, que se pretende estudar. Ex.: Mateus 5.1-12; ICoríntios 11.1-3; João 14,6, etc.
B.   Contexto – A parte que antecede o texto e a parte que é precedida pelo texto. Ex.: Texto João 14.6, Contexto Gênesis 1.1 a João 14.5 e João 14.7 a Apocalipse 22.21.

Obs.: As vezes tomando-se o contexto próximo do texto, é o suficiente para uma interpretação correta. Outras vezes será necessário lançar mão do capítulo inteiro, ou do livro inteiro, ou ainda da Bíblia toda.

12.3 – Biblioteca Básica do Estudante da Bíblia
·          1 - Bíblias em várias versões.
·          2 - Dicionário Bíblico.
·          3 - Dicionário do Vernáculo.
·          4 - Atlas Bíblico.
·          5 - Livro de História Geral das Nações.
·          6 - Concordância Bíblica Exaustiva.
·          7 - Manuais de Doutrinas.
·          8 - Comentários Bíblicos.
·          9 - Atlas Geográfico.
·         10 - Enciclopédia Bíblica.

Obs.: Os Comentários Bíblicos contêm explanações, informações externas, interpretações e aplicações de textos bíblicos. São de grande valia para o estudante da Bíblia uma vez que são produzidos por eruditos que geralmente conhecem as línguas originais em que a Bíblia foi escrita, além da bagagem de muitos anos de estudo bíblico-teológico e geral.

TIPO DE RECURSO
DESCRIÇÃO
USE-O PARA SUPERAR...
Atlas
Coleção de mapas que mostram lugares mencionados no
texto, e talvez descrição de sua história e significado.
Contém mapas e outras informações para quem quer
investigar o contexto geográfico bíblico.
Barreiras
geográficas
Dicionários
de palavras
bíblicas
Explicam origem, significado e uso de palavras e termos
chaves no texto.
Barreiras
linguísticas
Manuais bíblicos
Apresentam informação útil sobre assuntos do texto.
Um manual bíblico é um tipo de enciclopédia; menciona livro
por livro de toda a Bíblia, provendo todos os tipos de material
de pano de fundo.
Barreiras culturais
Comentários
bíblicos
Apresentam o estudo de um erudito bíblico.
Um comentário oferece a você opiniões de um erudito que
passou sua vida inteira investigando o texto bíblico. As
opiniões do comentário também podem ajudar você a avaliar
seu próprio estudo pessoal. Entretanto, você não pode ficar
dependente dos comentários, ao invés de se familiarizar com o texto bíblico.
Barreiras
linguísticas,
culturais e
literárias
Textos
interlineares
Traduções com o texto grego ou hebraico posicionado entre
as linhas para comparação.
Barreiras
linguísticas
Concordâncias
(Chave bíblica)
Depois da Bíblia de estudo, esta é a ferramenta mais essencial
ao estudo bíblico. Uma concordância é como um índice da
Bíblia. Ela alista todas as palavras do texto alfabeticamente,
com as referências de onde aparecem, e algumas palavras ao
redor delas para prover um pouco do contexto.
É útil para o
estudo de palavras
e para localizar
uma passagem
quando não se
lembra da
referência.
Recursos
adicionais
Sugestões: História de Israel no Antigo Testamento, de Eugene H. Merrill
(CPAD); Introdução ao Antigo Testamento, de William Lasor (Edições Vida
Nova);
Introdução ao Novo Testamento, de D. A. Carson (Edições Vida Nova)
A Vida Diária nos Tempos de Jesus, de Henri Daniel-Rops (Edições Vida Nova).


Consultando bons comentários bíblicos, o estudante compara a sua interpretação com a de vários estudiosos da Bíblia podendo tirar conclusões magníficas sobre o texto em tela, comparar e enriquecer sua exegese, além de auto avaliar-se. 
Não esqueça que todos os comentários e outros materiais não estão isento do pensar teológico do autor.

12.4 – Exercício exegético
Vamos exercitar a hermenêutica! Siga as instruções passo a passo.

A - Faça uma oração sincera a Deus
Ore a Deus desejando de todo o coração compreender a sua Palavra para aplicá-la à sua vida e também compartilhar com outras pessoas.

B - Escolha o texto a ser estudado 
O texto escolhido não deve ser grande nem complexo. A princípio, não se deve exceder a cinco versículos. Deve ser tomado um texto que tenha o máximo de sentido literal por ser de mais fácil interpretação.
Sugestão:
·         18Então Jesus perguntou: "Com que se parece o Reino de Deus? Com que o compararei?
19É como um grão de mostarda que um homem semeou em sua horta. Ele cresceu e se tornou uma árvore, e as aves do céu fizeram ninhos em seus ramos".
·         20Mais uma vez ele perguntou: "A que compararei o Reino de Deus?
21É como o fermento que uma mulher misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada". Lucas 13:18-21

Obs.: No original temos um verbo a mais nos versos 19 e 21 – verbo tomou ou pegou.

C - Leia o texto várias vezes e em várias Versões
Ninguém é capaz de interpretar qualquer texto lendo-o uma só vez. Aconselha-se que o estudante leia o texto pelo menos dez vezes antes de qualquer outra iniciativa. Cada vez que se lê a passagem bíblica, mais clara ela se torna para o leitor e coisas jamais encontradas na mesma passam a emergir de uma maneira impressionante. Se possível, leia o texto em várias versões. 
As línguas originais devem ser lidas e compreendidas, ou então o estudioso precisa ter acesso a textos fidedignos, que transmitam fielmente o sentido texto original. O estudioso também deveria consultar não apenas uma, mas muitas traduções, para então julgar os seus méritos comparativos, quanto a casos específicos.

D - Leia o Contexto Imediato
É preciso ler o contexto[13] imediato, pelo menos, umas três vezes antes de começar a interpretação. Provavelmente, outras vezes serão necessárias à medida que o estudo for evoluindo. Não admita a dúvida, nem tenha preguiça de ler. Leia quantas vezes for necessário.

E - Examine as palavras desconhecidas no dicionário bíblico
À medida que se lê o texto, várias palavras[14] desconhecidas vão aparecendo. O estudante deverá ter à mão lápis e papel e um bom dicionário bíblico para que escreva o significado das palavras desconhecidas além de detalhes importantes. Essas informações serão de muita valia para pesquisas posteriores ou quando da preparação de uma Pregação ou Estudo Bíblico.
Existem palavras que julgamos saber o seu significado mas, quando vamos ao dicionário, descobrimos, atônitos, que o sentido é completamente diferente do que pensávamos.
Neste momento é importante estar atento aos verbos e  suas variações de tempo (passado, presente, futuro ou gerúndio) escrita pelo autor. Muitas vezes a palavra que encontramos no texto é uma variação da forma radical da palavra. Por exemplo, em português poderíamos encontrar várias formas do verbo Entregar:
·         Entregou, entregado, entregue, entregaremos.

F – Pesquise e anote sobre todo o material disponível, tendo em mente as regras de interpretação
Não consulte ainda outras exegeses para que a interpretação não seja induzida.

G - Traduza o texto em palavras atuais dando ênfase às lições nele contidas
A essa altura do labor exegético, e com o texto quase de cor, o estudante deve traduzi-lo em palavras sinônimas com a ajuda do dicionário bíblico e de outras versões da Bíblia. Essa tradução deve ser no sentido de simplificar o que está dito no texto.

H - Ponha os resultados de sua análise léxico-sintática em palavra não técnicas, de fácil compreensão, que comuniquem com clareza o significado que o autor tinha em mente.
Sempre existe o perigo de ao fazer a análise léxico-sintática se envolver de tal maneira com os detalhes técnicos, que perdemos de vista a finalidade da análise, a saber, comunicar o significado do autor com a maior clareza possível. Há, também, a tentação de impressionar os ouvintes com nossa erudição e profundas capacidades exegéticas. As pessoas precisam ser alimentadas, não impressionadas. O estudo técnico deve ser feito como parte de qualquer exegese, mas é preciso que seja parte da preparação para a exposição. A maioria dele não precisa aparecer no produto (exceto no caso de documentos teológicos acadêmicos ou técnicos).


13 – FIGURAS DE RETÓRICA
Exporemos em seguida uma série de figuras com seus correspondentes exemplos, que precisam ser estudados detidamente e repetidas vezes.

13.1 – Metáfora.
Esta figura tem por base alguma semelhança entre dois objetos ou fatos, caracterizando-se um com o que é próprio do outro. É uma comparação não expressa. É a figura em que se afirma que alguma coisa é o que ela representa ou simboliza, ou como que se compara. O sujeito está entrelaçado com a coisa comparada.
Metáfora é designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança (p.ex., ele tem uma vontade de ferro, para designar uma vontade forte, como o ferro).

Exemplos bíblicos:
·         Ao dizer Jesus: "Eu Sou a Videira Verdadeira", Jesus se caracterizou com o que é próprio e essencial da videira (pé de uva);
·         Ao dizer aos discípulos: "Vós sois as varas", caracterizou-os com o que é próprio das varas.
·         Outros exemplos: "Eu Sou o Caminho", "Eu Sou o Pão Vivo", "Judá é Leãozinho", "Tu és minha Rocha", etc.

Símile – “O reino dos céus é semelhante...”. Ao contrário da símile que é uma comparação expressa onde o sujeito está de fora.

13.2 – Sinédoque.
Faz-se uso desta figura quando se toma a parte pelo todo ou o todo pela parte, o plural pelo singular, o gênero pela espécie, ou vice-versa. É a substituição de uma ideia por outra que lhe é associada.
Exemplos:
·         - A parte pelo todo (ou o todo pela parte)
Vou sair da casa de meus pais e ter meu próprio teto. (casa)
·         - A classe pelo indivíduo (ou o indivíduo pela classe)
Quanto mais o Homem constrói, mais o Homem destrói. (os seres humanos)
·         - O singular pelo plural (ou o plural pelo singular)
O aluno deverá manter o silêncio na biblioteca. (todos os alunos)
Exemplos bíblicos:
·         Toma a parte pelo todo: "Minha carne repousará segura", em vez de dizer: meu corpo. (Sl 16.9).
·         Toma o todo pela parte: "...beberdes o cálice", em lugar de dizer: do cálice, ou seja, parte do que há no cálice.
·         Gn 6:12 “E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida” – terra=homem do geral pelo particular.
13.3 – Metonímia.
É o emprego do nome de uma coisa pelo de outra com que tem certa relação. A metonímia se refere à substituição de palavras com sentidos próximos, ou seja, é utilizada uma palavra em vez de outra, sendo que ambas partilham uma relação de proximidade de sentido, de contiguidade. Emprega-se esta figura quando se emprega a causa pelo efeito, ou o sinal ou símbolo pela realidade que indica o símbolo.

Exemplos:
·         Jesus emprega a causa pelo efeito: "Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos", em lugar de dizer que têm os escritos de Moisés e dos profetas (Lc 16.29).
·         Jesus emprega o símbolo pela realidade que o mesmo indica: "Se eu não te lavar, não tem parte comigo." Lavar é o símbolo da regeneração.
·         “Falem os dias e a multidão dos anos ensine...”.  A idade por aqueles que a têm (Jó 32:7).
·         “Duas nações há no teu ventre”. Os progenitores pelas descendências (Gn 25:23).
13.4 – Prosopopeia.
Esta figura é usada quando se personificam as cousas inanimadas, atribuindo-lhes os feitos e ações das pessoas. É personificação de coisas ou de seres irracionais.

Exemplos:
·         "Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" (I Cor 15.55) Paulo trata a morte como se fosse uma pessoa.
·         "Os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas." (Is 55.12)
·         "Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram. Da terra brota a verdade, dos céus a justiça baixa o seu olhar." (Sl 85.10,11)
·         “Todos os meus ossos dirão: Senhor quem é como tu” (Sl 35:10). Ossos/fala

13.5 – Antropomorfismo (alguns dizem que é sinônimo de prosopopeia)
É a linguagem que atribui a Deus ações e faculdades humanas.

Exemplo:
·         Gn 8:12 “O Senhor cheirou o suave cheiro, e disse ...”. Cheirar/sentido

13.6 – Ironia.
Faz-se uso desta figura quando se expressa o contrário do que se quer dizer, porém sempre de tal modo que se faz ressaltar o sentido verdadeiro. É a expressão de um pensamento em palavras que, literalmente entendidas, exprimiriam o pensamento oposto.

Exemplos:
·         "Clamai em altas vozes... e despertará." Elias dá a entender que chamar por Baal é completamente inútil (1 Rs 18.27).
·         “Clamai aos deuses que escolhestes, eles que vos livrem no tempo de vosso aperto (Juízes 10:14).

13.7 – Hipérbole.
É a figura pela qual se representa uma coisa como muito maior ou menor do que em realidade é, para apresentá-la viva à imaginação. É um exagero. É a afirmação em que as palavras vão além da realidade literal das coisas.

Exemplos:
·         "Vimos ali gigantes... e éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos... as cidades são grandes e fortificadas até aos céus" (Num. 13.33).
·         "Nem no mundo inteiro caberiam os livros que seria, escritos" (Jo. 21.25).
·         "Rios de águas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua lei" (Sl 119.136).
·         Dt 1:28 “As cidades são grandes e fortificadas até os céus”.
13.8 – Alegoria.
É um modo de expressão ou interpretação que consiste em representar pensamentos, ideias, qualidades sob forma figurada. Podemos dizer que é uma figura retórica que geralmente consta de várias metáforas unidas, representando cada uma delas realidades correspondentes.

Exemplo:
·         "Eu Sou o Pão Vivo que desceu do céu, se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo, é a minha carne... Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna", etc. - Esta alegoria tem sua interpretação nesta mesma passagem das Escrituras. (Jo 6.51-65)

13.9 – Fábula.
É uma narrativa, em prosa ou verso, com personagens animais que agem como seres humanos, e que ilustra um preceito moral.

Exemplo:
·         "O cardo que está no Líbano, mandou dizer ao cedro que lá está: Dá tua filha por mulher a meu filho; mas os animais do campo, que estavam no Líbano, passaram e pisaram o cardo" (2 Rs 14.9). Com esta fábula Jeoás, rei de Israel, responde a proposta de guerra feita por Amazias, rei de Judá.

13.10 – Enigma.
O enigma também é um tipo de alegoria, porém sua solução é difícil e abstrusa (obscuro). Enigma é a definição de algo por suas qualidades ou particularidades, mas difícil de entender.

Exemplo:
·         "Do comedor saiu comida e do forte saiu doçura" (Jz 14.14).

13.11 – Tipo.
É o estudo das figuras e símbolos da Bíblia, com os quais Deus procura mostrar, por meio de coisas terrestres as coisas espirituais. O tipo é uma classe de metáfora que não consiste meramente em palavras, mas em fatos, pessoas ou objetos que designam fatos semelhantes, pessoas ou objetos no porvir. Estas figuras são numerosas e chamam-se na Escritura sombra dos bens vindouros, e se encontram, portanto, no Antigo Testamento.

Exemplos:
·         A serpente de metal levantada no deserto foi mencionada por Jesus como um tipo para representar sua morte na cruz (Jo 3.14).
·         Jonas no ventre do grande peixe, foi usado como tipo por Jesus para representar a sua morte e ressurreição. (Mt 12.40)
·         O primeiro Adão é um tipo para Cristo o último Adão. (I Cor 15.45)
·         Maná no desertoà Alimento espiritual
·         Libertação do Egito à Libertação do mundo
·         Marcha no deserto à Nossa peregrinação na terra

13.12 – Símbolo
Representa alguma coisa ou algum fato por meio de outra coisa ou fato familiar, que se considera a propósito para servir de semelhança ou representação.

Exemplos:
·         A majestade pelo leão,
·         a força pelo cavalo,
·         a astúcia pela serpente,
·         o corpo de Cristo pelo pão,
·         o sangue de Cristo pelo cálice.

Ø Números Simbólicos
A Bíblia tem uma numerologia própria. À medida que se desenrola a revelação escrita de Deus ao homem vários números vão aparecendo de uma maneira importante e, muitas vezes, com um significado conotativo.
Vejamos alguns números que se destacam:

·         Número quatro
Número global. Indica o cósmico natural. Fala daquilo que é completo. Não trata da plenitude, mas do alcance global.

“ Depois disto vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, retendo os quanto ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma.” (Ap 7.1).

·         Número seis
Fala do homem, de sua formação, de sua falibilidade.

“ Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.” (Gn1.27,31).
“ Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.” (Ap 13.18)

·         Número sete
Indica perfeição, plenitude, união do céu e terra, o sagrado. É o número de Deus e também o número dos mistérios.

“As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada numa fornalha de barro, purificada sete vezes.” (Sl 12.6).
“A sabedoria já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas.” (Pv 9.1).
“ Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto.” (Ap 3.1).
“ E vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi um dos quatro seres viventes dizer numa voz como de trovão: Vem!” (Ap 6.1).

·         Número doze
Fala dos propósitos eletivos de Deus. 

“E, chamando a si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para expulsarem, e para curarem toda sorte de doenças e enfermidades.” (Mt 10.1).
“ E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, tendo a glória de Deus; e o seu brilho era semelhante a uma pedra preciosíssima, como se fosse jaspe cristalino; e tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Ao oriente havia três portas, ao norte três portas, ao sul três portas, e ao ocidente três portas. O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” (Ap 21.10-14).

·         Número quarenta
Fala das intervenções de Deus na História da humanidade especialmente no que se refere à salvação do homem. Simboliza provação, santificação.

“ Quando subi ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas do pacto que o Senhor fizera convosco, fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; não comi pão, nem bebi água.” (Dt 9.9).
“ E quando tiveres cumprido estes dias, deitar-te-ás sobre o teu lado direito, e levarás a iniqüidade da casa de Judá; quarenta dias te dei, cada dia por um ano.” (Ez 4.64).
“E começou Jonas a entrar pela cidade, fazendo a jornada dum dia, e clamava, dizendo: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.” (Jn 3.4).
“ Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. (Mt 4.1-2).
“ Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo quanto Jesus começou a fazer e ensinar, até o dia em que foi levado para cima, depois de haver dado mandamento, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de haver padecido, se apresentou vivo, com muitas provas infalíveis, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias, e lhes falando das coisas concernentes ao reino de Deus. (At 1.1-3).

·         Número setenta
Fala da administração de Deus sobre o mundo. 

“ Disse então o Senhor a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes serem os anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante a tenda da revelação, para que estejam ali contigo. Então descerei e ali falarei contigo, e tirarei do espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão eles o peso do povo para que tu não o leves só.” (Nm 11.15-16).
“ E toda esta terra virá a ser uma desolação e um espanto; e estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos. Acontecerá, porém, que quando se cumprirem os setenta anos, castigarei o rei de Babilônia, e esta nação, diz o Senhor, castigando a sua iniqüidade, e a terra dos caldeus; farei dela uma desolação perpetua. (Jr 25.11-12).
“ Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.” (Dn 9.24).
“ Depois disso designou o Senhor outros setenta, e os enviou adiante de si, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. E dizia-lhes: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” (Lc 10.1-2).


13.13 – Parábola.
É uma narrativa alegórica que transmite uma mensagem indireta, por meio de comparação ou analogia, sempre com o objetivo de ilustrar uma ou várias verdades importantes. É uma narrativa de acontecimento real ou imaginário em que tanto as pessoas como as coisas e as ações correspondem a verdades de ordem espiritual e moral

Exemplos:
·         O Semeador (Mt 13.3-8);
·         Ovelha perdida,
·         dracma perdida
·         filho pródigo (Lc. 15), etc.

13.14 – Símile.
A figura de retórica denominada Símile procede da palavra latina "similis" que significa semelhante ou parecido a outro. É uma analogia. Comparação de cousas semelhantes.

Exemplos:
·         "Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim (do mesmo modo) é grande a sua misericórdia para com os que o temem". (Sl 103.11);
·         "Como o pai se compadece de seus filhos, assim (do mesmo modo) o Senhor se compadece dos que o temem". (Sl 103.13)

13.15 – Interrogação.
A palavra interrogação procede de um vocábulo latino que significa pergunta. Mas nem todas as perguntas são figuras de retórica. Somente quando a pergunta encerra uma conclusão evidente é que é uma figura literária.
"Interrogação é uma figura pela qual o orador se dirige ao seu interlocutor, ou adversário, ou ao público, em tom de pergunta, sabendo de antemão que ninguém vai responder."

Exemplos:
·         "Não fará justiça o Juiz de toda a terra?" (Gn 18.25)
·         "Não são todos eles espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?" (Hb 1.14)
·         "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?" (Rm 8.33)
·         "Com um beijo trais o Filho do homem?" (Lc 22.48)

13.16 – Apóstrofe.
Interrupção súbita do discurso que o orador ou o escritor faz, para dirigir-se a alguém ou a algo, real ou fictício (p.ex.: a seguir, leitor amigo, contarei a história tal como sucedeu).
A palavra apóstrofe procede do latim apostrophe e esta do grego apo, que significa de, e strepho, que quer dizer volver-se. O vocábulo indica que o orador se volve de seus ouvintes imediatos para dirigir-se a uma pessoa ou cousa ausente ou imaginária.
O emprego desta figura, na eloqüência, produz grandes efeitos sobre as paixões que o orador procura transmitir aos ouvintes."

Exemplos: A Palavra de Deus é interrompida pela palavra do profeta.
·         "Ah, Espada do Senhor, até quando deixarás de repousar?" (Jr 47.6)

13.17 – Antítese.
Este vocábulo procede da palavra latina antithesis e esta de palavras gregas que significam colocar uma coisa contra a outra. "Inclusão, na mesma frase, de duas palavras, ou dois pensamentos, que fazem contraste um com o outro."

Exemplos:
·         "Vê que proponho hoje a vida e o bem, a morte e o mal." (Dt 30.15)
·         "Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz a perdição e são muitos os que entram por ela) porque
·         estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela." (Mt 7.13,14)

13.18 – Provérbio.
Este vocábulo procede das palavras latinas pro que significa antes e verbum que quer dizer palavra. Trata-se de um dito comum ou adágio.

Exemplos:
·         "Médico cura-te a ti mesmo" (Lc 4.23);
·         "Nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra." (Mt 6.4; Mt 13.57)

13.19 – Paradoxo.
Denomina-se paradoxo a uma proposição ou declaração oposta à opinião comum; a uma afirmação contrária a todas as aparências e à primeira vista absurda, impossível, ou em contraposição ao sentido comum, porém que, se estudada detidamente, ou meditando nela, torna-se correta e bem fundamentada.

Exemplos:
·         "Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos". (Mt 8.22)
·         "Coais o mosquito e engolis o camelo". (Mt 23.24)
·         "Porque quando sou fraco, então é que sou forte". (2 Cor 12.10)

13.20 – Clímax ou Gradação
A palavra clímax ou gradação procede do latim climax e esta do grego klimax que significa escala, no sentido figurado da palavra. A Enciclopédia Brasileira Mérito nos proporciona a seguinte definição da palavra gradação: "Concatenação dos elementos de um período de modo a fazer com que cada um comece com a última palavra do anterior; amplificação, apresentação de uma série de idéias em progressão ascendente ou descendente. Também se diz clímax." O essencial é que exista avanço ou progresso na oração, parágrafo, tema, livro ou discurso.

Exemplo:
·         O capítulo oitavo de Romanos é um maravilhoso clímax ou gradação. Começa com os vocábulos "nenhuma condenação", e termina dizendo que "nenhuma criatura nos poderá separar".


13.21 – Acróstico
Composição poética em que o conjunto das letras iniciais, mediais ou finais compõem verticalmente uma palavra ou frase ou uma sequência alfabética. 
Há uma dificuldade na exemplificação dos acrósticos bíblicos uma vez que foram escritos originalmente em Hebraico e, portanto, a letra inicial das palavras não são as mesmas na língua portuguesa. Os textos foram escritos em forma de acrósticos originalmente.

Exemplos bíblicos:
·         Salmos 119; 25; 34; 111; 112;
·         Os últimos 22 versículos de Provérbios;
·         A maior parte de lamentações de Jeremias.

Exemplos práticos:
Jesus,
Eu sou teu servo.
Sou teu discípulo.
Uni-me a Ti.
Somente a Ti!


14 – REGRAS FUNDAMENTAIS DE INTERPRETAÇÃO
Não devemos nos esquecer que a primeira pessoa a interpretar as Escrituras, de forma distorcida, foi o diabo. Ele deu à palavra divina um sentido que ela não tinha, falseando astutamente a verdade (Gn 3.1).
Os seus imitadores, conscientes e inconscientes, têm perpetuado este procedimento enganando à humanidade com falsas interpretações das Escrituras Sagradas.

14. 1 – Primeira Regra – A Bíblia é explicada pela própria Bíblia, ou seja, A BÍBLIA É SUA PRÓPRIA INTERPRETE.
Esta é a regra fundamental da Hermenêutica Bíblica. Vemos em Jesus e nos Apóstolos a preocupação constante com essa norma de interpretação. Muito do que Jesus e os Apóstolos disseram é repetição do que está exarado “em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.”(Lc 24.44). Jesus usava os textos do Antigo testamento, enquanto concebia o Novo. Ele dominava os que estava escrito e a ninguém deixava sem uma resposta satisfatória.
O conselho que se dá aqui é que o estudante da Bíblia a leia toda, pelo menos uma vez por ano, para que conheça o seu Contexto Geral, sem o qual não se pode entender as partes.
Além do contexto geral é importantíssimo atentar para o que chamaremos didaticamente de Contexto Mediato
A interpretação de um texto envolve a compreensão de cada palavra ou expressão nele contida. Existem palavras que encerram, em si mesmas, todo o seu significado. Outras têm o sentido elucidado na frase, oração ou parágrafo onde está contida. Outras, ainda, poderão depender do contexto imediato, mediato ou do contexto geral das Escrituras.
Um exemplo simples de erro da não observância do contexto imediato está na interpretação da “nuvem de testemunhas” de Hebreus 12.1. Diz-se erradamente, no meio evangélico, que essa nuvem de testemunhas são as pessoas que vivem ao nosso redor, quando, na verdade, são os “heróis da Fé”, cujos nomes e feitos estão narrados no capítulo 11 do mesmo Livro. É preciso tomar muito cuidado porque mudança de capítulo não significa mudança de assunto. Os versículos por sua vez não são parágrafos completos e, por isso, é preciso ler com atenção privilegiando a idéia e não a forma como o texto está dividido.

14.2 – Segunda Regra É preciso, o quanto seja possível, tomar as palavras em seu sentido usual e comum.
Porém, tenha sempre presente a verdade de que o sentido usual e comum não equivale sempre ao sentido literal.
Exemplo: Gn 6.12 = A palavra CARNE (no sentido usual e comum significa pessoa)
A palavra CARNE (no sentido literal significa tecido muscular)

14.3 – Terceira Regra É de todo necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase.
Exemplos:
A.   A palavra FÉ
FÉ em Gl 1.23 = significa crença, ou seja, doutrina do Evangelho.
FÉ em Rm 14.23 = significa convicção.
B.   A palavra GRAÇA
GRAÇA em Ef 2.8 = significa misericórdia, bondade de Deus.
GRAÇA em At. 14.3 = significa pregação do Evangelho.
C.   A palavra CARNE
CARNE em Ef. 2.3 = significa desejos sensuais.
CARNE em I Tm 3.16 = significa forma humana.
CARNE em Gn 6.12 = significa pessoas.

14.4 – Quarta Regra É necessário tomar as palavras no sentido indicado no contexto, a saber, os versículos que estão antes e os que estão depois do texto que se está estudando.
No contexto achamos expressões, versículos ou exemplos que nos esclarecem e definem o significado da palavra obscura no texto que estamos estudando.

14.5 – Quinta Regra É preciso levar em consideração o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras.
O objetivo ou desígnio de um livro ou passagem se adquire, sobretudo, lendo-o e estudando-o com atenção e repetidas vezes, tendo em conta em que ocasião e a quais pessoas originalmente foi escrito. Alguns livros da Bíblia já trazem estas informações. Ex.: Provérbios 1.1-4.

14.6 – Sexta Regra É necessário consultar as passagens paralelas, "explicando cousas espirituais pelas espirituais" (I Cor. 2.13)
Passagens paralelas são as que fazem referência uma à outra, que tem entre si alguma relação, ou tratam de um modo ou outro de um mesmo assunto.
Existe paralelos de palavras, paralelos de ideias e paralelos de ensinos gerais.
A.   Paralelos de palavras – Quando lemos um texto e encontramos nele uma palavra duvidosa, recorremos a outro texto que contenha palavra idêntica e assim, entendemos o seu significado.
Ex.: "Trago no corpo as marcas de Jesus." (Gl 6.17). Fica mais fácil o seu entendimento quando lemos a passagem paralela: "Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus (I Cor. 4.10).
B.   Paralelos de Ideias – Para conseguir ideia completa e exata do que ensina determinado texto, talvez obscuro ou discutível, consultasse não somente as palavras paralelas, mas os ensinos, as narrativas e fatos contidos em textos ou passagens que se relacionem com o dito texto obscuro ou discutível. Tais textos ou passagens chamam-se paralelos de ideias.
Ex.: "Sobre esta pedra edificarei a minha igreja". (Mt 16.16) Quem é esta pedra? Se pegarmos em I Pd 2.4, a idéia paralela: "E, chegando-vos para ele, (Jesus) pedra viva..." entenderemos que a pedra é Cristo.
Outro exemplo: Em Gl 6.15, o que é de valor para Cristo é a nova criatura. Que significa esta expressão figurada? Consultando o paralelo de 2 Cor. 5.17, verificamos que a nova criatura é a pessoa que "esta em Cristo", para a qual "as cousas antigas passaram", e "se fizeram novas".
C.   Paralelos de ensinos gerais – Para a correta interpretação de determinadas passagens não são suficientes os paralelos de palavras e de idéias, é preciso recorrer ao teor geral, ou seja, aos ensinos gerais das Escrituras.
Exemplos: - O ensino de que "o homem é justificado pela fé sem as obras da lei", só será bem compreendido, com a ajuda dos ensinos gerais na Bíblia toda. Segundo o teor ou ensino geral das Escrituras, Deus é um espírito onipotente, puríssimo, santíssimo, conhecedor de todas as cousas e em todas as partes presente. Porém há textos que, aparentemente, nos apresentam um Deus como o ser humano, limitando-o a tempo ou lugar, diminuindo em algum sentido sua pureza ou santidade, seu poder ou sabedoria; tais textos devem ser interpretados à luz dos ensinos gerais das Escrituras.

14.7 – Sétima Regra – Tenha sempre em mente o Assunto Central das Escrituras
Jesus Cristo é o assunto central da Bíblia. Daí dizermos que a Bíblia é um Livro Cristocêntrico. Ele é o “Cordeiro...conhecido antes da fundação do mundo”(1Pe 1.19-20), é o que se manifestou “na plenitude dos tempos”(Gl 4.4) para oferecer o sacrifício único pela redenção da humanidade e é, finalmente, o que “descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com trombeta de Deus”(1Ts 4.16) para consumar a redenção no Reino de Deus para sempre.
Estudar a Bíblia tendo como foco principal o Filho de Deus dá ao intérprete a segurança de quem tem um caminho único a seguir na lida interpretativa.

14.8 – Oitava Regra – Tome consciência do contexto histórico-geográfico
Algumas perguntas interessantes de cunho histórico-geográfico podem ser feitas ao texto. Por exemplo: Em que época o texto foi escrito? Onde estavam o autor e os destinatários à época do escrito? Eram escravos ou livres? Eram abastados ou pobres? Eram cultos ou incultos? Estavam sendo perseguidos ou em paz? Eram nômades ou sedentários? Viviam em sua terra natal ou estavam longe da pátria? Viviam numa região árida ou em meio a mananciais de água? Eram habitantes de cavernas, de casas, ou de tendas? Que tipo de tecnologia usavam? Quais eram seus costumes, crenças, valores, e comportamentos? Como era a sua organização social, política e econômica? Que tipo de alimentação usavam? 
Haverá muito mais luz para se entender o texto se essas perguntas respondidas. Assim o intérprete deve ponderar sobre essas situações no momento do estudo.




14.9 – Nona Regra – Procure reconhecer a forma literária do texto
Precisamos saber se estamos diante de um escrito histórico, doutrinário, biográfico, poético ou profético[15], ou ainda se é um texto misto. Não é tarefa difícil identificar formas literárias quando se conhece o contexto geral das Escrituras.
A análise literária identifica a forma ou método literário usada em determinada passagem com vistas às várias formas como: história, narrativa, cartas, exposição doutrinal, poesia e apocalipse. Cada uma tem seus métodos únicos de expressão e interpretação. 
São textos históricos aqueles que visam informar os fatos importantes a respeito de Israel, da Igreja ou ainda de outros povos relacionados principalmente com Israel.
A poesia tem características singulares que são a conotação e/ou a metrificação e/ou a repetição de ideias, etc.
No grego, devemos considerar o termo poietés - fazedor, realizador. No sentido literário um poeta é alguém que exprime suas idéias mediante imagens verbais, metáforas e outros artifícios literários. Um poeta prima pela brevidade
de expressão, em conjunção com expressões claras e eloquência.
A profecia tem como principal característica a predição de fatos históricos relativos a Israel, como às outras nações e à igreja. 
O texto misto contempla duas ou mais formas literárias. Assim sendo, o texto: “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para ser glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”(Mt 6.2-3). Esse texto é, ao mesmo tempo, doutrinário e poético. Nele o Senhor Jesus doutrina e usa uma figura de linguagem tornando-o mais belo e cheio de significado. 
Os textos históricos e biográficos nos convidam à pesquisa histórica, ao conhecimento dos fatos tais como se deram no tempo em que foram escritos.
O texto doutrinário exige uma extrema cautela do intérprete pois clama pela aplicação atual das verdades nele contidas. Uma má aplicação dessas verdades pode incorrer em erros doutrinários. Constituem doutrina os ensinamentos de Jesus, dos apóstolos e dos profetas.

14.10 – Décima Regra – Localize o texto numa das Dispensações Bíblicas
Dispensação é um período de tempo em que Deus trata com o homem de um modo específico.
Deus está falando com um homem inocente? Com um homem pecador e sem Lei? Está falando com um homem que tem conhecimento da Lei de Moisés? O escrito é aplicado aos que estão debaixo da Graça? O escrito se refere ao Milênio de Cristo?
“Os dipensacionalistas partem de um estudo hermenêutico coerente, considerando a interpretação normal e gramatical, um fundamento essencial à sua hermenêutica. Com essa base, fazem distinção entre Israel e a igreja quanto à dispensação. Como expressou Radmacher: “A interpretação literal é a ‘linha mestra’ do dispensacionalismo (...). Sem dúvida, o mais significativo desses (princípios) é a manutenção da diferenciação entre Israel e a igreja”. Ryrie também comentou essa questão: “Se a interpretação direta e normal consiste o único princípio hermenêutico válido e se for aplicada coerentemente, a pessoa se tornará dispensacionalista. Na medida que uma pessoa acredita que a interpretação normal é fundamental nessa mesma medida ela se tornará obrigatoriamente dispensacionalista”. Aceitar os termos Israel e igreja no sentido normal, literal, equivale a conservar sua distinção. Israel sempre significa o Israel étnico, nuca se confundindo com o termo igreja, nem as Escrituras jamais empregam igreja em substituição ou como sinônimo de Israel.”

Quando Jesus disse que haverá menos rigor no juízo para Sodoma e Gomorra do que para as cidades que rejeitaram a pregação dos Apóstolos, pondera sobre o conhecimento espiritual dessas cidades: “E, ao entrardes na casa, saudai-a; se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz. E, se ninguém vos receber, nem ouvir as vossas palavras, saindo daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.” (MT 10.12-15).

Paulo afirma que “todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.” (Rm 2.12).

O escritor aos hebreus diz: “Mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz, também, mudança na Lei.” (Hb 7.12). Ele está se referindo ao sacerdócio de Cristo.

Sob a orientação de Moisés e Josué, o povo de Israel punia em nome do Senhor, através de grandes batalhas, os povos daquém e dalém do Rio Jordão, por causa de seus terríveis pecados. Hoje, a instrução de Cristo é: “se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”(Mt 5.39). Paulo completa dizendo: “Porque não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra o príncipe das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”(Ef 6.12).

Deus tem mudado suas estratégias no trato com o homem no decorrer dos séculos e isso precisa ser levado em consideração no momento do estudo.

14.11 – Décima Primeira Regra – Considere o texto sob a ótica do povo a quem se destina
A Bíblia divide a humanidade em três povos: 
·         Os Judeus, descendentes de Abraão, com quem foi feita a Antiga Aliança. 
·         Os Gentios, também chamados no Novo Testamento de povos ou nações ou gentes ou gregos (esse último nome por causa da língua e cultura grega espalhada por todo o mundo de então) são aquela parte da humanidade que ainda não havia feito aliança alguma com o Deus eterno;
·         E, por fim, a Igreja, composta de Judeus e Gentios que fizeram com Deus o pacto da Nova Aliança em Cristo. 

Confira esta classificação nas palavras de Paulo: “Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem para a igreja de Deus”(1Co 10.32).
Há textos na Bíblia que só se aplicam a judeus. Outros só se aplicam a Igreja. Outros ainda, só dizem respeito aos gentios. Mas há também, textos de aplicação mista, que englobam dois dos povos citados, e os de aplicação geral envolvendo os três povos.
Mateus destina seu Evangelho especialmente aos judeus e por isso, preocupa-se constantemente em mencionar o cumprimento das profecias do Antigo Testamento na vida e obra de Jesus, com o fito de convencer aos judeus de que Jesus é o Messias prometido a Israel.
Paulo escreve suas cartas à Igreja de Cristo e então preocupa-se em que os irmãos permaneçam firmes na doutrina, na fé, no amor, na boa conduta e na esperança das promessas de Deus.
Marcos destina seu Evangelho aos romanos, portanto, a gentios e, assim sendo, mostra com dinamismo e beleza o extraordinário trabalho de Jesus em favor dos homens em obediência ao seu Pai celestial. Apresenta-o como único e insubstituível meio de salvação para a humanidade. Além disso, toma o cuidado de explicar costumes judaicos e expressões escritas na língua dos judeus.
Em contraste com outras questões que envolvem o evangelho de Marcos, parece geralmente aceito pelos estudiosos de que este evangelho foi escrito em Roma, provavelmente visando os gentios daquela cidade.

14.12 – Décima Segunda Regra – Analise a postura espiritual dos destinatários do texto
Os Filipenses eram um povo generoso, amoroso e cooperante. Estavam sempre ajudando o apóstolo Paulo em suas dificuldades. Que esperar de um Escrito dirigido a um povo desse quilate? Está claro que a Epístola há de ter um tom amigável, íntimo, fraterno e abençoador.
Filipos, importante cidade da Macedônia e colônia romana, tinha sido evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem, no ano 50 (At 16.12-40). Ele tornou a passar por lá duas vezes, quando da sua terceira viagem no outono de 57 (At 20.1-2) e na Páscoa de 58 (At 20.3-6). Os fiéis que ele conquistou lá para Cristo testemunharam uma tocante afeição por seu Apóstolo, enviando-lhe socorros a Tessalônica (Fp 4.6) e depois a Corinto (2Co 11.9). E quando Paulo lhes escreve é precisamente para agradecer-lhes novos recursos que ele acaba de receber por intermédio do delegado deles, Epafrodito (Fp 4.10-20).

O Senhor Deus disse a Moisés, quanto à geração que foi libertada do Egito: “ Tenho observado este povo, e eis que é povo de dura cerviz.” (Ex 32.9b). Ora, o tratamento divino com um povo, assim duro, é diferente do tratamento que Ele daria a um povo dócil espiritualmente. O profeta escreverá bênçãos ou maldições, da parte de Deus, dependendo da posição espiritual do povo em relação a Deus.
Detectada a situação espiritual do grupo de pessoas a quem é destinado o Texto, torna-se mais fácil entender toda a linha de raciocínio do escritor e a forma como ele externa suas emoções e sua posição espiritual em relação ao povo. Também fica mais simples compreender a postura do próprio Deus em relação àquelas pessoas.

14.13 – Décima Terceira Regra – Analise as características pessoais do escritor e das personagens do texto em estudo
Deus é o autor das Escrituras, entretanto, coube ao homem ser canal usado por Ele para que sua Palavra pudesse chegar até nós. 
O homem tem uma personalidade determinada por sua herança genética, pelo meio em que vive, e pelo seu “eu” consciente e dotado de livre-arbítrio. Tudo isso faz de cada escritor bíblico um instrumento peculiar por onde ressoa a inspiração e a revelação divinas.
Podemos descobrir essas características de indivíduos na Bíblia através de um estudo que focalize o personagem ou escritor bíblico ao longo de todas as passagens bíblicas em que esse escreve e/ou aparece. 
É mais fácil compreender um texto onde a personalidade de seu escritor e os personagens são conhecidos do estudante. Podemos identificar o temperamento e o caráter de determinados personagens da Bíblia, por suas atitudes, à medida que aparecem no cenário bíblico.
Tomando o Apóstolo Pedro como exemplo, distinguimos duas fases em sua personalidade: A primeira, antes da sua completa conversão: “ Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.” (Lc 22.31-32). E a Segunda, após a conversão total e o batismo no Espírito Santo.
Assim, vemos primeiramente um Pedro espontâneo, líder, impulsivo, agressivo, etc. É espontâneo, quando faz muitas perguntas a Jesus cujas respostas nos é de extrema valia para o povo de Deus através dois séculos. É imprudente quando tenta convencer ao próprio Jesus a não morrer na cruz. É impulsivo quando avança sobre as ondas sem ter fé para tal, culminando no ridículo do quase afogamento, ou quando se propõe a morrer com Jesus embora não estivesse preparado para isso. É violento quando se arremete contra a guarda e fere um soldado. 
Na Segunda fase de sua vida temos um Pedro equilibrado, pacífico, sofredor, corajoso, cheio de fé e da graça de Deus e um grande líder. Equilibrado quando é capaz de apoiar e incentivar a Paulo no seu trabalho entre os gentios e, ao mesmo tempo, conviver com os judaizantes dirigindo a Igreja entre eles. Pacífico quando é repreendido por Paulo na cara e não rompe com ele. É sofredor quando é surrado pelos judeus por causa do Evangelho. É corajoso quando desafia as autoridades judaicas que queriam emudecê-los para que não pregassem o Evangelho, não temendo açoites e nem mesmo a morte. Mostra-se cheio de fé e da graça de Deus quando cura multidões de enfermos com o passar da sua sombra sobre eles. Tornou-se um grande líder entre os apóstolos e foi contado entre as “colunas” da Igreja que estava em Jerusalém.
A personalidade de Pedro é uma das mais empolgantes da bíblia. Esse apóstolo tornou-se um exemplo daquilo que Deus pode fazer na vida de um homem que a Ele se dedica e Nele tem fé.

14.14 – Décima Quarta Regra – Descubra o objetivo do texto
É muito importante descobrir o objetivo do texto em tela, pois, através dele, temos uma linha mestra para a interpretação. Às vezes, o próprio texto ou contexto nos informa o objetivo como é o caso dos sinais registrados no Evangelho de João. “Jesus, na verdade, operou na presença de seus discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro; estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”(Jo 20.31).
Quando o objetivo não está explícito no texto, o conselho é lê-lo o texto várias vezes até descobri-lo. Estando evidente o propósito com que um determinado texto foi escrito tem-se a coluna vertebral de todos os argumentos usados pelo escritor, podendo-se facilmente detectar o que é principal e o que é acessório.
A descoberta do objetivo central do texto livra o exegeta de uma interpretação marginal ou secundária.
É preciso tomar em consideração o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras...
O desígnio alcançado pelo estudo diligente nos oferece auxílio admirável para a explicação de pontos obscuros, para a aclaração de textos que parecem contraditórios e para conseguir um conhecimento mais profundo de passagens em si claras.

14.15 – Décima Quinta Regra – Verifique se o texto é numenológico ou fenomenológico
·         Fenomenológica (perspectiva humana) é aquilo que os sentidos do homem percebem.
·         Numenológica (perspectiva divina) é a realidade que está de fato ocorrendo, independente de como a percebem os sentidos do homem, é a coisa em si.

Os sentidos humanos são facilmente enganados pelo que é a aparência da realidade e daí surge a narração fenomenológica. Um texto clássico desse tipo de narração está no Livro de Josué onde o texto afirma que o sol parou. Hoje, pelos conhecimentos científicos, sabemos que se o sol parar não perceberemos que o mesmo parou, desde que a terra continue girando normalmente em seus movimentos de rotação e translação. Não temos aqui um exemplo de linguagem figurada. O que o escritor disse é aquilo que percebeu por meio dos sentidos, portanto, pensava estar narrando a realidade tal como se deu.
O estudante da bíblia precisa buscar o máximo de conhecimento científico em todas as áreas para que possa diferenciar o real do sensitivo, embora nunca poderá conhecer aquilo que a ciência ou o próprio Deus ainda não revelou e que, por isso mesmo, permanece sob a miopia dos sentidos humanos.

Outra narrativa fenomenológica importante se encontra na passagem bíblica em que Saul consulta a necromante de En-Dor: 
“Vendo Saul o arraial dos filisteus, temeu e estremeceu muito o seu coração. Pelo que consultou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. Então disse Saul aos seus servos: Buscai-me uma necromante, para que eu vá a ela e a consulte. Disseram-lhe os seus servos: Eis que em En-Dor há uma mulher que é necromante. Então Saul se disfarçou, vestindo outros trajes; e foi ele com dois homens, e chegaram de noite à casa da mulher. 
Disse-lhe Saul: Peço-te que me adivinhes pela necromancia, e me faças subir aquele que eu te disser. A mulher lhe respondeu: Tu bem sabes o que Saul fez, como exterminou da terra os necromantes e os adivinhos; por que, então, me armas um laço à minha vida, para me fazeres morrer? Saul, porém, lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Como vive o Senhor, nenhum castigo te sobrevirá por isso. A mulher então lhe perguntou: Quem te farei subir? Respondeu ele: Faze-me subir Samuel. Vendo, pois, a mulher a Samuel, gritou em alta voz, e falou a Saul, dizendo: Por que me enganaste? pois tu mesmo és Saul.
Ao que o rei lhe disse: Não temas; que é que vês? Então a mulher respondeu a Saul: Vejo um deus que vem subindo de dentro da terra. Perguntou-lhe ele: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e lhe fez reverência. 
Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então disse Saul: Estou muito angustiado, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e já não me responde, nem por intermédio dos profetas nem por sonhos; por isso te chamei, para que me faças saber o que hei de fazer. Então disse Samuel: Por que, pois, me perguntas a mim, visto que o Senhor se tem desviado de ti, e se tem feito teu inimigo? O Senhor te fez como por meu intermédio te disse; pois o Senhor rasgou o reino da tua mão, e o deu ao teu próximo, a Davi. Porquanto não deste ouvidos à voz do Senhor, e não executaste o furor da sua ira contra Amaleque, por isso o Senhor te fez hoje isto. E o Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus. Amanhã tu e teus filhos estareis comigo, e o Senhor entregará o arraial de Israel na mão dos filisteus. Imediatamente Saul caiu estendido por terra, tomado de grande medo por causa das palavras de Samuel; e não houve força nele, porque nada havia comido todo aquele dia e toda aquela noite.” (1Sm 28)

Claro está que Satanás, conhecedor das limitações humanas, criou todo um ambiente de engano para que fosse passada a impressão de que Samuel houver saído do Paraíso de Deus para participar daquele culto espírita.
É interessante notar que o escritor do texto citado, que não foi Samuel por já estar morto, narrou os fatos como percebidos pelos sentidos daqueles que lá estiveram ou por terceiros que deles tiveram notícia.
A não compreensão da narrativa fenomenológica e o engano de Satanás tem subsidiado até hoje os espíritas que encontram, nesse texto, uma base para sua doutrina de consulta aos mortos.

14.16 – Décima sexta regra - Retire do texto suas verdades temporais e intemporais
Depois de todo o estudo indicado acima, chega o momento final da interpretação, onde o estudante vai procurar traduzir o que o texto significava para o povo de sua época e como essas verdades podem ser aplicadas em nossa época e cultura. Chamamos de verdades temporais, as que duram apenas um período de tempo e intemporais, as que permanecem para sempre.
Com a Nova Aliança, ficaram ultrapassados vários costumes, ritos e ensinos da Velha Aliança. Por isso precisamos estar atentos para as coisas que a própria Palavra fez perecer e que certos intérpretes fazem questão de ressuscitar contrariamente aos ensinos de Cristo e dos Apóstolos. O discernimento sobre as verdades temporais e intemporais baseia-se principalmente na comparação dos demais escritos bíblicos com aquilo que é a Doutrina de Jesus. 
Os ensinos de Jesus constituem o que é essencial para o homem. Jesus não se detém em miudezas, mas trata do que é substancial para que o perdido pecador seja reconciliado com Deus e viva uma vida que lhe seja agradável. Jesus ensina o que é moral e espiritual. Ele lança sabiamente um novo e maravilhoso mandamento: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13.34-35). 
As verdades que estão relacionadas com a Lei do Amor são intemporais. Todo ensinamento bíblico que aperfeiçoa o leitor para a prática do amor reverente a Deus e respeitoso ao próximo é para sempre.

14.17 – Décima Sétima – Compare suas conclusões com as de bons exegetas
Comparando sua exegese com a de escritores bem recomendados e tarimbados, poderá medir seu grau de capacidade de interpretação, ao mesmo tempo que terá mais segurança para expor suas conclusões e se envolver em outras jornadas exegéticas.
Um dos grandes erros das mais famosas seitas heréticas existentes entre nós é o desprezo por tudo o que já foi feito pelos estudiosos de todas as épocas sobre as Escrituras. Desconsideram o labor de santos, doutos e dedicados homens de Deus à tarefa de estudar, interpretar, compilar e traduzir os escritos canônicos e isto numa época em que tudo era feito à mão. Os hereges surgem com novas interpretações, traduções e acréscimos ao material canônico, como se toda a revelação e interpretação divinas lhes fossem confiadas particularmente, levando multidões às trevas da ignorância do bom e sadio conhecimento a respeito de Deus.




Bibliografia
Ø  Lund / P. C. Nelson. HERMENÊUTICA: Regras de Interpretação das Sagradas Escrituras, Editora Vida, 1968
Ø  Josias Moura de Menezes. APOSTILA DO INSTITUTO BÍBLICO BETEL BRASILEIRO DE HERMENÊUTICA, João Pessoa.
Ø  Douglas Stuart e Gordon D. Fee. MANUAL DE EXEGESE BÍBLICA, Editora Vida Nova, 2008
Ø  GRASSMICK, John. Exegese do Novo Testamento: do texto ao púlpito; Editora Vida, São Paulo,
Ø  ZUCK, Roy. Interpretação bíblica: A meios de descobrir a verdade da Bíblia; Editora Vida, São Paulo,
Ø  OSBORNE, Grant R. Espiral hermenêutica: A uma nova abordagem à interpretação bíblica; Editora Vida, São Paulo,






[1] Hilton Ferreira Japiassu nasceu em Carolina, Maranhão, no dia 26 de março de 1934.
Filho de José Alves Ferreira e Walmerina Japiassu Ferreira, alcançou a licenciatura em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) em 1969.

[2] Inspiração mecânica ou teoria do ditado verbal - Segundo esse pensamento, a inspiração da Bíblia aconteceu como um ditado literal da Palavra de Deus aos escritores, como uma espécie de “transe”, onde praticamente não havia lugar para a atividade intelectual, para a formação acadêmica, nem mesmo para o estilo de cada escritor. Os autores não passaram de uma maquina de escrever humanas ou ditafones que serviram como instrumentos para que a Palavra de Deus chegasse eventualmente a incorporar-se no cânon sagrado.
[3] Inspiração de conceitos ou ideias - Ensina que Deus inspirou as ideias contidas na Bíblia na mente dos autores... apenas as ideias, mas nenhuma Palavra... Segundo essa teoria, as palavras registradas por escrito são de responsabilidade exclusiva dos escritores – eles teriam colocado no papel, à sua maneira, as ideias que lhes foram inspiradas.
[4] Inspiração plena e verbal - É considerada como a teoria correta da inspiração bíblica.
Verbal – Implica que os autores não foram inspirados apenas em suas ideias gerais, mas nas próprias palavras usadas por ele. A ideia é que cada palavra escrita nos manuscritos originais teve a supervisão de Deus.
Plenário – A inspiração reivindicada se estende a toda a Bíblia. Deus fez com que toda Escritura fosse escrita e não apenas as seções que levam as marcas da inspiração mais claramente.
[5] Inspiração parcial - Ensina que partes da Bíblia são inspiradas e outras não. Afirma que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas que apenas contém a Palavra de Deus. Admite certas partes da Bíblia como sobrenaturalmente inspiradas, ou seja, porções da Bíblia que de outra forma seriam desconhecidas (relatos da criação, profecias, etc.)
[6] O Modernismo Teológico - O Iluminismo foi o legado do modernismo que originou um movimento intelectual feito por pensadores filosóficos que ocorreu no final do século XVII e no século XVIII, que destacava a soberania da razão humana. Foi um tempo em que tiraram Deus do centro para colocar o homem com sua razão. Nessa época eles só procuravam entender o quê era possível para a razão humana, e tudo que não fosse racional era colocado de lado. Portanto, todas as suposições metafísicas religiosas eram abomináveis para eles, pois era tudo irracional.
Esse período da história moderna tinha seus maiores pensadores na Alemanha e Holanda. Especialmente era fundamentado no racionalismo e no anti-sobrenaturalismo de Descartes, Spinoza e Leibniz, e, também, no empirismo de Locke, Berkeley e Hume.
[7] Teologia liberal (ou liberalismo teológico) foi um movimento teológico cuja produção se deu entre o final do século XVIII e o início do século XX. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião.
Oficialmente, a teologia liberal se iniciou, no meio evangélico, com o alemão Friedrich Schleiermacher(1768-1834). Essa teologia é fruto do modernismo teológico.
[8] A neo-ortodoxia ou barthianismo é um modelo teológico ligado ao nome do teólogo alemão Karl Barth (1886-1968). Sua obra literária de maior destaque é a Dogmática da Igreja, escrita em treze volumes que encerram os elementos principais do seu pensamento.
Barth ensinou que a única revelação de Deus ao homem é Cristo. Só ele é a Palavra de Deus. Por ele, exclusivamente, Deus se comunicou com os seres humanos e isso aconteceu quando a Palavra se fez carne e o Deus-homem se manifestou ao mundo. 
De acordo com esse entendimento, a Bíblia não é a Palavra de Deus, pois somente Cristo é. Ademais, Barth não cria que as palavras das Escrituras fossem inspiradas e também não acreditava que os registros bíblicos fossem infalíveis. Curiosamente, segundo a neo-ortodoxia, ainda que a Bíblia não deva ser vista como revelação de Deus, ela deve ser respeitada, pois as Escrituras podem se tornar Palavra de Deus caso Cristo fale conosco por intermédio de suas páginas e assim nos conduza a um encontro com ele. Dessa forma, elas não são Palavra de Deus num sentido objetivo, mas podem vir a ser num sentido subjetivo e existencial, dependendo do impacto espiritual que causem sobre um determinado indivíduo, num dado momento de sua vida. 
Reagindo ao liberalismo teológico, a teologia dialética ou neo-ortodoxa tem em Karl Barth o principal nome. Além dele, outros teólogos tornaram-se conhecidos, como Emil Brunner, Friedrich Gogarten, Eduard Thurneysen e Rudolf Bultmann, por exemplo.
[9] O termo ortodoxia normalmente é empregado pelo protestantes para se referir ao sumário das doutrinas defendidas pelos reformadores e em geral aceitas pelas igrejas das Reforma. Nesse caso, ser ortodoxo significa estar de acordo com os princípios da Reforma.
[10] A palavra "dispensação" deriva-se de um termo latino que significa "administração" ou "gerência", e se refere ao método divino de lidar com a humanidade e de administrar a verdade em diferentes períodos de tempo.
[11] Então a visão da interpretação epigenética das escrituras funciona assim como o desenvolvimento de uma semente. Primeiro temos a semente, em cujo DNA esta tudo escrito que vira a ser no futuro. Exemplo: uma semente de laranja. Se eu tomar na mão uma semente de laranjeira, não tenho uma laranjeira na mão, não tenho flores de laranjeira com o cheiro característico, nem laranjas. Mas por outro lado tenho tudo isso, é só plantar a semente e tudo o mais vira naturalmente. De maneira que quando eu tiver uma laranjeira com flores e seu cheiro característico, na verdade não terei nada que já não existisse antes, somente tive que esperar o desenvolvimento histórico para que chegasse lá. Agora veja por exemplo esta aplicação do modelo epigenético para interpretar a Bíblia: No plano de Deus, o que Ele está fazendo como produto final, não foi o ser humano representado por Adão e Eva como se encontravam no paraíso, mas o ser humano representado por Jesus na sua glorificação. Inclusive nossos corpos na ressurreição serão semelhantes ao de Jesus. Portanto Deus não voltando na história para fazer concertos, mas seguindo em frente rumo ao desenvolvimento da semente humana. No final da história não seremos como Adão no Paraíso, mas como Jesus depois da ressurreição.
Por esse processo explicamos o desenvolvimento da criação e também a entrada do pecado no mundo que causou a mudança epigenética na raça humana, mas que não pegou Deus desprevenido, porque Ele já tinha planejado, dentro do livre arbítrio humano, a redenção ou a continuação de sua criação através do novo nascimento em Cristo Jesus, através do qual passamos a receber seu DNA, exemplos: II Pedro 1:3-4, I Pedro 1:18-21.
O Modelo epigenético nos proporciona uma ferramenta para interpretação bíblica através da qual as doutrinas básicas e amplamente reconhecidas pela igreja cristã se alinham sem contradição.
[12]Análise Léxico-Sintática - Definição e Pressuposições
Análise léxico-sintática é o estudo do significado de palavras tomadas isoladamente (lexicologia) e o modo como essas palavras se combinam (sintaxe), a fim de determinar com maior precisão o significado que o autor pretendia lhes dar.
A análise léxico-sintática fundamenta-se na premissa de que embora as palavras possam assumir uma variedade de significados em contextos diferentes, elas têm apenas um significado intencional em qualquer contexto dado. Assim, se eu dissesse “Ele é ou está verde”, essas palavras poderiam significar que (1) ele é inexperiente, ou (2) ele está doente, ou (3) ele está assustado. Conquanto minhas palavras pudessem significar qualquer uma dessas três coisas, o contexto geralmente indicará qual dessas ideias eu desejo comunicar. A análise léxico-sintática ajuda o intérprete a determinar a variedade de significados de uma palavra ou de um grupo de palavras, e então declarar que o significado X é mais provável do que o significado Y ou Z de ser a intenção do autor nessa passagem.
Passos para a Análise Léxico-Sintática – Ás vezes a análise léxico-sintática é difícil, mas com frequência ela produz resultados empolgantes e significativos. A fim de tornar este processo complexo, um tanto mais fácil de entender, ele foi subdividido num procedimento de sete passos:
1.     Apontar a forma literária geral à A forma literária que o autor usa (prosa, poesia, etc.) influência o modo como ele pretende que suas palavras sejam entendidas.
2.     Investigar o desenvolvimento do tema e mostrar como a passagem em consideração se encaixa no contexto à Este passo, já iniciado como parte da análise contextual, dá uma perspectiva necessária para determinar o significado das palavras e da sintaxe.
3.     Apontar as divisões naturais do texto à As principais unidades conceituais e as declarações transicionais revelam o processo de pensamento do autor e, portanto, tornam mais claro o significado que ele quis dar.
4.     Identificar os conectivos dentro dos parágrafos e sentenças à Os conectivos (conjunções, preposições, pronomes relativos) mostram a relação que existe entre dois ou mais pensamentos.
5.     Determinar o significado isolado das palavras à Qualquer palavra que sobrevive por muito tempo numa língua começa a assumir uma variedade de significados.
6.     Analisar a sintaxe à A relação das palavras entre si expressa-se por meio de suas formas e disposições gramaticais.
7.     Colocar os resultados de sua análise léxico-sintática em palavras que não tenham conteúdo técnico, fáceis de ser entendidas, que transmitam com clareza o significado que o autor tinha em mente.
[13] Este passo, já iniciado como parte da análise contextual, é importante por dois motivos.
·         Primeiro, o contexto é a melhor fonte de dados para a determinação de qual dos diversos possíveis significados de uma palavra é o que o autor tinha em mente.
·         Segundo, a não ser que uma passagem seja colocada na perspectiva de seu contexto, há sempre o perigo de ela se envolver tanto nas tecnicidades de uma análise gramatical que o intérprete perca a visão da ideia (ou ideias) básica que as palavras realmente comunicam.

[14] Significado da Palavra
Em sua maioria, as palavras que sobrevivem por longo tempo numa língua adquirem muitas denotações (significados específicos) e conotações (implicações complementares). Ao lado de seus significados específicos, muitas vezes as palavras têm uma variedade de denotações vulgares, isto é, usos encontradiços na conversação comum.
As palavras ou frases podem ter denotações vulgares e também técnicas. Por exemplo, a frase “Há uma onda de coqueluche na cidade” tem um sentido quando empregada como termo médico, mas o sentido muda por completo quando se diz que “a coqueluche da cidade é andar com calças ‘jeans’ “ desbotadas”, onde a linguagem é vulgar.
As denotações literais podem, finalmente, conduzir a denotações metafóricas.
Usada literalmente, a palavra verde designa uma cor; empregada com sentido metafórico, pode estender-se desde a cor de uma laranja que ainda não amadureceu até à ideia de uma pessoa imatura, ou inexperiente.

Método para Descobrir as Denotações de Palavras Antigas
Há três métodos geralmente adotados para se descobrir a variedade de significados que uma palavra possa ter:
1.       O primeiro é estudar os modos como ela foi empregada em outra literatura antiga.
2.       O segundo método é estudar os sinônimos, procurando pontos de comparação bem
como de contraste.
3.       O terceiro método para a determinação dos significados de uma palavra é a etimologia – o estudo do significado das raízes históricas da palavra.

Há disponíveis vários tipos de instrumentos léxicos que capacitam o atual estudioso das Escrituras a averiguar os diversos possíveis significados de palavras antigas. Os mais importantes tipos de instrumentos léxicos estão descritos a seguir.
·         Concordâncias à Uma concordância, ou chave bíblica, contém uma lista de todas as vezes que determinada palavra é usada na Escritura. Para examinar os vários modos em que determinada palavra hebraica ou grega foi empregada, consulte-se uma concordância hebraica ou grega, que arrola todas as passagens em que aparece a palavra.
·         Léxicos à Léxico é um dicionário de vocábulos hebraico ou gregos. Como um dicionário da língua portuguesa, ele registra as várias denotações de cada palavra nele encontrada.
Muitos léxicos oferecem uma síntese do uso das palavras, tanto na literatura secular como na bíblica, citando exemplos específicos. Muitas vezes as palavras hebraica e gregos estão registradas em ordem alfabética, de modo que é útil conhecer os alfabetos hebraico e grego a fim de usar esses instrumentos.
·         Sintaxe à A sintaxe trata do modo como os pensamentos são expressos por meio de formas gramaticais. Cada língua tem sua própria estrutura, e um dos problemas que tanto dificultam a aprendizagem de outra língua é que o estudante deve dominar não só as definições e pronúncias das palavras da nova língua, mas também novos modos de dispor e demonstrar a relação de uma palavra com outra.
A língua portuguesa é analítica: a ordem das palavras é um guia para o significado. O hebraico é, também, uma língua analítica. O grego, pelo contrário, é uma língua sintética: o significado é entendido apenas parcialmente pela ordem das palavras e muito mais pelas terminações da palavra ou pelas terminações de casos.
·         Bíblias Interlineares. Estas bíblias contêm o texto hebraico ou grego com a tradução impressa entre as linhas (daí o nome interlinear). Justapondo-se os dois conjuntos de palavras, elas capacitam o estudante a indicar facilmente a palavra (ou palavras) hebraica ou grega que ele deseja estudar.

[15] Os escritos apocalípticos contêm palavras empregadas com sentido simbólico. A prosa e a poesia empregam palavras com sentidos literal e figurativo; na prosa predomina o uso literal; na poesia, usa-se com maior frequência a linguagem figurativa.

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