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By Ferramentas Blog

terça-feira, 23 de novembro de 2010

APOSTILA 4 - FUNDAMENTOS DA ÉTICA CRISTÃ 2

FUNDAMENTOS DA ÉTICA CRISTÃ - 2
1        – INTRODUÇÃO
O propósito do empreendimento ético é decidir o que é certo e o que é errado de se fazer. Sua preocupação é a conduta apropriada, mas também considera as atitudes e os motivos dos quais a conduta resulta.
1.1  – Os Conceitos de Palavras-Chaves no Estudo da Ética
·        Moral É um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano.
o   A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida".
·        Padrão Moral – É o conjunto de crenças e julgamentos sobre o que é certo e errado fazer.
·        Conduta – É o comportamento, o procedimento moral antes as normas vigentes.
·        Princípios – São diretrizes mais gerais. Ex. “Eu tenho como princípio viver ou andar na verdade”.
·        Ética É o domínio da Filosofia que procura determinar a finalidade da vida humana e os meios de alterá-la.
o   Ética significa, etimologicamente, “costume, conjunto de atos que uma comunidade ou uma pessoa realizam porque os consideram válidos”.
o   Num sentido mais específico, a Ética é uma disciplina filosófica que compreende todas as questões relativas às idéias morais e às normas de conduta humanas.
·        Ato Legal (lei) – Aquilo que é legal pela lei; aceito por estar legalizado; aprovado pela lei do país.
o   Ex: o aborto = objeção da consciência. É capitulado em lei, mas é contra a moral cristã. É legal, porém é imoral.
o   Portanto, nem tudo o que é legal, é ÉTICO, é MORAL.
Quando falamos de moral, de ética, falamos de valores.
·        Imoral – o que é contrário à moral, isto é, o que é contrário as normas estabelecidas pela sociedade.
o   Nem tudo que é imoral para um é para o outro. Ex: a nudez do índio. Para os índios não é imoral, para causa do seu costume e de sua cultura. Para as pessoas civilizadas é imoral, principalmente para a cultura cristã.
·        Moral cristã – São os conjuntos de normas e valores referendados pela Palavra de Deus.
·        Ética Cristã – responderá pelos costumes ou conjunto de atos praticados pelos cristãos.
·        Valores – É um conjunto de qualidades que determina o mérito e a importância de um ser referente ao binômio BEM e MAL. Por exemplo: Caráter, Honra, Fidelidade, Idoneidade. Ex: Se quero fazer um contrato, procuro uma pessoa honesta. Se quero casar, procuro uma pessoa que seja fiel, que telha caráter.
o   Nós nascemos com valores, independentes do credo, religião, porque todos nós nascemos com uma lei eterna que sempre diz "Faça o bem e evite o mal" - este é o princípio da ética. E nós sabemos quando agimos corretamente porque essa lei está dentro de cada um de nós na faculdade que se chama CONSCIÊNCIA.




2 – ALTERNATIVAS ÉTICAS (1)
(Augustus Nicodemos Lopes – Fundamentos da Ética Cristã)

Cada um de nós tem uma ética. Cada um de nós, por mais influenciado que seja pelo relativismo e pelo pluralismo de nossos dias, tem um sistema de valores interno que consulta no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciando decisivamente nossas opções.
Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As principais são: humanística, natural e religiosa.

2.1 – Éticas Humanísticas
As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o ser humano como a medida de todas as coisas, seguindo o conhecido axioma do antigo pensador sofista Protágoras (485-410 AC). Ou seja, são aquelas éticas que favorecem escolhas e decisões voltadas para o homem como seu valor maior.

·        Hedonismo
Uma forma de ética humanística é o hedonismo. Esse sistema ensina que o certo é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" vem do grego e significa "prazer". Como movimento filosófico, teve sua origem nos ensinos de Epicuro e de seus discípulos, cuja máxima famosa era "comamos e bebamos porque amanhã morreremos". O epicurismo era um sistema de ética que ensinava, em linhas gerais, que para ter uma vida cheia de sentido e significado, cada indivíduo deveria buscar acima de tudo aquilo que lhe desse prazer ou felicidade. Os hedonistas mais radicais chegavam a ponto de dizer que era inútil tentar adivinhar o que dá prazer ao próximo.
Como conseqüência de sua ética, os hedonistas se abstinham da vida política e pública, preferiam ficar solteiros, censurando o casamento e a família como obstáculos ao bem maior, que é o prazer individual. Alguns chegavam a defender o suicídio, visto que a morte natural era dolorosa.
Como movimento filosófico, o hedonismo passou, mas certamente a sua doutrina central permanece em nossos dias. Somos todos hedonistas por natureza. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. A ética natural do homem é o hedonismo. Instintivamente, ele toma decisões e faz escolhas tendo como princípio controlador buscar aquilo que lhe dará maior prazer e felicidade. O individualismo exacerbado e o materialismo moderno são formas atuais de hedonismo.
O hedonismo não tem muitos defensores modernos, mas podemos mencionar Gustav Fechner, o fundador da psicofísica, com sua interpretação do prazer como princípio psíquico de ação, a qual foi depois desenvolvida por Sigmund Freud como sendo o princípio operativo do nível psicanalítico do inconsciente.
Muito embora o cristianismo reconheça a legitimidade da busca do prazer e da felicidade individuais, considera a ética hedonista essencialmente egoísta, pois coloca tais coisas como o princípio maior e fundamental da existência humana.

·        Utilitarismo
Outro exemplo de ética humanística é o utilitarismo, sistema ético que tem como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas. Em outras palavras, "o certo é o que for útil". As decisões são julgadas, não em termos das motivações ou princípios morais envolvidos, mas dos resultados que produzem. Se uma escolha produz felicidade para as pessoas, então é correta. Os principais proponentes da ética utilitarista foram os filósofos ingleses Jeremy Bentham e John Stuart Mill.
A ética utilitarista pode parecer estar alinhada com o ensino cristão de buscarmos o bem das pessoas. Ela chega até a ensinar que cada indivíduo deve sacrificar seu prazer pelo da coletividade (ao contrário do hedonismo). Entretanto, é perigosamente relativista: quem vai determinar o que é o bem da maioria? Os nazistas dizimaram milhões de judeus em nome do bem da humanidade. Antes deles, já era popular o adágio "o fim justifica os meios". O perigo do utilitarismo é que ele transforma a ética simplesmente num pragmatismo frio e impessoal: decisões certas são aquelas que produzem soluções, resultados e números.
Pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em detrimento do conteúdo. Eles querem saber como e não por que.
Talvez um bom exemplo moderno seja o escândalo sexual Clinton/Lewinski. Numa sociedade bastante marcada pelo utilitarismo, como é a americana, é compreensível que as pessoas se dividam quanto a um impeachment do presidente Clinton, visto que sua administração tem produzido excelentes resultados financeiros para o país.

·        Existencialismo
Ainda podemos mencionar o existencialismo, como exemplo de ética humanística. Defendido em diferentes formas por pensadores como Kierkegaard, Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de Beauvoir, o existencialismo é basicamente pessimista. Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou bom para a humanidade; são também relativistas, acreditando que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.
Sartre, um dos mais famosos existencialistas, disse: "O mundo é absurdo e ridículo. Tentamos nos autenticar por um ato da vontade em qualquer direção". Pessoas influenciadas pelo existencialismo tentarão viver a vida com toda intensidade, e tomarão decisões que levem a esse desiderato. Aldous Huxley, por exemplo, defendeu o uso de drogas, já que as mesmas produziam experiências acima da percepção normal. Da mesma forma, pode-se defender o homossexualismo e o adultério.
O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna. Sua influencia percebe-se em todo lugar. A sociedade atual tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual. Por exemplo, um homem que não é feliz em seu casamento e tem um romance com outra mulher com quem se sente bem, geralmente recebe a compreensão e a tolerância da sociedade.

·        Ética Naturalística
Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.
Por incrível que possa parecer, essa ética teve defensores como Trasímaco (sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade. Modernamente, Nietzsche e alguns deterministas biológicos, como Herbert Spencer e Julian Huxley.
A ética naturalística tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza baseados na teoria da evolução: (1) a natureza e o homem são produtos da evolução; (2) a seleção natural é boa e certa. Nietzsche considerava como virtudes reais a severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a piedade.
Pode-se perceber a influência da ética naturalística claramente na sociedade moderna. A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram doentes mentais e esterilizaram os "inaptos" biologicamente. Sade defendia a exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas por neo-nazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres. Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalística da sobrevivência dos mais aptos e da destruição dos mais fracos.
Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A natureza como a temos hoje se afasta do estado original em que foi criada. Não pode servir como um sistema de valores para a conduta dos homens.

2.2  – Éticas Religiosas
São aqueles sistemas de valores que procuram na divindade (Deus ou deuses) o motivo maior de suas ações e decisões. Nesses sistemas existe uma relação inseparável entre ética e religião. O juiz maior das questões éticas é o que a divindade diz sobre o assunto. Evidentemente, o conceito de Deus que cada um desse sistema mantém, acabará por influenciar decisivamente o código ético e o comportamento a ser seguido.

·        Éticas Religiosas Não Cristãs
No mundo grego antigo os deuses foram concebidos (especialmente nas obras de Homero) como similares aos homens, com paixões e desejos bem humanos e sem muitos padrões morais (muito embora essa concepção tenha recebido muitas críticas de filósofos importantes da época). Além de dominarem forças da natureza, o que tornava os deuses distintos dos homens é que esses últimos eram mortais. Não é de admirar que a religião grega clássica não impunha demandas e restrições ao comportamento de seus adeptos, a não ser por grupos ascéticos que seguiam severas dietas religiosas buscando a purificação. O conceito hindú de não matar as vacas vem de uma crença do período védico que associa as mesmas a algumas divindades do hinduísmo, especialmente Krishna. O culto a esse deus tem elementos pastoris e rurais.
O que pensamos acerca de Deus irá certamente influenciar nosso sistema interno de valores bem como o processo decisório que enfrentamos todos os dias. Isso vale também para ateus e agnósticos. O seu sistema de valores já parte do pressuposto de que Deus não existe. E esse pressuposto inevitavelmente irá influenciar suas decisões e seu sistema de valores.
É muito comum na sociedade moderna o conceito de que Deus (ou deuses?) seja uma espécie de divindade benevolente que contempla com paciência e tolerância os afazeres humanos sem muita interferência, a não ser para ajudar os necessitados, especialmente seus protegidos e devotos. Essa concepção de Deus não exige mais do que simplesmente um vago código de ética, geralmente baseado no que cada um acha que é certo ou errado diante desse Deus.

·        A Ética Cristã
Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.
Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de diversos pressupostos e conceitos que acredita estão revelados nas Escrituras Sagradas pelo único Deus verdadeiro. São estes:

1. A existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. A ética cristã parte do conceito de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido e crido como tal e a sua vontade respeitada e obedecida.

2. A humanidade está num estado decaído, diferente daquele em que foi criada. A ética cristã leva em conta, na sistematização e sintetização dos deveres morais e práticos das pessoas, que as mesmas são incapazes por si próprias de reconhecer a vontade de Deus e muito menos de obedecê-la. Isso se deve ao fato de que a humanidade vive hoje em estado de afastamento de Deus, provocado inicialmente pela desobediência do primeiro casal. A ética cristã não tem ilusões utópicas acerca da "bondade inerente" de cada pessoa ou da intuição moral positiva de cada uma para decidir por si própria o que é certo e o que é errado. Cegada pelo pecado, a humanidade caminha sem rumo moral, cada um fazendo o que bem parece aos seus olhos. As normas propostas pela ética cristã pressupõem a regeneração espiritual do homem e a assistência do Espírito Santo, para que o mesmo venha a conduzir-se eticamente diante do Criador.

3. O homem não é moralmente neutro, mas inclinado a tomar decisões contrárias a Deus, ao próximo. Esse pressuposto é uma implicação inevitável do anterior. As pessoas, no estado natural em que se encontram (em contraste ao estado de regeneração) são movidas intuitivamente, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo, seguindo muito naturalmente (e inconscientemente) sistemas de valores descritos acima como humanísticos ou naturalísticos. Por si sós, as pessoas são incapazes de seguir até mesmo os padrões que escolhem para si, violando diariamente os próprios princípios de conduta que consideram corretos.

4. Deus revelou-se à humanidade. Essa pressuposição é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação que ela tira seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e especialmente do que é certo e do que é errado. A ética cristã reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós. Cada pessoa traz, como criatura de Deus, resquícios dessa imagem, agora deformada pelo egoísmo e desejos de autonomia e independência de Deus. A consciência das pessoas, embora freqüentemente ignorada e suprimida, reflete por vezes lampejos dos valores divinos. Deus também se revela através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é nosso Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito e da maneira como deveríamos nos portar no mundo que criou.

Assim, muito embora a ética cristã se utilize do bom senso comum às pessoas, depende primariamente das Escrituras na elaboração dos padrões morais e espirituais que devem reger nossa conduta neste mundo. Ela considera que a Bíblia traz todo o conhecimento de que precisamos para servir a Deus de forma agradável e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo não sendo uma revelação exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura, entretanto, é suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. Evidentemente não encontraremos nas Escrituras indicações diretas sobre problemas tipicamente modernos como a eutanásia, a AIDS, clonagem de seres humanos ou questões relacionadas com a bioética. Entretanto, ali encontraremos os princípios teóricos que regem diferentes áreas da vida humana. É na interação com esses princípios e com os problemas de cada geração, que a ética cristã atualiza-se e contextualiza-se, sem jamais abandonar os valores permanentes e transcendentes revelados nas Escrituras.
É precisamente por basear-se na revelação que o Criador nos deu que a ética cristã estende-se a todas as dimensões da realidade. Ela pronuncia-se sobre questões individuais, religiosas, sociais, políticas, ecológicas e econômicas. Desde que Deus exerce sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana, suas demandas nos alcançam onde nos acharmos – inclusive e principalmente no ambiente de trabalho, onde exercemos o mandato divino de explorarmos o mundo criado e ganharmos o nosso pão.
É nas Escrituras Sagradas, portanto, que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte proferido por Jesus são os exemplos mais conhecidos. Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas.
A ética cristã, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais o homem poderá chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são a vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.





3 – ALTERNATIVAS ÉTICAS (2)
(Norman L. Geisler – Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas)

É correto mentir a fim de salvar uma vida? A pergunta postula um conflito em normas éticas. Contar a verdade é mais importante do que salvar vidas? O que você faria? As várias respostas a esta pergunta podem ser usadas para ilustrar seis abordagens básicas à ética. Todos os pontos de vista éticos têm a ver com perguntas éticas fundamentais: existem normas éticas válidas? Se existem, quantas são? E se existirem muitas normas éticas, o que se faz quando duas delas entram em conflito? A pessoa conta uma mentira para salvar uma vida, ou sacrifica uma vida para salvar a verdade?

3.1 – Uma história e muitas alternativas éticas
As posições básicas que podem ser adotadas quanto à questão das normas éticas podem ser ilustradas por um caso recente que envolveu o Comandante Lloyd Bucher, do navio-espião Pueblo, que, com sua tripulação de 23 homens, foi capturado pelos norte-coreanos. Quando os interrogadores ameaçaram matar a tripulação, Bucher assinou confissões, confessando falsamente a culpa de fazer espionagem nas águas territoriais da Coréia do Norte. Estas falsas confissões vieram a ser o fundamento para poupar as vidas da tripulação e levar à sua libertação. A pergunta, portanto, é esta: a mentira de Bucher para salvar vidas foi moralmente justificada? Ou, de modo mais geral, mentir para salvar uma vida é moralmente certo em qualquer situação?
Não podemos deixar de citar a história de Raabe e os espias, narrada no Livro de Josué. Raabe havia escondido os espias no eirado de sua casa, mas quando indagada pelos soldados do rei de Jericó, ela mentiu para salvar a vida dos espias. Voltamos novamente a pergunta: mentir para salvar uma vida é justificável?
Vejamos as posições básicas que podemos adotar quanto as questões de normas éticas.

·         O Antinomismo - A primeira alternativa no que diz respeito às normas éticas é que não existe norma alguma ou pelo menos nenhuma norma objetiva. Ou seja: estamos literalmente sem lei (anti-nomos) para guiar ações éticas relevantes. Neste caso o comandante Bucher não está errado nem certo, pois não existem normas para se avaliar. Mentir não é certo e nem errado, depende do ponto de vista de cada um.
·        O Generalismo – Esta afirma que: Não há normas universais. Reconhece que existem muitas normas éticas de aplicação geral, mas não universal. O valor de uma ação não é julgado pelo valor intrínseco e universal, mas pelo resultado da ação. Para este caso o comandante Bucher é absolvido porque sua ação resultou na salvação de muitas outras vidas. Mentir é errado, mas salvar vidas justifica o erro.
·        O Situacionismo – Esta posição afirma que há uma só norma universal. De modo contrário àquilo que a palavra “situacionismo” talvez parece subentender, ela não é usada para representar uma ética completamente sem normas. O situacionismo está localizado entre os extremos do legalismo e do antinomismo. Os antinomistas não têm leis, os legalistas têm leis para tudo, e o situacionismo tem uma só lei. Essa lei é o amor. O comandante Bucher deve ser julgado por sua motivação. O que o levou a mentir? Foi um ato de egoísmo ou de amor ao proximo? Mentir é errado, mas mentir por amor, o torna desculpável.
·        O Absolutismo Não-Conflitante – Os absolutistas tradicionais sustentam ou entendem que há muitas normas absolutas que nunca entram realmente em conflito. Cada norma abrange sua própria área de experiência humana e nunca entra em conflito real com outra norma absoluta. Neste caso, o comandante Bucher, não tinha realmente um conflito. Não existia a possibilidade entre mentir ou salvar vidas. Ele não podia mentir. Poderia ter se calado? Poderia ter falado a verdade? A continuidade da história a partir deste ponto pertence a Deus. Quem poderia afirmar com precisão absoluta que os coreanos matariam toda a tripulação?
·        O Absolutismo Ideal – Estes compreendem que há muitas normas universais conflitantes. Neste quando normas éticas entram em conflitos se deve optar por aquela que trará menos danos ou que causará menor mal. Neste caso se erra por desobedecer a uma norma, mas se é desculpável por causa do dilema trágico em que a pessoa se acha. O comandante Bucher errou ao mentir, mas pode ser considerado perdoado porque escolheu o caminho que causaria menor mal.
·        O Hierarquismo – Esta posição afirma que há normas universais hierarquicamente ordenadas. Embora as normas universais possam entrar em conflito, a decisão ética deve ser tomada sempre em favor da posição ética superior, isto é, a pessoa está moralmente com a razão ao quebrar a norma inferior a fim de guardar a superior. O comandante Bucher acertou ao mentir, embora mentir seja errado, escolhendo sacrificar sua vida em prol de sua tripulação.






4 – PRINCÍPIOS BÍBLICOS DE ÉTICA CRISTÃ

4.1 – O Comportamento Cristão
Se a Ética representa o costume ou conjunto de atos que uma comunidade ou uma pessoa realizam porque os consideram válidos, então a Ética Cristã responderá pelos costumes ou conjunto de atos praticados pelos cristãos. E se alguém se preocupa com os bons costumes, os cristãos deverão encontrar-se na primeira linha de ataque. Ataque àquilo que é mau e contrário aos costumes dos cristãos mais antigos. A palavra “ethos” aparece 12 vezes no Novo Testamento (Lucas 1:9; 2:42; 22:39; João 19:40; Atos 6:14; 15:1; 16:21; 21:21; 25:16: 26:3; 28:17; Hebreus 10:25) e significa estilo de vida, conduta, costume ou práticas. O plural “ethe” aparece em I Coríntios 15,33 quando se diz que “as más conversações corrompem os bons costumes”.
O cristão não vive de tradições! Apóia-se na Bíblia, que é a sua regra de fé, busca a direção de Deus para a sua vida através da oração e comunhão com o Criador. A Bíblia é o Livro do Deus vivo e conseqüentemente um Livro vivo. Os seus textos, aparentemente conservadores, encerram mensagens vivas e atuais para a nossa vida. Há, porém, um aspecto que não se deve perder de vista; a maneira simples e piedosa de aceitação do Evangelho, o modo de proceder em cada situação e outras qualidades que foram transitando através dos tempos entre os filhos de Deus. São esses costumes que constituem a Ética Cristã.
Há costumes respeitados pelos cristãos que vêm desde épocas distantes, por isso muitos afirmam não haver razão para serem postos de lado agora. Se os cristãos do passado eram abençoados procedendo de certa maneira, devemos continuar com esses bons costumes nos dias de hoje?
Devemos considerar que os costumes foram construídos baseados em alguns princípios, alguns valores por trás deles; são estes valores que devemos manter e não os costumes em si.

Questões para se pensar:
·                   Por muitos anos nossas igrejas perpetuaram o costume de se reunirem no domingo as 9:00hs da manhã para Escola Bíblica e Culto e as 19:00hs para o culto. Seria este costume imutável? Por que a igreja se reúne e sempre se reuniu aos domingos? Por que a igreja sempre manteve seu culto dominical e escola bíblica as 9:00hs da manhã? Qual é o verdadeiro princípio que está por trás destes encontros? O que devemos guardar como valor?
·                   Por muitos anos nossas igrejas não aceitavam a realização de um novo casamento por parte daqueles que haviam se divorciado. Não se fazia um segundo casamento para um cristão. Hoje em dia vários casamentos de cristãos divorciados são realizados em todo mundo. O que mudou? Por que o costume mudou? Qual era o princípio para que não fosse feito o segundo casamento? Por que este princípio não vale mais hoje? Mt 5.31-32; Mt 19.9; Mc 10.2-12;1 Co 7.10-15.

Deus não quer homens e mulheres conformados com este mundo (Rm 12. 2); é preciso ir além e não tomar a forma dada por uma vida paganizada. Antes devemos, convertendo-nos para o Senhor, e, deixar renovar a nossa mente. Essa é a única maneira de discernir a vontade de Deus. Todo aquele que assume a Fé em Jesus, deve assumi-la incondicionalmente “Aquele que vive e crê em mim jamais morrerá” (Jo 11, 26) Se somos cristãos, devemos seguir o exemplo de Jesus. "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou." (1 Jo 2, 6).

Assim, a Ética Cristã não exclui a razão, mas aplica-se à obediência a Cristo. Na sua essência é normativa, enquanto a Ética secular é descritiva. A Ética Cristã é também ensino, mandamento, diretriz, enquanto os costumes são variáveis e flexíveis. Os Dez Mandamentos constituem o primeiro tratado de ética dado pelo Senhor com o propósito de regular o comportamento humano no cumprimento dos seus deveres para com Deus, para com o próximo e para consigo próprio. A Ética Cristã é normativa porque se baseia em normas estabelecidas pelo Criador.
Há costumes dos povos que se desatualizam: as modas passam, e até outros aspectos que caem em desuso devido à sua pouca expressividade. Porém, as nossas reações, a maneira de proceder, o comportamento, a apresentação e muitos outros valores próprios de quem vai viver com Jesus por toda a Eternidade, não devem passar de moda. Os cristãos ficam abismados e indignados ao ver que essa sociedade de padrões morais supostamente flexíveis, a qual se recusa a aceitar parâmetros de certo e errado, tende a condenar veementemente os cristãos que desafiam as suas idéias. “O Deus de vocês só sabe condenar”, dizem muitos por aí.
Um cristão deverá ser diferente dos não-cristãos? Sim. Refiro-me a ser diferente para melhor. Não a chamar a atenção imediata por vestir algo muito antigo ou extravagante, mas pela sua postura. O cristão deverá deixar uma boa impressão, o bom cheiro de Cristo, como a Bíblia refere. Não basta ser cristão; é preciso parecer também que o é. Não é suficiente ter uma boa moral; é necessário não deixar dúvidas a esse respeito. Como deverá ser a atitude de um cristão face à guerra? E quanto à responsabilidade social? E o sexo? A Homossexualidade? Como deverá ser visto o controle de natalidade? Qual a posição de um cristão quanto à eutanásia, suicídio, pena capital e aborto? Ecologicamente como estamos? Como procedemos? Atendemos às normas sociais? Agimos segundo as condutas bíblicas?

Para compreender o fervor moral dos cristãos, os não-cristãos precisam entender que a nossa moral começa não por uma lista de mandamentos, mas pelo relacionamento com Deus. Em conseqüência de ter fé em Cristo e de conhecê-lo, é claro que tentamos segui-lo em nossos atos. As suas leis ajudam a segui-lo com maior fidelidade e de maneira mais inteligente. Elas dão uma referência objetiva quando somos assaltados por dúvidas ou desviados pelos desejos. Como nem sempre queremos obedecer a Deus, as suas leis morais (normativas) evitam que vivamos segundo os caprichos dos sentimentos





5 – O CRISTÃO E O SEXO

O sexo é um dos relacionamentos interpessoais no qual os indivíduos se engajam. É uma das forças mais poderosas do mundo, porém uma das mais pervertidas. Talvez uma das razões para sua perversão seja seu poder. Se o poder tende a corromper, neste caso um grande poder tende a corromper grandemente. Do outro lado, boa parte do abuso do sexo talvez resulte de um mal-entendimento acerca dele. Qual é o ponto de vista cristão, acerca do sexo? O que as Escrituras realmente ensinam acerca da atividade sexual?

5.1 – Três Bases Bíblicas Para o Sexo
·        O sexo é bom – As Escrituras declaram que “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem... homem e mulher (isso é sexo!) os criou” (Gn 1.27). E depois de acabar; “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (v.31). O sexo é bom. Deus o fez, e de alguma maneira reflete a Sua bondade. Talvez na força criadora que se assemelha a um aspecto do Ser de Deus. Ou talvez esteja na força de realizar o vínculo mais forte de unidade e unicidade.
·        O sexo é poderoso – Não somente o sexo é essencialmente bom como também é muito poderoso. Isto foi subtendido no fato de que podia ser usado para “multiplicar” as pessoas e “encher a terra” (Gn 1.28). Este poder está relacionado ao fato de poder gerar vida a uma criatura semelhante a Deus.
·        O sexo precisa ser controlado – É obvio que qualquer coisa tão poderosa quanto o sexo precisa ser controlada. Ninguém em sã consciência deixaria crianças imaturas brincar com dinamite. O poder do sexo deve ser canalizado para o bem da humanidade. Portanto homem e mulher devem saber usar este poder para o bem.

v  Casamento - Conforme a Bíblia, o meio ordenado por Deus de dirigir e regular o poder bom e grande do sexo, é chamado casamento.

5.2 – Casamento
·        O papel do sexo antes do casamento – No que diz respeito à Bíblia, não há papel algum para as relações sexuais antes do casamento. A relação sexual já é um tipo de casamento. Portanto não é aceito na Bíblia sem que aja um compromisso vitalício de amor. Sexo fora do casamento é fornicação (Gl 5.19; 1 Co 6.18) e portanto é pecado.
·        O papel do sexo no casamento – Há três funções básicas do sexo no casamento, são:
o   Unificação - Levar a efeito uma unidade íntima sem igual entre duas pessoas;
o   Recreação - Fornecer êxtase ou prazer para as pessoas envolvidas neste relacionamento sem igual;
o   Reprodução - Produzir novos seres humanos
·        O papel do sexo fora do casamento – Tendo em mente os propósitos do casamento podemos compreender mais facilmente as proibições fortes na Escritura acerca das relações extra-conjugais ilícitas. O adultério, a fornicação, a prostituição, a sodomia (a homossexualidade) são todos fortemente condenados. Cada um destes pecados, da sua própria maneira, viola um relacionamento interpessoal divinamente instituído.
o   O adultério e a prostituição são errados porque são casamentos múltiplos, isto é, alguém casado se casando novamente, sem assumir um compromisso.

·        Casamento Múltiplos (Poligamia) – A Bíblia não defende a poligamia, embora Deus não tenha declarado ser contra as várias esposas adquiridas por Abraão, Jacó, Davi, Salomão, etc. Todos estes tiveram duas ou mais mulheres. O problema verdadeiro não é se Deus permitiu a poligamia, mas se Ele a planejou. A Bíblia é muita clara que desde o principio Deus desejou que o homem tivesse uma só mulher. A poligamia, como o divórcio, era algo que Deus tolerou, mas realmente nunca o desejou para seu povo.

5.3 – Divórcio
O divórcio é permitido por Deus? Antes de responder a esta pergunta gostaria de afirmar que a vontade de Deus é que os casados não se separem jamais. Uma vez afirmada esta verdade, podemos dizer que o divórcio “nos foi dado por causa da dureza de nossos corações”. O divórcio só é aceito por Deus quando um dos cônjuges trai a unicidade do casal por meio do adultério (praticando ato sexual com outra pessoa de sexo oposto ou do mesmo sexo). 
Muitos casais tem se separado por não conseguirem se ajustar um ao outro. Tal motivo não é razão para se separar.

5.4 – O Segundo Casamento
O segundo casamento é permitido por Deus?

“Eu (Jesus), porém, vos digo: Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério] – Mt 19.9.
“Eu, porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério” – Mt 5.32.

Em ambos os textos, Jesus nos ensina que o divórcio só é aceito quando houve relações sexuais ilícitas, e aquele que cometeu o ato ilícito não pode mais se casar; e quem casar com este(a) comete adultério.

5.5 – Preservativos
A igreja deve incentivar o uso de preservativos?




6 – ABORTO

Aborto é pecado? Quando podemos considerar a vida existente? Os filhos de Deus podem fazer tatuagens?

Texto 1 – Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes - 1998

Aborto: Os Dois Pontos Cruciais    
          
A legislação sobre o assunto
O artigo 128 do Código Penal brasileiro (que é de 1940) permite o aborto quando há risco de vida para a mãe, e quando a gravidez resulta de estupro. Porém, apenas sete hospitais nos pais faziam o aborto legal. Esse ano, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados, aprovou a obrigatoriedade do SUS (Sistema Único de Saúde) realizar o aborto nos termos da lei. O projeto, porém, permite ao médico (não ao hospital) recusar-se a fazer o aborto, por razões de consciência – um reconhecimento de que o assunto é polêmico e que envolve mais que procedimentos médicos e mecânicos. Por exemplo, o ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, disse ser contrário à lei e comparou aborto a um assassinato. Além disto, médicos podem ter uma resistência natural, pela própria formação deles (obrigação de lutar pela vida). "O juiz que autoriza o aborto é co-autor do crime. Isso fere o direito à vida", disse o desembargador José Geraldo Fonseca, do Tribunal de Justiça de São Paulo, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo (22/09/97). Segundo ele, o artigo 128 do Código Penal não autoriza o aborto nesses casos, mas apenas não prevê pena para quem o pratica. No momento, existem projetos de ampliar a lei, garantindo o aborto também no caso de malformação do feto, com pouca possibilidade de vida após o parto.

O ensino bíblico
O assunto é particularmente agudo para os cristãos comprometidos com a Palavra de Deus. É verdade que não há um preceito legal na Bíblia proibindo diretamente o aborto, como "Não abortarás". Mas a razão é clara. Era tão inconcebível que uma mulher israelita desejasse um aborto que não havia necessidade de proibi-lo explicitamente na lei de Moisés. Crianças eram consideradas como um presente ou herança de Deus (Gn 33.5; Sl 113.9; 127.3). Era Deus quem abria a madre e permitia a gravidez (Gn 29.33; 30.22; 1 Sm. 1.19-20). Não ter filhos era considerado uma maldição, já que o nome de família do marido não poderia ser perpetuado (Dt 25.6; Rt 4.5). O aborto era algo tão contrário à mentalidade israelita que bastava um mandamento genérico, "Não matarás" (Êx 20.13). Mas os tempos mudaram. A sociedade ocidental moderna vê filhos como empecilho à concretização do sonho de realização pessoal do casal, da mulher em especial, de ter uma boa posição financeira, de aproveitar a vida, de ter lazer, e de trabalhar. A Igreja, entretanto, deve guiar-se pela Palavra de Deus, e não pela ética da sociedade onde está inserida.

A humanidade do feto
Há dois pontos cruciais em torno dos quais gira as questões éticas e morais relacionadas com o aborto provocado. O primeiro é quanto à humanidade do feto. Esse ponto tem a ver com a resposta à pergunta: quando é que, no processo de concepção, gestação e nascimento, o embrião se torna um ser humano, uma pessoa, adquirindo assim o direito à vida? Muitos que são a favor do aborto argumentam que o embrião (e depois o feto), só se torna um ser humano depois de determinado período de gestação, antes do qual abortar não seria assassinato. Por exemplo, o aborto é permitido na Inglaterra até 7 meses de gestação. Outros são mais radicais. Em 1973 a Suprema Corte dos Estados Unidos passou uma lei permitindo o aborto, argumentando que uma criança não nascida não é uma pessoa no sentido pleno do termo, e, portanto, não tem direito constitucional à vida, liberdade e propriedades. Entretanto, muitos biólogos, geneticistas e médicos concordam que a vida biológica inicia-se desde a concepção. As Escrituras confirmam este conceito ensinando que Deus considera sagrada vida de crianças não nascidas. Veja, por exemplo, Êx 4.11; 21.21-25; Jó 10.8-12; Sl 139.13-16; Jr. 1.5; Mt 1.18; e Lc 1.39-44. Apesar de algumas dessas passagens terem pontos de difícil interpretação, não é difícil de ver que a Bíblia ensina que o corpo, a vida e as faculdades morais do homem se originam simultaneamente na concepção.
Os Pais da Igreja, que vieram logo após os apóstolos, reconheceram esta verdade, como aparece claramente nos escritos de Tertuliano, Jerônimo, Agostinho, Clemente de Alexandria e outros. No Império Romano pagão, o aborto era praticado livremente, mas os cristãos se posicionaram contra a prática. Em 314 o concílio de Ancira (moderna Ankara) decretou que deveriam ser excluídos da ceia do Senhor durante 10 anos todos os que procurassem provocar o aborto ou fizesse drogas para provocá-lo. Anteriormente, o sínodo de Elvira (305-306) havia excluído até a morte os que praticassem tais coisas. Assim, a evidência biológica e bíblica é que crianças não nascidas são seres humanos, são pessoas, e que matá-las é assassinato.

A santidade da vida
O segundo ponto tem a ver com a santidade da vida. Ainda que as crianças fossem reconhecidas como seres humanos, como pessoas, antes de nascer, ainda assim, suas vidas estariam ameaçadas pelo aborto. Vivemos em uma sociedade que perdeu o conceito da santidade da vida. O conceito bíblico de que o homem é uma criatura especial, feita à imagem de Deus, diferente de todas as demais formas de vida, e que possui uma alma imortal, tem sido substituído pelo conceito humanista do evolucionismo, que vê o homem simplesmente como uma espécie a mais, o Homo sapiens, sem nada que realmente o faça distinto das demais espécies. A vida humana perdeu seu valor. O direito para continuar existindo não é mais determinado pelo alto valor que se dava ao homem por ser feito à imagem de Deus, mas por fatores financeiros, sociológicos e de conveniência pessoal, geralmente, utilitarista e egoísta. Em São Paulo, por exemplo, um médico declarou "Faço aborto com o mesmo respeito com que faço uma cesárea. É um procedimento tão ético como uma cauterização". E perguntado se faria aborto em sua filha, respondeu: "Faria, se ela considerasse a gravidez inoportuna por algum motivo. Eu mesmo já fiz sete abortos de namoradas minhas que não podiam sustentar a gravidez" (A Folha de São Paulo, 29 de agosto de 1997).

Conclusão
Esses pontos devem ser encarados por todos os cristãos. Evidentemente, existem situações complexas e difíceis, como no caso da gravidez de risco e do estupro. Meu ponto é que as soluções sempre devem ser a favor da vida. C. Everett Koop, ex-cirurgião geral dos Estados Unidos, escreveu: "Nos meus 36 anos de cirurgia pediátrica, nunca vi um caso em que o aborto fosse a única saída para que a mãe sobrevivesse". Sua prática nestes casos raros era provocar o nascimento prematuro da criança e dar todas as condições para sua sobrevivência. Ao mesmo tempo, é preciso que a Igreja se compadeça e auxilie os cristãos que se vêem diante deste terrível dilema. Condenação não irá substituir orientação, apoio e acompanhamento. A dor, a revolta e o sofrimento de quem foi estuprada não se resolverá matando o ser humano concebido em seu ventre. Por outro lado, a Igreja não pode simplesmente abandonar à sua sorte as estupradas grávidas que resolvem ter a criança. É preciso apoio, acompanhamento e orientação.

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Texto 2 – Por: Joel Timóteo Ramos Pereira - 2009

Noções Básicas Sobre Aborto

Definição do que é aborto
Convém definir o que se entende por «aborto». Aborto é a morte espontânea ou provocada do produto da concepção dentro do ventre materno e antes do início do parto.

Tipos de aborto
Da definição surge uma primeira distinção: há abortos espontâneos, ou seja, que surgem por efeitos naturais, exteriores à vontade humana, geralmente por doença da mãe ou por deficiências cromossomicas do feto; e os provocados, quando o aborto é intencionalmente criado. Relativamente ao primeiro tipo de aborto, não se põe qualquer problema ético ou bíblico, na medida em que ele surge, geralmente, contra a vontade da mãe e em circunstâncias naturais. Mas já se põem problemas quanto ao segundo, sendo dele que importa fazer uma análise bíblica.
Por outro lado, é importante saber quais as razões que geralmente são apresentadas para recorrer ao aborto provocado - violação, incesto, protecção física da mãe, defeitos físicos da criança. Diremos porém e desde já que segundo as recentes estatísticas em Portugal e nos EUA, 95% dos abortos são feitos por razões de conveniência e não pelas anteriores referidas. Devemos por outro lado notar que mesmo que um bebé seja concebido através de violação, a sua destruição não apagará o trauma da mulher nem tão pouco dissuadirá o criminoso de cometer outra violação. Além disso, o argumento de que o aborto é um direito da mulher, tem como contrapartida o direito à vida do bebé, o qual é tão válido como aquele. Finalmente, é de considerar que quanto mais nova é a mãe, maior é a probabilidade de que ela fique estéril se fizer um aborto (no Canadá, 30% das meninas de idade entre 15 e 17 anos que fizeram abortos ficaram estéreis).

Algumas operações abortivas
·        Sucção - Este é um dos métodos legalmente autorizados para abortar: é semelhante a um aspirador: o bebé é sugado do ventre da mãe e posteriormente feito em pedaços.
·        Embriotomia - É um método que já está em desuso, mas que consiste em o médico cortar o bebé dentro do ventre da mãe (com instrumentos especialmente concebidos para este fim).
·        Operação cirúrgica - É utilizado em estados de maior desenvolvimento do feto. Consiste em retirar o bebé do ventre materno e matá-lo quando ele já está cá fora.
·        Solução salina - Cada vez em maior uso, consiste em injectar solução salina no saco embrionário. O bebé morre queimado devido ao sal da solução.

Além destes métodos, existe hoje a possibilidade de provocar o aborto durante as primeiras semanas através de um fármaco (medicamento) especialmente receitado pelos médicos, cujo nome, evidentemente, não nos é lícito nem conveniente indicar neste artigo.

O que diz a Bíblia
Deus criou o homem e a mulher, abençoou-os e disse-lhes: «Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a... E viu Deus tudo quanto tinha criado, e eis que era muito bom» (Gn 1:28, 31). Verificamos desde logo que a reprodução era um dos propósitos da criação do homem por Deus. Por outro lado, não lemos em passagem alguma que o homem tenha o direito de matar o seu semelhante - aliás, um mandamento é «não matarás» (Êxodo 20.13, Rom.13:9).
Ora, a criança que está no ventre da mãe é um ser com identidade própria. Sabia que o primeiro órgão a ser formado no feto é o coração? E que o coração começa a bater 21 dias após a concepção ? Neste sentido, quem aborta está a assassinar um ser humano criado por Deus.

v  A vida: Direito inviolável
Quem tem poder para tirar a vida? É porventura o homem quem pode decidir o futuro de um outro seu semelhante quanto ao momento da sua morte? Lemos em 1.ª Samuel 2:6 que a autoridade para decidir o momento da morte de alguém pertence exclusivamente a Deus: «O Senhor é que tira a vida e a dá: faz descer à terra e faz tornar a subir dela».
Lemos por outro lado no Salmo 139:13 que é o Senhor Quem opera a formação de um ser vivo, e que o faz mover no ventre de sua mãe: «Pois Tu formaste o meu interior; Tu entreteceste-me no ventre da minha mãe».
Neste verso, a protecção e a possessão de Deus e o Seu poder criativo são extensivos à vida pré-natal. Este ensino torna impossível considerar o embrião ou feto como «simples pedaço de tecido». O mínimo que alguém pode dizer é que no momento da concepção já existe um ser humano em potencial (melhor, um ser humano com potencial), o qual é sagrado e de valor, à vista de Deus, evidenciado pelo Seu envolvimento pessoal.

v  A passagem de êxodo 21.22,23
«Se alguns homens pelejarem e ferirem uma mulher grávida, e forem causa que. aborte, porém se não houver morte, certamente será multado... Mas se houver morte, então darás vida por vida».
Esta é a única passagem que na Bíblia aborda directamente o tema do aborto. e tem sido apresentada como justificação para a aceitação do aborto. Trata-se de um caso em que o aborto é provocado, mas como que acidentalmente. Se uma mulher perdesse o filho, havia apenas uma indemnização: se a mulher morresse também, quem a ferisse teria de pagar com a sua vida. Para quem defenda o aborto, a dedução que é feita é que, visto só haver indemnização no caso de aborto, isso significaria que o feto não teria alma, que apenas seria ganha ao nascer. Levando um pouco mais adiante este pensamento, concluiríamos que o aborto induzido seria biblicamente permitido. Ora, isso seria forçar a aplicação da lei do Êxodo, que trata de um aborto acidental, e não induzido, o que são duas coisas absolutamente distintas: uma, é acidentalmente alguém provocar o aborto a outrem, outra, e com consentimento da mãe, provocar-se o aborto. Todavia, mesmo acidental, lemos que em tal caso havia uma sanção, o que denota a gravidade desse aborto acidental, precisamente porque estava em causa a vida.
v  E se... nascer... deformado?
Esta é uma desculpa apresentada para se considerar a hipótese do aborto, que aliás, a nossa Lei actualmente já prevê.
Em primeiro lugar importa notar que Deus criou o homem com características tais que, mesmo em condições à primeira vista adversas, consegue sobreviver e adaptar-se. Por outro lado, quando essa vida e impossível, a morte vem por si própria. Assim sucede por exemplo quando a criança nasce com deformações encefálicas anormais (cérebro). Geral-mente, a criança morre passados poucos minutos depois do parto.
Mas, mesmo que haja seguros motivos de que a criança venha a nascer deficiente, será esse um motivo para se aceitar o aborto? Vejamos o que a Palavra de Deus nos diz a este respeito: «Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo ou o que vê, ou o cego ? Não Sou Eu, o Senhor?» (Êxodo 4:11). «E passando Jesus, viu um cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: "Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego ?" Jesus respondeu: "Nem ele pecou nem seus pais, mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus"» (S. João 9:1-3).
A resposta da Bíblia é clara. Aceitar a morte de crianças ainda não nascidas, conduz a aceitar também a eutanásia infantil, isto é, o homicídio de bebés recém-nascidos que sejam doentes ou deficientes. E a aceitar isto, não faltaria muito para aceitar também a eutanásia dos inválidos, idosos e todos os que, independentemente da sua idade, não possam cuidar de si mesmos ou se sintam à parte da sociedade. Se se entender que o universo se formou por acaso e que o homem é descendente duma criatura pré-histórica, não há razão para se preocupar com a vida humana. Mas, sabendo que o homem foi criado e que tem um destino especial diante do Seu Criador , então concluiremos que a defesa da dádiva divina, que é a vida humana, é de facto inalienável.

v  O feto tem espírito
A questão é polémica e misteriosa. Por muito que se argumente, é difícil chegar a uma conclusão do momento exacto em que o ser vivo passa a ter alma e espírito. Antes de mais, é importante não confundir alma com espírito. Aquela é a vida, capacidade de reacção e entendimento. O espírito é a consciência, o elo de ligação com o mundo espiritual ? É deste que se põe o problema, pois se tem espí rito, se for morto no aborto, terá um destino eterno (certamente o céu).
A este propósito, pode dizer-se que a criança já no ventre da mãe tem vida, «dá pontapés» e reage. Será essa uma evidência de alma ou de espírito ? Independentemente de tal facto, importa atender para o que a Bíblia diz: «Antes que te formasses no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei» (Jer.1:5). «Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe» [ora, para ser em iniquidade, tinha que ter espirito; se assim é, mesmo morrendo por aborto, só pela obra de Jesus pode ir para o céu !...] (Salmo 51:5). «O Senhor me chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome;... O Senhor me formou desde o ventre para seu servo...» (Isaías 49:1,5). Lemos ainda no Salmo 139: "Pois Tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventro de minha mãe. Os Teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no Teu livro foram escritos todos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles".

v  Opção entre mãe e filho
Há situações extremas na vida de escolha entre duas coisas igualmente importantes. Qual deve ser a reacção de um crente se o médico disser que, havendo parto, uma vida cederá ? ou a da mãe, ou a da criança. Por qual optar? Há duas vidas em jogo: a vida tem igual valor. Perante uma situação destas muitos não hesitariam em optar pela vida da mãe em vez da criança. É uma opção lógica, lícita e mais racional. Na vida de um cristão, se isso suceder, creio sinceramente que é seguramente uma provação da sua fé em Deus. Mas, de qualquer forma, qualquer que seja a decisão, ela deve ser obtida em comum pelo casal, e pela mesma serão responsáveis perante Deus, porque pertencente ao foro individual de cada um.
Não nos é lícito indicar qual a «melhor» escolha, porque ela na prática é difícil e envolve uma situação psicológica terrível. Muitos têm enfrentado esta situação, e entregue tudo nas mãos de Deus, e sucede que nem a mãe nem o filho morrem, se assim for a Vontade de Deus. Contudo, como já referido, essa é uma questão do foro individual e com a consequente responsabilidade perante Deus, não nos sendo lícito dogmatizar nem reprovar qualquer escolha.

v  Planejamento familar
Suponhamos que há um casal, de parcos rendimentos económicos, com 7 filhos e a mulher se encontra grávida. Deverá aceitar-se o aborto nesse caso ? A resposta já foi dada. É contrário à Palavra de Deus em qualquer caso. Já problema diferente é se deve haver planeamento familiar. Antigamente, os casais tinham muitos filhos, os quais tinham uma função de auxílio (agricultura, por exemplo). Não encontramos na Palavra de Deus nenhuma passagem que condena o planeamento familiar. Alguns tentam usar a passagem de Génesis 38:7-10, porém sendo certo que Onã fez planeamento familiar, tinha por motivo o seu pensamento que se gerasse, o filho seria imputado ao seu irmão já falecido. Mas Onã morreu, não porque fez «planeamento», mas porque desobedeceu a uma ordem de Deus.
Naturalmente que o planeamento familiar não contraria o mandamento do Senhor - aliás, tudo deve ser planeado com o Senhor, quer na oração, quer na informação sexual, no conhecimento do corpo humano dado pelo Senhor. Se Deus fosse contra o planeamento familiar não teria dado à mulher períodos férteis em que pode conceber e outros em que tal é impossível.

Questões subsidiárias
·        Surgindo uma jovem solteira grávida, qual deve ser a posição da Igreja?
É um facto que 70% das mulheres que recorrem ao aborto não são casadas. Na situação em que uma jovem solteira se encontre grávida, evidentemente que não se deve aconselhar o aborto, antes o mal deve ser remediado na medida do possível. Em primeiro lugar, a jovem deve arrepender-se do pecado cometido e, se possível, casar-se para evitar outros problemas. A Igreja neste ponto tem um papel importante no aconselhamento com a Palavra de Deus e com informações das mulheres casadas experientes e ainda no conforto e acompanhamento.

·        Relações sexuais antes do casamento
São biblicamente ilícitas. Mesmo quando o casamento já está marcado e os jovens se encontram noivos. Lemos que quando Isaque encontrou Rebeca, não a levou para a sua tenda, antes levou-a para a tenda de sua mãe. Só quando se casaram é que Isaque a levou para a sua tenda (Génesis 24:67). Relativamente à data do casamento, devemos obedecer às autoridades, pelo que 2 jovens encontram-se casados perante DEUS, não quando considerem ou quanda haja cerimónia religiosa, mas quando se encontram casados oficialmente, perante as autoridades. Se contudo houver uma cerimónia religiosa, devem esperar até à mesma onde ali são apresentados perante DEUS.

Para quem já abortou
No Salmo 32, Davi expressou a miséria e profunda tristeza que sentiu enquanto tentava esconder o seu pecado em vez de o confessar. Depois ele disse: "Confessei-Te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Confessarei ao Senhor as minhas transgressões e Tu perdoaste a maldade do meu coração». Reconhecendo que era o único meio de escape, David confessou o seu pecado ao Senhor. Foi uma confissão de confiança, dado que David sabia que havia perdão em Deus (Salmo 130:4)!
O apóstolo João escreveu para crentes que disse: "o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado... se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça» (I João 1:7,9). Notemos que Ele não disse que «nos perdoava à excepção do pecado da imoralidade e do aborto», mas de todo o pecado.
Deus não nos trata segundo os nossos pecados, antes tira completamente da Sua Mente os nossos pecados confessados (Salmo 103:10-12). Porém Deus perdoa apenas a quem esteja arrependido e confesse o seu pecado. O perdão de Deus não é todavia justificação para, sabendo que é pecado, abortar para depois pedir perdão.
Quando o filho de David, o resultado da sua relação imoral com Batseba morreu, David não receou que o filho estivesse à espera para o acusar. Antes pelo contrário, o filho tornou-se um símbolo de esperança de que um dia os dois, pai e filho, seriam unidos nos céus na presença de Deus. David declarou em 2Samuel 12:23 - "Eu irei a ele". Deus perdoa, sim, e com o perdão de Deus, "temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5:1).




7 – ÉTICA CRISTÃ E A CLONAGEM HUMANA
(Ivanildo Barros Dias - 2009)

Que dizer deste tema: Ética ou absurdo? Não há como mesclar as coisas. Uma coisa é desenvolver a ciência, outra completamente distinta, é desobedecer os padrões morais humanos e divinos.
Clonar, na minha maneira de interpretar, tem o seu valor desde que não ultrapasse seu limite, ou seja, desde que não tente ultrapassar o estipulado por Deus. Temos de entender que entre beneficiar e criar há uma grande distância.
Clonar seres humanos seria um atentado contra o próprio Deus que encarregou os seres humanos, para fazerem de uma maneira sana e organizada através do ato sexual, dentro do casamento, o multiplicai-vos e enchei a terra descrito em Gênesis.
Para as possíveis dúvidas e mudanças que viriam e para que a ética e a moral fossem mantidas, deixou o manual do fabricante, a Bíblia.
A ciência é boa e, sem dúvida nenhuma, é uma benção de Deus à nós. No entanto nós mesmos, como seres humanos e por conseqüência do mesmo pecado inicial, seguimos a natureza humana e caída e, com isso, desenvolvemos idéias muitas das vezes absurdas.
Não vejo mal no que diz respeito à clonagem de órgãos a fim de beneficiar a própria humanidade, principalmente por causa das inúmeras enfermidades que tanto tem solapado a humanidade. A ciência acaba de comprovar a possibilidade de clonagem de órgãos e tecidos.
Uma empresa americana, Advanced Cell Technology Inc (ACT) disse que clonou um embrião humano, porém, tal experimento não pretende criar um ser humano, senão obter célula mãe para o tratamento de doenças. As células mães são células que podem logo desenvolver-se como qualquer outro tipo de célula no corpo humano. Este tipo de clonagem permitiria curar um paciente à partir de suas próprias células sem ocasionar problemas de rejeição. Pesquisas recentes, feitas sem pretender a cura eminente de enfermidades como a Diabetes, mostraram-se partidárias do uso de células embrionárias ou fetais. Pesquisadores da Universidade John Hopkins de Beltimore (EUA) divulgaram um vídeo espetacular de um rato que caminhava depois de recuperar-se parcialmente de uma paralisia, graças à implantação de células mães embrionárias. A intenção, segundo Robert Lanza, vice presidente de desenvolvimento médico e cientifico da ACT, é ajudar nas terapias que salvem a vida de pessoas que padecem uma gama de enfermidades, como Diabetes, derrame cerebral, câncer, Aids, doenças neuro-degenerativas como Parkinson e Alzheimer.
Penso com muita reserva numa possível clonagem com essa intenção terapêutica, até porque, daí surge um outro problema, a comercialização de órgãos.
Novamente se faz necessário lançar mão da ética e da moral. Ademais, quem garantiria que, uma vez aprovado a clonagem de órgãos, não haveria aqueles mais ousados que clonariam pessoas? Talvez seja por isso que o congresso americano proibiu a clonagem de seres humanos ou mesmo de órgãos ainda que seja com fins terapêuticos e uma proposta de lei está sendo considerada atualmente no Senado. A mesma preocupação está sendo demonstrada pela Inglaterra. É o que enfatizou no último 26 de Novembro o Secretário de Saúde deste país, Philip Hunt: "Fechar a brecha da clonagem humana para evitar sua utilização com fins de reprodução", pouco antes do Parlamento começar a debater uma lei de urgência a este respeito. Por outro lado, a própria comunidade científica manifestou suas reservas sobre a
clonagem humana, acrescentando os riscos de aborto e mal formação.
O cientista escocês Ian Wilmut, "pai" da ovelha Dolly, advertiu que a clonagem humana corre grandes riscos e que poderia levar a produzir crianças afetadas por mal formação. "A Clonagem dos animais é muito ineficaz em todas as espécies. As falsas gestações, os nascimentos prematuros e diversas malformações nos clones que sobrevivem, são bastante comuns e poderíamos esperar ver os mesmos fracassos na clonagem de seres humanos", disse Wilmut, do Roslin Institute of Scotland, durante uma intervenção ante a Academia Nacional de Ciências Dos Estados Unidos. Para ele, a clonagem é uma resposta ineficaz para a esterilidade e acrescentou que era responsabilidade da sociedade determinar até onde pode ir a tecnologia. A Ovelha Dolly é o primeiro animal clonado com sucesso em 1997 depois de 276 intentos fracassados. Atualmente, Dolly está obesa e apresenta sintomas de envelhecimento precoce, e os cientistas não sabem a razão.
Apesar de todas estas providências, existem aqueles que insistem com sua maneira de interpretar a Ética e seguem em seus projetos, como é o caso do Professor Italiano Severino Antinori, cuja clínica em Roma permitiu a uma mulher de 62 anos ter um filho em 1994, que anunciará ante a Academia Nacional das Ciências de Washington, o lançamento ainda este mês de Novembro seu programa de Clonagem, segundo um diário britânico.
Com tudo isso, considero as razões bíblicas como regras fundamentais para a vida. O sucesso da ciência não está baseado na desobediência às normas e padrões éticos e morais. Além de que, se observarmos a própria ética no que diz respeito ao Hierarquismo de Emmauel Kant, concordaremos que ele tinha razão quando expressava: "Pessoas são mais importantes que coisas" e que Martin Buber endossou, que quando esses valores são trocados, corremos o risco de tratar EU e TU para com as coisas, e ISTO, para com as pessoas.

Deus é soberano acima de tudo.  E se determinou que criar é uma iniciativa dele e que o homem foi criado para o louvor de Sua glória, este homem jamais encontrará sucesso, paz, e perfeição enquanto insistir em sua maneira egoísta, pessoal e insistente de tentar mudar o padrão natural das coisas, crendo da inconcebível idéia de assimilar-se ao Criador. Somos pessoas e devemos tratarmo-nos como tal. Não podemos assumir o extremo de excedermo-nos além de nossa limitação de criaturas de Deus, tampouco tentar manipular a ética afim de controlar pessoas como objetos, como tivéssemos o direito de "Confeccionar" um ser humano como quem fabrica um automóvel, classificando modelo, padrão, preço, etc.
Se, como seres humanos, queremos contar com o pleno sucesso da ciência, acerquemo-nos aos ensinos e conceitos morais e éticos deixados na Sagrada Escritura, afim de que o avanço desta ciência tenha a Perfeita bênção de Deus no decorrer de seu desenvolvimento, o que, como já comentei, já foi profetizado. De outra maneira seremos envergonhados agora e depois. Que clonagem humana seja encarada como possível meio ao desenvolvimento terapêutico e, tão somente assim, teremos uma continuação de ÉTICA e moral. Caso contrário, seguiremos a irreverência causada pela queda do homem, e conduziremos tal assunto a um mero ABSURDO!







8 – REFLEXÃO FINAL

O texto abaixo extrai na integra do Blog de Leonardo Gonçalves, Púlpito Cristão. Leonardo inicia a página de seu blog defendendo sua posição quanto as questões éticas. Logo a seguir ele apresenta o texto escrito por Levi Bronzeado mostrando como Jesus agiu e como seria hoje julgado a partir dos conceitos éticos contemporâneo.
Ao extrair este texto na íntegra gostaria de levantar a seguinte reflexão: Jesus agiu sem ética?  


Ética Cristã: Dez Conselhos Para Blogueiros Como Eu
Leonardo Gonçalves

Todos aqueles que acompanham as postagens aqui no Púlpito Cristão já sabem meu posicionamento acerca de questões éticas. Já uma vez firmei, em resposta a um colega blogueiro, que "a ética está edificada sobre a verdade e não a verdade sobre a ética". Chamar os fariseus de raça de víboras seria considerado por muitos crentes "politicamente corretos" de hoje em dia, uma tremenda falta de educação. No entanto, Jesus jamais censurou a atitude de João Batista; ele o elogiou! "Entre os nascidos de mulher, ninguém é maior que João Batista", o mestre disse.

Recebi hoje um e-mail do amigo Levi Bronzeado, editor do blog Ensaios e Prosas, no qual ele me enviava o link de seu último ensaio, para uma avaliação e opinião. Por considerar o texto uma leitura interessante, recomendo as linhas seguintes para a apreciação de todos, mas principalmente àqueles que usam de passagens bíblicas para justificar uma postura covarde, e que por medo de confrontar o erro religioso, acabam sacrificando a ortodoxia cristã no altar da tolerância religiosa, demonstrando dupla hipocrisia, pois eles não toleram aqueles que querem defender a verdade. Falam de tolerância, mas são tremendamente intolerantes com aqueles que discordam deles.

À seguir, o texto do Levi Bronzeado:
Muito embora Jesus tenha denominado o Rei Herodes de “raposa” ─, não convém ao crente assim proceder. Devemos dispensar o melhor tratamento às autoridades, mesmo que elas tenham, às vezes, condutas irregulares e hipócritas. Está escrito: “Toda autoridade provém de Deus”.

Muito embora Jesus tenha cognominado de “sepulcros caiados” aos homens da Lei que estavam sentados na cadeira de Moisés ─, não é conveniente ao cristão assim o fazer. A boa ética manda que o crente tenha sabedoria e controle emocional, a fim de que não caia na tentação de detratar as pessoas.

Muito embora Jesus não tenha encontrado onde repousar a cabeça ─, não é conveniente ao crente está falando mal das autoridades religiosas que enriqueceram graças aos seus extraordinários dons. As mansões, os carrões, as chácaras e o mar de riquezas que essas autoridades possuem, são frutos do seu honesto trabalho. Está escrito: “Todo obreiro é digno do seu salário”.

Muito embora Jesus em sua missão, tenha ido buscar pessoas para serem discipuladas “extra-muros” do Templo ─, não é de boa norma o crente organizar grupos para o ensino da palavra por aí afora. O Templo é o único local adequado para esse fim. Está escrito: “Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor”.

Muito embora Jesus tenha entrado no templo, armado de chicote para expulsar os poderosos que faziam da Casa de Deus uma “bolsa de valores” ─, não é conveniente ao crente de forma desastrada, assim se comportar. Está escrito: “Não é por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor”.

Muito embora Jesus tenha reprovado os religiosos de sua época, por adorarem os primeiros lugares nas sinagogas ─, não é ético para o cristão assim proceder. Em todas as igrejas, é de praxe que os primeiros assentos sejam destinados às autoridades eclesiásticas. Está escrito: “A quem honra, honra”.

Muito embora Jesus não tenha tomado uma atitude enérgica, quando os seus discípulos invadiram um roçado de milho alheio para saciar a fome num dia consagrado ao descanso ─, não convém ao crente assim proceder. Mesmo estando faminto, não ouse apanhar nada no roçado de alguém, sem autorização. Está escrito: “Pedi e dar-se-vos-á”. Portanto, basta dobrar os seus joelhos e orar.

Muito embora Jesus não tenha respondido a pergunta de Pilatos, sobre “o que era a verdade” ─, não convém ao crente, deselegantemente, silenciar diante da pergunta feita por uma autoridade. Peça a Deus sabedoria e Ele porá a palavra certa em sua boca. Está escrito: “Se estes se calarem, até as pedras clamarão”.

Muito embora Jesus tenha dito de forma pública que os escribas e fariseus, apesar de serem dizimistas, negligenciavam o mais importante, como a justiça, a misericórdia e a fé ─, é atitude reprovável e contrária à ética, o cristão expor aos quatro cantos do mundo uma simples falta (perdoável) dos seus superiores, ainda mais, se eles estiverem sentados na cadeira de Moisés. Está escrito: “E o oferecerá com a oferta sobre o altar, e assim o sacerdote fará expiação por ele, e será limpo”.

Muito embora Jesus tenha se posicionado contra os fariseus que enfrentavam todo tipo de obstáculos para fazer prosélitos, ocasião em que os denominou de duas vezes filhos do inferno ─, não é de bom alvitre o crente tomar tão irredutível atitude. Está escrito: “Mas que importa? Contanto que Cristo de qualquer modo, seja anunciado, ou por pretexto, ou por verdade..."

De acordo com esse manual legalista de "ética cristã", Jesus teria sido reprovado com nota zero. Mas, não custa nada perguntar:
Se Cristo viesse hoje com aquele verdadeiro e contudente discurso do capítulo 23 de Mateus, seria ou não seria, rotulado de “ANTIÉTICO” pelos donos do poder eclesiástico?



Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira

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