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By Ferramentas Blog

sexta-feira, 17 de junho de 2011

APOSTILA 8 - APOSTILA DE HAMARTIOLOGIA: A DOUTRINA DO PECADO


TEOLOGIA SISTEMÁTICA

APOSTILA DE HAMARTIOLOGIA
A DOUTRINA DO PECADO
Professor: Cornélio Póvoa de Oliveira
www.semeandoabiblia.blogspot.com

DATA
AULA Nº
HAMARTIOLOGIA

1
Introdução – Conhecendo os alunos

2
Epistemologia - aula 1

3
Definições de Pecado e Origem do Pecado

4
Origem do Pecado e Teorias Acerca do Pecado

5
Aula vídeo: A Origem do Mal – Dr. Rodrigo Silva

6
PROVA 1

7
Aula vídeo: Em Busca de Adão e Eva – Dr. Rodrigo Silva

8
Conseqüências do Pecado

9
Pecado Pessoal e Pecado Social

10
A Natureza Pecaminosa no Homem

11
O Pecado Na Vida do Crente

12
Aula Vídeo: John Piper

13
Café com Bíblia, Igreja e Teologia

14
Aula: Testemunho Escrito (Como era minha vida sem Jesus?)

15


16
PROVA 2

17
Entrega de Notas (Média à Notas Provas 1 + 2 + 3 ÷ 3)

18
Recuperação







Bibliografia:
Berkoff, Louis. Teologia Sistemática, Campinas, Luz para o Caminho.
Chafer, Lewis Sperry. Teologia Sistemática, São Paulo, Hagnos.
Dagg, John Leadley. Manual de Teologia, S. J. Campos, Fiel.
Erickson, M.J. Introdução à Teologia Sistemática, São Paulo, Vida Nova.
Grudem, Wayne. Teologia Sistemática, São Paulo, Vida Nova.
Hodge, Charles. Teologia Sistemática, São Paulo, Hagnos.
Langston, A.B. Esboço de Teologia Sistemática, Rio de Janeiro, JUERP.
Severa, Zacarias de Aguiar. Manual de Teologia Sistmática. Curitiba. AD Santos Editora.
Strong, A.H. Teologia Sistemática, São Paulo, Hagnos.
Thiessen, Henry C. Palestras em Teologia Sistemática, São Paulo, Imprensa Batista Regular.
http://teologiaegraca.blogspot.com/2010/09/fundamentos-biblico-teologico-do-pecado.html
INTRODUÇÃO

Hamartiologia (do grego[1] transliterado hamartia = erro ou pecado + logia = estudo), como sugere o próprio nome, é a ciência que estuda o pecado e as suas origens e consequências, ou — se preferível — o estudo sistematizado daquele tema (pecado).
           
Nenhuma doutrina há mais importante para o crente do que a do pecado. É verdade que as doutrinas fundamentais do cristianismo se relacionam intimamente; porém a do pecado é uma daquelas cujo conhecimento se impõe como grande necessidade. A boa compreensão desta doutrina derrama muita luz sobre as demais. Ela influi sobre todas as outras, tais como a doutrina de Deus, a doutrina do homem, a doutrina da salvação, e assim por diante.
A idéia que temos de pecado determina, mais ou menos, a nossa idéia de salvação. Errar, portanto, na doutrina do pecado, é errar também na salvação. Um exemplo: Pessoas há que julgam que o pecado é devido ao meio em que o homem vive; logo, melhorando o meio, o pecado desaparecerá. Se assim fosse, os homens necessitariam não de um salvador, mas de um benfeitor. Dinheiro e boa vontade poderiam salvar a humanidade, neste caso. Sabemos, porém, que não é assim, porque infelizmente os ricos não são, em geral, os santos da terra.
Outras há que julguem que o pecado é oriundo da ignorância. Os homens pecam, dizem, porque não conhecem coisa melhor. Ora, se assim fora, a educação seria a salvação da raça; o combate ao analfabetismo seria a melhor pregação do evangelho; e naturalmente os homens mais instruídos e mais cultos seriam os mais santos. Sabemos que essa idéia também não é verdadeira. Os que assim pensam estão longe da verdade. Todos pecaram.
[...] É mister que estudemos bem o que as Escrituras nos ensinam sobre este assunto, porque a doutrina que se encontra na Bíblia não só faz justiça a Deus como também deixa ao pecador uma firme esperança de salvação.

(LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Ed. Juerp)

Algumas dificuldades encontradas para se discutir o pecado
  • O pecado, como a morte, não é um assunto agradável. Ele nos deprime. Não gostamos de pensar em nós mesmos como pessoas ruins ou más. Quase sempre reagimos contra esta forma negativa de nos olharmos.
  • O pecado é visto como um conceito simplista e estranho para muitos, onde se coloca sobre um homem a culpa de todo o mal que nos aflige. Para a grande maioria dos sociólogos o mal que nos aflige são atribuídos ao ambiente pernicioso que nos rodeia e não a homens pecadores.
  • A idéia do pecado como uma força interior, uma condição inerente, um poder controlador, é em grande parte desconhecida e até ignorada. As pessoas pensam mais em pecados, ou seja, atos errados isolados, que não estão necessariamente ligados a uma natureza pecaminosa. O pecado dessa forma é visto como algo externo ao homem e concreto. Neste ponto de vista pessoas que não roubaram, adulteraram, em fim que não cometeram erros “externos” são consideradas boas.  


REFLEXÃO 1 (Aula introdutória)
O que é o pecado? Assim responde o Catecismo Maior de Westminster, pergunta 24 (1): “Pecado é qualquer carência de conformidade com, ou transgressão de qualquer lei de Deus, dada como regra para a criatura racional”. Em meio à efervescência da Reforma Protestante, que veio combater as imoralidades existentes dentro da Igreja Católica, este catecismo procurou dar uma resposta simples a uma antiga preocupação do homem. Ainda assim, esta “qualquer carência”, bem sabemos, ficou sujeita às mais variadas interpretações do homem. Por isso, para um protestante no século XVI era pecado gravíssimo fazer qualquer tipo de acordo com um católico, e vice-versa.
O pentecostalismo veio dar uma visão ainda mais fechada de pecado. Embora já pertencente ao século passado, na recente história das Assembléias de Deus poderia ser considerado pecado: beber Coca-cola, estudar Teologia, a mulher cortar o cabelo ... Tudo parecia pecado: o homem estava reduzido a uma criatura prisioneira de si mesma.
Banalizou-se o pecado, ao caracterizar coisas sem importância como pecado. De uma hora para outra, estava sendo repetido o mesmo erro dos fariseus: valorizava-se mais o exterior do que o interior, colocando um jugo pesadíssimo sobre o homem. Estimulava-se a formação de autênticos “sepulcros caiados”: vistosos, bonitos por fora, mas por dentro cheios de podridão de ossos (Mt 23.27).
É necessário retomar o conceito bíblico de pecado. Além disso, torna-se necessário esclarecer quem é o autor do pecado. A Confissão de Fé de Westminster 3:1 (2) enfatiza que Deus não é o autor do pecado. O que diz o Antigo Testamento acerca desse assunto? O que nos ensina o Novo Testamento acerca do pecado?
Vamos analisar gramaticalmente a palavra a`marti,a (hamartia), a palavra grega que no Novo Testamento é traduzida como pecado; vamos também analisar o pecado no ambiente judaico.






1 – ESPISTEMOLOGIA
Epistemologia ou teoria do conhecimento (do grego πιστήμη [episteme], ciência, conhecimento; λόγος [logos], discurso) é um ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados com a crença e o conhecimento. É o estudo científico da ciência (conhecimento), sua natureza e suas limitações.
A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, motivo pelo qual também é conhecida como teoria do conhecimento. Por isso na epistemologia estudamos o sentido primário das palavras em relação às escrituras. Aqui veremos a sua aplicação buscando a definição divina para a palavra pecado.

1.1 – Terminologia
Chatá (hhattá’th) / hamartia (Strongs H2398/H266) é, literalmente, “perda da marca” “errar o alvo” Desviar-se do caminho. Refere-se a todos pecados cometidos contra a luz ou o conhecimento que já temos.
Erros, Transgressões, Falhas à As Escrituras freqüentemente vinculam estas palavras ao termo “pecado”. Todos esses termos relacionados apresentam aspectos específicos do pecado; com as formas que ele assume.
Na perspectiva judaico-cristã[2] — e em simples palavras — pecado é a atitude (ato ou omissão, íntimo ou não) de contrariar a lei (ou a vontade) de Deus. Significa, assim, um "erro de alvo", entendido este como a vontade de Deus.
As palavras hebraica e grega traduzidas por "pecado" aplicam-se tanto a disposições e estados como a atos.
O pecado tanto pode consistir da omissão em fazer a coisa justa como da vontade deliberada em fazer a coisa errada. "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando" (Tiago 4:17).
Analisemos as diversas terminologias usadas para descrever pecado:

  • Impiedade: Impiedade (no grego “asebeia” - 2 Pe 2.6), consiste na oposição a Deus e a seus princípios, em autêntica rebelião de alma. Ser ímpio significa se contrário a Deus e a seus mandamentos; é viver como se Deus não existisse.
  • Transgressão: Transgressão (no grego “parabasis”), literalmente significa “ir além de um limite estabelecido”. Consiste na violação de princípios piedosos reconhecidos, que conduzem o indivíduo à quebra da lei (paranomia) afastando-o da lei moral (Mt 6.14; Tg 2.11; At 23.3; 2 Pe 2.16). O termo “parabasis” (transgressão) relaciona-se diretamente com o termo grego paraptōma, isto é, passos em falso, ou desviamos pela tangente, apesar de estarmos instruídos o bastante para não fazê-lo. Assim, transgredir é ultrapassar os "limites" estabelecidos na lei de Deus.
Se o pecado é definido como transgressão às leis divinas, então é necessário que a igreja defina coerentemente o que é doutrina, norma ou lei divina para os dias hodiernos. Muitas pessoas cometem faltas contra a tradição religiosa, mas não contra a lei de Deus. E, infelizmente, assim como ocorreu no passado da religião judaica do Novo Testamento, para alguns zelosos, é mais grave transgredir a tradição do que o mandamento divino. Qual a vontade de Deus para o homem moderno? Quais costumes sociais enquadram-se na definição bíblica de Pecado? Quais os limites da ludicidade, se para alguns o lazer é pecado? O que Deus permite ou proibe com base nas Santas Escrituras? Essas perguntas precisam ser respondidas pelas Assembléias de Deus. Se pecado é transgredir, o que se transgride na concepção teológica e doutrinária?

Conotações no Hebraico
  • Chata’: “errar o alvo, pecado, oferta pelo pecado”: É a palavra mais singular para definir o pecado na terminologia hebraica (Jz 20.16; Pv 19.2). O verbo é usado mais de duzentas vezes, e as formas do substantivo, cento e noventa e oito vezes no Antigo Testamento. A concepção de “alvo” sugere um “padrão objetivo”. Entre os guerreiros de Benjamin havia homens que podiam “dar tiros de funda num cabelo sem errar” (Jz 20.16). Assim, usa-se a palavra no sentido de perder uma coisa de valor, ou falhar na responsabilidade de alcançar um alvo importante. O termo é usado para demonstrar tanto a disposição de pecar, como o ato resultante (Gn 4.7; Sl 1.1; 51.4; 103.10). Aplica-se:
    • - À perda de alguma coisa de valor - quem perder (pecar contra) a sabedoria, faz violência a si mesmo (Pv 8.36);
    • - Designa, frequentemente, o mal praticado contra o próximo (2 Sm 19.20; 1 Rs 8.31);
    • - O pecado contra o concerto (Êx 32.30-33);
    • - Em Jó 1.5 a palavra refere-se ao pecado íntimo, nos pensamentos do coração;
    • - Referência aos pecados voluntários ou deliberados (Êx 10.17; Dt 9.18; Sl 25.7).
    • Chata' é o termo geral para designar as várias formas de pecado no Antigo Testamento. Pressupõe que o homem "erra o alvo" contra o próximo, Deus e a si mesmo.
  • Pasha': “rebelar-se” ou “revoltar-se”: O pecado, no sentido mais profundo da palavra, é representado pelo verbo “pasha'” e o substantivo “pesha'”. O verbo significa “rebelar-se ou revoltar-se”. É usado em 1 Reis para referir-se à rebeldia contra a casa de Davi (Is 1.2; Os 8.1). As palavras transgredir e transgressão não traduzem adequadamente as palavras hebraicas (Am 3.14; Mq 1.5; Êx 34.7; Ez 21.29; Sl 32.5; Dn 9.24). “Pasha'” mostra que o pecado, na sua essência, é mais do que violação de mandamentos e proibições. Em última análise, o pecado é uma revolta da vontade do homem contra a vontade de Deus.
  • Rasha': “ímpio”: O verbo “rasha'” significa ser provado, ímpio, culpado, pecaminoso e descreve o caráter formado pela prática do pecado (Sl 1.1; Is 3.11). A palavra é mencionada cerca de duzentos e sessenta e uma vezes e a famosa tradução dos setenta (LXX) a traduz por irreligioso, perverso, transgressor e, geralmente, indica a mudança no estado moral ou religioso do homem. O termo é usado frequentemente como sinônimo de palavras que significam enganar, defraudar, trair (Jr 12.1).
  • ‘Awon: “iniquidade”: O termo hebraico “'awōn” deriva-se da raiz “‘awah”, que provém da ideia de torcido ou pervertido (Gn 19.15; Sl 31.10; Zc 3.9). O termo é usado cerca de duzentos e trinta e uma vezes sempre no sentido de torcer, perverter, desviar, ficar culpado de perversidade, designando um pecado de má intenção. Muitas vezes a palavra significa culpa, ou da iniquidade cometida, ou da natureza perversa que pratica a iniquidade. A palavra é usada em alguns paralelismos como sinônimo de “chata'” (Is 5.18).
  • Nabhel: “pingar ou secar”: Significa pingar ou secar; origina ser o pecador seco, insensível (Sl 14.1; 53.1; Is 32.6; Sl 74.18; Dt 32.6,21).
  • Tame’: “ser impuro”: O termo hebraico “tame’” significa mergulhar, estar imerso com o sentido de ser manchado ou poluído, como resultado da imersão: “... sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios...” (Is 6.5; Nm 5.13-29; Jr 2.23; Sl 106.39; Os 5.3; 6.10; Ez 22.3-5).
  • Ma'al: “transgredir”: O termo "ma'al" envolve infidelidade e traição, ou o ato de ser culpado, de quebrar uma promessa ou não cumprir a palavra. Deus dotou o homem com um alto privilégio e uma solene responsabilidade, mas ele foi infiel e desleal ao propósito divino. Às vezes, significa que o homem planeja a traição ou a quebra de sua palavra contra Deus e sua elevada vocação. Geralmente é traduzido como transgredir ou prevaricar (Lv 16.16,21; 26.40; Nm 5.6; 31.16; Dt 32.51; 2 Cr 26.18; 29.6).
  • To'ebhah: “coisa abominável”: O termo hebraico “to'ebhah” designa especialmente os pecados repugnantes para Deus, ou chamados de abominação, aquilo que é detestável, ofensivo. Aplica-se geralmente:
    • Aos ímpios (Pv 29.7): Na literatura sapiencial, o termo ímpio (rasha’), e seus cognatos (prepotente, perverso, zombador e estulto), designam o mesmo tipo de homem. Pessoas ímpias ou perversas eram culpadas da violação dos direitos sociais de outros, pois foram violentas, opressoras, avarentas, envolvidas em tramar contra os pobres e apanhá-los em armadilhas, e com disposição de até mesmo assassinar a fim de atingir seus objetivos. Eram desonestas em seus negócios e nos tribunais; enriqueciam por meio de opressão e toda espécie de práticas fraudulentas. Geralmente, o ímpio é perfilado como alguém que odeia o Senhor (Êx 2.13; Nm 35.31; 2 Sm 4.11; 2 Cr 19.2). Malaquias 3.18 ressalta que uma das principais características do ímpio é recusar-se a servir ao Senhor. O ímpio se esquece de Deus (Jó 8.13); despreza-O (Sl 10.3); provoca-O (Is 5.12), age como se Deus não existisse (Sl 10.4;14.1; 53.2), como se Deus não fosse vivo (Sf 1.12 cf. Jó 22.17) e não visse nada (Sl 94.7 cf Jó 22.13s); ele acha que não vale a pena servir a Deus (Ml 3.14s). O ímpio peca por fraude, injustiça, mentira, opressão, soberba, avareza, embriaguez e luxúria, pecados estes censurados, sobretudo, pela literatura sapiencial (Sl 10.2-11; 36.2-5; 73.6-9;94.3-7; Jó 24.2-4). A impiedade praticada pelo ímpio não ficará sem castigo. Várias vezes são afirmadas o pensamento de que a impiedade traz a sua punição em si mesma: “Ai do ímpio, porque nada lhe correrá bem; ele receberá segundo as obras de sua mão” (Is 3.11). “Comerá do fruto da sua maldade fartar-se-á da própria impiedade” (Pv 1.31,32; 5.22s; 11.27; 14.32; Sl 37.14). Em o Novo Testamento a mesma gama de ideias do Antigo Testamento é repetida (Rm 11.26 cf Is 59.20; 2 Tm 2.16 ; Tt 1.12; Rm 4.5; 2 Pe 2.5). Todos os pecadores, segundo a epístola de Judas, podem ser chamados de ímpios.
    • À idolatria (Dt 7.25,26; Jr 16.18; Ez 5.11; 7.20; 2 Cr 15.8): Idólatra é o adorador de ídolos, e o culto que lhes é prestado é chamado idolatria. No período pré-mosaico, a idolatria já era um costume dos povos. O Decálogo proíbe explicitamente a idolatria no primeiro e segundo mandamentos (Êx 20.3-5). Em Deuteronômio 4.15-28, no caso de transgressão nacional, está determinado o castigo para os idólatras. A idolatria é pecado porque priva a Deus de um direito que lhe é próprio - o culto e a adoração - daí ser considerada “coisa abominável”. Ezequiel denuncia a idolatria como infidelidade e prostituição (16.36; 37.23) e, segundo o mesmo profeta, Jerusalém foi destruída devido a sua idolatria (33.25; 36.18,25), provavelmente para cumprir-se Êxodo 22.20 e Deuteronômio 13.12-16.



























2 – DEFINIÇÕES DE PECADO
            Muitos afirmam que o pecado é uma ilusão. Esta idéia (errônea) assume várias formas de expressão. Por exemplo:
·         Nossa falta de conhecimento é a razão pela qual temos a ilusão do pecado.
·         Consideramos algo como pecado por não ter conhecimento pleno dessa realidade.
Este tipo de pensamento conclui que quando a evolução tiver tido tempo suficiente para progredir, a ilusão do pecado desaparecerá.
Isto significa dizer que aquilo que hoje consideramos pecado, um dia não o será mais devido a uma maior luz que recebemos sobre este assunto.
Por exemplo:
·         A bateria (instrumento musical) era considerada como instrumento diabólico. Hoje já não é mais.
·         Dizer que a terra era redonda, já foi razão de se condenar homens. Hoje já não é mais.
·         Segundo casamento era tido como impraticável pela igreja. Hoje já não é mais.
Afinal o que é pecado?

2.1 – Definições de Pecado
2.1.1 – O Pecado É Egoísmo
Esta é uma das definições mais ouvidas. É bíblica, embora correta ela é incompleta e insuficiente. O ato de viver uma vida centralizada no “ego” ou “eu” é pecado, pois vai contra o principio de Deus de amar o próximo como a si mesmo. Contudo isso não define a totalidade do que é pecado.

2.1.2 – O Pecado É Violação da Lei
Esta definição também é bíblica, mas insuficiente, a não ser que o conceito de lei seja estendido de modo a compreender todo o caráter de Deus, e não simplesmente os 10 mandamentos.
1 Jo 3.4 – “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei: porque o pecado é a transgressão da lei”.

2.1.3 – Pecado é rebelião e desobediência
A Bíblia entende que todas as pessoas estão em contato com a verdade de Deus. Paulo nota que isso inclui até mesmo os gentios, que, embora não tenham a revelação especial, têm a lei de Deus escrita no coração (Rm 2.14,15). A incapacidade de crer na mensagem, particularmente quando ela é apresentada de forma expressa e exclusiva, é desobediência ou rebelião contra Deus.
O pecado como princípio, é rebelião contra Deus. É recusar fazer a vontade dEle que tem todo o direito de exigir obediência de nós.


2.1.4 – Pecado é uma inclinação interior
Pecado não são simplesmente atos errados, estes são frutos de uma natureza pecaminosa. Portanto pecado é uma disposição interior inerente que nos inclina para atos errados. Pecamos porque somos pecadores. É o estado mau da alma ou da personalidade.

2.1.5 – O Pecado É Qualquer Coisa Contrária Ao Caráter de Deus
Esta é a melhor definição, contudo poderíamos dizer Pecado é qualquer falta de conformidade, ativa ou passiva, com a lei moral de Deus. Isso pode ser uma questão de ato, de pensamento ou de disposição ou estado interior. Pecado é a incapacidade de viver de acordo com o que Deus espera de nós no que diz respeito ao que fazemos, pensamos e somos.
Inclui-se aqui o fato de que pecado é o cumprimento incompleto dos padrões de Deus. Quando cumpro de maneira incompleta os padrões de Deus estou agindo de maneira contrário ao seu caráter; pois Deus não é meio bom, nem meio santo, justo, misericordioso, etc. Muitas vezes podemos fazer o que é certo, mas pelo motivo errado, de modo que cumprimos a lei, mas não seu espírito (Mt 6.2,5,16).








































3 – A ORIGEM DO PECADO
            Mencionamos várias perspectivas bíblicas do pecado. Agora precisamos perguntar a respeito da origem do pecado.
            Sem dúvida que discutir a origem do pecado nos faz pensar a respeito da existência do mal[3]

3.1 – Em Relação a Deus
            Deus não pode pecar. Em Deus não há pecado, portanto Deus não é o causador do pecado. “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentando por Deus; porque Deus não pode ser tentando pelo mal e Ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13).
           
            “Eu formo a luz, e crio as trevas; faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Is 45.7).
Deus não criou o mal no sentido moral. "Pois tu não és Deus que se agrade com a iniqüidade, e contigo não subsiste o mal" (Salmo 5:4-5). Deus não tenta ninguém, pois ele é a fonte de "toda boa dádiva e todo dom perfeito" (Tiago 1:13-17).
A palavra "mal" em Isaías 45:7 vem de uma palavra original que pode ter vários sentidos. Neste contexto e em outros onde Deus faz ou traz o mal, a palavra significa "calamidade" ou "punição". É o oposto de paz. Deus usaria Ciro para "abater as nações" (45:1). Em 45:8, Deus promete salvação (paz) e justiça (punição ou mal). Outros trechos usam a mesma linguagem. Os males que Deus ameaçou trazer em 2 Reis 22:16 foram punições e calamidades (veja Josué 23:15, onde aparece a mesma palavra no original).
O mal não foi criado por Deus, o mal foi a ausência da luz e do bem primeiramente em Lúcifer (Satanás) e depois no homem. O mal não é uma “coisa”, como uma pedra ou a eletricidade. Você não pode ter um pote de mal! Mas o mal é algo que acontece, como o ato de correr. O mal não tem uma existência própria, mas na verdade, é a ausência do bem. Por exemplo, os buracos são reais, mas somente existem em outra coisa. À ausência de terra, damos o nome de buraco, mas o buraco não pode ser separado da terra. Quando Deus criou todas as coisas, é verdade que tudo o que existia era bom. Uma das boas coisas criadas por Deus foram criaturas que tinham a liberdade em escolher o bem, ao não escolher o bem trouxeram a existência o mal.

3.2 – Em Relação a Satanás
O pecado foi achado em Satanás (Is 14.12-20; Ez 28.14,15). Esta afirmação é o mais próximo que a Bíblia chega de uma indicação da origem do pecado. Antes, do homem pecar, Lúcifer já tinha pecado.
Satanás era integro e moralmente sadio, até que seu desejo egoísta de se tornar maior que Deus dominou o seu ser.
Por ter sido a primeira criatura a ser dominada por seus desejos egoístas é chamado pai da mentira. Satanás se voltou contra a verdade de que somente Deus é Deus, e, muitos outros anjos acreditaram em sua mentira. Ele deseja ser adorado e reconhecido como um deus.
“... Ele (o diabo) foi homicida desde o principio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44).

3.3 – Em Relação a Anjos
Alguns deles seguiram a Satanás em seu pecado, o que demonstra que os mesmos são livres para escolher a quem deseja servir.

3.4 – Em Relação ao Homem
Segundo a Bíblia o homem foi feito à imagem de Deus (Gn 1.27). Esta semelhança do homem com Deus tem duas significações, a saber, natural e moral.
·         Entende-se por semelhança natural que o homem foi criado com os mesmos poderes pessoais que constituem a personalidade de Deus. Isto é, o homem é pessoa como Deus é pessoa. A diferença esta no fato de que Deus é pessoa divina (infinita e Criador), enquanto o homem pessoa humana (finita e criatura). A semelhança natural do homem com Deus se faz em ser pessoa, isto é, um ser capaz de pensar, de querer, de amar e de dirigir-se a si mesmo. Esta semelhança o homem não a perdeu na queda, contudo ela ficou distorcida.
·         O homem foi também criado moralmente semelhante a Deus. Por semelhança moral entende-se que o caráter do homem era semelhante ao caráter de Deus. A disposição da alma do homem, quando criado, era boa.

Por isso é que estamos diante deste problema da origem do pecado no homem. Como é que o pecado se originou num ser criado natural e moralmente semelhante a Deus?
A Bíblia ensina que o homem deixou entrar o pecado neste mundo. Ele abusou tanto de sua liberdade como de seus poderes pessoais: escolheu o mal e rejeitou o bem. Desta forma o pecado tem sua origem na história da humanidade no Éden (Rm 5.12).
A responsabilidade do pecado é do próprio homem: “Cada um é tentando pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz ao pecado; e o pecado, uma vez, consumado, gera a morte” (Tg 1.14,15).
A partir desta leitura podemos afirmar que o pecado se origina dos desejos. Todos temos desejos (desejo de desfrutar coisas, de obter coisas e fazer coisas). Esses desejos, a princípio, são legítimos. Por exemplo: Desejo pelo alimento é natural e indispensável para nossa sobrevivência. Do mesmo modo o impulso sexual, sem o qual não haveria reprodução humana.
O problema surge quando nossos desejos ditam nossas escolhas. Há maneiras apropriadas de satisfazer cada um desses desejos e também há os limites impostos por Deus. A incapacidade de aceitar esses desejos conforme foram constituídos por Deus, e, portanto, de submetê-los ao controle divino, é pecado.
Quando nossos desejos são dominados pelo egoísmo, quando só pensamos nos benefícios que a realização desse desejo nos trará sem levarmos em conta as demais pessoas e principalmente a Deus, estamos próximos de pecarmos.
DESEJO + EGOÍSMO = PECADO
O desejo de fazer o que se faz pode estar presente de forma natural (exemplo: Eva tinha fome – comer o fruto era um desejo natural) e também pode haver indução externa (exemplo: a serpente a induz a avança o sinal usando seu desejo natural).
 Deus nos deu leis e princípios morais com o fim de nos proteger e não de nos punir. As leis de Deus visam preservar o homem do sofrimento. Quando pecamos sempre causamos a nós ou a outros dor e sofrimento.



4 – CONSEQUÊNCIAS DO PECADO
             Podemos dizer que a morte é sem dúvida o preço pago pelo homem como conseqüência de seu pecado. Normalmente os estudiosos definem que com a queda do homem veio a morte e esta se manifestou de duas formas: física e espiritual.
            A morte surgiu como conseqüência de uma lei espiritual quebrada, conforme descreve o apóstolo Paulo aos irmãos da igreja de Roma – “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23),
            Sem dúvida esta é uma verdade absoluta. A morte atingiu o homem fisicamente e espiritualmente.
            Gostaria de analisar com você o que isso significa e também de considerarmos que a morte fere também a relação do homem com todo seu universo.

4.1 – No Mundo Espiritual
4.1.1 – Morte Espiritual
O homem e o Criador foram separados, a essa separação chamamos de morte espiritual. A morte espiritual é a separação entre a alma/espírito e Deus
A Queda implica diretamente na separação espiritual com Deus. Em função da entrada do pecado no mundo, o homem está privado de desfrutar dessa bem-aventurança, pois Deus não pode conviver, nem manter comunhão com o pecador. Por essa razão afirma-se não existir mais comunhão direta entre Deus e os homens. No relato de Gênesis, vemos que após cometerem uma infração direta à Lei de Deus, tanto o homem como a mulher “esconderam-se”. Isso implica que a comunhão com Deus havia sido quebrada.
A morte espiritual além da separação de Deus trouxe outro resultado na vida do homem, ela fez com que o homem perdesse sua semelhança moral que tinha com Deus. Tudo no homem ficou corrompido. O homem sofre a morte psicossomática (psico [alma] – somática [corpo]), como veremos no próximo item.
A consequência final da morte espiritual sobre o homem é a separação eterna de Deus. Somente a regeneração oferecida por Cristo pode mudar o final desta história.

4.2 – No Homem
4.2.1 – Morte Física
O pecado trouxe ao homem a morte física, isto é, o fim da existência do seu corpo como matéria. O homem ficou condenado a se separar do seu corpo. O espírito voltará a Deus e o corpo voltará a terra (Ec 12.7). A esta separação chamamos de morte física.
A morte física implica em uma deterioração do físico, dia após dia, até que o mesmo não suporte mais o peso da existência. O corpo se tornou frágil e limitado.
Após a morte física seremos julgados por Deus e este julgamento determinará nosso futuro eterno.
Se você não nascer de novo, jamais terá vida e isto te levará à morte eterna ou segunda morte; esta é a morte da qual não há oportunidade de escapar. A Bíblia diz “mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte” (Apocalipse 21:8).




4.2.2 – Morte Psicossomática
Estou chamando de morte psicossomática a separação psicossomática: o homem em si mesmo.
O homem, em função do pecado, sofre da falta de unidade no que tange aos aspectos imateriais do homem. Ou seja, o pecado desestabilizou a harmonia inicial do homem, e devido a isso, não pode portar-se de maneira irrepreensível diante da Lei de Deus, e do próprio Deus (Gn 3.8 – o homem se esconde de Deus – é dominado pelo medo e vergonha). E as conseqüências ainda podem ser claramente observadas: A mulher passa a sofrer as dores do parto (Gn 3.16 – O que lhe é razão de grande alegria, vem por meio de muita dor), o homem a (Gn 3.17 – o homem passa a sentir cansaço por causa do trabalho e condenado a se esforçar pelo alimento).
O homem passa a travar uma batalha para se manter no bom caminho uma vez que suas inclinações, agora, pendem ao pecado, ao erro, a pratica do mal orientado contra Deus.

4.2.3 – Morte Sociológica: Na Relação do Homem-Homem
A esta morte chamaremos de separação sociológica: o homem do homem.
O homem não perde apenas comunhão com Deus, e harmonia consigo mesmo, mas em função do pecado o homem está separado do homem. Em Gênesis 3 podemos ler a seguinte declaração:
Então disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi (v.12)
O primeiro conflito do homem encontra-se no contexto matrimonial. Ou seja, entre homem e mulher.
Entretanto, o relacionamento homem mulher não é o único prejudicado, mas qualquer espécie de relacionamento, pois em Gn 4.1-8 podemos notar o ciúmes e o homicídio de Caim para com Abel.

4.2.4 – Morte Na Relação Homem-Natureza
A queda do homem afetou sua relação com a natureza, ocorreu uma separação entre o homem e a natureza.
A terra se tornou maldita por causa do homem (Gn 3.17,18). Passou a ser necessário que o homem viva em constante trabalho para sua sobrevivência (3.18-19). Entretanto, esse trabalho é enfadonho agora, pois a terra precisa ser cuidada para que de fruto. Sem contar que o homem agora teria sua tarefa dificultada pelos espinhos e abrolhos.
Este texto nos indica que o homem trabalhava, mas não se sentia exausto; e seu trabalho não era fadonho e sim algo que lhe fazia se sentir realizado

4.3 – Na Natureza
Separação Ecológica: a natureza da natureza
Por conseqüência do pecado , a natureza passou a sofrer. Note que agora a “terra é maldita”, “produzirá cardos e abrolhos” e esta sujeita à vaidade (Rm.8.20-22).
É interessante lermos Isaías 11.6,7 e 65.25, pois o mesmo descreve como será a relação entre as espécies na nova terra.  Essa relação é caracterizada pela harmonia e paz entre todas as espécies.
“O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi” (Is 11.6,7).
Ao fazermos essa leitura podemos imaginar ou ter um pequeno vislumbre de como era nos dia de Adão e Eva, antes da queda.  

4.4 – No Universo
            Embora nosso conhecimento do universo seja limitado, podemos afirmar com certeza que todo o universo também foi afetado pela queda do homem.
Sol, luz e estrelas de alguma forma afetam também nosso dia a dia. Exemplo: O sol produz um calor maior do que podemos suportar e nos leva a sofrermos doenças e muitas vezes a morte. A ausência do mesmo também pode nos levar a experimentar um frio intenso que nos levará a morte.
O livro do Apocalipse descreve o castigo que estes elementos do universo trarão sobre nós. Portanto até o universo conspira contra nós por causa do pecado.






































5 – PECADO PESSOAL
5.1 – Significado
São pecados cometidos por indivíduos. Podem ser pecados deliberados ou pecados por ignorância. Errar o alvo também implica atingir o alvo errado.
Este pecado pode ser cometido tanto por cristãos como pelos que vivem sem Cristo.

5.2 – Penalidade
Perda da comunhão com Deus. Todo pecado gera uma quebra na comunhão com Deus. Contudo isto não implica na perda da salvação do cristão.

5.3 – Salvação
·         Perdão à retira a culpa produzida pelo pecado.
·         Justificação à declaração da atribuição da justiça de Cristo ao pecador que crê e é perdoado.

Os que vivem sem Cristo precisam reconhecer à Jesus Cristo como único Salvador de suas vidas. É necessário que elas confessem à Jesus como o Cristo, para que recebam o perdão e a justificação conquistado para elas, e, por Ele na cruz.
Quanto aos cristãos, estes precisam confessar seu pecado, segundo esta escrito em 1 Jo 1.9.

5.4 – Pecado Social
Pecados sociais são todos comportamentos coletivos de grupos sociais que ferem os valores do Reino de Deus. Atos cometidos pela sociedade que promove a morte física, psicológica e espiritual dos indivíduos.
É pecado social toda ação cometida contra os direitos da pessoa humana, a começar pelo direito a vida, a integridade física (moradia, alimentação, saúde), psicológica (educação) e espiritual (religiosa).
Ex.: Corrupção, o consumismo exagerado, o egoísmo individualista, a irresponsabilidade no transito e estradas, exclusão social gerada pela pobreza ou falta de informações, etc.

Pecado Pessoal x Pecado Social
Devemos considerar que o pecado pessoal interfere no pecado social. O pecado social é fruto do pecado pessoal. É também verdade que o pecado pessoal tem sempre um valor social.
“Enquanto ofende a Deus e prejudica a si mesmo, o pecador torna-se também responsável pelo mau testemunho e pelas influências negativas ligadas ao seu comportamento. Mesmo quando o pecado é interior, produz em todo caso um agravamento da condição humana e constitui uma diminuição daquele contributo que todo o homem é chamado a dar ao progresso espiritual da comunidade humana”. (João Paulo II - http://www.universocatolico.com.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=1052).

Não podemos ignorar que as estruturas vigentes em nossa sociedade perpetuam o pecado social. Contudo isto não nos isenta de nossa responsabilidade no pecado social. Se as estruturas perpetuam o mal é porque aceitamos passivamente o domínio do mal.





6 – A NATUREZA PECAMINOSA NO HOMEM
6.1 – Significado
A natureza pecaminosa é a capacidade e inclinação humana para fazer tudo aquilo que nos torna reprováveis aos olhos de Deus.

6.2 – Passagens Bíblicas relacionadas
·         2 Co 4.4; Ef 4.18; Rm 1.18

6.3 – Resultado da Natureza Pecaminosa
·         Morte Espiritual – todo homem nasce espiritualmente morto.
·         Depravação total (visão Calvinista) – total impossibilidade do homem de se salvar ou responder a Deus por sua salvação. Ouvir o Espírito Santo é ação do próprio Espírito Santo no homem.
·         Depravação do homem, mas não em sua totalidade (visão Arminista) – total impossibilidade do homem de se salvar, mas capaz de ouvir o apelo do Espírito Santo e responder ao mesmo.

6.4 – transmissão da Natureza Pecaminosa
“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23).

O pecado como falamos é um estado mau da alma, e este estado é universal, isto é, todos nascem neste estado mau. Todo ser humano nasce com a natureza pecaminosa, todos nascem tendenciosos ao egoísmo, mentira, e os demais frutos desta natureza. A esta natureza pecaminosa que herdamos chamamos de pecado original; este nos foi imputado.
Jesus Cristo foi a única pessoa que nasceu fora deste estado e livre deste principio fundamental.
Uma vez que todo ser humano nasce debaixo deste principio, todos sem exceção já nascem condenados a morte eterna, se não forem salvos pela graça de Deus. Todos nascem mortos espiritualmente e precisam ser ressuscitados com Cristo (Ef 2.4-6).
A.B. Langstone assevera: "Quando Adão caiu, com ele caiu a raça humana, pois ele era a raça de então. Sua queda começou a fazer parte da sua natureza moral, que passou aos seus descendentes. Outros pecados confirmam o estado do homem decaído.
"O pecado da raça é nosso, mas os pecados pessoais de Adão não nos pertencem e não participamos de sua culpa. É por isso que Deus nos imputa o pecado da raça e não os pecados pessoais de Adão. " Portanto, 'cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus'. Romanos 14:10-12.
"Como semente gera semente da mesma espécie", nós, sementes de Adão, herdamos a natureza pecaminosa.

6.5 – Salvação
Assim, "por um só homem entrou o pecado no mundo / pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". (Gênesis 2.16-17; 3.1-6; Romanos 3.23; 5.12). A esperança é que se "pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos". (Romanos 5.19). 
            Jesus Cristo que não nasceu da natureza adâmica (pecaminosa), morreu a nossa morte (Rm 6.23), pagando o preço do pecado, e juntamente com Ele nos ressuscitou para uma nova vida. Jesus Cristo foi o sacrifício, o cordeiro que nos trouxe a paz[4].

Exemplificando o que é Pecado Imputado
a) Significado: O resultado da participação de cada homem no pecado original de Adão.
b) Texto-chave: Romanos 5:12 - Toda a humanidade estava em Adão, participando de seu pecado e assumindo a culpa resultante dele.
c) Transmissão do pecado imputado: Transmitido diretamente de Adão a cada membro da raça.
d) Penalidade: Morte física e espiritual.
e) Remédio: A Justiça imputada de Cristo (II Coríntios 5:21).

























7 – O PECADO NA VIDA DO CRENTE
7.1 – O Crente Pode Pecar?
Muitos que não conhecem profundamente a Palavra de Deus são tentados a pensar que uma vez que uma pessoa se torna crente, ela nunca mais peca. Contudo a Bíblia afirma exatamente o contrário, todo cristão está sujeito a pecar.
O apóstolo João ao escrever sua primeira espístola aos seus irmãos da fé diz o seguinte:

“Se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós
“Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós” (1 Jo 1.8, 10).

O próprio apóstolo João se inclui em sua sentença.
Paulo, o apóstolo dos gentios, afirmava travar uma luta constante com sua carne. Segundo o próprio Paulo, muitas vezes, ele acabava “errando o alvo”, cometendo pecado, mesmo não querendo fazê-lo.

“Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e, sim, o pecado que habita em mim” (Rm 7.19-20).

O pecado que o crente tem é ligado a ele por ele viver no mundo (I João 2:16) e ter o pecado ainda nos seus membros (Rom 7:23). Enquanto o crente está na carne, preso a natureza adâmica e pecaminosa, terá de conviver com problema do pecado (Mat. 26:41; "... o espírito está pronto, mas a carne é fraca.").


7.2 – O Padrão de Vida Para O Crente
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.7).

“Aquele que diz que permanece Nele, esse deve também andar assim como Ele andou” (1 Jo 2.6).

Mesmo que haja a capacidade de pecar, o crente é responsável por não pecar.

"Sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver" (1 Ped 1:15).

"Estas coisas vos escrevo para que não pequeis"(1 João 2:1).

A possibilidade de pecar nunca é razão de culpa da ação do pecado, mas uma forte e boa razão para se vigiar (Mat. 26:41) para que não entreis em tentação.
Não podemos nos esquecer que pecamos por causa de nossa própria cobiça.

           
7.3 – A Prevenção Do Pecado Na Vida Do Crente
A prevenção contra o pecado é realizada na vida do crente das seguintes formas:

7.3.1 – Através da Palavra de Deus
“Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119.11).

7.3.2 – A Intercessão de Cristo
“Não peço que os tire do mundo; e, sim que os guarde do mal. [...] Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” (Jo 17.15,20).

“Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34).

7.3.3 – O Espírito Santo
“Mas, o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 7.26).

7.3.4 – Oração
A oração nos mantém em pleno contato com Deus, nos ajudando a permanecermos mais sensíveis a voz de Deus.


7.4 – Penalidade Do Pecado Na Vida Do Crente
7.4.1 – Perda de Comunhão com Deus
“Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não no viu, nem o conheceu. Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém; aquele que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1 Jo 3.6-9).

O texto acima afirma que o crente não pode viver pecando, isto é, o pecado não pode fazer parte da vida cotidiana dele. O pecado faz parte da vida do diabo, mas não dos filhos de Deus.

“Se dissermos que mantemos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1 Jo 1.6).

Quem vive no pecado, vive nas trevas e não tem comunhão com a luz.

7.4.2 – Exclusão da Igreja Local
“Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1 Co 5.3-5).

Mais tarde Paulo manda trazer este irmão a comunhão novamente, entendendo que o mesmo já havia sofrido o suficiente e se arrependido de seu pecado (2 Co 2.5-11).
Jesus nos ensina sobre a exclusão também:

“Se teu irmãos pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não o atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mt 18.15-17).

Considerar alguém como gentio e publicano é considerá-lo como não convertido, isto significa, dizer que aquela pessoa não pertence a igreja, precisa se converter.

7.4.3 – Disciplina de Deus
´”Porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6).

7.4.4 – Ás Vezes Morte Física
“Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Co 11.30-32).


7.5 – A Salvação Para O Pecado Na Vida Do Crente
Confissão de seus pecados
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9).




















8 – TEORIAS SOBRE A NATUREZA DO PECADO

Teoria
Fonte
Ensino
Dualismo
Filosofia grega e Gnosticismo
O gnosticismo ensinava que o contato da alma humana com a matéria era que a tornava imediatamente pecadora. Esta teoria naturalmente despojou o pecado do seu caráter voluntário como é apresentado na Bíblia. Orígenes (185-254 d.C.) sustentou este mesmo ponto de vista por meio de sua teoria chamada “preexistencismo”. Segundo ele, as almas dos homens pecaram voluntariamente em existência prévia, e, portanto, todas entraram no mundo numa condição pecaminosa. Este conceito de Orígenes sofreu forte oposição mesmo nos seus dias.
O ser humano tem um espírito derivado do reino da luz e um corpo com sua vida animal derivado do reino das trevas. Assim, o pecado é um mal físico, a contaminação do espírito por meio da sua união com um corpo material. O pecado é vencido ao se destruir a influência do corpo sobre a alma.
Egoísmo
Tomás de Aquino
Pecado é egoísmo. É preferir as próprias idéias ao invés da verdade de Deus. É preferir a satisfação da própria vontade ao invés de fazer a vontade de Deus. É amar-se a si mesmo mais do que a Deus. Pode manifestar-se na forma de sensualidade, incredulidade ou inimizade contra Deus.
Pelagiana
Pelágio
O “Pelagianismo’’ (do latim: “pelagianismus”), é a Doutrina fomentada por Pelágio, clérigo britânico do século IV. Entre outras coisas, ele afirmava o livre-arbítrio. Para ele o homem tem a possibilidade e a liberdade de decidir em favor do bem. A graça é um benefício que ajuda o homem a escolher o que é bom.
O pecado de Adão prejudicou somente a ele próprio. Todas as pessoas nascem no mundo no mesmo estado em que Adão foi criado. Elas têm o conhecimento do que é mau e a capacidade de fazer tudo o que Deus requer. O pecado, portanto, consiste apenas na escolha deliberada do mal. O pecado é defeito da vontade, não da natureza.








Teoria
Fonte
Ensino
Agostiniana
Agostinho
Em geral os pais da Igreja Grega dos séculos III e IV se mostraram inclinados a negar a relação direta entre o pecado de Adão e seus descendentes. Em contraposição, os pais da Igreja Latina ensinaram com bastante clareza que a presente condição pecaminosa do homem encontra sua explicação na primeira transgressão de Adão no Éden.

O ensino da Igreja do Ocidente quanto à origem do pecado teve seu ponto mais elevado na pessoa de Agostinho. Ele insistiu no ensino de que em Adão toda a humanidade se acha culpada e maculada. Já os teólogos semipelagianos admitiam que a mancha do pecado, e não o pecado mesmo, é que era causada pelo relacionamento humanidade – Adão. Durante a Idade Média, o que se cria a respeito do assunto era uma mistura de agostinianismo e pelagianismo. Os Reformadores, particularmente, comungaram do ensino de Agostinho.
Todas as pessoas possuem uma depravação inerente e hereditária que inclui tanto culpa quanto corrupção. Nós ofendemos a santidade de Deus por causa de atos deliberados de transgressão e da ausência de sentimentos corretos.
Católica Romana
Ensino da igreja e tradição
O pecado original é transmitido a todas as pessoas. Nós nascemos em pecado e somos oprimidos pela corrupção da nossa natureza. Essa privação da justiça permite que as capacidades inferiores da natureza humana ganhem ascendência sobre as superiores, e a pessoa cresce no/em pecado. A natureza do pecado é definida com a morte da alma. Portanto, o pecado consiste na perda da justiça original e na desordem de toda a natureza.
Pecado Capital - expressão com que a Igreja Católica romana designa diversos pecados: orgulho, ódio, inveja, impureza, gula, preguiça e a avareza.










Teoria
Fonte
Ensino
Racionalismo

Sob a influência do racionalismo e da teoria evolucionista, a doutrina da queda do homem e de seus efeitos fatais sobre a raça humana, foi descartando-se gradualmente. Começou a se difundir a idéia de que, se realmente houve o que a Bíblia chama “queda” do homem, essa queda foi para o alto. A idéia do pecado odioso, aos olhos santos de Deus, foi substituída pelo mal, e este mal se aplicou de diferentes maneiras. Por exemplo, Emanuel Kant o considerou como parte inseparável do que há de mais profundo no ser humano, e que não se pode explicar. O evolucionismo chama esse “mal” de oposição das baixas inclinações ao desenvolvimento gradual da consciência moral. Karl Barth, teólogo suíço (1886-1968), fala da origem do pecado como um mistério da predestinação.
Em suma: O que muitas correntes da teologia racionalista erradamente ensinam é que Adão foi na verdade o primeiro pecador, porém sua desobediência não pode ser considerada como causa do pecado no mundo. O pecado do homem estaria relacionado alguma forma com a sua condição de criatura. A história do Paraíso nada mais proporciona ao homem do que a simples informação de que ele necessariamente não precisa ser pecador.
Hedonismo

O Hedonismo (do grego: “hedoné” e do latim: “hedonismus”; prazer), é a teoria que sustenta que o melhor ou mais proveitoso que existe na vida é a conquista do prazer e a fuga a dor. Eles desculpam o pecado com expressões como estas: “Errar é humano”; “o que é natural é belo, e, o que é belo é direito”.

A consciência testifica inequivocadamente da realidade do pecado. Todos sabem que são pecadores. Ninguém, que tenha idade de responsabilidade, tem vivido livre do senso de culpa pessoal e contaminação moral. O remorso da consciência, por causa do mal praticado, persegue a todos os filhos e filhas de Adão, ao passo que as conseqüências entristecedoras e terríveis do pecado são vistas através da deterioração e degeneração física, mental e moral da raça.



Teoria
Fonte
Ensino
Determinismo

Essa teoria filosófica afirma ser o livre-arbítrio uma ilusão, e não uma realidade. Uma conseqüência prática do Determinismo é tratar o pecado como se fosse uma enfermidade por cuja causa o pecador merece pena, compaixão ou misericórdia (dó), ao invés de ser castigado.
Ateísmo

Nega a Deus, nega também o pecado, porque estritamente falando, todo pecado é contra Deus, e se não há Deus, não há pecado.
Evolucionista

Baseada e fundamentada na Teoria de Darwin, o Evolucionismo considera o pecado como herança do animalismo primitivo do homem, ou seja, na fase evolutiva do homem, erros e falhas são comuns, até que um dia o homem chegará a ponto de perfeição.



















AS PEQUENAS RAPOSAS – OS PECADOS DOS CRENTES
Os filhos de Deus geralmente não caem nos grandes e bem-conhecidos pecados, mas, segundo a Palavra de Deus, há pecados que elas cometem freqüentemente. Estes pecados são como pequenas raposas que estragam a uva (nossas vidas), tornando-nos infrutíferos.
Mas quais são estes pecados?
Aqui estão alguns deles.
  1. Saber fazer o bem, mas não fazê-lo (Tiago 4:17). Deus nos manda repetidamente, que devemos fazer bem a todos, principalmente aos domésticos da fé (Gálatas 6:9,10; Tito 2:14; Mateus 25:34,35). O Senhor Jesus foi um exemplo para nós, neste aspecto. Nós lemos em Atos 10:38 que "Ele andou fazendo bem." Quão devagar nós estamos no obedecer deste mandamento!
  2. Não orar pelos próximos (falta de oração). I Samuel 12:23. Nós freqüentemente oramos por nós mesmos, pelos membros de nossa família, pela nossa igreja, mas nos esquecemos de orar pelos servos do Senhor, missionários, doentes, reis e por todos que estão em autoridade, e também por muitos outros (Efésios 6:17,18; I Timóteo 2: 1,2). Este é uma das "pequenas raposas". Nós devemos orar por todos.
  3. O pecado de fazer decisões e seguir o nosso caminho sem fé (Romanos 14:23). Sim, qualquer coisa que não esteja de acordo com a Palavra de Deus, não é de fé (Isaías 8:20). Muitos Cristãos decidem e fazem coisas, sem olhar às Escrituras para conhecer o desejo de Deus. Outros estragam suas vidas, com jugos desiguais ou amizades inconvenientes (II Coríntios 6:14). É uma pena!
  4. O pecado de fazer acepção de pessoas, ou o de agradar aos homens mais de Deus (Tiago 2:1-9; Gálatas 1:10). Este pecado é comum em muitas igrejas. Mais cargos ou posições são dadas aos ricos e educados, do que às pessoas espirituais que não são ricas ou educadas. Tenha cuidado de não fazer acepção de pessoas.
  5. O pecado de não ser generoso com Deus (Malaquias 3:8,10; Lucas 6:38). Este é um fato em que, o povo de Deus não oferta o suficiente a Deus. No tempo do Velho Testamento os Israelitas davam dízimos e ofertas a Deus. Agora, nós não damos metade disto. Muitos roubam a Deus dizendo, "Nós não estamos no tempo da Lei." Se no Velho Testamento os santos davam dízimos, poderíamos dar menos? Leia Gênesis 14:20; 28:22; Mateus 23:23. Oremos para que o Senhor livra-nos deste pecado e nos ensine a dar assim como Ele nos mandou a dar (II Coríntios 9:6).
  6. Não buscar primeiro o Reino de Deus (Mateus 6:33). Somente temos tempo para as nossas próprias necessidades. Trabalhamos duro para ganharmos mais, algumas vezes deixando de lado as reuniões por isso, mas não temos tempo para o estudo da Palavra de Deus; para orar, para visitar e praticar o evangelho diante os não salvos. Este é um outro pecado que tem arruinado muitas vidas.
  7. O pecado de mentir (Colossenses 3:9). Muitas vezes mentimos sem saber o que fizemos. Nós cantamos com vozes altas, "Mais de Cristo" mas não temos a consagração real. Nós cantamos, "Tudo Entregarei" mas a oportunidade vem para ofertar e damos muito pouco. Nós pregamos mas não vivemos a mesma mensagem. Que aprendemos a sermos fazedores da Palavra (Tiago 1:22).
  8. O pecado de não amarmos os nossos irmãos como o Senhor nos mandou a amar (João 15:12; Tiago 2:8, I João 3:16,18). O Senhor freqüentemente nos disse, "Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a vós." (João 13:34; 15:12). Muitas vezes amamos apenas de boca, mas não pelas ações. Alguns amam apenas aqueles que os amam ou que estão próximos a eles, mas não têm nenhum amor por aqueles que são diferentes a eles. Que aprendemos a amar nossos irmãos como nos amamos a nós mesmos.
Meu caro irmão, mate estas pequenas raposas, para que elas não façam você infrutífero. Oremos para que o Senhor nos guarde destes pecados, para que possamos viver a glorificar o Salvador Quem nos amou e nos deu a Si mesmo por nós.
Autor: N. Nazarian (Chapel Library
Tradução: Gustavo Stapait Viana 11/01 - Revisão: Calvin G. Gardner 11/01



[1] A palavra é um substantivo derivado do verbo hamartano. Desde Ésquilo (conhecido como o pai da tragédia nas peças teatrais gregas – viveu entre 525 à 455 a.C.) significa “erro”, “fracasso em atingir determinado alvo”. Até aí, corresponde quase que integralmente ao cognato hebraico, na sua essência. Porém, como falta no mundo helênico uma concepção mais firme de falta contra a divindade (o homem poderia ofender os deuses simplesmente porque estes caprichosamente não simpatizavam com ele, independente de sua conduta), a palavra sempre designava uma ofensa cometida contra os amigos, contra outras pessoas em geral, contra o próprio corpo, contra leis estabelecidas, etc. Aristóteles, um dos maiores filósofos da Grécia antiga, colocava a hamartia como ofensa contra a ordem estabelecida, mas sem intenções malignas. Por aí, percebemos que os gregos não imaginavam uma conexão obrigatória entre hamartia e o mal moral. Assim, na linguagem jurídica, hamartia consistia em uma ofensa aos bons sentimentos, qualquer coisa entre a tolice e a violação da lei, qualquer atitude que não se conforme à ética dominante. Os gregos ainda possuíam uma visão determinista da hamartia: é algo inseparável do destino do homem, que não pode ser evitado, e que por isso causa sofrimento. Isto fica bem patente, por exemplo, na tragédia de Édipo Rei.
Apesar destas nuances gregas dadas à palavra hamartia, devido ao sentido básico ela foi utilizada na Septuaginta para traduzir o hebraico h,at,t,a’t. Foi até mesmo mais abrangente do que este termo hebraico, pois também traduziu outras palavras hebraicas de sentido próximo, tais como awon (culpa, iniqüidade) e pesha (rebeldia). Todas estas palavras hebraicas eventualmente também eram traduzidas na Septuaginta pelo grego adikia (avdiki,a, injustiça) – fazendo desta um sinônimo de hamartia. Por isso, teologicamente, hamartia passou a englobar não somente a noção hebraica de  h,at,t,a’t, como também tudo o que pudesse estar direta ou indiretamente relacionado com h,at,t,a’t: culpa, iniqüidade, rebeldia, injustiça. Hamartia passou a estar indubitavelmente ligado ao mal moral.

[2] No Antigo Testamento a palavra mais comumente traduzida por pecado é  h,at,t,a’t (taJ'x;), proveniente da raiz ajx, que aparece 591 vezes em 487 versículos. No hebraico, o sentido básico é o de errar determinado alvo ou objetivo. Um bom exemplo é Juízes 20.16: “Entre todo este povo havia setecentos homens escolhidos, canhotos, os quais todos atiravam com a funda uma pedra a um cabelo e não erravam”. Vemos este mesmo sentido em Provérbios 19.2: “Não é bom proceder sem refletir; e erra o alvo quem é precipitado” (Tradução Brasileira). Deste modo, ainda pode significar falta (Jó 5.24) e ofensas no relacionamento interpessoal (Gn 40.1; 1 Sm 19.4).
Teologicamente, a palavra passou a designar o erro cometido no relacionar-se com Deus. O versículo-chave para essa compreensão encontra-se em Isaías 59.1,2: “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido, agravado, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça”. O alvo é o ter comunhão com Deus, que por um motivo ou outro não se atinge. E aí surge o pecado. Por isso, o pecado constitui-se antes de tudo em uma ofensa a Deus. Portanto, o adultério e o homicídio, embora envolvam ofensas a pessoas, em primeiro lugar é uma ofensa a Deus por estar sendo violado um mandamento de Deus. Deste modo, o rei Davi reconheceu que não apenas ofendeu pessoas, mas antes pecou contra o Senhor (2 Sm 12:13).
Assim sendo, a desobediência à Lei de Deus também consistia em pecado. Jeremias anunciou que pecamos quando não ouvimos a voz do Senhor, ou seja, quando desobedecemos a  sua expressa vontade (Jr 40.3), representada mediante a sua lei. Ou seja, o pecado é tratado como o oposto da aliança ratificada através da Lei dada no Sinai. Por isso se afirma: “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo! E todo o povo dirá: Amém!” (Deuteronômio 27:26). Embora isto adquira um certo tom jurídico, o que está em foco aqui é que desobedecer a Lei de Deus, dada como instrução, é pecar contra o próprio Deus (Dt 9.16; Js 7.11; Ne 9.29; Jr 32.35; Dn 9.5). Por isso, muitas vezes se enfatiza a questão do pecado nacional – a nação como um todo desobedecendo a Lei de Deus – do qual a pessoa individualmente não pode escapar, como em Jz 2.6 – 3.6; 2 Rs 17.1 – 23 e 2 Cr 36.11 - 16.

[3]    A seita maniqueísta foi fundada por Mani ou Manés, um monge asceta que nasceu na aldeia rural de Nahar-Koutha, distrito de Mardinu localizada entre o rio Eufrates e Tigre (não muito distante da atual Bagdá) na Babilônia do Norte, em 14 de abril de 216 d.C. e pregou sua fé pela Pérsia e por quase toda a Ásia, até a Índia e a China, se difundiu no Oriente, e no Ocidente durou até o século VII.
Contêm muitos elementos cristãos, gnósticos e orientais sobre as bases de um dualismo radical entre o bem e o mal recebido da religião mazdeísta de Zoroastro.
A base dogmática do maniqueísmo é o dualismo que consiste na admissão de dois princípios opostos e igualmente eternos: o Bem e o mal. São duas naturezas integradas por princípios contrários, sendo intrinsecamente boa uma e essencialmente má a outra. Os dois reinos o da Luz e o das Trevas corresponderiam aos dois princípios já citados. Estes dois reinos gozaram de grande período de paz, o que fez com que o mundo das Trevas ignorasse o mundo da Luz. Quando os habitantes daquele se aperceberam do espetáculo admirável e encantador que constituía o reino da Luz entraram em acordo para invadi-lo e misturar-se com eles. Tal foi a origem da luta entre os príncipes dos dois reinos.
       Durante a batalha, muitas partículas da luz se confundiram ou mesclaram-se com as da natureza do mal, ficando aprisionadas na matéria. Estas partículas devem ser libertadas para que não sofram a condenação a que está sujeita a matéria. Sua libertação se realiza diariamente em todo o mundo e em seus elementos, e de modo especial a observam os eleitos através da comida e da bebida, atos pelos quais as partículas de luz, livres de suas ataduras das trevas, são transportadas ao reino de Deus em dois navios luminosos, que são a lua e o sol.
       Tinha ainda a intenção de explicar a totalidade do ser, do mundo e da história ao mesmo tempo sustentada por uma vida íntegra e exigente com a qual pretendiam dar veracidade às suas posturas doutrinais. Esses aspectos foram decisivos para o ingresso na nova seita de muitos homens cultos que buscavam um conhecimento elevado. Entre estes está o futuro bispo de Hipona, Aurélio Agostinho.
       Uma vez convertido, Agostinho iniciou um trabalho de refutação do maniqueísmo.  
Através do contato com o neoplatonismo lhe foram apresentados alguns escritos platônicos e ele pôde identificar pontos comuns entre as duas doutrinas (cristã e platônica), em especial a importância que ambas davam ao conceito de Logos. Além de se deparar com uma metafísica do espírito muito bem desenvolvida com a qual afirmaria a transcendência de Deus como luz incorporal, invisível e puramente espiritual.
       O platonismo ainda havia persuadido Agostinho de algo fundamental na sua posterior especulação acerca do mal: de que todas as coisas que existem são boas. Um Deus que é Sumo Bem cria seres imperfeitos e corruptíveis, porém bons. Estes seres não são absolutamente bons, porque são bons enquanto recebem de Deus o ato primeiro de ser, logo a sua bondade é participação na bondade divina. Assim se expressa Agostinho no seu livro Da natureza do bem escrito em meados do ano 405 contra os maniqueus:
Deus é o supremo e infinito bem, sobre o qual não há outro: é o bem imutável e, portanto, essencialmente eterno e imortal. Todos os demais bens naturais têm nele sua origem, mas não são de sua mesma natureza. O que é da mesma natureza que ele não pode ser mais que ele mesmo. Todas as demais coisas, que foram feitas por ele, não são o que ele é. E posto que só ele é imutável, tudo o que fez do nada está submetido a mutabilidade e a mudança. (I,p. 773).
       A chave da questão está justamente no fato do mal não ter existência em si mesmo, pois tudo o que existe e na medida em que existe é essencialmente bom. Logo, o mal é a privação no ser das coisas de alguma perfeição corrompida. O mal não pode destruir totalmente o bem presente nos seres, do contrário haveria o retorno ao nada. Enfim, o mal é simplesmente não-ser.
       Portanto, conclui Santo Agostinho, o mal, como o pecado, por exemplo, não é uma substância (ser em si mesmo e não em outro), mas um defeito ou ausência de algo que deveria estar presente: “uma natureza jamais é um mal e esta palavra não mais designa que uma privação de bem”. (De Civitate Dei, XI, 22). Ficava claro para ele que Deus não poderia em hipótese alguma dar origem ao mal.

[4] Entre os demais povos antigos o conceito de pecado era: ofensa à divindade. Esta ofensa ocasionava a ira da divindade, a qual precisava ser aplacada mediante sacrifícios. Os sacrifícios foram estabelecidos em Israel não para simplesmente aplacar a ira, mas acima de tudo para restabelecer a comunhão com Deus. O livro de Levítico é o manual das cerimônias sacrificiais, para mostrar a Israel como tratar com o pecado cometido. É  o livro aonde mais aparece a raiz ajx, ao todo 116 vezes em 85 versículos. A importância de remover o pecado é atestada pelo uso desta mesma raiz no grau intensivo piel para falar do ritual da purificação dos pecados (Êx 29.36; Lv 9.15; Sl 51.9). Isto explica porque a mesma palavra que designa pecado também designa a oferta pelo pecado (Lv 7.37; 2 Cr 29.21; Ne 10.33). Mas o ritual expiatório levítico era bastante restrito: somente os pecados cometidos involuntariamente ou na ignorância poderiam ser perdoados, ficando sem expiação os pecados cometidos deliberadamente (“à mão levantada”: Nm 15.22 – 31).

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